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Como o capitalismo salvou os mineiros chilenos
por Daniel Henninger, quinta-feira, 14 de outubro de 2010

É algo que precisa ser dito: o resgate dos mineiros chilenos representa uma vitória maravilhosa do capitalismo e do livre mercado.

Em meio ao ilimitado regozijo humano que se seguiu ao resgate dos mineiros, pode parecer um tanto grosseiro fazer tal afirmação.  E é grosseiro.  Mas estamos vivendo em tempos grosseiros, e os riscos têm de ser altos.

Aqueles que condenam o capitalismo e o livre mercado gostam de fazer ironias, dizendo frases como esta, proclamada pelo presidente Barack Obama:

A ideia básica é que, se nós tivermos uma fé cega no mercado e deixarmos que as empresas façam o que quiserem e que todas as pessoas se virem por conta própria, então o país de alguma forma irá automaticamente crescer e prosperar.

É isso aí.  Essa é uma caricatura da ideia básica, mas basicamente ela está certa.  É só perguntar aos mineiros.

Se, 25 anos atrás, aqueles mineiros tivessem sido soterrados a 700 metros de profundidade em uma mina qualquer de qualquer lugar do planeta, eles estariam mortos agora.  O que ocorreu nesses últimos 25 anos que transformou a morte certa em um resgate exitoso?  O que foi inventado que significou a diferença entre a vida e a morte para aqueles 33 homens?

Resposta rápida: a perfuradora Center Rock.

 

Essa foi a broca milagrosa que perfurou o solo até chegar aos mineiros soterrados.  A Center Rock Inc. é uma empresa privada sediada na cidade de Berlin, no estado da Pensilvânia.  Ela tem 74 empregados.  O equipamento e a estrutura completa para perfuração vieram de outra empresa, a Schramm Inc., sediada em West Chester, Pensilvânia. 

Ao ficar sabendo do desastre, o presidente da Center Rock, Brandon Fisher, entrou em contato com os chilenos e ofereceu sua perfuradora.  O Chile aceitou.  Os mineiros estão vivos.

Agora a resposta mais longa: a perfuradora Center Rock é uma peça de tecnologia robusta desenvolvida por uma pequena empresa que estava no ramo com um único objetivo: ganhar dinheiro.  Foi em busca do lucro que ela inovou e desenvolveu suas técnicas de perfuração de solo.  Se ela ganhar dinheiro, poderá fazer ainda mais inovações.

Essa dinâmica do lucro = inovação estava por todos os lados daquela mina chilena.  O cabo de alta resistência utilizado para puxar os mineiros foi feito na Alemanha.  O cabo superflexível de fibra ótica que os mineiros utilizavam para se comunicar com o mundo acima deles foi feito no Japão.

Outros equipamentos extraordinários vindos de vários cantos do capitalismo apareceram no deserto do Atacama para salvar as 33 vidas.  A Samsung da Coréia do Sul forneceu um telefone celular que possui seu próprio projetor.  Um empreendedor da Virgínia, fundador da empresa Cupron Inc., forneceu meias feitas com fibra de cobre.  Essas meias consumiam as bactérias que se formavam nos pés, minimizando assim os odores e as infecções.

O ministro da saúde do Chile, Jaime Mañalich, disse "Eu nem tinha ideia de que tal tipo de coisa de fato existia!"

É isso mesmo.  Em uma economia aberta, você nunca saberá o que existe lá fora sendo produzido pelo setor de ponta desta ou daquela indústria.  Porém, a realidade por trás dos milagres é a mesma: alguém inventa algo útil, ganha dinheiro com essa invenção e então aprofunda suas inovações.  Ou então alguém entra em cena e sobrepuja sua inovação, criando outra ainda melhor.  Na maioria das vezes, ninguém fica sabendo.  Tudo o que esse mecanismo faz é criar empregos, riqueza e bem-estar.  Sem esse sistema operando em segundo plano, sem o progresso anual incorporado nessas inovações capitalistas, aqueles mineiros soterrados estariam mortos.

O resgate dos mineiros foi um emocionante momento para o Chile, uma demonstração do crescente prestígio e importância desse país.  Mas é inevitável não pensar naquela empresa de 74 pessoas em Berlin, Pensilvânia, cuja perfuratriz de alta tecnologia abriu a terra, desceu 700 metros e libertou 33 homens até então condenados à morte.  Existem centenas de milhares de histórias de sucesso como essa, de empresas que mudam para melhor a vida das pessoas, desde empresas gigantes como o Google até pequenas empresas como a própria Center Rock.

E é motivo de enorme felicidade para nós que esse fenômeno tenha ajudado a salvar a vida de 33 seres humanos. 

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