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Os recentes eventos deixaram ainda mais claro: dinheiro de verdade é o ouro. E você empobreceu
por Leandro Roque, quarta-feira, 13 de maio de 2020

Atribui-se a J.P. Morgan a frase: "Money is gold, everything else is credit". 

Ou seja, dinheiro de verdade é o ouro; todo o resto é apenas uma forma de crédito.

Sua frase foi dita em 1912. Naquela época, os EUA vivam sob o padrão-ouro. Apenas o ouro físico em mãos era dinheiro garantido. Todo o resto era apenas uma promessa de pagamento. 

Uma cédula de dólar, por exemplo, era apenas uma promessa de que, se você fosse com ela ao banco, você poderia trocá-la pelo equivalente em ouro, pois cada cédula emitida estava lastreada pelo seu equivalente em ouro.

Já um cheque era uma promessa de pagamento em cédulas de dólar, as quais, por sua vez, prometiam ser restituídas em ouro.

Por isso, Morgan corretamente concluiu que o único dinheiro de verdade era aquele que não dependia de terceiros para ser saldado ou liquidado, e nem tampouco estava sob a gerência de terceiros. Logo, aceitar um pagamento na forma de uma cédula de dólar ou de um cheque era apenas aceitar crédito. 

Apenas o ouro fisico em mãos representava dinheiro. Todo o resto era simplesmente uma forma de crédito que se fazia passar por moeda corrente.

Dinheiro não é o mesmo que moeda corrente

Ao longo da história, muitas coisas foram utilizadas como moeda corrente: tabaco, açúcar, sal, gado, pregos, cobre, grãos, rosários, chá, conchas, anzóis e, é claro, papel pintado.

Tais itens eram moeda corrente; eram meios de troca. Mas não eram dinheiro.

Para algo ser dinheiro, ele tem de poder ser utilizado como meio de troca, unidade de conta e reserva de valor.

Qualquer pessoa que houvesse acumulado, por exemplo, conchas, anzóis ou tabaco teria ficado pobre ao longo do tempo, pois tais coisas não são reservas de valor. Elas não acumulam valor ao longo do tempo. Elas foram momentaneamente utilizadas como meio de troca e como unidade de conta (duas conchas valem meio pedaço de peixe, por exemplo), mas nunca foram reserva de valor.

Apenas duas mercadorias, ao longo de toda a história, sempre foram dinheiro: ouro e prata. 

Está fora do escopo deste artigo fazer um apanhado histórico, mas o fato é que o ouro e a prata sempre foram escolhidos naturalmente, sem qualquer imposição, para ser utilizados como meio de troca, unidade de conta e reserva de valor. As características que os levaram a ser sempre os escolhidos são sua durabilidade, divisibilidade, facilidade de reconhecimento, portabilidade, escassez (dificuldade de ser produzido em excesso) e uma razão valor/peso que não é nem muito alta e nem muito baixa.

Mais: sempre que uma nação manteve o governo afastado das questões monetárias, ela prosperou continuamente. Tão logo ela permitiu que o governo passasse a controlar a moeda, sua economia passou a vivenciar solavancos, passando por períodos de forte expansão seguidos de prolongados períodos de estagnação e recessão.

Talvez o mais completo exemplo ainda seja o que ocorreu com o Império Bizantino. Durante 600 anos, desde a época de Constantino I, o Império Bizantino prosperou utilizando um padrão-ouro tanto no comércio internacional quanto em seu mercado interno. Bizâncio não apenas acreditava na superioridade de uma "moeda natural", que não sofria manipulações estatais, como também praticava o livre comércio, rejeitando os princípios do mercantilismo. A moeda de ouro, o Bisante, era utilizada em todo o mediterrâneo e reconhecida por todo o mundo.

Durante esses seis séculos, o Bisante manteve seu valor. A inflação de preços manteve-se em níveis desprezíveis e a economia prosperava.  Porém, em 1078, com a desculpa de ter de lutar uma guerra contra os turcos, Nicéforo III Botaneiates decidiu desvalorizar a moeda. Ao reduzir a quantidade de ouro em cada moeda, Nicéforo acreditava ser possível ter mais moedas para poder financiar esse seu esforço de guerra.  Assim, a moeda mais utilizada do mundo sofreu uma adulteração (inflação).

Bizâncio não apenas perdeu a batalha contra os turcos, como também perdeu sua moeda. Como consequência dessa desvalorização, o caos financeiro irrompeu e pôs fim ao Império Bizantino. Atualmente, os historiadores dizem que o fim de Bizâncio foi causado por uma "tragédia financeira". 

(Para quem estiver interessado, o verbete da Wikipedia em inglês sobre o assunto é bastante completo).

Desde o surgimento do dólar até agosto de 1971, seu valor sempre foi definido em termos de ouro. Em agosto de 1971, um dólar representava 1/35 onça de ouro (o que significa que 35 dólares valiam uma onça de ouro). Assim como 60 segundos são um minuto, 35 dólares representavam uma onça de ouro. Logo, o dólar que hoje usamos se estabeleceu sendo meramente um certificado de ouro e foi assim até 1971.

Desde sua criação até 1971, portanto, quem calculava em dólares estava, na prática, calculando em ouro.

E então, em agosto de 1971, Richard Nixon aboliu o padrão-ouro. O ouro continuou sendo dinheiro, mas o dólar virou apenas uma moeda fiduciária de curso forçado que continuou sendo aceita porque se estabeleceu mundialmente em decorrência de ser lastreada em ouro. O dólar é hoje meio de troca e unidade de conta, mas não é reserva de valor (como será mostrado abaixo).

Por outro lado, em dezembro de 2008, um arqueólogo britânico descobriu, nos arredores de Jerusalém, aproximadamente 300 moedas de ouro datadas de 600 d.C., todas elas emitidas pelo imperador bizantino Heráclio, e todas elas valendo o mesmo tanto que valiam há 1.400 anos, se não mais.

Recorro a esses casos (há inúmeros outros, como, por exemplo, a grande expansão econômica americana sob o padrão-ouro) para mostrar que os únicos itens que podem ser realmente chamados de dinheiro — pois mantêm valor ao longo de séculos e sempre foram e sempre poderão ser utilizados como meio de troca e unidade de conta — são o ouro e a prata.

Todo o resto é apenas moeda corrente, algo que você utiliza convenientemente como meio de troca, mas cuja validade como unidade de conta é temporária e cujo uso como reserva de valor ao longo do tempo é nulo. 

Uma moeda corrente não guarda valor em si. Ela é apenas um meio que você utiliza para transferir a propriedade de um ativo.

Exemplo prático: pense na cédula de cem reais. Você realmente acredita que aquele papel-pintado vale R$ 100? Qual a diferença entre a cédula de cem reais e a cédula de dois reais? O papel é o mesmo. A tinta é a mesma. Ambas deveriam têm o mesmo valor.

É por isso que papel-pintado (ou seu equivalente em dígitos eletrônicos em uma conta bancária) não é dinheiro, mas sim apenas um conveniente meio de troca, o qual, temporariamente, também é utilizado como unidade de conta.

No Brasil do início da década de 1990, com a hiperinflação da moeda fazendo com que os preços variassem em torno de 4.000% ao ano, as pessoas utilizavam o cruzeiro (e depois o cruzeiro real) apenas como meio de troca. A unidade de conta era o dólar. E a reserva de valor eram majoritariamente os imóveis.

Se políticos fazem o que querem com uma moeda corrente, não é inteligente você ficar nela

Atualmente, o real ainda é o meio de troca e a unidade de conta. Mas quem utiliza o real como reserva de valor está anualmente mais pobre: você consegue comprar cada vez menos bens e serviços com a mesma unidade monetária.

Utilizando as próprias fontes do governo (IBGE), desde o surgimento do real em julho de 1994 até o fim de abril de 2020, o aumento de preços calculado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo foi de impressionantes 522%. Isso significa que algo que custava R$ 100 em julho de 1994 custa hoje R$ 622. Isso equivale a um aumento médio superior a 7% ao ano.

E não se engane: o mesmo raciocínio vale para o dólar. A diferença entre o dólar e o real é meramente de grau — isto é, de ritmo de desvalorização —, e não de natureza. O dólar é melhor que o real unicamente no sentido de que perde valor a um ritmo bem mais lento. No mesmo período de tempo acima, o índice de preços americano subiu 73%. Aquilo que custava US$ 100 em julho de 1994 custa hoje US$ 173.

Melhor que o real? Sem dúvidas. Mas ainda assim quem guardou cédulas de dólar empobreceu.

No fim, dólar e real são a mesma coisa: moedas correntes inteiramente sob o controle de políticos e burocratas, que fazem com elas o que bem entenderem. E que, por isso mesmo, não podem ser utilizadas como reserva de valor. (Para entender por que os preços sobem no Brasil, veja aqui).

E se você acha que a frase acima — "políticos e burocratas fazem com elas o que bem entenderem" — é exagerada, então você não está prestando atenção no atual cenário político e econômico.

Nos EUA, políticos e burocratas prometem manipular o equivalente a 6 trilhões de dólares (entre impressão pura de moeda e endividamento extra do governo) para combater a pandemia do novo coronavírus. No Brasil, políticos e burocratas pretendem brincar de Teoria Monetária Moderna concedendo ao Banco Central a licença para imprimir reais e comprar qualquer ativo em posse de bancos e corretoras.

O Ministro da Economia Paulo Guedes, em recente live com a alta hierarquia do Itaú (dica: sempre que um membro da equipe econômica faz uma live, você empobrece), disse abertamente que, se a economia entrar em depressão, ele não terá problema nenhum em "fazer chover dinheiro sobre a economia". (Assistam ao vídeo, entre 1:06 e 1:08).

Ou seja, vamos falar sem rodeios: políticos e burocratas, em todos os países, tratam a moeda corrente como tokens, ou seja, como se fossem fichinhas de fliperama ou aquelas cédulas de papel do Banco Imobiliário. E, no fundo, é exatamente isso que toda moeda corrente é: um token, uma ficha, um voucher, um cupom, um símbolo. Uma cédula de Banco Imobiliário livremente manipulada por políticos e burocratas.

Você vai realmente permanecer neste token? Você realmente vai continuar acreditando que poderá manter seu padrão de vida utilizando como reserva de valor um simples cupom que políticos estão dizendo abertamente que irão manipular e "chuveirar" sobre a economia? 

"Ah, mas ninguém deixa dinheiro parado! Ele está sempre aplicado!", responde o ingênuo. Aplicado em quê? Em sua última ata, o Banco Central deixou praticamente explícito que irá reduzir a SELIC (ou seja, o CDI) para até 2,25%, menos que a inflação. Quem deixou real no CDI perdeu poder de compra internacional desde janeiro de 2011 (quando Henrique Meirelles saiu do Banco Central). Agora, irá perder também poder de compra nacional (com juros reais negativos).

Já a Bolsa de Valores não foi a lugar nenhum (corrigida pela inflação de preços, o índice Ibovespa está hoje no mesmo nível de 2005; e terá de subir até 140 mil pontos para superar as máximas de 2008, antes da crise financeira) e também não irá a lugar nenhum

Quem realmente ganha dinheiro — ou seja, bate a inflação de preços, o dólar e o ouro (mais sobre isso abaixo) — em bolsa é especulador profissional (que sabe exatamente quando entrar e quando sair) ou um grande operador de opções (que é onde realmente onde se faz dinheiro rápido e farto).

Para onde ir, então?

Para onde você já deveria estar

Este Instituto surgiu em fins de 2007. Por sermos seguidores da Escola Austríaca, desde nossas primeiras postagens já criticávamos as moedas estatais e recomendávamos o ouro, quer como investimento, quer como arranjo monetário. O primeiro artigo sobre isso foi em janeiro de 2008. (Em 2016, escrevi meu último sobre o tema. Depois desisti). 

Naquela época, porém, era um tanto complicado investir em ouro

No entanto, as coisas foram melhorando. 

Hoje, com a proliferação das corretoras e plataformas de investimento, nas quais você abre conta sem sair de casa, em menos de cinco minutos e gratuitamente, só não compra ouro e só não vive no padrão-ouro quem não quer. Corretoras como Órama e XP têm fundos lastreados em ouro — isto é, que variam de acordo com a cotação do ouro em reais — cujo valor inicial do aporte é irrisório. 

Mas vamos ao que interessa. 

Se, em épocas normais, já é uma fria não ter ouro, imagine agora em uma época de juros reais negativos e bancos centrais em total modo expansionista?

Como se comportou o ouro desde 1999 (esse é o ano de partida porque foi neste ano que surgiu o euro e também porque foi neste ano que o real adotou o câmbio flutuante)?

Eis a evolução do preço do ouro em dólar:

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Gráfico 1: evolução do preço da onça do ouro em dólar

Agora em euro:

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Gráfico 2: evolução do preço da onça do ouro em euro

Agora em franco suíço:

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Gráfico 3: evolução do preço da onça do ouro em franco suíço

Agora em iene japonês:

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Gráfico 4: evolução do preço da onça do ouro em iene japonês

E agora em reais:

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Gráfico 5: evolução do preço da onça do ouro em reais

Entendeu agora por que o ouro é reserva de valor?

Se até em relação àquelas que são consideradas as moedas mais sólidas e estáveis do mundo o ouro se valoriza, imagina em relação ao real, que agora está indo para juros reais negativos?

Se até mesmo um suíço e um japonês não têm argumentos para ficar em suas respectivas moedas em relação ao ouro, por que você brasileiro teria?

Dinheiro de verdade é o ouro; todo o resto é crédito e moeda corrente.

E não pense que a vantagem do ouro está apenas em relação a moedas correntes. Aqui no Brasil, o ouro bate o Ibovespa.

Um investidor experiente (e sortudo) que comprou o Ibovespa no fim de 2008, no dia exato em que ele chegou ao fundo por causa dos desdobramentos da crise financeira, ganhou até agora 149%.

Já quem entrou em ouro no mesmo dia ganhou 411%.

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Gráfico 6: Ibovespa (vermelho) e ouro (azul), desde o fundo do Ibovespa atingido em dezembro de 2008

E mesmo em períodos maiores o ouro vence. Eis o longo prazo mais desfavorável ao ouro: um investidor experiente que entrou na bolsa na semana do dia 11 de janeiro de 1999 (famosa pelo colapso do Ibovespa, quando houve a adoção do câmbio flutuante e o anúncio da moratória do Itamar) ganhou 1.439%.

Já quem comprou ouro ganhou 2.252%.

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Gráfico 7: Ibovespa (vermelho) e ouro (azul), desde janeiro de 1999

(Agradeço ao leitor Trader pelas referências acima.)

Essa predominância do ouro no longo prazo (que é o que interessa para acumulação de riqueza e principalmente aposentadoria) é perfeitamente compreensível. Em país em desenvolvimento, ouro sempre tenderá a bater a bolsa. Ouro reflete a desvalorização da moeda, e bolsa reflete capitalismo. Qual desses dois é mais forte em país ainda não desenvolvido?

E, finalmente, a comparação direta entre ouro em reais e dólar em reais. É óbvio que o ouro massacra.

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Gráfico 8: dólar em reais (vermelho) e ouro em reais (azul), desde janeiro de 1999

Quem está investido em ouro — isto é, quem já adotou o ouro como seu padrão monetária e vive efetivamente sob um padrão-ouro — não apenas passou incólume pelas seguidas desvalorizações cambiais do real (causadas tanto pela bagunça política quanto pela vontade da equipe econômica), como, ao contrário, enriqueceu com ela.

O brasileiro que adotou o padrão-ouro é completamente indiferente ao noticiário político. Ele não toma sustos quando vê a cotação do dólar (ao contrário, enriqueceu com ela). Ele não se preocupa com o andamento das reformas, pois sua riqueza está protegida. 

E, além de tudo, ele pode continuar viajando normalmente para a Disney e levando sua emprega doméstica. Seu poder de compra segue inabalado (com efeito, aumentou em relação ao dólar; vide gráfico 8).

Quem quer o real?

Com juros nominais negativos na Europa, com juros reais negativos nos EUA, com a América Latina indo para juro zero (o que é uma piada), e com nenhuma perspectiva para as ações (por causa da devastação causada pelo desligamento econômico feito por políticos em decorrência do surto de Covid-19), essa criação de moeda irá majoritariamente para o ouro (como já está indo).

As moedas periféricas, como é o caso do real, não têm chance nenhuma. Aqui no Brasil, o Banco Central deixou implícito que pode derrubar a Selic para 2,25%, que é simplesmente a taxa de juros americana do ano passado. Estamos com juros reais negativos e nem sequer temos grau de investimento. A título de comparação, o México, que tem grau de investimento e está com as finanças relativamente arrumadas, está com a taxa básica de juros em 6%. O Brasil, que não tem grau de investimento e está com as contas públicas em colapso, está com a Selic em 3% — e o Banco Central já fala em 2,25%.

Que estrangeiro vai querer trocar dólares e euros por reais? Por que ele faria isso? Este ano, mesmo quando houve ganhos na bolsa, o estrangeiro que veio pra cá perdeu dinheiro por causa do câmbio, que se desvalorizou. Não voltarão tão cedo.

Proteja-se

Grandes magnatas da indústria e do sistema bancário utilizam o real apenas para transacionar. A riqueza deles está fora do real. Quando um barão da Fiesp vem a público pedir redução de juros e quando um banqueiro pede que o Banco Central pratique a TMM, pode ter certeza de que a riqueza deles está protegida em outra reserva de valor. 

O real (uma moeda de segunda classe) será utilizado por eles apenas para cobrir suas despesas correntes e pagar funcionários. Sua real riqueza está em outra reserva de valor. O real é apenas a moeda do populacho.

Um seguidor da Escola Austríaca que não está entupido de ouro não entendeu nada do que leu. Na prática, não apenas segue acreditando na competência de 9 burocratas que gerenciam a moeda em um comitê central, como ainda deixa seu poder de compra e de sua família nas mãos deles.

Não tenho provas disso que irei falar (mas não tem problema porque não é uma acusação, pois o que apontarei não é crime nenhum; é perfeitamente legal), mas realmente duvido que os medalhões da Fazenda e do Banco Central têm seu patrimônio inteiramente em reais. Você realmente acha que Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, que fizeram carreira em instituições internacionais, estão 100% em reais? Se até Henrique Meirelles, que defendia um real forte, tem dinheiro no exterior (declarado e legal), é óbvio que estes outros dois estão, ao menos parcialmente, dolarizados (o que não é crime nenhum, enfatize-se).

Mas são eles que estão controlando a moeda que você utiliza para sobreviver e alimentar a sua família. Uma moeda na qual eles próprios não apostam: eles têm o objetivo declarado de manter o IPCA crescendo 4% ao ano; ou seja, o objetivo declarado é fazer você perder 4% ao ano de poder de compra. 

Para piorar, ainda estão brincando de bazuca e orçamento de guerra, deixando o Banco Central livre para criar moeda corrente e comprar debêntures e CDBs em posse dos bancos e corretoras, e com o Ministro da Fazenda prometendo "chuveirar" dinheiro caso as coisas piorem.

Você vai entregar seu padrão de vida a eles?

De minha parte, não me submeto a isso. Não fico em uma moeda lixo controlada por políticos e burocratas que já deixaram claro que não estão nem aí pra ela. Eu não quero ser um cidadão de terceira classe utilizando uma moeda de terceira classe. Quero usar o dinheiro mundial por excelência, que é o ouro. Quem está no ouro está em uma classe superior, acima até mesmo que a de um suíço.

O que de "pior" pode acontecer é o ouro baratear em reais (o que seria ótimo, pois seria um sinal de que o real se fortaleceu e, logo, minha renda mensal melhorou). Mas isso é totalmente improvável. Já o mais provável é o ouro continuar disparando em reais.

Por tudo isso, é aceitável você manter reais apenas na forma de investimentos que gerem uma renda passiva percentualmente alta — e, ainda assim, muito provavelmente está perdendo para o ouro.

Mexa-se enquanto é tempo.