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Happy new year em Banânia
por Nubia Tavares, segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

As duas notícias mais lidas na editoria de economia no site da Folha de São Paulo hoje trazem dados bastante interessante para refletirmos sobre o dilema planejamento central x escolhas individuais que são o cerne da visão econômica da Escola Austríaca. A primeira notícia é sobre uma pesquisa elaborada pela Federação do Comércio do Estado sobre as vendas de Natal de São Paulo, e a segunda traz a visão econômica do presidente do Banco do Brasil para 2010.Vejamos as duas:

Inadimplência sobe e atinge 20% dos consumidores em SP, diz Fecomercio
Banco do Brasil prevê crescimento de 20% no crédito em 2010

Não vou transcrever os dois textos na íntegra, mas resumo-os.

1) A primeira relata que os consumidores estão mais endividados e dando mais calotes. Além disso, a pesquisa traz dados que mostram que o crescimento esperado pelo comércio - de 12% mais vendas neste Natal, comparado ao último - será impulsionado principalmente pela compra de eletrodomésticos da linha branca que tiveram o IPI reduzido.  Resumindo: parte dos consumidores estão cautelosos. Outra parte não consegue mais pagar as dívidas que possui. E aqueles que pretendem comprar, optarão por produtos que estão com a carga tributária reduzida.

2) Enquanto isso, no país das maravilhas estatais, o Banco do Brasil quer dar mais dinheiro e baixar juros. A ideia é aumentar em 20% o volume de empréstimos para o próximo ano. Segundo o presidente do BB, Aldemir Bendine, a carteira cujo aumento no volume de empréstimos mais cresceu foi exatamente a carteira de consumo. Aliás, segundo Bendine, com a retomada dos financiamentos, "a tendência para a inadimplência agora é de pequena queda". 

É exatamente isso. Enquanto o consumidor ou está super endividado ou está cauteloso, o presidente do Banco do Brasil aposta na queda da inadimplência via empréstimos maiores, com mais prazo para pagar (poupança deve ser uma palavra que não consta no dicionário dele). 

E não é só isso. A parte mais hilária da matéria é quando, ao comentar a queda nos juros, o presidente do BB diz que COM A CONCENTRAÇÃO DO MERCADO BANCÁRIO EM TORNO DE SEIS PLAYERS, A CONCORRÊNCIA DEVE AUMENTAR (me perdoem o uso da caixa alta, mas eu queria ressaltar que ele realmente disse essa bobagem), pois os bancos estão operando de forma mais eficiente(?).
 
Ou seja: o presidente do maior banco estatal do país acha que concentração de mercado cria concorrência e que empréstimos com prazos maiores é a solução para acabar com a inadimplência. E é isso que ele deseja para todos os brasileiros em 2010. 

Já eu desejo sorte, porque no que depender da solução para a economia do presidente do Banco do Brasil, nós vamos precisar.