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Sobre o impeachment, o baixo nível, a cretinização da política e a importância de desnutrir o estado
por Equipe IMB, segunda-feira, 18 de abril de 2016

Comentário de Helio Beltrão:

Ontem, após o processo de votação da aceitação do pedido de impeachment na Câmara dos Deputados, o que mais se comentava nas redes sociais era o baixo nível educacional/intelectual dos políticos.  Essa, a meu ver, é a prova de que as pessoas acreditam que a democracia (no sentido de votar em 'representantes' a cada 4 anos) tem poderes mágicos.

Ora, sinceramente, o nível dos deputados não é muito diferente do dos brasileiros. Não é exatamente isto -- representantes que são a cara do povo -- que deveria ser esperado de um sistema de representação?  Como querer que os representantes do povo sejam diferentes -- cultural e intelectualmente -- do povo que os elegeu?

No entanto, de fato uma mágica ocorreu ontem: os deputados foram fieis à vontade dos brasileiros.  Isso, sim, foi inesperado. 

Afinal, com um sistema de apertar botões a cada 4 anos, não há um 'canal de transmissão' adequado entre a vontade do eleitor e a de seu representante. Este canal é, na melhor das hipóteses, como um daqueles telefones de lata que eu usava na minha infância: só que, em vez de um barbante de 3 metros, temos um péssimo telefone conectado com um barbante de 1.000 km de extensão até Brasília. O 'representante' pode, em grande medida, desconsiderar a vontade de seu eleitor (que ele de fato nem sabe quem é), pelo menos até a próxima campanha eleitoral (quando, é claro, ele se torna super antenado).

O canal de transmissão só funcionou ontem porque foi retransmitido e amplificado até Brasília, de cidade em cidade, pelo povo nas ruas e pelas redes sociais. O Brasil inteiro estava de olho.

No entanto, no dia-a-dia, não é assim.

A política é um jogo de poder sobre os demais. Não é difícil de entender por que as pessoas de bem tendem a ser rechaçadas ou expulsas deste jogo. E é fácil observar que a política tem atração especial justamente sobre aqueles que têm sede de poder, aqueles que são amorais e imorais, e aqueles que são sociopatas.

Quando Milton Friedman mencionou que a solução não é "eleger as pessoas certas", mas sim "tornar politicamente lucrativo que as pessoas erradas façam a coisa certa", creio que ele pensou nos mecanismos de transmissão. Uma das formas poderia ser a já discutida PEC do Recall, que pode tirar o mandato do sujeito antes de seu fim (análoga ao impeachment)

Porém, julgo que soluções como a de Friedman não atacam as causas principais, mas apenas as imediatas.

A causa principal é o tamanho gigantesco do poder delegado aos políticos. Quanto menor o poder delegado aos políticos (por Constituição, por exemplo) e quanto mais poder retivermos para nós mesmos, menores serão os problemas. Em uma analogia muito menos que perfeita, é como dois condomínios de casas: no primeiro, o síndico não tem poder para determinar nada que afete negativamente a propriedade de cada um: seu poder é virtualmente zero. No segundo condomínio, o síndico pode determinar o que quiser, inclusive sobre como você usa sua casa dentro do seu terreno, quantos convidados pode ter, regular seu acesso até sua casa, impor taxas arbitrárias etc.

É de se esperar que no segundo condomínio muito se discuta sobre eleger um bom síndico, sobre como "precisamos de um bom síndico" e tal.  Mas nada muda nos incentivos fundamentais do esquema e do síndico.

Há solução, sim: o truque é deixar de delegar tantos poderes, sobre todos os assuntos, a um sujeito que tome decisões a seu bel-prazer.

Os libertários são vanguarda porque, entre outros motivos, abominam autoritarismo, tortura e ditadura tanto quanto odeiam um governo intrusivo, com impostos altos, e regulamentações e burocracia asfixiantes.

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Comentário de Fábio Barbieri:

Os deputados são um bando de ignorantes e alguns semi-analfabetos? Ainda bem! Imaginem só o tipo de legislação centralizadora e autoritária que arrogantes iluminados, como o péssimo prefeito de São Paulo, apoiariam? Que estes sonhem com seu autoritarismo só na academia.

Os deputados não costumam trabalhar como ontem? Ainda bem! Imagine quanta bobagem aprovariam se "trabalhassem" sempre? Que gastem suas verbas passeando em ilhas da Polinésia.

Os deputados só apelam a Deus? Ainda bem! Quem diria que a única resistência ao projeto totalitário de poder do petismo seria a bancada evangélica? Na próxima eleição, eu, ateu convicto, votarei em algum pastor protestante.

A população ontem ficou com vergonha dos deputados? Ainda bem! Que nutram cada vez mais desprezo pelo estado parasitário e aprendam que, se quiserem liberdade, sem ignaros e semi-analfabetos regulando a economia e controlando suas vidas, a solução é apoiar ao máximo a desnutrição do estado.

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Comentário de Ubiratan Jorge Iorio:

Quem acredita que o impeachment por si só vai tirar o país da crise está totalmente errado. O impeachment vai eliminar o problema maior, que é o PT e seu projeto bolivarianista de poder. Mas há muitos outros, cujas causas principais são a deterioração moral e a crença de que políticos são as pessoas indicadas para guiarem nossas vidas.

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Comentário de Bruno Garschagen:

O impeachment não salvará o Brasil de sua classe política, não salvará a sociedade brasileira de si mesma e nem a absolverá de suas escolhas erradas. A república presidencialista brasileira é uma sucessão de erros, de golpes, de intervenções e do desenvolvimento de uma peculiar tradição política autoritária.

O impeachment, porém, vai tirar do poder um partido fundamentado numa ideologia que tenta controlar não só o governo e o estado, mas que também esforça-se para nos comandar e violar as nossas liberdades de uma forma tão malandra que alguns até apoiam e agradecem o fato de serem controlados em nome de uma causa.

O impeachment deve ser visto apenas como um primeiro passo para o saneamento da nossa cultura política.

No mais, furtando uma frase do Nelson Rodrigues em relação ao teatro, creio que a política "exerce um estranho poder de cretinização, mesmo sobre as melhores inteligências".

E assino embaixo quando o nosso maior dramaturgo afirma: "nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem".