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O que o Japão deve fazer para se recuperar rapidamente

N. do T.: O artigo a seguir foi adaptado de um discurso feito por Peter Schiff, daí o tom ligeiramente mais coloquial do texto.

 

Imediatamente após a destruição provocada pela combinação terremoto/tsunami ter ficado evidente, o Banco Central do Japão veio a público para assegurar que ele forneceria a liquidez necessária para resgatar a economia japonesa.  E todos aparentemente ficaram mais tranquilos.

A questão é: por que consideramos que os bancos centrais possuem esse poder salvador, essa capacidade de resgatar economias da tragédia?  Tudo que um banco central possui é a sua impressora e, consequentemente, sua capacidade de criar quantias ilimitadas de dinheiro.  Ou seja, tudo que um banco central pode fazer é criar inflação.  Mas criar inflação não resolve problemas.  Criar inflação não faz com que haja mais recursos físicos disponíveis na economia.  Criar inflação apenas cria mais problemas e piora os já existentes.

Ironicamente, o que o Banco Central japonês deveria fazer agora é exatamente o oposto do que está fazendo: ele deveria estar elevando a taxa básica de juros e contraindo a oferta monetária.  Por quê?  Porque o terremoto/tsunami foi um desastre natural que inevitavelmente provocará a contração de recursos disponíveis na economia.  Como várias fábricas, instalações industriais, rodovias e infraestruturas ficaram inutilizadas, haverá menos produção.  Consequentemente, a quantidade de produtos disponíveis no mercado ficará reduzida.

Para solucionar esse problema, recursos terão que ser retirados do consumo e redirecionados para o processo de reconstrução dessas instalações.  Se a economia se contrai, se a quantidade de produtos disponíveis se reduz, então a oferta monetária tem de se contrair também — caso contrário, haverá uma inflação de preços justamente em um momento em que os preços deveriam se reduzir, justamente para eliminar o fardo sobre uma economia destruída.

Quando o Federal Reserve (o Banco Central americano) foi criado em 1913, o principal intuito de sua criação era o de fornecer uma oferta monetária "elástica" para a economia.  O que seu estatuto queria dizer com 'oferta monetária elástica'?  Que a oferta monetária deveria se expandir quando a economia se expandisse, e deveria se contrair quando a economia se contraísse.  Quem ler o decreto original da criação do Fed poderá encontrar esse dispositivo; eu não estou inventando.  Eu sei que isso é o exato oposto do que o Fed — bem como todos os outros bancos centrais do mundo — faz hoje; mas tudo que o Fed faz hoje é errado.  E o Banco Central japonês está cometendo o mesmo erro.

O motivo de o Japão necessitar de maiores taxas de juros durante essa contração econômica é que, como menos bens estarão sendo produzidos, se você não contrair a oferta monetária, os preços irão subir — pois haverá uma maior quantidade de dinheiro para uma menor quantidade de bens.  Ademais, juros maiores são necessários também para conter o consumo.  E o raciocínio é simples: como dito, o Japão deve agora redirecionar bens e recursos para a reconstrução de sua infraestrutura.  E de onde virão esses recursos?  Terão de vir de uma redução no consumo atual.  É a redução no consumo que irá liberar bens e recursos que serão utilizados na reconstrução da infraestrutura.  Se os consumidores se apossarem de recursos escassos que poderiam estar sendo utilizado na reconstrução, este processo será muito mais custoso e demorado.

Logo, é preciso agora, mais do que nunca, que os japoneses poupem mais e gastem menos.  E taxas de juros mais altas produziriam esse resultado, pois elas criariam o incentivo para os japoneses pouparem ainda mais, liberando recursos que seriam desperdiçados no consumo e redirecionando-os para ser utilizados na reconstrução da infraestrutura destruída.

Porém, há ainda outros efeitos: se o Banco Central japonês (BOJ) fizesse isso, o iene ficaria ainda mais valorizado.  (Nos últimos meses, o BOJ vinha intervindo no mercado de câmbio justamente para impedir a contínua apreciação do iene).  Agora, mais do que nunca, o Japão precisa de um iene forte.  Um iene forte reduziria os custos da reconstrução da infraestrutura. 

Se o iene se apreciasse, o preço do petróleo para o Japão cairia sensivelmente — afinal, vale lembrar que, não apenas o Japão não produz uma só gota de petróleo, como também, agora que suas usinas nucleares estão desativadas, o país terá de importar muito mais petróleo.

Da mesma forma, os preços do cobre cairiam, os preços do aço cairiam, o preço do concreto cairia.  Seria muito mais barato para o Japão reparar sua infraestrutura com um iene mais forte.  Porém, ao invés disso, o BOJ vai criar mais ienes, vai depreciar a moeda e, por conseguinte, vai elevar os custos de todas as coisas que o país vai precisar comprar para se reerguer.

Mercantilismo

O fato é que o governo japonês quer preservar a depreciada taxa de câmbio do iene em relação ao dólar, de modo a continuar incentivando suas exportações para os EUA.  E qual a inteligência disso?  Não é de exportações que o Japão vai precisar agora.  É de importações.  Os japoneses precisam agora se concentrar em sua economia doméstica, e consertar estragos físicos é muito mais fácil quando se tem uma moeda em constante valorização, e não em constante depreciação.

Mas a coisa piora ainda mais quando vemos na mídia vários economistas dizendo que o BOJ precisa criar estímulos para evitar que os japoneses parem de consumir!  Ora, é exatamente agora que os consumidores devem cortar seus gastos, liberando bens e serviços para a reconstrução do país.  Afinal, de onde mais o país vai arrumar esses recursos?

Com efeito, há sim uma alternativa.  O governo japonês poderia vender grande parte dos títulos do Tesouro americano que possui.  Nesse momento, o governo japonês está sentado sobre aproximadamente US$ 900 bilhões em reservas internacionais (dinheiro esse todo aplicado em títulos da dívida americana).  Todos os governos dizem que a função de se acumular reservas internacionais é ter alguma proteção em situações de emergência.  Para os japoneses, portanto, a emergência chegou.  Por que não utilizar esses fundos agora?

Porém, até o momento, o governo japonês não apenas não deu indicações de que irá utilizar essas reservas, como, ao contrário, disse que irá comprar ainda mais títulos americanos!  A explicação é que, como grande parte das estruturas danificadas possuía seguro, as seguradoras japonesas terão, obviamente, de restituir essas empresas.  E as restituições são pagas em ienes.  Mas como as seguradoras investem em ativos não denominados em ienes — porque investem no mercado internacional —, esse seu portfólio internacional tem de ser liquidado para que elas possam remeter o dinheiro de volta para o Japão, onde as moedas estrangeiras são trocadas por ienes.  Tal processo naturalmente eleva a cotação do iene — que é exatamente o que tem acontecido recentemente, para espanto da mídia.  E para impedir tal apreciação, o BOJ já anunciou que vai comprar mais dólares.  Para fazer isso, ele vai imprimir ienes.

Ou seja, enquanto o Japão está tentando reconstruir a própria economia, seu governo continuará financiando o déficit americano!

Se o governo japonês vai elevar seus gastos como consequência desse desastre natural, a melhor solução seria recorrer às suas reservas internacionais, vender os títulos do Tesouro americano e utilizar esses dólares para importar bens.  Porém, ao invés de vender esses títulos americanos, que não rendem praticamente nada de juros, tudo indica que o governo japonês, além de imprimir dinheiro, vai emitir títulos próprios para se financiar, aumentando ainda mais a sua dívida pública, que já está em 200% do PIB.

É claro que o principal motivo por trás dessa escolha é o medo de derreter o dólar, fragilizar a economia americana e, com isso, perder um mercado consumidor para suas exportações.  O que leva à pergunta final: se o governo japonês não pode utilizar suas reservas internacionais nem durante a maior de suas emergências, então para que elas servem?  Quando o povo japonês, que é quem paga por eles, poderá utilizá-las?  Qual o propósito de se ter quase US$ 1 trilhão em reservas internacionais se, quando há um desastre natural de proporções bíblicas, o país não pode gastá-las por medo de fragilizar a economia americana?

Conclusão

No entanto, ainda creio que um dia os japoneses vão finalmente entender a situação.  Eles vêm seguindo esse modelo keynesiano e mercantilista há 20 anos.  Em algum momento eles vão acordar e concluir: "Não dá mais.  É mais importante consertar a nossa própria economia do que ficar sustentando a economia americana".  Um dia eles vão perceber que não é racional sacrificar toda uma economia apenas para proteger setores que exportam para americanos, os quais sequer podem pagar por esses produtos.

A economia japonesa necessita agora, mais do que nunca, de recursos baratos, de poupança e de investimento.  Não faz sentido querer ficar sustentando governo americano em meio a tudo isso.

Logo, eis as sugestões para os japoneses:

1) Contração monetária — uma menor oferta de bens exige uma menor oferta de dinheiro, para impedir um aumento de preços que seria desastroso para a atual situação do país.

2) Aumento de juros — o consumo deve ser restringido para que possa haver uma liberação de recursos que serão utilizados na reconstrução do país.  Aço, cobre, concreto e petróleo devem ser utilizados na reconstrução, e não desperdiçados em consumos supérfluos.

3) Utilizar as reservas internacionais: isso ajudaria nas importações de recursos necessários para a reconstrução.  O iene ficaria mais apreciado em relação ao dólar.  Essa medida, em conjunto com o item 1,  ajudaria enormemente a economia interna, barateando os recursos.  Não faz sentido sustentar o déficit do governo americano, bem como o setor exportador japonês, quando tudo que a economia japonesa mais precisa agora é de importações baratas de matéria-prima para reconstruir a própria economia.



autor

Peter Schiff

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.



  • Francis Tadeu Leite  18/03/2011 11:00
    Grande Peter Schiff!
  • Augusto  18/03/2011 11:14
    A mensagem, à luz das teorias da escola austríaca, está correta. Mas acredito que as pessoas pensem simplesmente: o terremoto destruiu muitas coisas. Vamos ter que reconstruir. para reconstruir, vamos precisar comprar material. Por causa do terremoto, todo mundo perdeu dinheiro. Logo, o melhor que o governo pode fazer é imprimir mais dinheiro para podermos comprar o material necessário para a reconstrução.\r
    \r
    É dificil competir com esse pensamento, que não qualquer compreensão de entidades exotéricas como "banco central", "oferta monetária", "títulos", "juros"...
  • Joao  18/03/2011 11:56
    Eu mesmo pensava assim até há alguns dias. É a solução simples e errada para problemas complexos. Talvez isso comece a mudar quando os problemas da economia mundial começarem a aparecer de verdade. Pode levar poucos anos, ou pode levar décadas. Um dia, porém, os problemas aparecerão.
  • Róbson da Silveira Kunrath  18/03/2011 11:52
    Logo, é preciso agora, mais do que nunca, que os japoneses poupem mais e gastem menos. E taxas de juros mais altas produziriam esse resultado, pois elas criariam o incentivo para os japoneses pouparem ainda mais, liberando recursos que seriam desperdiçados no consumo e redirecionando-os para ser utilizados na reconstrução da infraestrutura destruída.

    Porém, há ainda outros efeitos: se o Banco Central japonês (BOJ) fizesse isso, o iene ficaria ainda mais valorizado.


    O Peter Schiff está sugerindo que o BC japonês deveria intervir elevando a taxa de juros? Fiquei confuso quanto a isso.

    Abraços
  • Leandro  18/03/2011 12:03
    Exato, Róbson. Para ser mais específico, o BOJ deveria retirar dinheiro de circulação, o que consequentemente provocaria um aumento nos juros, ao menos no curto prazo.
  • Felix  18/03/2011 13:59
    Eu também achei estranho,
    Intervir nos juros não me parece nada austríaco...
    Se colocar dinheiro não é bom, retirar também geraria distorções,
    Se quem recebe dinheiro primeiro é beneficiado numa expansão monetária então o mesmo raciocínio poderia aplicar-se em uma retirada? Alguém vai se prejudicar mais que os outros..
    Uma entidade que não tem necessidade de existir também não deve ficar intervindo em juros...
  • Leandro  18/03/2011 14:19
    Não se está intervindo nos juros. Ao contrário. Está-se deixando os juros subirem livremente, que é o necessário.

    Hoje em dia, os bancos centrais injetam dinheiro nas suas respectivas economias com o intuito de manter as taxas básicas de juros no nível que eles julgam adequado.

    Caso parassem de intervir, os juros passariam a flutuar livremente de acordo com a oferta e demanda de moeda pelo sistema bancário.

    Caso o BOJ se limitasse a não injetar dinheiro na economia, já seria uma boa. Caso ele contraia a oferta monetária, justamente porque sabe-se que a oferta de bens foi reduzida, os resultados serão ainda melhores para as empresas produtivas, porém péssimo para aquelas empresas que cresceram porque se beneficiaram do crédito fácil ou de esquemas mercantilistas.

    De novo, não se está manipulando juros, apenas retirando dinheiro da economia -- cujos efeitos serão opostos aos da inflação, inclusive no que tange à redistribuição de renda.

    Caso seja do interesse, recomendo esse artigo (grande) do principal estudioso de temas monetários da Escola Austríaca, Jörg Guido Hülsmann, no qual ele mostra o elo entre deflação e liberdade:

    mises.org/daily/3231

    Ou um mais breve:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=163


  • Rafael Hotz  18/03/2011 14:09
    Leandro, não entendi essa do Schiff e sua... Porque o BOJ deveria retirar dinheiro do mercado? Se o BOJ forçar a contração ele terá que vender títulos e a taxa de juros subiria a um patamar acima do que deveria subir... Aliás, a taxa de juros subiria naturalmente com o aumento dos preços dos bens finais frente o preço dos inputs... Além disso, com o aumento da incerteza seria possível que houvesse uma queda natural nos depósitos à vista e queda no multiplicador monetário... Não entendi essa de Austríacos defenderem oferta de moeda elástica (nesse caso pra menos)...
  • Leandro  18/03/2011 14:22
    Rafael, veja os dois links acima. Mesmo o que está em português explica tudo.
  • Rafael Hotz  18/03/2011 14:48
    Conheço o texto, e mantenho minha posição... Retirar moeda da economia seria forçar uma recessão mais forte do que aquela que ocorreria sem intervenção... E pode estar havendo contração monetária espontânea agora no Japão, conforme as pessoas reduzem seus encaixes para fazer doações, consumir e reconstruir seu patrimônio - reduzindo o multiplicador...

    Agora o ponto fraco do artigo é o seguinte: "uma menor oferta de bens exige uma menor oferta de dinheiro, para impedir um aumento de preços que seria desastroso para a atual situação do país. Uma menor oferta de bens exije um aumento de preços, não queda na oferta monetária... Isso parece a falaciosa doutrina das needs of trade, só que invertida...
  • Leandro  18/03/2011 15:01
    Pode ser. A única coisa que sei é que, se uma teoria é defendida por homens como Peter Schiff e Guido Hülsmann, eu certamente vou parar para ouvir com muita atenção o que eles têm a dizer.

    Faço apenas um adendo ao que você disse: "Retirar moeda da economia seria forçar uma recessão mais forte do que aquela que ocorreria sem intervenção"

    Na verdade, a recessão seria forte se houvesse uma contração monetária sem uma concomitante redução dos preços. Nesse cenário, concordaria plenamente com sua afirmação: a recessão seria muito forte.

    Porém, como sabemos, a cura para uma deflação monetária é exatamente uma queda nos preços, que é exatamente do que os flagelados japoneses -- que perderam casas e tudo mais -- precisam agora.

    E, como sabemos, por sorte, o Japão é uma país que já está acostumado a ter deflação de preços, de modo que tal processo poderia ocorrer sem nenhum susto, o que seria ótimo para a economia e, principalmente, para aqueles que perderam tudo.

    Em minha humilde opinião, Schiff foi certeiro nesse artigo.
  • Rafael Hotz  18/03/2011 15:38
    Vou tentar me explicar uma última vez pela heresia de discordar de Peter Schiff, hehe...

    No Japão estamos tendo uma maçiça perda de produtividade e de oferta. Isso é uma tendência que pressiona preços e a taxa de juros para cima - mesmo com deflação de preços.

    O BOJ não deveria fazer nada (a não ser sair do caminho). Se ele injeta liquidez ele mantém a taxa de juros artificialmente reduzida e a estrutura produtiva não pode se contrair (afinal de contas, a prioridade é reconstruir casas e importar energia e comida, não desenvolver novas versões de eletrônicos de consumo). Além disso acaba havendo uma pressão para que o yen se desvalorize e os japoneses não podem importar energia e comida como deveriam...

    Se o BOJ sai vendendo títulos e retirando liquidez ele erra para mais. A taxa de juros sobe mais do que deveria. A estrutura produtiva japonesa se contrai mais do que deveria. As exportações japonesas perdem mais competitividade no longo prazo do que deveriam, dado o yen sobrevalorizado. Fora que num país com 200% de Dívida/PIB impostos vão ter que subir no futuro, o que é ruim...

    Taxas de juros já vão subir. Isso porque o preço dos produtos já vai subir em relação ao preço dos fatores produtivos - a menos que os japoneses resolvam poupar mais. E no setor financeiro, conforme você concordou, pode haver redução de liquidez.
  • Marcos  20/03/2011 00:52
    O próprio Schiff já deu motivos o suficiente para acreditar que a taxa vai aumentar naturalmente. A única ação a ser feita é mesmo a venda dos títulos, já que eles vão precisar do dinheiro para reconstrução.

    Acredito que 2 fatores se destaquem aqui:

    1) Um povo que acabou de sair de uma catástrofe naturalmente não está propenso ao consumo. Pelo contrário, pessoas quer perderam bens vão ter que poupar para recuperar tudo e mesmo quem não perdeu instintivamente estará mais inclinado a juntar recursos, a fim de ter alguma proteção para o caso da tragédia se repetir.

    2) O japonês tradicionalmente é um poupador. Aliás, este era um grande problema para os keynesianos, como faze-los se endividar (pelo visto deu certo com o governo)

    Tendo em vista estes 2 fatores, realmente não vejo a necessidade de intervenção, pelo menos dentro da realidade japonesa. Os juros já vão aumentar e os japoneses já vão poupar, a não ser que o governo impeça este movimento, que infelizmente é o que deve acontecer. Assim interpreto o que ele disse, não uma intervenção no sentido contrário, apenas permitindo que o processo aconteça.

    No fundo, o pior problema são as acusações de que o governo "se omitiu" e que deixaram o país "cair na crise". Politicamente isso é muito complicado. Por isso eles se sentirão impelidos a agir, mesmo que não seja adequado.
  • Daniel  18/03/2011 14:26
    Acho que ele considerou a ação para atingir os objetivos soo cenário de metas de inflação, etc.... \r
    Incrivel a logica e intensidade do BOJ na intervenção no cambio.
  • Isaias Barbosa  18/03/2011 14:31
    "Insanidade é fazer a mesma coisa repetidas vezes e esperar resultados diferentes". - Albert Einstein
  • Augusto  18/03/2011 14:31
    Eu acho que a melhor forma de interpretar o que o Schiff quis dizer eh lendo o artigo pensando em termos pragmaticos. Eu nao acredito que o Schiff realmente defenda que o Banco Central Japones ou de qualquer outro pais manipule a oferta monetaria.\r
    \r
    Por outro lado, os bancos centrais estao ai, e nao vao desaparecer tao cedo. E qualquer orgao publico precisa mostrar que "esta fazendo alguma coisa" - na logica politica, qualque acao eh melhor que a inacao.\r
    \r
    Assim, o que eu acho que o Schiff quer dizer eh o seguinte: visto que o Banco Central do Japao precisa e vai fazer alguma coisa de qualquer modo, o melhor que pode fazer eh reduzir a oferta de moeda e aumentar os juros.\r
    \r
    So isso. Obviamente, o Schiff esta perfeitamente ciente de que isso vai gerar outras distorcoes. Mas, no momento e nas condicoes atuais, nao da pra sugerir outra coisa.\r
    \r
    Um artigo desses gera discussao. Um artigo dizendo, "essa eh a hora para acabar com o BC do Japao", nao seria lido, se lido nao discutido, se discutido, nao levado a serio. (infelizmente)
  • Vitor Jo  18/03/2011 15:20
    Texto claro com uma linha de raciocínio impecável. Muito bom!
  • Alan Alfim  18/03/2011 20:06
    Não acredito que os adeptos da Escola Austríaca estejam a defender o BOJ. Na verdade, o autor quis dizer algo assim "dos males o menor". O BOJ por si só é uma instituição anômola por controlar o mercado. Como o maré levará a economia japonesa para uma contração econômica, o BOJ deveria seguir o fluxo natural das coisas. Só isso. Aí, quando a economia reaquecer, voltaria a baixar as taxas. Nada mais é do que manter o mecanismo de aparente controle da economia ("estabilidade e segurança"). Dentro da atual conjuntura, acho que foi isso que o autor quis dizer.
  • Andre Poffo  18/03/2011 20:33
    Problemas de interpretação de texto...
    Schiff impecável mais uma vez.
  • Fernando  18/03/2011 22:50
    Poxa gente, Qual é... esse texto está errado! Precisamos dizer isso, não é porque o cara é popstar que temos que acreditar no que ele diz uai!

    Veja o que ele diz:
    "Se a economia se contrai, se a quantidade de produtos disponíveis se reduz, então a oferta monetária tem de se contrair também - caso contrário, haverá uma inflação de preços justamente em um momento em que os preços deveriam se reduzir, justamente para eliminar o fardo sobre uma economia destruída."

    TA NA CARA, que isso é monetarismo, só consigo lembrar do famoso MV = PY quando leio isso, e não podemos concordar com essa colocação.

    Haverá uma inflação, CLARO que haverá poxa, mas aconteceu um desastre e os preços tem que aumentar mesmo ué, porque não aumentariam? Se vc fabrica bolos junto com sua vó e ela fica doente, os seus preços vão ter que aumentar ué!!!NORMAL, qual o problema disso!?!??!!? Os preços novos vão sendo ajustados pelos produtores.. mas se vc quiser contrair a moeda vão ter Danos enormes, mas que danos?

    1-Sistema da fila da dívida
    Uma vez que cada nota de iene (ou outra unidade monetária) tem um juro associado, as dívidas não poderiam ser pagas de uma vez, então devem ser pagas dentro do tempo de forma separada, o dinheiro da dívida que um paga logo vida emprestimo para outro que poderá cair na mão de outro endividado. Se vc quer contrair a oferta de moeda a primeira coisa a ser feita pelos bancos é não renovar empréstimos podendo causar um colapso na fila.

    2-Manipulações além das expectativas dos produtores (muito importante)
    O preço do bolo da vó vai aumentar uma vez que a produtividade caiu, mas isso é de conhecimento da vó! Uma contração monetária NÃO está na expectativa da vovó!!! Veja bem isso é importante demais. A vó pode correr o risco de colocar um preço auto e não vender nada, pq o sistema foi manipulado. A insatisfação certamente se instalaria pq imagina ter produtividade sem trocas indiretas?!?!?!? Se o sistema de preços fica confuso é capaz de todo mundo produzir e ficar parado sem vender!!!!!!

    Se o problema aconteceu, já era amigo, agora é trabalho e trabalho, não tem outra alternativa e os Bancos Centrais são empresas que deveriam zelar pelo seu produto(moeda) e não fazer caridade. Fazer caridade sendo o Monopólio por LEI é mole...
  • Andre Poffo  19/03/2011 13:45
    "(...) e os Bancos Centrais são empresas que deveriam zelar pelo seu produto(moeda) e não fazer caridade."

    Quem é o monetarista ai?
  • Fernando  19/03/2011 19:24
    Acho que você quis insinuar que olhar para a moeda como um produto é uma visão monetarista, que seja então cara. Cada teoria tem idéias boas ué, só não é inteligente pensar em IPC, o que já foi várias vezes demonstrado que não funciona, e é o tipo de coisa que já devia ser superado.
    Um austríaco puro certamente repudia olhar para moeda fiduciária como produto, isso é um grande erro, a partir do momento que não olhamos para a moeda fiduciária como produtos a serem escolhidos damos monopólio ao governo (?). "Ah, mas o austríaco puro defende o padrão ouro!!!", vamos ser realistas? O padrão ouro deixou de ser democrático a muito tempo, é o tipo de discussão que devia ser superada também:

    "Executive Order 6102 is an Executive Order signed on April 5, 1933, by U.S. President Franklin D. Roosevelt "forbidding the Hoarding of Gold Coin, Gold Bullion, and Gold Certificates" by U.S. citizens."
    ___Fonte: en.wikipedia.org/wiki/United_States_Executive_Order_6102

    "Ah, mas Mises disse em seu teorema da regressão que moedas não podem funcionar fazendo acordos e esquemas"
    Não acredito nesse teorema , um negócio de moeda teria uma tribulação de preços a princípio muito grande mas que ia se ajustando com o tempo, do mesmo modo que a bolsa de valores antes de abrir de verdade. Eu fico surpreso que ninguém tenha negado esse teorema.
  • anônimo  20/03/2011 02:23
    Economistas de plantão aconselham aos japoneses a não correrem aos supermercados, pois o consumismo de agua mineral e comida podem causar inflação galopante, e o governo teria que entrar na fila da divida.

    Os moderados acham que o problema maior será o governo emprestar dinheiro pra vó fazer bolo - se o sistema foi manipulado pelo neto que não pagou o empréstimo anterior.

    Ainda que não haja crescimento econômico, os monetaristas podem dizer: Os seus problemas acabaram, poupe o seu rico dinheirinho e o resultado será o mesmo do trabalho: as reservas fracionárias se tornam riqueza.

    Paradoxo três em um: O ultimo gritar, aumente o juro.

  • Fernando  20/03/2011 11:35
    As pessoas não devem ser controladas
    Governo entrar na fila não acaba com aumento de preços
    O governo não é credor, pelo menos não primário
    Não é o neto que manipula o sistema
    Poupar não terá o mesmo resultado do trabalho nunca
    A reserva fracionaria pode atuar somente em uma pequena parcela da poupança mas com risco pequeno para o banco
    Quem tem que aumentar ou diminuir o juros é o mercado.
  • Felipe Andre  18/03/2011 23:20
    Acredito que este seja o vídeo no qual o artigo se baseia:

    www.youtube.com/watch?v=4vz345JnZUo

    Eu concordo com a opinião do Schiff sobre o aumentar a taxa de juros. Afinal, já que os juros são controlados por um banco central, o correto neste momento é subir a taxa para evitar que o dinheiro seja mal alocado.
  • Miguel A. E. Corgosinho  19/03/2011 12:48
    "Eu concordo com a opinião do Schiff sobre o aumentar a taxa de juros. Afinal, já que os juros são controlados por um banco central, o correto neste momento é subir a taxa para evitar que o dinheiro seja mal alocado."

    O problema de supressão de direitos, em sua própria vinculação, é por que o BACEN vai ressarcir prejuízos entre base e estrutura? Não.

    O BACEN está defendendo autonomia relativa dele ou da democracia? Não sabe.

    Então porque o BACEN tem que estar preocupado com o livre mercado, como que perdido nele? Alega inflação no fundamento da moeda.

    Se a solução é aumentar juros que são intervenção econômica no governo, isto é: déficit fiscal; é o contribuinte que paga juros ao especulador (este grau superior ao proprietário da propriedade privada e ao Estado), nisso já está errando a estrutura de valor.

    A estrutura da moeda vale o predicado da liberdade, na medida em que o povo é o sujeito e também a forma lógica do juízo oposto, na antítese prévia de fundamento.

    A falta de fundamentos comparativos de um meio (ponto de espaço objetivo) do processo da produção, nos termos complementares mais próximos a ela (sistema de saber), sem pensá-los como também "ser" uma continuidade - ou seja, a moeda científica que repousa a liberdade formal - tem um peso qualquer que gera essa ganância por juros.
  • Fernando Chiocca  19/03/2011 02:20
    É.. eu achei também que o Schiff deu uma viajada de planejador central aí.
  • Paulo  20/03/2011 17:53
    Eu só gostaria de saber se este texto (ou declaração) de Schiff realmente existe, pois a nota do tradutor diz: "O artigo a seguir foi adaptado de um discurso feito por Peter Schiff, daí o tom ligeiramente mais coloquial do texto." Foi adaptado, ou realmente existe? E pediram autorização ao Schiff para fazer isso? Se não for o caso, espero que ele nunca descubra....

    Como já foi dito, o Japão já apresenta altas taxas poupança (se não for a maior, é uma das maiores do mundo), e atualmente possui o sistema monetário mais sólido do mundo, segundo o próprio artigo do Leandro, um sistema monetário que mais se aproxima ao sistema preconizado pela Escola Austríaca. Então, eu acho que a atual poupança dos japoneses pode sustentar uma reconstrução. E é claro: tem 1 trilhão em reservas internacionais. Então, eu não acho que o BoJ deve contrair os depósitos dos japoneses. Deveria manter a base como está, ou seja, parar a impressão de dinheiro.

    Se o Japão fizer o que está sendo sugerido, não será os EUA que vai quebrar, mas as empresas japonesas que não poderão concorrer no mercado internacional, pois o iene se apreciará a tal nível que será impossível competir com os estrangeiros, ou seja, vai piorar a situação dos japoneses.

    Se seguirmos o raciocínio de que, em decorrência de uma queda na produção industrial provocada por um desastre natural, teria-se de contrair a circulação de mercadorias, equivaleria a imaginar que uma tribo na Polinésia, antes dos britànicos chegarem, que vivem da caça de cangurus e da coleta (principalmente da coleta de fruta-pão) e que vivem num regime divisão de trabalho e num sistema de troca de escambo: um aborígene caçador trocava seu canguru por cinco frutas-pão. Mas um dia ocorresse uma tragédia, um furacão, que levantasse as ondas do Oceano para uns 7 metros de altura e que devastasse 1/10 das árvores-do-pão ali existentes, e matasse 5% dos cangurus existentes, e claro, muitos aborígenes morressem. Segundo o raciocínio, então os caçadores sobreviventes, para tornar o seu escambo mais "forte", reduziriam de forma premeditada a sua caça de cangurus e não só isso, matariam muitos cangurus para tornar a troca mais "forte"? E claro, o aborígene que confecciona lanças, também destruiria as lanças, pois vamos supor que antes ele trocava a sua lança por 10 frutos-pão, e agora pássa a trocar por 20, e para voltar a ser 10, destrói as lanças) para torná-la mais cara? Como você avaliaria comportamento de uma tribo que age assim?
  • André Luiz de F. Paranhos  21/03/2011 14:35
    Peter Schiff parece uma monetarista da Escola de Chicago de tanto que torna o BOJ protagonista para a recuperação do Japão.

    Esse artigo parece mais uma crítica monetarista vinda de Chicago contra as medidas keynesianas adotadas no Japão. Em suma, duas grandes escolas do intervencionismo e do planejamento central brigando... rs
  • Leandro  21/03/2011 15:10
    Isso porque ele passou o artigo inteiro xingando o BOJ. Como uma crítica pode repentinamente ser interpretada como elogio é algo bem acima de mim.

    Vá entender...
  • Emerson Luis, um Psicologo  16/11/2014 18:34

    Em resumo, o governo muito ajuda quando simplesmente deixa de atrapalhar.

    * * *


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