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Jim Rogers e a ajuda internacional (Concurso IMB)
por Alexandre Knoblauch, segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nota do IMB: o artigo a seguir faz parte do concurso de artigos promovidos pelo Instituto Mises Brasil (leia mais aqui).  As opiniões contidas nele não necessariamente representam as visões do Instituto e são de inteira responsabilidade de seu autor.


Há várias críticas fortes contra a ajuda internacional a países de terceiro mundo, como a de que grande parte do dinheiro é absorvida pela corrupção enquanto que apenas uma pequena parte chega até as pessoas necessitadas; e que, além disso, esse dinheiro vai parar em mãos de ditadores que o usam para perpetuar seus regimes decadentes que já teriam acabado há muito tempo, piorando ainda mais a situação do povo.  E, é claro, há também aquela pequena questão de que um governo de um país rico não tem direito de forçar os seus habitantes a doar dinheiro para países pobres, ameaçando de prisão os rebeldes.

Esses são argumentos fortes usados pelos críticos da ajuda internacional, sendo um deles o famoso investidor, Jim Rogers.  Porém ele comete um erro grave.  De seu livro, "Adventure Capitalist", tiramos os seguintes trechos:

"Roupas de todos os tipos são doadas pelos Estados Unidos aos pobres da África, mas quando elas chegam lá, são vendidas como um produto comercial.  Não só elas enriquecem os empresários envolvidos nesse tráfico, como também desempregam os alfaiates locais.  Eles não conseguem competir, nem as pessoas que tecem ou plantam algodão.  Na África você costumava ver alfaiates em todo lugar, você os via no lado das ruas com suas máquinas de costura; porém, agora, você raramente os vê. Como eles poderiam competir com um produto que o empresário consegue virtualmente de graça?"

"Claro que se nós deixássemos os alfaiates na África permanecerem em seus negócios, se nós os ajudássemos a se tornarem produtivos e auto-suficientes, poderíamos estar importando os produtos que eles produzem.  Mas é melhor dar a eles camisas e acabar com seu emprego, para então darmos mais camisas, do que ameaçar o emprego de um trabalhador na Carolina do Norte, que está doando as suas camisas usadas para a igreja [a qual doa as camisas para países africanos] e acabando com o emprego dos alfaiates africanos".

Escondido nesses trechos está a falácia clássica de que importar produtos estrangeiros baratos é ruim para a economia.  Ela diz que se um país for mais produtivo em tudo do que o outro, o país menos produtivo será altamente prejudicado se comercializar com o país mais produtivo e terá todas as suas indústrias destruídas.  O erro nesse argumento é respondido pela lei da associação, que diz que cada participante se especializará naquilo em que ele é mais comparativamente mais eficiente.

Por exemplo, usando um cenário simplista, se um país "A" consegue produzir 50 unidades de X ou 100 unidades de Y, enquanto que um país "B" consegue produzir 40 unidades de X ou 10 unidades de Y, teremos que o país "A" se especializará em produzir Y e o país B se especializará em produzir X, e ambos se beneficiarão mais comercializando entre si do que se eles tentassem produzir sozinhos tudo o que precisam.

Considerando que as doações não sejam interceptadas por ditadores, que as usariam para oprimir ainda mais o povo, e que elas não sejam forçadas pelo governo, elas são benéficas para quem as recebe e para a sua economia, e são benéficas para os doadores que ganham com a satisfação pessoal de ter feito a doação.

Com as doações, os beneficiados gastam muito menos em vestimenta e têm mais dinheiro para gastar em outros itens, aumentando a demanda por essas outras mercadorias que poderão agora ser produzidas, por exemplo, pelos alfaiates que não precisam mais trabalhar com roupas.

Jim Rogers acerta em muitas outras críticas feitas contra as ajudas internacionais, mas não nessa.