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O tamanho do estado brasileiro - e os economistas da Unicamp que seguem nos atormentando
por Fernando Ulrich, quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016


Belluzzo: ele entende de desvalorização. E de rebaixamento.
Você tem alguma noção do real tamanho do estado brasileiro?

Segundo o Balanço Patrimonial de 2014, o setor público (União, estados e municípios) detém um ativo total de R$ 6,7 trilhões -- mais precisamente, R$ 6.747.551.597.956.

Algumas curiosidades:

- a União é dona de 77% dos ativos (R$ 5,2 tri)

- a União tem participações em empresas que alcançam R$ 307 bilhões

- a União tem um patrimônio imobiliário de R$ 677 bilhões

- os estados e municípios têm um patrimônio imobiliário de R$ 362 bilhões

A simples venda, por exemplo, de participações em empresas ou mesmo de imóveis em nome do governo já serviria para levantar muitos recursos e, com isso, resgatar grande parte da Dívida Pública.

Mas não, não é possível cortar nenhum déficit. Não tem de onde tirar dinheiro -- dizem eles, com a maior desfaçatez.

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Assistindo ao programa Roda Viva desta segunda-feira, em que houve um debate entre os economistas Luiz Carlos Bresser-Pereira, Luiz Gonzaga Belluzzo, Marcos Lisboa, Samuel Pessoa e Amir Khair, é possível fazer uma breve constatação: com os cabelos brancos não vem apenas a experiência, mas também a teimosia, a convicção e a retrogradação.

Pelo que entendi, segundo Bresser-Pereira, Belluzzo e demais desenvolvimentistas da UNICAMP, "não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas do câmbio desvalorizado, dos subsídios à indústria, das tarifas alfandegárias, do gasto público e dos créditos do BNDES."

Ver o senhor Bresser-Pereira divagar sobre os problemas da economia brasileira é uma viagem no tempo. É nostálgico. Todos os problemas do Brasil são causados por um suposto "câmbio valorizado" (o qual, diga-se de passagem, sofreu uma brutal desvalorização desde o primeiro advento de Dilma), pela "doença holandesa" (causada pelo fictício câmbio valorizado), pela abertura da economia de 1990 (a qual, ao trazer melhorias aos carros nacionais, teria fragilizado a indústria nacional), pelos déficits em conta-corrente (ínfimos em relação a, por exemplo, México, Austrália, Reino Unido e, claro, EUA, o que provavelmente significa que tais economias vão desaparecer do planeta) e por aí vai.

Os mesmos economistas do Cruzado, do congelamento de preços e salários, e das demais heterodoxias ainda estão discutindo se abrir ou não a economia -- e com isso permitir que os brasileiros comprem produtos que não sejam os da FIESP -- é ou não é bom para o país.

Qualificar tais ideias de retrocesso é um carinho. Isso é o casamento da teimosia com a tolice.

O fato é que grande parte dos economistas brasileiros não merecem tal designação. Na melhor das hipóteses, são meros torcedores de experimentos sociais, bem ao estilo Plano Cruzado: "Tem que dar certo".

Mas a boa economia ensina que só pode dar errado. E deu errado. E seguirá dando errado. E eles seguirão tentando e usando você, pagador de impostos, como cobaia.

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