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A diferença entre ganhar dinheiro e fazer dinheiro - as três lições de vida de um vendedor de água
por Leandro Ávila, quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Por muitos milênios, toda a educação recebida pelas crianças tinha utilidade prática e estava totalmente integrada ao trabalho diário que garantia a sobrevivência da família.

As crianças acompanhavam os seus pais nas tarefas diárias, como pequenos aprendizes ou discípulos dos mais experientes. Todos os mais velhos eram os nossos professores, encarregados da tarefa de transmitir conhecimentos e experiências de grande utilidade prática.

Observando e praticando, as crianças aprendiam para sempre. Ainda na juventude, elas já sabiam plantar, caçar, lidar com os animais que criavam, preparar e conservar alimentos, produzir suas próprias ferramentas, habitações e suas armas de caça.

O ensino tinha um propósito claro e objetivo. A vida era a sala dentro de uma grande escola. Clique na figura para assistir ao trailer de um filme com imagens que retratam isso, de como um menino se transformava em um macho alfa.

A teoria era apresentada junto com a prática em situações reais da vida, coisa que nenhuma lousa digital, nenhuma realidade virtual dentro de uma sala climatizada é capaz de oferecer.

Aprender, trabalhar e viver eram uma coisa só, impossíveis de ser separadas. Desde cedo, ficava muito claro para o jovem a importância do conhecimento na sua prática diária, pois disso dependia a sua própria sobrevivência e a qualidade de vida dos seus futuros descendentes.

O jovem atingia a vida adulta com uma visão proativa da vida, ou seja, ele sabia que para tudo ele precisava aprender, pensar e agir com antecedência. Ele sabia que as coisas só aconteciam se ele fizesse o que precisava ser feito, da forma que deveria ser feito.

Se o objetivo fosse comer, o jovem entendia que precisava primeiro plantar. Para isso era necessário preparar a terra, semear e cultivar para, finalmente, ter o direito de desfrutar de uma lavoura repleta de consequências dos seus atos, ou seja, repleta de alimentos e mais vida a ser vivida.

Para caçar também era necessário planejamento, estratégia, respeito aos ciclos de migração e reprodução dos animais, além de muita coragem e autocontrole para enfrentar os riscos da caçada.

O jovem aprendia que as teorias, junto com a prática diária, poderiam construir um mundo farto, próspero e seguro para ele na vida adulta. Ele percebia que a vida que as pessoas tinham no futuro era uma consequência de todo o preparo passado e de todas as ações realizadas no presente.

A educação hoje

Nos dias de hoje, as coisas estão bem diferentes.

As crianças abrem uma das "caixas mágicas" que existem na cozinha e encontram os seus alimentos preferidos. Elas não entendem direito o que estão comendo, não sabem como aquilo foi produzido ou de onde veio. Com o tempo, elas aprendem que existe um lugar mágico de onde podemos retirar todos os alimentos que gostamos (supermercado). Para isso, você só precisa ter um "retângulo de plástico" que também é mágico. Você o coloca em uma máquina, aperta alguns botões e então deixam você levar aquilo que quer para casa.

As crianças aprendem que, para ter um "quadrado mágico", elas precisam primeiro ir à escola, todos os dias, durante toda a infância e juventude.

A escola também é um lugar mágico. É um lugar onde colocamos nossos filhos acreditando que basta isso para que eles saiam de lá sabendo toda a teoria de que precisam para ter sucesso na vida e na prática do nosso tempo.

Em algum momento da nossa história, as famílias resolveram aceitar terceirizar a educação por meio dos modelos de escola que temos hoje. O próprio estado se encarregou de criar uma "educação padronizada", que nivela todas as pessoas. Essa educação é aplicada em série (como em uma fábrica) na vida de todo novo cidadão, não importando suas qualidades, habilidades, desejos, sonhos, necessidades e a realidade prática da vida.

Assim, começamos a criar uma coisa padronizada chamada "povo", que mais lembra um rebanho de pessoas que possuem uma mesma visão de mundo, uma visão cada vez mais padronizada, passiva, dependente e limitada.

Toda criança está condenada a ficar várias horas por dia sentada, imóvel e em silêncio dentro de uma sala, olhando para um adulto que fala, fala e fala sobre coisas distantes, teorias sem prática, sem vivência, sem conexão com a realidade e que não faz sentido para a criança.

Esses adultos que falam coisas sem sentido para as crianças também já foram crianças e aprenderam tudo o que sabem exatamente da mesma forma. Muitos jamais vivenciaram de forma prática aquilo que ensinam. Apenas aprenderam a repetir o que ouviram.

Perceba o paradoxo. A natureza trabalhou por milhares de anos nos aprimorando. Ela preparou o nosso cérebro para aprender por meio dos exemplos e do conhecimento adquirido com a prática, de forma proativa, no convívio diário com os nossos pais e com os mais velhos. E então, do nada, resolvemos jogar fora toda essa "tecnologia natural". Criamos essa coisa chamada escola.

Todos sabem que o oferecido pela escola é muito pouco para preparar alguém para os dias de hoje. O método é ineficiente e incompleto. Mas, mesmo assim, um grande esforço é feito para manter tudo da forma que está.

A padronização desse tipo de educação que temos hoje é tão importante para manter a sociedade da forma como ela é, que o STF decidiu proibir que os pais assumam o papel da escola na vida dos seus filhos. É claro que nem todos os pais podem fazer isso, mas os que podem estão proibidos de fazer.

O conhecimento prático que irá trazer a sua liberdade financeira

Para superar essa deficiência, é muito importante que você estimule (na sua vida e na vida dos seus filhos) a união da teoria com a prática. O uso prático e inteligente do pouco que sabemos é mais importante do que saber muito sem uma prática inteligente.

Isso é o que podemos chamar de sabedoria.

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Seguindo a mesma lógica, as crianças aprendem matemática na escola, mas não aprendem como ela pode ser útil. As crianças sabem o que é dinheiro, mas ninguém as ensina como é possível "fazer dinheiro".

O dinheiro é algo que precisa ser feito por cada um. O próprio termo "ganhar dinheiro" deveria ser substituído por "fazer dinheiro". Tanto é que, em inglês, a expressão "make money" (fazer dinheiro) é utilizada indistintamente com o sentido de ganhar dinheiro e fazer dinheiro.

O próximo vídeo é bem conhecido na internet. Foi gravado por uma pessoa simples que vende água na praia. Não sei muito sobre ele, mas sei que se tornou conhecido na internet e apareceu em muitos programas na TV nos últimos meses graças a esse vídeo.

Eu só não sei se as pessoas entenderam exatamente a essência do que ele fala. Em apenas 1 minuto, o autor do vídeo vai mostrar de forma clara o tipo de matemática que as crianças não aprendem na escola. Ele mostrará uma visão proativa de encarar a realidade, muito semelhante com aquela visão que as crianças recebiam dos nossos ancestrais. Ele vai mostrar como se "faz dinheiro".

É crucial que você assista a esse vídeo antes de continuar. É apenas 1 minuto.

(Atenção: não se comporte como aquele que olha para o dedo quando alguém está tentando lhe mostrar algo muito maior. Ninguém está recomendando a venda de água nas ruas como a solução para todos os problemas do Brasil e do mundo. O que importa é entender a ideia e como essa visão de mundo poderia levar muita gente a buscar soluções em vez de ficar reclamando dos problemas.)

Essa lógica que o cidadão do vídeo acima apresentou é válida para fazer dinheiro em qualquer situação: sendo um simples vendedor de água, o dono da distribuidora de água ou um bilionário dono de incontáveis fábricas de água, refrigerantes e outras bebidas, como Jorge Paulo Lemann, o empresário/investidor mais rico do Brasil.

(Há uma palestra do Lemann em que ele fala sobre o tipo de educação que ele buscou e que fez toda a diferença no seu sucesso como empresário e investidor. Recomendo efusivamente).

Isso praticamente foi perdido

Uma visão de mundo proativa, independente e mais autossuficiente já foi regra na vida dos nossos antepassados, em um tempo em que não existiam supermercados, alta tecnologia, internet ou mesmo livros.

Hoje, paradoxalmente, temos tudo isso, toda a informação do mundo é acessível por todos, custando quase nada, mas nunca fomos tão dependentes de tudo e de todos, nunca fomos tão passivos, tão dependentes dos governos, dos empregos, dos empregadores, do dinheiro alheio, das facilidades e dos comodismos que nos anestesiam e nos paralisam.

No vídeo abaixo (basta clicar para assistir já a partir do ponto certo), Rick Chester -- o mesmo cidadão do vídeo acima -- conta que precisou escolher entre frequentar a escola ou trabalhar. Foi forçado pela vida a escolher o trabalho. E se deu muito bem por causa desta escolha.

Rick diz que deixou a escola, mas "comeu os livros", chegando a ler três novos livros por semana. Rick poderia ter passado o resto da vida reclamando daquele homem preconceituoso que o ofendeu na praia. Ele poderia reclamar da boa escola que não deram a ele, do emprego com carteira assinada que ele não ganhou de ninguém, da infância pobre e de poucas oportunidades que ele recebeu.

Ele tinha todas as razões para reclamar de tudo e de todos, sem estar errado ao reclamar, mas esse não seria o caminho que produziria algum resultado prático, real e positivo na vida dele. Se ele fosse mais um reclamando, sua própria vida continuaria sem mudanças. Ele transformou tudo que viveu em motivação para construir a sua própria vida a partir do zero. Ele aceitou a realidade da forma como ela era e colocou a cabeça para funcionar para mudar os resultados futuros.

Observe que o Rick diz ter tido um pai que o ensinou sobre o dever de estar preparado para a vida. Vimos no início do artigo a importância da educação que recebemos dos nossos pais, exatamente como ocorria no passado. O pai de Rick ensinou a ele que situações positivas e negativas irão sempre acontecer, isso é algo inevitável e real, mas há uma coisa que podemos controlar: nós podemos fazer alguma coisa hoje para que possamos estar sempre preparados. Na oportunidade ou na calamidade, quem faz a diferença é aquele que estava previamente preparado.

O que os pais dos nossos antepassados faziam era justamente isso. Eles "construíam" crianças realmente preparadas para o mundo real.

Quando os problemas ou as oportunidades surgem, você estará preparado e proativamente fará o que for necessário para superar o problema ou aproveitar a oportunidade. Sem preparo, o problema irá lhe destruir. Sem preparo, a oportunidade será perdida. É isso o que a escola da vida nos ensina. E isso jamais é ensinado (e nem tem como ser) nas salas de aula.

A ignorância financeira e o despreparo são caros

Havia um rapaz que entregava água no meu escritório, aqueles galões de 20 litros de água mineral. Ele usava um tênis de marca famosa que custava 100 vezes os R$ 10 que o Rick utilizou como exemplo no seu minuto de empreendedorismo acima. Esse rapaz conseguiu a oportunidade de ter R$ 1.000,00 em suas mãos, mas o preparo que ele tinha só o permitiu enxergar aquele tênis.

Uma vez, esse mesmo rapaz resolveu pichar (com as iniciais de uma torcida de futebol) os corredores de vários andares de um dos prédios onde ele também entregava água. Foi descoberto pelas câmeras do prédio. Perdeu o emprego de entregador e a administração do prédio ainda abriu um boletim de ocorrência contra ele na delegacia. O preparo que esse rapaz tinha era tão pequeno que não foi possível ficar muito tempo trabalhando como simples entregador de água.

Existem oportunidades surgindo em todos os lugares, para todas as pessoas, de todas as classes sociais, mas só as pessoas preparadas conseguem ver e aproveitar essas oportunidades.

Por isso, você pode e deve começar a se preparar agora, mesmo que você não saiba exatamente para o que está se preparando. Rick não teria feito o sucesso que fez por meio do seu canal no Youtube, não teria atraído a atenção dos meios de comunicação e de empreendedores famosos, não teria feito diversas palestras e não teria palestrado em Harvard se não tivesse se preparado para algo muito maior do que o seu pequeno mundo de vendedor de água.

Conclusão

Toda transformação, todo crescimento profissional, financeiro e pessoal, acontece de dentro para fora. A mudança acontece primeiro na sua cabeça, depois na sua vida e por consequência isso vai se expandir para a vida da sua família, da sua comunidade e, em última instância, do seu país. Tudo começa dentro de você, local onde você é o responsável pela mudança.

Para finalizar, vou deixar esses últimos ensinamentos em que Rick fala de educação financeira. Ele conseguiu sintetizar em 1 minuto aquilo que vários teóricos de esquerda nunca conseguiram entender um uma vida.

Se todo dinheiro do mundo fosse tomado por alguém e depois fosse igualmente distribuído, de uma coisa você pode ter absoluta certeza: em pouco tempo, esse dinheiro retornaria para quem tem muito e desapareceria de quem tem pouco, pois o problema não está na distribuição, o problema está na capacidade de cada um fazer dinheiro, guardar dinheiro e investir dinheiro. 

O poder está naquilo que as pessoas sabem e na maneira como elas colocam em prática aquilo que sabem.

E encerro: quem disse que o conhecimento, a educação, a visão de mundo que precisamos cultivar (e que faz toda a diferença) está dentro das escolas formais? Quem disse que todo trabalho está em um emprego? Quem disse que todo dinheiro de que precisamos está em algum salário? Quem disse que as pessoas mais pobres estão condenadas a uma vida limitada?

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Este artigo foi originalmente publicado no site Clube dos Poupadores, cuja leitura é fortemente recomendada.

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