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Notícias deflacionárias (e interessantíssimas) sobre o Japão

Em julho de 2010, publiquei este artigo sobre o Japão, no qual dizia que, contrariamente ao senso comum, o Banco Central japonês não havia incorrido em nenhuma política de agressiva expansão monetária.  Mostrei gráficos que davam suporte a esta afirmação.  Expliquei que as baixas taxas de juros da economia eram resultado direto dessa baixa expansão monetária, bem como da alta taxa de poupança dos japoneses.

Expliquei também que foi justamente essa contida expansão monetária (desde o início de 2007, o M1 cresceu 0%, e o M2, abaixo de 3%) a responsável pela suave deflação de preços que vinha ocorrendo na economia japonesa. (Veja os gráficos aqui).

Por fim, disse também que todos os problemas da economia japonesa estavam na política fiscal do governo e nos pacotes de socorro concedidos a instituições financeiras falidas, as quais, justamente por serem ineficientes e por terem sido impedidas de quebrar, se transformaram em verdadeiros zumbis, emperrando todo o sistema financeiro. 

A deflação de preços que por sua vez vinha ocorrendo era bastante suave, e de modo algum explicava qualquer pasmaceira da economia japonesa — muito pelo contrário: ela foi a salvação da economia.  O real culpado de tudo eram as políticas de gastança, socorro e endividamento do governo japonês.

Pequeno resumo

Após o estouro da bolha imobiliária japonesa no início da década de 1990, bobalhões keynesianos disseram ao governo japonês que era preciso tomar uma atitude contra a iminente deflação de preços, típica de um cenário pós-estouro de bolhas.  Em outras palavras, era preciso estimular a economia para evitar qualquer "risco" de queda de preços.

Como o Banco Central japonês havia mudado seu estatuto em 1991 — justamente por causa da bolha que criou —, ele tornou-se "excessivamente independente", na linguagem dos críticos.  Ele passou, inclusive, a ser criticado por "insensibilidade" aos pedidos do governo para estimular a economia.  Logo, como o BC japonês havia deixado claro desde o início da recessão que não mais iria estimular a economia com impressões de dinheiro, restou ao Tesouro japonês a tarefa de inventar estímulos fiscais.

Ato contínuo, o governo embarcou em um mastodôntico programa de gastos em infraestrutura, construindo pontes que saíam do nada e levavam a lugar nenhum, estradas, aeroportos e qualquer outra coisa que envolvesse cimento.  Como o próprio Paul Krugman admitiu,

Ao longo da última década [1990], o Japão lançou mão de gigantescas obras públicas como um meio de criar empregos e injetar dinheiro na economia.  As estatísticas são impressionantes.  Em 1996, os gastos do Japão com obras públicas, em porcentagem do PIB, foram mais de quatro vezes maior que os dos EUA.  O Japão despejou o mesmo volume de concreto que nós, embora tenha menos da metade da nossa população e apenas 4% da nossa área terrestre.  Um em cada dez trabalhadores japonês estava empregado na construção civil, muito mais que em qualquer outro país avançado.

O problema principal é que o governo japonês utilizava não apenas suas receitas tributárias para criar programas de estímulo fiscal; ele passou também a se endividar enormemente para gastar ainda mais com obras de infraestrutura.  Ou seja, o governo tomava o dinheiro dos japoneses duas vezes: via impostos e via poupança (quando o governo vende títulos para arrecadar dinheiro, ele está retirando dinheiro que os bancos poderiam emprestar para investimentos privados).

Outro agravante foram os pacotes de socorro ao sistema financeiro: ao invés de deixar bancos falidos quebrarem, o governo japonês salvou-os utilizando dinheiro dos pagadores de impostos.  O resultado foi uma série de bancos zumbis, sem eficiência e sem capital, mas que ainda funcionam apenas em decorrência do socorro do governo.

Como consequência desses programas, os déficits anuais constantemente ultrapassaram os 6% do PIB.  A dívida do governo, que era de 65% do PIB em 1992, pulou para incríveis 185% do PIB em 2009.  Hoje já está beirando a casa de surreais 200%.  O serviço dessa dívida asfixia completamente o setor privado.  (Veja o último gráfico dessa página).

Ou seja, foi essa política fiscal keynesiana do governo japonês que emperrou a economia daquele país.  Como também havia apontado naquele meu artigo, utilizando gráficos da contida expansão monetária ocorrida no Japão pós-bolha, o país passou por uma interessante dicotomia: o Banco Central era seguidor de Escola de Chicago e a política fiscal era keynesiana.

Tal postura do Banco Central japonês, de contida expansão monetária, fez com que o crescimento econômico ocorrido, embora bastante tímido, fosse suficiente para fazer os preços declinarem levemente.  E isso havia sido ótimo para a economia japonesa.  Ao contrário do que dizem economistas convencionais, essa deflação de preços foi a única coisa genuinamente boa que ocorreu na economia japonesa. 

Querem ver?

Notícias interessantes

A seguir, transcrevo trechos de uma reportagem da Bloomberg sobre o atual cenário de deflação de preços no Japão.  A reportagem possui um tom involuntariamente cômico: ao mesmo tempo em que a repórter insiste em assegurar ao leitor que deflação de preços é algo ruim, os próprios fatos citados na reportagem contradizem essa sua insistência.  Peço ao leitor que tenha a bondade de ler tudo, é bastante interessante.

Japão Aprende a Viver com a Deflação

Os salários estão menores, mas o mesmo ocorre com os preços de tudo, desde hambúrgueres até mensalidades em clubes de golfe.  Mesmo as empresas japonesas estão criando maneiras de lucrar com a deflação

Por Aki Ito

[...]

Há algo de curioso em relação ao modo como a síndrome da deflação vem se desenrolando no Japão.  Os japoneses não se sentem mais tão ameaçados como antes.  "Todos sabiam que a deflação eram ruim para os empregos e ruim para a economia, mas gradualmente as famílias e as empresas foram se acostumando a ela", diz Martin Schulz, economista sênior do Fujitsu Research Institute, em Tókio.

A deflação — a contínua queda nos preços dos bens, serviços e salários — possui vários efeitos perniciosos.  As famílias ficam com dificuldades para pagar suas hipotecas, seus automóveis financiados e outras dívidas, uma vez que seu salário líquido foi reduzido.  Da mesma forma, à medida que os preços dos imóveis caem, os consumidores ficam com menos ativos para suas aposentadorias.  As empresas, por sua vez, não conseguem elevar os preços, o que pressiona os lucros para baixo.

No entanto, os japoneses também descobriram os benefícios da deflação.  Os salários mensais caíram para uma média de 315.294 ienes (US$ 3.800) em 2009, o nível mais baixo desde que o governo começou a coletar dados salariais em 1990.  "Eu sei que não terei aumentos salariais", diz Momoko Noguchi.  A jovem de 24 anos, residente em Tókio, sobrevive com dois empregos de meio expediente e compra de tudo, desde esmaltes até pratos de jantar, na loja local de 100 ienes (o equivalente japonês das lojas de 1 dólar), e paga 400 ienes ou menos por um almoço.  "Espero que os preços continuem caindo".  Quatro de cada cinco japoneses dizem que preços mais altos seriam "desvantajosos" para a economia, de acordo com uma pesquisa do Banco Central.

Ao lidarem com consumidores como Noguchi, as empresas japonesas acabaram na realidade acelerando a deflação.  Os varejistas "estão se esforçando enormemente para oferecer produtos baratos e ao mesmo tempo valiosos", diz Naozumi Nishimura, um analista da TIW em Tókio.  "Estamos vendo alguns bons efeitos decorrentes disso".

Para ajudar a reverter um declínio de sete anos em suas franquias, a McDonald's Holdings do Japão, uma unidade do McDonald's, introduziu o menu dos 100 ienes em 2005.  O hambúrguer que hoje é vendido por 100 ienes era vendido por 210 ienes em 1990.  "Queremos que nossos clientes saibam que nós mudamos", diz Kazuyuki Hagiwara, gerente sênior de marketing da empresa.  Desde a estréia deste novo e mais barato menu, as vendas passaram a subir ano após ano.  As ações do McDonald's do Japão aumentaram 17% nos últimos três anos. 

A redução de preços feita pelas empresas ajudou os consumidores japoneses a se ajustarem à deflação.  Atualmente, uma família média possui 1,4 carros e 2,4 televisões, valores 25% maiores do que em 1990, no ápice da bolha.  A deflação ajudou os compradores de imóveis também, ao derrubar os preços desde seu ápice em 1990: os preços dos terrenos residenciais no Japão caíram uma média de 2,9% ao ano ao longo das últimas duas décadas.

Jogadores de golfe pagam 26.800 ienes (US$ 324) para jogar no fim de semana no Oak Hills Country Club, a 90 minutos do centro de Tókio, com direito a carregadores de taco e tudo.  Vinte anos atrás, a taxa era de 40.000 ienes, diz Katsutoshi Ohira, gerente em exercício.  Mais ainda: a proporção de pessoas contentes com seu padrão de vida foi de 63,9% ano passado.  Em 1989, essa proporção era de 63,1%, segundo um relatório do governo.

A deflação está tão arraigada no Japão, que as empresas estão começando a exportá-la.  A empresa varejista Fast Retailing planeja abrir 44 de suas subsidiárias Uniqlo em outros países até o final do ano.  A cadeia de supermercados Aeon já destinou aproximadamente US$ 2,5 bilhões para abrir filiais, durante os próximos 3 anos, na China e no Sudeste Asiático.  A Daiso Corporation, que domina o ramo de lojas de 100 ienes, agora possui filiais em mais de 20 países. 

No Japão, onde 23% da população tem mais de 65 anos de idade, um súbito aumento nos preços iria afetar pensionistas e aposentados de modo especialmente penoso.  "É surpreendente o que você pode comprar com 100 ienes atualmente.  Não tínhamos lojas de 100 ienes antes", diz Sachiko Enokida, 80 anos, que vive de uma pensão bimestral dada pelo governo.  "Eu iria odiar se as coisas voltassem a ficar caras novamente".

Portanto, seria a deflação uma benção oculta?  Não para analistas como Richard Jerram, chefe da seção de economia asiática da Macquarie Securities.  Ele diz que, à media que as empresas cortam preços para poder competir, vai se tornando mais difícil para conseguir empréstimos e investir.  "É algo extremamente corrosivo", diz ele.  A deflação, acrescenta Jerram, irá gradualmente solapar o crescimento nominal do Japão e privar o governo de mais receitas.  No final, o governo do Japão poderá não conseguir sequer financiar seus empréstimos.  O país então terá apenas duas opções: dar o calote em uma dívida que é o dobro do tamanho da sua economia, ou desvalorizar sua moeda para reduzir o valor real de seu passivo.  "Esse será o inevitável final", diz Jerram, que analisou a economia japonesa desde 1987.  "Enquanto o problema for postergável, todos podem fingir que não é problema de ninguém".

Conclusão: embora a deflação essencialmente represente uma séria ameaça para o Japão, os consumidores estão se beneficiando dos preços mais baixos.

É ou não é desesperador?  A repórter junta todos os fatos corretos e, no final, chega à conclusão errada. 

Pior do que a estarrecedora descoberta de que consumidores gostam de ver preços em queda (quem imaginaria isso?!), é o raciocínio torto daquele economista do penúltimo parágrafo que disse que a deflação de preços é "corrosiva" e traria uma hecatombe para a economia japonesa.  Vale a pena nos determos um pouco em suas considerações, pois elas representam a epítome do pensamento keynesiano.

Em primeiro lugar, todos os problemas japoneses não advêm da deflação de preços, mas sim da ignara política fiscal do governo, que em uma néscia e fútil tentativa de combater a deflação de preços, saiu gastando com inutilidades, destruindo poupança e endividando o país até o nível pornográfico de 200% do PIB.

Caso não tivesse feito isso, o cenário de deflação de preços continuaria, só que com uma considerável diferença: a economia estaria assentada sobre uma montanha de capital e não sobre uma montanha de dívidas.

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Menu da promoção do McDonald's de ¥$100, aproximadamente R$ 2.

Essa política fiscal foi, sem dúvida, uma das principais causas do baixo crescimento econômico japonês — para um povo que poupa muito, era de se esperar taxas de crescimento anuais mais robustas.  Porém, como o governo consome toda essa poupança para financiar seus déficits, os investimentos ficam comprometidos, pois não há recursos sobrantes para financiá-los.  E isso engessa o crescimento.

Se o governo reduzisse seus gastos a ponto de zerar seu déficit orçamentário (em termos nominais), ele não mais precisaria pegar dinheiro emprestado para fechar seu orçamento.  Ou seja, ela não mais precisaria recorrer à poupança dos cidadãos.  Isso faria com que houvesse mais fundos disponíveis para serem emprestados ao setor privado, tanto às empresas quanto aos consumidores.  A poupança que o governo teria absorvido vendendo títulos agora estaria disponível para ser utilizada de maneira mais proveitosa por empreendedores e consumidores.

Outra falha no raciocínio do economista: se os preços estão caindo para todos, então, por uma questão de lógica, eles têm de estar caindo para o governo também.  Logo, não faz sentido a conclusão de que o governo ficará privado de receitas e não conseguirá sequer financiar seus empréstimos.  Basta ele reduzir sua folha de pagamento e cortar gastos. 

Aliás, é aí que está o problema: todo governo, sempre e em qualquer lugar, quer ter cada vez mais receitas para poder incorrer em cada vez mais gastos para poder sustentar sua cada vez mais inchada burocracia.  E burocrata que se preze não admite reduções salariais e perdas de privilégio.  Logo, a deflação é um ótimo remédio contra a expansão da burocracia. 

No entanto, o economista chega à aterradora conclusão de que a dificuldade do governo em arrecadar mais impostos será o verdadeiro empecilho ao crescimento econômico futuro do Japão!

Ao contrário do que pensam economistas keynesianos que confundem queda de preços com recessão econômica, o fato é que não há nada de ruim com uma deflação de preços por si só.  Muito pelo contrário: preços em queda são o resultado natural de uma economia de mercado em crescimento e com uma prudente gestão da moeda.  Se a quantidade de produtos aumenta, mas a oferta monetária permanece relativamente inalterada, então o resultado natural será uma queda nos preços, para benefício de poupadores e consumidores.  Isso aconteceu durante a segunda metade do século XIX nos EUA, ainda sob o padrão-ouro clássico (leia mais aqui).

Prova de que não há nada de errado com a deflação de preços é que empresas como Honda, Toyota, Subaru, Mitsubishi, Nissan, Mazda, Panasonic, Sony, Nippon etc. estão indo muito bem.

Preços em queda e padrão de vida em ascensão, ambos gerados por uma maior produtividade, são exatamente as duas coisas que toda economia deveria almejar.  O Japão — principalmente pela cultura empreendedora e disciplinada de seu povo — tinha um grande potencial para atingir esse arranjo de modo sustentável.  Mas não conseguirá justamente por causa do seu governo, que, seguindo conselhos de economistas keynesianos, endividou-se profundamente e, com isso, vem sugando grande parte do capital da economia, o que inibe investimentos mais produtivos.

Conclusão

Como a reportagem mostrou de modo bastante inadvertido, famílias e empresas japonesas já se adaptaram ao ambiente de deflação de preços.  Ao contrário da teoria keynesiana, ambos prosperam nesse cenário.

Deflação de preços e maior padrão de vida são fatores completamente interligados, e o primeiro jamais deveria ser condenado por pessoas sensatas.

O problema da economia japonesa não é a deflação.  Ao contrário, a deflação tem sido sua salvação.  Não há nada de "corrosivo" na deflação, como disse o economista.  Mas há tudo de corrosivo em um governo que gasta, se endivida e deixa a economia de um país com uma dívida cujo tamanho é simplesmente o dobro do tamanho do seu PIB.

Se o governo japonês cortasse gastos e equilibrasse seu orçamento, parando de incorrer em déficits, a poupança dos japoneses deixaria de ser utilizada para financiar o governo, passando a ser liberada para investimentos realmente produtivos, o que daria um grande impulso à economia.  Isso, em conjunto com a baixa expansão monetária praticada pelo Banco Central, elevaria enormemente o padrão de vida dos japoneses.

Por fim, uma observação técnica interessante: como o Banco Central japonês não está expandindo a oferta monetária, ficou extremamente difícil para o governo japonês financiar-se por meio da inflação monetária.  Lá o governo não tem, por exemplo, a moleza que o governo brasileiro tem, de obter aumentos na arrecadação em decorrência do simples aumento na quantidade de dinheiro na economia.  Aqui no Brasil, qualquer aumento na oferta monetária se transforma em aumento na arrecadação do governo (basta olhar os dados e conferir que o aumento da arrecadação se dá de acordo com o aumento dos agregados M1 e M2).  Lá no Japão, isso não ocorre.

Sendo assim, o governo japonês só pode se financiar via impostos e via empréstimos.  Como o primeiro é impopular, resta-lhe apenas o segundo (daí a grande explosão da dívida do governo).  Cito esse detalhe apenas para chamar a atenção para o fato de que é assim que um governo seria obrigado a operar, por exemplo, sob um padrão-ouro, em que a oferta monetária é rígida e fora do controle do governo.  Caso o governo não se adequasse ao seu orçamento, ele rapidamente se tornaria insolvente, pois não poderia ficar pegando ouro emprestado ad eternum da população.  O governo japonês, que está tecnicamente insolvente (uma dívida de 200% do PIB é impagável), só não entrou em falência porque sua dívida foi construída com dinheiro de papel que pode ser criado do nada — ou seja, tecnicamente, ela pode ser paga pela simples impressão de dinheiro.  Isso só não é feito pelo óbvio motivo da inflação de preços que geraria.

É por isso também que todos os governos tremem só de ouvir falar em padrão-ouro.  Trata-se de um arranjo monetário que retira completamente toda a sua capacidade de expansão.

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Artigos sobre deflação:

Deflação: os maiores mitos

Deflação, livre ou compulsória

Deflação, prosperidade e padrão-ouro


autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Rhyan Fortuna  03/02/2011 07:24
    Gostei muito! Parabéns, Leandro!


    Num padrão-ouro o governo ainda poderia financiar-se com dívidas? O que mudaria nisso?
  • Leandro  03/02/2011 14:55
    Rhyan, o governo poderia, sim, financiar-se com dívidas. Mas como o ouro é escasso, quanto mais ele se endividasse, inevitavelmente maiores seriam os juros cobrados sobre os empréstimo. Não haveria como um banco central ficar criando dinheiro de modo a reduzir juros para o governo (que é o que ocorre hoje); e o governo, para quitar essas dívidas, teria de recorrer apenas à tributação, o que é impopular.

    No limite, quanto mais ouro o governo pegasse emprestado da população para desperdiçar com sua burocracia, menos ouro haveria disponível para investimentos, o que elevaria os juros por toda a economia, levando a um total declínio econômico do país.

    Abraços!
  • Mohamed Attcka Todomundo  06/08/2015 17:55
    leandro, ñ sei se vc ja viu o "Príncipes do Iene - Bancos Centrais e a Transformação da Economia" no youtube.



    é uma interpretaçao keynesiana sobre a recessao dos japas no inicio de 1990. bem, nem sei se eh keynesiana, pq eh muito confusa. tem horas q parece keynesyana, outras parecemanicomiada, noutras piada, e as vezes ate liberalista. entao acho q eh keynesyana pq tudo q ñ faz sentido em economia me parece keynesiano.

    mas va la. te recomendo ver ou ler esse doc. tive q por varios links do IMB nele, junto com uns comentarios meus p/ explicar o quanto a explicação ali tá, p/ dizer o minimo, estranha... (mas tá errada, sem eufemismos, ta errada). o cara cita muitos fatos corretos, mas enxe de asneiras no ora de ordenar fatos numa explicassão. tlv desse mote p/ um artigo seu no futuro.

    tudo de bom p/ vcs todos

    OBS! transcrevi no meu blog: Principes do iene
  • Angelo T.  03/02/2011 09:17
    Lembrei de uma matéria optativa que fiz na faculdade, era mais ou menos "a vida e obra de Keynes". Em uma das primeiras aulas o professor disse "ninguém explica o Japão". Dói só de lembrar que a gente ainda paga para ter essas aulas.
  • Kamarada Revolucionário  05/02/2011 16:28
    "Ninguém explica o Japão" - Professor tonto do Angelo\r
    \r
    O caso do Japão é bastante peculiar e merece um tratamento cauteloso para que não se divulgue mais equívocos. O texto do Leandro, embora muito bem intencionado, não foi feliz em demonstrar a verdade sobre o Japão. A questão japonesa se resume a dois pontos Pikachus e epilepsia. O motivo do crescimento contido no Japão deriva da quantidade de desenhos animados com flashes luminosos poderosos que foram produzidos em grande quantidade no inicio da década de 90 o que afetou a capacidade produtiva dos japoneses que ao invés de produzir carros para exportar para os US ficavam assistindo desenhos e tendo ataques epilépticos. Em um primeiro momento isso afetou a economia negativamente, mas os japoneses perceberam que precisavam procurar tratamento então passaram a ir ao medico, que recebia pelo tratamento e gastava o dinheiro na economia.\r
    \r
    \r
    No gráfico que segue é possível perceber a relação entre epilepsia e crescimento econômico, onde houve crescimento tanto de E1 quanto de E2. \r
    \r
    www.google.com.br/imgres?imgurl=embryology.med.unsw.edu.au/Notes/images/urogen/uterus_growth.jpg&imgrefurl=embryology.med.unsw.edu.au/Medicine/BGDlabXYXX_4.htm&usg=__gnEWDj_QPkPJckRvs4HpIfxoGpQ=&h=296&w=438&sz=28&hl=pt-br&start=0&zoom=1&tbnid=MMJgnBSmPYl4cM:&tbnh=130&tbnw=193&ei=Vo5NTdrADYKSgQetlYQk&prev=/images%3Fq%3Dgrowing%2Bgraph%2Bdevelopment%2Banime%26um%3D1%26hl%3Dpt-br%26sa%3DX%26biw%3D1259%26bih%3D615%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=312&oei=t41NTfTUKIyr8AbLtuSrDg&esq=4&page=1&ndsp=19&ved=1t:429,r:12,s:0&tx=94&ty=32\r
    \r
    \r
    A minha tese cientifica sobre essa relação é extensa, portanto, não farei sua exposição na seção de comentários, mas caso exista interesse do IMB ou alguém se interesse em estudá-la pode me contatar pelo e-mail:\r
    \r
    educacaoseimpoe@totalitarios.gov.br\r
    \r
    \r
    O que acharam? Solucionei o "Caso Japão"?\r
  • Fernando Ulrich  03/02/2011 10:28
    Leandro,\r
    \r
    Grande artigo. Finalmente temos uma evidência empírica e modernda da teoria de que deflação não é nenhum caos monetário.\r
    \r
    Confesso que cliquei no link da notícia, a li por completo em inglês e fiquei pasmo ao ler a conclusão da repórter da matéria.\r
    \r
    Aí voltei ao artigo e compartilhando da tua perplexidade não pude conter o riso ao ler: "É ou não é desesperador? A repórter junta todos os fatos corretos e, no final, chega à conclusão errada."\r
    \r
    Heheheh... é de fato incrível.\r
    \r
    Esse é o problema das teorias keynesianas e afins, os economistas destas escolas não aprendem a refletir, a raciocinar e questionar. São doutrinados. Então quando analisam um fato histórico e todos os dados e evidências apontam o contrário do que sua teoria prega, das duas uma: ou a realidade está errada ou como fez a repórter, ignoram a realidade e conclui o oposto absurdo.\r
    \r
    Um abraço!
  • Artur Reis  03/02/2011 11:57
    GOLD is GOLD !!!
  • Roberto  03/02/2011 14:15
    Eu lí seu artigo linkado Leandro. Também lí este que você escreveu.

    Então o governo japonês não repassa recursos públicos? Leia isso, então:

    www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100911/not_imp608267,0.php

    www.cbc.ca/money/story/2010/08/20/japan-stimulus.html

    E tem mais ainda: no Instituto Mises Americano, o Jeffrey Tucker (que é uma espécie de "Leandro Roque" daquele instituto, já que exerce a mesma função do Leandro aqui) escreveu um artigo corneteando o Paul Krugman sobre o Japão, dizendo que o caso japonês revela o fracasso keynesiano proposto por Krugman, e ainda neste post, aparece um comentarista afirmando a mesma coisa que o Leandro disse: que o Japão é o país que mais se aproximou da Escola Austríaca e veja o mico que ele pagou:

    blog.mises.org/13729/they-really-are-against-growth/
  • Leandro  03/02/2011 14:36
    Não entendi seu post, Roberto. Todos os 3 links que você passou confirmam exatamente o que está dito no artigo. Qual a contradição?

    Outra coisa: no primeiro artigo, eu não disse que Japão é o país que mais se aproximou da Escola Austríaca. Era só o que faltava mesmo. Eu escrevo dois artigos comentando tudo de ruim que o governo japonês fez e concluo isso?

    O que eu disse e repito é que o comportamento do BC japonês, desde 1992, tem sido chicaguista. E depois concluí que, em termos exclusivamente monetários e de preços, o BC do Japão tem sido a instituição cujo comportamento mais se aproximou daquele preconizado Escola Austríaca nas últimas duas décadas. E isso é um fato comprovado facilmente pelos gráficos que ilustram o comportamento da oferta monetária.

    O problema todo, repito, está na política fiscal, totalmente keynesiana.

    Por favor, não tente distorcer minhas palavras.

    Abraços.
  • Getulio Malveira  03/02/2011 15:04
    Fiat Keynes, pereat mundus - é o que se pode dizer sobre o raciocínio keynesiano.

    Muito bom artigo.

    Nunca entendi direito porque os keynesianos demonizavam a deflação, mesmo antes de conhecer a E.A.

    Está óbvio que a doutrinação é capaz de cegar completamente as pessoas. Afinal, como se explica que um sujeito enumere um monte de FATOS extremamente positivos e conclua o exato oposto?
  • alexrj  03/02/2011 17:07
    Os EUA tb nao se endividaram emitindo títulos ? Por que há inflação lá atualmente ?\r
    \r
    Att, Alexandre
  • Leandro  03/02/2011 17:30
    Porque o banco central americano está constantemente expandindo a oferta monetária. Como o faz também o brasileiro.
  • alexrj  03/02/2011 19:45
    Leandro\r
    \r
    Pelo que sei, os economistas austriacos preveem um 2 colapso da economia americana em breve. Um dos q afirmam isso é o Peter Schiff. Porem no Japao isso nao ocorreu\r
    Por que nos EUA seriam diferente ?\r
    \r
    Att, Alexandre
  • Leandro  03/02/2011 20:33

    Porque a economia do Japão não apresenta as mesmas características negativas da economia americana.

    1) O povo japonês é tradicionalmente poupador e não consumista, como o americano. É a poupança que permite investimentos em capital que dinamizam uma economia.

    2) O banco central de ambos os países adotou políticas monetárias radicalmente opostas. Enquanto o japonês se conteve e simplesmente parou de inflacionar a moeda, o americano explodiu a base monetária do país.

    3) O Japão tem uma base industrial sólida e competitiva. Já os EUA dizimaram sua base industrial em decorrência de sindicatos agressivos que exigiam privilégios crescentes, aumento das regulamentações governamentais, carga tributária crescente, plantas e equipamentos envelhecidos, a cultura do bigger is better -- que gerava desperdício e não estimulava a conservação e a disciplina -, e um descaso para com a qualidade e o design de seus produtos -- que é onde os japoneses fazem a festa.

    4) Todos os problemas americanos mencionados no item 3 foram agravados pelo fato de o dólar ser a moeda de comércio internacional. O banco central americano imprimia dólares e os mandava para o exterior, e em troca esses países devolviam aos EUA produtos de todos os tipos. A coisa aparentemente funcionava. Os dólares enviados ao exterior voltavam na forma de investimento em títulos do governo americano, e o ciclo se reiniciava - algo que mais parecia um moto-perpétuo. Porém, veladamente, a base industrial americana foi desaparecendo. Afinal, não fazia sentido o país produzir coisas se ele podia simplesmente adquiri-las do exterior muito mais facilmente. Bastava imprimir dinheiro.

    5) Além da alta taxa de poupança, o Japão ainda é o país de maior (superávit) em conta-corrente do mundo, bem como o maior credor do mundo, maior até do que a China.

    Quer mais?
  • Rafael Hotz  03/02/2011 20:52
    Leandro, você teria dados de preços relativos input/output ou input/input lá? O salário real cresceu?
  • Leandro  03/02/2011 21:04
    Hotz, valores direto, não.

    Mas você pode pegar o primeiro e o terceiro gráfico dessa página e tentar fazer uma relação aproximada, para os salários reais.

    research.stlouisfed.org/publications/iet/japan/page4.pdf
  • Marcelo  04/02/2011 13:39
    Leandro,

    um dos argumentos de pessoas contra movimentos como a ALCA (que, até onde eu sei, era baseada em acabar com tarifas alfendegárias para facilitar o comércio entre os países) era justamente que a indústria brasileira tinha que ser protegida para não enfraquecer/desaparecer: "afinal, não faria sentido o país produzir coisas se ele podia simplesmente adquiri-las do exterior muito mais facilmente." (e mais barato).

    Esse argumento também se aplicaria aqui? Por quê? Henry Hazlitt, pelo que lembro do seu livro Economia em Única Lição, discordava dessa visão de que era necessário "proteger a indústria nacional".
  • Leandro  04/02/2011 17:03
    Prezado Marcelo,

    A ALCA não tem nada de livre comércio. Trata-se de um arranjo criado por governos para privilegiar determinadas em empresas em detrimento de outras. Um livre comércio genuíno não requer tratados, nem acordos, nem papelada nenhuma. Tudo o que ele necessita é que se removam (unilateral ou multilateralmente) todas as barreiras artificiais ao comércio. O NAFTA, por exemplo, tem duas mil páginas, novecentas das quais se referem unicamente a tarifas.

    Há várias regras, estipulações e controles. Até mesmo questões trabalhistas são impostas. Não há absolutamente nada de livre comércio aí.

    Ademais, esses acordos de comércio vêm sempre cheios da palavra "exceção". Aqueles que sabem manusear suas influências políticas por meio de grupos de interesses sempre recorrem a "favores" políticos para se proteger da concorrência externa. Dentre esses grupos de interesse estão tipicamente os produtores de itens essenciais. Os principais esforços dos governos signatários desses tratados são para permitir que os produtores de itens de consumo básico cobrem preços mais altos, provocando uma distribuição inversa de renda: dos membros mais pobres da sociedade para os poucos privilegiados.

    Ao invés de livre comércio, o que esses acordos criam é um sistema de comércio dirigido e manipulado, além de -- como era de se esperar -- muitos, caros e inúteis empregos para burocratas, empregos estes que só servem para destruir a riqueza dos países envolvidos.

    Supervisionar e controlar o comércio entre dois países faz tanto sentido econômico quanto supervisionar e controlar o comércio entre os estados e províncias de um mesmo país...

    Acordos comerciais têm também outras implicações prejudiciais. Eles discriminam importações de baixo custo de países que não fazem parte do tratado. O comércio com estes países é ignorado em prol de fornecedores que, apesar de serem mais caros, gozam de isenções fiscais, pois pertencem a países signatários do acordo. No entanto, os importadores destes bens mais caros precisam de mais moeda estrangeira para poder pagar por eles. E como um bônus, parte da receita tributária que o governo abriu mão por causa do uso de isenções tarifárias acaba se transformando em renda para o bolso do fornecedor privilegiado.


    Quanto às tarifas protecionistas, elas foram discutidas com mais detalhes nos dois artigos abaixo (o primeiro refere-se especificamente ao Brasil):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=419
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=589


    Grande abraço!
  • Marcelo  05/02/2011 09:59
    Obrigado, Leandro! Vou ler os artigos indicados. Abração!
  • Zeca  04/02/2011 15:26
    Leandro,\r
    \r
    Considerando q vc respondeu algumas perguntas q te formulei há uns 2 meses atrás, permita-me indagar mais algumas:\r
    1 - Por que os austríacos não acreditam na armadilha da liquidez? Parece que ela se fundamenta no medo do povo de consumir e do empresário de investir...Li num artigo daqui do site dizendo ser mito essa armadilha lá no Japão.\r
    2 - Se o governo abolir as reservas fracionárias, iss não vai impactar o financiamento de sua dívida, considerando que no Brasil o estoque da dívida pública beira R$ 1,6 tri?\r
    3 - Por que a SELIC é tão eficaz contra a inflação de preços? Quando o governo eleva a Selic, parte do dinheiro em excesso circulando passa a ficar entesourado, reduzindo a oferta monetária e segurando os preços? \r
    \r
    atenciosamente,\r
    \r
    Zeca
  • Leandro  04/02/2011 17:13
    Prezado Zeca,

    1) Temos um artigo completo sobre a falácia da armadilha da liquidez:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=68

    2) Totalmente. Por isso ele é, junto aos bancos, o maior defensor desse arranjo. Tal arranjo permite que ambos ganhem: sistema bancário e governo. Uma lava a mão do outro. Não fossem as reservas fracionárias, o financiamento da dívida do governo encareceria muito mais os juros sobre toda a economia, levando-a rapidamente à lona caso o governo fosse perdulário.

    3) A SELIC é uma consequência da manipulação monetária. Quando o Banco Central reduz o ritmo de injeções monetárias no sistema bancário, a SELIC sobe. Quando ele aumenta o ritmo, a SELIC cai. Daí a correlação (nem sempre explícita e nem sempre direta) entre SELIC e inflação.

    Temos um artigo completo dedicado ao funcionamento da SELIC:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344

    Abraços!
  • Eudes  04/02/2011 19:35
    Sou compelido a elogiar este instituto, como também seus artigos. Gosto de ler os artigos aqui apresentados por causa da qualidade de seus textos. Leandro Roque está de parabéns mais uma vez. O editor e tradutor deste site é excelente escritor e professor, pois é claro, objetivo, prima pela simplicidade e é profundo conhecedor das questões econômicas. Assim, até as pessoas mais simples e incultas podem aprender sobre economia.
  • Leandro  05/02/2011 00:22
    Obrigado pelas gentis palavras, caro Eudes. Continue nos prestigiando. Abraços!
  • Daniel  08/02/2011 09:23
    Caso o governo japonês não se endividasse, a poupança q é emprestada a ele não seria direcionada para outros fins e, via reservas fracionarias, acabar expandindo a oferta de moeda? Ou na verdade o efeito seria nulo, já q o governo paga seus fornecedores e estes depositam nos bancos? Resumindo, o multiplicador poderia variar?
  • Leandro  08/02/2011 09:56
    É isso mesmo que você disse, Daniel. Não faz diferença. Todo o dinheiro que o governo recebe, ele gasta. E os recebedores desse dinheiro irão redepositá-lo nos bancos (na verdade, como praticamente todas as transações são eletrônicas, isso já ocorre automaticamente) e todo o processo se reinicia.

    Apenas se o governo guardasse num cofre o dinheiro que recebe -- dessa forma, retirando-o da economia --, é que poderia haver uma variação brusca no multiplicador monetário. Mais ainda: haveria uma redução na oferta monetária (desde que, obviamente, o banco central não imprimisse mais dinheiro).
  • augusto  08/02/2011 12:39
    "Apenas se o governo guardasse num cofre o dinheiro que recebe -- dessa forma, retirando-o da economia --, é que poderia haver uma variação brusca no multiplicador monetário. Mais ainda: haveria uma redução na oferta monetária (desde que, obviamente, o banco central não imprimisse mais dinheiro)."\r
    \r
    Eh essencialmente isso que o governo faz quando aumenta a taxa do deposito compulsorio dos bancos, nao eh?
  • Fernando Chiocca  15/02/2011 16:02
    Hahhahahahahahahahaahahhahahaha, mais uma!

    Reportagem hilária do Jornal da Globo, assistam:

    Fenômeno da deflação prejudica a economia do Japão

    No país, os preços estão caindo há 20 anos. Mas o que parece ser uma boa coisa, faz os consumidores adiar as compras e o poder aquisitivo diminui. Isso causa uma espiral deflacionária no país.
  • Leandro  15/02/2011 16:35
    Mais um ótimo exemplo de ignorância econômica da imprensa. Até quando será assim? A reportagem cita vários fatos positivos e, no final, diz que na verdade tudo isso é ruim. "Preços em queda! Não! Isso é ruim! Alguém precisa fazer alguma coisa! Lojas populares em expansão! Lojas populares ao lado de lojas chiques! Sinônimo de decadência econômica!"

    Observe também que a reportagem afirma que a deflação é ruim porque os consumidores antecipam quedas futuras de preços e, com isso, adiam as compras, o que por sua vez reduz as vendas e os salários. Curiosamente, a explicação pára por aqui e não vai adiante. E nem poderia, pois o argumento perderia a lógica. Afinal, qual o problema de reduzir salários se todos os preços estão caindo? O salário real, que é o que importa, fica o mesmo. Mas seria exigir muito tal conhecimento econômico da imprensa.

    Se eu fosse adepto de teorias da conspiração desconfiaria que essa reportagem foi feita para agradar o governo brasileiro e pacificar as donas de casa inquietas com o aumento de 63% do feijão e de 52% da carne. Imagina só: "A senhora tá achando ruim que os preços dos alimentos aumentaram? Pois regozije-se, minha senhora. Poderia ser muito pior: os preços poderiam estar caindo! Imagine a tragédia que isso seria?"

    Patético.
  • Augusto  15/02/2011 18:36
    LEandro,\r
    \r
    Você diz, "Observe também que a reportagem afirma que a deflação é ruim porque os consumidores antecipam quedas futuras de preços e, com isso, adiam as compras, o que por sua vez reduz as vendas e os salários. Curiosamente, a explicação pára por aqui e não vai adiante. E nem poderia, pois o argumento perderia a lógica. Afinal, qual o problema de reduzir salários se todos os preços estão caindo?"\r
    \r
    A impressão que eu tive, lendo o artigo, era que o autor estava preocupado com o fechamento de fábricas - e a consequente demissao dos funcionario. Ora, os preços podem ser incrivelmente baixos, mas quem não tem emprego e salário ainda assim fica impossibilitado de comprar.\r
    \r
    Qual seria a resposta da EA a isso?
  • Leandro  15/02/2011 18:59
    Augusto, antes de responder diretamente à sua pergunta, vale fazermos um raciocínio contrário. E, para isso, basta recorrer à empiria, sem necessidade de nos aprofundarmos em teorias lógicas.

    No Brasil de 1985-1993 aconteceu exatamente o oposto do ocorrido no Japão. As pessoas antecipavam ao máximo possível seu consumo, e os salários eram reajustados pra cima absolutamente todos os meses.

    Pela "teoria", tal comportamento geraria aumento da demanda, do consumo, da riqueza e pleno emprego. No entanto, aconteceu exatamente o oposto. Claro, pois inflação decorrente de aumento da oferta monetária desorganiza toda e qualquer economia.

    Já a deflação, quando esta se dá em decorrência do aumento da oferta de bens (e não de manipulações monetárias), os efeitos sempre serão benéficos.

    Quanto à questão específica do emprego, vou colar aqui o que disse Ron Paul nesse artigo, com o brilhantismo de sempre:

    Ao contrário da crença de muitos, o objetivo de uma economia não é criar empregos. Os empregos são apenas a consequência de uma economia forte. Empregos são o sinal da saúde de uma economia, assim como um alto nível de energia pode ser um indicativo de um corpo saudável. Mas assim como substâncias nocivas podem artificialmente dar ao viciado aquele impulso energético que nada tem a ver com saúde, empregos artificialmente criados apenas exacerbam os problemas. O objetivo de uma economia saudável é a produtividade. Os empregos são a conseqüência positiva da produtividade. Por outro lado, você pode dar a alguém um "emprego" de cavar um buraco num dia e tapá-lo no dia seguinte - ou talvez o equivalente a isso, porém executado em uma escrivaninha. Mas isso não trará benefício algum a ninguém.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=221

    No caso do Japão, se os consumidores mostram preferir determinados produtos vindos de fora, mais baratos e de melhor qualidade, você não está autorizado a proibi-los. Os consumidores estão demonstrando de modo claro que não mais acham necessários determinados empregos, pois os produtos criados por estes empregos podem ser conseguidos de fora, de maneira mais barata. Manter esses empregos artificialmente é algo totalmente contraproducente, algo destruidor de riqueza para a economia.

    Os consumidores estão deixando claro que a mão-de-obra empregada em tal setor se tornou obsoleta; logo, ela deve ser remanejada para outra setor, cujos serviços estejam sendo mais demandados pelos consumidores.

    (Ademais, por essa lógica que você apresentou, o governo deveria ter proibido a invenção dos computadores, da luz elétrica e do automóvel, pois estes desempregaram vários daqueles que trabalhavam na fabricação de máquinas de escrever, de velas e de carroças.)

    Nesse cenário japonês, com deflação de preços, não há por que temer a situação que você descreveu. Para facilitar a empregabilidade dos potenciais desempregados, basta desregulamentar o mercado de trabalho -- o qual, no Japão, é reconhecidamente rígido.

    No mais, como já dissemos várias vezes, a economia é uma ciência que deve ser abordada sem qualquer juízo de valor. Fazer políticas econômicas movido por um genuíno sentimento de compaixão é algo que sempre poderá ser catastrófico.
  • Trevor Reznik  19/11/2013 20:02
    Leandro, gostaria que você comentasse uma questão deste artigo da folha:

    blogs.estadao.com.br/celso-ming/2013/11/18/entenda-a-deflacao/

    No seu comentário você disse:

    "Afinal, qual o problema de reduzir salários se todos os preços estão caindo?"

    No artigo que linkei acima ele fala o seguinte:

    "Uma deflação é uma tragédia para grandes devedores, porque os compromissos permanecem os mesmos enquanto preços e renda caem. Ou seja, na prática, a dívida fica mais alta. Quem, por exemplo, comprou uma casa e tem muitos anos para pagar prestações mais ou menos fixas, em caso de deflação acabará pagando mais do que vale a casa – se sobreviver financeiramente até lá."

    Ou seja, a maior dificuldade de quitar as dívidas previamente adquiridas não pode ser considerado um problema causado pela redução dos salários em um ambiente de deflação?
  • Leandro  19/11/2013 20:41
    "Ou seja, a maior dificuldade de quitar as dívidas previamente adquiridas não pode ser considerado um problema causado pela redução dos salários em um ambiente de deflação?"

    Depende do que você chama de 'deflação'. A conceituação é de extrema importância.

    Se por deflação você se refere a "queda nos preços", então a frase acima não faz sentido. Fosse assim, as empresas de tecnologia, que vivenciam uma genuína deflação de preços há décadas, já estariam todas falidas.

    Agora, se por deflação você se refere a uma "redução da quantidade de dinheiro na economia", aí sim a situação fica delicada, e o cenário que você descreveu de fato passa a existir e a preocupar.

    O pavoroso nesta coluna do Ming -- e ele normalmente é um cara sensato -- foi a sua total falta de noção a respeito de conceitos básicos de economia.

    Logo no início ele diz que "Os efeitos da deflação são tão ou mais perniciosos do que os produzidos pela inflação."

    Ou seja, segundo ele, entre Japão e Venezuela, ou entre Suíça (em deflação de preços desde o final de 2011 e com pleno emprego) e Argentina, a vida é mais invejável nos países latinos.

    Ming parece ignorar que a deflação de preços foi a regra durante todo o século XIX nos EUA, sendo ainda mais intensa no período 1865-1913. E foi justamente durante esse período que o país apresentou os maiores níveis de crescimento anuais de sua história.

    E depois ele coloca a cereja no bolo:

    "Numa situação de deflação, empresas e consumidores adiam compras, porque apostam em que, mais à frente, serão beneficiados pela rebaixa de preços. Menos compras e menos investimentos tendem a puxar para baixo a atividade econômica e a contratação de pessoal."

    Isso não apenas não possui nenhuma base teórica como também nunca foi observado na prática. E por um simples motivo: preferência temporal. O ser humano sempre irá preferir ter um bem hoje a ter esse mesmo bem apenas no futuro distante. Isso é o básico da teoria da preferência temporal. Logo, sempre que possível, elas preferem consumir no presente.

    Prove disso é que, se esse raciocínio do Ming fosse verdadeiro, absolutamente nenhum celular, nenhum iPhone, nenhum iPad, nenhum iPod, nenhum laptop, nenhuma câmera fotográfica, nenhuma televisão teriam sido vendidos no mundo.

    Ademais, há outro fator extremamente importante que Ming ignora: se você vive em um ambiente em que os preços estão caindo continuamente, você sabe que seu poder de compra futuro será maior que o atual. Logo, é bem possível que ocorra justamente o contrário do que diz Ming: o consumo presente pode aumentar. Óbvio. Se você sabe que ano que vem seu poder de compra será maior, então você pode gastar mais hoje. Por que não?
  • Pobre Paulista  22/11/2013 11:08
    Isso demonstra claramente que:
    * Aumento de preços é benéfico aos gastadores (tomadores de crédito) e maléfico aos poupadores (fornecedores de crédito)
    * Redução de preços é benéfico aos poupadores e maléfico aos gastadores.

    Ou seja, iniciar uma redução de preços (o que vc chamou erroneamente de deflação) HOJE seria realmente ruim para as pessoas endividadas, uma vez que elas já estão endividadas. No entanto muitas delas tomaram essa decisão por conta de um cenário artificial imposto pelo governo de juros baixos e expansão da base monetária. Realmente *parecia* uma decisão sensata.

    Mas aí fica a pergunta: Então qual a proporção "ideal" entre poupadores e gastadores numa economia?

    E a resposta trivial é: Deixe o mercado se ajustar, via taxa de juros. Basta o governo não manipulá-la que a proporção "ideal" será imediatamente atingida.

    (E eu pessoalmente já não leio a coluna do Ming há mais de 1 ano)
  • Angelo T.  15/02/2011 17:06
    Outra frase da matéria: "O que é bom para o consumidor, é ruim para o país".\r
    Precisa comentar?\r
    \r
    Faz anos que parei de assistir jornal na tv. Quando assistia ficava com a impressão de perda de tempo.
  • Marcelo L.  15/02/2011 22:58
    "Porém, veladamente, a base industrial americana foi desaparecendo. Afinal, não fazia sentido o país produzir coisas se ele podia simplesmente adquiri-las do exterior muito mais facilmente. Bastava imprimir dinheiro."

    Leandro, poderia me explicar como acontece isso? De que forma o dinheiro que o governo imprime chega na mão daquele que, no cenário sem impressão de dinheiro, teria se tornado um produtor daquilo que, agora, ele importa.

    No mais, parabéns pelo excelente artigo!
  • Marcelo Werlang de Assis  14/03/2011 13:50
    Agora, com o enorme desastre causado pelos abalos sísmicos, o governo encontrou uma boa desculpa: somos obrigados a buscar recursos via inflação para reconstruir o país...\r
    \r
    Os políticos japoneses, certamente, sentiram inenarrável júbilo com os terremotos. Assim, poderão inflar a moeda, lucrar com licitações fraudulentas, ampliar o tamanho do Estado e, finalmente, posar como "salvadores do povo".\r
    \r
    Abraços!
  • Rhyan Fortuna  27/05/2011 14:11
    Hoje falaram que os índices demonstram que o Japão agora tem inflação, depois de 28 meses sem inflação. E isso, na cabeça deles, é uma coisa positiva.
  • Tiago RC  17/12/2012 16:12
    Notícias mais recentes - e nada animadoras - do Japão: online.wsj.com/article/SB10001424127887324407504578184781736768970.html

    Fresh from a landslide election victory, Japan's next prime minister, Shinzo Abe, pressed ahead with his top priority of reviving the sickly economy, vowing a hefty spending package and increasing the pressure on the central bank for quick action to pull the country out of recession and deflation.
  • Leandro  17/12/2012 23:05
    Vale lembrar que esse partido recém-eleito, o Partido Liberal Democrata, foi fundado pelos americanos durante a ocupação do Japão e defende interesses americanos. É o partido mais belicista do Japão. Tenho para mim que um dos motivos de sua vitória foi o fato de seu representante, Shinzo Abe, estar falando grosso com a China, prometendo mais beligerância para ver qual país é o real proprietário das ilhas Senkaku.

    Resta saber qual será a real influência dele sobre o Banco Central Japonês.
  • Luciano Takaki  05/02/2013 10:54
    Leandro, ele defende mais independência ao BC japonês, mas aquela política de sempre: impostos mais altos e mais gastos. De qualquer maneira ele é menos que o Democrata. Bem, comparar PLD com o PD japonês é como comparar o PSDB com o PT. Vejamos no que dará.
  • Perdoem-me  05/04/2013 16:34
    Perdão, mas quando será lançado algum artigo sobre as recentes sandices anunciadas pelo ministério da fazenda japonês?
  • Leandro  05/04/2013 16:44
    Você se refere ao anúncio do Banco Central japonês (BOJ) de que irá injetar US$1,4 trilhão na economia em menos de dois anos? Esquece, isso não irá acontecer de modo algum.

    Foi apenas espuma do presidente do BOJ, cuja intenção é depreciar o iene para satisfazer o setor exportador. E tal ameaça já surtiu efeito: derrubou a cotação do iene e fez subir o índice Nikkei ainda ontem, que era exatamente sua intenção. E ele continuará fazendo esse jogo um bom tempo. Chama-se "expectativas".

    O BOJ já tentou essa expansão monetária no início da década de 2000 (foi o BOJ quem inventou o conceito de Quantitative Easing). Não deu em nada. E por um motivo muito simples: não basta o Banco Central expandir a base monetária; os bancos também têm de expandir o crédito. Sem este último, o primeiro é totalmente ineficaz.

    E os bancos japoneses, além de não serem malucos, estão com seus balancetes contaminados ainda por conta dos excessos da década de 1980. Bancos com balancetes contaminados não expandem o crédito a rodo. No máximo, eles ficam com o dinheiro que o BC imprime. Ademais, com a imposição de Basileia III, os bancos terão de elevar seu capital, algo que vai contra a expansão do crédito.

    Meu palpite é que tudo isso é espuma; não haverá nada disso que foi prometido. Haverá, isso sim, desvalorização do iene por uma questão de expectativas. E só. Mas é exatamente isso o que o governo japonês (leia-se 'setor exportador') quer.
  • Pedro Ivo  05/04/2013 16:55
    Posta este material para nós por links Leandro.
  • Leandro  05/04/2013 17:24
    Qual material? A notícia? Tem em qualquer site de jornal.
  • Diego  03/11/2014 15:33
    Oi Leandro,
    Esta análise ainda é válida para o "boost" recente que o BC japonês deu no programa de QE? Eles ainda estão comprando somente títulos dos bancos ou já estão monetizando diretamente os títulos do governo?

    Obrigado,
    Diego
  • Hugo  15/08/2014 18:13
    A ignorância da imprensa em relação à economia é absurda,olhem só esse link:

    blogs.estadao.com.br/radar-economico/2014/06/05/o-perigo-da-deflacao-que-ronda-a-europa/


    Falam que a Europa passa pelo perigo da deflação,mas não falam nada do endividamento tenebroso dos governos de lá (que por sinal é o verdadeiro perigo para a economia da Europa).
  • Emerson Luis, um Psicologo  13/09/2014 19:27

    Oh, que horrível os preços diminuírem!

    Em quem você acredita, nos seus olhos ou nos keynesianos?

    * * *
  • anônimo  27/05/2015 14:21
    você não sabe o que esta dizendo, se o governo não injeta se esse dinheiro na economia o Japão entraria em uma contração da economia em espiral que que só terminaria quando ele chega se no fundo do poço o que seria um desastre em um pais que importa 100 por cento de sua energia e 60 por cento de seus alimentos. Se sua economia afundasse aonde ele arranjaria dinheiro para importar suas necessidades básicas. O Japão não é um pais rico de verdade é apenas uma invenção dos EUA para financiar seu deficit, assim como a China, só que no caso da China esta aprendeu com os erros do Japão e não tem obedecido os EUA. a unica coisa que o Japão possui é uma montanha de yenes, tanbos, hatakes e sakuras e fabricas que podem se tornar obsoletas da noite para o dia pois a tecnologia não é um privilégio de uma única nação qualquer país pode vir a desenvolver tecnologia. As pessoas vivem falando de inovação e tecnologia que tecnologia a China possuía quando começou a tirar os mercados do Japão, a unica coisa que influencia nos mercados é a politica, pois estes nunca foram nem serão livres de verdade. perdoem os erros de português meu português é bastante ruim. escrevo melhor em nihongo.
  • anônimo  28/05/2015 11:01
    O japão tem um povo inteligente, educado e esforçado,(o contrário de tudo que o brasileiro é) então jamais chegaria no fundo do poço.
    E os EUA não deixam o japão ter exército porque tem MEDO deles.O americano afrescalhado de hoje sabe que de igual pra igual não teria como vencer um exército japonês, que está disposto até a se matar pela sua causa.
    Esse também foi o motivo das duas bombas numa guerra que estava vencida.O negócio não era vencer, era humilhar e matar o espírito combativo do povo japonês.
  • Hugo  31/10/2015 04:05
    Leandro eu estive vendo gráficos dos dados econômicos do Japão no trading economics,e notei que desde o meio dos anos 90 até por volta de 2005-06 o crédito privado do país desabou,se mantendo mais ou menos no mesmo nível até o começo de 2012,e com o endividamento estatal explosivo desde o começo dos anos 90.Também poderíamos considerar que a SELIC japonesa é baixa pelo fato de a queda da demanda do crédito privado ter contrabalançado pelo menos em boa parte a disparada dos déficits do governo?
  • Leandro  31/10/2015 13:39
    Correto.

    Os bancos japoneses, após o estouro da bolha imobiliária, levaram tantos calotes que seus balancetes foram pro vermelho (os passivos se mantiveram, mas os ativos desabaram). Bancos que haviam se tornado conglomerados mundiais na década de 1980, hoje viraram zumbis. E como seu capital (patrimônio líquido) foi dizimado por causa do estouro da bolha imobiliária, eles não podem expandir o crédito. Por uma questão contábil, bancos descapitalizados não expandem o crédito.

    O Banco Central do Japão tentou corrigir a situação entupindo os bancos japoneses de reservas -- o que fez com que a taxa básica de juros fosse para zero --, mas os bancos simplesmente não emprestarem esse dinheiro.

    De novo: como o capital (patrimônio líquido) dos bancos japoneses foi dizimado por causa do estouro da bolha imobiliária no início da década de 1990, eles não podem expandir o crédito. Por uma questão contábil, bancos descapitalizados não expandem o crédito.

    Daí a inflação nula no Japão.
  • Rodrigo  09/03/2016 14:39
    Leandro,

    Vou fazer algumas digressões aqui antes de chegar à questão do Japão, você vai ver qual é o meu ponto :)

    De acordo com alguns especialistas, a inovação pode ser divida em 1) disruptiva (ou market-creating innovations), em que há grandes mudanças na cadeia de valor, e os ciclos de investimento mais longos 2) 'sustaining' (ou performance-improving innovations) que consiste em lançar produtos um pouco melhores anos após ano e 3) de eficiência, que é nada além de gastar cada vez menos para se fazer o mesmo o produto.

    A inovação do tipo 3 segue a linha de 'lean manufacturing' e outras técnicas de produtividade. Ela é importante porque reduz custos (e preços) e libera capital para usos mais produtivos, mas tem o efeito colateral de eliminar empregos. A inovação do tipo 2 costuma ser substitutiva, como o caso em que o sujeito compra um Prius, mas deixa de comprar um Corolla. Não gera muito emprego e nem crescimento significativo na economia. Já a inovação disruptiva pode criar novos mercados e gerar empregos. Exemplo: o mainframe custava centenas de milhares de dólares e era acessível a poucos, vieram os PC's de US$2,000 e ampliaram o mercado, na onda seguinte vieram os smartphones de US$200 e ampliaram ainda mais a base de consumo.

    As inovações do tipo 2 e 3 tem um ROI relativamente rápido e de baixo risco, na verdade, elas já estão em algum grau no DNA de toda empresa bem administrada. As inovações disruptivas, por outro lado, dependem de apostas mais ousadas, tem ciclos geralmente longos e perfil de risco bem mais agressivo -- estas não são tão 'naturais' quanto aquelas.

    Pois bem, voltando ao assunto do Japão, o fato que até o início da década de '90, o Japão se destacava pelas suas inovações disruptivas. De lá para cá, eles só chamam a atenção pelas inovações de melhoria incremental e de eficiência. Ou seja, a mudança no perfil de inovação aconteceu bem na época em que houve a mudança da política fiscal/monetária.

    Enfim, o que você explicou no artigo e o meu breve comentário descrevem fenômenos diretamente relacionados ou eu estou viajando na maionese? :)

    Abraço!





  • Leandro  09/03/2016 18:57
    É uma correlação bastante interessante. Confesso não saber se há causalidade, mas, realmente você fez uma observação muito pertinente.

    Abraços.
  • Rodrigo  09/03/2016 19:04
    Você me daria alguma diretriz sobre como aprofundar essa análise? Algum livro ou artigo que possa me dar uma luz sobre a questão?

    Abraço
  • Rodrigo Fernandes  17/07/2016 13:50

    Leandro,

    Continuando com a hipótese levantada acima, veja se o raciocínio abaixo faz sentido para você.

    Em situações de expansão fiscal ou monetária prolongada, o capital disponível para as empresas (pelo menos as grandes) é ao mesmo tempo barato e amplamente disponível. Por outro lado, o crescimento médio da economia é muito pouco expressivo.

    Uma empresa que tenha facilidade para acessar capital a baixíssimo custo, não vai deixar de fazê-lo. No entanto, não seria racional utilizar este capital para fazer investimentos de alto risco no contexto de uma economia estagnada.

    Resta fazer investimentos em fusões e aquisições ou em melhoria de produtividade. Esse tipo de investimento faz muito sentido, uma vez que não é difícil prever que um determinado investimento na linha de produção ou na arquitetura do produto irá trazer um retorno pequeno, porém seguro para o negócio -- ainda mais no caso do Japão, que além de tudo, ainda possui um perfil cultural que favorece este tipo de otimização.

    Coincidência ou não, todas as empresas que você citou (Honda, Toyota, Subaru, Mitsubishi, Nissan, Mazda, Panasonic, Sony, Nippon) parecem ter este perfil. Na lista, não há criadores de novos mercados como um Skype, Uber, AirBnB, Salesforce, Netflix, Amazon, Google, etc.

    Faz sentido para você?
  • Leandro  17/07/2016 15:16
    Não apenas faz total sentido, como é exatamente isso o que ocorre.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2440
  • Rodrigo Fernandes  18/07/2016 14:06
    Leandro,

    O artigo do Fernando Ulrich é interessantíssimo. Realmente parece que essas distorções fiscais e monetárias incentivem o empresário a gastar mais tempo com engenharias financeiras que com a atividade empreendedora no sentido clássico de assumir riscos, criar, inovar, etc.

    Já existem alguns estudos que se propõe a analisar as razões do Japão ter se tornado menos inovador nas últimas décadas. Porém, nenhum deles segue esta linha de raciocínio que estamos discutindo aqui, apesar dela parecer ser a mais consistente.

    Eu gostaria de dar uma fundamentação teórica mais consistente a esse argumento. Você teria outros artigos ou livros que poderiam me ajudar nesse sentido?

    Abraço!



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