clube   |   doar   |   idiomas
O estado e os carteis - faça o que digo, não o que faço

Não há muito tempo, em Cuba, foi desbaratada uma quadrilha de criminosos: cometiam crime contra a economia popular. O que faziam?  Produziam creme de leite em uma fábrica clandestina...

Ao brasileiro comum a notícia acima — verídica — pode parecer algo absurda, e um norte-americano do século XIX não titubearia em apontá-la como bizarra.  Todavia, ela é o retrato da mentalidade reinante de um país comunista.  Lá, qualquer iniciativa individual é considerada criminosa, embora a praticamente todos faltem as coisas mais banais como creme de leite e até mesmo, como ficamos sabendo pelos jornais, papel higiênico.

Porém, não venho por estas linhas falar de Cuba, mas do Brasil, este país cujo povo é tão laborioso e empreendedor que se põe a cada noite a reconstruir o que o estado pôs por terra à luz do dia, mas parodoxalmente tão distraído e confuso que aplaude efusivamente cada ato de agressão à propriedade privada e às liberdades individuais que este mesmo estado protagoniza.

Usei da comparação acima porque tomei conhecimento da notícia da deplorável prisão de cerca de treze donos de postos de gasolina em Manaus/AM[1], acusados do crime de formação de cartel, bem como também pelos crimes de corrupção passiva e ativa, crime contra a ordem tributária, econômica e relações de consumo e formação de quadrilha ou bando[2].

Preliminarmente, manifesto alguma estranheza quanto ao momento efetivo da realização das prisões. Ainda que se trate de mera coincidência, não deixa de parecer um tanto oportuna ao governo, uma vez que, passadas as eleições, o momento é de indignação popular generalizada em face da disparada da inflação, combustíveis incluídos. A matéria, a seu turno, também parece preocupada em desfazer teorias conspiratórias, como se vê no trecho seguinte: "A sentença foi assinada em 02 de julho de 2010, mas só publicada ontem porque os réus precisavam ser notificados, segundo a assessoria da Justiça Federal do Amazonas".  Levaram, portanto, até o dia da publicação da sentença, isto é, dia 07 de abril de 2011, duzentos e setenta e nove dias para notificar os réus!

Vamos agora ao caso: destaco adiante parte do trecho da sentença que espelha a visão do juiz que a proferiu:

Na decisão, o juiz considerou que, mesmo alegando inocência, Abdala deixou de exercer "a livre iniciativa da salutar economia de mercado e que os motivos do crime convergem para lucro fácil, com relevo especial para cupidez desmedida, o que motiva maior punição e as consequências do crime, com maior gravidade porque atingiu tanto a ordem tributária, econômica e as relações de consumo, quanto o tecido social.

Como se vê, o magistrado atribui ao réu a abstinência de exercer "a livre iniciativa da salutar economia de mercado..." e agrava a punição por considerar os crimes motivados pelo "anseio de lucro fácil e cupidez desmedida, a corroer a ordem vigente nos âmbitos tributário, econômico e social."

Apenas para nos introduzirmos ao assunto por meio de um breve raciocínio lógico, "a livre iniciativa da salutar economia de mercado" pressupõe, obviamente, agir com liberdade (ou senão esta não existe), tendo o lucro por incentivo.  Constatemos a visível infelicidade da citação, por incoerente em seus próprios termos, e notemos como o repúdio ao lucro representa o próprio leitmotiv da sentença.  Afinal, qual a taxa de lucro que deve ser considerada aceitável para um empresário?  E quem a define?

O que é o mercado

Com efeito, amiúde ignoram os burocratas e operadores do direito no que realmente consiste uma economia plena de mercado, enxergando na concorrência direta, individual e atomística a sua expressão mais fidedigna, quando, ao contrário, uma sociedade verdadeiramente livre pressupõe uma vasta gama de interações sociais, tais como a parceria, o consórcio, o cooperativismo, a fusão, o convênio, a terceirização ou a verticalização, os pools e holdings, e tantas outras já existem ou que venham a ser inventadas — inclusive os carteis(!), todas elas criadas para a otimização dos recursos e dos lucros, e todas a priori consideradas como mutuamente benéficas aos seus participantes, ou de outra forma estes não as realizariam.

Podemos definir o mercado como o conjunto das ações humanas.  Toda ação acarreta um número praticamente infinito de escolhas que foram preteridas, que uma vez praticada gera informações para todos os agentes participantes de um processo econômico.  O mundo real é dinâmico, e cada produto posto à venda é submetido à subjetividade de cada um dos cidadãos, que por sua vez possuem um conhecimento incompleto do mercado.  Além disso, diariamente novos participantes entram e saem de um determinado setor, e há ainda os inventores que vez ou outra dizimam mercados inteiros por condená-los à obsolescência.  Não existe equilíbrio, nem há de existir: muito pelo contrário, a roda que gira o mundo é impulsionada por um eterno e salutar(!) desequilíbrio.

A lei antitruste

A origem

Nunca houve no Brasil uma discussão racional, economicamente fundamentada e empiricamente verificada sobre a propositura da legislação antitruste. Todo o arcabouço legal vigente em solo caboclo não passa de cópia desbotada do Sherman Act e outras normas correlatas do direito norte-americano.  Todas elas, lá e aqui, foram baixadas ao mundo jurídico completamente eivadas de vícios decorrentes de uma equivocada recepção de mal-concebidas teorias macroeconômicas construídas com base em estáticos modelos de competição perfeita sobre cenários de equilíbrios cartesianos pré-estabelecidos, nos quais foram isoladas estas e aquelas variáveis e arbitrariamente impostas algumas condições que jamais se verificariam no mundo real, tais como um número idealmente infindo de competidores, o conhecimento completo do mercado, os produtos absolutamente homogêneos, a inexistência de restrições artificiais à circulação dos produtos e a ausência de inovações tecnológicas ou mercadológicas que interferissem nos preços e nas preferências dos consumidores.

Nem todo problema tem no método cartesiano a sua solução: certa vez, assisti à TV sobre um documentário que mostrava a captura de criaturas das profundezas marinhas para serem examinadas em laboratório, malograda porque elas simplesmente se desintegravam quando trazidas à superfície, devido à diferença de pressão. Este exemplo demonstra como determinados campos de estudo requerem que o seu objeto seja estudado conjuntamente com todas as suas relações com o meio que o envolve, e nisto situa-se precisamente a ciência econômica.

O que estas teorias macroeconômicas pretendem demonstrar é que quaisquer desvios dos modelos ideais acima descritos tendem a gerar uma pior utilização dos recursos, e consequentemente, uma redução do bem-estar geral da sociedade, daí a alegação da necessidade de serem coibidos por meio da intervenção estatal. A respeito desta falaciosa escola econômica, assim se pronuncia o Professor Dominick Armentano[3]:

A teoria da competição perfeita é ao mesmo tempo ilógica e irrelevante. Além disso, ela simplesmente assume que devam existir condições que necessariamente resultem em um equilíbrio. A competição comercial, em outra mão, é sempre um processo em que os empreendedores, com informação imperfeita, tentam realizar ajustes nas condições do mercado de modo que uma coordenação mais próxima entre os planos da oferta e da demanda seja alcançada.

(...)

Se a competição perfeita é ilógica e irrelevante, então as estruturas do mercado, ou as mudanças na estrutura dos mercados, não revelam nada a priori com relação à competição ou ao bem-estar.

Anti-juridicidade da lei antitruste

Em nome de tais presunções flagrantemente errôneas porque imponderadas pela experiência multissecular e pela avaliação das consequências unilateralmente desprezadas, mas que de fato ocorrem em um mundo onde tudo à volta reage, pessoas trabalhadoras e produtivas têm sido processadas, multadas, tiveram os seus estabelecimentos fechados ou desmembrados e foram até mesmo presas por enquadramentos subjetivamente julgados a posteriori com base em dispositivos legais cujo nível de concretude mais se aproxima da mente de um santo-daimista em transe. 

Disso resulta que qualquer empresário pode vir a ser enquadrado a qualquer momento por quaisquer das evanescentes cláusulas da lei antitruste, mesmo que conscientemente as tenha evitado o quanto possível, configurando tal grau de incerteza jurídica um verdadeiro assalto aos princípios mais basilares do estado de direito.

Com a transposição do campo econômico para o jurídico, a consolidação da jurisprudência tem sido de piora deste quadro, uma vez que os rastros de toda a discussão sobre o assunto, com os devidos questionamentos sobre a eventual existência de prejuízo ao bem-estar geral, têm se apagado em benefício da consagração da norma per se, muito mais prática e assimilável para os ritos forenses.  Em palavras mais simples, os agentes públicos e os juízes já não se importam em averiguar se as hipóteses de conduta ilícita previstos pela lei antitruste conduzem de fato a um prejuízo à sociedade, ou mesmo se tal possibilidade pode mesmo acontecer. Bastam-lhe as demonstrações da existência do conluio e o crime jaz qualificado. 

Neste erro grosseiro precisamente incide o enquadramento feito aos donos de postos amazonenses acusados do crime de formação de cartel: Ora, desde a prospecção até o refino, bem como a importação, o mercado de combustíveis é operado por um monopólio estatal, e levemos em conta que a parcela mais significativa parte do preço é composta de tributos.

Permitida a iniciativa privada apenas à distribuição e ao varejo, aos quais resta tão somente uma delgada margem de manobra operacional, então o modelo macroeconômico que pretende justificar a norma está logicamente falseado, devendo esta tornar-se inaplicável.  Afinal, o que legitima querer o estado prestigiar a validade da competição do livre mercado só nas últimas fases do processo mercadológico, exigindo destes últimos o que não se fez desde os poços de perfuração?

Os efeitos negativos das políticas antitruste

Considerando, desta forma, que uma empresa pode vir a ser acusada tanto por agir quanto por não agir, resta-lhe somente uma conduta: agir "negativamente", isto é, emascular a sua natureza empresarial de procurar produzir mais e melhor para estabelecer para si própria um limite de participação no mercado, e isto forçosamente vai parar nas áreas mais sensíveis das empresas, como as de criação, marketing e qualidade.  Isto significa que ela procurará conter-se em produzir bens tão inovadores, e em divulgá-los à sociedade. Foi isto precisamente o que fez a General Motors, como nos demonstra o Professor Thomas Di Lorenzo[4]:

A General Motors nunca foi processada, mas por causa do temor da companhia pela lei antitruste ela tornou sua política oficial de 1937 a 1956 de nunca deixar a sua participação no mercado ultrapassar 45%, por qualquer razão que fosse. Este medo da perseguição antitruste contribuiu para as dramáticas perdas desta indústria no mercado para as montadoras japonesas e alemãs nas décadas de 70 e 80. 

Dos carteis

A instabilidade dos carteis em uma sociedade livre

Já vimos que em um mercado livre, ou melhor, em uma sociedade livre, isto é, não maculada por qualquer forma de intervenção estatal, a pura e atomística concorrência não é a única forma viável e legítima de interação entre os cidadãos, mas também outras formas de relacionamento, e particularmente aqui destacaremos a coordenação.

Para entender esta forma de interação humana, devemos primeiramente questionar se há alguma diferença prática entre um dado número de empresas que decide atuar segundo um cartel e o de uma única empresa que aplica um único preço para todas as suas lojas.

Analisando estas duas configurações empresariais, podemos constatar que a última segue uma estratégia que se adapta mais facilmente às decisões de um só indivíduo, enquanto a primeira mais se adequa a uma multiplicidade de proprietários. Consequentemente, a primeira também está mais ligada a um processo de decisões mais estável, enquanto a segunda, mais precário.

Do exposto podemos concluir que os carteis visam adaptar-se a situações específicas, tendendo a extinguir-se com o desaparecimento das causas que lhes deram origem. 

Em uma sociedade livre, são muitos os fatores que conspiram contra a sua permanência, e no caso dos postos de combustíveis, podemos vislumbrar alguns deles, dentre os quais a localização: certamente que os proprietários dos estabelecimentos mais afastados do centro da cidade são prejudicados por um acordo deste tipo.  Grandes clientes também podem estragar este conluio, já que eles detêm poder de barganha para eleger um só estabelecimento e na ausência de um preço mais baixo, buscarão um fator diferenciador qualquer, no caso, principalmente a localização. 

Um fator de peso adicional é o ingresso de novos estabelecimentos que não participaram do acordo e que por necessitar urgentemente conquistar uma fatia do mercado, não aceitam a ele aderir. 

Outra coisa em que devemos pensar é: quem poderá garantir que os diversos participantes serão todos leais entre si?  Quem garante que um deles, à surdina, não busque contratos vantajosos com clientes preferenciais, ou mesmo ofereça seus produtos à população com preços reduzidos, enquanto simplesmente sustenta aos seus parceiros que está vendendo pelo preço combinado? Note-se que o cumprimento de tal acordo, para ser eficaz, requer a providência de um sistema de fiscalização, o que é oneroso e por isto dificilmente viável.

Podemos também considerar o prejuízo que podem impingir aos carteis os importadores e os desenvolvedores de tecnologias alternativas. Certa vez, assisti pelos noticiários televisivos sobre uma grande companhia construtora que driblou os altos preços do cimento brasileiro importando-o da Turquia a preços bem compensadores.  Da mesma forma, as empresas e indivíduos que têm desenvolvido veículos a carvão, álcool, eletricidade, energia solar, gás, hidrogênio, biodiesel e quaisquer outras conspiram para que tais ajustes acabem perdendo sua eficácia.

Todos estes fatos fazem com que a dinâmica do mercado seja muito acentuada, e consequentemente, que a duração de acordos estáticos de combinação de preços sejam sabotadas pelos próprios participantes.  Entretanto, quando os carteis perduram no tempo, é porque justamente a coordenação revela-se como uma interação humana mais eficaz do que a competição, o que necessariamente leva a constituir-se em uma vantagem para o público consumidor, que de outra forma poderia sofrer com alternativas mais duras, até mesmo com a falta do produto demandado.  Neste caso, é até mesmo esperável que a fusão entre empresas tenda a ocorrer.

Os carteis podem exercer uma função benéfica à população.

Até aqui defendemos o cartel contra as acusações que lhe são imputadas, quais sejam, a de existir para a exploração do público consumidor mediante o conluio em diminuir a oferta e/ou fixar os preços. Entretanto, os carteis também podem exercer funções benéficas ao consumidor.

Murray Rothbard[5] usou do exemplo dos plantadores de café que decidiram colocar parte de sua produção nas fornalhas dos trens como forma de diminuir a oferta do grão, para mostrar que o problema não estava na solução que encontraram, mas no problema criado por uma superprodução que veio a existir justamente por uma questão de informação imperfeita no mercado.  Um preço excessivamente baixo do café não atendia à necessidade de auto-financiamento da produção deste bem porque a um determinado ponto, as pessoas não queriam mais adquirir café, por mais barato que fosse.  O resultado da coordenação entre produtores que resultou na diminuição da oferta de café tornou possível o atendimento de diversas outras necessidades ao público consumidor, barateando seus preços, desde que agora as plantações estavam dedicadas a produzir trigo, milho ou qualquer outra coisa.

Um paradoxo de interpretação de um problema: um copo pela metade está meio cheio ou meio vazio?  De acordo com a teoria tradicional, como visto, carteis são acordos celebrados com o intento direto de prejudicar os consumidores, mas de acordo com a teoria austríaca, a combinação de preços — se estes forem efetivamente majorados — serve como um forte estímulo para o ingresso de novos participantes no mercado. Será que os novos páreos toparão fazer parte de um acordo quando atualmente detêm 0% de participação no mercado?

Oportunamente, será que todos os participantes estão de acordo com a sua atual respectiva fatia no mercado?  A combinação de preços não parece resolver este problema, mas antes, homogeneizar estratégias e assim reduzir alguns custos tais como os relativos à contabilidade de custos e antecipar-se a algumas tendências de imprevisão do mercado futuro.  O problema da divisão do mercado resulta intocado, e disto resulta que uma extensa gama de serviços acessórios podem ser utilizados como fatores diferenciadores: lavagens gratuitas, pequenos check-ups de óleo, água e calibragem dos pneus, programas de fidelidade, venda a crédito e assim por diante, benefícios que num mercado pago podem ser bem mais dispendiosos para o consumidor, que desta forma sai ganhando.

Ainda com relação à participação do mercado e especificamente no caso dos postos de combustíveis, a estreitíssima margem operacional a eles permitida pode fazer com que muitos deles, principalmente os mais afastados e que por este motivo detenham participações mais modestas no mercado, corram o risco de fechar as portas.  Assim sendo, o cartel constitui-se em uma medida criada com o fim de evitar tal situação que, caso aconteça, possa vir a prejudicar a população, tanto pela falta do produto quanto por uma resultante majoração geral de preços advinda justamente da lei da oferta e da procura.  Tal indesejada situação naturalmente há de prevalecer até que a criação de novos estabelecimentos os substituam; todavia, para que isto venha a acontecer, é claro que deverão estar presentes os incentivos mercadológicos, coisa que, infelizmente, pode pairar além do além do horizonte de expectativa de risco dos novos empresários por um tempo indefinido em face da vigência de uma lei antitruste.

Quem mais cria monopólios e carteis é o próprio estado

Em todas as argumentações acima apresentadas, uma única condição foi requerida para demonstrar que os carteis não são este bicho-papão que a teoria macro-econômica tradicional pretende afirmar, bem como para demonstrar que eles são instáveis e podem até mesmo ser benéficos ao bem-estar geral: a de que estejamos utilizando como cenário um mercado livre.

Entretanto, quando se trata de Brasil, a coisa é bem diferente: um cidadão que for pego com um carro movido a gás de cozinha, por exemplo, terá o seu veículo confiscado e responderá a processo penal. Especialmente nos anos 80, o governo investia muito em propaganda psicologicamente agressiva, para demonstrar que estas práticas eram perigosas: inúmeras reportagens eram levadas ao ar para mostrar ao público explosões de veículos previamente arranjadas.  Claro está que na verdade estas explosões só aconteceram diante de câmeras que estavam esperando por elas, pois na vida real são inúmeros os veículos movidos a gás que rodavam — e ainda rodam — clandestinamente, e com segurança, porque a tecnologia é a mesma que tem sido usada para o uso legal nos motores de empilhadeiras em armazéns.  Na verdade, tudo o que o governo queria era limitar a importação do gás butano, procurando assim tentar conter distorções que ele mesmo criava.

No estado do Amapá, o governo brasileiro envida vãos esforços na tentativa de segurar o contrabando de gasolina proveniente da Venezuela. Há quem sustente que o contrabando é um mal para o país. Na verdade, o contrabando consiste em uma reação que vem a proteger o cidadão contra o privilégio de mercado que o estado concede a algumas poucas empresas.

Como se vê, o cartel dos combustíveis em Manaus floresceu em meio a um ambiente onde prevalece o monopólio estatal da Petrobras, onde os tributos formam a maior parte do preço e onde o cidadão comum é tolhido no seu poder de se defender contra abusos de preços, seja de onde vierem.  Culpa do mercado?

A rigor, ninguém produz mais monopólios e oligopólios do que o estado. Qual a diferença entre um cartel e um "programa de preços mínimos para a agricultura" a não ser que este é justamente imposto pelo estado?  Qual a diferença entre um cartel e os chamados pisos mínimos profissionais? Qual a diferença entre um cartel e a existência de um sem-número de conselhos de classe e ordens profissionais, que legislam em causa própria, fiscalizam, multam e fecham estabelecimentos sem um pingo de representatividade política? Tenhamos em mente também as decisões judiciais trabalhistas, fartamente prolatadas de acordo com o entendimento que os trabalhadores que exercem atividades iguais devem receber igual salário, a despeito de qualquer julgamento da qualidade do trabalho deste e daquele trabalhador em particular.  Ora, que é o trabalho senão a propriedade do trabalhador posta à venda? 

Conclusão

Este artigo não tem por objetivo proteger necessariamente os empresários manauras que foram presos, mas sim o de denunciar a mais absoluta falácia que é a legislação antitruste.

Com dois pesos e duas medidas, o estado interfere cada vez mais na vida dos cidadãos e no mercado de forma completamente arbitrária e infundada, a gerar distorções que nos levam ao empobrecimento senão absoluto, mas pelo menos relativo. O resultado de tudo isto tem sido encontrarmos cada vez mais pessoas trabalhadoras e produtivas nas cadeias no lugar de bandidos e marginais, estes à solta com requintes de proteção estatal concretizados na forma de direitos humanos.

Há empresários que se jactam de possuir como dom um certo pragmatismo que, segundo lhes consta, lhes é peculiar, e acreditam desta forma que podem furtar-se ao atual estado de intervencionismo estatal por meio de conluios, subornos, conchavos ou mesmo das ferramentas jurídicas postas à sua disposição - por um bom preço. Ignoram que o máximo que conseguem é qualificar ainda mais a condição de réus em processos nos quais já foram condenados de antemão pela pelos promotores, pelos juízes, pela mídia, pela opinião pública e até mesmo por seus próprios advogados.

Somente o investimento a fundo perdido em um longo trabalho de transformação da opinião pública para a valorização de uma cultura de plena liberdade individual há de pôr um fim a estas injustiças, e isto, com um trabalho bem feito, daqui a algumas décadas.   Será este o tempo em que leis como a antitruste deixarão de existir.

___________________________________________

Notas

[1] http://aluizioamorim.blogspot.com/2011/04/justica-condena-prisao-13-donos-de.html

[2] Nota: creio que aqui reste alguma imperfeição na divulgação da notícia, pois o crime de corrupção passiva só pode ser praticado por servidor público.

[3] ARMENTANO, Dominick. Antitrust and monopoly. Anatomy of a policy failure. 2ª ed. p. 32-33. The Independent Institute, Oakland, California, 1999:

[4] DI LORENZO, Thomas J. Anti-trust, Anti-truth (artigo).http://mises.org/story/436

[5] ROTHBARD, Murray, Man, Economy, and State, p. 569"A ação do cartel, ao reduzir a produção de café e provocar um aumento na produção de borracha, fez com que os recursos produtivos aumentassem seu poder de satisfazer o desejo do consumidor."



autor

Klauber Cristofen Pires

Bacharel em Ciências Náuticas no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar, em Belém, PA. Técnico da Receita Federal com cursos na área de planejamento, gestão pública e de licitações e contratos administrativos. Dedicado ao estudo autodidata da doutrina do liberalismo, especialmente o liberalismo austríaco.


  • André Ramos  11/05/2011 12:20
    Faz alguns meses que conheci o IMB, e desde então leio seus artigos diariamente. Muitas vezes chego a ler 4 ou 5 artigos por dia, caçando textos antigos relacionados a temas cotidianos.
    Este texto é, sem dúvida, o que li com maior alegria.
    A razão é simples: trabalho no CADE.
    Parabéns ao autor pelo excelente texto.
    Abs.
  • Alexandre M. R. Filho  19/05/2011 14:40
    Manda o Badin às favas! Ele tá lá ainda???
  • Andre Ichiro  11/05/2011 13:45
    "De acordo com a teoria tradicional, como visto, cartéis são acordos celebrados com o intento direto de prejudicar os consumidores, mas de acordo com a teoria austríaca, a combinação de preços - se estes forem efetivamente majorados - serve como um forte estímulo para o ingresso de novos participantes no mercado."

    O que impede das sociedades empresárias (supondo ser possível a existência de grandes sociedades empresárias em uma livre sociedade) em questão formarem, temporariamente, dumpings (ou qq outra prática similar) específicos para quebrar quem entrar no mercado, e, então, voltar a elevar os preços (e, fazendo isso, possivelmente afastarão empresários, já que, se há incentivo de lucro por um lado, há, de outro, alta probabilidade de se enfrentar este dumping, o que provavelmente levará empresários a investirem em áreas onde não haja monopólio/cartel)?
  • Leandro  11/05/2011 14:01
    André Ichiro, duas coisas impedem isso de ocorrer: bom senso e realidade econômica.

    Não apenas a teoria explica por que tal prática seria irracional do ponto de vista econômico (em um livre mercado), como também a própria prática já comprovou que a teoria estava certa.

    Explico melhor: essa prática de dumping (dumping real mesmo, com preços lá em baixo) ocorreu apenas uma vez na história. E quem a praticou se estrepou bonito, de modo que seu concorrente direto ganhou mercado em cima dessa bobagem.

    A história é contada de forma magnífica nesse vídeo do Tom Woods, de apenas 7 minutos. Uma lição histórica de economia. Aproveite!

    www.youtube.com/watch?v=V6dD-ifIr8s&feature

  • André Ramos  11/05/2011 14:10
    Leandro,
    que textos específicos sobre 'direito antitruste', sob a visão austríaca, vc me sugere?
    Abraço.
  • Leandro  11/05/2011 14:19
    Recomendo os livros do Dominick Armentano, que é quem mais estudou o assunto:

    mises.org/store/Search.aspx?m=3

  • Fernando Chiocca  11/05/2011 14:49
    Eu recomendo o mencionado na nota, o capítulo sobre monopólios no Man, Economy and State. Chapter 10-Monopoly and Competition

  • Andre Ramos  11/05/2011 17:08
    Leandro e Fernando, muito obrigado.
    Abs.
  • TêVê  14/08/2013 20:21
    André (e os outros) recomendo o seguinte texto, "Economic Calculation in the Corporate Commonwealth", do Kevin Carson, que, apesar de ser um mutualista, sustenta sua tese no capítulo sobre cartéis de "Man, Economy and State" do Rothbard

    www.fee.org/the_freeman/detail/economic-calculation-in-the-corporate-commonwealth
  • Rodrigo Meira  11/05/2011 15:23
    eu li este artigo um tempo atrás não sei onde, fico feliz de ver ele disponivel aqui também.
  • Getulio Malveira  11/05/2011 18:56
    "...daqui a algumas décadas"\r
    \r
    Um pouco de otimismo é sempre bom! Mas, pensando melhor, se a E.A é tão consistente do ponto de vista lógico, é possivel esperar que ela seja mais bem aceita e compreendida por pessoas cultas e não-cultas (talvez até mais por estas) do que a economia acadêmica atual. Afinal, "bom senso é a coisa mais bem distribuída do mundo", como dizia Descartes.
  • Filippini  11/05/2011 19:01
    Então não existe cartel ? E nem praticas de cartel nas diversas econômias nacionais mundo afora ?
    Será isso ?
    O meu bolso como consumidor e pagador de impostos dúvida deste premissa.o uso de um parágrafo no texto acima,subtraido de um artigo do professor :Thomas Di Lorenzo serve inclusive para demosntrar o desconhecimento de ambos sobre os fatos estruturais e conjunturais que fizeram a GM perder determinado percentual de participação em seu mercado de origem.O grande Michael Porter o seu melhor crítico o professor : Omar Aktouf que o digam.

    Fusão (Antártica/Brahma),que resultou na Ambev,(Garoto/Nestle),(Sadia/Perdigão)deveriam então serem incentivas de acordo com o autor ?
    Os bancos "grandes demais para quebrar" lá nos EUA então deveriam algo bom para os pagadores de impostos ?É isso ?Aqui no Brasil,a falta de competição bancária tão questionada aqui na página do Instituto Mises Brasil,de acordo com este texto acima vira um contra-sendo ?
    Quando for para questionar a lógica pública em detrimento da lógica privada,o IMB,deveria selecionar melhor os autores e colaboradores.
  • Luis Almeida  11/05/2011 19:12
    Querido Filippini, onde no texto está escrito que não existe cartel? Onde está escrito que cartel é bom para consumidores?

    No mais, concordo com você: o Mises Brasil deveria ser mais seletivo... com os comentários. Ultimamente, o filtro dos comentários aqui está excessivamente tolerante. É cada analfabeto funcional -- e, no seu caso, analfabeto prático -- que tem aparecido aqui ultimamente, que dá até desânimo.

    O pré-requisito mínimo para a aprovação de comentários deveria ser o leitor demonstrar capacidade de interpretação de texto. Leitor que não sabe interpretar o mínimo necessário não terá capacidade nenhuma de participar de qualquer debate. Estes deveriam ser banidos em nome da agradabilidade, amenidade, prazer e conforto propiciados pelo site.
  • anônimo  11/05/2011 19:24
    Concordo. Ultimamente o IMB tem sido excessivamente tolerante na aprovação de comentários que nada agregam. Uma coisa é o sujeito vir aqui querendo debater honestamente; outra, que é o que vem acontecendo, é o sujeito vir só pra trolar e tumultuar. O cara despeja um monte de perguntas e comentários sem nexo (e muitas vezes mal escritos) e vai embora. Quando é respondido, ele volta, desconversa, inventa outro assunto e dana a fazer novas perguntas e comentários sem nexo, como se nada tivesse acontecido.

    Quanto mais respondem, mais o sujeito volta enchendo o saco falando de coisa que nada tem a ver com nada. É gente que veio do esgoto ou que caiu de para-quedas e que, por ter seus conceitos esquerdistas já bem solidificados, fica espantada em descobrir que há pessoas que realmente pensam diferentemente daquilo que sua professora da 8ª série ensinou. Aliás, já viram algum esquerdista que saiba escrever? Eu juro mesmo que nunca vi nenhum.
  • Helio  11/05/2011 20:35
    Luis Almeida e anônimo, as colocações do Filippini devem ser rebatidas com argumento, e não com censura. O MisesBrasil julga as críticas como essas bem-vindas.
  • Clóvis  11/05/2011 23:26
    Prezado Hélio, quais colocações? Quais críticas? Sou leitor assiduo do site mas comento muito pouco por aqui. E concordo com os outros, tem muito comentário desnecessariamente aprovado aqui, o que é uma pena pois eles servem apenas para poluir um dos poucos sites em português dignos de serem lidos. Esse filipin por exemplo falou mal e não disse nada de relevante, apenas ironias de quinta. Perda de tempo dar espaço pra gente assim, pessoas que não querem debater, só provocar e encher o saco.

    Mas é só minha opinião.
  • mcmoraes  12/05/2011 00:00
    Eu gosto a seção de comentários exatamente do jeito que ela está: se o comentarista escrever alguma coisa que faça o mínimo sentido, tá valendo! E isso inclui deboche, ironia e sarcasmo. Censura só deve se aplicar a comentários totalmente sem sentido ou que usem ofensas ou palavrões.
  • Leandro  12/05/2011 00:03
    Prezados, não há e nem haverá censura nos comentários -- exceto, é claro, para aqueles recheados de palavras carinhosas e dulçorosas. Estes a gente faz questão de guardar exclusivamente para a nossa equipe.

    Abraços a todos.

  • Fernando Chiocca  12/05/2011 11:59
    Eu concordo com quem diz que deveriam filtrar mais. Os ouvidos de nossos leitores não são pinico para terem que ficar ouvindo as cretinices que andam escrevendo por aqui.
    Quando eu posso, sempre deleto comentários imbecis antes de serem aprovados.
  • Ivan  17/08/2013 17:11
    Acho que o ponto principal é este
    "Um paradoxo de interpretação de um problema: um copo pela metade está meio cheio ou meio vazio? De acordo com a teoria tradicional, como visto, carteis são acordos celebrados com o intento direto de prejudicar os consumidores, mas de acordo com a teoria austríaca, a combinação de preços — se estes forem efetivamente majorados — serve como um forte estímulo para o ingresso de novos participantes no mercado. Será que os novos páreos toparão fazer parte de um acordo quando atualmente detêm 0% de participação no mercado?"

    O que acontece nos mercados é que quando um grupo domina uma atividade ele tem meios de impedir que outros concorram. Como ?
    Vamos pagar o caso dos donos de postos de gasolina, que é o exemplo citado.
    Aqui em Brasilia, onde eu moro, existe o mesmo problema, e a rede Extra ia abrir um posto de gasolina no seu estabelecimento na Asa Norte. Todos estavam esperando ansiosos . Aí aprovou-se uma lei que impedia a abertura de postos de gasolina em ambientes de grande circulação de pessoas (que coincidência, não ?).
    Um grupo que já está estabelecido pode e exerce influência sobre legislação , normas, espaço físico, fornecedores. É só ler a história de Preston Thomas Tucker que tentou concorrer com indústria (cartel?) automobilística estabelecida. É um caso real, como o dos produtores de café.
    Vamos então imaginar o caso de uma anarquia, é pior ainda.
    O caso mais parecido que eu conheço é o caso dos vikings. O termo viking significa "alguém que vai em uma expedição". O que aconteceu é que na Escandinávia do século VIII não existia governo centralizado. A maioria da população era composta por agricultores e as propriedades eram herdadas pelo filho mais velho. Os mais moços tinham que se virar e então buscar oportunidades virou uma necessidade. Eles tinham uma tradição de navegação, os barcos conseguiam tanto navegar no mar quanto em rios. Isso criou uma excelente oportunidade para o comércio.
    Essa era a intenção, mas como não tinha, na prática, governo, por que não fazer pirataria ?
    Não ir, matar, saquear, roubar ? Quem vai deter ?
    Somente 5% da população da Escandinávia se tornou viking . E destes, muitos se tornaram apenas comerciantes. O termo viking depois mudou o sentido para "aquele que sai para fazer pirataria".
    Mas o objetivo era o mesmo que o pensamento liberal vê na atividade econômica: ganhar dinheiro. Todo mundo quer ganhar dinheiro.
    Só que sem controle, vira um estado governado por piratas.
    Os vikings sumiram no século XII porque se formaram estados naquela região com poder suficiente pra impedir a atividade pirata.O comércio continuou.
    Agora a pergunta central é : O que pode ser definido, nos dias de hoje, como uma prática tão danosa quanto a pirataria ?
    A economia de mercado só funciona com livre concorrência e cartéis e monopólios contribuem ainda sim e muito para acabar com a livre concorrência.
    O problema é que se os outros Estados do mundo praticam isso, eles formam grupos que vem aos nosso país esmagam os grupos internos.
    Por isso que fusões como a da Ambev são autorizadas, como resistência aos cartéis e monopólios do exterior.
    É como resistir a um saque pirata. A melhor estratégia é atacar.
    Só que isto só piora a livre concorrência no mercado mundial como um todo.
  • Leandro  17/08/2013 19:55
    Ivan, carteis só existem em ambientes regulados pelo estado. É impossível um cartel voluntário durar em um mercado genuinamente livre. Sempre que houver formação de cartel e elevação de preços, haverá incentivos para que

    1) um membro do grupo saia do cartel, reduza seus preços e roube clientes de seus concorrentes, aumentando seu volume de vendas e consequentemente seu lucro; ou

    2) um empreendedor de fora chegue, pratique preços marginalmente menores, e com isso tome clientela dos cartelistas e obtenha portentosos lucros.

    Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (agências reguladoras), seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam. Pedir que o estado atue para acabar com cartéis é o mesmo que pedir para o gato tomar conta do pires de leite.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.).

    No caso de postos de gasolina, vale lembrar que o setor energético é certamente um dos mais regulados da economia brasileira. Começa pelo fato de a Petrobras deter um monopólio prático da extração de petróleo. Após mais de 40 anos de monopólio jurídico (quebrado apenas em 1997), a Petrobras já se apossou das melhores jazidas do país. Nem tem como alguém concorrer. É como você chegar atrasado ao cinema: os melhores assentos já foram tomados, e você terá de se contentar com os piores. Além da Petrobras e da ANP, que regula tudo que diz respeito ao setor, há toda uma cornucópia de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança que fazem com que abrir um posto de combustíveis seja uma atividade quase que restrita aos ricos — ou a pessoas que possuem contatos junto ao governo. Livre concorrência nesta área nunca existiu.

    Quando o governo não tinha ainda poderes para se intrometer, havia formação de cartel entre os poderosos? Havia "exploração"? Não. O que ocorria era isso.

    Monopólio e livre mercado - uma antítese

    Outros artigos obrigatórios para você sair deste perigoso autoengano:

    Sobre as privatizações (Parte 1)

    Sobre as privatizações (final)

    Celular ilimitado por R$30/mês - saiba como aqui

    Regulações protegem os regulados e prejudicam os consumidores

    Tributação X Regulamentação - O que é pior?

    Aeroportos + governo = caos

    A bem-sucedida regulação privada

    Regulamentações brasileiras garantem a prosperidade dos vigaristas

    Legislações antitruste e agências reguladoras não podem existir em uma sociedade livre

    A Guatemala e seu exemplo de privatização

    As parcerias público-privadas - a porta de entrada para o socialismo


    P.S.: Viu a última da ANATEL?

    ANATEL é acusada de negociar suas decisões com cartel formado por Vivo, Oi, Claro e TIM

    Operadora móvel acusa Anatel de negociar suas decisões com cartel formado por Vivo, Oi, Claro e TIM
  • Ivan  17/08/2013 21:12
    Respondendo:
    "1) um membro do grupo saia do cartel, reduza seus preços e roube clientes de seus concorrentes, aumentando seu volume de vendas e consequentemente seu lucro; ou"

    Isso praticamente não acontece, o que acontece é que ele é estrangulado pelos outros.
    Essa uma prática conhecida de formar uma moral dentro do grupo .

    "2) um empreendedor de fora chegue, pratique preços marginalmente menores, e com isso tome clientela dos cartelistas e obtenha portentosos lucros."

    Novamente errado, esse foi o caso que eu citei do Extra. Que tentou entrar no mercado e foi expulso pelo cartel local. E o Extra não é um pequeno posto tentando entrar no mercado.

    "Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (agências reguladoras), seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam. Pedir que o estado atue para acabar com cartéis é o mesmo que pedir para o gato tomar conta do pires de leite.
    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.)."

    Quem matou o automóvel Tucker nos EUA ? A iniciativa privada, o cartel das empresas estabelecidas de automóveis que só deixariam ele vender o carro de forma a não diminuir as margens de lucro estabelecidas .
    No Brasil, o setor de automóveis é uma concessão do governo ? Por que , segundo cálculos publicados, a margem de lucro em automóveis aqui é 30% maior que no exterior ?

    Porque existe um cartel e todo mundo entra nele. Pode começar até vendendo barato, depois sobe o preço pra não sofrer sanção dos outros membros.

    O governo teve que obrigar os fabricantes a por ABS e Airbag nos carros e , pelo que eu li, este custo foi absorvido.

    Quem combina a legislação com o governo são os empresários (donos de cartéis e monopólios). A legislação e regras não mudam porque não existe interesse do empresários . A legislação e regulamentação não mudam porque quem paga a eleição dos governantes são as empresas que mais tem interesse. É o monopólio, o cartel o e o oligopólio que faz aprovar leis e regulamentações para dificultar o ingresso de novos concorrentes (veja a lei que impediu o Extra de abrir posto). E tenta aprovar leis pra facilitar a exploração econômica de pessoas e recursos. Um trabalhador barato cheio de filhos (igreja católica ?) dificilmente vai ter possibilidade de pensar em ser empresário.
    Se uma pessoa que é pobre tem um filho com 14, 15, 16 anos, vai ser muito difícil fazer uma faculdade e quem dirá pensar em ser empreendedor.
    Coisas como falta de programa de controle de natalidade é um interesse destes monopólios e do governo em conjunto. Eu diria que isto é muito, mas muito mais prejudicial que o esta questão do governo manter cartéis. O governo mantém estes cartéis porque assim desejam os monopólios.

    A questão é enxergar a parceria, a simbiose que existe entre o governo e estes monopólios.

    Não é um autoengano, todo o grupo que está no poder deseja permanecer no poder. É simples. Uma vez que ele atinja um determinado grau de poder, ele manda no governo.
    O problema é que estas leis anti trust nunca são aplicadas.

    Me diga o que é a Microsoft senão um monopólio que ainda persiste ?
    A Microsoft chegou a aplicar dinheiro na Apple, evitando sua falência, pra não ser caracterizada como monopólio.
    Só que a Microsoft elege muitos deputados nos EUA. A Microsoft dá empregos, injeta dinheiro na economia americana e ela mantém um monopólio em escala mundial de programas básicos para computadores pessoas.
    Ela até mesmo coloca produtos ruins no mercado e o consumidor não consegue se livrar dado o tamanho que este monopólio chegou. Exerce controle sobre fornecedores de equipamentos e fornecedores de sistemas .
    O que está provocando uma mexida no mercado é a mudança do paradigma de computação pessoal para computação móvel e em rede. Isso realmente mexe com a Microsoft.
    Outras empresas , como a alemã SAP, são praticamente monopolistas nos sistemas que vendem.
    Isso foi regulamentação ? Foi governo ?
    Pode ter sido, mas com certeza com o governo atuando em conjunto com estas empresas monopolistas.
    O que faz o monopólio ou cartel cair realmente é o fim do interesse do produto que ele vende.
    Isso é que faz com realmente um dos membros queira deixar e seja bem sucedido. Os outros não terão poder para impedir e o mercado, a partir daí será livre.
    Outros mudarão de atividade.
    Mas não é o governo que sobrevive de cartéis, mas os cartéis que sobrevivem do governo.

  • Leandro  17/08/2013 22:28
    Prezado Ivan, certamente está havendo alguma falha de comunicação entre nós dois, pois ambos estamos falando a mesma coisa: empresários fazem conluio com estado para fechar o mercado à concorrência e se protegerem.

    Todos os exemplos que você citou, inclusive este do supermercado Extra -- em que o estado aprovou lei para proteger as empresas que já estavam ali --, são exemplos patentes desse arranjo em que estado e empresários se unem para restringir o livre mercado.

    Você pergunta por que as margens de lucro das montadoras no Brasil são altas. Repondo: porque o estado impôs uma pornográfica tarifa de importação de 35%, algo inaudito em países civilizados. Na Europa, um português pode comprar um carro alemão, francês, italiano, espanhol ou mesmo japonês pagando uma tarifa de importação de 1%. Nos EUA é a mesma coisa. Aqui, o estado, para proteger as montadoras, impede que o brasileiro possa comprar carros estrangeiros. Em alguns casos, aliás, as tarifas de importação podem encarecer um carro estrangeiro em até inacreditáveis 340%.

    Leia mais sobre este assunto aqui:

    Sobre os preços dos carros no Brasil

    Para finalizar: este arranjo em que estado e empresas fazem conluios para se beneficiarem mutuamente e prejudicarem o consumidor e o mercado chama-se corporativismo -- ou, mais popularmente, fascismo. Leia mais neste artigo:

    O que realmente é o fascismo
  • Luiz Felipe  16/11/2013 19:51
    A Microsoft é um monopolio virtual. Eles são tão grandes, que é muito dificil qualquer concorrente ter um produto a altura.
    É quase impossivel uma empresa pequena desenvolver um sistema operacional.
    Foi nescessario 20 anos de desenvolvimento do Linux patriocinado por varias empresas e o surgimento de outro "monopolio" Google, para existir um concorrente para o Windows, que é o Android.
    Mas o monopolio da Microsoft era mesmo por incompetencia dos concorrentes, que no caso era a Apple (sem o Steve Jobs) e a IBM, que pensava que software nunca iria dar certo, e hoje vive somente de software, quão ironico e quanta dor de cotovelo a IBM tem.
    Se a Microsoft foi um monopolio, hoje não é mais, foi somente por um tempo. O que comprova o que foi falado no texto. Agora se ela fosse um monopolio estatal, certamente nem o Google existiria, nem a Apple.
  • iniram  18/08/2013 03:33

    NOVIDADE?

    a sociedade e baseada em premissas erradas e cartelizadoras.
  • Filippini  11/05/2011 19:43
    Algumas correçoes no meu comentário.

    Substituir : ( o )por ( O )após o .,deveriam algo bom ... deveriam ser algo bom...
    vira um contra-sendo ? ... por contra sendo ?

    Enfim, agora respondendo ao educadíssimo e diplomata,Luis Almeida,adorei seu comentário sobreo o que escrevi.
  • Rodrigo Meira  11/05/2011 20:51
    sobre esta noticia no começo do artigo:

    "Não há muito tempo, em Cuba, foi desbaratada uma quadrilha de criminosos: cometiam crime contra a economia popular. O que faziam? Produziam creme de leite em uma fábrica clandestina... "

    alguem tem um link sobre isso, não achei nada sobre o assunto.

    não estou duvidando que tenha ocorrido, conheço uns cubanos em SP e ja ouvir relatos de coisas piores.
  • Angelo Viacava  11/05/2011 21:08
    O cartel seria o resultado do grande impedimento burocrático - licenças de todo tipo e regulamentações exageradas - para o surgimento de novos fornecedores de produtos e serviços? Uma proteção ao próprio desaparecimento das empresas? Já que, disputando preços, perecerão em meio aos entraves estatais gigantescos, decidem unificar seus preços de oferta. Seria, em parte, isso? Sobrevivência na selva burocrática estatal?
  • Mauro Mendes  11/05/2011 23:16
    Quando vejo que quem escreveu o texto foi o Klauber Cristofen, já vou preparado para ler coisas interessantes, e desta vez não foi diferente. Parábens ao autor e ao Instituto Mises.

    Abraços!
  • Marcos  12/05/2011 01:37
    Sabem qual é o grande problema? Juíz não sabe nada de economia. Pior: a maioria está tomada pela "imbecilização jurídica". Acham que basta escrever qualquer abobrinha e publicar em diário oficial para que aquela norma funcione no mundo real. As vezes nem isso, só porque o famoso autor X ou Y disse que não sei o que é "direito fundamental" as coisas vão aparecer com uma canetada. Gente de direito em geral é tarada pelo estado do bem-estar social.

    Aposto que muita gente da área jurídica diria que o estado por por causa do "interesse público". Afinal o estado tem o "dever premente" de ser o guardião da sociedade. O monopólio é justificável, pois é "uma área de interesse coletivo" Os caras acreditam MESMO nisso, mesmo com provas e mais provas mostrando que o estado só se preocupa com o próprio estado.

    Juízes, advogados, promotores e outros profissionais ligados ao direito devem estudar economia. O seu entendimento sobre as leis muda completamente quando você faz isso. Só assim você pode lidar com a realidade das coisas e justificar suas posições com argumentos de verdade, sem recorrer a conceitos vazios e sem sentido.
  • Norbs  12/05/2011 02:16
    Se eles estudarem, vão dar crédito aos 'economistas' que justificam o que eles já querem acreditar.
    Eles mesmos já ganham absurdos graças ao pagador de impostos obrigado, como eles seriam contra a mão que os alimenta?
  • Diogo Siqueira  14/05/2011 22:32
    Se aprendecem economia alguns fariam como eu: simplesmente abandonariam o Direito para preservar a sanidade mental.
  • Stefan Carrão  26/06/2013 18:04
    Concordo plenamente contigo, Marcos. Os operadores do direito vivem num lindo mundinho do "dever ser, fazer e acontecer", sem nunca atentarem para as reais possibilidades e suas consequências. Para ter os pés no chão, somente estudando economia, economia austríaca, diga-se.
  • Lord Keynes  12/05/2011 11:46
    Caros... Essa estorinha do mercado e sua mão invisível... Hummmmmmmm
    Eu estou com o Delfim Neto: Toda vez que o capitalismo quebra, é o comunismo que o vem salvar. Ou seja... O bom e velho estadão é que segura a barra. Foi assim no crash de 2008 onde a esperteza dos bacanas desregulamentadores, desreguladores, monetaristas, misistas, liberais e defensores de um estado mínimo fizeram a farra e como sempre mandaram a fatura para a galera pagar. Eles não se emendam. Passado o pior, saem das suas tocas para egendrar outra peripécia e mandar a fatura novamente. Esses são os ciclos da economia capitalista.
  • Carlos  13/05/2011 22:06
    Caro "Lord Keynes".
    Se você estudasse um pouco mais sobre a crise de 2008, veria que ela foi gerada unica e exclusivamente pela intromissão do seu querido estado na economia.
    Leia: www.mises.org.br/Article.aspx?id=972
  • anônimo  14/05/2011 08:32
    Caros... Essa estorinha do bom e velho estadão é que segura a barra... Hummmmmmmm
    Eu estou com o bom senso: Toda vez que o comunismo quebra, é o capitalismo que o vem salvar. Ou seja... O bom e velho mercado é que segura a barra. Foi assim no crash de 2008 onde a esperteza dos bacanas regulamentadores, reguladores, estatizantes, keynesianos, progressistas e defensores de um estado forte fizeram a farra e como sempre mandaram a fatura para a galera pagar. Eles não se emendam. Passado o pior, saem das suas tocas para egendrar outra peripécia e mandar a fatura novamente. Esses são os ciclos da economia capitalista.
  • Helio  19/05/2011 17:40
    A resposta do anônimo foi sensacional.
  • Sueco  07/01/2013 14:43
    Verdade!!!! Boa anonimo!!!
  • Thiago Beserra Gomes  13/05/2011 14:21
    O Klauber sempre com artigos brilhantes!
  • Angelo Viacava  15/05/2011 10:19
    Delfim Neto é dose pra Mamute. Pior são seus herdeiros enraizados na fila de espera do Ministério da Fazenda, doutrinados na FGV. Sai um e entra outro e o baile continua o mesmo. Capitalismo de verdade só conheço de ouvir falar, pois não saí do Brasil ainda. espero um dia conhecê-lo pessoalmente.
  • Leandro Tideman  07/01/2013 13:46
    Olá, não sei se este artigo é o melhor lugar para divulgar esta notícia, mas ai vai:

    Artigo: O cartel dos fretes

    www.conexaomaritima.com.br/index.php?option=noticias&task=detalhe&Itemid=22&id=11353

    "A imperiosa necessidade de manter uma ou duas empresas brasileiras na navegação de conteineres, no longo curso, para minorar as condições cartelizadas. As empresas brasileiras seriam contempladas com a proteção do governo, não uma proteção ostensiva, mas uma proteção correta, digna, para que elas pudessem competir, uma vez que os custos brasileiros são incomparavelmente mais elevados do que os custos internacionais."

    "Todos os navios que atuam em nossa importação e exportação são estrangeiros, e isso não pode continuar."

    "Sempre que existirem poucas empresas num determinado ramo e numa atividade econômica haverá o perigo da formação do cartel. Só se pode minorar esse efeito se houver alternativas fora do cartel."

    Por WASHINGTON BARBEITO DE VASCONCELLOS - O Globo
  • Mauricio  03/02/2013 17:12
    Ou seja, o Estado cria dificuldades (impostos altos, serviços estatais péssimos, burocracia) pra competitividade das empresas locais pra depois vender facilidades (empréstimos a juros "camaradas" mediante uma pequena "comissão" de 20%).

    E ainda falam que a culpa é do capitalismo.... tsc tsc tsc
  • Filosofo comum  22/08/2014 17:00
    Sobre os Conselhos profissionais do Brasil, eles podem intervir em questões economicas?... Se eu quiser cobrar um preço bem abaixo da tabela estabelecida pelo conselho eles podem me cassar?
  • Economia Ana  25/09/2014 04:32
    Uma pequena cidade, de 5000 habitantes, tem apenas um posto de gasolina que abastece todos os automóveis da localidade. Isso caracteriza um monopólio?
    O que o dono do posto poderia fazer para garantir o monopólio da distribuição de gasolina na cidade? Cite e explique uma maneira que poderia ser usada.
  • Emerson Luis, um Psicologo  04/12/2014 00:08

    "...passadas as eleições, o momento é de (...) disparada da inflação"

    E não aprenderam a lição.

    O pior é que nestas eleições de 2014 a inflação já estava disparada!

    * * *


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.