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Ouro e liberdade econômica

N. do T.: Antes de virar presidente do Banco Central americano em 1987 e renunciar a todos os seus ideias, Alan Greenspan era um famoso objetivista seguidor das teorias de Ayn Rand.  Seu artigo a seguir, de 1966, é uma fantástica defesa do padrão-ouro, das mais completas e incitantes já escritas.  É realmente lamentável que, assim que cheguem ao poder, pessoas idealistas abdiquem de suas crenças, vendam-se ao status quo e se curvem às delícias do poder.  Como presidente do Fed, Greenspan fez exatamente o oposto do que sempre defendeu ao longo de sua vida em relação ao gerenciamento da oferta monetária de uma economia.  Tal abdicação de ideais custou aos EUA sua maior recessão desde a Grande Depressão.

Embora defenda um sistema bancário de reservas fracionárias, lastreado em ouro, o texto o faz com argumentações sólidas, e reconhece que tal sistema é propenso a ciclos econômicos, embora em menor escala e intensidade que o atual sistema.

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Esse artigo apareceu originalmente no panfleto O Objetivista, publicado em 1966, e reproduzido no livro Capitalism: The Unknown Ideal, de Ayn Rand

 

Um antagonismo praticamente histérico em relação ao padrão-ouro é uma postura que une estatistas de todas as persuasões.  Eles parecem sentir — talvez ainda mais clara e sutilmente que muitos defensores consistentes do laissez-faire — que o ouro e a liberdade econômica são inseparáveis, que o padrão-ouro é um instrumento que fomenta o laissez-faire, e que um implica e requer o outro.

Para entender a fonte desse antagonismo, é necessário primeiro entender a função específica do ouro em uma sociedade livre.

O dinheiro é o denominador comum de todas as transações econômicas.  É a mercadoria que serve como meio de troca, que é universalmente aceitável por todos os participantes de uma economia como meio de pagamento por seus bens e serviços, e que pode, por conseguinte, ser utilizado como um padrão de mensuração de valor de mercado e como de reserva de valor — isto é, como meio de poupança.

A existência de tal mercadoria é uma pré-condição para uma economia baseada na divisão do trabalho.  Se os homens não possuíssem uma mercadoria de valor objetivo que fosse largamente aceita como dinheiro, eles teriam de recorrer a algum tipo primitivo de escambo ou serem forçados a viver em comunidades agrícolas auto-suficientes e, assim, privar-se das inestimáveis vantagens trazidas pela especialização.  Se os homens não tivessem meios para calcular o valor e guardá-lo — isto é, poupar —, então nem o planejamento de longo prazo e nem qualquer comercialização seriam possíveis.

Qual meio de troca será aceitável para todos os participantes de uma economia não é algo determinado arbitrariamente.  Em primeiro lugar, o meio de troca deve ser durável.  Em uma sociedade primitiva, em que a riqueza é escassa, o trigo pode ser suficientemente durável para servir como um meio de troca, dado que todas as trocas ocorreriam somente durante e imediatamente após a colheita, não deixando nenhum excedente para ser acumulado.  Porém, em economias nas quais considerações sobre reservas de valor são importantes — como ocorre em sociedades mais ricas e civilizadas —, o meio de troca deve ser uma mercadoria durável, geralmente um metal.

Um metal é escolhido geralmente porque é homogêneo e divisível: cada unidade é exatamente igual a todas as outras, e ele pode ser fundido, misturado e moldado em qualquer quantidade.  Jóias preciosas, por exemplo, não são nem homogêneas nem divisíveis.  Ainda mais importante, a mercadoria escolhida como meio de troca deve ser um bem de luxo.  O desejo humano por bens de luxo é ilimitado e, portanto, bens de luxo sempre serão demandados e sempre serão aceitos.  Trigo é um bem de luxo em civilizações subnutridas, mas não em uma sociedade próspera.  Cigarros normalmente não serviriam como dinheiro, porém assumiram essa função na Europa imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, onde eles passaram a ser considerados um artigo de luxo.  O termo "bem de luxo" implica escassez e alto valor unitário.  Por ter um alto valor unitário, tal bem é facilmente portável; por exemplo, uma onça de ouro vale meia tonelada de ferro gusa.

Nos estágios iniciais de uma economia monetária em desenvolvimento, vários meios de troca podem ser utilizados, uma vez que uma ampla variedade de mercadorias poderia satisfazer as condições acima delineadas.  Entretanto, uma das mercadorias irá começar gradualmente substituir todas as outras, por ser mais amplamente aceita.  As preferências quanto à mercadoria que será utilizada como reserva de valor serão deslocadas para aquela que vem sendo mais amplamente aceita, algo que, por sua vez, irá torná-la ainda mais aceita.  Essa mudança será progressiva até o momento em que essa mercadoria finalmente se torna o único meio de troca.  O uso de um único meio de troca é altamente vantajoso pelo mesmo motivo que uma economia monetária é superior a uma economia de escambo: possibilita que as trocas ocorram em uma escala incalculavelmente mais ampla.

Se esse meio de troca será o ouro, a prata, conchas do mar, gado ou tabaco, é algo opcional e que irá depender do contexto e do estágio de desenvolvimento de uma dada economia.  Com efeito, todos esses bens já foram utilizados, em várias épocas, como meio de troca.  Mesmo no presente século, duas grandes commodities, ouro e prata, foram utilizadas como meio internacional de troca, com o ouro se tornando o meio predominante.  O ouro, por ter usos tanto artísticos quanto funcionais, e por ser relativamente escasso, possui vantagens significativas em relação a todos os outros meios de troca.  Desde o início da Primeira Guerra Mundial, ele passou a ser praticamente o único padrão internacional de troca.  Se todos os bens e serviços fossem pagos em ouro, o pagamento de altos valores seria difícil de ser realizado, e isso tenderia a limitar a amplitude da divisão do trabalho e da especialização de uma sociedade.[*]

Sendo assim, a extensão lógica da criação de um meio de troca é o desenvolvimento de um sistema bancário e de instrumentos de crédito (certificados de depósitos) que funcionam como substitutos do ouro — e que são plenamente conversíveis em ouro, é claro.

Um sistema bancário livre e baseado no ouro é capaz de expandir o crédito criando certificados de depósitos de acordo com as necessidades de produção da economia.  Os indivíduos que possuem ouro são induzidos, por meio do pagamento de juros oferecidos pelo sistema bancário, a depositar seu ouro em um banco (depósitos esses que podem ser sacados por meio de cheques).  Porém, dado que raramente todos os depositantes irão querer sacar todo o seu ouro do sistema bancário ao mesmo tempo, o banco poderá manter como reservas apenas uma fração de todo o ouro depositado.  Isso permitirá ao banco emprestar mais do que a quantidade total dos depósitos em ouro que possui (o que significa que ele criará títulos de ouro em quantidade maior do que o total de ouro que possui em suas reservas).  Porém, essa quantidade de empréstimos que ele pode criar não é arbitrária: ele terá de saber avaliar o quanto poderá conceder de empréstimos em relação às suas reservas e calibrar tudo de acordo com a condição e a qualidade de seus investimentos.

Quando os bancos emprestam dinheiro para financiar empreendimentos produtivos e lucrativos, os empréstimos são quitados rapidamente, e o crédito bancário continua amplamente disponível.  Porém, quando os empreendimentos financiados pelo crédito bancário são menos lucrativos e, consequentemente, mais demorados para serem quitados, os bancos logo descobrem que seus empréstimos pendentes estão em excesso em relação às suas reservas de ouro — e eles começam a restringir novos empréstimos, normalmente cobrando taxas de juros mais altas.  Isso tende a restringir o financiamento de novos empreendimentos, além de exigir dos atuais devedores que eles aprimorem sua lucratividade se quiserem obter mais crédito para expansões adicionais. 

Assim, sob o padrão-ouro, um sistema bancário livre torna-se o guardião da estabilidade econômica e do crescimento econômico equilibrado.  Quando o ouro passa a ser aceito como o meio de troca pela maioria das nações — ou mesmo por todas elas —, um padrão-ouro internacional, livre e desimpedido, passa a fomentar a divisão do trabalho em escala mundial, bem como o mais amplo comércio internacional possível.  Ainda que as unidades de troca (o dólar, a libra, o franco, o marco etc.) sejam diferentes de um país para o outro, quando todas elas são definidas em termos de ouro, as economias dos diferentes países tendem a agir como se fossem uma só — desde que não haja restrições no comércio ou nos movimentos de capital.  Crédito, taxas de juros e preços tendem a seguir padrões similares em todos os países. 

Por exemplo, se os bancos de um dado país expandem o crédito muito frouxamente, as taxas de juros daquele país tenderão a cair, induzindo seus correntistas a retirar dali seu ouro e enviá-lo para outros países cujos bancos paguem juros maiores sobre os depósitos.  Isso irá imediatamente causar uma escassez de reservas bancárias no país do "crédito frouxo", induzindo-o a readotar padrões mais rígidos de concessão de crédito e, com isso, retornando a taxas de juros maiores e mais competitivas.

Até hoje, um sistema bancário completamente livre e desimpedido, em conjunto com um padrão-ouro sólido, jamais foi implementado.  Porém, antes da Primeira Guerra Mundial, o sistema bancário dos EUA (e na maior parte do mundo) era baseado no ouro e, mesmo com os governos intervindo ocasionalmente, o sistema bancário era mais livre do que controlado.  Periodicamente, como resultado da rápida expansão do crédito, os bancos ficavam alavancados até o limite de suas reservas de ouro, o que levava a um acentuado aumento dos juros, fazendo com que novas concessões de crédito fossem canceladas e que a economia entrasse em uma profunda — porém bastante curta — recessão.  (Comparados às depressões de 1920 e 1932, os declínios econômicos anteriores à Primeira Guerra Mundial foram de fato bastante brandos).  Eram as limitadas reservas de ouro que impediam que as expansões desequilibradas da atividade econômica chegassem ao tipo desastroso a que nos acostumamos após a Primeira Guerra Mundial.  Os períodos de reajuste econômico eram curtos e as economias rapidamente restabeleciam fundamentos sólidos sobre os quais retomavam sua expansão.

Porém, esse processo de cura era erroneamente diagnosticado como sendo a doença: se a escassez de reservas bancárias estava causando declínios econômicos — argumentaram os intervencionistas —, então por que não encontrar um modo de ofertar reservas crescentes aos bancos, de modo que estes não mais precisassem se preocupar com a quantidade delas?  Se os bancos puderem continuar emprestando dinheiro indefinidamente — alegaram —, então nunca mais teremos declínios econômicos.  E, assim, criou-se o Federal Reserve (o Banco Central americano) em 1913.  Ele é formado por doze sucursais regionais que nominalmente são geridas privadamente, mas que, na verdade, são garantidas, controladas e mantidas pelo governo.  O crédito expandido pelo Fed é na prática (embora não legalmente) lastreado pelo poder de tributação do governo federal.  Tecnicamente, ainda estávamos no padrão-ouro; os indivíduos ainda tinham a liberdade de portar ouro [liberdade essa abolida em 1933 por Roosevelt e só restaurada em 1975], e o ouro continuava sendo utilizado como reservas bancárias.  Hoje, porém, o crédito expandido pelo Banco Central (que cria reservas bancárias formadas meramente por dinheiro de papel) passou a servir como moeda de curso forçado utilizada para pagar os correntistas.

Quando a economia americana passou por uma suave contração em 1927, o Fed criou mais reservas bancárias de papel na esperança de evitar qualquer possível escassez de reservas bancárias.  Ainda mais desastrosa, entretanto, foi a tentativa do Fed de ajudar a Grã-Bretanha, cujo ouro estava fugindo para os EUA em decorrência da recusa do Banco Central da Inglaterra em permitir que os juros subissem quando as forças de mercado assim exigiam (tal medida era politicamente inaceitável).  O raciocínio das autoridades envolvidas era o seguinte: se o Fed injetasse quantias excessivas de dinheiro de papel nas reservas dos bancos americanos, as taxas de juros nos EUA cairiam para níveis comparáveis àqueles vigentes na Grã-Bretanha.  Isso ajudaria a interromper a atual fuga de ouro da Grã-Bretanha para os EUA, impedindo assim o embaraço político de o Banco Central da Inglaterra ter de elevar os juros. 

O Fed obteve êxito; ele interrompeu a fuga de ouro da Inglaterra, porém quase destruiu a economia mundial nesse processo.  O excesso de crédito que o Fed injetou na economia foi parar na bolsa de valores — desencadeando um fantástico frenesi especulativo.  Com muito atraso, os burocratas do Fed resolveram enxugar esse excesso de reservas por eles criado.  Ao fazerem isso, o boom da bolsa de valores foi interrompido.  Mas era tarde demais: já em 1929, os desequilíbrios especulativos haviam se tornado tão estupefacientes, que essa tentativa de enxugamento monetário gerou uma forte redução e uma consequente degradação da confiança na economia. Como resultado, a economia americana entrou em colapso.  A Grã-Bretanha saiu-se ainda pior: ao invés de absorver e lidar com as consequências de sua insensatez, ela simplesmente abandonou por completo o padrão-ouro em 1931, destruindo o que restava da confiança no sistema e gerando uma série de falências bancárias em escala mundial. 

As economias de todo o mundo mergulharam na Grande Depressão da década de 1930.

Seguindo a lógica reminiscente da geração anterior, os estatistas argumentaram que o padrão-ouro era primariamente o culpado pela débâcle do crédito que levou à Grande Depressão.  Caso não houvesse o padrão-ouro, argumentaram eles, a recusa da Grã-Bretanha em honrar seus compromissos em ouro, em 1931, não teria provocado a quebra dos bancos ao redor do mundo.  (A ironia é que, desde 1913, o mundo não estava mais no padrão-ouro clássico, mas sim naquilo que passou a ser chamado de "padrão-ouro misto"; ainda assim, foi o ouro quem recebeu toda a culpa).  Porém, a oposição ao padrão-ouro sob qualquer arranjo — oposição essa oriunda de um número crescente de defensores do estado assistencialista — foi estimulada por um critério muito mais sutil: a compreensão de que o padrão-ouro é incompatível com déficits orçamentários crônicos (a marca distintiva do estado assistencialista).  Despido de seu jargão acadêmico, o estado assistencialista nada mais é do que um mecanismo por meio do qual os governos confiscam a riqueza dos membros produtivos da sociedade para financiar uma ampla variedade de esquemas assistencialistas.  Uma parte substancial desse confisco é efetuada por meio da tributação.  Porém, os estatistas defensores do assistencialismo rapidamente perceberam que, se quisessem manter seu poder político, a quantia tributada teria de ser limitada, pois os impostos não podem subir ad eternum.  Logo, restava-lhes a opção de recorrer aos maciços déficits orçamentários — isto é, eles teriam que gastar mais do que arrecadavam, tendo de cobrir essa diferença com empréstimos, emitindo títulos do governo para financiar os gastos assistencialistas em larga escala.

Sob um padrão-ouro, a quantidade de crédito que uma economia pode sustentar é determinada pelos ativos tangíveis dessa economia, dado que cada instrumento de crédito é, em última instância, um título lastreado por algum ativo tangível.  Porém, sob o padrão-ouro, os títulos do governo não são lastreados por riqueza tangível, mas somente pela promessa de que o governo irá quitá-los por meio de futuras receitas tributárias.  Isso faz com que tais títulos tenham mais dificuldades de ser aceitos pelo mercado financeiro.  Um grande volume de títulos do governo pode ser vendido ao público somente a juros progressivamente maiores.  Assim, os déficits orçamentários do governo sob um padrão-ouro tornam-se severamente limitados.

A abolição do padrão-ouro possibilitou aos estatistas defensores do assistencialismo utilizar o sistema bancário como meio de expandir ilimitadamente o crédito.  Por meio da compra de títulos públicos em posse dos bancos, o Banco Central aumenta as reservas bancárias dos bancos, as quais são inteiramente formadas por dinheiro de papel.  Os bancos passam a ter mais dinheiro em suas reservas, as quais tornam-se "lastreadas" por esses títulos públicos, que passam a ser tratados como se fossem ativos tangíveis e substitutos perfeitos do ouro.  Nesse processo, o indivíduo que está em posse de algum título público ou que possua depósitos bancários acredita que possui um título genuinamente lastreado por algum ativo real.  Mas o fato é que agora não existem mais ativos reais.

Como a lei da oferta e da demanda não pode ser abolida, à medida que a oferta de dinheiro aumenta em relação aos bens existentes na economia, os preços também terão de subir.  Consequentemente, toda a renda que foi poupada pelos membros produtivos da sociedade perde valor em termos de poder de compra.

Quando se contabiliza tudo, o indivíduo descobre que essa perda representa os bens que foram adquiridos pelo governo, para fins assistencialistas ou outros quaisquer, com o dinheiro criado pelo Banco Central para comprar títulos públicos que estavam em posse do sistema bancário — dinheiro esse que, após sua criação, foi utilizado para financiar a expansão tanto do crédito bancário quanto da dívida pública (compra de títulos emitidos pelo Tesouro).

Na ausência do padrão-ouro, não há como o indivíduo proteger sua poupança do confisco que ocorre por meio da inflação.  Não existe mais uma reserva de valor confiável.  Se existisse, o governo torná-la-ia ilegal, assim como fez com o ouro.  Se todos os cidadãos decidissem, por exemplo, converter seus depósitos bancários em prata ou cobre ou em qualquer outro bem, e em seguida se recusassem a aceitar cheques como forma de pagamento por seus bens, os depósitos bancários (formados por dinheiro de papel) perderiam todo o seu poder de compra, e a expansão do crédito bancário fomentada pelo governo passaria a ter valor zero.  A política financeira do estado assistencialista requer que não haja maneiras com que os proprietários de riqueza possam se proteger.

Eis aí o prosaico segredo por trás das investivas dos estatistas assistencialistas contra o ouro.  Os déficits orçamentários do governo são simplesmente um esquema por meio do qual se confisca a riqueza dos membros produtivos da sociedade.  O ouro impede que esse insidioso processo aconteça.  O ouro é um protetor dos direitos de propriedade.  Quando se compreende isso, não há mais dificuldades para se entender o ódio dos estatistas ao padrão-ouro.

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[*] N. do T.: na época em que esse artigo foi escrito, a onça do ouro valia apenas US$ 35 dólares, o que de fato dificultava grandes transações.  Porém, hoje, devido a toda inflação monetária que ocorreu desde aquela época, a situação se inverteu: com a onça do ouro agora valendo US$ 1.400, o problema passou a ser o pagamento de pequenos valores — função essa que a prata poderia assumir sem problemas.



autor

Alan Greenspan
nascido em 1926, é economista e foi presidente do Federal Reserve System, o Banco Central americano, de 1987 a 2006.

Tradução de Leandro Roque

  • Arnaldo  25/03/2011 11:16
    A Ayn Rand deve estar se revirando no túmulo...
  • Getulio Malveira  25/03/2011 12:55
    Incrível... fico a pensar como ele consegue dormir à noite
  • Vitor  25/03/2011 14:52
    Na idade dele, o difícil é ficar acordado.
  • void  25/03/2011 13:47
    Greenspan é o Morgoth. :D
  • Daniel Marchi  25/03/2011 15:15
    Vou mandar um e-mail para o sr. Greenspan parabenizando-o pelo excelente artigo. Espero que ele não se ofenda com os elogios.
  • Djalma   25/03/2011 15:44
    O Greenspan sequer deveria ser citado o seu nome no site do IMB !\r
    Desculpem se estou sendo muito radical !
  • mcmoraes  25/03/2011 17:01
    Eu não vejo problema algum, pois é um belo artigo, cujo autor, diga-se de passagem, foi um homem acima da média. Eu ficaria contrariado se alguém aqui, após somar os prós e os contras da vida do autor, exclamasse: "Que saudade do Greenspan!".
  • Fernando Ulrich  25/03/2011 16:05
    Ron Paul conta de um episódio em que encontrou o Greenspan, enquanto este ainda era presidente do FED e perguntou se ele ainda acreditava no que havia escrito no livro de Ayn Rand, quando respondeu sem titubear: "I wouldn't change a word of it".
  • Roberto Chiocca  25/03/2011 16:12
    Para quem se perguntar "O que deu errado depois disso com Greenspan?", recomendo a excelente palestra que Lew Rockwell deu no nosso I Seminário:
    "Liberdade ou Poder? As vidas paralelas de Rothbard e Greenspan."
  • Carlos Alberto  26/03/2011 11:35
    Olá camaradas,

    tenho duas dúvidas: caso uma nação adotasse atualmente um padrão ouro aos moldes do utilizado nos EUA anteriormente a 1ª GM, quais seriam os efeitos para sua economia interna e quais seriam estes efeitos para a economia mundial?
  • Leandro  26/03/2011 12:00

    Tudo depende de como tal padrão seria adotado: se voluntariamente pela população, ou forçosamente pelo governo.

    Caso seja a segunda opção, é praticamente certo que tudo dará errado, pois o governo vai querer instituir alguma taxa de câmbio, vai querer controlar as minas de ouro, vai impor restrições sobre o uso da prata e, em última instância, vai querer controlar a oferta monetária.

    Por outro lado, caso o ouro e a prata fossem voluntariamente escolhidos pela população, e o governo por algum milagre não se intrometesse no gerenciamento da oferta de moeda e nem no setor bancário, então teríamos um país de moeda estável e forte, o que atrairia grandes investimentos externos (pois os retornos seriam rentáveis e em moeda forte).

    Da mesma forma, o poder de compra da moeda aumentaria continuamente, como ocorreu nos EUA (1 dólar em 1913 valia mais do que em 1814). Ou seja, o seu dinheiro poderia ficar guardado dentro da sua gaveta e, com o tempo, ele ganharia poder de compra.

    Além de impossibilitar aumentos na carga tributária e nos déficits, como o texto já explicou, uma moeda que ganha poder de compra com o passar do tempo tem outras vantagens:

    1) O cidadão não mais seria obrigado a dar parte de seu salário para sustentar o esquema fraudulento que é a Previdência Social. O governo não teria qualquer justificativa para obrigá-lo a fazer isso (donde se conclui que é do interesse do governo manter uma destruição constante do poder de compra da moeda, pois assim ele tem "argumentos" para implantar sistemas confiscatórios para benefício dele próprio, como a Previdência). Tampouco precisaria o cidadão se preocupar com o risco de sua previdência privada quebrar e ele perder boa parte de sua poupança. Com efeito, qualquer esquema previdenciário obrigatório seria necessariamente uma fraude.

    Dado que a moeda ganha poder de compra com o tempo, os infindáveis debates sobre a reforma da previdência virariam mera curiosidade masoquista. Bastaria apenas o indivíduo deixar seu dinheiro parado e este ganharia valor com o tempo.

    2) Outra vantagem clara está na questão dos reajustes salariais, seja no salário mínimo da iniciativa privada, seja nos portentosos proventos do funcionalismo público. A queda de braço entre patrão e empregados sempre envolve a questão da "reposição da inflação", isto é, ajustes salariais que, além do ganho em produtividade, levam em conta também a perda do poder de compra em decorrência da inflação. Desnecessário dizer que, em um cenário onde o poder de compra do salário é crescente, greves por reajustes e reposições tornam-se infundadas. Nada mais de sindicalistas fazendo baderna; nada mais de o governo aumentar o confisco para repassar o butim para seus burocratas altamente bem pagos sob a desculpa de estar fazendo um "reajuste decorrente das perdas inflacionárias" -- perdas essas causados pelo próprio governo. Ademais, todos os tipos de intervencionismo estatal sobre preços -- inclusive o preço dos salários -- resultariam em imediata perda de emprego e produção. A inflação monetária não mais poderia mascarar essas distorções.

    3) Por fim, uma oferta monetária constante fortaleceria o princípio básico de uma economia de livre mercado: os preços passariam a responder exclusivamente à oferta e à demanda. Os produtores e empreendedores não mais poderiam confiar na inflação para restaurar o equilíbrio dos preços relativos. Ao contrário, eles teriam de se esforçar mais para fornecer exatamente os bens e serviços que atendam as demandas do consumidor.
  • Rhyan Fortuna  28/03/2011 15:01
    Eu iria ganhar algum juros se tivesse um poupança bancária num padrão-ouro?

    Ou os juros seriam abolidos pela queda dos preços?
  • Leandro  29/03/2011 13:10
    Rhyan, caso o seu ouro ficasse depositado em algum fundo de investimento, por exemplo, e você tivesse de abrir mão dele durante todo esse período do investimento, obviamente você ganharia juros reais sobre essa aplicação. Caso contrário, ninguém teria incentivo para emprestar e, consequentemente, não haveria investimentos e, consequentemente, não haveria economia produtiva.

    (E isso é uma realidade para qualquer tipo de economia. Só há empréstimos porque 1) o emprestados espera ganhar juros e 2) o tomador de empréstimos espera se beneficiar com esse empréstimo, de modo que ele aceita pagar juros por esse empréstimo.)

    O que importa são os juros reais e não os juros nominais. É preferível um juro nominal zero em uma economia em que há uma deflação de preços de 3% ao ano, a um juro nominal de 15% em uma economia em que há inflação de preços de 16% ao ano.

    Um fundo de investimento só vai oferecer juro nominal zero se a economia tiver um histórico de deflação de preços.
  • Rhyan Fortuna  29/03/2011 14:29
    Valeu, Leandro!
    Entendi, abraço!
  • Róbson da Silveira Kunrath  26/03/2011 11:46
    Ótimo artigo.

    Levando em conta o autor, fico imaginado se os ciclos econômicos não seriam premeditados....
  • Augusto  26/03/2011 15:14
    Leandro,\r
    \r
    Voce diz,Por outro lado, caso o ouro e a prata fossem voluntariamente escolhidos pela população, e o governo por algum milagre não se intrometesse no gerenciamento da oferta de moeda e nem no setor bancário, então teríamos um país de moeda estável e forte, o que atrairia grandes investimentos externos (pois os retornos seriam rentáveis e em moeda forte).\r
    \r
    Voce teria algum artigo que explicasse como eram cobrados os impostos durante aquele periodo e como o governo efetuava seus pagamentos? E como poderia ficar a questao dos impostos, caso o governo simplesmente decidisse (como sugeriu o Ron Paul nos EUA com seu projeto de lei) que qualquer moeda poderia circular e ser usada no pais?
  • Leandro  29/03/2011 13:19
    Augusto, como o governo cobrava impostos e efetuava seus pagamentos naquela época não é mistério. Ele simplesmente utilizava a moeda corrente (ouro e prata) da mesma forma como utiliza a moeda corrente atual, que é o papel.

    Com a grande diferença de que, na época, e isso é fácil de imaginar, era muito mais difícil confiscar algo do qual o governo não controlava a produção, algo fora do seu campo de controle. Com o agravante de que não havia transações eletrônicas, um fator que complicava adicionalmente o trabalho do governo.

    Quanto à sua segunda pergunta, ela é bem mais complicada. Como se daria essa transição é um assunto intensamente debatido, mas não há consenso -- alguns querem simplesmente privar o governo de tudo; outros querem contemporizar.

    A solução de meio termo parece ser transacionar com os metais, e simplesmente pagar os impostos equivalentes em dólares, por exemplo. Mas é claro que tal arranjo daria espaço para amplas sonegações -- e é isso que o governo teme.
  • Thyago  30/03/2011 20:42
    Chocado!
  • Inácio Neto  27/09/2011 21:37

    Chocado! [2]
  • Narjara  11/02/2012 21:58
    Muito obrigado por postar esse artigo em português, é perfeito para minha nova página da Karatbars International. Karatbars é uma compahia da Alemanha que está revolucionando o mercado de ouro. Brasileiros agora tem oportunidade de salvar dinheiro em ouro com armazenamento grátis na Alemanha. Karatbars também oferece aos consumidores oportunidade de ganhar dinheiro sendo um afiliado sem custo.

    Depois de ler este artigo, percebemos que ouro é a forma mais segura de dinheiro. Segundo Alan Greenspan: "Na ausência de ouro, não há nenhuma maneira de proteger suas economias de confisco através da inflação."
  • anônimo  12/02/2012 23:12
    Não tenho visto a questão da usura ser tratada como algo grave neste site.

    Eu já havia perguntado se o retorno ao padrão ouro, prospoto por Ron Paul, não representaria entregar a economia dos EUA diretamente aos Rothschild e seus amigos assaltantes do Fort Knox.

    Recebi a resposta evasiva: "A resposta para sua pergunta está nos artigos do site".

    Gostaria que comentassem, sem excessiva retórica, confusão propositada ou ataques pessoais os vídeos abaixo, que tratam da questão através de raciocínio e matemática simples. Desconsiderem o ruído captado pelo microfone.

    vimeo.com/32793390
    vimeo.com/32429913

    Obrigado
  • Leandro  13/02/2012 01:15
    Ora, como assim, anônimo?

    O Fed foi criado exatamente pelos Rothschild (e pelos Morgan e pelos Rockefeller), e justamente com o objetivo de proteger o sistema bancário, cartelizá-lo e impedir que corridas bancárias levassem seus bancos à falência.

    A existência de um Banco Central serve exatamente ao interesse dos banqueiros e dos grandes bancos, ao passo que a abolição do Banco Central iria totalmente contra o interesse deles. Sem ter um emprestador de última instância para imprimir dinheiro e dar aos bancos, quem iria socorrê-los?

    Defender a existência de banco central significa defender os interesses inflacionários dos grandes bancos, e ir contra uma moeda forte e estável. Significa ser a favor da contínua erosão do poder de compra de uma moeda, algo que afeta mais acentuadamente os mais pobres.

    Como disse o ilustre Mayer Amschel Rothschild:

    "Dê-me o controle do dinheiro de uma nação e pouco me importa quem faça suas leis"

    Abraços!


    P.S.: caso queira entender melhor todo este raciocínio, sugiro este artigo:

    Por que o Banco Central é a raiz de todos os males
  • Alexandre M. R. Filho  13/02/2012 07:44
    Anônimo,\r
    \r
    para alguém discutir "usura", é preciso que vc delimite o âmbito de definição desse termo.\r
    \r
    Caso contrário, vai-se discutir o sexo dos anjos.\r
    \r
    O que é ususa pra vc? E por qual motivo vc acha que usura é algo ruim?
  • anônimo  13/02/2012 09:25
    Independente da complexa teia de transferência de recursos das classes produtivas a uma parte privilegiada através da inflação; independente de quem socorreria ou não os bancos cartelizados por abusarem das práticas de reservas fracionárias; independente do fato dos bancos centrais serem em essência geradores dos mais variados conflitos na sociedade, de que forma seria um movimento realmente libertário para uma nação, ou até mesmo para o mundo, lançar uma população inteira de incautos a esquemas Ponzi de ouro?

    Sempre haverá um excedente a ser retornado em ouro ao banco que emprestou a quantia inicial. Independentemente da taxa de usura aplicada pelos bancos, os mesmos sempre exigirão, ou o devido ouro, ou propriedades como colaterais. Nenhum banco aceitará a produção de pão de um padeiro como garantia de seus empréstimos.

    O padeiro poderia, sim, acumular ouro suficiente através de um sucesso nas vendas do seu produto às custas das economias e poupança dos outros envolvidos na sociedade. Mas, não haverá produção de ouro suficiente para acompanhar as dívidas contraídas numa sociedade apoiada nesse esquema Ponzi de usura. A corda sempre romperá do lado mais fraco. Isso sem levar em consideração quem são os donos das terras que contém o minério dourado ou o prateado.

    Quem possui as maiores reservas de ouro do mundo? Rothschild? Seus colegas banqueiros que esvaziaram o Fort Knox? Os bancos centrais? Agora isso pouco importaria para a argumentação.

    Sempre haverá conflito nessa sociedade, pois sempre haverá expropriação ou escravização através de dívidas. Sempre haverá mais dinheiro devido aos bancos que dinheiro em circulação. Rothschild wins again!

    Já vi gente do IMB dizendo que a maior probabilidade, em um livre mercado de moedas, seria a população escolher o ouro como lastro. Realmente, essa matéria reluz, é sólida, é ouro. Mas e o outro lado dessa moeda? E o resultado dessa equação?

    Essa é a pergunta dos 7 bilhões de unidades monetárias.

    Portanto, não estou interessado, neste momento, em compreender os efeitos da existência de um banco central na sociedade. Não advogo nem um esquema (bancos centrais, regulação, inflação etc), nem outro (ouro e usura).

    Quero apenas uma resposta honesta, e com isso não estou afirmando, como faz a RedPillRadio, que o grupo Mises, Ron Paul e líderes dos occupiers são a frente de uma filosofia deceptiva, uma oposição controlada. Pelo contrário, se pergunto é porque acredito que não vão tentar enganar o interlocutor com mais decepção.

    Mas quero uma resposta definitiva, sem rodeios, sem retórica, sem confusão, sem floreios, para essa questão milenar. O que interessa é a resultado desta equação, o juízo final.

    Obrigado.

    Ps. Algumas poucas bocas dizem até que foi essa questão que teria levado Cristo a se tornar violento pela primeira vez, ao expulsar os moneychangers do templo, e por isso teria sido lançado a cruz. Isto não vem ao caso propriamente dito, somente cito a alegoria como forma de acentuar a importância da questão.
  • Andre Cavalcante  13/02/2012 11:23

    Olha, pelo que tenho lido aqui no site do IMB, talvez eu possa te responder.

    Não entendo muito do mercado de ouro, mas como um meio de troca (dinheiro), o ouro funciona da mesma forma como qualquer outro tipo de commoditie usada como dinheiro.

    O "preço" do dinheiro são os juros. Se alguém (no caso um banco) cobrar muito caro o dinheiro, isto é, cobrar um juros muito acima do valor real, então a demanda fatalmente cairia. Se a usura (no caso juros) permanecer alta por muito tempo e as pessoas continuarem demandando por uma moeda mais líquida, então vão ser criadas novas moedas, por exemplo sal (já foi moeda). Mais ou menos ocorre o mesmo com o bitcoin, que somente pode ser "produzido" matematicamente por um processo que exige muito processamento, o que limita a taxa de moeda no mercado, tal qual o ouro. O problema do bitcoin é mostrar que de fato pode ser uma moeda.

    Isso considerando que as pessoas usem efetivamente moedas de ouro/prata para troca. Eu vejo que o mais apropriado seria as reservas (o lastro) ser em ouro, mas a "moeda corrente" ainda ser de papel (até porque precisaríamos de valores pequenos).

    No entanto, tal arranjo somente é possível sem um Banco Central. No caso da existência de um BC, então este pode criar a quantidade de moeda arbitrariamente, o que significa inflação.

    Quanto a quantidade de moeda na economia, ela pode ser qualquer uma, até mesmo uma quantidade fixa. Claro que o preço das coisas é que vai variar (geralmente fica menor) a medida que a demanda aumenta, mas quantidade de moeda não, isto é, a moeda se valoriza.

  • Andre Poffo  13/02/2012 12:40
    Juros não é o preço do dinheiro, é o preço do tempo.
  • Alexandre M. R. Filho  13/02/2012 12:51
    Bem lembrado, Poffo...
  • Leandro  13/02/2012 12:28
    Se entendi corretamente essa maçaroca de reclames, parece que o anônimo está preocupado com o fato de que, dado que a oferta de ouro será por definição restrita, os emprestadores irão por algum motivo querer cobrar juros muito altos e, assim, falir todos os demais agentes econômicos.

    A questão, no entanto, é que justamente quem cobrar juros altos em um ambiente de oferta monetária restrita não terá rentabilidade alguma. E isso é fácil de entender, embora vá contra o senso comum das pessoas: uma oferta monetária restrita, crescendo pouco, irá necessariamente gerar juros baixos, e não altos. Quanto menor o crescimento da oferta monetária, menores serão os juros; quanto maior o aumento da oferta monetária, maiores serão os juros.

    Por exemplo, pela teoria, se a oferta monetária fosse congelada hoje, essa repentina "escassez" de moeda geraria um aumento de juros muito alto no mercado interbancário. Isso de fato é verdade no curto prazo -- afinal, se a impressão de dinheiro cessou, a quantidade a ser emprestada entre os bancos parou de aumentar, e essa súbita paralisia pode gerar um aumento temporário de juros.

    Entretanto, uma vez entendida que a quantidade de dinheiro não vai mais aumentar, os agentes econômicos perceberão que de nada adiantará cobrar juros nominais altos: afinal, como eles seriam pagos? Em um cenário de quantidade de moeda fixa, se você emprestar 100.000 reais e cobrar 20% de juros, não haverá como receber 120.000 reais, pois não está havendo aumento na oferta monetária. Assim, se você não cobrar juros (muito) menores, simplesmente não fará empréstimo algum. Se fizer, perderá dinheiro fácil, fácil. Esse raciocínio, aliás, não é exclusividade austríaca. Milton Friedman -- monetarista convicto que no final da vida passou a defender a extinção do banco central -- também concluiu que era isso que ocorreria.

    Esse cenário descrito acima ocorre, por exemplo, na Suíça, país de banco central tradicionalmente conservador (no sentido de incorrer em baixíssimas expansões monetárias) e de juros também baixos.

    Já o cenário inverso ocorre no Brasil. Se o BC pratica expansões monetárias mais vultosas e a economia é fechada (o que significa que as pressões inflacionárias não podem ser abrandadas pelas importações), então grande parte dessa expansão irá se traduzir em grande aumento de preços. Sendo assim, os bancos embutem essas expectativas inflacionárias no valor dos juros que eles cobram. Ou seja: a maior expansão monetária gerou, ao contrário do imaginado, um aumento nos juros (tanto na SELIC quanto nos juros cobrados das pessoas físicas e jurídicas).

    Logo, grandes expansões monetárias geram juros altos no longo prazo, e pequenas expansões monetárias (até mesmo nulas) geram juros baixos.
  • anônimo  14/02/2012 08:28
    Deixemos a suposta complexidade do esquema inflacionário por um momento, para que possamos nos focar na equação da usura.

    Não importa a taxa de juros aplicada.

    No final das contas vai haver transferência de propriedade da classe emprestatária ao emprestador.

    O contrato de empréstimo que envolve usura, não importando a taxa aplicada, vai implicar em transferência de propriedades a prazo.

    É um contrato que faz com que o emprestatário prometa fazer o impossível, pois a produção de valor em commodities aceitadas pelos bancos não acompanha o ritmo da produção de valor em dívidas contraídas.

    É FRAUDE!

    Mesmo que o emprestatário consiga quitar sua dívida, algum membro da sociedade será prejudicado e terá de ceder suas propriedades como colateral.

    As grandes corporações que perpetram trabalho semi-escravo, que conseguem tornar o preço de produtos mais acessíveis à população, e por conseguinte mais bem sucedidas financeiramente, tendem a aceitar apenas papéis de bancos cartelizados.

    Dada a natureza cartelizada de bancos e corporações, e a produção de commodities controlada por uma supra-elite, a tendência é que a longo prazo, a banca abocanhe e escravize nações inteiras.

    É um esquema de piramide brutal. O sonho dos Rothschild. A estrelinha de seis pontas avança para "conquistar" o mundo.

    "The Rothschilds exert powerful influence over the world's major news agencies. By repetition, the masses are duped into believing horror stories about evil villains. The Rothschilds control the Bank of England, the Federal Reserve, the European Central Bank, the IMF, the World Bank and the Bank of International Settlements. Also they own most of the gold in the world as well as the London Gold Exchange, which sets the price of gold every day. It is said the family owns over half the wealth of the planet—estimated by Credit Suisse to be $231 trillion—and is controlled by Evelyn Rothschild, the current head of the family."



    Um breve momento de reflexão sobre eventos "Geopolíticos" atuais:

    "TRIPOLI (Reuters) - Libya's acute cash crisis is set to get worse and its banking system requires a complete overhaul that will be guided by the International Monetary Fund and World Bank, the central bank's recently appointed governor said."

    Hmmm... Reuters, sim? Quem é dono dessa espelunca desinformativa?



    Prefiro o Herald de Zimbabwe:

    "Riba (usury) is not permitted. The Central bank of Libya issues all government loans free of interest. This is in contrast to the exploitative fractional reserve banking system of the West. Here are some of Gaddafi's welfare programmes made possible by the fact that his government kicked out western oil companies and used oil revenue to improve livelihoods.

    1. Electricity in Libya is free for all its citizens.
    2. Loans from banks are interest free.
    3. All newlyweds in Libya received US$50 000 from the government to buy their first apartment.
    4. Gaddafi's government built the Great Man-Made River project at a cost of US$27 billion to get water from the sea to make water available throughout the country.
    5. Education and medical treatment were free in Libya. Before Gaddafi only 25 percent of Libyans were literate. Today the figure is 83 percent.
    6. Should Libyans want to take up farming as a career, they would receive farming land, a farming house, equipment, seeds and livestock all for free.
    7. If Libyans could not find the education or medical facilities they need inside Libya, the government funded them to go abroad for it - not only free but would also give them US$2 300 per month.
    8. If a Libyan buys a car, the government subsidised 50 percent of the purchase price.
    9. The price of petrol in Libya was $0.14 per liter, much ceaper than water.
    10. Libya has no external debt and its reserves amount to $150 billion - now frozen globally.
    11. If a Libyan is unable to get employment after graduation the state would pay the average salary of the profession as if he or she is employed.
    12. A portion of Libyan oil sales was, credited directly to the bank accounts of all Libyan citizens.
    13. A mother who gave birth received US$5 000
    14. 40 loaves of bread cost $ 0.15 in Libya
    15. 25 percent of Libyans have a university degree"


    A Líbia tem (ou tinha) indice de desenvolvimento humano semelhante ao Brasil. Podemos esquecer, isso não vai durar.

    Líbia já era. Quem resta? Irã.

    "In line with the articles of the constitution, the monetary and credit policies are formulated and implemented in consistent with the MBAI as amended, Usury-Free Banking Act of 1983, the Banks Nationalization Act of 1979, and the Law for the Administration of Banks, of 1979."

    Não podemos permitir que existam nações que proibam a usura não é mesmo?

    Quão libertários são os defensores de pirâmides!



  • Leandro  14/02/2012 10:15
    Anônimo, segundo você próprio, para que haja "usura" não importa qual seja a taxa de juros. Havendo juros está havendo usura -- ou melhor, estará havendo "transferência de propriedade da classe emprestatária ao emprestador".

    Curiosamente, você parece não se atentar para o fato de que, segundo essa sua mesma lógica, o raciocínio inverso também é verdadeiro -- ou seja, se um prestamista empresta dinheiro a juros zero a um mutuário, o mutuário estará espoliando o prestamista.

    Sim, pois o tomador de empréstimo, ao utilizar o dinheiro do emprestador, estará privando o emprestador de usufruir seu dinheiro hoje. Ele estará, na melhor das hipóteses (isto é, caso quite sua dívida), obrigando o emprestador a usufruir seu dinheiro apenas em um futuro mais distante. Dado que o ser humano prefere satisfazer um desejo no presente a satisfazer este mesmo desejo no futuro, quem é que emprestaria dinheiro neste seu mundo onírico? Sem juros, não haveria empréstimos (tanto é que estes países que você citou, que não praticam "usura", não são exatamente modelos de desnvolvimento...)

    Perceba que é exatamente deste fato que advém a ideia de que os juros decorrem da preferência temporal das pessoas. É justamente pelo fato de preferirmos ter algo hoje a ter este mesmo algo daqui a alguns anos que existe uma taxa de juros. Juros existem até mesmo em uma economia não monetária. Se eu tiver de abrir mão de duas maçãs hoje para emprestá-las para você, certamente irei querer que você me devolva pelo menos três maçãs no futuro. A maçã adicional é o preço que estou cobrando pelo fato de você estar me privando das minhas duas maçãs hoje. Como eu prefiro duas maçãs hoje a duas maçãs no futuro, a única maneira de eu ser convencido a lhe emprestar hoje minhas duas maçãs é você me devolvendo três maçãs no futuro.

    Recomendo a leitura deste artigo para entender melhor este tão importante conceito:

    Juros, preferência temporal e ciclos econômicos

    E sobre os Rothschield, sigo sem entender por que você acha que eles seriam contra o atual sistema monetário, sendo que o próprio foi totalmente concebido por sua família, pelos Morgans e pelos Rockefeller quando da criação do Federal Reserve.

    Abraços!
  • anônimo  15/02/2012 00:43
    Em momento algum falei que, para Rotschild e seus parceiros de crime seria indesejado o sistema monetário atual. Eles podem se aproveitar enormemente de ambos. Eles estão no controle de ambos. Quem está insistindo nesse pensamento dualista não sou eu.

    De qualquer forma, obrigado por validar a equação da usura.

    Os dois sistemas são fraude, criminosos, insustentáveis, escravagistas, parasitas, manipuláveis, mamon.

    Já antecipando, não sou um greenbacker. Afinal de contas já foi estabelecido por repetição que "fiat money" é um demônio a ser combatido com todas as forças, não é mesmo? E que, precisamos mesmo é de "sooound money". Yes we can!

    Apesar de considerar que o sistema greenback de moeda fiduciária tenha algumas virtudes, concordo que seria corruptível. Ficaria nas mãos do estado, outro demônio incontrolável. Mesmo que tentassem, nenhum presidente resistiria aos atentados.

    Teoricamente pode-se defender muitos absurdos, basta que alguns fatores importantes sejam menosprezados. Um é o fato de que no arranjo do padrão ouro, mais valor em dívidas estarão presentes, nas sociedades que aderirem a este sistema, do que valor produzido em commodities aceitáveis como pagamento das dívidas.

    Se o valor a ser amortizado não é produzido, de onde ele vem? Das propriedades, das riquezas da classe produtiva. Por isso é um sistema que visa escravizar tanto quanto o atual sistema. Se eles manipulam os mercados, o que vão fazer os pobres coitados?

    Já podemos descartar o belo trinômio "liberdade, propriedade, paz".

    Não há liberdade nesse mercado, pois vão competir por o que? Usura mais baixa.

    Isso significa que alguém sempre vai perder a cadeira na dança. Não é a toa que diversos bandos de banqueiros foram expulsos de diferentes reinos no passado.

    Inclusive o país que você diz não ser um padrão de desenvolvimento (Líbia), ainda mantém o IDH bem acima do Brasil, apesar de ter sido saqueado e bombardeado pela gangue internacional de banqueiros. Tudo o que o falecido ditador tinha planejado para que seu povo evoluísse, já pode ser riscado do livro futuro da História.

    Aquele ditador, que somente era pintado na mídia controlada como um fanfarrão, estava prestes a exigir ouro em troca de óleo. Pretendia abandonar o dólar. Isso não pode, não é? Onde já se viu uma nação de humanos que não rezam por mamon e ainda não permitem a entrada dos boníssimos bancos ocidentais?

    E o que se sabe do Irã, fora todo o buzinaço em torno do programa nuclear? O presidente, por diversas vezes, levantou a questão de exigir ouro ao invés de dólares pelo seu óleo. Aliás, nem sei se implantou a política desesperadora para os escudos vermelhos.

    Por falar em prosperidade, não foi o que os Tally Sticks permitiram? Não foi o que os colonial scripts permitiram? Ora!

    É impossível se pensar e permitir apenas uma forma de fiat currency que não implique em escravidão não é? Muito libertário é deixar que nações se quebrem porque a usura é uma "condição humana". Que contradição!

    Isso seria anti-libertário, pois as benevolentes elites do sooound money devem ficar a solta para controlar as economias, para colocar suas milícias na ativa, para prosperar elas mesmas como parasitas. É proibido proibir!

    É anti-libertário permitir que uma nação se veja livre de gangues sugadoras de riquezas alheias. Desde que não seja com o intermédio do estado, tudo bem!

    NÃO PODEMOS PERMITIR QUE SE ERIJA UM SISTEMA MONETÁRIO QUE CRIE O VALOR TOTAL A SER QUITADO ELETRÔNICAMENTE. É NECESSÁRIO FAZER COM QUE O EMPRESTATÁRIO SE COMPROMETA A FAZER O IMPOSSÍVEL. NÃO SERIA LIBERTÁRIO, NEM A FAVOR DO LIVRE MERCADO, OU DA PROSPERIDADE, OU DA PAZ, QUE OS BANCOS SOMENTE PUDESSEM COMPETIR POR MENORES TAXAS ADMINISTRATIVAS. PRA QUE PERMITIR A SUSTENTABILIDADE DE UM SISTEMA?
  • Leandro  15/02/2012 07:07
    "Aquele ditador, que somente era pintado na mídia controlada como um fanfarrão, estava prestes a exigir ouro em troca de óleo. Pretendia abandonar o dólar. Isso não pode, não é? Onde já se viu uma nação de humanos que não rezam por mamon e ainda não permitem a entrada dos boníssimos bancos ocidentais?"

    "E o que se sabe do Irã, fora todo o buzinaço em torno do programa nuclear? O presidente, por diversas vezes, levantou a questão de exigir ouro ao invés de dólares pelo seu óleo. Aliás, nem sei se implantou a política desesperadora para os escudos vermelhos."


    Agora sim você está finalmente começando a entender a coisa. As potências odeiam o ouro, pois seria um sistema monetário que colocaria um freio em suas pretensões expansionistas e imperialistas. E acho curiosa essa sua incoerência: se o ouro é tão vituperado pelos "globalistas", não seria porque ele seria um impedimento a esta sua "usura escravagista" que você tanto condena? Ao atacar o ouro, você automaticamente se alia à "gangue internacional de banqueiros".

    No mais, você não respondeu às minhas colocações sobre a importância dos juros e a preferência temporal. Ignorou-as por completo e continuou repetindo toda esta sua logorréia. Impossível debater assim
  • Erick Skrabe  13/02/2012 13:27
    Anonimo,

    "de que forma seria um movimento realmente libertário para uma nação, ou até mesmo para o mundo, lançar uma população inteira de incautos a esquemas Ponzi de ouro?"

    Resposta simples: Ñ, ñ seria um movimento libertário um esquema Ponzi de ouro.

    Só que o Sr - talvez um pouco tímido para usar o verdadeiro nome - está tentando induzir algo que nunca foi dito pela Escola Austriaca. Justamente para se evitar Esquemas Ponzi é que se propõe o lastreio em um commodity (ou cesta de commodities, mas eu prefiro o primeiro caso). E o ouro foi a commodity escolhida naturalmente por milênios.

    Esquema Ponzi é o que temos hj, onde se pode criar dinheiro do nada. Se me permite uma citação do Sr. Alana Greenspan (sim, ele mesmo, ex-presidente do Fed): "O ouro é a única forma de se proteger contra o confisco através da inflação".
  • Samir Jorge  23/07/2013 13:20
    O livro "Objetivista" foi traduzido para o nosso idioma?
  • Emerson Luis, um Psicologo  20/11/2014 17:49

    Muitos marxistas e keynesianos têm o atenuante de jamais terem conhecido outra filosofia econômica e política, embora possamos questionar se foi por falta de oportunidade. Mas Greenspan estuprou a própria consciência.

    * * *
  • Eduardo R., Rio  11/03/2015 04:07
    "O ópio dos intelectuais", por Rui Albuquerque.
  • Smith  05/02/2018 16:22
    O padrão ouro atualmente pode geraria dúvidas.

    Primeiro, uma onça hoje vale mais de mil dólares, na época valia 20. Um onça teria o poder compra muito forte, e pela quantidade de ouro no país, acabaria gerando um aumento ferrenho nos preços.

    Segundo, de fato grandes economistas com Robert Zoelick pedem a volta do modelo. Entretanto várias dúvidas ainda são geradas. E se o crescimento do PIB for muito acima que a quantidade de ouro (o que depende da mineração)? Quando uma economia é expandida, a quantidade de capital em circulação também deve ser, uma grande economia com pouco dinheiro em circulação pode ser maléfico para um país. Na época do padrão ouro genuíno (Século XIX) a economia teve um forte avanço, mas a quantidade de ouro era compatível com o crescimento industrial. Atualmente a economia cresce em uma progressão muito mais avançada que a época e isso gera necessidade de mais circulação de capital. Até 1971, pelo o que eu sei não houve declínios econômicos causados pela escassez do ouro - se bem que Barry Eichengreen argumenta que o padrão ouro foi um dos responsáveis pela crise de 29, eu sei que o IMB tem uma série de artigos sobre a crise, não sei se vocês sabem das argumentações dele, mas se souberem, poderiam mostrar seus equívocos.. Se eu estiver errado, me corrijam e me mandem artigos, por favor.


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