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Eis alguns dos truques retóricos mais antigos do manual - e que hoje se passam por 'debate sério'
por Donald Boudreaux, segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Em seu estupendo livro A Lei, Frédéric Bastiat escreveu:

O estatismo, assim como as velhas ideias que o originaram, não consegue fazer uma distinção entre governo e sociedade. Consequentemente, cada vez que nos opomos a uma atividade desempenhada pelo governo, os estatistas concluem que nos opomos por completo à existência desta atividade.

Se desaprovamos a educação pública, os estatistas dizem que nos opomos a qualquer tipo de educação. Se desaprovamos o protecionismo, eles dizem que somos contra a indústria nacional. Se desaprovamos uma religião oficializada pelo estado, eles dizem que somos contra todas as religiões. Se desaprovamos o igualitarismo imposto pelo estado, eles concluem que somos contrários a um tratamento igualitário para todos. E assim por diante. Os estatistas ainda irão nos acusar de não querermos que as pessoas se alimentem, pois não queremos que a agricultura seja estatizada.

Bastiat morreu em 1850, o que mostra o quão antigo é esse tipo de argumento retórico. O pior é que, apesar de suas evidentes falácias, tal "raciocínio" ainda é extremamente utilizado. E o que é ainda pior: há muitos que o levam o sério.

Eis alguns exemplos modernos:

Se você é contra o governo impor um salário mínimo, você é contra os pobres.

Se você é contra obrigar empresas a pagar licença-maternidade, você é contra as famílias.

Se você é contra a saúde pública, você é a favor de os pobres morrerem nas ruas, doentes e sem acesso a serviços médicos.

Se você é contra tarifas de importação e restrições ao livre comércio, você é contra os trabalhadores industriais terem empregos a altos salários.

Se você é contra regulamentações estatais, você é a favor de as pessoas serem fraudadas, envenenadas e assassinadas indiscriminadamente por empresas.

Se você é contra o governo conceder créditos subsidiados com o dinheiro de impostos, você é a favor de recessões.

Se você é contra a educação estatal, você é contra a educação dos pobres.

Se você é contra intervenções militares externas, você é contra a paz mundial e a favor de ditadores sanguinários.

Se você é contra a "guerra às drogas", você é a favor do vício, da devassidão e da destruição causada pelas drogas.

Se você é contra a regulamentação de profissões e as licenças ocupacionais, você é a favor de açougueiros se passarem por médicos e de homicidas construírem prédios e pontes.

Se você é contra o estado gerir a Previdência, você é a favor que os velhinhos morram no abandono.

Se você é contra a democracia, você é a favor de ditaduras.

Se você é contra agências reguladoras, você é a favor de empresas prestarem maus serviços e cobrarem caro por isso (opa, espere!).


E funciona também na direção oposta, com falácias idênticas.

Se você é a favor da desestatização do casamento (inclusive o homossexual), você é contra a família tradicional.

Se você é a favor da descriminalização da prostituição, você é contra a moral e os bons costumes.

Se você é a favor da redução de impostos sobre os mais ricos, você é contra a igualdade.


A lista pode ser ampliada indefinidamente, com falácias à esquerda e à direita.