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Dólar x Ouro - Duas trajetórias distintas
por Leandro Roque, quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Você não precisa ser nenhum iniciado em economia austríaca para entender que o dólar só tem uma trajetória: para baixo.

Basta ver o que o Fed está fazendo com a base monetária dos EUA e entender a lei da oferta e da demanda: o excesso de oferta vai deprimir o valor da moeda americana - o que, aliás, já está acontecendo.

Já o ouro, por outro lado, não apenas atingiu hoje sua máxima histórica, como vai manter sua tendência de alta - exatamente como os economistas da Escola Austríaca, apesar do escárnio das outras escolas, previram.  O ouro fechou em US$ 1.060,25 a onça-troy no mercado spot e em US$ 1.061,40 a onça-troy no mercado futuro - o que, aliás, pode ajudar as ações da Vale.

Há vários motivos para essa alta histórica do ouro.  Uma delas é a própria desvalorização do dólar - temendo a inflação, os investidores correm para o ouro, que é o porto seguro.

Porém, outro motivo que desencadeou essa alta do ouro foi uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Independent.  Logo no primeiro parágrafo, lemos:

Na mais profunda mudança financeira na recente história do Oriente Médio, os países do Golfo Pérsico estão planejando - em conjunto com China, Rússia, Japão e França - abandonar o dólar nas transações de petróleo, adotando em seu lugar uma cesta de moedas contendo o iene japonês, o yuan chinês, o euro, o ouro e uma nova e unificada moeda planejada para as nações do Conselho de Cooperação do Golfo, que inclui Arábia Saudita, Abu Dhabi, Kuweit e Catar.

Vale uma regra quase infalível: nunca acredite em algo até que alguém o negue.  Dito e feito.  Tão logo essa informação foi divulgada, o banco central da Arábia Saudita se apressou em desmenti-la. 

Segundo a reportagem, a transição levaria nove anos, com finalização prevista para 2018.  Vários comentaristas já estão dizendo que tal arranjo não irá acontecer, levantando várias objeções à sua praticabilidade.  Bom, acontecer, pode acontecer.  Mas é fato que tais arranjos envolvendo várias moedas de papel sempre naufragam.  A questão é saber quando.  Um dos argumentos utilizados por esses comentaristas é que o elo dólar-petróleo, por ser antigo, dificilmente será rompido, podendo durar ainda muito tempo.  Também procede, mas em última instância isso não altera a inevitabilidade da substituição do dólar no futuro - a menos que um novo Paul Volcker surja e eleve os juros para 20%.

Peter Schiff prevê o ouro valendo US$ 5.000 daqui a alguns anos.  Ele está investindo pesadamente na commodity.

Veja o vídeo.