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As duas ideologias dominantes na Europa

Desde o início da União Europeia, tem havido um conflito entre os defensores de dois ideais diferentes.  Qual postura o continente europeu deve adotar: a visão liberal-clássica ou visão socialista?  A introdução do euro teve um papel decisivo sobre as estratégias dessas duas visões.[1] Para se entender melhor os problemas causados pela adoção de uma moeda única, bem como a história por trás de sua adoção, é importante estar familiarizado com essas duas visões divergentes e essenciais, assim como as subsequentes tensões que vieram à tona em decorrência de uma moeda única.

A visão liberal-clássica

Os pais fundadores da União Europeia, Maurice Schuman (França [nascido em Luxemburgo]), Konrad Adenauer (Alemanha) e Alcide de Gasperi (Itália), todos católicos que falavam alemão, eram adeptos da visão liberal-clássica para a Europa.[2] Eles também eram democratas-cristãos.  A visão liberal-clássica considera a liberdade individual como sendo o mais importante valor cultural dos europeus e do cristianismo.  De acordo com essa visão, a função dos estados soberanos europeus é proteger os direitos de propriedade e a economia de livre mercado em uma Europa de fronteiras abertas, permitindo desta forma o livre comércio de bens, serviços e ideias.

O Tratado de Roma, assinado em 1957, foi a principal realização para a criação de uma Europa baseada no liberalismo clássico.  O tratado estabeleceu quatro liberdades básicas: livre circulação de bens, livre oferta de serviços, livre movimentação de capital financeiro e livre migração.  O tratado também restaurou direitos que haviam sido essenciais para a Europa durante a vigência do período liberal-clássico no século XIX, mas que haviam sido abandonados durante a era do nacionalismo e do socialismo.  O tratado representou a rejeição da era do socialismo, período esse que havia gerado conflitos entre as nações européias, culminando em duas guerras mundiais.

A visão liberal-clássica visa à restauração das liberdades do século XIX.  A livre concorrência, sem barreiras à entrada nos mercados, deveria prevalecer em um mercado comum europeu.  De acordo com essa visão, ninguém poderia proibir um cabeleireiro alemão de cortar cabelos na Espanha, e ninguém poderia tributar um inglês que quisesse transferir dinheiro de um banco alemão para um banco francês, ou que quisesse investir no mercado de ações da Itália.  Ninguém poderia impedir, por meio de regulamentações, que uma cervejeira francesa vendesse suas cervejas na Alemanha.  Nenhum governo poderia dar subsídios, algo que distorce e corrompe o sistema de livre concorrência.  Ninguém poderia impedir que um dinamarquês fugisse de seu estado assistencialista e de sua alta carga tributária e migrasse para um estado com uma carga tributária mais baixa, como a Irlanda.

Para atingir esse ideal de cooperação pacífica e prosperidade comercial, o único pré-requisito necessário seria a liberdade.  De acordo com essa visão, não haveria nenhuma necessidade de se criar um superestado europeu.  Com efeito, a visão liberal-clássica é completamente cética no que concerne a um estado central europeu; tal criação é considerada prejudicial e perniciosa para as liberdades individuais.  Filosoficamente falando, muitos defensores dessa visão são inspirados pelo catolicismo, e as fronteiras da comunidade europeia são definidas pelo cristianismo.

De acordo com a doutrina social católica, o princípio da subsidiariedade deveria prevalecer: os problemas deveriam ser resolvidos no nível mais baixo e menos concentrado possível dos arranjos.  A única instituição centralizada europeia aceitável seria uma Corte de Justiça Europeia, com suas atividades sendo restritas à resolução de conflitos entre os estados-membros e à garantia das quatro liberdades básicas.

Do ponto de vista liberal-clássico, deveria haver vários sistemas políticos concorrentes, como ocorreu na Europa durante séculos.  Desde a Idade Média até o século XIX, existiram sistemas políticos muito diferentes, tais como as cidades independentes de Flandres (região no noroeste da Europa, que inclui partes da Bélgica, França e Holanda), da Alemanha e do norte da Itália.  Havia reinados, como os da Bavária e da Saxônia, e havia repúblicas, como a de Veneza.  A diversidade política era demonstrada de modo mais explícito na fortemente descentralizada Alemanha.  Sob essa cultura de diversidade e pluralismo, a ciência e a indústria se desenvolveram e prosperaram.[3]

A concorrência em todos os níveis é essencial para a visão liberal-clássica.  Ela gera uma congruência, uma vez que a qualidade dos produtos, os preços dos fatores de produção e, principalmente, os salários tendem a convergir.  O capital vai para os locais onde os salários são menores, o que provoca sua elevação; os trabalhadores, por outro lado, vão para onde os salários são mais altos, o que faz com que essa maior oferta de mão-de-obra os reduza.  Os mercados oferecem soluções descentralizadas para os problemas ambientais, baseando-se na propriedade privada.  A concorrência política assegura o mais importante valor europeu: a liberdade.

A concorrência tributária promove alíquotas de impostos mais baixas, bem como a responsabilidade fiscal.  As pessoas "votam com seus pés", saindo dos países com carga tributária abusiva, como fazem as empresas.  Nações soberanas concorrendo entre si com diferentes cargas tributárias são vistas como a melhor proteção contra a tirania.  A concorrência também se dá na questão das moedas.  Diferentes autoridades monetárias competem para oferecer a moeda de maior qualidade.  As autoridades que oferecem moedas mais estáveis exercem pressão sobre as autoridades mais displicentes, e estas são obrigadas a se adequar e seguir o exemplo daquelas.

A visão socialista

Em direta oposição à visão liberal-clássica tem-se a visão socialista ou imperial da Europa, defendida por políticos como Jacques Delors e François Mitterrand.  Uma coalizão de interesses estatistas entre grupos nacionalistas, socialistas e conservadores faz o que pode para promover e avançar sua agenda.  Tal coalizão quer ver a União Europeia como um império ou uma fortaleza: protecionista para quem está de fora e intervencionista para quem está dentro.  Esses estatistas sonham com um estado centralizado e controlado por tecnocratas eficientes — atributo este que todos os tecnocratas estatistas imaginam ter.

Dentro desse ideal, o centro do Império deveria governar toda a periferia.  Haveria uma legislação comum e centralizada.  Os defensores da visão socialista para a Europa querem erigir um megaestado europeu, reproduzindo as nações-estado em um nível continental.  Eles querem um estado assistencialista europeu que garanta a redistribuição de riqueza, a regulamentação econômica e a harmonização das legislações dentro da Europa.  A harmonização dos impostos e as regulamentações sociais seriam executadas pelo mais alto escalão da burocracia.  Se o imposto sobre valor agregado estiver variando entre 15 e 25% dentro União Europeia, os socialistas iriam harmonizá-lo em 25% para todos os países.  Tal harmonização das regulamentações sociais é do interesse dos mais protegidos, mais ricos e mais produtivos trabalhadores, que podem "arcar" com os custos dessas regulamentações — ao passo que seus concorrentes não podem.  Por exemplo, se as regulamentações sociais alemãs fossem aplicadas aos poloneses, estes teriam grandes problemas para concorrer com aqueles.

A intenção desse ideal socialista é conceder cada vez mais poderes para o estado central — isto é, para Bruxelas.  A visão socialista para a Europa é a ideal para a classe política, para os burocratas, para os grupos de interesse, para os privilegiados e para os setores subsidiados que querem criar um poderoso estado central visando ao seu próprio enriquecimento.  Partidários dessa visão apresentam um megaestado europeu como uma necessidade, e consideram sua total implementação apenas uma questão de tempo.

Ao longo desse caminho socialista, o estado central europeu iria se tornar um dia tão poderoso, que os estados soberanos passariam a lhe prestar total subserviência.  (Já podemos ver os primeiros indicadores de tal subserviência no caso da Grécia.  A Grécia se comporta hoje como um protetorado de Bruxelas, que diz ao governo grego como ele deve lidar com seu déficit orçamentário.)

A visão socialista não fornece nenhuma limitação geográfica explícita para o estado europeu — ao contrário da visão liberal-clássica inspirada no catolicismo.  A concorrência política é vista como um obstáculo para o estado central, o qual, no ideário socialista, deve sair completamente de qualquer controle por parte do público.  Nesse sentido, o estado central na visão socialista se torna cada vez menos democrático à medida que o poder vai sendo deslocado para burocratas e tecnocratas. (Um bom exemplo disso é a Comissão Europeia, o corpo executivo da União Europeia.  Os membros da comissão não são eleitos, mas sim designados pelos governos dos estados-membros.)

Historicamente, os precedentes para esse velho plano socialista de criar um estado central controlador na Europa foram estabelecidos por Carlos Magno, Napoleão, Stalin e Hitler.  A diferença, entretanto, é que dessa vez nenhum meio militar seria necessário.  Seria a mera coerção do poder estatal a mola propulsora para a criação de um poderoso estado central europeu.

De um ponto de vista tático, situações específicas de crise seriam utilizadas pelos partidários da visão socialista para criar novas instituições (tais como o Banco Central Europeu (BCE), ou, possivelmente no futuro, um Ministério Europeu das Finanças), bem como para ampliar os poderes das atuais instituições, como a Comissão Europeia ou o próprio BCE. [4]

A visão liberal-clássica e a visão socialista para a Europa são irreconciliáveis.  Com efeito, o aumento no poder de um estado central — como proposto pela visão socialista — implica uma redução das quatro liberdade básicas, e certamente liberdades civis cada vez menores.

A história de uma batalha entre duas visões

Essas duas visões têm travado batalhas entre si desde os anos 1950.  No início, o projeto das Comunidades Europeias era mais fiel à visão liberal-clássica[5].  A Comunidade Europeia era composta por estados soberanos e assegurava as quatro liberdades básicas.  Do ponto de vista do liberalismo clássico, um dos principais defeitos de nascença do projeto eram os subsídios e as intervenções da política agrícola.  Da mesma forma, desde seu nascimento, o único poder legislativo pertencia à Comissão Europeia.  Assim, uma vez que a Comissão fizesse uma proposta legislativa, o Conselho da União Europeia poderia sozinho, ou em conjunto com o Parlamento Europeu, aprovar a proposta.[6] 

Esse arranjo já continha em si as sementes da centralização.  Consequentemente, o arranjo institucional, desde seu início, havia sido projetado para acomodar a centralização e o controle sobre as opiniões minoritárias, uma vez que a unanimidade não era necessária para todas as decisões, e as áreas em que a regra da unanimidade se fazia necessária foram sendo reduzidas ao longo dos anos.[7]

O modelo liberal-clássico é defendido tradicionalmente pelos democratas-cristãos e por países como Holanda, Alemanha e Reino Unido.  Porém, os social-democratas e socialistas, normalmente liderados pelo governo francês, defendem a versão imperialista da Europa.  Com efeito, em decorrência de sua rápida queda em 1940, dos anos da ocupação nazista, de seus fracassos na Indochina, e da perda de suas colônias africanas, a classe dominante francesa utilizou a Comunidade Europeia para readquirir sua influência e seu orgulho, e para se recuperar da perda de seu império.[8]

Com o passar dos anos, houve uma lenta porém contínua tendência rumo ao ideal socialista — com orçamentos cada vez maiores para a União Europeia e uma nova política regional que efetivamente redistribui riquezas por toda a Europa.[9]  Inúmeras regulamentações e harmonizações também estão empurrando o arranjo para essa direção.

A visão liberal-clássica sobre estados soberanos e independentes de fato parecia ter readquirido um novo vigor após o colapso da União Soviética e a reunificação da Alemanha.  Primeiro porque a Alemanha, tendo tradicionalmente sempre defendido essa visão, se tornou mais forte após a reunificação.  Segundo porque os novos países emergindo das cinzas do comunismo, tais como a Tchecoslováquia (sob a liderança do misesiano Václav Klaus), a Polônia, a Hungria etc., também apoiavam a visão liberal-clássica para a Europa.  Esses novos países queriam usufruir sua nova e recém-conquistada liberdade.  Eles já estavam fartos de socialismo, impérios e centralizações.

A influência do governo francês estava agora reduzida.[10] O campo socialista viu sua derrota se aproximando.  Uma rápida ampliação da União Europeia, com a incorporação dos novos estados do Leste Europeu e a consequente ampliação do mercado comum, tinha de ser impedida.  Um passo rumo à criação de um estado centralizador tinha de ser rapidamente feito.  A moeda única seria o veiculo que permitiria a realização desse objetivo.[11]

De acordo com os jornais alemães, o governo francês temia que a Alemanha, após sua reunificação, criasse "uma área de livre comércio dominada pelo marco alemão, estendendo-se de Brest [litoral noroeste da França] até Brest-Litowsk [no sul da Bielorrúsia]".[12] Os socialistas europeus (franceses) precisavam urgentemente de adquirir poder sobre a unidade monetária.

Como argumentou Charles Gave[13] a respeito dos eventos ocorridos após a queda do Muro de Berlim:

Para os proponentes do "Império Romano" [a visão socialista], o Estado Europeu tinha de ser organizado imediatamente, não importasse os riscos, e se tornar algo inevitável.  Caso contrário, os proponentes de uma "Europa Cristã" [a visão liberal-clássica] venceriam a batalha por ausência de rivalidade, e a história provavelmente jamais reverteria seu curso.  O colapso da União Soviética foi a crise que deu a oportunidade, bem como a força-motriz, para que o Império Romano levasse a cabo um programa ostensivamente ambicioso.  Com a balança pendendo para o lado da Europa Cristã, o Império Romano precisava urgentemente desequilibrá-la para o seu lado; e a criação do euro, mais do que qualquer outra coisa, veio para simbolizar a investida do campo Romano rumo a uma superestrutura centralizada.

O argumento oficial utilizado pelos defensores de uma moeda única e de curso forçado era o de que o euro iria reduzir os custos de transação — facilitando o comércio, o turismo e o crescimento econômico na Europa.  Mais implicitamente, entretanto, a moeda única era vista como o primeiro e essencial passo rumo à criação de um estado europeu.  Foi presumido que o euro iria criar a pressão necessária para a introdução desse estado.

O real motivo de o governo alemão, tradicionalmente oposto à visão socialista, ter finalmente aceitado o euro tinha a ver com a reunificação alemã.  O acordo era o seguinte: a França construía seu império europeu e, em troca, dava o apoio que faltava para a reunificação das duas Alemanhas.[14] Afirmava-se que, de outra forma, a Alemanha iria se tornar excessivamente poderosa.  Consequentemente, sua arma mais pujante, o marco alemão, tinha de ser abolido — em outras palavras, um desarmamento.

A etapa seguinte nos planos do campo socialista foi redigir o esboço de uma constituição europeia (feito pelo ex-presidente francês Valery Giscard d'Estaing Ginard), estabelecendo um estado central.  Porém, esse projeto constitucional fracassou completamente; ele foi rejeitado nas urnas pelos eleitores da França e da Holanda em 2005.  Como sempre, a Alemanha sequer foi consultada.  Os alemães também não foram perguntados se queriam fazer parte do euro.  Porém, os políticos geralmente não desistem até que todas as suas ideias sejam aceitas.  No caso da constituição europeia, eles simplesmente renomearam a constituição; e não mais foi necessário submetê-la à votação popular em muitos países.

Como consequência, o Tratado de Lisboa foi aprovado em dezembro de 2007.  O Tratado está cheio de palavras como pluralismo, não discriminação, tolerância e solidariedade, todas elas podendo ser interpretadas como clamores para se violar os direitos de propriedade de terceiros, bem como toda e qualquer liberdade de contrato.  No Artigo Três, a União Europeia promete lutar contra a exclusão social e a discriminação, desta forma abrindo as portas para intervencionismos de todos os tipos.  Deus não é mencionado uma única vez no Tratado de Lisboa.

Na realidade, o Tratado de Lisboa acabou sendo uma derrota para o ideal socialista.  Não se trata de uma genuína constituição, mas apenas de um tratado.  Isso deixou os proponentes de um Império Europeu em um beco sem saída, e eles foram obrigados a se reagrupar e centrar seus esforços na única ferramenta que restou — o euro.  Mas como, exatamente, o euro provoca a centralização de Europa?

O euro gera os tipos de problemas que podem ser encarados como um pretexto para que haja uma centralização de poder coordenada por políticos.  Com efeito, a construção e a implantação do euro provocaram uma corrente de crises severas: os estados-membros podem utilizar as impressoras do Banco Central Europeu para financiar suas dívidas; essa característica da União Monetária Europeia invariavelmente gera crises da dívida soberana para os países-membros que se endividam em excesso.  Essa crise, por sua vez, pode ser utilizada para centralizar o poder e as políticas fiscais.  A centralização das políticas fiscais pode então ser utilizada para unificar a tributação e com isso abolir a guerra tributária entre os países.

Com a atual crise da dívida soberana de países como Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda, o único meio que restou aos socialistas para fortalecer seu plano de implementar um estado central está em risco.  Portanto, é algo totalmente irrealista dizer que o fim do euro significaria o fim da Europa ou do ideal europeu; o fim do euro seria apenas o fim da versão socialista da Europa.

Naturalmente, é perfeitamente possível ter uma Europa economicamente integrada, com suas quatro liberdades básicas, sem que haja uma moeda única de curso forçado.  O Reino Unido, a Suécia, a Dinamarca e a República Tcheca não utilizam o euro, mas pertencem ao mercado comum e usufruem essas quatro liberdades.  Se a Grécia abandonar o euro e se juntar a esses países, a visão liberal-clássica permaneceria intacta.  Com efeito, uma livre escolha entre várias moedas é algo mais relacionado ao valor europeu de liberdade do que a obrigação de utilizar uma moeda continental de curso forçado criada por um banco central que possui o monopólio de sua produção.

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Esse artigo foi extraído do livro The Tragedy of the Euro. (Ludwig von Mises Institute, 2010).

Notas

[1] Ver Jesús Huerta de Soto, "Por una Europa libre," in Nuevos Estudios de Economía Política (2005), pp. 214-216. Ver Hans Albin Larsson, "National Policy in Disguise: A Historical Interpretation of the EMU," in The Price of the Euro, ed. Jonas Ljundberg (New York: Palgrace MacMillan, 2004), pp. 143-70, sobre as duas alternativas para a Europa.

[2] Uma base teórica para esse visão explicitada em Hans Sennholz, How can Europe Survive (New York: D. Van Nostrand Company, 1955).  Sennholz critica os planos para uma cooperação governamental criados por diferentes políticos, e mostra que apenas a liberdade pode eliminar a causa dos conflitos na Europa.

[3]  Roland Vaubel, "The Role of Competition in the Rise of Baroque and Renaissance Music," Journal of Cultural Economics 25 (2005): pp. 277-97, argumenta que o surgimento da música barroca e renascentista na Alemanha e na Itália resultou da descentralização desses países e da subsequente concorrência entre eles.

[4] Em consonância com essa teoria, o presidente Frances Nicolas Sarkozy tentou introduzir um fundo de resgate europeu durante a crise de 2008 (ver Patrick Hosking, "France Seeks ?300 bn. Rescue Fund for Europe." Timesonline. Dois de outubro, 2008, http://business.timesonline.co.uk).  A chanceler alemã Angela Merkel, entretanto, resistiu à ideia, e passou a ser conhecida como a "Madame Não".  A recente crise também foi utilizada para estabelecer a European Financial Stability Facility (Linha de Crédito para a Estabilidade Financeira Europeia), com a qual o BCE ampliou suas operações e, consequentemente, a base monetária.  Outras instituições, como a European Systemic Risk Board (Conselho de Risco Sistêmico Europeu), também foram criadas durante a crise.  Sobre a tendência de os estados expandirem seu poder em situações de emergência, ver Robert Higgs, Crisis and Leviathan: Critical Episodes in the Growth of American Government (Oxford: Oxford University Press, 1987).

[5] As Comunidades Europeias eram formadas pela Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, que criava um mercado comum para carvão e aço; pela Comunidade Econômica Europeia, que promovia a integração econômica; e pela Comunidade Europeia da Energia Atômica, que criava um mercado especial para energia nuclear, fazendo sua distribuição pela Comunidade.

[6] O Conselho da União Europeia, frequentemente chamado de "O Conselho" ou "Conselho dos Ministros", é formado por um ministro de cada estado-membro e não deve ser confundido com o Conselho Europeu.  O Conselho Europeu é formado pelo presidente do "Conselho dos Ministros", pelo presidente da Comissão, e por um representante de cada estado-membro.  O Conselho Europeu orienta a União Europeia ao definir sua agenda política.

[7] Esses importantes defeitos de nascença reduzem o crédito dado aos pais fundadores, como Schuman, Adenauer e outros.

[8] Larsson, Hans Albin. 2004. "National Policy in Disguise: A Historical Interpretation of the EMU.", p. 162.  Como escreve Larsson: "A arena na qual a França buscou ressuscitar sua honra e influência internacional foi a Europa Ocidental.  Como principal país da Comunidade Econômica Europeia, a França recuperou influência e, com isso, recompensou a perda de seu império — e tudo isso dentro de uma área onde a França, tradicionalmente e de diversas maneiras, sempre procurou ter domínio e influência". 

Já em 1950, o premiê francês René Pleven, propôs criar um Exército Europeu como parte da Comunidade de Defesa Europeia (sob a liderança da França).  Ainda que o plano tenha fracassado, ele fornece evidências de que, desde o início, os políticos franceses pressionaram pela centralização e pela visão imperial da Europa.  Uma exceção foi o presidente Charles de Gaulle, que se opunha a um estado europeu supranacional.  Durante a "crise da cadeira vazia", em junho de 1965, a França abandonou seu assento no Conselho dos Ministros por seis meses em protesto contra um ataque à sua soberania.  A Comissão havia pressionado por uma centralização do poder.  Entretanto, de Gaulle também estava tentando melhorar a posição e liderança da França nas negociações acerca da Política Comum Agrícola.  A Comissão havia proposto a criação de uma decisão por maioria de votos nesse quesito.  Os agricultores franceses eram os principais beneficiários dos subsídios, ao passo que a Alemanha era a principal contribuinte.  A decisão por maioria de votos poderia ter privado os agricultores franceses de seus privilégios.

[9] Roland Vaubel, "The Political Economy of Centralization and the European Community," Public Choice 81 (1—2 1994): pp. 151—190, explica a tendência rumo à centralização na Europa utilizando argumentos oriundos da Teoria da Escolha Pública.

[10] Larsson, "National Policy in Disguise," p. 163.

[11] Como escreveu Arjen Klamer a respeito da estratégia de se utilizar a moeda única como veículo para a centralização: "A suposição era a de que, tão logo a unidade monetária fosse uma realidade, seria necessário algum tipo de construção federal — ou ao menos uma união política mais forte — para que a união monetária pudesse funcionar. Assim, a carroça foi colocada na frente dos bois.  Foi tudo um experimento.  Nenhum político ousaria lidar com as consequências do fracasso — ou do que poderia acontecer — caso uma forte união política não fosse realizada.  Tudo já estava arrumado e o show tinha de continuar." (Arjen Klamer, "Borders Matter: Why the Euro is a Mistake and Why it will Fail," in The Price of the Euro, ed. Jonas Ljundberg, (New York: Palgrave MacMillan, 2004), p. 33).

Similarmente, Roland Vaubel escreve sobre os efeitos do euro: "A União Monetária Europeia é o ponto de partida para a centralização de várias outras políticas econômicas e, em última instância, para a criação de um estado europeu". (Roland Vaubel, "A Critical Analysis of EMU and of Sweden Joining It," in The Price of the Euro, ed. Jonas Ljundberg, (New York: Palgrave MacMillan 2004), p. 94) Ver também James Foreman-Peck, "The UK and the Euro: Politics versus Economics in a Long-Run Perspective," in The Price of the Euro, ed. Jonas Ljundberg, (New York: Palgrave MacMillan 2004), p. 104.

[12] Frankfurter Allgemeine Zeitung, June 1, 1996.

[13] Charles Gave, "Was the Demise of the USSR a Negative Event?" in Investors-Insight.com, ed. John Mauldin, (5 de maio, 2010), http://investorsinsight.com/.

[14] Até hoje, o governo francês obteve êxito em criar uma influência desproporcional sobre a União Europeia.  A maioria das instituições da UE está localizada na França e na Bélgica.  O francês é um dos idiomas oficiais da UE, ao lado do inglês, mas não o alemão, ainda que a União Europeia tenha muito mais cidadãos que falem alemão do que francês.  Quando se pondera a influência dos estados-membros baseando-se em sua população, a França está sobre-representada e a Alemanha, sub-representada.  Com efeito, a influência proporcional da Alemanha não aumentou absolutamente nada após sua reunificação.  Como escreveu Larsson: "Em suma, a União Europeia e seus arranjos predecessores são basicamente projetos franceses, os quais, não obstante algumas declarações oficiais, em muitos aspectos serviram ao propósito de utilizar todos os meios possíveis para ampliar — ou, no mínimo, manter — a influência política mundial da França, particularmente na Europa." ("National Policy in Disguise," p. 165)

 


autor

Philipp Bagus

é professor adjunto da Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro A Tragédia do Euro.  Veja seu website.


Tradução de Leandro Roque

  • Getulio Malveira  11/02/2011 14:44
    Muito esclarecedor este texto. Apesar de estudar história européia eu não tinha conhecimento da existência dessas duas correntes no processo de constituição da UE. É esclarecedor também das posições manifestadas (e reveladas via wikileaks) do Vaticano sobre os limites geográficos da UE e de suas raízes cristãs. Não me ficou claro, contudo, o que aconteceu com a corrente liberal-clássica: quem a defende hoje? há alguma possibilidade de que ela retome os rumos da UE? Se alguém souber de algo a respeito, eu agradeceria bastante.
  • Leandro  11/02/2011 14:59
    Prezado Getulio, nessa madrugada vou postar um complemento para esse artigo, o que esclarecerá algumas dessas suas dúvidas. Mas já adianto: tradicionalmente, quem defende o modelo liberal-clássico são os democratas-cristãos e países como Alemanha, Holanda e Reino Unido.

    Haverá informações bastante interessantes sobre a França também. Pelo visto, é ela quem desestabiliza tudo por lá.

    Grande abraço!
  • Fernando Ulrich  11/02/2011 15:13
    Vale lembrar que Ludwig Ehrard, ministro de economia durante o governo de Adenauer após a segunda guerra mundial, cujo "economic advisor" era Wilhelm Röpke. Grande parte da retomada da economia alemã se deve as medidas pró mercado tomadas por estes após a guerra.
  • Getulio Malveira  11/02/2011 15:47
    Fico aguardando, Leandro. Desde já agradeço.

    abraço
  • Carlos Santos  11/02/2011 15:51
    Interessante: o autor do livro de onde foi retirado esse texto é colega do economista Jesús Huerta de Soto na Universidad Rey Juan Carlos. Os alunos do curso economia nessa instituição estão muito bem servidos.\r
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    Pelo que vejo do que sai na mídia europeia e das conversas que tenho pela internet com pessoas de lá, a ideologia dominante é de longe o socialismo. Por isso sou sempre pessimista sobre as perspectivas de mais liberdade na Europa. Uma pena, pois maior liberdade por lá poderia significar maior liberdade por aqui já que a elite tupiniquim é muito influenciada (melhor seria dizer colonizada) pelos intellectuels.\r
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    Esse plano socialista de integração da Europa em um único Estado pode até ser factível, tamanha é a influencia da propaganda anticapitalista no Velho Continente. Mas será que eles conseguirão manter essa monstruosidade sem instabilidades políticas e sem levantes populares que ameassem a desintegração do megaestado?\r
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    A História mostrou que Mises estava certo sobre a impossibilidade do calculo econômico em uma economia planejada e acho que até os socialistas aprenderam a lição, pelo modo mais difícil, claro. Há alguma análise no livro sobre como funcionaria esse megaestado e se seria possível mantê-lo?\r
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    Excelente texto e obrigado pela tradução.\r
    Abraços!
  • Gustavo Ramos  11/02/2011 19:32
    Muito bom o texto. A situação européia atual é um tema que tem chamado minha intenção.


    E mudando de assunto rapidamente:

    Alguém tem informação de quando vai ser publicado "Ação Humana" do Mises?
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  11/02/2011 22:39
    Infelizmente o liberalismo clássico morreu como escola de pensamento influente no mundo todo.\r
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    A União Européia caminha a passos largos para se tornar uma União Soviética mais sofisticada.\r
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    Os europeus estão muito autoritários mesmo.\r
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    Na Suécia houve a estatização completa da instuição família.\r
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    A França dispensa comentários.\r
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    Quem se salva é somente a Inglaterra.\r
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    Todos os tipos de totalitarismos que existem já foram implantados no velho continente.\r
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    Os poucos libertários europeus que existem tem um gigantesco trabalho de conscientização pela frente.\r
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    Abraços
  • Augusto  12/02/2011 09:17
    Bem, tem ainda a suiça, liechtenstein, san marino... ainda se salvam.
  • Carlos Santos  12/02/2011 11:03
    Uma gota no Oceano, infelizmente, meu caro Augusto. A Suíça tem população de 7.5 milhões e esses encraves de ricaços tem população de cidadezinha do interior. Enquanto a população total da Europa chega a 730 milhões.\r
    \r
    Erik, na Inglaterra os trabalhistas podem não ter conseguido destruir ainda todo o legado de Thatcher, mas já fizeram muito estrago e não vão parar.
  • Augusto  12/02/2011 12:33
    Por isso que o modelo de privatização que eu defendo é simplesmente entregar as ações para a população - pegar o número de ações em mãos do governo, dividir pelo número de pessoas (poderia-se usar o cadastro de CPFs), e entregar tudo.\r
    \r
    Uma campanha bem feita, mostrando que se as empresas "são do povo", como a esquerda gosta de pregar, e dizendo, "se são do povo, nada mais justo que o povo as administre diretamente".\r
    \r
    E complementando, "quem acha que as empresas devem ficar nas mãos do governo, é porque acha que o povo é incapaz de administrar seu próprio dinheiro."\r
    \r
    As ações poderiam ficar sob custódia da Receita Federal (por simples questão de praticidade), e as ações não-reclamadas depois de um prazo de une 3 anos iriam a leilão aberto.
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  12/02/2011 13:57
    Prezado Augusto \r
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    Desconheço a realidade de todos os países da Europa.\r
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    Os paises que você citou podem defender o liberalismo clássico mas não possuem peso político e econômico para influenciar os destinos da União Européia.\r
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    O Leandro citou que vai fazer um outro texto complementando este dizendo que os principais defensores do liberalismo clássico na Europa são os democratas cristãos e a Alemanha, Holanda e Reino Unido.\r
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    Nunca acreditei muito no sentimento libertário alemão, já a Holanda parece ser libertária.\r
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    Prezado Carlos\r
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    Meu comentário sobre a Inglaterra foi incompleto mesmo.\r
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    É a Inglaterra conservadora que me agrada.\r
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    Os trabalhistas são de esquerda que é o lixo da sociedade.\r
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    Abraços
  • Augusto  12/02/2011 15:19
    Erik,\r
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    Acho que dois fatores a se considerar são a homogeneidade da população e o histórico de independência das sub-unidades políticas.\r
    \r
    A Holanda, até recentemente, era na verdade uma espécie de federação de vários estados independentes, inclusive com línguas diferentes. Idem para a Alemanha.\r
    \r
    A França, por outro lado, foi unida à força, inclusive com a proscrição das línguas regionais até bem pouco tempo. Algo similar se verificou na Itália.\r
    \r
    Obviamente eu estou falando meio de orelhada, não sou historiador nem profundo conhecedor da história daqueles países. O que me parece - e eu já estive tanto na França quanto na Holanda por mais que alguns dias para saber - é que a tensão entre Povo e Estado na França é maior que aquela vista na Holanda...\r
    \r
    Já quando você vai mais para o Norte - Suécia, Noruega, Dinamarca, - as políticas de cunho social parecem ser mais bem aceitas pois as populações são pequenas e pelo menos superficialmente, bastante homogêneas, além de serem monarquias. Há, talvez, uma percepção de participação no Estado.
  • Andre Poffo  12/02/2011 13:57
    "quem acha que as empresas devem ficar nas mãos do governo, é porque acha que o povo é incapaz de administrar seu próprio dinheiro."

    Essa frase é ótima!
  • Augusto  12/02/2011 15:31
    André,\r
    \r
    Obrigado ;-)\r
    \r
    Para dizer a verdade, eu não desgosto das estatais não. Há em todas profissionais bem qualificados, ambiente de trabalho agradável, e até serviço bem feito. Além de serem as poucas grandes empresas que, por meio dos concursos, admitem gente com pouca experiência.\r
    \r
    Honestamente, eu gostaria que outras empresas adotassem o modelo de concursos, mas isso só ocorrecia se o Estado parasse de patrocinar o ensino técnico e superior, que na verdade funciona como ferramenta de pré-seleção para as empresas.\r
    \r
    Do ponto de vista estrito do meu interesse pessoal, eu mesmo recentemente comecei a estudar para concursos, visando as empresas estatais... com um certo aperto no coração, mas fazer o quê? Por conta até das próprias distorções que o governo cria no mercado de trabalho, chega uma hora que a gente vê que trabalhar na iniciativa privada é muito, muito complicado.
  • void  12/02/2011 16:11
    Então você gosta de profissionais, e não de estatais. Mas é uma pena que profissionais ótimos que poderiam trabalhar no setor produtivo tenham suas habilidades disperdiçadas em estatais.
  • Augusto  12/02/2011 20:35
    bem, esse desperdício é apenas parcial. não adianta ter só dinheiro, vc pode tacar bilhões de dólares na economia e continuar em crise. da mesma forma, uma estatal pode ter caixa praticamente ilimitado e continuar prestando serviços ruins. mas você pega uma Petrobrás, por exemplo, que em termos de tecnologia é bastante avançada (não vou dizer que seja a mais avançada do mundo para não cair em devaneios nacionalistas...). é preciso sim ter gente competente, inteligente, e interessada. eu não diria que essa turma (que talvez seja minoria, talvez seja maioria) esteja sendo desperdiçada. mas essa é outra discussão :-)
  • Erick Skrabe  12/02/2011 20:58
    Augusto,

    A eficiencia da Petrobras é um mito. As operações são todas feitas por estrangeiros com eqto estrangeiro. Eu já fiz alguns projetos em Macaé, e cansei de ver caras q não falavam portugues. A tempo até as propagandas da feira de Macaé é em ingles.

    A Petrobras olha, manda e fica com o crédito. Lembrando q a industria do petróleo mundialmente ñ é um exemplo de livre mercado.
  • Augusto  12/02/2011 22:54
    Erick,\r
    \r
    Não acho que o fato de ter estrangeiros trabalhando para a Petrobrás seja de grande relevância, indica apenas que a mão de obra estrangeira seja mais barata, ou que falta o funcionário qualificado para realizar aquele serviço específico.\r
    \r
    O fato do combustível ser caro também tem pouco a ver com eficiência - metade (ou mais?) do preço na bomba é imposto, taxa e contribuição...\r
    \r
    Mas enfim, também não estou aqui para defender a Petrobrás ou qualquer outra estatal. As estatais não me incomodam tanto, inclusive porque elas podem um dia passar por privatização. Incomoda-me mais o monopólio como por exemplo o dos Correios sobre certo tipo de correspondência.\r
    \r
    (daqui a pouco o Leandro vai postar um texto lááá de longe com o título "O mito da eficiência das estatais", hehe)
  • André Ramos  14/02/2011 19:20
    Augusto, eu sou servidor público concursado há 6 anos.
    Sempre me questionam: "como você pode ser libertário sendo um servidor público, um agente do Estado"? Bem, de fato eles têm razão, pelo menos em parte... É uma coisa que me perturba, não posso negar.
    Mas eu respondo: ora, a existência do Estado é uma realidade que eu não posso negar e contra a qual eu não posso me insurgir (a não ser ideologicamente, no exercício da minha liberdade de manifestação do pensamento) etc. Dentro das regras que ele mesmo estabelece, eu me credenciei a prestar-lhe serviços e ser remunerado por isso.
    E posso afirmar: há muitos profissionais competentes no serviço público, mas essa competência deles seria bem mais aproveitada na iniciativa privada.
    Abs.
  • Leandro  14/02/2011 19:55
    Meu caro André, perdoe-me, mas é impossível afirmar que "há muitos profissionais competentes no serviço público". Simplesmente não há padrões mensuráveis para se fazer tal afirmação.

    O setor público não opera sujeito aos mesmos mecanismos de lucros e prejuízos aos quais o setor privado está submetido. Não há como aferir a "eficiência" e a "competência" dos funcionários de um setor que não trabalha com restrições orçamentárias, que não está submetido à livre concorrência e que não é punido pelo sistema mercadológico de lucros e prejuízos. Simplesmente não há como mensurar objetivamente falhas no setor público.

    Sendo assim, qualquer afirmação acerca da "eficiência" ou da "competência" de funcionários do setor público passa a ser meramente subjetiva, pois o setor não segue nenhum critério estabelecido de mercado e não está sujeito às punições deste. Um setor que não está sujeito às punições de mercado não pode, por definição, ter seus funcionários classificados como "competentes" ou "incompetentes", "eficientes" ou "ineficientes". Simplesmente não dá pra saber.

    Grande abraço!
  • Augusto  14/02/2011 22:50
    Leandro,\r
    \r
    Nao se pode generalizar o exemplo que eu vou dar, mas eh sim possivel, dentro das limitacoes que voce mencionou, falar de competencia e eficiencia no setor publico.\r
    \r
    A empresa de petroleo do grupo EBX, por exemplo, conta com varios ex-funcionarios da Petrobras em seu quadro, desde os niveis tecnicos ate o nivel da alta administracao. As empresas privadas efetivamente assediam funcionarios e ex-funcionarios da Petrobras.\r
    \r
    Ora, as empresas seriam loucas de fazer isso se nao tivessem a menor ideia de quem eh ou quem nao eh competente.\r
    \r
    Puxando o argumento um pouco mais longe, se assumirmos ineficiencia generalizada nas empresas publicas, todas elas iriam rapidamente a falencia quando privatizadas. Nao eh o que se verifica.\r
    \r
    Podemos tambem fazer comparacoes entre municipios ou estados. Um estado que gasta 50 milhoes com policia e tem apenas 1 crime solucionado a cada mil cometidos eh mais eficiente que outro que gasta 70 milhoes para conseguir a mesma taxa. Obviamente, a comparacao eh limitada, porque nao sabemos se os crimes estao sendo corretamente solucionados ou se eh so uma fantasia.\r
    \r
    Estritamente falando, dou inteira razao a voce. Na pratica, eu gostaria mais de morar num estado que me entrega a carteira de identidade em 1 semana que noutro que leva 2 meses, mesmo que haja uma pequena diferenca de preco...\r
    \r
    Se o valor de algo eh subjetivo, como ensina a EA, entao se o cidadao acha que o servico prestado eh bom, eh sinal de que ha ali um funcionario publico que o executou de forma competente, do ponto de vista do cidadao. Ou nao?
  • Leandro  15/02/2011 05:45
    Prezado Augusto,

    Quando disse "funcionários públicos", tinha em mente aquelas pessoas que trabalham naqueles setores que operam sem qualquer concorrência de mercado, como judiciário, segurança, correios, ministério público, agências reguladoras, diplomacia, receita federal, previdência social etc.

    Para resumir: pessoas que trabalham em setores que não estão sujeitos a uma concorrência direta, que nunca terão de enfrentar riscos econômicos genuínos e que nunca terão de lidar com a possibilidade de prejuízos reais.

    A Petrobras não se encaixa no exemplo porque trabalha em ambiente de mercado mundial e lida sim com a possibilidade de prejuízos reais. Embora tenha um monopólio prático (mas não teórico) do mercado brasileiro, ela ainda assim pode ser comparada com empresas mundiais que operam no mesmo setor. Logo, na Petrobras, ainda é sim possível determinar eficiência e competência em bases de mercado.

    Já os Correios, por exemplo, podem ser comparados apenas com as empresas que entregam outros tipos de correspondências, como jornais, revistas e encomendas. Nesse quesito ele perde feio. Mas como tem o monopólio sobre todos os outros mercados, a garantia de aportes do Tesouro em caso de prejuízos e precificações sem critério, os funcionários dos Correios operam sem qualquer padrão de mensuração de competência e eficiência.

    Para os outros setores que eu citei ali na primeira estrofe, a coisa fica ainda mais explícita.

    Observe que no seu exemplo sobre polícias, toda a sua comparação e consequente veredito são baseados em subjetivismos economicamente insustentáveis. "Com um orçamento menor, uma dada polícia resolveu o mesmo tanto de crimes que outra mais rica". Porém, como saber se não seria possível ter um orçamento ainda menor e taxas de solução ainda maiores? Não dá pra saber isso sem preços de mercado. Não dá pra calcular.

    Por causa disso, no seu cenário, resta-lha apenas fazer comparações entre duas forças policiais que, em si, não possuem qualquer norte orçamentário. A polícia é um exemplo clássico de organização que opera sem qualquer critério mercadológico. Logo, nesse arranjo, é impossível determinar competência de modo objetivo e claro. Restam apenas comparações no escuro. É como ter um grupo de vários cegos e ter de escolher qual o mais adequado para dirigir um ônibus. Você pode até escolher o melhor cego do grupo, mas isso não significa que o ônibus estará melhor em suas mãos do que estaria nas mãos de um motorista experiente e sem problemas visuais.

    Poder decidir quem é o mais competente entre vários incompetentes não é prova de que há competência genuína ali.

    Grande abraço!
  • Augusto  15/02/2011 08:29
    perfeito, Leandro, esclarecedor como sempre!
  • mcmoraes  15/02/2011 10:00
    Interessante essa discussão. Não fiquei surpreso ao descobrir que as palavras "competência" e "competição" tem a mesma origem.

    [... ambas] vêm do Latim COMPETERE, formado por COM-, "junto", mais PETERE, "procurar, lutar", originalmente com o sentido de "vir junto, concordar, estar qualificado", o quel resultou em "competência". O sentido posterior, de "lutar junto por alguma coisa", trouxe o significado atual de "competição". (Fonte: Origem da Palavra)
  • Fernando Chiocca  15/02/2011 13:16
    Concordo. Mas pode haver mensuração objetiva de competência mesmo entre os funcionários monopolistas. Por exemplo, um funcionário do correio que atende 10 clientes em 5 minutos é mais competente na função de atendimento do que um que atende 1 cliente em 10 minutos. e este funcionário poderia ser contratado para trabalhar no atendimento de qualquer empresa privada e poderia ser mais competente que os outros funcionários dali.
    Mas isso realmente seria um outro tipo de competência/concorrência, e não a competência mercadológica.
  • André Ramos  15/02/2011 15:17
    Leandro, sou obrigado a concordar com você. A minha avaliação foi eminentemente subjetiva.
    Abs.
  • Augusto  15/02/2011 22:30
    Bem, hoje eu descobri que Böhn-Bawerk, um dos "fundadores" da Escola Austríaca, "was a civil servant working on income tax and currency reform. On three occasions he was Minister of Finance of Austria"...\r
    \r
    E eu sofrendo por antecipação com a possibilidade de passar num concurso e ser analista num tribunal ou técnico numa empresa estatal qualquer...
  • Getulio Malveira  12/02/2011 16:28
    "O acordo era o seguinte: a França construía seu império europeu e, em troca, dava o apoio que faltava para a reunificação das duas Alemanhas" - \r
    \r
    Faz muito sentido. Isso explica a intransiguência do presidente francês em defender o euro. Quanto a Alemanha, seria realmente surpreendende que um país em guerra (formalmente) e militarmente ocupado desde 1945 tivesse algum peso decisório quanto às polícas da Europa. Se depender da força polítca alemã a Europa continuará socialista por um bom tempo.\r
    \r
    O texto ficou ainda melhor com o adendo. Parabéns ao tradutor
  • Marcelo Werlang de Assis  12/02/2011 20:46
    Um cumprimento a todos!\r
    \r
    Vi que em abril haverá o Segundo Seminário da EA em Porto Alegre.\r
    \r
    Pretendo, dessa vez, dele participar.\r
    \r
    Eu gostaria de fazer uma pergunta: vocês venderão, nesse evento, livros do Mises e do Rothbard, além de outros autores comprometidos com a Liberdade? \r
    \r
    Eu adoraria comprar: "Human Action", "The Theory of Money and Credit", "Man, Economy, and the State", "For a New Liberty", "America's Great Depression" e "A History of Moneuy and Banking in the United States".\r
    \r
    Os palestrantes que vierem do LvMI bem que poderiam trazê-los...\r
    \r
    Abraços!\r
    \r
    \r
    \r
    \r
    \r
  • Augusto  12/02/2011 22:55
    puxa, dependendo das condições eu também gostaria de comprar. é algo a se pensar...
  • Augusto  13/02/2011 16:47
    Eu teria interesse em varios livros, vou ser mais especifico:\r
    \r
    Hazlitt - Economics in one lesson (US$12)\r
    Hoppe - Economic science and the austrian method (US$7)\r
    Hoppe - A theory of capitalism and socialism (US$15)\r
    Mises - Human Action Scholar's Edition (US$20)\r
    Rothbard - Man, Economy, and State Scholar's Edition(US$32)\r
    Schuettinger & Butler - Forty centuries of wage and price controls (US$10)\r
    Murphy - Human Action Study Guide (US$16)\r
    Murphy - Man, Economy, and State Study Guide (US$15)\r
    Murphy - Lessons for the young economist (US$22)\r
    Selgin - Praxeology and understanding (US$7)\r
    \r
    \r
    Total - US$156\r
    Conversao usando taxa 1:1,6 - R$250\r
    \r
    Se tivermos um bom desconto e taxa de entrega camarada ou gratuita, eu estou disposto.\r
    \r
    E eu quero dedicatorias do Murphy e do Hoppe em todos os livros se eles participarem...\r
    \r
    Se eu nao estiver pedindo muito, avise e eu entro em contato por email para acertar os detalhes ;-)
  • Marcelo Werlang de Assis  13/02/2011 23:25
    Bem, ninguém da equipe do IMB ainda se manifestou acerca do que escrevemos, Augusto.\r
    \r
    Aguardemos, pois, a resposta. Se esta não vier, inferir-se-á que não é viável tal venda de livros ou que não é do desejo dos organizadores realizar isso.\r
    \r
    Abraços libertários!\r
    \r
    LIBERTY IS ALWAYS FREEDOM FROM THE GOVERNMENT! \r
  • Leandro  14/02/2011 04:10
    Prezados, assim como ocorreu no Fórum do ano passado, temos sim a intenção de vender livros também no fórum deste ano.

    Apenas não podemos, antecipadamente, garantir que exatamente todos esses livros pedidos pelo Augusto (10 títulos) estarão à venda.

    Espero que compreendam.

    Abraços!
  • Fernando Chiocca  14/02/2011 11:14
    Alguns dos livros da lista do Augusto já estão disponíveis em português e estão à venda desde a semana passada. Acessem a Loja Virtual e lá tem um link que leva aos livros.
  • anônimo  14/02/2011 12:07
    Pegando carona na conversa de vocês: não consigo acessar no meu Firefox as páginas 2 e 3 da biblioteca do IMB. Algum bug?
  • Marcelo Werlang de Assis  14/02/2011 11:15
    Certo, Leandro!!!\r
    \r
    Entonces, haverá venda de livros, e isso muito me rejubila.\r
    \r
    O meu desejo é que sejam vendidos aqueles seis bastante famosos que mencionei, se possível no original em inglês.\r
    \r
    Eu baixo do site do LvMI vários desses livros ("Bureaucracy" é o meu preferido) e os imprimo caso o volume de páginas seja razoável. "Human Action" e "Man, Economy, and the State" são muito volumosos; portanto, é melhor comprar um exemplar deles do que imprimi-los.\r
    \r
    Grande abraço!!!\r
    \r
  • Augusto  14/02/2011 16:34
    Pois é, justamente. Eu também queria os livros na língua original. Quem sabe não rola um anúncio dos livros que estarão disponível durante o seminário (embora eu não possa comparecer, pois moro no Rio)?\r
    \r
    De qualquer modo, é bom saber que os livros estão disponíveis, em português, no Brasil.
  • Miguel A. E. Corgosinho  12/02/2011 22:07
    "Dentro desse ideal, o centro do Império deveria governar toda a periferia. Haveria uma legislação comum e centralizada."\r
    \r
    Que contradição: Governar toda periferia = Legislação comum e centralizada.\r
    \r
    Ao meu ver, a questão estratégica da legislação comum é a capacidade dos poderes da moeda única suprimir todas as outras edições que deverivam de duas moedas e de títulos públicos para assegurar uma fidedignidade centralizada.\r
    \r
    - A segunda frase é o que vai acontecer depois dos EUA perderem o império do padrão monetário internacional!\r
    \r
    Se livrar do império americano a UE ja conseguiu, ou seja, não depende de dever dólar (VACUO DA CIÊNCIA), em progressão desastrosa, entre os 27 países. \r
    \r
    - Posto que a legislação centralizada, em si, ainda tem o poder para deixar de fora o mercado financeiro - credor do sistema capitalista - não emitindo moeda alienada ao sistema padrão de valor (?); credita-se a união do Banco Central Europeu ser ele o próprio padrão monetário, lastreando o VALOR DE TRANSFERÊNCIA à moeda pelo crescimento do PIB.\r
    \r
    Como assim?\r
    \r
    Fica apenas como uma introdução à propriedade da natureza da moeda única, para preencher O VACUO DA CIÊNCIA, que a existência da riqueza gera um fenômeno externo ao proprio estado teórico de representação da sua produção, que chamarei doravante de VALOR DE TRANSFERÊNCIA INTERNA.\r
    \r
    Logo, em uma legislação centralizada para lastro monetário, basta a ciência apresentar o crescimento do PIB para gerar O VALOR DE TRANSFERENCIA INTERNA à moeda. \r
    \r
    Portanto, nenhum país precisará se endividar pela própria riqueza, em uma economia centralizada fora dele.
  • Miguel A. E. Corgosinho  13/02/2011 23:48
    Carlos Santos disse:\r
    \r
    "...conversas que tenho pela internet com pessoas de lá, a ideologia dominante é de longe o socialismo. Por isso sou sempre pessimista sobre as perspectivas de mais liberdade na Europa. Uma pena, pois maior liberdade por lá poderia significar maior liberdade por aqui já que a elite tupiniquim é muito influenciada (melhor seria dizer colonizada) pelos intellectuels."\r
    \r
    Será que é difícil compreender que a discussão da ideológia dominante na Europa é em relação a distribuição de renda, a favor de um sistema social e não pelo sistema capitalista sem pátria (teoria do imperialismo)? \r
    \r
    Por que mais liberdade por lá poderia significar maior liberdade por aqui?\r
    \r
    Precisamos deixar de lado o complexo de vira-latas... Em matéria de intelectualidade podemos ficar à frente deles na economia. Mas para um sistema social democráico tem que existir muitas pessoas interessadas em mudança, coisa que, pelas mentes daqui, a ideologia dominante vai longe com o imperialísmo. \r
    \r
    Claro, temos que culpar a incapacidade da economia de construir meios de produção científicos - o que obriga o estado a se apropriar da taxa de renda da riqueza, com o monopolio da violência, para pagar as contas, em primeiro lugar, para o mercado financeiro!\r
    \r
    "A História mostrou que Mises estava certo sobre a impossibilidade do calculo econômico em uma economia planejada e acho que até os socialistas aprenderam a lição..." \r
    \r
    Como a história não acabou podemos tentar destrinchar o enigma?\r
    \r
    Segundo a literatura econômica - "a taxa de lucro não pode ser determinada antes de conhecermos os preços" \r
    \r
    Ricardo afirmou que "a economia carecia de uma mercadoria que se pudesse saber, ao longo do tempo, sempre produzida com a mesma quantidade de trabalho" - estado teórico do padrão de valor.\r
    \r
    A lógica de que o custo do ouro e dólar se tornaram padrão de valor, a mercadoria recomendada por Ricardo antes conhecermos a taxa de lucro, se mostra incompatível para planejar a economia, pois, teoricamente, os preços anulam o calculo socialista; tendo em vista que a tal mercadoria não expressa a quantidade de trabalho produzida (produção, ao longo do tempo), ao substituir o princípio de valor da propriedade privada, por preço, e acrescentar taxa de juros.\r
    \r
    Então, Mises pode ter concluido que o calculo econômico não é possível ser repartido, porque o padrão de valor escolhido fica com o produto da taxa de lucro para fazer o resultado matemático da centralidade econômica. \r
    \r
    Os especuladores do dolár podem dizer: o valor está em poder do preço. Mas. por outro lado, o valor que se poderia calcular, com características do concreto, é conseguido por abstração\r
    \r
    Voltando a UE, por que o sistema centralizado não deu certo? porque seguiu o exemplo do comunismo - centralizado na moeda pública - que excluiu a proprieda privada do calculo do socialismo da produção. \r
    \r
    Ai sim, por preço e não abstração, deveríamos também não querer suportar a ligação do livre mercado (financeiro) ao Estado.\r
    \r
    Observe, porém, que atividades da propriedade privada, que derivassem da forma central de medir a produção, podem fundamentar a precedência natural de estruturação do VALOR DE TRANFERENCIA INTERNA e, por assim dizer, a moeda passaria a existir como perspectiva de repartição da taxa de renda - calculo do renovo interno da economia, montante de moeda real e socialismo da produção que, ao longo do tempo, se converte ao mundo exterior - e eles sempre produzem características comuns.
  • void  14/02/2011 16:20
    Eu finalmente entendi o Corgosinho. Ele é um discordianista, papa do caos. Ou ao menos a sua mente é caótica.
  • Miguel A. E. Corgosinho  15/02/2011 01:30
    void, não sei como agradecer... \r
    \r
    Vc me envoideceu!
  • Eudes  14/02/2011 20:59
    Já houve algum tempo em que a visão liberal-clássica defendida pelos liberais europeus de hoje, tal qual explanada no texto, foi realidade ?\r
    Por outro lado, a meu ver, a ideia de um megaestado europeu é puro delírio. Desde a queda do império romano, isso nunca aconteceu. Por que aconteceria agora? Caso se torne realidade, será efêmero. \r
  • Augusto  15/02/2011 13:50
    Leandro,\r
    \r
    Aproveitando este importante topico, voce teria alguma referencia direta ao tema do "interesse publico" na perspectiva liberal/libertaria?\r
    \r
    Parece-me claro que, adotando-se o metodo da praxeologia, nao podemos falar de "interesse publico" ou de "interesse coletivo", porque apenas individuos podem ter interesses.\r
    \r
    Por outro lado, muitos desses interesses individuais sao comuns a um grande numero de individuos. Por exemplo, a maioria das pessoas quer uma educacao que lhe permita conseguir bons empregos; a maioria das pessoas quer viver em areas livres de poluicao; a maioria das pessoas quer viver sem medo de assaltantes a cada esquina...\r
    \r
    Obviamente, os meios usados para realizar esses interesses podem variar enormemente: numa comunidade, ha um curriculo minimo a ser seguido; noutra, todas as escolas sao operadas pelo governo; numa terceira, nao ha qualquer regra universal... e assim por diante.\r
    \r
    Do mesmo modo, quando um grupo de pessoas vai ao cinema, todas tem um interesse comum, que eh assistir um determinado filme. Mas se esse filme agrada os gostos individuais de cada um, eh outra historia.\r
    \r
    No Brasil, a propria Constituicao coloca o "interesse publico" como finalidade do Estado. Mas o que eh, conceitualmente e na pratica, o interesse publico?
  • Emerson Luis, um Psicologo  25/09/2014 22:28

    A palavra "ideologia" tem um sentido pejorativo de racionalização para justificar o controle de uma classe dominante. Neste sentido, ao contrário do que Marx disse, o socialismo e o intervencionismo sim são uma ideologia e o liberalismo é uma filosofia de vida.

    * * *


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