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Indo pelo caminho argentino

Há vários paralelos sinistros entre a Argentina de ontem e os EUA de hoje, e a pergunta teimosamente permanece: pode a América evitar as mesmas consequências econômicas por que passou a Argentina quando teve um governo fascista em conjunto com um endividamento crescente e o total colapso da moeda?  Creio que a resposta mais provável é um sonoro não.

Há várias maneiras de se arruinar uma economia.  A Argentina experimentou a maioria delas.  O país desvalorizou sua moeda e depois sobrevalorizou.  Fixou o câmbio e depois cancelou a âncora.  Regulamentou, controlou, inspecionou, tributou e confiscou.  Após a crise de 2001, a renda caiu 30% — sendo que metade da nação ficou abaixo da linha de pobreza.  É de fato incrível é que a economia argentina ainda exista.

Serenata Tropical (Down Argentina Way) foi um filme de 1940 que transformou Betty Grable em uma estrela, interpretando o papel de uma jovem mulher em férias na Argentina que se apaixonava por um rico dono de um cavalo de corrida.  O roteiro de fato refletia um fato que havia sido comum nos 25 anos anteriores à estréia do filme.

Poucas pessoas se lembram, mas no início do século XX era comum a expressão "tão rico quanto um argentino", frequentemente utilizada por pobres aristocratas britânicos que tentavam fazer suas filhas se casarem com argentinos ricos.  A Argentina realmente era uma nação rica.  Por exemplo, todos nós sabemos sobre a loja de departamentos da Harrods em Londres.  Poucos sabem que, durante esse período de prosperidade argentina, a Harrods também tinha uma loja em Buenos Aires.

Buenos Aires ainda é uma cidade bonita e interessante.  Se você visitá-la, vai aprender que existe vida após moratórias e colapsos monetários.  Aliás, esse mesmo fenômeno já foi comprovado numerosas vezes também pela Rússia, Alemanha e várias outras nações.  Já aconteceu até mesmo nos EUA.  E duas vezes.

Desde 2008, estamos definitivamente vivendo tempos interessantes, tanto na política mundial quanto nos mercados.  Os EUA vêm tentando soluções econômicas rigorosamente keynesianas, com déficits explosivos e um endividamento governamental que se eleva em trilhões a cada ano, tudo para tentar resolver problemas que se originaram com uma bolha e um consequente colapso no setor imobiliário.

Albert Einstein já dizia: "Insanidade é fazer a mesma coisa repetidas vezes e esperar resultados diferentes".

O mundo está repleto de pessoas que parecem normais, porém, pelos padrões einsteinianos, são insanas.  O problema é que a maioria destas pessoas são políticos e "líderes" de governos.

Basta olhar para os EUA.  O governo americano vem acumulando trilhões em dívida desde a Segunda Guerra Mundial, e a tendência atual é de piora sensível.  Creio que o país seguirá firme em direção a mais dívidas e menos liberdade até que a estrada finalmente acabe.  O dólar continuará em derrocada e a dívida nacional continuará subindo até que o mundo finalmente resolva parar de comprar os títulos do Tesouro americano.

Nas últimas semanas, China, Brasil, Alemanha e França alertaram os EUA para que o país colocasse o dólar e sua dívida em ordem.  Mas tudo em vão.  E isso irá continuar por um bom tempo.  Porém, assim como a política externa do país é rejeitada por grande parte do mundo, a política financeira também já começou a ser questionada por economistas e líderes mundiais.  Um dia o mundo irá se cansar do dólar e de financiar as dívidas do país.  O dólar deixará de ser a moeda de reserva mundial.

Mas não há como saber quando isso irá acontecer; pode ser já no próximo ano ou só na próxima década.  Não há nada de novo ou singular em tudo que está ocorrendo hoje nos EUA.  Tal fenômeno já ocorreu com outros países em vários momentos da história.  A única diferença é que nas últimas três décadas houve tanta prosperidade nos EUA, que o país simplesmente se esqueceu de que confisco de riqueza e colapso econômico são muito mais a regra do que a exceção.

Relembrando a Argentina em 1913

Aquele foi um ano importante. 

Embora o Império Britânico ainda fosse o primeiro em tamanho econômico, apenas os Estados Unidos desafiavam a Argentina pelo posto de segunda mais poderosa economia do mundo.  Esse país era abençoado com uma agricultura abundante, milhões de acres de terras cultiváveis, rios navegáveis e um sistema portuário acessível.

O nível de industrialização do país era substancialmente maior do que o de muitos países europeus, e ferrovias, automóveis e telefones eram coisas corriqueiras.  A Argentina era uma das dez mais ricas nações do mundo, e sua taxa de crescimento econômico de 1870 a 1913 superava em muito a dos EUA e a da Alemanha.

Em 1913, o PIB da Argentina chegou a 72% do PIB americano.  Porém, em 1998, ele já havia caído para 34%.  O que houve de errado?

Política e corrupção.  Inflação e depreciação da moeda foram de dois dígitos de 1945 a 1952, de 1956 a 1968 e de 1970 a 1974.  Depois passaram para três dígitos e, finalmente, quatro dígitos entre 1975 e 1990.  Em 1989, a taxa de inflação chegou a 5.000%.  Em um mês, a moeda argentina desvalorizou-se 64% em relação ao dólar.  Finalmente, no dia 28 de abril de 1989, a impressoras de dinheiro foram fechadas porque o governo ficou sem papel para as cédulas e os tipógrafos entraram em greve.

O governo argentino deu o calote em sua dívida duas vezes entre 1870 e 1914, e depois novamente em 1982, 1989, 2002 e 2004 (para os credores estrangeiros).  Em todo o mundo, o país chegou a ser o que mais vendia títulos da dívida para investidores estrangeiros, exatamente como os EUA fazem hoje.

Em 23 de dezembro de 2001, após o PIB ter despencado 12% naquele ano, o governo anunciou uma moratória em toda a sua dívida internacional — US$ 81 bilhões.  Foi o maior calote da história.  Mais tarde, os 500.000 credores estrangeiros finalmente concordaram em aceitar 35 cents para cada dólar que emprestaram.  Era melhor do que nada.  A China e demais credores do governo americano realmente deveriam analisar com mais atenção o que aconteceu na Argentina.

Mais paralelos sinistros entre a Argentina de ontem e os EUA de hoje

Em 1916, um novo presidente foi eleito na Argentina.  Seu nome era Juan Hipólito del Sagrado Corazón de Jesús Irigoyen.  Ele era líder de um partido chamado Unión Cívica Radical e seu slogan era "mudança fundamental", com grande apelo junto à classe média baixa.  Tal plataforma lembra bastante a retórica utilizada em campanha pelo atual ocupante da Casa Branca.

Irigoyen defendia um programa previdenciário obrigatório, seguros de saúde também obrigatórios e um programa de construção de moradias para pessoas de baixa renda com o intuito de estimular a economia.  Basicamente, assim como houve com os pacotes de socorro nos EUA em 2008, na Argentina o estado o assumiu o controle de uma vasta fatia da economia do país e começou a criar novos impostos (principalmente sobre a folha de pagamento) para financiar seus novos programas.

Com um crescente fluxo de dinheiro para esses programas assistencialistas, os desembolsos do governo argentino rapidamente se tornaram excessivamente generosos.  Rapidamente os gastos do governo superaram o valor de tudo o que era arrancado à força dos pagadores de impostos.  Falando mais simples, o governo rapidamente se tornou carente de recursos, como são quase todas as previdências do mundo de hoje.

O fúnebre badalar dos sinos para a economia argentina, entretanto, veio com a eleição de Juan Perón.  Ele seguia uma filosofia corporativista tipicamente fascista, na linha de Mussolini na Itália.  Ele e sua carismática esposa, Evita, primeiro direcionaram sua retórica populista contra os ricos do país.  Porém, à medida que o tempo passou, os grupos visados se expandiram e passaram a abranger quase toda a classe média que possuía propriedades, tornando-se esta o novo inimigo a ser derrotado e saqueado.  Sob Perón, o tamanho da burocracia estatal explodiu em decorrência de inúmeros programas de gastos sociais e do estímulo dado ao crescimento dos sindicatos.

Os impostos seguiram crescendo, assim como a malversação da economia, o que fazia contínuos estragos.  Mesmo após Perón ter sido retirado da presidência, as coisas seguiram piorando.  Sua retórica populista/socialista e sua ignorância em relação à economia de livre mercado permaneceram na cena política, enquanto o governo argentino continuava gastando muito além do que arrecadava.  Assim como os EUA de hoje.

A hiperinflação explodiu em 1989, algo que tradicionalmente representa o estágio final do colapso gerado por políticas protecionistas, salários inflados e regulamentações extremamente burocráticas da economia.  A prática do governo argentino de imprimir dinheiro para pagar suas dívidas destruiu a economia quando a inflação atingiu níveis que lembravam os da República de Weimar.  Badernas e saques de supermercados em busca de comida tornaram-se desenfreados.  Lojas eram pilhadas.  O país mergulhou no caos.

Já em 1994, o sistema previdenciário da Argentina havia implodido.  Mesmo com os encargos sociais sobre a folha de pagamento tendo subido de 5% para 26%, a arrecadação ainda não era suficiente.  Assim, a Argentina instituiu um imposto sobre valor agregado, novas (e mais altas) alíquotas para o imposto de renda e um imposto sobre a riqueza.  Tais medidas esmagaram o setor privado. 

Um programa de "privatização" da previdência — no qual ela continuou sendo controlada pelo governo — foi feito na tentativa de salvar a aposentadoria dos idosos.  Porém, em 2001, esses fundos já haviam sido destruídos pelo próprio governo, que os obrigou a comprar os títulos de sua dívida.  Como se sabe, o governo deu o calote.

Já em 2002, a irresponsabilidade fiscal do governo argentino havia produzido uma crise econômica tão severa quanto a Grande Depressão americana.

Os atuais problemas americanos prometem coisa pior.  O dólar ainda é a moeda de reserva mundial, o que significa que a queda americana será mais retumbante que a argentina.  Alemanha, China, França e outras nações já alertaram que a tolerância será limitada em relação à contínua impressão de dinheiro que vem sendo feita nos EUA.  O júri ainda está em reunião, mas se as impressoras continuarem a toda, os EUA não irão gostar do veredito.

Os EUA correm o risco de serem os culpados pela maior das depressões

Existem, como vimos, paralelos entre a Argentina e o rumo tomado pelos EUA.  Após o colapso de 2008, todo o mundo ficou em situação difícil.  Os EUA, previsivelmente, optaram pela desvalorização do dólar para tentar "resolver" seus problemas.  Alemanha, China e Rússia vêm expressando seu desgosto pela medida.

O país, indubitavelmente, será o acusado do colapso econômico vindouro.  Outros países temem, corretamente, aquilo que já viram antes: um maremoto de repúdios às dívidas e de depreciações monetárias que pode mudar dramaticamente o mundo.  Eles sabem que os EUA irão se esforçar para adiar o inevitável — porém, cedo ou tarde, o impacto cumulativo da prodigalidade, do desperdício e da corrupção se tornará irrefreável.  A economia americana provavelmente irá implodir, levando junto consigo a atual ordem mundial.

Estamos vivendo exatamente no meio de uma mudança de paradigmas; a internet está trazendo um impacto inédito à política, à informação e aos mercados financeiros.  Esse tipo de transformação já ocorreu antes, quando Gutenberg inventou a prensa gráfica no século XV, algo que destruiu a estrutura de poder então vigente na Europa, criando grandes agitos.  A invenção da impressora fez com a religião, com o estado e com a economia do século XV e XVI aquilo que a internet está fazendo com a sociedade ocidental atual.

Já estamos em um empolgante período de transição, em que todas as instituições estabelecidas, inclusive o todo poderoso e ultra-secreto Banco Central americano, além do sistema bancário, estão sendo questionadas e desafiadas pela imprensa alternativa da qual fazemos parte.  Verdades e mudanças podem ser boas no longo prazo, mas no curto prazo elas pressionam o sistema, assim como a quebradeira generalizada e o repúdio da dívida fizeram na Argentina.

Se há lição que podemos aprender com o episódio argentino é que riqueza e recursos podem ser totalmente destruídos pelo governo e seus desvarios financeiros.  Mesmo países extremamente ricos podem ter suas economias destruídas por pura incompetência governamental.  Uma situação econômica aparentemente sólida e próspera pode se tornar instável e depressiva em questão de anos. 

Tudo depende de quão destrutivas serão as políticas adotadas por um governo.

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Leia também:

Entendendo a Argentina

Confisco deflacionário: o caso da Argentina

A Argentina no abismo

O desastre econômico da Argentina




autor

Ron Holland
trabalha em um fundo de investimento suíço, é editor da Swiss Mountain Vision Newsletter e da Freedom Matters, publicada pela Appenzeller Business Press, também da Suíça.

  • Leandro  29/12/2010 12:51
    "Em 1913, o PIB da Argentina chegou a 72% do PIB americano. Porém, em 1998, ele já havia caído para 34%". Tá certo isso? Não questiono os dados de 1913, mas considerando que os Estados Unidos tenha uma população mais ou menos 7 vezes maior do que a Argentina, não parece muito provável que em 1998 o Estados Unidos tivesse um PIB apenas 3 vezes maior que o argentino.
  • André  29/12/2010 13:25
    "Em 1913, o PIB da Argentina chegou a 72% do PIB americano. Porém, em 1998, ele já havia caído para 34%"
    Não seria 3,4%?...
  • Leandro Roque  29/12/2010 16:18
    Prezados,

    O autor provavelmente está se referindo ao PIB per capita, que é o único mensurador entre dois países que faz algum sentido. Vale lembrar também que em 1998 ainda não havia tido a grande depressão argentina. Mais ainda: reduzir de 74% para 34% significa uma queda de 54%, algo substantivo.

    Segundo dados de setembro de 2009, o PIB per capita argentino era 29% do americano, queda de quase 15% em relação a 1998.

    Abraços.
  • Luiz Oliveira  29/12/2010 16:19
    "Em 1913, o PIB da Argentina chegou a 72% do PIB americano. Porém, em 1998, ele já havia caído para 34%"

    Na última sentença, há um erro. Se considerarmos que o PIB dos EUA era de US$ 8 trilhões em 1998, e o da Argentina, de US$ 200 bilhões, então o PIB da Argentina era de no máximo 4% e não 34% do PIB dos EUA. Pode ser que o autor quis dizer 3,4%. Mas 34% é impossível.
  • Leandro Roque  29/12/2010 16:37
    De novo, trata-se do PIB per capita, o único mensurador entre dois países que faz algum sentido.
  • Carlos Santos  29/12/2010 18:12
    O autor não está exagerando um pouco? É claro que se pode traçar um paralelo entre a Argentina do século passado até início do atual e a situação delicada dos EUA agora. Mas também é preciso levar em conta que a Argentina é o que é e os EUA são o que são.\r
    \r
    Os dois países tem conjunturas políticas muito diferentes. Creio que logo (2012) os republicanos irão salvar a pátria do Tio Sam, colocando ordem na bagunça.\r
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    --\r
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    "Insanidade é fazer a mesma coisa repetidas vezes e esperar resultados diferentes"\r
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    Essa frase de Einstein me lembra as ideias de Dan Dennet sobre os memes.\r
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    Em um vídeo postado no Youtube ele começa uma palestra com o caso de uma formiga que insiste em subir repetidamente em uma lâmina de capim mesmo nunca conseguindo ficar em cima da lâmina. Isso ocorre, ele explica, por causa de um verme que se infiltrou no cérebro da pobre formiga e a faz ter esse comportamento irracional.\r
    \r
    Os seres humanos também tem seus 'vermes de cérebros', segundo Dennet, eles são conhecidos como ideias.\r
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    Liberdade, Capitalismo, Comunismo, etc. Só faltou citar o Keynesianismo, o verme que anda mordendo os cérebros dos economistas do CEA.\r
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    www.youtube.com/watch?v=o9Vs11goU6c
  • Getulio Malveira  29/12/2010 19:37
    Bem, Carlos... eles também podem piorar um poucos as coisas iniciando mais uma ou duas guerras para tentar segurar o dolar. Assistencialismo de um lado, militarismo de outro - dá no mesmo!
  • Fortune teller  30/12/2010 12:11
    Discordo, não acho que os Republicanos podem mudar mais muita coisa... a dívida é praticamente impagável e existe espeço político limitado numa economia que está com desemprego oficial de 10% para os republicanos começarem a cortarem gastos e eliminar os deficits. Lembremos que os Republicanos continuam a favor das guerras caras (que não agregam crescimento à economia, apenas gastos para o governo).

    Como disse Ron Paul: os EUA só voltarão à sanidade quando forem forçados, ou seja, quando os US$ já não for mais a moeda reserva e o sistema keynesiano finalmente se mostrar insustentável (já será tarde demais para uma mudança ordenada).
  • Eliel  30/12/2010 06:52
    "Insanidade é fazer a mesma coisa repetidas vezes e esperar resultados diferentes" .\r
    Esta frase atribuida a Einstein faz referencia aos estranhos conceitos da avançada Teoria Quantica da Matéria. Pelo menos foi o que aprendi em minha graduação em física. Em relação à comparação entre PIBs do gigante americano e da anã argentina acredito haver divergencias. Mas será que os republicanos realmente poderão salvar a grande estátua de cabeça de dólar e pés de barro?\r
  • Raduán  30/12/2010 11:30
    Esperar que os republicanos salvem é complicado, a não ser que venha Ron com sua trupe.. Vale lembrar que dos ultimos 8 presidentes americanos "só" 3 são democratas.. Acho que a questão é um pouco mais complicada do que simplemente eleger um republicano.
  • Tiago RC  30/12/2010 12:06
    Republicanos não vão "consertar" nada.
  • Miguel A. E. Corgosinho  30/12/2010 13:26
    "pode a América evitar as mesmas consequências econômicas por que passou a Argentina quando teve um governo fascista em conjunto com um endividamento crescente e o total colapso da moeda? Creio que a resposta mais provável é um sonoro não."

    Eu creio que a resposta é um simples não ao endividamento monetário!

    Não esperem nada dos EUA, o que define a questão, antes, é: onde fazer a quantificação do PIB?

    Todos os países jogam o endividamento da propriedade privada no tabuleiro do câmbio artificial x PIB, e, de fato, se tornam abnegados perdedores à emitir a prova de quantificação em ônus real, indiretamente, através de títulos públicos; ao invés de serem beneficiários do crescimento, na medida de valor do PIB; alias com os correlatos necessários da moeda.

    A dificuldade quanto aos pressupostos de correlatos necessários da quantificação do PIB são: variáveis mútuas internamente e opostas externamente - fatores nacionais, e de câmbio entre países - que estariam prontas simultaneamente para refletir: unidade de medida do valor total, instância neutra em moeda, e um meio circulante real.

    Porque vocês mesmos devem saber que o estado, designado para emitir a moeda, apesar da sua privação no tocante a moeda corresponder ao poder de compra da mensuração do PIB, com efeito, pela desvalia da moeda estatal, vem até o mercado de compra e venda como devedor privado, sem nada ter produzido.

    Ora, o FMI, como sabe que essa encrenca vai dar errado no futuro, se acha o lugar certo para renegociar essa ordem mundial de colapsos - de duas moedas juntas para as mesmas mudanças internas - a qual levou a quebadeira na Argentina.

    O que me preocupa, sobretudo, é que há uma rede de potências de valor (fora) que cerca as nações como pontos vazios e as preenchem com equivalências duplicadas. Porém, para os estados nacionais proclamarem a conversibilidade do câmbio, é imperioso que eles sejam sócios originários da interbase - a que coroa a presença do valor do PIB, com a medida do câmbio entre todos, e, consequentemente, não se baseia em ônus exterior.

    Por isso, o processo de crescimento as avessas precisa juntar nas exportações negativamente (-), com o jogo jogado com a existência do valor alheio, no objeto.

    Logo, as crises que nos afligem por números irreais de moeda, inapropriada, não deve ser mais tolerados, por esterilidade da origem; porquanto a maneira que devemos progredir cada vez mais, até para nos isentar dos impostos do estado, é se captarmos a equivalência monetária que o valor do PIB gera, e criarmos o advento de uma sociedade mundial, recíproca a propriedade privada.
  • amauri  07/01/2011 09:49
    Bom dia Leandro!
    Pegando a carona mas, tangenciando um pouco, Acabo de ler que Bush recebeu o país com superavit deixado por Clinton. Pelos comentarios parece que entenderam isto como: foi Bush que endividou os EUA com a guerra e corte de impostos. É possivel saber a divida e qual foi o superavit?
    grato
  • Leandro  07/01/2011 10:06
    Prezado Amauri, os dois primeiros gráficos desse link mostram exatamente o superávit (déficit) do governo americano e a dívida.

    mises.org/markets.asp#federal

    E sim: os anos 1998, 1999 e 2000 foram de superávit orçamentário. 2001 também seria, mas a guerra no Afeganistão e a recessão pós-11 de setembro atrapalharam as coisas.

    De 2002 em diante a coisa degringolou por completo. O principal problema foi a explosão nos gastos, como mostra o quarto gráfico.

    Grande abraço.
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  16/01/2011 20:14
    Prezado Leandro\r
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    Li com muita tristeza este texto pois efetivamente a América estão se afundando numa crise econômica e política que pode destruí-los e eu tenho certeza que a queda dos EUA é má notícia para todos os libertários do mundo.\r
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    Frise-se que o EUA é o país que possui a melhor tradição libertária do mundo, pois foi lá que as idéias da Escola Austríaca mais chegaram perto de se concretizar. \r
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    Também vejo a Inglaterra e Israel como dois bons paises com tradição libertária.\r
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    Eleve-se que a vida e obra dos fundadores dos EUA são uma excelente inspiração para qualquer libertário até nos dias de hoje.\r
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    Se os EUA tombarem a China, com sua forte tirania estatal, assume o controle da política internacional.\r
    \r
    Aliás, já estamos quase numa ditadura mundial com os EUA se enfraquecendo.\r
    \r
    Nós, os libertários, não podemos contar com a União Européia que caminha para ser um estado suprancional totalitário. Com relação aos demais continentes é melhor nem comentar para não me aborrecer.\r
    \r
    Minha esperança não se foi completamente pois surgiu o movimento "Tea Party" que é a melhor notícia das últimas décadas, pois mostra que a liberdade ainda respira na América.\r
    \r
    Torço para que este movimento dê certo. \r
    \r
    Abraços\r
  • anônimo  10/02/2011 10:40
    Bernanke disse:By definition, the unsustainable trajectories of deficits and debt that the CBO outlines cannot actually happen, because creditors would never be willing to lend to a government with debt, relative to national income, that is rising without limit. One way or the other, fiscal adjustments sufficient to stabilize the federal budget must occur at some point. The question is whether these adjustments will take place through a careful and deliberative process that weighs priorities and gives people adequate time to adjust to changes in government programs or tax policies, or whether the needed fiscal adjustments will come as a rapid and painful response to a looming or actual fiscal crisis.

    Parece que, na hora da verdade, até os mais improváveis se assemelham aos autríacos. 2011 promete...
  • Luis  15/01/2013 04:05
    Ressuscitando o artigo, mas eu não sabia mais onde perguntar isso. Recentemente um parente meu foi para Buenos Aires, e estava maravilhado com a cidade. Então me enviou algumas fotos de uma livraria la, El Ateneo. A livraria é enorme e descobri que ela pertence a uma rede enorme de livrarias na Argentina. Ele me disse que eu poderia escolher qualquer livro que ele me traria. Logo pensei em pegar algum livro que não houvesse tradução para o português, mas que houvesse para o espanhol. Comecei a procurar alguns livros do Hayek com títulos em espanhol e não encontrei nada. Imaginei então que como a maioria dos livros que eu procurava haviam sido traduzidos na Espanha, poderia ter alguma mudança nos títulos publicados na Argentina. Então procurei pelo autor: Hayek. Nada. Tentei Mises. Nada. Tentei Huerta de Soto. Nada. Tentei então Adam Smith. Nada.

    Estava quase desistindo, pensando que fosse um problema no sistema de busca da livraria quando me lembrei que a alguns anos atras Dona Cristina disse que queria eliminar estes autores da Argentina. Então resolvi fazer um teste. Escrevi Karl Marx no sistema de buscas e apareceu um monte de livros. Na sequencia foi Paul Krugman, Rosa Luxemburgo e Keynes. Todos voltaram grandes quantidades de livros. Tentei então procurar autores liberais em outras livrarias Argentinas e nada. Para não dizer que não encontrei nada, eu encontrei um livro do John Locke.

    Os autores liberais estão sendo censurados na Argentina? Ou foi só uma busca mal sucedida da minha parte? Alguém tem notícias dos hermanos?
  • Vitor Hoher Nunes  15/01/2013 13:44
    Luis,

    Não sei a respeito de uma censura declarada, mas aparentemente fazem de tudo para dificultar. Realmente existem poucas obras liberais no site, achei apenas um livro do Thomas Sowell e dois da Ayn Rand. Autores de escola austríaca como Mises, Hayek, Menger, Woods, Murphy, De Soto e etc, realmente não podem ser encontrados.

    O que achei mais incrível é não ter autores clássicos como Smith e Say. Sem falar de vários autores mainstream como Friedman, Coase, Vernon Smith, Buchanan e etc. Autores esquerdistas, claro, tem aos montes...

    O que eu sei que aconteceu lá é o governo restringindo a importação de livros.

    Se não existe nenhuma editora nacional que providenciasse livros libertários, é bem possível que esse tipo de material só tenha seu caminho de entrada no país via exterior. Bloqueando a entrada, eles não chegam às prateleiras. Os impostos cobrados para liberar os livros importados são bem elevados também.

    Ah e o governo também controla empresas fornecedoras de papel. Isso afetava diretamente os jornais, pode afetar também as editoras, que não vão publicar coisas que o governo não gosta. Como conseguir via importação está complicado ou com preços abusivos e obter via editora locais parece não ser uma opção, acaba sendo normal a falta de livros defendendo o liberalismo...
  • Emerson Luis, um Psicologo  21/08/2014 23:11

    Se os EUA estão a dez passos de se tornarem uma Argentina, o Brasil está uns três passos

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