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Por que o dólar passou de R$ 4
por Fernando Ulrich, segunda-feira, 21 de dezembro de 2015


"E aí, Barbosa, pra quanto vai o dólar?"
O novo (velho?) ministro da Fazenda Nelson Barbosa participou de uma conferência com investidores, nesta segunda-feira. O objetivo? Tentar acalmar os ânimos e mudar a percepção deixada pela sua primeira passagem no governo petista.

Qual o resultado? O dólar, sempre implacável, subiu 2% e ultrapassou R$ 4.

Como esperado, Barbosa deixou o mercado receoso. Preocupado. Desconfiado. Suas palavras dizem "ajuste", mas todos sabem que no seu coraçãozinho keynesiano o "déficit" tem um lugar mais que especial.

O dólar vai sendo o grande termômetro da desgovernança brasileira em 2015. É o grande indicador da credibilidade do atual governo. É quem sinaliza o quanto o mercado confia, ou desconfia, do ministro da Fazenda. É ele quem "mede" a qualidade -- ou falta de -- da política econômica do Planalto.

Quando Joaquim Levy foi empossado para substituir Guido Mantega, o mercado apostava para ver quanto tempo ele duraria no governo petista. A maioria não pensava que chegaria até dezembro -- acho que muitos se surpreenderam com sua capacidade de engolir sapos. Mas certamente muitos viam em Levy não um ponto de inflexão à política econômica até então adotada, mas sim uma espécie de freio à irresponsabilidade na condução da economia. Pelo menos eu o via dessa forma.

E por algum tempo adiantou. Levy teve êxito em estancar os descalabros que estavam sendo feitos pelo governo Dilma. Impediu mais pacotes de estímulos à economia e conteve a farra do BNDES e dos bancos públicos. Digamos que ele tenha conseguido colocar a heterodoxia em standby.

Mas como Dilma não acredita no receituário do bom senso -- sua afeição ao keynesianismo-marxista é inflexível --, a presidente tem agora em Barbosa um ministro muito mais alinhado com sua ideologia e propenso a retomar a famigerada Nova Matriz Econômica. Por mais que ele diga 'não' a novas medidas populistas, sabemos de qual fonte ele bebe.

O pior de tudo é que basta Barbosa não fazer absolutamente nada para as finanças públicas se deteriorarem fortemente nos próximos meses. A inércia do governo já é garantia de agravamento do quadro fiscal. Com a total falta de governabilidade atual, esse parece ser o cenário-base. E dado a natural propensão do ministro ao keynesianismo, se algo fizer, o resultado será ainda mais desastroso.

Levy era o freio. Barbosa sempre foi o acelerador. E Dilma é a direção. Se você remove o freio e a direção está errada, qual o resultado?

E o mercado já se deu conta disso. Já está calejado. Dependendo de como as coisas andarem, dólar a R$ 4 poderá ser visto como uma pechincha.