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Vai, Romário! Brilha muito fora do Congresso!
por Leandro Roque, sábado, 5 de fevereiro de 2011

A imprensa está indócil porque Romário, que foi eleito deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro, foi flagrado cabulando uma sessão do Congresso, na última quinta-feira. 

Enquanto os deputados se reuniam para "apresentar 170 projetos de lei, uma emenda constitucional, cinco projetos de resolução e três projetos de lei complementar", o craque apenas se limitou a curtir o sol da Barra da Tijuca jogando futevôlei.  

Ou seja, segundo a imprensa, o país estaria melhor se Romário, ao invés de ficar jogando futevôlei na Barra, gastasse suas preciosas tardes criando projetos de lei para controlar nossas vidas, regular ainda mais a economia, e tomar dinheiro do setor produtivo para redistribuí-lo para Sarneys, Calheiros, e organizações e grupos de interesse com boas conexões políticas.

Em uma sociedade livre, medidas como essas que ocorrem diariamente no Congresso seriam vistas como o que realmente são: assaltos, um crime digno de cadeia para seus efetuadores; na democracia, no entanto, elas repentinamente adquirem um status de alto gabarito moral.  Hans-Hermann Hoppe, em seu livro sobre a democracia, explicou detalhadamente como o sistema democrático gera uma crescente degeneração moral, inversão de valores éticos, declínio cultural e desintegração social.  No caso em questão, um sujeito que escolhe não participar do processo de pilhagem passa a ser visto como criminoso e arrogante, ao passo que os verdadeiros criminosos e arrogantes, que saqueiam o setor produtivo para proveito próprio e de seus cupinchas, são vistos como pessoas trabalhadoras e preocupadas com o tal do "bem comum".

Romário, ao agir assim, faz um bem ao país e à sua biografia: desmoraliza esse sistema pernicioso que é a democracia e, de quebra, se recusa a participar do processo de espoliação de nossas riquezas e de redução de nossas liberdades civis e econômicas.

A se lamentar apenas o fato de as outras excelências não compartilharem do mesmo hobby do baixinho.  Afinal, como o Brasil estaria melhor: com Sarney passando suas tardes no Senado ou com Sarney passando suas tardes fazendo embaixadinhas na praia, tabelando de cabeça com Edison Lobão e Eduardo Cunha?