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Keynesianos não querem assumir a paternidade da filha
por Leandro Roque, quarta-feira, 23 de dezembro de 2015


Bresser-Pereira: Nova Matriz o quê?  Nunca ouvi falar...
Os marxistas, sempre que confrontados com as consequências sanguinolentas de seus experimentos na URSS (62 milhões de mortos), na China de Mao Tsé-Tung (100 milhões de mortos), e no Camboja de Pol-Pot (3 milhões de mortos, em uma população de 8 milhões) -- no total, os regimes marxistas assassinaram aproximadamente 110 milhões de pessoas de 1917 a 1987 --, saem-se com a mesma resposta: esses regimes "deturparam Marx".

Embora seja compreensível que pessoas que defendiam apenas o lado romântico do comunismo ("De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades") queiram manter distância dos aspectos mais sanguinolentos dessa ideologia, trata-se de uma postura tola.  Afinal, o uso mais elementar da lógica já é o suficiente para mostrar que o comunismo necessariamente requer métodos brutais para ser implantado.

No entanto, como bem sabemos, um dos pré-requisitos para se ser comunista é o total desprezo pela lógica.  Sendo assim, tal postura, advinda dessa gente, é compreensível.  Patética, mas compreensível.

Agora, é novidade para mim keynesianos não quererem assumir a paternidade de seus projetos.  Isso é algo que, devo confessar, nunca vi.  Deve ser mais uma daquelas pororocas brasileiras.

Recente reportagem da revista Época mostra que a Nova Matriz Econômica -- até outro dia propagandeada por keynesianos com a emoção de quem vê uma crença se concretizar -- ficou órfã.

Por ter sido da equipe que a colocou [a Nova Matriz Econômica] em prática -- e por ter se oposto à magnitude do ajuste fiscal promovido por seu antecessor, Joaquim Levy -- Nelson Barbosa, mereça ou não, carrega o estigma da nova matriz, uma realização hoje renegada até por seus pais, os economistas ditos desenvolvimentistas.

O fiasco retumbante do projeto que tinha o Estado no palco relegou o pensamento desenvolvimentista aos escombros. Com o Estado falido, seus apoiadores não apenas negam a política da nova matriz, como brigam entre si.

Eles racharam em dois grupos, acusam-se de ter influenciado equivocadamente o Palácio do Planalto e disputam o título de quem leu melhor a obra do economista John Maynard Keynes -- e, por isso, seria um "verdadeiro keynesiano", e não um mero "desenvolvimentista" criador de matrizes.

"A nova matriz está órfã", disse Samuel Pessôa, professor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, no Rio. "Não tem pai, mãe, avó, tio, primo, nem amigo. Tem horas que dizem que nem existiu."

[...]

Em um evento recente, [Luiz Carlos] Bresser-Pereira foi instado a comentar as ideias da turma da Unicamp. Seriam as tais ideias inspiradas na leitura rigorosa de lorde Keynes?

-- Não! -- disse, ao fim do debate na FGV, em agosto.

-- Por quê?

-- Porque não...  And that's all  (e isso é tudo).

O fracasso da criatura espantou seus padrinhos.

Curiosamente, há apenas três anos, todos eles desciam aos níveis do ridículo para elogiar o modelo ultrakeynesiano vigente no Brasil.  O pai-de-todos, em particular, deixou a sua marca para a posteridade, convidando ao escárnio.

Só que o tempo passou e foi implacável com os sonhos dessa turma; a realidade econômica -- aquela que nunca pode ser abolida, apenas ignorada -- se impôs.

"Deturparam Keynes!" será o novo mantra.