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Uma declaração com o dedo na tomada!

Em matéria do jornal Valor Economico do dia 17/05/2011, sob o titulo "Rombo na Eletrobras", encontrei uma declaração que é como se fosse uma confissão de culpa. Na verdade, é uma confissão de incompetência.

A matéria analisava o resultado da Eletrobras (holding estatal do sistema elétrico), com destaque para os gigantescos prejuizos das distribuidoras de energia mesmo diante de todos os subsidios e facilidades concedidas. Deparei-me com o seguinte trecho (negrito meu):
A Eletrobras não só está ciente das dificuldades como o presidente das distribuidoras, Pedro Hosken — que está deixando o cargo para assessorar diretamente o presidente da holding —, diz que é difícil resolver a situação no curto prazo. A distribuidora tem que ter rapidez, produtividade e padrão.  "Isso não faz parte de uma empresa pública. Os prazos no ambiente público são mais lentos do que no privado ", disse.  "Esse tipo de concessão não é para ser pública, a não ser que se crie uma cultura, que toma um longo prazo. Todos do setor sabem disso, o presidente da Eletrobras sabe, o governo sabe e os políticos estão começando a perceber."

A reportagem inteira é (mais) um exemplo da impossibilidade da eficiência em empresas estatais, porém essa declaração é um xeque-mate.


autor

Cristiano Fiori Chiocca
é economista e empresário.

  • Daniel Marchi  17/05/2011 13:29
    Não sou exatamente um fã incondicional de Milton Friedman, mas em uma de suas famosas entrevistas ele desenvolveu o seguinte raciocínio, o qual eu concordo:

    O fato de o estado ser ineficiente na prestação de qualquer serviço é uma salva-guarda que a população tem contra o ímpeto do próprio estado em querer ocupar mais e mais espaço. Se o estado fosse "eficiente" naquilo que ele se propõe a fazer, estaríamos lascados. Em pouco tempo o governo assumiria o comando de praticamente toda a economia e seríamos escravizados por completo. Em suma, ao contrário do senso comum, a notória ineficiência estatal conspira a favor da liberdade individual.

    sds.

    Daniel
  • Fernando Ulrich  17/05/2011 16:00
    Hehehe. Confesso que li esta matéria hoje e este trecho não me saltou aos olhos. Mas vendo agora publicado aqui devo admiti que é sensacional.\r
    \r
    Se até os Castro já se deram conta que o modelo deles não funciona, é de se esperar que nosso governo também suspeitará que a mão do estado não é nada invisível e só atrapalha...\r
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    Hehehe brilhante notícia...
  • Lucas Calaça Câmara  17/05/2011 17:20
    Ler este comentário só corrobora a idéia que temos de que o estado é incompetente. E ao trabalhar a máquina, o fazem meramente em interesse próprio, ou das minorias que lhes é conveniente, um grande e grave erro! \r
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    Todos sabem que a corrupção fere de morte a democracia, e o baixo investimento em fontes de energia alternativas, como a nuclear, e as ditas fontes de energia limpa, heólica, termoelétrica...etc...que é o que abriria um pouco o leque(pois até onde sei nossa matriz energética ainda é hidrelétrica), ao não fazer isso os gestores públicos estão errando mesmo, mas não vou dizer mais nada, porque todos sabem o caminho das pedras.\r
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    Se não fazem o que é o correto eu não vou perder o meu tempo "chuvendo no molhado" (ou repetindo igual a papagaios)...o que todos fazem, reclamar é fácil fazer é mais complicado gente), porque enquanto os políticos brasileiros não tiverem, em seus corações mesmo, vontade de fazer para a coletividade a política nacional continuará seguindo esse caminho que deixa o povo a ver navios, e os que sempre ganham sempre ganhando a política é cíclica e de lado a lado só se veem egoístas fantasiados de cordeirinhos.
  • Diogo Siqueira  17/05/2011 18:44
    "Esse tipo de concessão não é para ser pública, a não ser que se crie uma cultura, que toma um longo prazo."

    Longo prazo? Devo esperá-la ainda em vida?
  • André Luis  18/05/2011 11:46
    "No longo prazo estaremos todos mortos". Até lá, vamos continuar pagando o ICMS por dentro e sempre preocupados com o iminente próximo apagão.
  • Erick Skrabe  18/05/2011 12:57
    Ah, entendi. O problema ñ é o governo, são as pessoas que vivem no máximo 100 anos.

    Se vivessem mais, sei lá uns 400 ou 500 anos aí veriam como vale a pena esperar e compreenderiam toda a genialdiade do governo e do Sr. Hosken.
  • augusto  17/05/2011 21:21
    Confesso que nao entendi o que o entrevistado quis dizer, mas eu acho que basicamente ele disse, "o setor eletrico deveria estar inteiramente em maos do governo, abandonando-se o sistema de concessoes."
  • Joao  18/05/2011 12:25
    A distribuidora tem que ter rapidez, produtividade e padrão. "Isso não faz parte de uma empresa pública. Os prazos no ambiente público são mais lentos do que no privado ", disse. "Esse tipo de concessão não é para ser pública, a não ser que se crie uma cultura, que toma um longo prazo. Todos do setor sabem disso, o presidente da Eletrobras sabe, o governo sabe e os políticos estão começando a perceber."

    Sei não... o sujeito confessou que rapidez, produtividade e padrão não fazem parte de uma empresa pública. O que ele está dizendo é: "Prometemos que, dessa vez, será diferente, estamos trabalhando para estarmos melhorando o serviço, e no futuro ele estará melhor, só depende da criação de uma cultura". Ora, é sempre isso que os políticos fazem. Eles sempre prometem que "dessa vez será diferente". Sempre dizem que eles sabem o que fazer, e precisam do seu voto. Depois de muitos anos, o sujeito deixa os rombos para o sucessor, que prometerá mudar tudo mais uma vez.


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