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O problema com o sistema de metas de inflação


Alexandre Tombini, presidente do Banco Central e um dos criadores do sistema de metas de inflação
A política de determinar metas de inflação é mundialmente popular.  As autoridades monetárias acreditam que isso irá não apenas estabilizar a taxa de inflação, mas irá também ajudar a estabilizar a atividade econômica em torno de níveis sustentáveis.  Em suma, determinar metas de inflação poderia eliminar a ameaça dos ciclos econômicos.

O sistema de metas de inflação foi apenas o último dos grandes modismos em uma longa série história de políticas criadas pelos bancos centrais.  As autoridades monetárias acreditam que elas têm uma missão a cumprir — e, em uma economia de mercado genuinamente livre, isso não existiria —, e, consequentemente, não deveria ser surpresa alguma o fato de que elas vão tropeçando de erro em erro, e até mesmo reciclam erros antigos quando os novos resultam em retumbantes fracassos.

Ainda assim, a ideia de metas de inflação merece uma análise mais detalhada. 

De acordo com a teoria, uma redução na demanda geral por bens e serviços irá diminuir o produto total da economia [como ocorreu recentemente no Brasil em 2009].  Da mesma forma, como resultado do declínio da demanda geral por bens e serviços, a taxa de inflação irá cair abaixo da meta determinada pelo banco central. (As autoridades monetárias consideram essa meta como sendo consistente com a estabilidade de preços).

Com o intuito de manter a meta de inflação, o Banco Central irá afrouxar a política monetária — isto é, reduzir a taxa básica de juros, injetando mais dinheiro na economia.  Isso, por sua vez, irá estimular a demanda por bens e serviços.  Consequentemente, os produtores irão agir de acordo com esse aumento na demanda e elevarão a produção de bens e serviços — com isso, ocorrerá um aumento no produto total da economia.  Como resultado do aumento da demanda geral por bens e serviços, a queda na taxa de inflação também será revertida e voltará a subir para perto da meta estabelecida pelo banco central.

Observe que a política de se aderir à taxa de inflação não apenas estabilizou a taxa de inflação, mas também elevou a taxa de crescimento do produto geral, o qual é consistente com a estabilidade de preços — ao menos, é o que eles acreditam.

Quando a economia fica superaquecida [como a brasileira atualmente], e a taxa de inflação sobe para além da meta de inflação estabelecida [no Brasil, 4,5%], o banco central atua para "esfriar" a economia adotando uma política monetária mais rígida — isto é, reduzindo as injeções monetárias na economia, o que eleva os juros.  Isso, consequentemente, reduz a demanda por bens e serviços e deixa a demanda geral mais de acordo com o potencial de produção da economia (o chamado "produto potencial", ou "PIB natural").  Como resultado de tudo isso, a taxa de inflação volta a cair para perto da meta estabelecida pelo banco central.

Novamente, a política de se manter a taxa de inflação em linha com a meta de inflação estabelecida leva a uma estabilidade de preços e a uma taxa de crescimento do produto que é consistente com a estabilidade de preços.

Essa é, em resumo, a teoria por trás da adoção do sistema de metas de inflação.

Tal raciocínio foi primorosamente resumido por Frederic Mishkin, um dos funcionários do alto escalão do Banco Central americano, em abril de 2007:

Para ver melhor como esse processo funcionaria, considere um choque negativo na demanda agregada (tal como um declínio na confiança do consumidor) que faça com que as famílias passem a cortar gastos.  Essa queda na demanda, por sua vez, irá levar a um declínio no produto da economia em relação ao seu potencial, isto é, o nível de produção que a economia pode produzir em um nível máximo e sustentável de emprego.  Como resultado, a inflação futura cairá para níveis menores do que aqueles consistentes com a estabilidade de preços, e o banco central irá então adotar um política monetária expansionista para evitar que a inflação caia.

A política expansionista irá então resultar em um aumento na demanda que irá elevar novamente o produto, fazendo-o voltar para o nível de produto potencial, retornando a inflação a um nível consistente com a estabilidade de preços.  Por exemplo, durante a última recessão americana [2001—2003], o Federal Reserve reduziu a taxa básica de juros em 5,5 pontos percentuais [de 6,5 para 1%], e esse estímulo não apenas contribuiu para a recuperação econômica, mas também ajudou a evitar um indesejável declínio adicional na inflação [e foi exatamente essa política que aditivou a bolha imobiliária americana].  Em outros casos, a adoção de uma política monetária mais restritiva torna-se necessária para impedir um "superaquecimento" da atividade econômica, desta forma evitando um ciclo de expansão e recessão no nível do emprego bem como uma indesejável aceleração da inflação.

Vamos examinar a lógica dessa abordagem.  Pode o banco central elevar o produto geral da economia estimulando a demanda por bens e serviços por meio de injeções monetárias e consequentes reduções nas taxas de juros?

Ao se pensar desta maneira, a demanda parece ser o fator limitador.  Mas será isso verdade?  A verdade é que nunca há um problema de demanda por bens.  O problema é como pagar por vários bens e serviços que os indivíduos desejam ter.  Por exemplo, um indivíduo pode ter uma demanda por uma Mercedes 600; os meios à sua disposição, entretanto, permitem que ele adquira apenas uma bicicleta.  Assim, como pode uma política monetária mais frouxa aumentar a capacidade das pessoas de comprar bens e serviços?

Capital e dinheiro: qual a diferença?

Peguemos, por exemplo, um padeiro, João, que produziu dez pães.  Ele consome dois pães e utiliza o resto para trocar por outros bens de consumo, como vegetais e frutas.  Observe que João compra as frutas e vegetais utilizando os oito pães que ele produziu e poupou.  Da mesma forma, as frutas e vegetais poupados pelos agricultores permitiram a eles fazer suas compras de pães.

Nesse exemplo, os meios de financiamento — ou o conjunto da poupança real — são formados por pães, frutas e vegetais, ou seja, bens de consumo que foram poupados (não consumidos) e que, por isso, foram utilizados em trocas que auxiliaram a vida e promoveram o bem-estar das pessoas.  (Observe que a contribuição do padeiro para o conjunto da poupança real é de oito pães, isto é, dez pães produzidos menos dois que o próprio padeiro consumiu para sua sobrevivência).

O que permite a expansão do conjunto da poupança real é um aumento na quantidade e a melhora na qualidade das várias máquinas e ferramentas utilizadas para produzir mais bens.  Com uma maior quantidade de máquinas e ferramentas de melhor qualidade, quantias maiores e variedades mais amplas de bens de consumo final podem ser produzidas — o que gera um aumento no padrão de vida das pessoas.

A fatia do conjunto da poupança real que os indivíduos estão direcionando para a fabricação de ferramentas e maquinários é a força-motriz essencial para a expansão da riqueza.  Se os indivíduos decidissem alocar toda a sua poupança real para a produção de bens de consumo final, então nós não teríamos o aumento no estoque de máquinas e ferramentas.  Consequentemente, não seria possível aumentar a poupança real.

Por exemplo, ao invés de trocar os oito pães por vegetais e frutas, o padeiro pode decidir aperfeiçoar seu forno contratando os serviços de um técnico.  Em outras palavras, ao invés de utilizar os pães que produziu para adquirir outros bens de consumo, o padeiro irá utilizá-los para investir no aprimoramento do seu forno (ou seja, irá utilizar os pães para pagar pela mão-de-obra do técnico), medida essa que ele espera irá elevar sua produção diária de pães.

O técnico, como dito, será pago pelos oito pães.  Seus serviços irão permitir que ele adquira o bem de consumo final — pão, o qual irá sustentar o técnico e aumentar seu bem-estar.

Com um forno aprimorado, João pode agora produzir vinte pães.  Isso — assumindo-se que ele ainda consome somente dois pães — permitirá que ele agora poupe dezoito pães, os quais poderão ser utilizados para adquirir uma maior variedade de outros bens de consumo.  Com esses pães adicionais, João também poderá fazer outro investimento e, com isso, aumentar ainda mais seu padrão de vida.

(Incidentalmente, quando o padeiro utiliza seus pães para pagar por bens de consumo final, ele está com efeito financiando a produção de bens de consumo final.  Assim, os pães que os agricultores de frutas e vegetais estão adquirindo do padeiro são utilizados para sustentar suas atividades, pois agora esses agricultores podem utilizar esses pães para adquirir outros bens de consumo final enquanto eles continuam sua produção de frutas e vegetais.)

A introdução do dinheiro não altera a essência do que foi dito até agora — a saber, que o que financia a demanda por bens e serviços são os outros bens de consumo final que foram poupados.  Indivíduos pagam por vários bens e serviços utilizando bens de consumo final e serviços.

Quando um padeiro troca seus oito pães por $8 e em seguida troca esses $8 por frutas e vegetais, isso não significa que ele pagou pelas frutas e vegetais com dinheiro.  O padeiro paga pelas frutas e vegetais com os pães que ele poupou.  O dinheiro é utilizado aqui apenas para facilitar a transação — para tornar possível a troca indireta de pães por frutas e vegetais.

Sendo assim, pode a expansão da oferta monetária gerar uma maior produção de bens de consumo final?  No mínimo, a redução dos juros e o consequente aumento da quantidade de dinheiro irão piorar as coisas.  Por exemplo, os ganhadores desse novo dinheiro poderão agora se apropriar de bens de consumo final sem terem produzido nada em troca.  Consequentemente, ao desviarem para si esses bens de consumo final sem terem produzido nada em troca, os portadores desse novo dinheiro farão com que haja menos pães, frutas e vegetais para o padeiro e para outros produtores, restringindo desta forma a capacidade destes de gerar riqueza.

Em resumo, a expansão da oferta monetária gera uma troca de alguma coisa (bens de consumo final) por nada (papel criado sem uma concomitante produção) — e isso gera empobrecimento econômico.  Portanto, se uma política monetária expansionista não pode gerar crescimento econômico, como explicar o fato de que, na maioria das vezes, reduções de juros e consequentes expansões monetárias produzem crescimento econômico?

Antes de tudo, vale lembrar que o crescimento econômico é mensurado em termos de PIB, o qual calcula apenas transações monetárias.  Isso significa que quanto mais dinheiro for jogado na economia, maior será o PIB nominal e, consequentemente, maior será o alegado crescimento econômico.

Mesmo se aceitássemos que um aumento no PIB significasse um aumento no crescimento econômico real, o que tudo isso tem a ver com as políticas do banco central?  Como vimos, o que gera crescimento econômico real é um crescimento no conjunto da poupança real.  Riqueza não pode ser criada por meio de afrouxamentos na política monetária.  Se fosse fácil assim, a pobreza mundial já teria sido eliminada há muito tempo. (Quem quiser ver um bom exemplo prático de como uma política monetária expansionista cria pobreza, basta olhar a economia do Zimbábue.)

O que uma política monetária expansionista pode produzir durante uma recessão é um estímulo artificial, o qual dará suporte a várias atividades que são na realidade consumidoras de riqueza — no exemplo acima, as pessoas que adquiriram o dinheiro recém-criado a saíram comprando pães, frutas e vegetais.  Essas atividades consumidoras de riqueza, por sua vez, diluem o conjunto da poupança real, enfraquecendo assim as possibilidades de um crescimento econômico real e sustentável.

Enquanto o conjunto da poupança real estiver se expandindo, a expansão monetária pode gerar a ilusão de que o banco central pode fazer a economia crescer [foi isso que aparentemente ocorreu no Brasil em 2010].  Porém, tão logo o conjunto da poupança real se estagnar ou começar a encolher, essa ilusão será destruída e a realidade irá se impor [que é o que já está começando a acontecer agora, com inflação em alta].

Nos EUA, em decorrência de uma política monetária excessivamente frouxa nos últimos anos, suspeita-se que o conjunto da poupança real esteja em forte contração, o que explica a situação desanimadora da economia americana.

Em uma economia de livre mercado, na qual ninguém imprime dinheiro e cada indivíduo tem de produzir antes de consumir, não é possível haver superaquecimento da economia.  Para que haja superaquecimento, alguns indivíduos precisam receber dinheiro em troca de nada — como, por exemplo, quando o banco central cria dinheiro e o injeta na economia via sistema bancário — e então trocar esse dinheiro por bens e serviços.  Isso gera um aumento na demanda que não é acompanhado por um aumento na produção.  Aí ocorre o superaquecimento da economia, o qual assume a forma de um aumento generalizado nos preços.

Em decorrência dessa expansão monetária, várias atividades consumidoras de riqueza surgem em seu rastro.  Assim, se o banco central apertar sua política monetária a fim de impedir o superaquecimento, essas atividades entrarão em colapso.  Observe que o que gerou a base para o colapso dessas atividades foi a própria política monetária frouxa que o banco central havia implementado anteriormente com o intuito de estimular a economia e impedir que o nível de preços ficasse abaixo da meta.

Resumo e conclusão

Para recapitular: uma política monetária expansionista que eleva a taxa de inflação para perto da meta estipulada pelo banco central gera várias formas artificiais de atividades econômicas — dá-se início a um boom econômico.  À medida que o tempo passa, isso resulta no chamado superaquecimento econômico.

Quando o banco central reduz a expansão monetária com o intuito de "esfriar" a economia para trazer a taxa de inflação para perto da meta, tal medida começa a solapar aquelas várias formas artificiais de atividades econômicas — começa aí a fase da contração econômica, ou recessão.

Podemos, portanto, concluir que, ao contrário do que dizem os defensores da política de metas de inflação, criar uma meta inflacionária e aderir-se a ela irá apenas desestabilizar a economia e piorar ainda mais as coisas.


autor

Frank Shostak
é um scholar adjunto do Mises Institute e um colaborador frequente do Mises.org.  Sua empresa de consultoria, a Applied Austrian School Economics, fornece análises e relatórios detalhados sobre mercados financeiros e as economias globais.


  • Cristiano  09/02/2011 13:03
    Penso que no caso brasileiro, com a inflação de 6% anunciada, será mais fácil afrouxar a meta do que cumpri-la.
  • Getulio Malveira  09/02/2011 15:06
    Ou podemos seguir a brilhante sugestão do ministro Mantega e retirar alimentos e combustíveis do cálculo da inflação: aí tudo se resolve!
  • Carlos Santos  10/02/2011 10:57
    Eh... afinal de contas alimentos e combustíveis são bens supérfluos consumidos apenas por uma pequena elite.
  • RENATO BARBOSA DA SILVA RAMOS  03/03/2011 11:54
    HONRADOS E ESTIMADOS AMIGOS LIBERAIS,\r
    \r
    Há alguns anos atrás enviei ao EXMº Presidente do BC ,DR.ARMÍNIO FRAGA NETO,uma correspondência de 27 páginas vendendo à ele a idéia da Desestatização do Dinheiro e da moeda competitiva.(IDÉIA DESENVOLVIDA POR FRIEDRICH AUGUST VON HAYEK)\r
    Por ordem dele ,o DR.ALTAMIR LOPES me respondeu que eles estavam comprometidos com a FALACIOSA proposta de metas,mas me parabenizou pela iniciativa e preocupação com relação à assuntos tão relevantes.\r
    O problema é que a tal proposta de metas NÃO COMBATE A RAÍZ DO PROBLEMA,NÃO IMPÕE AO SISTEMA POLÍTICO UMA VERDADEIRA AUSTERIDADE FISCAL E MONETÁRIA,porque na verdade NÃO INTERESSA AO SISTEMA.\r
    Como a sociedade está muito aquém dos assuntos econômicos(e digo as pessoas que se dizem bem formadas),O SISTEMA DE METAS É MAIS UMA ARMA DE MANIPULAÇÃO POLÍTICA,PARA A MANUTENÇÃO DO STATUS-QUO E DO PODER.\r
    O objetivo é sangrar a sociedade com mais e mais impostos para bancar a orgia política que TEM A FINALIDADE DE LEZAR A PÁTRIA.\r
    Para a famigerada classe política,o negócio é meter a mão no bolso do contribuinte,extorquindo-o à ponto de confiscar seus preciosos bens,através de uma política econômica intervencionista centralizadora (MACROECONOMIA-DIRIGISMO ESTATAL),no objetivo de transferir os bens dos indivíduos e da sociedade de forma fraudulenta em nome do estado leviatã.(MEIRA PENNA).\r
    Como disse o JUIZ JONH MARSHALL DA SUPREMA CÔRTE AMERICANA DE JUSTIÇA(QUE A PRESIDIU POR 35 ANOS):"...OS OBJETIVOS FISCAIS E NÃO FISCAIS DA TRIBUTAÇÃO É ESSENCIAL ÀS BENÇÃOS DA LIBERDADE.O PODER DE TRIBUTAR RESIDE NO PODER DE DESTRUIR...".\r
    Na verdade todos eles são uns verdadiros cínicos e dissimulados.Eles se aproveitam da má formação da sociedade brasileira para nos engalbelar constantemente e extorquir a nação brasileira.\r
    MAS ESPEREM,O PROBLEMA É MUNDIAL!ESTAMOS NUMA MERDA SEM FIM!\r
    COM OS MEUS MELHORES CUMPRIMENTOS,\r
    RENATO RAMOS\r
    SAUDAÇÕES LIBERTÁRIAS! \r
  • anônimo  09/02/2011 17:36
    "...com a inflação de 6% anunciada..."

    É sabido que todo mês de janeiro temos um monte de coisas corrigindo o acumulado da inflação de 2010. Mas ai vem os agentes do mercado financeiro anunciando inflação pra pressionar o BACEN ao aumento de juros...

    Eta raça.
  • Leandro  10/02/2011 11:13
    Não é apenas a inflação de janeiro que assusta, anônimo. É toda a inflação acumulado nos últimos 12 meses. O INPC, por exemplo, que mede o custo de vida para famílias com renda de 1 até 6 salários mínimos, aumentou 6,53%, que é um escândalo.

    Portanto, não se trata de "maquinações" do mercado financeiro para "pressionar o BACEN ao aumento de juros" -- mesmo porque, via de regra, o mercado financeiro ganha mais com juros baixos do que com juros altos.
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  09/02/2011 18:16
    Artigo altamente elucidativo, que usando apenas a boa e velha lógica, põe por terra os grandemente sofisticados e matematizados modelos de metas da inflação.
  • Erick Skrabe  10/02/2011 13:16
    Eu acho q um dos problemas - talvez o principal - desse sistema são as pontas:
    - onde o crescimento é medido
    - onde a inflação é medida
    Teoricamente se os 2 fossem medidos do mesmo jeito, o risco de uma bolha seria menor.

    Mas obviamente o crecimento é sempre medido onde a nova grana entra (por ex: imóvies e acções) e a inflação é medida lá longe, nos alimentos e final da cadeia. Ok, existem índices e índices, mas essa lógica se mantém.

    Então mesmo q a grana impressão ñ fosse causar distorções, passando informações erradas aos agentes (por exemplo: q há um mercado infinito de compradores de imóveis) é impossível fazer o fine tuning de como o mercado anda.

    Há casos clássicos de inflação. Um q eu gosto é o do Sr. Salvador Allende, um simpático senhor q saiu por aí imprimindo dinheiro e realmente todo mundo ficou muito feliz, inclusive porque as casas e empresas estavam se "valorizando". Mas despois de 1 ano e alguns meses (!) algo estranho começou a acontecer: os preços dos alimentos começaram a subir.

    Ou o caso argentino onde os caras simpelesmente tiravam do cáculo de inflação as coisas q subiam demais.

    Fora os casos como EUA onde os caras exportam inflação.

    Se vc pensa 5 minutos vc se pergunta "porque não ? poderíamso criar um modelo matemático", mas se vc pensa 5 horas... aí descobre porque não... o delay dos modelos sempre vai ser muito grande.
  • Miguel A. E. Corgosinho  10/02/2011 13:24
    "- como, por exemplo, quando o banco central cria dinheiro e o injeta na economia via sistema bancário - e então trocar esse dinheiro por bens e serviços. Isso gera um aumento na demanda que não é acompanhado por um aumento na produção."

    Esse se torna o problema da emancipação política com a emancipação humana: Durante tempo bastante convertemos a superstição em história!

    Por que o BACEN cria dinheiro que não é acompanhado (valorizado) por um aumento na produção?

    Ora, o direito a liberdade não está na escrita de dívidas de títulos públicos, por sombra de dividas com o sistema bancário, independente da aplicação que constitui a base da sociedade civil - a propósito de um centro dos parasitas da produção.

    Como é que se pode confiar num órgão que dá aos banqueiros e depois reprime a quem produz, causando prejuízos enormes aos investimentos realizados em infra-estrutura?

    Interessa a troca de consumo por aumento de juros!

    Não fosse por isso, uma medida central da produção tem capacidade de erradicar a meta de inflação (lepra) que faz da economia um banquete (ironia que retrata a palavra banco sintetizando a produção).

    É possível uma formula inter-simultânea, de medir as relações da produção, fixaria a formula reflexiva do movimento padrão, mas ele estaria interditada de reger o sistema idêntico a fonte regular da matemática, por causa da cena internacional dos proventos do preço do dinheiro, em si, como fundamento vinculado a ciência econômica.

    Pressupostos da emancipação:

    Não haveria contaminação monetária.
    não haveria divida pública.
    Não haveria descompasso da propriedade privada.

    Simples rejeição negligenciaria os agentes irreais.

    Interessante que o livre mercado, pode sofrer intervencionísmo de limitações do BACEN; e parte da propriedade privada ser paralisada pela desconstruçâo monetária. Mas como o preço do dinheiro começa com a transferência do valor da produção para anarquia privada (a maior que existe), não há quem defenda a teoria de libertação deste estado problema da sociedade.
  • Diogo Siqueira  10/02/2011 17:45
    Concordo com o Lívio. O artigo é bastante esclarecedor. E já está circulando na minha lista de contatos. (O problema é as pessoas lerem mais de 3 parágrafos neste país...)
  • Rhyan Fortuna  11/02/2011 08:29
    Que coisa, o governo fica que nem besta tentando equilibrar a economia.

    Alias, o que é equilíbrio econômico para um keynesiano?

    Outra coisa: Por quê a hiperinflação ainda não chegou nos EUA?
  • Leandro  11/02/2011 08:50
    Rhyan, o gráfico no link abaixo explica a ausência de hiperinflação (embora os preços de ativos e de commodities continue em alta crescente):

    bit.ly/fkUF2W

    A linha laranja mostra o tanto de dinheiro que o Fed injetou no sistema bancário (as reservas bancárias). E a linha azul mostra o tanto de dinheiro que os bancos voluntariamente estão deixando depositado no Fed (as reservas em excesso).

    Via de regra, os bancos não precisam deixar a quantia em azul depositada no Fed. Eles poderiam muito bem estar emprestando esse dinheiro. Mas como o Fed inventou uma política que paga juros sobre esses depósitos voluntários, e como as perspectivas econômicas estão desanimadoras, os bancos preferem deixar toda essa dinheirama parada no Fed, ao invés de se arriscarem fazendo empréstimos.

    Se eles emprestassem o que podem, viraria Zimbábue. Mas, obviamente, nem o sistema bancário não quer isso. Eles só teriam a perder com tal política temerária.

    Grande abraço!
  • Rhyan Fortuna  11/02/2011 09:13
    Entendi perfeitamente, obrigado!

    Abraço!
  • rafael  13/02/2011 03:11
    Então os pacotes de estímulos nos EUA ñ estão servindo pra nada? Pq se fala tanto neles entao? E pra q lançaram o QE2?
  • Angelo T.  13/02/2011 13:41
    Rafael, os pacotes de estímulos são como o bêbado que continua tomando para evitar a ressaca. E quanto mais se adia a ressaca, maior ela será.\r
    Esses pacotes são falados porque é o que está sendo feito no momento. São medidas que os economistas keynesianos acreditam estarem corretas.\r
    O QE2 é mais uma garrafa de tequila para o bêbado tentar evitar a ressaca.\r
    \r
    Sugiro que faça um tour pelo site, tem vários artigos interessantíssmos que explica bem o assunto.
  • rafael  16/02/2011 18:11
    Sim, mas se o dinheiro não é emprestado e ñ entra na economia ñ causa efeito nenhum, é o mesmo que ñ haver estímulo algum, ñ é?
  • Leandro  16/02/2011 18:34
    Correto, embora parte dele tenha sim entrado na economia.

    Quanto ao restante que permanece depositado voluntariamente junto ao Fed, por ora tal dinheiro é inócuo. O problema, no entanto, será o que fazer quando os bancos começarem a emprestar esse dinheiro.
  • Angelo T.  16/02/2011 18:48
    Será que há alguma chance dos dólares usados como reserva por vários países começarem a voltar para os EUA num futuro próximo?\r
    Vejo os empresários chineses utilizando dólares para comprar imóveis e empresas nos EUA, mas os dólares dos governos parecem parados.
  • Rhyan Fortuna  14/02/2011 01:21
    Estão servindo para piorar tudo...
  • Ricardo  11/02/2011 12:56
    arenaturbo.ig.com.br/materias/521501-522000/521776/521776_1.html

    Hiperinflação no jogo por causa de entrada de dinheiro falso criado por hackers.

    Me lembrei do BC...
  • Zeh  01/03/2011 19:23
    Uma dúvida:
    Se o PIB nada mais é do que efeito da inflação, já que considera os gastos do governo mais a produção menos as importações, porque no caso do Zimbabue ou do Brasil da década de 80 e começo de 90 os números do PIB não mostraram PIBs crescendo a taxas de milhares ou milhões percentuais ao ano?
  • Leandro  01/03/2011 19:43
    Zeh, o PIB nominal brasileiro da década de 1980 crescia assustadoramente, mas como a inflação de preços também era alta, o deflator fazia com que o PIB real fosse moderado.

    Entretanto, se você olhar os números, verá que os PIBs reais da década de 1980 eram, no mínimo, bastante bons.

    Eis os valores dos PIBs nominais desde 1980, em reais de 2009.

    1980 -- 4,55
    1981 -- 8,73
    1982 -- 17,70
    1983 -- 39,78
    1984 -- 126,50
    1985 -- 475,53
    1986 -- 1.273,68
    1987 -- 4.037,81
    1988 -- 29.375,63
    1989 -- 425.595,31
    1990 -- 11.548.794,55
    1991 -- 60.285.999,27
    1992 -- 640.958.767,64
    1993 -- 14.097.114.181,82
    1994 -- 349.204.679.181,00
    1995 -- 705.640.892.091,87
    1996 -- 843.965.631.318,90
    1997 -- 939.146.616.911,84
    1998 -- 979.275.748.883,34
    1999 -- 1.064.999.711.799,09
    2000 -- 1.179.481.999.000,00
    2001 -- 1.302.135.996.000,00
    2002 -- 1.477.822.001.000,00
    2003 -- 1.699.947.997.000,00
    2004 -- 1.941.498.001.000,00
    2005 -- 2.147.239.003.000,00
    2006 -- 2.369.484.002.000,00
    2007 -- 2.661.343.997.000,00
    2008 -- 3.031.863.997.000,00
    2009 -- 3.185.125.369.000,00

    Observe que os valores crescem ano após ano, explosivamente. 1982, 1983, 1989, 1990, 1992 e 2009, embora tenham sido anos de recessão, apresentam crescimento alto em relação ao ano anterior. Nada a se estranhar.

    O que quer dizer isso tudo?

    Dado que a equação do PIB nada mais é do que uma mensuração de gastos (e não de produção, como muita gente acha), se você fizer uma política monetária de relativa expansão monetária (o que permite um volume maior de gastos), porém ao mesmo tempo tiver uma inflação de preços relativamente pequena, seu PIB real poderá ser expressivo.

    E você de fato pode conseguir isso durante 1 ou 2 anos (que foi o que aconteceu em 2007-2008.

    No fundo, a mensuração do PIB é uma burla que pode ser facilmente aditivada por uma política monetária expansiva em um ambiente de produtividade alta (o que camufla a inflação). Maior quantidade de dinheiro gera maior volume de gastos. Se os preços não aumentarem muito, você terá um PIB real bonito.

    Em minha opinião, foi isso que aconteceu também em 2010.

    Abraços!
  • Emerson Luis, um Psicologo  25/09/2014 22:21

    O governo ter metas de inflação seria como um médico manter um paciente 5% doente para estimular o sistema imunológico.

    * * *
  • Murdoch  02/12/2016 16:25
    kkkk perfeita colocação Emerson
  • Murdoch  02/12/2016 16:29
    Deixe-me ver se eu entendi:

    Os keynesianos acham que o problema de demanda agregada está na capacidade de consumo que está ociosa e por isso eles defendem a efetiva expansão monetária para estimular o consumo? Se for isso, esses economistas estão pirados.

    Já os austríacos acham que o problema de demanda agregada é na produção que está ociosa?

    Abraço
  • Leandro  02/12/2016 18:23
    Correto quanto aos keynesianos. Errado quanto aos austríacos.

    Em uma recessão, o problema não é a demanda agregada. Nunca foi. O problema é de destruição de capital.

    A recessão nada mais é que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

    A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

    Investiu-se em vários projetos para o qual não havia demanda. Capital foi alocado em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, houve destruição de capital e de riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

    O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza. Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.

    O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O capitalista que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que agora muito provavelmente está endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro capitalista que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

    Este outro capitalista -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.

    Artigo inteiro sobre isso, voltado para a realidade brasileira:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532
  • Murdoch  02/12/2016 20:34
    Perfeito, mas surgiram outras questões.

    Os keynesianos acham que toda recessão é de demanda agregada?

    Em macroeconomia, demanda agregada é a demanda total de bens e serviços numa dada economia para um determinado momento e nível dos preços. É o total de bens e serviços na economia que será adquirido a todos os níveis de preços possíveis.
    Por essa simples definição, não se encaixaria no que você acabou de escreveu.

    A demanda agregada não estaria presenta na crise de 2008? Por esses investimentos errados no setor imobiliário pela expansão da oferta monetária gerando assim uma demanda para um determinado momento e nível de preços.

  • Leandro  02/12/2016 23:29
    "Os keynesianos acham que toda recessão é de demanda agregada?"

    Pode até haver alguns que não pensem assim. Se existem, estão bem escondidos.

    "Em macroeconomia, demanda agregada é a demanda total de bens e serviços numa dada economia para um determinado momento e nível dos preços. É o total de bens e serviços na economia que será adquirido a todos os níveis de preços possíveis.
    Por essa simples definição, não se encaixaria no que você acabou de escreveu."


    Não entendi.

    Eu nada descrevi sobre demanda agregada ou sobre teoria keynesiana. Descrevi, isso sim, a explicação austríaca para recessões (capital empregado erroneamente) e disse por que pacotes de estímulos (mais crédito e mais aumentos de gastos) não apenas não corrigem recessões, como as pioram.

    "A demanda agregada não estaria presenta na crise de 2008?"

    Não. Foi um caso clássico de mau investimento. Explicado em detalhes neste artigo.

    "Por esses investimentos errados no setor imobiliário pela expansão da oferta monetária gerando assim uma demanda para um determinado momento e nível de preços."

    Não entendi.

    Se você está querendo dizer que uma nova rodada de crédito farto e barato reestimularia a economia, então você não entendeu a explicação que foi dada. Pessoas e empresas já estavam extremamente endividadas e houve a construção de várias casas para as quais não realmente havia demanda, pois foram compradas apenas para ser revendidas a preços maiores (só que não havia para quem vender; isso foi bem ilustrado no filme A Grande Aposta).

    Estimular esse cenário iria apenas intensificar a destruição de capital.
  • Murdoch  03/12/2016 00:45
    Ficou mal explicado meu raciocínio.
    Uma pergunta direta: Esses investimentos errados e a especulação nos ativos imobiliários não seria uma demanda agregada?
    Acho que assim fica mais fácil de compreender.

    E vocês vão falar sobre isso Itália pode mesmo sair do euro?

    Abraço
  • CORSARIO90  27/06/2015 13:00
    LEANDRO, estou lendo todos os artigos sobre a Inflação do IMB (ordem crescente). Realmente faço a feliz constatação que a realidade atual está sendo provada (infelizmente com duplo sentido) pela excelente exposição teórica anterior com bases em fatos históricos!
    Não sou economista, mas depois de várias leituras aqui no site e nos comentários, percebo que o ganho cultural para minha pessoa foi enorme!!
    No almoço do meu trabalho comprovei como Keynes está tão enraizado na nossa economia. Meu amigo deixou comida no prato. Outro deu uma sacaneada pelo desperdício. A resposta dele: deixando no prato favorece a produção pois os gastos e o desperdício estimulam a produção!!
    Que fiquei mais feliz foi pq eu fui chamado para contra-argumentar contra gastos desnecessários e a favor da poupança real.
    Valeu e continue escrevendo para nos estimular!!
    ABS


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