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Por que não podíamos abolir a escravidão ontem e não podemos abolir o governo hoje

A escravidão existiu por milhares de anos, em todos os tipos de sociedade e em todas as partes do mundo.  Imaginar como seria a vida social dos homens sem a escravidão era algo que exigia um esforço extraordinário.  Entretanto, de tempos em tempos, sempre surgiam alguns excêntricos que se opunham a ela, a maioria argumentando que a escravidão era uma monstruosidade moral e que, portanto, as pessoas deveriam aboli-la.  Tais pessoas geralmente provocavam diversas reações, que iam desde a galhofa educada até o escárnio ríspido, chegando até mesmo a agressões violentas.

Quando alguém se dava ao trabalho de fornecer alguns argumentos contra a abolição, várias ideias eram defendidas.  Na primeira coluna da tabela abaixo, listo dez dessas ideias que descobri ao longo de minhas pesquisas sobre o assunto.  Em um dado momento da história, incontáveis pessoas recorreram com naturalidade a uma ou mais das razões abaixo expostas para fundamentar sua oposição à abolição da escravidão. 

Entretanto, quando se analisa em retrospecto, esses argumentos nos parecem extremamente prosaicos — parecem mais racionalizações (ato de se inventar possíveis razões para uma ação, razões essas que não se baseiam nas razões verdadeiras) do que argumentações lógicas.

Hoje, para praticamente qualquer pessoa, esses argumentos parecem ser, senão completamente enganosos, na melhor das hipóteses questionáveis ou não convincentes.  Atualmente, ninguém desenterra essas ideias — ou o corolário delas — para defender alguma proposta de se restabelecer a escravidão.  Embora vestígios de escravidão ainda existam no norte da África e em alguns outros poucos lugares, a ideia de que a escravidão é uma instituição social defensável está extinta.  Razões que há até pouco tempo pareciam fornecer fundamentos irrefutáveis para se opor à abolição da escravidão, hoje não provocam absolutamente nenhum impacto intelectual.

É estranho, entretanto, que essas mesmas e retrógradas ideias uma vez utilizadas para justificar a oposição à abolição da escravidão sejam hoje rotineiramente utilizadas para justificar a oposição à abolição do governo (como o conhecemos).  Anarquistas libertários ousados o bastante para já terem defendido sua proposta de abolir o estado certamente já terão lidado com muitos dos, senão todos, argumentos utilizados por séculos para dar sustento à escravidão.  Assim, fazemos uma lista paralela, como mostrada na segunda coluna da tabela.

Na tabela, minha constante repetição da enfadonha expressão "governo (como o conhecemos)" pode parecer esquisita, ou até mesmo irritante, mas optei por tributar a paciência do leitor dessa forma por um motivo.  Quando o cidadão comum encontra um defensor do anarquismo, sua imediata reação é identificar uma lista de funções críticas do governo — preservação da ordem social, manutenção de um sistema legal para se resolver contendas e lidar com criminosos, proteção contra agressores estrangeiros, fiscalização e aplicação dos direitos de propriedade, defesa dos fracos e indefesos, produção e manutenção da infraestrutura econômica, e por aí vai.  Essa reação, entretanto, atira no alvo errado.

Anarquistas libertários não negam que tais funções sociais devam ser mantidas para o funcionamento exitoso de uma sociedade.  Entretanto, o que eles realmente negam é que necessitemos de um governo (como o conhecemos) para executá-las.  Anarquistas libertários preferem que essas funções sejam executadas por provedores privados com os quais os beneficiários tenham concordado em lidar.  Quando escrevo sobre o governo "como o conhecemos", estou me referindo à forma de governo monopolista e não consentida pelo indivíduo, forma essa que existe hoje em praticamente todos os lugares da terra.

Os leitores podem contestar dizendo que pelo menos algumas das formas existentes de governo de fato têm o consentimento das pessoas.  Mas eu pergunto: onde está a evidência?  Mostrem os contratos adequadamente assinados, com testemunhas e tudo.  A menos que todos os adultos que hoje estão submetidos a essa autoridade reivindicada pelo governo tenham voluntariamente e explicitamente aceitado serem governados em termos específicos, a única suposição lógica que resta é a de que os governantes simplesmente impuseram seu domínio. 

Declarações, propagandas, textos cívicos, pesquisas de opinião, conversas de boteco, eleições políticas e afins são irrelevantes e nada têm a ver com essa questão.  Ninguém pensaria em oferecer tais formas de evidência para mostrar que eu possuo um contrato válido com minha operadora de celular, que me provê serviços telefônicos.  Quando o governo do meu país, o governo do meu estado e a prefeitura da minha cidade irão me mandar os contratos para que eu possa assinar dizendo se concordo (ou não) em comprar seus "serviços" em termos mutuamente satisfatórios?

A similaridade entre os argumentos contra a abolição da escravidão e os argumentos contra a abolição do governo (como o conhecemos) deveria abalar a fé daqueles que ainda possuem a falsa ideia de que vivemos em um "governo do povo, pelo povo e para o povo".  Do meu ponto de vista, os argumentos pró-governo parecem lastimosamente iguais aos mesmos questionáveis e trôpegos fundamentos intelectuais que deram base à escravidão.

Argumentos Contra a Abolição da Escravidão e Argumentos Contra a Abolição do Governo (como o conhecemos)

A escravidão é natural.

O governo (como o conhecemos) é natural.

A escravidão sempre existiu.

O governo (como o conhecemos) sempre existiu.

Todas as sociedades do mundo têm escravidão.

Todas as sociedades do mundo têm um governo (como o conhecemos).

Os escravos não são capazes de cuidar de si próprios.

As pessoas não são capazes de cuidar de si próprias.

Sem seus mestres, os escravos morrerão em massa.

Sem o governo (como o conhecemos), as pessoas morrerão em massa.

Onde as pessoas comuns são livres, elas estão ainda piores que os escravos.

Onde as pessoas comuns não têm um governo (como o conhecemos), elas estão muito piores (por exemplo, na Somália).

Acabar com a escravidão iria ocasionar um grande derramamento de sangue e outras perversidades.

Acabar com o governo (como o conhecemos) iria ocasionar um grande derramamento de sangue e outras perversidades.

Sem a escravidão, os ex-escravos ficariam fora de controle, roubando, estuprando, matando e provocando o caos generalizado.

Sem o governo (como o conhecemos), as pessoas ficariam fora de controle, roubando, estuprando, matando e provocando o caos generalizado.

Tentar acabar com a escravidão é algo ridiculamente utópico e impraticável; somente um sonhador confuso e sem noção defenderia proposta tão absurda.

Tentar acabar com o governo (como o conhecemos) é algo ridiculamente utópico e impraticável; somente um sonhador confuso e sem noção defenderia proposta tão absurda.

Esqueça a abolição. Um plano muito melhor é manter os escravos suficientemente bem alimentados, bem vestidos, bem instalados e ocasionalmente entretidos, distraindo-os da exploração que sofrem e estimulando-os a se concentrar na boa perspectiva de vida que os aguarda daqui pra frente.

Esqueça o fim do estado. Um plano muito melhor é manter as pessoas comuns suficientemente bem alimentadas, bem vestidas, bem instaladas e ocasionalmente entretidas, distraindo-as da exploração que sofrem e estimulando-as a se concentrar na boa perspectiva de vida que as aguarda daqui pra frente.

 


autor

Robert Higgs
um scholar adjunto do Mises Institute, é o diretor de pesquisa do Independent Institute.


  • augusto  08/02/2011 11:17
    Ha algo que eu considero curioso no Instituto Mises: Mises jamais defendera a abolicao do Estado - e provavelmente ficaria chocado com esta ideia. Seu principal herdeiro intelectual, Hayek, buscava um compromisso pragmatico que tornasse suas ideias liberais aceitaveis. Assim, ele um numero de funcoes basicas para o governo.\r
    \r
    No Instituto Mises, no entanto, o que mais tenho visto (tanto no Brasileiro quanto no Americano) sao defesas do que se chama "anarquismo libertario".\r
    \r
    O Helio Beltrao (pai), um dos defensores do liberalismo no Brasil, foi funcionario de carreira do Banco do Brasil e assumiu varios postos de destaque durante o regime militar. Roberto Campos, outro expoente do liberalismo no pais, especialmente a partir da segunda metade de sua vida quando ele tomou contato com as teorias da Escola Austriaca, tambem trabalhou para o regime militar e nunca defendeu a "abolicao do Estado".\r
    \r
    Eu fico me perguntando: o Instituto Mises Brasil adota o nome de Mises porque acredita que o anarquismo seja a consequencia natural das ideias miseanas, portanto assumindo que Mises poderia ser convencido de que o anarquismo era superior; ou utiliza o nome de Mises porque este tem um impacto publicitario maior que, digamos, o Rothbard?
  • Fernando Chiocca  08/02/2011 14:54
    Mises jamais atacou a abolição do Estado como proposta por seus discípulos. Veja aqui

    O principal herdeiro intelectual de Mises é Rothbard, e não Hayek. Foi Rothbard e o Mises Institute que reavivaram a tradição misesiana. Hoje o mais proeminete misesiano é um discípulo de Rothbard, o Metodologista alemão Hans-Hermann Hoppe, e todos os scholars misesianos que estão ligados ao Mises Institute.
    Mises, em sua visita a instituição neoliberal fundada por Hayek, levantou-se da cadeira onde se reuniam e declarou: "Vocês são um bando de socialistas!"

    O Mises Institute é formado por 99% de anarco-capitalista.. daí você pode tirar a conclusão se esta é ou não a consequência natural da tradição misesiana.
    Quanto a suposta escolha do nome de Mises por algum impacto publicitário,isto não faz o menor sentido. Foi Lew Rockwell, com a fundação do Mises Institute quem "ressuscitou" o trabalho de Mises que estam esquecidos e fora de circulação.
  • augusto  08/02/2011 15:38
    Fernando,\r
    \r
    Sua explicacao eh bastante elucidativa, obrigado!
  • André Ramos  08/02/2011 16:37
    Caro Fernando Chiocca,
    os anarco-capitalistas chegam a abraçar teses minarquistas, nem que seja por prgmatismo, do tipo "dos males, o menor"?
    Abraço.
  • Fernando Chiocca  08/02/2011 16:48
    Não, se não eles seriam minarquistas, e não anarco-capitalistas.
    Mas se você me perguntar se eu prefiro um tipo de minaquia do que o que temos atualmente nos estados socialistas democratas modernos, é lógico que iria preferir a minarquia, mesmo ciente que é uma utopia que levaria de volta ao mesmo ponto que estamos hoje.
  • André Ramos  08/02/2011 18:04
    Fernando,
    obrigado pela resposta.
    Era isso mesmo que eu estava perguntando.
    É que eu penso que talvez seja mais fácil chegar ao anarco-capitalismo a partir da minarquia, e não a partir do modelo de Estado que temos hoje. Por isso o meu questionamento.
    É mais fácil chegar ao topo usando uma escada do que dando um pulo...
    Abs.
  • Luís Dietz  08/02/2011 17:06
    Mises não era anarquista, a menos que ele tenha se corrigido depois das palestras em Buenos Aires. Segundo palavras de Mises no capítulo sobre intervencionismo no livro "As 6 lições":

    "Diz uma frase famosa, muito citada: "O melhor governo é o que menos governa". Esta não me parece uma caracterização adequada das funções de um bom governo. Compete a ele fazer todas as coisas para as quais ele é necessário e para as quais foi instituído. Tem o dever de proteger as pessoas dentro do país contra as investidas violentas e fraudulentas de bandidos, bem como de defender o país contra inimigos externos. São estas as funções do governo num sistema livre, no sistema de economia de mercado."

    Só porque 99% dos seguidores de Mises são anarquistas isso não o torna um anarquista, pelo menos pela lógica antiga não, mas pode ser que por essas modernices isso seja verdade, vai saber. Talvez esteja ficando velho.


    Quanto ao artigo creio que peca no momento que tenta trazer para si o monopólio da bondade, algo que todo comunista/socialista faz. Caso alguem discorde do anarco-capitalismo, ele ja é de cara considerado um defensor da escravidão. Assim, simples, sem precisar utilizar um unico argumento em prol do fim do governo.

  • Fernando Chiocca  08/02/2011 17:27
    É Luís, talvez você esteja ficando velho e precisando de óculos, pois ninguém disse que Mises era um anarquista...

    E obrigado por trazer aqui na discusão a ilustração da contradição inescapável de Mises. O estado tem o dever de proteger as pessoas dentro do país contra as investidas violentas e fraudulentas de bandidos, mas ele mesmo é um bandido que investe violenta e fraudelentamente contra as pessoas.

    È você está utilizando erradamente a palavra "monopólio".
    Monopólio é quando existe o uso de violência para impedir que outras pessoas ofereçam o produto ou serviço de exclusividade do monopolista. No caso em questão, ninguém está impedidno ninguém de adotar a bondade como meta. Você pode rejeitar a violência contra inocentes a hora que você quiser.
  • daniel  25/08/2014 23:34
    Mas o Mises defendia o direito à secessão individual. Logo ele era sim anarquista, apesar de se confundir quanto às definições de estado e governo. O próprio IMB tem uma entrevista do Hoppe explicando isso.
  • Misesiano  18/06/2015 15:04
    Rothbard de forma alguma é o maior representante do legado de Mises. Na verdade, ainda não conheço ninguém muito famoso que seja o representante do legado de Mises; ou seja, aquele que defende a total estrutura de seu método. Nem Hayek, nem Rothbard, são essas pessoas.

    Esse último, muito menos. Foi ele quem, ao contrário do que Mises defendia, introduziu a ideia de "direitos naturais", "PNA", etc, que era completamente diferente do utilitarismo misesiano, com uma "abordagem sem juízo de valor." E Mises ainda deixa de forma bem enfática que: "Se algo é bom para a sociedade, não deve ser considerado de forma alguma 'imoral'." E ele defendia a existência do Estado sob esses termos.
  • anônimo  19/06/2015 09:45
    Se a pedofilia for boa pra sociedade não pode ser considerada imoral?
  • Eduardo  19/06/2015 16:20
    Rothbard de forma alguma é o maior representante do legado de Mises. Na verdade, ainda não conheço ninguém muito famoso que seja o representante do legado de Mises; ou seja, aquele que defende a total estrutura de seu método. Nem Hayek, nem Rothbard, são essas pessoas.

    Esse último, muito menos. Foi ele quem, ao contrário do que Mises defendia, introduziu a ideia de "direitos naturais", "PNA", etc, que era completamente diferente do utilitarismo misesiano, com uma "abordagem sem juízo de valor." E Mises ainda deixa de forma bem enfática que: "Se algo é bom para a sociedade, não deve ser considerado de forma alguma 'imoral'." E ele defendia a existência do Estado sob esses termos

    Em termos econômicos, Mises e Rothbard são iguais. PNA e direito natural não fazem parte do 'Rothbard economista, mas do 'Rothbard filosofo político', não misture as coisas.

    Dizer que Rothbard é o maior representante do legado de Mises não significa que Mises concordaria tudo com o que ele diz, mas o oposto, que Rothbard concordou e defendeu tudo o que Mises disse, exceto, é claro, na posição sobre o monopólio de justiça e segurança em determinado território, o que, ao meu ver, não é motivos para ver Rothbard como alguém contrário as ideias de Mises.

    Mises que jamais se aprofundou na questão da legitimação do estado, (e sendo um utilitarista, não pensou na possibilidade da justiça e da segurança ser ofertada pelo mercado simplesmente por ser melhor ofertada, como David Friedman propõe, ou porque o monopólio estatal é ilegítimo, como o Rothbard) na verdade, nenhum liberal jamais se aprofundou na possibilidade de anarquia, (com exceção de Gustave de Molinari, com o livro Da Produção de Segurança, apesar de nunca ter se intitulado um anarquista, apenas um liberal convicto, que simplesmente aplicou a lógica liberal no estado, e viu que não há sentido em defender o monopólio do estado) simplesmente a rejeitava porque:

    1. Achava a ideia absurda

    2. Associava automaticamente ao anarco-comunismo (inclusive Mises desferiu críticas ao anarquismo nesse sentido, porque os ancoms eram contra a propriedade privada também, o oposto do que o Rothbard iria propor tempos depois).

    E, por precaução, não estou criticando Mises, seu ideais, livros e sabedoria são incomparáveis, sua importância para a história humana é gigante, assim como para a ciência econômica. Mas um homem sozinho não pode escrever sobre tudo e acertar tudo, apenas digo que Rothbard pegou o que Mises fez e aplicou em outras áreas. Na minha visão, (e digo isso baseado em nada, é um "acho que", apenas) se Mises vivesse mais tempo, para ler a teoria que Rothbard escreveu, ou a de David Friedman(já que é um utilitarista), ele não veria o anarcocapitalismo como um delírio absurdo como muitos propõem.
  • anônimo  19/06/2015 17:54
    Direito natural não vem de Rothbard, mas dos jurisnaturalistas e de Jhon Locke.Que influenciou também a constituição americana.
  • Eduardo  19/06/2015 18:39
    Sim, esqueci de mencionar esse ponto.
  • Trabalhos Relacionados (cont.)  10/02/2011 10:24
    Putz, como fui esquecer deste aqui: mises.org.br/Article.aspx?id=300
  • Bernardo Santoro  08/02/2011 13:23
    Estou me vendo aqui...
  • Cândido L. T. Rezende  08/02/2011 13:28
    Veja o que o MEC decidiu. - bit.ly/eajIRF - MEC vai distribuir seis mil kits "anti-homofobia" para a rede pública - eBand. Eles agem como se isso fosse acabar sanar algum problema, porém sequer ensinam as matérias que consideram tradicionais.
  • Getulio Malveira  08/02/2011 14:46
    Aceitando-se a premissa de que os argumentos pro escravidão são "questionáveis e trôpegos", o texto é bem perspicaz. A premissa mesma, contudo, é bem questionável.

  • anônimo  08/02/2011 20:34
    Interessante o ponto levantado pelo Getúlio, principalmente pelo fato de que quanto mais se fala sobre a ilegitimidade do governo, mais questionáveis e trôpegos são os argumentos pró-governo e quanto menos se fala, menos são questionáveis e trôpegos são os argumentos. Quanto mais falarmos sobre a ilegitimidade do governo, menos questionável será a premissa identificada pelo Getúlio.
  • Marco Aurelio  08/02/2011 21:52
    Concordo com tudo mas, o que cabe ao estado afinal? explico: segurança contra invasões externas, rebeliões internas, crime organizado etc... sei que o estado é muito grande e atrapalha a livre iniciativa, mas não vejo algumas áreas sem um comando central.
  • Fernando Chiocca  08/02/2011 23:46
    Com certeza! Crime Organizado cabe ao estado.Alias, ele é insuperável nisso. Comete roubo em escala colossal, massifica sequestros e comete uma infinidade de outros crimes.
  • anônimo  09/02/2011 09:31
    Com certeza mesmo!

    O que seria das invasões externas e das guerras se não fosse o estado, que regimenta à força a massa de seus exércitos, sustentados com dinheiro expropriado?

    E quanto às rebeliões internas? Ora, que tipo de rebelião interna relevante existiria numa sociedade em que a invasão da propriedade privada não pudesse ser executada em larga escala (algo que somente o estado pode fazer)?

    O próprio conceito de interno e externo passaria por uma grande revisão, onde o público perde importância e o privado ganha. A propriedade pública se baseia na coerção, o propriedade privada se baseia no respeito.
  • Marco Aurélio  09/02/2011 12:32
    Minha pergunta não foi respondida vou reformula-la.\r
    \r
    Sei de tudo isto, a pergunta fundamental é; num livre mercado como se dá os investimentos em saúde, educação, infra estrutura segurança etc... onde não exista o interesse da livre iniciativa ?\r
    \r
    Que o estado é perdulário, ladrão, e cheio de gente safada isto eu sei.
  • Fernando Chiocca  09/02/2011 13:16
    Se não existe interesse de investir, não se dá o investimento... Quer coisa mais linda do que não apontar uma arma para a cabeça das pessoas e obrigá-las a investir seus dinheiros em áreas em que elas não se interessam!?
    Alguma outra pergunta?
  • Helio  09/02/2011 13:30
    Marco Aurélio, há duas possibilidades:

    a) há demanda da população por serviços de educação, saúde, etc.
    b) não há demanda da população (a preços de mercado) por esses serviços que você imagina.

    Se houver demanda, como no caso a), certamente haverá empreendedores e empresários dispostos a investir para satisfazer essa demanda.

    No caso b), o problema está resolvido, pois não é necessário fazer nada.

    O problema é eu ou você julgarmos que "deve haver demanda pelo serviço x", ou "é necessário que alguém invista em um serviço x", e partindo dessa premissa, propor tomar dinheiro de terceiros via impostos para fazer esse nosso projetinho. Isso não faz sentido - ou há a demanda e haverá empresários, ou não há demanda e porto.

    A questão de "como ficam os desguarnecidos" é de outra ordem, embora muito relevante. Há vários artigos aqui lidando com esse assunto.

  • anônimo  09/02/2011 13:50

    ...num livre mercado como se dá os investimentos em saúde, educação, infra estrutura segurança etc... onde não exista o interesse da livre iniciativa?

    É verdade, eu tinha me esquecido que o estado é o pivô de áreas vitais para a sociedade como saúde, educação, infra-estrutura e segurança. Sem o estado, todos os hospitais e planos de saúde parariam de funcionar. As escolas privadas fechariam e os estudantes parariam de estudar. As ruas, estradas, usinas de energia, comércio, serviços e setor primário, etc. parariam de funcionar. As empresas de segurança privada quebrariam.

    Realmente, agora que eu me lembrei que a livre iniciativa não é uma boa investidora - já que ignora partes importantíssimas da sociedade - acho que devemos recorrer a um grupo pequeno de sábios benevolentes, capazes de investir o dinheiro dos outros à força, de forma que todos fiquem mais saudáveis, educados e infra-estruturados e seguros.

    Obs.: nada pessoal, Marco Aurélio, mas a sua pergunta não me deu outra opção a não ser a ironia. Talvez se você a reformular...
  • augusto  09/02/2011 14:38
    Ironia, aqui, tem pouco uso. Lembre-se que o objetivo do Instituto Mises eh educar. Para quem tem alguma familiaridade com as teorias de Mises, Hayek, Rothbard, Hoppe, etc., etc., realmente a pergunta pode soar boba, mas voce nao sabe se a pessoa fazendo a pergunta esta querendo apenas provocar, ou se honestamente desconhece as teorias defendidas pelo site.\r
    \r
    Eh preciso lembrar que vivemos num mundo dominado por Estados. Eh obvio que as pessoas veem o Estado como algo absolutamente normal e necessario. E eh por isso, por exemplo, que a populacao vibra quando a policia prende um contrabandista de cigarros, ou um fraudador de impostos...\r
    \r
    A vitoria do Estado eh encarada como uma vitoria pessoal. Eh por isso que as pessoas, das mais pobres as mais ricas, se orgulham quando "o Brasil" vence uma copa do mundo de futebol...\r
    \r
    Marcos, para tentar responder a sua pergunta, os investimentos em saude, educacao, esportes, cultura, sao feitos na medida em que houver pessoas interessadas em fazer tais investimentos. Ha hoje varios sites na internet que existem justamente para reunir micro-investidores para pequenos projetos. Por exemplo, em vez de se ter um Ministerio da Cultura distribuindo subsidios e contribuicoes para a realizacao de um filme, voce pode pagar diretamente ao produtor para que ele faca o filme. Assim, o filme so eh feito se realmente houver alguem interessado nele.\r
    \r
    Veja os sites abaixo, sao alguns exemplos do que eu estou falando:\r
    \r
    www.kiva.org/\r
    en.wikipedia.org/wiki/Wokai\r
    en.wikipedia.org/wiki/Peer-to-peer_lending\r
    en.wikipedia.org/wiki/Zidisha\r
    www.lendforpeace.org/\r
    en.wikipedia.org/wiki/Microloan_Foundation\r
    www.microfundo.com/
  • André Ramos  09/02/2011 17:38
    Perfeito, Augusto.
    O David Friedman, na sua palestra no I Seminário sobre a Escola Austríaca, disse bem que para implantarmos o anarco-capitalismo não é interessante tentar derrubar o Estado numa tacada só, porque muitos ainda acham que ele é bom e necessário em algumas áreas.
    O ideal é, aos poucos, permitir que o livre mercado seja realmente livre, de modo que possa concorrer com o Estado, o que fatalmente levará as pessoas a perceber a ineficiência do Estado e maior eficiência dos provedores privados.
    Basta ver o caso da arbitragem, que cresce vertiginosamente.
    Abs.
  • anônimo  09/02/2011 20:19
    @augusto: Ironia, aqui, tem pouco uso. Lembre-se que o objetivo do Instituto Mises eh educar. Para quem tem alguma familiaridade com as teorias de Mises, Hayek, Rothbard, Hoppe, etc., etc., realmente a pergunta pode soar boba, mas voce nao sabe se a pessoa fazendo a pergunta esta querendo apenas provocar, ou se honestamente desconhece as teorias defendidas pelo site...

    Não posso negar que a sua resposta foi mais educativa do que a minha. Obrigado por isso.

    No entanto, a menos que você me convença do contrário, não posso concordar que educação e ironia seja mutuamente exclusivas. Uma discussão existente em um outro fórum mostra que não há consenso e que a questão é polêmica. Minha opinião pessoal é que educação e ironia andam de mãos dadas :)
  • Augusto  10/02/2011 08:50
    @anonimo,\r
    \r
    nisso você tem razão. o único problema é que ironia funciona melhor "ao vivo e a cores" que via texto na internet, onde frequentemente ironia termina parecendo grosseria. Mas tudo bem, podemos seguir em frente ;-)
  • André Ramos  09/02/2011 15:11
    Caro Marco Aurélio,
    não é o meu caso (não sei se é o seu caso), mas há liberais que defendem um Estado mínimo, que tribute os cidadãos de forma bem módica, com o fim de ofertar bens e serviços públicos essenciais.
    Veja o que escreveu o professor Carlos Pio essa semana, num texto intitulado "Uma agenda liberal para o Brasil de hoje":
    "Em sociedades complexas - aquelas nas quais a maioria dos cidadão não estão vínculados por laços orgânicos - o Estado é necessário para ofertar bens públicos essenciais para fomentar a cooperação social (transações espontâneas entre os cidadãos), como segurança, Justiça, polícia, estabilidade monetária, formação de capital humano e regulação ambiental. A provisão espontânea de bens públicos tende a ser sub-ótima pois dependeria de mecanismos igualmente imperfeitos tais como a caridade, o dever cívico e a busca da renda."
    A íntegra do texto está aqui: www.ordemlivre.org/node/1207
    Abraço.
  • Diogo Siqueira  09/02/2011 01:01
    O sr. Robert Higgs é, sem dúvida, um dos meus autores preferidos!

    Parabéns à equipe do IMB pela escolha e tradução deste texto!
  • Bruno Lopes  09/02/2011 03:48
    É curioso conversar com anarco-capitalistas, além de adorar posarem como os guardiões da virtude eles adoram rotular qualquer um que aceite a existência de um governo como autoritários e violadores de direitos alheios. Aí você pergunta ao anarco-capitalista, que direitos? Quem disse que você tem esses direitos se não existe ninguém para assegurá-los? E é aí que começa um blá blá blá sobre ligas privadas e outras coisas altamente utópicas e contraditórias com a natureza humana.\r
    \r
    Não pode existir uma sociedade complexa e funcional sem um monopolista da violência. É triste mas é fato.
  • Felipe André  09/02/2011 08:51
    Eu não diria que não há como existir sociedade funcional sem monopólio da violência, pois acredito que serviços de polícia e tribunais poderiam ser melhor feitos por empresas privadas.

    O que eu não consigo imaginar é uma sociedade funcional sem leis e direitos centrais, escritos de forma objetiva, informando às pessoas o que podem ou não fazer. Isso pra mim exige a existência de uma unidade central, que garanta esses direitos, no caso o estado. É isso que não consigo entender sobre a funcionalidade do anarco-capitalismo.

  • Tiago RC  09/02/2011 11:04
    Onde está a unidade legislativa central mundial?

    Se até estados, que são extremamente propensos à guerra, conseguem resolver a maioria dos seus conflitos pacificamente, imagine indivíduos ou organizações que teriam que pagar do próprio bolso - e do próprio sangue - os custos de uma guerra. Realmente acha que eles não encontrariam formas de resolver seus conflitos?
  • André Ramos  09/02/2011 11:41
    Na mosca!
  • Felipe André  09/02/2011 14:58
    Não entendi muito bem a comparação. Os estados têm cada um sua própria legislação, que inclusive varia amplamente entre eles.

    Na verdade seu exemplo mostra justamente o que me parece inviável no anarco-capitalismo. Não há legislação mundial, cada região tem suas próprias leis. Enquanto um estado reconhece os direitos individuais o outro oprime seu povo. Por que em um anarco-capitalismo os direitos naturais seriam reconhecidos e utilizados por todos como base para decisões judiciais? Acredito que alguns tribunais o utilizariam, mas outros simplesmente o descartariam. Afinal não haveria lei escrita dizendo o que é certo e o que é errado.
  • Fernando Chiocca  09/02/2011 19:33
    Por que em um anarco-capitalismo os direitos naturais seriam reconhecidos e utilizados por todos como base para decisões judiciais?

    Porque se não fossem, não seria um anarco-capitalismo. Simples.

    Na verdade seu exemplo mostra justamente o que me parece inviável no anarco-capitalismo. Não há legislação mundial, cada região tem suas próprias leis.

    Pelo visto você é a favor de um governo mundial.. Pelo menos você é coerente, pois está é a implicação lógica de todos que defendem a existência do estado. Mas não deixa de ser nefasto.
  • Felipe Andre  09/02/2011 21:33
    Porque se não fossem, não seria um anarco-capitalismo. Simples.

    Ou seja, o anarco-capitalismo é impossível.

    Pelo visto você é a favor de um governo mundial.. Pelo menos você é coerente, pois está é a implicação lógica de todos que defendem a existência do estado. Mas não deixa de ser nefasto.

    Não acho necessário um governo mundial, mas sim que todas as nações adotassem os direitos naturais.

    Apenas usei o exemplo dele para mostrar como a ausência de um governo mundial implica em diferentes leis e direitos para cada região. Ao meu ver na ausência de um estado aconteceria a mesma coisa, o que torna o anarco-capitalismo impossível.


  • Tiago RC  10/02/2011 09:10
    O meu comentário foi uma resposta à tua afirmação de que indivíduos e organizações dependem de uma lei central, coercivamente imposta, para interagir. Estados interagem entre si sem que exista lei imposta entre eles. E, mesmo sendo extremamente propensos à violência - já que externalizam o custo de suas guerras - ainda assim a maioria dos conflitos entre estados é resolvida pacificamente.

    Indivíduos/organizações que não possam externalizar seus custos teriam um incentivo ainda muito maior para resolver seus conflitos pacificamente.

    Quanto a tribunais aplicando leis distintas, oras, tomara que seja assim! Nenhum tribunal precisa seguir estritamente uma "cartilha dos direitos naturais" de como julgar alguém. Contanto que tudo seja feito voluntariamente (contratos) o princípio da não-agressão é respeitado. Dessa forma, os mesmos incentivos que se aplicam a qualquer livre-mercado se aplicariam também às leis e a justiça.

    E, a propósito, nenhum estado reconhece os direitos dos indivíduos. Todo estado, por definição, é uma violação dos direitos individuais de seus súditos.
  • Felipe André  10/02/2011 12:58
    Quanto a tribunais aplicando leis distintas, oras, tomara que seja assim! Nenhum tribunal precisa seguir estritamente uma "cartilha dos direitos naturais" de como julgar alguém. Contanto que tudo seja feito voluntariamente (contratos) o princípio da não-agressão é respeitado.Isso me parece uma contradição. Se os tribunais não precisam seguir uma "cartilha dos direitos naturais" como o princípio da não-agressão será respeitado? Um tribunal pode simplesmente se basear em princípios diferentes para tomar suas decisões, que ele julgue corretos. E enquanto um tribunal baseado nos direitos naturais irá decidir a favor de uma das partes de um contrato, o outro tomará posição contrária. Quem está certo? Não existem leis.

    Me parece lógico concluir que isso aconteceria na ausência de regras pré-estabelecidas. Segundo o Fernando isso não caracteriza um anarco-capitalismo, então concluo que o mesmo é impossível.
  • Fernando Chiocca  10/02/2011 13:26
    O que é impossível? Respeitar a propriedade dos indivíduos? Por que isso é impossível?

    Vai lá Felipe: Serviços de defesa no livre mercado
  • Felipe Andre  10/02/2011 15:30
    O que é impossível? Respeitar a propriedade dos indivíduos? Por que isso é impossível?

    Sim, Fernando, é impossível que todos respeitem os direitos de propriedade. Se não fosse não precisaríamos de quaisquer serviços de defesa, sejam eles estatais ou privados.

    Trecho do texto que você linkou:

    Na verdade, no código básico legal de uma sociedade, provavelmente haveria tal cláusula sacra declarando que a decisão das duas cortes seja considerada legítima e vinculativa, isto é, será o ponto a partir do qual o tribunal estará apto a tomar uma atitude contra o lado julgado culpado.

    Todo sistema legal precisa de algum tipo de ponto-de-corte socialmente acordado por todos; um ponto no qual o procedimento judicial cessa e a punição contra o réu começa. Mas uma única e monopolística corte de decisão suprema não precisa ser imposta, e obviamente não pode ser imposta, em uma sociedade livre; e um código legal libertário pode muito bem ter um ponto-de-corte em duas cortes, já que sempre haverá duas partes em disputa: o queixoso e o réu.


    Então haveria um código legal acordado por todos, ou entendi errado? Pois é isso que venho argumentando.

    Como disse anteriormente acredito que os serviços de segurança serão mais eficientes se forem ofertados por empresas privadas, mas é necessário um código de leis que dite os direitos individuais, de forma objetiva, para que as pessoas saibam de seus direitos e para evitar que tribunais privados tomem decisões baseados em princípios diferentes.
  • Fernando Chiocca  10/02/2011 15:59
    Sim, Fernando, é impossível que todos respeitem os direitos de propriedade. Se não fosse não precisaríamos de quaisquer serviços de defesa, sejam eles estatais ou privados.

    Mas é exatamente porque nem todos respeitam os direitos de propriedade que existem e irão existir agência de proteção.

    Então haveria um código legal acordado por todos, ou entendi errado? Pois é isso que venho argumentando.

    Como disse anteriormente acredito que os serviços de segurança serão mais eficientes se forem ofertados por empresas privadas, mas é necessário um código de leis que dite os direitos individuais, de forma objetiva, para que as pessoas saibam de seus direitos e para evitar que tribunais privados tomem decisões baseados em princípios diferentes.


    Sim, e este código objetivo de leis chama-se Lei Natural.
  • Felipe Andre  10/02/2011 17:07
    Sim, e este código objetivo de leis chama-se Lei Natural.

    Ok, mas a pergunta é: isto seria algo implícito ou oficial?

    Por exemplo, se o Brasil adotasse o anarco-capitalismo, existiria uma constituição oficial, baseada nos direitos naturais (vida, liberdade e propriedade), que deveria ser utilizada como única base legal pelos serviços de segurança do país?

    Ou seria algo implícito, sem leis oficiais no território, onde é apenas esperado que os serviços de segurança se baseiem nos princípios dos direitos naturais para tomar suas decisões?
  • Fernando Chiocca  10/02/2011 17:15
    Ok, mas a pergunta é: isto seria algo implícito ou oficial?

    Implícito. Como já disse antes, leis não são "verticais", não são normas impostas de cima para baixo, por um ente supremo. As leis são horizontais, e são descobertas através da razão humana.

    Por exemplo, se o Brasil adotasse o anarco-capitalismo, existiria uma constituição oficial, baseada nos direitos naturais (vida, liberdade e propriedade), que deveria ser utilizada como única base legal pelos serviços de segurança do país?

    Ou seria algo implícito, sem leis oficiais no território, onde é apenas esperado que os serviços de segurança se baseiem nos princípios dos direitos naturais para tomar suas decisões?


    E o que significa "segurança" se não "a proteção dos direitos naturais de propriedade"? Do contrário, seriam agências invasivas/de ataque, e não de segurança, defesa. E é isso o que temos hoje, o estado é uma insitutição de ataque generalizado e descomunal aos direitos de propriedade dos indivíduos.
  • Lucas Portella  18/11/2014 18:34
    Eu sinceramente não vejo uma violação aos fundamentos do anarco capitalismo existir uma "Constituição", fato que, na verdade, seria mais parecido com um "contrato de adesão" e neles deveriam estar previstos os princípios e não leis detalhadas ou específicas (genéricas e impessoais).

    Uma das previsões seria o o direito de secessão. Poderia existir a previsão que qualquer um ao atingir certa idade deveria assinar ou concordar com o documento para viver naquela sociedade, podendo rescindir ou assinar novamente a qualquer momento.

    Normas escritas desde que não sejam tão específicas não restringem tanto a liberdade e ajudam a população entender o que se espera em tal sociedade - segurança jurídica. Nada muito diferente do que um contrato oferece.

    Quem se atreve a escrever uma constituição nesse sentido? alguns textos para ajudar:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=285
    libertarios.org.br/liber/direitos-individuais
    libertarios.org.br/liber/assuntos-domesticos
    libertarios.org.br/liber/comercio-e-economia
    libertarios.org.br/liber/relacoes-exteriores
    brasillibertario.blogspot.com.br/2013/11/a-constituicao-de-uma-confederacao.html
  • Silvio  18/11/2014 19:40
  • Tiago RC  10/02/2011 14:41
    Se um "tribunal" deixar de seguir o princípio da não-agressão, obrigando pessoas que nunca concordaram com suas normas a as acatarem, ele deixa de ser um tribunal legítimo pra ser uma máfia, como o estado.

    Na esperança de que você realmente seja alguém interessado e não só mais um troll, vou te fornecer alguns links.

    Teoria do caos, de Robert Murphy: www.libertyzine.com/2007/04/teoria-do-caos-robert-p-murphy.html
    É um livro curto, fácil de ler e que dá uma boa idéia de como as coisas poderiam funcionar.

    The state is not great, Jacob Sppiney: www.youtube.com/watch?v=KXNRzI64L9Q
    É um vídeo mais genérico, não fala só de Justiça, mas é muito bom.

    Na ocasião do concurso IMB, eu escrevi esse texto: www.mises.org.br/Article.aspx?id=605
    É sobre justiça e leis descentralizadas. Lá nas referências tem um outro vídeo que, apesar de não ser da mesma qualidade que o vídeo do Sppiney, resume bem também o aspecto de leis descentralizadas: www.youtube.com/watch?v=o0TBE-pcEi0

    Abraços,
    Tiago.

  • Felipe Andre  10/02/2011 17:10
    Não se preocupe, não sou troll, apenas alguém interessado. Agradeço pelos links, vou dar uma olhada neles assim que puder.
  • Descascando a cebola  09/02/2011 09:46
    É curioso conversar com anarco-capitalistas, além de adorar posarem como os guardiões da virtude...

    Desde quando apontar erros, injustiças e crimes é posar de guardião da virtude?

    ...eles adoram rotular qualquer um que aceite a existência de um governo como autoritários e violadores de direitos alheios...

    Qual a sua definição de autoritarismo? Por que você acha que uma instituição que detém o monopólio da coerção na sociedade e todos os que apoiam tal instituição não se encaixam nessa definição?

    Aí você pergunta ao anarco-capitalista, que direitos? Quem disse que você tem esses direitos se não existe ninguém para assegurá-los? E é aí que começa um blá blá blá sobre ligas privadas e outras coisas altamente utópicas e contraditórias com a natureza humana.

    O bla bla bla a que você se refere é o diálogo consequente do uso da razão, que tem que encontrar uma forma justa de re-organizar o mundo em que vivemos. Ainda não há respostas para tudo, até porque muitas das respostas devem ser encontradas de forma distribuída (i.e. pela sociedade como um todo) e não centralizada. É o fato de você não conseguir enxergar isso que o faz ver apenas um bla bla bla.

    Não pode existir uma sociedade complexa e funcional sem um monopolista da violência. É triste mas é fato.

    Se você vivesse no tempo pré-escravidão, você diria: "Não pode existir uma sociedade complexa e funcional sem escravidão. É triste mas é fato".
  • Erick Skrabe  09/02/2011 11:15
    Bruno

    Eu acho q mensagem dos libertários ñ é: "faça o q eu faço" o q talvez fosse sua definição de "guardião da virtude"

    O libertarismo está mais para o lado do "deixe-me fazer o que eu quiser e eu te deixo fazer o que você quiser, nenhum de nós é dono da verdade".

    agora... "rotular qualquer um que aceite a existência de um governo como autoritários e violadores de direitos alheios." (...) " e logo depois "Não pode existir uma sociedade complexa e funcional sem um monopolista da violência."

    Ué... mas vc mesmo está dizendo q é necessário ter um grupo com o monópolio da violencia. E isso ñ é ser autoritário ?
  • Fernando Chiocca  09/02/2011 13:35
    O mais triste é que uma pessoa com a visão vertical, de imposição de cima para baixo de direitos do Bruno, de que direito é aquilo que o estado diga que é, é obrigado a admitir absurdos como o não direito a vida dos judeus na Alemanha Nazista e o não direito a minha vó ir jogar o bingo dela hoje no Brasil.

    Se alguém para para pensar por 5 segundos sobre a questão, é capaz de perceber que existe "algo a mais" no que tange a origem de direitos que não seja o que p estado diga que é.

    E este algo a mais é exatamente o que o runo desdenha, aquilo que faz parte da própria natureza dos seres humanos.

    O que é curioso mesmo é alguém que nunca raciocínou 5 segundos sobre o assunto direitos tecer uma crítica como esta. E também é curisos alguém que nunca conversou com um anarcocapitalista achar curioso conversar com anarcocapitalistas...
  • Rhyan Fortuna  10/02/2011 20:01
    Mas Fernando, toda sua argumentação leva a crer que todos os ancap são jusnaturalistas.
  • Silvio  18/11/2014 18:55
    Uai, e não são?
  • augusto  09/02/2011 09:26
    Bruno\r
    \r
    Aí você pergunta ao anarco-capitalista, que direitos? Quem disse que você tem esses direitos se não existe ninguém para assegurá-los?
    \r
    \r
    Segundo a teoria que sustenta os anarco-capitalistas, os direitos vem da propria natureza do homem, ninguem precisa dizer que eu os tenho ou nao. Nao confunda direito com privilegio, e nao confunda direito com o resultado de um julgamento.\r
    \r
    Felipe\r
    \r
    O que eu não consigo imaginar é uma sociedade funcional sem leis e direitos centrais, escritos de forma objetiva, informando às pessoas o que podem ou não fazer. Isso pra mim exige a existência de uma unidade central, que garanta esses direitos, no caso o estado.
    \r
    \r
    Ha varios exemplos de sociedades (Irlanda, Islandia, Inglaterra, no periodo medieval e Somalia ainda hoje) que viveram de forma organizada e relativamente pacifica sem que houvesse um codigo de leis escrito, embora a distincao importante nao eh se o codigo esta escrito ou nao, mas se o codigo deriva de leis naturais e experiencia ou simplesmente de um processo legislativo.
  • Helio  09/02/2011 11:01
    Creio que a vasta maioria dos seguidores do Mises Brasil NÃO desejem acabar com o estado e com as estruturas que temos hoje, e que o homem construiu ao longo de milênios. Eu me incluo nesta maioria.

    No entanto, não acho producente nem justificável que alguém ou algum grupo detenha o monopólio por lei da moeda, da segurança ou de qualquer produto ou serviço.

    O ônus desta discussão reside com aqueles que defendem o monopólio por lei como eficiente e desejável - até hoje não encontrei um único monopólio que tenha funcionado eficientemente (barato e com qualidade, comparado com o setor privado).
  • Bruno Lopes  09/02/2011 14:30
    @ Erick Skrabe\r
    \r
    Quando falo que anarco-capitalistas se comportam como os guardiões da virtude, me refiro à intransigência da grande maioria em relação a discutir outros pontos de vista, porque todos eles, de acordo com AC, são imorais e ponto final, só eles defendem a liberdade, todo o resto só querem diferentes formas de violação das liberdades. E daí você vê artigos absurdos como esse, onde pessoas que admitem um governo são colocadas lado a lado com escravagistas. Veja que não há uma gradação, toda a virtude está do lado dos AC, do outro lado só está o vicio e a depravação.\r
    \r
    \r
    "Ué... mas vc mesmo está dizendo q é necessário ter um grupo com o monópolio da violencia. E isso ñ é ser autoritário ?"\r
    \r
    Absolutamente sim, vendo de um ponto de vista absolutamente teórico. Mas na prática, podem ser mesmo chamados de autoritários os apoiadores de uma estrutura (nesse caso um governo mínimo) que seria responsável só por manter os direitos (que seriam basicamente os direitos naturais) dos cidadãos de uma sociedade? Direitos não se defendem sozinhos, e como eu não acredito que agências privadas de justiça e polícia têm a mínima chance de funcionar, defendo a existência de um monopolista da violência para justamente defender esses direitos. Ou seja, eu, "o autoritário", defendo a existência de uma sociedade onde direitos são invioláveis sob qualquer circunstância (veja quão autoritário isso é!), anarco-capitalistas, com todos seus discursos sobre liberdade, defendem uma sociedade onde talvez agencias de justiça e polícia funcionassem corretamente e defendessem os direitos de quem pudesse pagar por eles. Isso não é ser mais livre.\r
    \r
    Entre a coação que eu defendo, que é a taxação mínima para manter esse aparato estatal de seguridade jurídica para todos, e a liberdade anarco-capitalista, que inclui ser inclusive assassinado impunemente porque sua agencia de proteção é fraca comparada a do seu agressor, considero, sem sombra de dúvidas, que há mais liberdade na sociedade com um monopolista da violência.\r
    \r
    @ augusto\r
    \r
    Eu conheço a teoria dos direitos naturais, e na minha sociedade ideal somente eles seriam lei de fato. A questão é que esses direitos existem naturalmente, mas não se defendem naturalmente. Você não pode simplesmente dizer a seu agressor "eu tenho direito natural à propriedade!" ele simplesmente vai dizer, "quem tá garantindo esse direito?". É por isso que é necessário um monopolista da violência, porque só ele é capaz de fazer valer, de fato, os direitos naturais das pessoas. Sem algo/alguém para defender seus direitos, não existem direitos.
  • anônimo  10/02/2011 14:24
    Bruno,\r
    \r
    Eh por isso que todos os anarco-capitalistas (que eu conheco) falam de um sistema de seguros. Se alguem tentar tomar tua propriedade, nao eh voce que vai reclamar, eh a tua seguradora.\r
    \r
    Supostamente, se a tua seguradora tentar tomar tua propriedade, tu podes simplesmente pagar uma outra que te defenda melhor.\r
    \r
    Na teoria - e em pequenas comunidades, como Islandia e Irlanda medievais - funciona. Na pratica, eu ja nao sei.
  • Miguel A. E. Corgosinho  09/02/2011 22:44
    Nem propriedade privada nem estado podem ter o monopólio ou repartir entre si o cunho da moeda.\r
    \r
    O valor que se transfere da produção é ainda um fenômeno inconciente da propriedade privada, o qual requer um representante nulo para o seu senhorio (exterior aos interesses vazios dos homens).\r
    \r
    Cabe à Ciência ser a passificadora dos direitos naturais do valor, do ponto de vista teórico da passividade da riqueza - em que a apreendemos à primeira vez, ao modo abstrato, de como deve ser cunhada a moeda; e repete o princípio que ela se mantém imanente as atividades, na prática - pelo equilíbrio consciente entre o livre mercado do concreto e os fins da produção.\r
    \r
  • Felipe Andre  10/02/2011 18:52
    E o que significa "segurança" se não "a proteção dos direitos naturais de propriedade"? Do contrário, seriam agências invasivas/de ataque, e não de segurança, defesa. E é isso o que temos hoje, o estado é uma insitutição de ataque generalizado e descomunal aos direitos de propriedade dos indivíduos.

    Segurança pode ter significados diversos para diversas pessoas. Para você e eu significa "a proteção dos direitos naturais de propriedade", para outros não. Ou você acha que todas as pessoas vêem o estado como uma "insitutição de ataque generalizado e descomunal aos direitos de propriedade dos indivíduos"?

    Com leis implícitas seria da mesma forma, uns entenderiam "segurança" sob o seu ponto de vista, mas não todos. Isso geraria diferentes leis em diferentes tribunais. Para que todos sigam os mesmos princípios se faz necessário uma legislação oficial, ou seja, o estado.
  • Fernando Chiocca  10/02/2011 19:13
    Mas o que você está contradizendo o que você mesmo disse acima, sobre leis objetivas. Direitos não são subjetivos. Eu não posso achar que roubar seu dinheiro ou lhe dar um soco na cara sem você ter feito absolutamente nada que afete terceiros seja "segurança" ou defesa. E mesmo que uma pessoa ou muitas pessoas pensem que um ato destes seja segurança, isso não muda o fato de o ato ser um ataque. Se 5 bilhões de pessoas acharem que 2+2=5, 2+2 ainda será 4. Se a maioria das pessoas não vêem o estado como uma "insitutição de ataque generalizado e descomunal aos direitos de propriedade dos indivíduos", isto não muda o fato de o estado ser o que ele é. Assim como o estado democrático da Alemanha nazista que contava com o apoio da maioria da população ter cometido o holocausto, isto não fez com que o holocausto deixasse de ser o crime de genocídio que foi.

    A ética é objetiva. Para entender melhor, leia, A Ética da Liberdade
  • Felipe Andre  10/02/2011 19:44
    Eu entendo e concordo que direitos e ética são objetivos, não estou dizendo o contrário. E sei que mesmo se outras pessoas pensarem que 2+2=5, não muda o fato de que 2+2=4. O que estou dizendo é que existem pessoas que pensam que 2+2=5, e que em um sistema anarco-capitalista, onde a noção de que 2+2=4 é implícita, alguns tribunais defenderiam que 2+2=5, achando que isso é o correto. A única forma de evitar isso é com uma legislação oficial que diga que 2+2=4.
  • André Luis  16/02/2011 16:05
    Como alguém já disse lá em cima, a ironia é a fina arte de ser deselegante, mas realmente não resisti...

    Frequento o site já há algum tempo e comentei pontualmente alguns artigos.

    Atualmente, escrevo uma tese sobre o contrato no mundo atual, o que envolve o mais básico dos direitos de uma pessoa: que é o direito de uma pessoa possuir patrimônio, realizar trocas e existir. A relação inversa também vale. E abordo isto na tese (não me estenderei nela).

    Depois de estudar os últimos oito anos para escrever essa tese e tendo considerado o anarcocapitalismo (a reforma ortográfica eliminou o hifem, confere?) e seus conceitos como premissas do meu trabalho (ao lado do objetivismo de Ayn Rand), cheguei à conclusão de que a implementação deste modelo ideal é impossível no meio social atual.

    O estado, enquanto poder soberano que submete (mais ou menos violentamente, pouco importa) a vontade daqueles ao seu alcance, traduz-se em uma necessidade incontestável de um planeta em que vivem milhares de povos, com centenas de milhares de culturas diversas e incompatíveis, culturas estas tributárias com duas religiões antagônicas e excludentes (limitando o papo ao Ocidente), divididas em centenas de milhares de seitas que se odeiam e competem reciprocamente.

    O anarcocapitalismo não dispõe de mecanismos para, sozinho, eliminar a necessidade psicológica, espelhada na cultura, de séculos de subsunção das pessoas a algum modelo de estado ou ordem superior, que dita regras universais para suas relações no meio social.

    A única opção válida para atingir este modelo de estado seria a adesão de todos a ele. Se reunir cem pessoas e obter unanimidade sobre qualquer assunto já é complicado, a meta é impossível quando falamos de todos, sejam de uma cidade, estado, país, nação, enfim, de qualquer agrupamento humano.

    Pretender a implantação do anarcocapitalismo, que não passa de uma teoria, pela via democrática é impossível, pois estado e democracia se confundem no mundo de hoje (não é minha opinião pessoal sobre como isto deveria ser, mas é fato constatável na realidade), o reverso da medalha - e dado que o uso de coerção seria inválido sob pena de destruir a premissa básica desta teoria - seria a aquisição de terras, negociação com o governo a elas vinculados para criação desta nação (a Costa Rica está fazendo algo assim, vejam e tragam para o debate) e a criação de uma nova sociedade, tida como ideal, com base nas ideias anarcocapitalistas. E torcer para manter a coesão da primeira geração e das sucessivas gerações. Impraticável, como se vê.

    Em linha geral: os modelos políticos ascendem e caem, e assim tem sido sua história ao longo das eras. A ruptura de um modelo estatal para o modeloanarcocapitalista demanda a superação de óbvias fases de diminuição do tamanho do estado.

    Não teorizarei se o modelo teórico anarcocapitalista criaria uma sociedade anarcocapitalista próxima da perfeição; só acredito que não podemos fazer um livro se não dominarmos o processo de fabricação do papel. E, neste momento, o estado está numa espiral de expansão. Enquanto não revertermos esta espiral, o anarcocapitalismo são apenas folhas soltas a serem escritas.
  • Tiago RC  18/02/2011 08:01
    A necessidade psicológica da maioria das pessoas em se submeterem a um grupo armado violento é um entrave enorme, de fato. Concordo contigo quando diz que a via democrática não é uma boa opção.

    Mas nem por isso devemos deixar de defender o que é certo. Um mundo sem assassinatos intencionais é algo muito mais radical e improvável do que um mundo sem estados, e nem por isso eu vou defender um nível mínimo de assassinatos para que tudo continue funcionando em acordo com as necessidades psicológicas da humanidade.

    No mais, não sei de onde você tirou que unanimidade seria necessária. Não seria. Uma "grande minoria" provavelmente já seria suficiente.

    E, finalmente, concordo com a idéia de se tentar criar cidades mais livres (mesmo que não completamente livres de um governo). Acho que essa é a melhor estratégia, aliás. Por isso mesmo sou um entusiasta da idéia de Seasteading.
  • Andre Luis  18/02/2011 12:40
    Tiago, também não acho que seja necessária, mas profundamente desejável num primeiro instante, até para eliminar, por meio das ideias e não da força, a referida necessidade psicológica da submissão a algum tipo de estado, governo ou grupo que monopolize a força.

    Até porque acredito, a liberdade é contagiante e não tardaria às pessoas envolvidas perceberam, na prática, suas infinitas vantagens em relação a qualquer outro modelo de organização social.
  • Marcos  19/02/2011 20:28
    A comparação oferecida é falha. Embora os mesmos argumentos possam ser usados tanto para a escravidão quanto para a existência do estado, isso não significa que o segundo esteja no mesmo patamar moral da primeira. Há no caso uma falsa analogia, pois em momento nenhum a comparação de argumentos fornece uma base para realmente aproximar as 2 idéias. Se eu uso um argumento X para justificar A e uso o mesmo argumento X para justificar B, então A é equivalente a B. Não faz o menor sentido.

    Só para ter uma idéia, se substituirmos "escravidão" ou "governo" por "punição ao homicídio", os mesmíssimos argumentos (ou pelo menos quase todos) podem ser aplicados. Alguns exemplos:

    Todas as sociedades do mundo punem os homicídios.

    Sem a punição aos homicídios, as pessoas morrerão em massa.

    Sem a punição aos homicídios, as pessoas ficariam fora de controle, roubando, estuprando, matando e provocando o caos generalizado.

    Então se aplicarmos a mesma lógica de antes, chegaremos ao resultado absurdo de que os homicídios não devem ser punidos, já que podemos usar os mesmos argumentos que eram utilizados para a escravidão.

    Não sou um grande fã do governo, mas o argumento não obedece os requisitos da lógica. Na verdade me parece um tanto panfletário...
  • anônimo  19/02/2011 21:43
    Interprete o texto segundo a sua lógica: governo = escravidão, e apenas esta. Generalizando os argumentos usados no texto você pode tropeçar nos ataques ao autor.

    "Na verdade [o texto] me parece um tanto panfletário..."

    E é. E vai me dizer que o texto não cumpriu bem a sua função? Inclusive a reputação do autor vem justamente deste deste seu lado satírico e polêmico.
  • Tiago  19/02/2011 21:54
    Marcos, você já leu outros textos do site ou esse é o primeiro? Porque o que você diz que falta não era objetivo desse texto em particular.

    O estado pode não tratar seus súditos com a mesma violência que um senhor de escravos tratava os seus escravos, mas o estado nos obriga a sustentá-lo através de ameaças - e muitas dessas ameaças são concretizadas em atos de violência. Pode não estar no "mesmo patamar", mas é um absurdo ainda assim. Talvez não escravos, mas somos no mínimo servos dessa máfia parasita.
  • Angelo T.  19/02/2011 22:04
    Marcos, não sei se você leu o texto todo, mas a aproximação da escravidão com o estado é feita em 3 parágrafos, no trecho que segue:\r
    \r
    "Quando escrevo sobre o governo "como o conhecemos", estou me referindo à forma de governo monopolista e não consentida pelo indivíduo, forma essa que existe hoje em praticamente todos os lugares da terra. \r
    \r
    Os leitores podem contestar dizendo que pelo menos algumas das formas existentes de governo de fato têm o consentimento das pessoas. Mas eu pergunto: onde está a evidência? Mostrem os contratos adequadamente assinados, com testemunhas e tudo. A menos que todos os adultos que hoje estão submetidos a essa autoridade reivindicada pelo governo tenham voluntariamente e explicitamente aceitado serem governados em termos específicos, a única suposição lógica que resta é a de que os governantes simplesmente impuseram seu domínio. \r
    \r
    Declarações, propagandas, textos cívicos, pesquisas de opinião, conversas de boteco, eleições políticas e afins são irrelevantes e nada têm a ver com essa questão. Ninguém pensaria em oferecer tais formas de evidência para mostrar que eu possuo um contrato válido com minha operadora de celular, que me provê serviços telefônicos. Quando o governo do meu país, o governo do meu estado e a prefeitura da minha cidade irão me mandar os contratos para que eu possa assinar dizendo se concordo (ou não) em comprar seus "serviços" em termos mutuamente satisfatórios?"
  • void  19/02/2011 22:12
    Acho que estes vídeos podem ajudar a esclarecer um pouco as coisas:
    www.youtube.com/watch?v=Z1JfKUgEnr4
    www.youtube.com/watch?v=O71fFqM12WQ
  • Augusto  19/02/2011 22:26
    "Sem a punição aos homicídios, as pessoas morrerão em massa. Sem a punição aos homicídios, as pessoas ficariam fora de controle, roubando, estuprando, matando e provocando o caos generalizado."\r
    \r
    Pergunta simples direcionada ao comentarista que escreveu as frases acima: se nao fossem as punicoes, VOCE sairia de controle, roubaria, estupraria, mataria e provocaria o caos?
  • Marcos  20/02/2011 12:10
    OK, vamos lá.

    Sim, já li outros textos e concordo com a maior parte do que é dito.

    E sim, de fato o texto cumpre bem o papel de panfleto, é impactante e faz as pessoas emocionalmente compararem o governo a escravidão.

    Sobre os parágrafos mostrados pelo Angelo, realmente achei que fui injusto ao deixar escapar o argumento de que o governo impõe seu domínio. Este argumento está correto, embora por si só não implique na igualdade entre escravidão é governo. Um pai também não têm contrato algum para impôr sua autoridade ao filho e ainda assim o faz. Obviamente, NÃO é o mesmo caso que o governo, que na maior parte das vezes impõe sua autoridade em proveito próprio. Mas o importante aqui é saber que é necessária maior fundamentação para aproximar governo e escravidão, como foi feito em outros textos. Mas isso é um assunto longo e aqui não é o local adequado para isto.

    Entretanto, mantenho as críticas em relação a analogia. Ela se mostra descabida ao analisarmos logicamente. Podemos dizer que isso é um complemento ao argumento da imposição, só para dar mais impacto? Sim. Mas não deixa de ser falsa. Claro que isso não implica na injustiça da causa que ela defende. Pelo contrário, como a causa é justa, existem ótimos argumentos a favor da contenção do governo. Em comparação com os outros, este me parece ainda mais pobre.

    "Pergunta simples direcionada ao comentarista que escreveu as frases acima: se nao fossem as punicoes, VOCE sairia de controle, roubaria, estupraria, mataria e provocaria o caos?"

    Irrelevante. Não importa o que eu ou qualquer outra pessoa faria na prática. O fundamento da minha refutação é esse: se alguém propôr a descriminalização do homicídio, os mesmos argumentos poderão ser usados. Não importa se eles vão ou não se concretizar, tanto que no próprio caso da escravidão eles se mostraram falsos. O ponto é: você considera a punição ao homicídio injusta apenas por podermos usar estes argumentos?



  • Angelo T.  20/02/2011 17:04
    Marcos, olha o que você escreveu:\r
    "Se eu uso um argumento X para justificar A e uso o mesmo argumento X para justificar B, então A é equivalente a B."\r
    \r
    Concordo com o que você escreveu, mas não vejo isso no texto.\r
    O autor fez analogia de A com B. Depois disse que os argumentos usados para defender A também são usados para defender B. Hoje achamos que os argumentos para defender A são fracos, e devido às similaridades entre A e B, deveríamos desconfiar dos argumentos para defender B.\r
    \r
    E analogia é exatamente isso, uma analogia. As duas coisas comparadas são diferentes, mas contém similaridades que são importantes para o assunto em questão. Se tudo fosse igual entre as coisas comparadas, elas seriam a mesma coisa. Não faria sentido a analogia.
  • Tiago  21/02/2011 07:14
    A autoridade dos pais sobre os filhos existe pois os pais são os "provedores do lar" e tudo o que os filhos têm.
    Do ponto de vista libertário, um pai não pode impedir um filho determinado a sair de casa e viver por conta própria.
  • Lucas B. S.  13/06/2019 20:00
    A comparação oferecida é falha. Embora os mesmos argumentos possam ser usados tanto para a escravidão quanto para a existência do estado, isso não significa que o segundo esteja no mesmo patamar moral da primeira. Há no caso uma falsa analogia, pois em momento nenhum a comparação de argumentos fornece uma base para realmente aproximar as 2 idéias
    (...)
    se substituirmos "escravidão" ou "governo" por "punição ao homicídio", os mesmíssimos argumentos (ou pelo menos quase todos) podem ser aplicados

    --------

    Tua tentativa de refutação é falha:

    "punição a homicidio" não é uma violação de liberdades individuais da mesma forma que escravismo e estatismo o são. Estes últimos, por serem da mesma natureza (coerção), são sim, completamente análogas.

    E mesmo se não fossem, como disse o colega acima: analogias são para formar um paralelo. Se fossem iguais seria desnecessário.
  • mcmoraes  11/09/2012 12:38
    Sugestão de tradução e publicação no IMB: A Few Questions to Ask. Muito obrigado!
  • Felipe  04/02/2014 14:26
    Eu não acho que o Instituto Mises deveria fazer tanta apologia para a ausência de Governo. Diminuir o Estado é uma coisa, extinguir é outra.
  • Emerson Luis, um Psicologo  21/09/2014 19:52

    A abolição da escravidão requereu muito tempo e esforço para se concretizar.

    A abolição do estatismo também vai requerer.

    * * *


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