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18/11/2009 00:00  por  Leandro Roque \  economia

O fenômeno foi localizado e felizmente não causou vítimas fatais.  Porém, os princípios por trás de tudo são lamentavelmente universais.

Como todos já sabem, o governo de São Paulo contratou um consórcio de empreiteiras para construir um anel viário que contorna toda a região metropolitana de São Paulo.  Alguns trechos, como o Trecho Oeste, já foram inaugurados há alguns anos; outros ainda estão em construção.  A função dessa via é interligar as Rodovias Bandeirantes, Anhanguera, Castelo Branco, Raposo Tavares e Régis Bittencourt.

Fatos

Na noite de sexta-feira, dia 13, três vigas de sustentação de um dos viadutos desse anel viário desabaram sobre a Rodovia Régis Bittencourt, atingindo três veículos e deixando três pessoas feridas.

O que se sabe até agora é que o Ministério Público Federal, com o auxílio do Tribunal de Contas da União, assinou um termo com as empreiteiras e com a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.), estatal que gerencia a construção do Rodoanel, para limitar em R$ 264 milhões os gastos extras com as obras do anel viário.

Porém é sabido que, ainda em agosto, o governo do Estado de São Paulo anunciou que gastaria R$ 500 milhões extras com a obra. Ou seja, após a assinatura desse termo, foi vetado um gasto adicional de mais R$ 200 milhões.

Esses são os fatos conhecidos até o momento.  Observe que, até aí, só vimos entidades políticas e empreiteiras aliadas envolvidas na situação. 

Causas

As causas específicas do acidente serão desvendadas por engenheiros, mas já sabemos de antemão quais as causas fundamentais da lambança: ausência de propriedade privada e de mercado - característica essa típica das Parcerias Público-Privadas.

O raciocínio é tristemente linear:

1) As obras têm finalidade política e são gerenciadas por órgãos políticos.  Elas precisam estar concluídas antes das eleições.

2) Não há propriedade privada.  As empreiteiras estão ali apenas para receber o dinheiro dado pelo governo e entregar a obra finalizada dentro do prazo especificado.  Elas não vão gerir o Rodoanel após sua finalização.  Logo, elas não têm interesse em sua qualidade e robustez.

3) Da mesma forma, elas não têm autonomia para decidir seus custos, uma vez que não trabalham com capital próprio e nem com empréstimos.  Elas simplesmente recebem dinheiro do governo e precisam "se virar" com aquela quantia.

4) Isso significa que as empreiteiras têm de satisfazer o estado e não o consumidor do seu produto final - que, num genuíno livre mercado, é quem realmente manda.

5)  Não há mecanismos de mercado para alocar os recursos de modo eficiente.  O governo decide quem vai fazer a obra, como ela será feita e em que prazo.  O monopólio fica então estabelecido.   Eventuais empresas que porventura quisessem construir um Rodoanel por conta própria, sem utilizar um único centavo público, e que, por isso, pudessem cobrar de pedágio o valor que quisessem, estão rematadamente proibidas de incorrer em tal empreendimento.  O estado não deixa.

6)  Caso houvesse essa liberdade de empreendimento, a empresa que construísse a obra viária seria também a dona dela.  Nesse cenário, não é desarrazoado imaginar que ela teria total interesse na qualidade e durabilidade do produto, pois esse arranjo seria o que menos lhe traria custos de longo prazo (não seria inteligente utilizar vigas e asfalto de baixa qualidade, pois as despesas com reposição e indenização por acidente não compensariam a economia inicial de custos).

Portanto, antes que qualquer laudo técnico esteja pronto, o IMB já tem a resposta para as causas do problema, vale repetir: ausência de propriedade privada e ausência de mercado.

Compreendendo bem esses detalhes, chega até a ser surpreendente que algumas PPPs funcionem.

 

Mais sobre o assunto:

As PPPs - a porta de entrada para o socialismo

Algumas considerações sobre a "privatização" de estradas


13/11/2009 00:00  por  Leandro Roque \  economia

Tenho para mim que todo keynesiano que se preze, principalmente o da vertente pós-keynesiana, está fazendo todo o tipo de promessa e mandinga na esperança de que Obama saia o mais rápido possível da Casa Branca - caso contrário, a profissão vai cair em descrédito (para alívio mundial).

Aluno aplicadíssimo - certamente o mais aplicado que já passou pela Casa Branca desde Lyndon Johnson -, Obama até agora vem seguindo a cartilha (pós) keynesiana à risca: imprimiu dinheiro sem medo, reduziu os juros a quase zero, gastou o que tinha e o que não tinha, aumentou o déficit orçamentário, estourou a dívida pública e transformou o governo em empresário, substituindo a "ineficiência" do setor privado pela onisciência governamental.

Sendo tão aplicado assim, qual o problema que os (pós) keynesianos teriam com ele?

Simples: a teoria keynesiana diz que suas intervenções econômicas trazem resultado já no curto prazo - isto é, crescimento econômico e queda do desemprego.  Se Obama assumiu o governo em janeiro desse ano, 11 meses de keynesianismo em escala mastodôntica teoricamente já deveria ter surtido alguns resultados positivos.  Mas houve algum?  Não, pelo contrário.

O crescimento econômico ocorrido no terceiro trimestre, como já explicamos, é totalmente fictício e insustentável, tendendo a cair tão logo os estímulos sejam retirados.  Já o desemprego... Ah, essa é a melhor parte.

Veja o gráfico a seguir.

A linha branca mostra a previsão feita pelos economistas da Casa Branca sobre como seria a taxa de desemprego com a aplicação dos pacotes de estímulo adotados pelo governo americano.

A linha cinza mostra a previsão desses mesmos economistas caso não houvesse pacotes de estímulo.

E a linha vermelha mostra o real comportamento da taxa de desemprego, com todos os estímulos.

Realmente, uma imagem vale mais que mil palavras.

Mas sejamos justos.  Quem começou os pacotes de estímulo foi o próprio Bush.  Obama simplesmente deu continuidade - numa apavorante reprise do que fez a dupla Hoover/Roosevelt, um disputando com o outro para ver quem era o mais intervencionista.

Assim, quando a crise começou em agosto de 2007 (quando as bolsas começaram a cair após terem constatado o castelo de cartas das hipotecas subprime), o desemprego estava em 4,7%.  O Fed baixou os juros.  Em setembro de 2008, o desemprego já estava em 6,2%.  Os pacotes foram sendo aprovados.  Quando Obama assumiu, em janeiro de 2009, o desemprego já estava em 7,6%.  Pela teoria keynesiana, tudo o que foi feito deveria garantir que o desemprego ficasse pelo menos ao redor desse valor.  Hoje, 26 meses após o início dos estímulos, o desemprego já está em 10,2% -  117% maior do que quando tudo começou.  (Veja os números aqui).

Por fim, vale uma observação interessante, que já fizemos aqui: no ano 2000, o orçamento total do governo dos EUA foi de 1,8 trilhão de dólares.  Já em 2008, o orçamento total foi de $3 trilhões, o que significa que em 8 anos os gastos cresceram 66%.  Ou seja, já tinha havido uma explosão nos gastos governamentais antes que toda essa balela de "estímulo" tivesse sido inventada. 

Pergunta-se: por que esse aumento de 66% nos gastos em 8 anos não impediu a depressão americana?  De acordo com Keynes, era para a economia americana estar bombando.

A questão toda nem é divagar sobre como tudo poderia estar melhor caso nada tivesse sido feito - isto é, caso não tivessem ocorrido os déficits, o aumento da dívida, as estatizações, a gastança, a inflação monetária e a diminuição artificial dos juros.

A questão principal é: por que após seguidas demonstrações de uma abismal incapacidade de solucionar problemas econômicos, a teoria keynesiana segue sendo levada a sério, garantindo empregos vitalícios para vários acadêmicos e "pesquisadores" que só pensam em enriquecer sem esforço, sem concorrência e à custa dos outros?

Acho que a resposta está contida na própria pergunta.

12/11/2009 00:00  por  Rodrigo Constantino \  economia

"Parte da liberdade é o direito de cada um ir para o inferno à sua própria maneira." (David Friedman)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o uso das câmaras de bronzeamento artificial para fins de embelezamento. A justificativa é o risco de se contrair câncer em função da exposição à radiação ultravioleta. Fiscais serão mobilizados para verificar o uso das câmaras, que continuam liberados para tratamento de doenças como vitiligo e psoríase. A multa para descumprimento das regras pode chegar a R$ 1,5 milhão, e a clínica de estética pode ser interditada. Trata-se de mais uma medida autoritária de burocratas desocupados que se arrogam o direito de nos proteger de nós mesmos.

A medida poderia ser combatida com base em sua eficácia altamente questionável. Afinal, como fiscalizar todas as clínicas, avaliando o tipo de tratamento usado em cada caso? Parece evidente que a medida irá estimular a informalidade, favorecendo clínicas de fundo de quintal e colocando em risco ainda maior aquelas pessoas que não abrem mão do serviço. Além disso, a coisa chega a ser patética quando pensamos que a própria luz solar pode causar câncer. Qual o limite? Será que amanhã os burocratas "altruístas" vão vetar a praia durante o horário de maior intensidade solar?

Mas o verdadeiro ataque a esta medida absurda não deve se voltar ao aspecto da eficiência, e sim da moralidade. Com que direito a Anvisa pensa que pode controlar nossas vidas dessa forma? Quem autorizou o governo a ser o guardião de nossa própria saúde? Qual documento cada um de nós assinou permitindo tamanha tutela? Essa invasão de privacidade é totalmente imoral. Não tem legitimidade alguma. Se nossa vida nos pertence, se nosso corpo é propriedade particular, então segue naturalmente disso que podemos fazer com ele o que bem desejarmos, inclusive correr riscos mortais. Trata-se de uma escolha individual, afinal de contas. Muitas coisas podem causar câncer, podem causar doenças em geral, podem até mesmo matar. Mas optar por assumir tais riscos é uma decisão do indivíduo, não do governo. Somos cidadãos, não súditos.

Alguns podem argumentar que existem os gastos com saúde pública, e que, portanto, o governo pode sim controlar os riscos que assumimos à nossa saúde. É um argumento muito usado na cruzada antitabagista. Mas é um argumento totalmente furado. Não é porque uma coisa está errada - todos serem forçados a bancar a saúde de todos - que vamos insistir no erro, agravando-o. No limite desse raciocínio, o governo teria total controle sobre nossas vidas, nos mínimos detalhes. Afinal, se fumar faz mal à saúde, não praticar exercícios aeróbicos também faz. Deve o governo obrigar cada um a praticar corridas matinais? Comer fritura e gordura também faz mal. Deve o governo impor uma dieta saudável para todos? Fica claro que essa é a mentalidade dos ditadores, que não respeitam a liberdade individual.

Em suma, a medida representa apenas mais uma desastrada demonstração de autoritarismo do governo. Aguardamos ansiosamente qual será a próxima idéia genial dos burocratas da Anvisa para nos proteger de nós mesmos, de nossa irresponsabilidade. Quem sabe o uso obrigatório de protetor solar, com os fiscais verificando se foi espalhado direitinho em todas as partes do corpo? Ou então literalmente tapar o sol com a peneira? Melhor não dar idéia, nem de brincadeira, porque essa turma pode levar a sério...
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Veja também o impagável Luis Almeida enquadrando a Anvisa, chamando-a do que ela realmente é.


10/11/2009 00:00  por  Nubia Tavares \  economia

De novo, o FGTS. Comentei a postura do presidente Lula, que usa o dinheiro de cada trabalhador em favor do atual governo (sim, porque construção de casas populares, que segundo o governo é a real razão de existir do FGTS, é uma medida populista).

Hoje, vamos falar sobre uma das principais manchetes do dia - a perda real de valor dos FGTS, que renderá 3,9% em 2009, abaixo da inflação do ano, que deve fechar em 4,27% segundo as previsões oficiais. O FGTS é reajustado pela TR, que teve seu cálculo modificado por conta das constantes quedas na SELIC (para entender o que é e como funciona a SELIC, clique aqui e aqui). Com a queda da TR mensal, o trabalhador que tem dinheiro no FGTS (como é o meu caso), perdeu dinheiro este ano, em lugar de ganhar (ou pelo menos empatar com o que tinha no ano anterior). Na ponta do lápis: Quem tinha R$ 1000,00 no FGTS ano passado terá R$ 1039,00 esse ano. Por outro lado, um produto que custava R$ 1000,00, custará R$ 1042,70 esse ano, se for corrigido conforme a inflação. Ou seja: os R$ 1000 que compravam o produto o ano passado, não o compram este ano, porque os rendimentos do fundo não repuseram as perdas com a inflação.

Vamos entender o porquê.  A TR é uma taxa de juros calculada com base na taxa média mensal ponderada ajustada de 30 instituições selecionadas. Essa taxa foi criada no Plano Collor II para ser o principal referencial dos juros a serem aplicados no mês vigente, sem refletir a inflação do mês anterior. O cálculo da TR é constituído pelas 30 maiores instituições financeiras do país (considerando o volume de captação de Certificado e Recibo de Depósito Bancário - CDB/RDB).  Esta taxa (TBF) recebe um redutor "R" objetivando extrair as parcelas referentes à taxa de juros real e à tributação incidente sobre o CDB/RDB. Assim, temos o valor da TR. Até março de 2007, o redutor da TR era de 0,32 para uma TBF projetada entre 13% e 12% ao ano, 0,28 para TBF de 12% e 11% ao ano e 0,24 para TBF de 11% ao ano.

Só que, com o Copom reduzindo constantemente o valor da SELIC, os fundos de investimentos convencionais, que são os maiores responsáveis por comprar títulos do governo (ou seja, financiar a dívida pública), passaram a render quase tanto quanto a poupança, que tem a vantagem de não receber a tributação do imposto de renda. Com isso, parte do fluxo de capitais migrou dos fundos para a poupança. E como esse movimento afeta diretamente as contas governamentais, era preciso fazer algo.

A atitude que mais causou gritaria e acabou sendo engavetada pelo governo foi a cobrança de imposto de renda sobre a poupança. Contudo, outra medida foi adotada sem causar tanto barulho assim: a mudança no cálculo da TR - que também é a responsável por fixar os juros desta aplicação.

Sendo assim, o Conselho Monetário Nacional determinou que o redutor da TR seria também de 0,32 para as duas menores faixas da TBF, reduzindo assim o rendimento da poupança. Para as faixas acima de 13%, os valores do redutor permanceram os mesmos. Resumindo: sempre que a TBF/TR ficar abaixo de 12%, a poupança renderá menos que antes, já que o redutor é maior.

Resumindo a história: para proteger o financiamento da dívida pública, o governo não apenas reduziu os rendimentos de quem tem dinheiro aplicado na caderneta de poupança, como também aplicou perdas reais aos trabalhadores que possuem dinheiro no FGTS - que, não custa lembrar, é um fundo compulsório, ou seja, você não tem opção de mudar de aplicação, só podendo retirar seu dinheiro da conta em caso de demissão. Outro efeito colateral da mudança no cálculo da TR foi "beneficiar" os mutuários do Sistema de Financiamento Habitacional, cujas dívidas são corrigidas pela TR e, por conseguinte, ficaram menores com a mudança no cálculo.

 É isso mesmo: para proteger o financiamento estatal, o governo não só puniu os poupadores como acabou beneficiando devedores. Se isso não é abuso de poder, alguém poderia me explicar o que é?


06/11/2009 00:00  por  Roberto Fiori Chiocca \  economia

O debate ocorreu na Drexel University, na Philadelphia em 5 de julho de 2009 entre o candidato à presidente dos EUA(2004) pelo Libertarian Party Michael Badnarik e o brilhante Stefan Molyneux do Freedomain Radio.

Um debate de altíssimo nível: de um lado, Badnarik tentando de alguma maneira defender a existência de um Estado, e do outro, Molyneux demonstrando de maneira clara e derrubando todos os argumentos de Badnarik.

Um dos argumentos que Badnarik usou para tentar defender a continuação da iniciação de agressão foi o de que as pessoas não estão dispostas a se defender sozinhas (ou seja, pegar uma arma e fazer a ronda em suas casas, ficar de vigília, perseguir agressores, etc). 

A princípio quem ouvir este argumento pode até concordar com ele.  Eu não imagino minha avó com uma pistola na bolsa, ou mesmo meus vizinhos correndo atrás de um bandido.  Mas o argumento é nonsense porque igualmente eu também não imagino minha avó fabricando o próprio carro ou tratando sozinha da sua saúde, se auto-examinando, meus vizinhos fazendo faxina ou cuidando do jardim do prédio eles mesmos.

Isso é normal, pois vivemos numa sociedade onde a divisão do trabalho emergiu naturalmente.  Não temos que fazer tudo sozinhos - podemos trocar, fazer aquilo que fazemos de melhor e nos concentrarmos naquilo, e trocar o fruto do nosso trabalho (dinheiro) pelo trabalho de outros.

Ou seja, realmente não estamos todos dispostos a praticar a defesa com nossas próprias mãos, assim como também o executivo não está disposto a varrer seu escritório.  Podemos contratar empresas especializadas em defesa para proteger nossas propriedades, mas não temos que ser obrigados a fazâ-lo. Esta obrigação seria uma agressão - e aí todo o propósito de defesa da nossa liberdade estaria perdido.

O debate durou 4 horas e foi agora disponibilizado em vídeo no youtube. Uma verdadeira aula que pode representar um "turning point" para aqueles que, como o professor Badnarik, ainda insistem em defender de alguma maneira a iniciação de agressão.

Link para o debate em vídeo:
http://www.youtube.com/view_play_list?p=6E26254DBE03EA59


04/11/2009 00:00  por  Leandro Roque \  política

A imprensa brasileira compreensivelmente não está noticiando os trambiques do seu garoto-modelo, por isso temos de recorrer a fontes estrangeiras.

Como noticia o britânico Telegraph, Al Gore pode se tornar o primeiro sujeito no mundo a faturar um bilhão de dólares exclusivamente por causa das "políticas verdes" que ele tanto advoga.

O que tem de errado nisso? Explico:

Ano passado, a empresa da qual Al Gore é parceiro, uma private equity chamada Kleiner Perkins, emprestou 75 milhões de dólares para uma pequena empresa da Califórnia.  Essa empresa californiana, chamada Silver Spring Networks, produz hardware e software com o intuito de deixar as redes elétricas mais eficientes.

Até aí, beleza.  Não há nada de errado nisso.

Mas eis que na semana passada entra em cena o Departamento de Energia americano e anuncia subsídios de 3,4 bilhões de dólares para tais empreendimentos.  Do total, mais de 560 milhões foram destinados para concessionárias de utilidade pública com as quais a Silver Spring tem contratos.

Isso significa que a Kleiner Perkins de Al Gore, que entrou com meros 75 milhões de dólares, poderá colher lucros estrondosos nos próximos anos, cujas estimativas chegam a 1 bilhão de dólares.

Quando um sujeito enriquece no livre mercado, isso significa que ele teve êxito em ofertar bens e serviços que os consumidores estavam demandando.  Trata-se de um arranjo puramente voluntário e meritocrático.  Agora, quando um sujeito membro da elite política utiliza o aparato estatal para se tornar ainda mais rico, isso significa que ele teve êxito em espoliar os contribuintes de seu país.

Mas temos de reconhecer o espírito empreendedor de Al Gore.  Primeiro o indigitado sai percorrendo o mundo promovendo suas mentiras climáticas.  Isso lhe rende um Nobel e o servilismo de toda a imprensa mundial (a imprensa brasileira certamente é uma das mais sabujas.  É praticamente impossível encontrar uma linha sequer criticando Gore).

Logrado êxito na promoção do terrorismo ambiental, Gore passa a promover intervenções estatais geradoras de pobreza alheia (e enriquecimento próprio).  A intenção é fazer com que o mundo retorne ao modo de vida do início do século XX.  Países mais espertos e que estão preocupados em enriquecer, como China e Índia, simplesmente ignoram as políticas preconizadas pelo charlatão.  No Brasil, o sujeito tem um ardoroso fã clube midiático liderado por Sérgio Abranches - que, sendo sociólogo, está perfeitamente apto a palpitar com firmeza e desenvoltura sobre questões climáticas das quais nem os cientistas do MIT se sentem seguros para falar.

Uma vez implementadas tais políticas pelo congresso americano, Gore apenas se ocupa de coletar os milhões de dólares que passam a jorrar dos contratos que ele tem com as empresas que ele ajudou a enriquecer por meio dos subsídios do estado.  Fecha-se o ciclo de investimento. 

Pelo menos ficou explícito agora quais são - e sempre foram - as reais intenções de Gore.

Ou seja: foi transformado em ícone do humanismo um sujeito que cria factóides para arrebatar receitas polpudas do contribuinte.  E não se enganem: isso não é problema exclusivo dos americanos.  Quando as políticas algorianas forem implantadas no Brasil, seu suado dinheirinho será utilizado para benefício de empresas e empresários com boas conexões com o estado. 

E tudo em nome do verde e com todo o apoio da mídia.  Simplesmente não haverá como nos defendermos.  Como dizem em Minas, "Nós tamo a pé".


30/10/2009 00:00  por  Leandro Roque \  economia

Toda a mídia está divulgando com grande regozijo os recentes dados sobre o PIB americano.  Âncoras brasileiros chegaram inclusive a anunciar 'o fim da recessão americana'.

Mas será que isso procede?  Uma simples analisada nos números revela um cenário bem mais desanimador.

Primeiramente convém notar que a taxa de crescimento divulgada, de 3,5%, é um taxa anualizada, e não a taxa trimestral realmente obtida entre julho e setembro.  Isso significa que a verdadeira taxa de crescimento ocorrida no período de julho a setembro (taxa trimestral) foi elevada ao expoente quatro (pois há quatro trimestres em um ano) para que assim tenhamos a taxa que teoricamente ocorreria no período de um ano.

Confuso?  Mas é assim que eles fazem.  O fato é que a taxa trimestral de crescimento entre julho e setembro foi de meros 0,86% - se fosse esse o número divulgado, os ânimos estariam bem mais contidos.

Mas como o número oficial é 3,5%, então trabalhemos com ele e vejamos o que é fato e o que é ficção.

Desses 3,5%, nada menos que 1,6 ponto percentual (quase 46% do total) se deve exclusivamente ao programa Cash For Clunkers.  Tal programa, que em uma tradução livre significa "Dinheiro por Sucata", funciona da seguinte maneira: o sujeito vai a uma revendedora e troca seu carro por um modelo mais novo, mais econômico e menos poluidor.  Nessa troca, ele ganha um desconto que varia de 3.500 a 4.500 dólares, proporcional à diferença de consumo entre o automóvel antigo e o novo.  Quem banca essa diferença?  O governo - isto é, o próprio contribuinte.

E o que é feito com o carro que foi entregue pelo comprador?  O dono da revendedora é obrigado a inutilizá-lo.  Joga-se uma solução de silicato de sódio no cárter, o motor é acionado, a solução se cristaliza e trava o motor.

É realmente algo muito racional.  Destrói-se um bem inteiramente útil e perfeitamente funcional, e a consequência disso - a compra subsidiada de outro veículo - acaba sendo computada como crescimento econômico.  Aparentemente é preciso ter um Ph.D. em economia keynesiana para achar que destruir um bem em perfeitas condições de uso é igual a criar riqueza.  É impossível dizer que tal situação configura geração de riqueza: um carro foi comprado e outro, em perfeito estado, foi destruído.

Aliás, nem com muito otimismo poderíamos dizer que houve um empate, uma vez que foi utilizado dinheiro público nessa transação - isto é, alguém foi obrigado a subsidiar a transação sem tomar parte dela.  Portanto, tal arranjo configura indubitavelmente uma destruição de riqueza.  Mas a matemática econômica consegue reverter a realidade e fazer parecer com que tenha havido geração de riqueza.  E tal raciocínio se passa por ciência econômica hoje em dia, é ensinado nas universidades e aplicado pelo governo mais poderoso do mundo.

Portanto, se o seu carro for destruído na rua, sorria e repita para si próprio: "Que legal, o PIB vai disparar!"

Outro componente que "ajudou" no crescimento do PIB foi o número de construções de imóveis.  Por que houve um aumento nas construções?  Porque o governo americano, além de estar subsidiando as hipotecas, está dando também subsídios de 8 mil dólares para pessoas que forem comprar imóveis e que não tenham comprado nenhum nos últimos três anos.  Detalhe: não importa que a pessoa já tenha um imóvel; se ela estiver há três anos sem ter comprado um, ela pode se qualificar para esse assistencialismo.

Como resultado desse estímulo, houve uma retomada na construção de imóveis.  O problema é que o país já está com um excesso de imóveis construídos (afinal, o termo bolha imobiliária tem algum significado, certo?).  Por que construir mais, se um grande número deles está desocupado?

Se não houvesse esses estímulos e se o governo não estivesse envolvido no setor, os preços dos imóveis estariam caindo, possibilitando às pessoas menos abastadas adquirirem esses imóveis.  Mas, ao contrário, as construções continuam e os programas do governo se encarregam de manter os preços dos imóveis artificialmente elevados, impossibilitando os mais pobres de finalmente adquirirem um imóvel. 

Ambas as medidas - "dinheiro por sucatas" e subsídios para a compra de imóveis - representam uma incrível malversação de recursos escassos.  Mão-de-obra, bens de capital e outros recursos que poderiam estar sendo utilizados em atividades mais produtivas, atividades que realmente criassem riqueza genuína, estão sendo desviados para atividades que nada mais são do que mero consumo de capital.  Não se está produzindo nada que tenha sido genuinamente demandado pelos consumidores, não se está investindo em nada de longo prazo; está-se apenas desperdiçando capital em atividades de efeito temporário, atividades cuja única intenção é maquiar o PIB.

Se não houvesse esses incentivos, as pessoas provavelmente estariam poupando dinheiro ou utilizando-o para saldar suas dívidas.  Mas ao invés disso, elas foram comprar carro e casa só porque o governo estava dando dinheiro.  Dados do Fed mostram que a taxa de poupança das famílias despencou nesse último trimestre.  Não tinha como ser diferente.

O terceiro e último fator que estimulou o PIB foram os gastos do governo americano.  No terceiro trimestre, a gastança cresceu 7,9% em relação ao segundo trimestre, sendo que no segundo trimestre ela havia crescido 11,4% em relação ao primeiro trimestre.

Com isso, o déficit e a dívida do país atingiram níveis pornográficos, do tipo que fariam as aventuras de Cicciolina parecer histórias de convento.  Veja os gráficos:

Déficit:

déficit.png

Dívida:

dívida.png

Por fim, vale lembrar que, durante a Grande Depressão, o período entre 1934 e 1937 foi de crescimento consecutivo do PIB.  A média de crescimento foi de 8,5% ao ano.  Será que alguém crê que a Depressão acabou em 1934 só porque ali começou uma época de "crescimento"?  O fato é que após quatro anos de PIB crescendo a 8,5% ao ano, o desemprego estava em 15%.  E disparou para 19% em 1938.

Isso dá uma boa lição sobre a diferença entre crescimento estatístico e crescimento real.


30/10/2009 00:00  por  Cristiano Fiori Chiocca \  economia

Na ocasião do lançamento do livro Economia do Indivíduo, pelo Instituto Mises Brasil, consegui pegar uma carona com o Helio Beltrão e com o Fernando, após minha mente ter me pregado uma peça ainda em São Paulo.

Uma tarde de tempo ameno no Rio de Janeiro e um trânsito absurdo que faria os paulistanos mais acostumados arrancarem os cabelos, decidi aproveitar a presença do Helio, um experiente e exitoso operador do mercado, além de conhecedor profundo da Escola Austriaca, para discutir um pouco sobre o rumo de ações, bolsas, câmbio e a economia em geral.

Ia eu concordando em linhas gerais com tudo, sobre até onde ia a alta da bolsa, a sinuca em que os governos se encontravam, até que falei para o Helio que eu acreditava no derretimento total do dólar, que se encontrava a R$ 1,79.  Falei que visualizava o dólar abaixo de R$ 1,30, e ainda frisei: "tranquilamente".

E foi nesse ponto que Helio discordou e já via em R$ 1,79 um piso.  Ele ainda argumentou: "até R$ 1,70 pode ser, mas disso não passa."
 
Entre uma e outra canção da pequena Helena (pasmem, uma pré-adolescente afinadíssima), Helio defendeu sua posição e confesso que não consegui entender a argumentação.  Silenciei e guardei a conversa naquelas gavetas da memória que pretendemos abrir um dia para usar.

E não é que esse dia chegou?

Com a publicação dos artigos "Já que você é tão esperto, por que não está rico?" e "Aflições cambiais", senti-me incomodado. Meu amigo Roberto Guarda, com quem troco figurinhas sobre o mercado financeiro, sabe da minha aflição por não conseguir encontrar na BM&F liquidez ou volume para pessoa fisica para comprar uma put (opção de venda) de dólar futuro. Minha intenção desde que o dólar estava acima de R$ 2,20 era comprar put de dólar janeiro 2011.  Mas, infelizmente, vi o dólar cair para R$ 1,70 e não fiz meu primeiro milhão.

O que me incomodou no primeiro artigo é que eu fui esperto e estaria rico, porém, mais sola de sapato será gasta até chegar a esse ponto.

O artigo "Aflições Cambiais", além do título ser o nome da doença de que venho sofrendo, só vem reafirmar minha certeza absoluta da debacle do dólar.  E como Peter Schiff e Jim Rogers não cansam de dizer para apostar contra tudo o que Bernanke diz, traduzi isso pro bom português e Mantega "abriu spread", como dizem os operadores do mercado financeiro, em entrevista recente à Folha de São Paulo (23/10/09).

Durante a tentativa de justificar o IOF ele diz: "... Foi dado um recado àqueles que apostam que vão levar o dólar a valer R$ 1,30, tirem o cavalo da chuva porque não vai ser assim." .

Pois bem "seu" Ministro, meu cavalo está na chuva.  Não adianta o Sr. colocar IOF a 2%, 10% , X%, o dólar vai derreter e não há NADA que o Sr. possa fazer.

Deixe-me esquecer de meus tempos de miséria quando eu queria ganhar meu milhão comprando opção de venda. Vou logo no bilhão e aceito o desafio. Aposto contra o tesouro e o número "cabalístico" de R$ 1,30 (que coincidiu com o que falei pro Helio) fica de lambuja para o governo. Esse vai ser o teto.

27/10/2009 00:00  por  Nubia Tavares \  economia

Dando uma olhada rápida nas manchetes do dia, vejam o que encontrei na Folha, Valor e BrasilEconômico:

 

Lucro da petrolífera britânica BP cai 34% no trimestre para US$ 5,3 bi

Lucro do banco espanhol BBVA cai 0,86% no trimestre e fica em US$ 2,05 bi

Lucro da Honda cai 56% mas fica em US$ 587,8 mi e supera previsões

Lucro da Bayer cai 10,1% no trimestre e fica em US$ 370,5 mi

Lucro da Canon recua 76% entre janeiro e setembro

McDonald's fechará as portas na Islândia devido à crise

Bolsas de NY recuam pelo segundo dia seguido

Sites de relacionamento dão prejuízo de US$ 2,2 bi no Reino Unido, diz relatório

Crédito ao setor privado cai na Eurozona e gera dúvidas

Índia inicia "estratégia de saída" sob ameaça de inflação

Déficit orçamentário espanhol chega a 5,96% do PIB de janeiro a setembro

Ibovespa futuro sinaliza abertura negativa

Base monetária expande-se 4,6% em setembro

Mercado futuro indica pregão instável na Bovespa

Bolsa de NY teve queda com construtoras e financeiras

 

Agora, sendo realista e analisando a avalanche de manchetes: Existe alguma mínima chance de esta crise ter realmente acabado?


26/10/2009 00:00  por  Leandro Roque \  política

"O fascismo deveria ser mais apropriadamente chamado de corporativismo, pois trata-se de uma fusão entre o poder do estado e o poder das grandes empresas".

Benito Mussolini

 


Agora leia esta notícia.  Destaco alguns trechos, que falam por si sós:


Entre as 30 maiores multinacionais brasileiras (ranking de 2008), quase todas têm empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e 20 têm participação do Estado - ou são estatais, ou têm parcelas de capital detidas pelo BNDESPar ou por fundos de pensão de estatais, fortemente influenciados pelo governo.

Incluindo-se as que têm associação indireta com o Estado - como parcerias com a Petrobrás, ou que fazem parte de grupos com participação estatal em outras de suas empresas -, aquele total chega a 25 das 30 maiores multinacionais, com nomes bem conhecidos como Petrobrás, Vale, Ipiranga, Usiminas, Embraer, Perdigão, Bertin e Klabin. Apenas 5 das 30 não têm no momento nenhuma associação (excluindo empréstimos) com o Estado - AmBev, TAM, Globo, Copersucar e Natura.

Embora duas empresas - Gerdau Aços Longos e CSN - tenham participação do governo inferior a 5%, na maioria delas a parcela é superior a 10%, e em quatro é maior do que 20% (Perdigão, Bertin, Fibria e Klabin). Como o ranking é de 2008, a Perdigão, que se fundiu com a Sadia, e a Bertin (frigorífico), que se fundiu com a JBS, aparecem separadamente. Em ambos, a participação do Estado se manteve depois da fusão. Esses são exemplos de negócios que o governo ajudou a costurar e que mostram a estrutura de concentração da política industrial.

Para tocar sua ambiciosa política industrial, o governo está fazendo uma gigantesca injeção de recursos nos bancos estatais, concentrada no BNDES. Segundo números do Banco Central, o saldo dos empréstimos do Tesouro Nacional a essas instituições saiu de zero em 2005 para R$ 145,4 bilhões em agosto de 2009. Desse total, R$ 137,5 bilhões foram para o BNDES.

(...)

O custo financeiro do fortalecimento do BNDES, no entanto, é apenas um dos problemas identificados por Almeida no crescente intervencionismo do Estado no setor produtivo. Ele constata que a política industrial do governo ainda vive um dilema de difícil superação: ao apostar as fichas nos grandes grupos econômicos brasileiros e na estratégia de usar o seu poder para concentrá-los ainda mais e criar "campeões nacionais", que possam competir globalmente, o governo acaba reforçando uma estrutura produtiva calcada na produção de commodities e de produtos de baixa tecnologia.

"É uma política industrial que consolida o que já somos, em vez de sinalizar o que queremos ser", diz Mansueto Almeida [o realizador do estudo].

 

Ou seja:

Além de ajudar a perpetuar um modelo de exportações baseado em produtos de baixo valor agregado (não houve um único país que se desenvolveu seguindo apenas esse modelo), tal política transforma os brasileiros em financiadores que não têm direito aos juros.  Nós damos o dinheiro, eles (governo e empresas) ficam com os lucros.

Ademais, o texto cita algumas empresas (AmBev, TAM, Globo, Copersucar e Natura) que não têm "no momento nenhuma associação (excluindo empréstimos) com o Estado".  Nesse caso, é bom dar uma ênfase no "excluindo empréstimos", pois todas provavelmente mamam no BNDES e seus juros subsidiados - subsidiados por nós contribuintes.

Tal política intervencionista e enriquecedora do grande baronato empresarial é amplamente defendida pelas esquerdas - que, não obstante, acusam os livre-mercadistas de serem os defensores lacaios das grandes empresas. 

Somente quando essa inversão for atacada e desmontada, somente quando a população for conscientizada de que o livre mercado é o exato oposto desse arranjo fascista, e que ele é o único mecanismo capaz de quebrar a espinha desse perverso esquema de transferência de renda ao avesso, é que o movimento libertário terá alguma chance - principalmente por meio do apoio dos micro e pequenos empreendedores, aqueles genuínos herois brasileiros que sobrevivem sem usar o estado para meter a mão no bolso de seus compatriotas.




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