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Uma cartilha sobre recursos naturais e o meio ambiente

Existe um fato fundamental sobre o mundo e que possui implicações profundas sobre, de um lado, a oferta de recursos naturais e a relação entre produção e atividade econômica e, de outro, o ambiente que cerca o homem.  Trata-se do fato de que toda a terra é formada por elementos químicos solidamente compactados.  Não há um único centímetro cúbico, tanto sobre a terra quanto dentro da terra, que não seja um elemento químico, ou alguma combinação de elementos químicos.

Recolha qualquer pedaço de terra em uma concha, em qualquer lugar do mundo, e sua análise revelará que ali há nada mais do que uma mistura de elementos que vão do alumínio ao zircônio.  Mensurada desde as camadas superiores da atmosfera, e descendo até 6.400 quilômetros para dentro do núcleo da terra, a magnitude dos elementos químicos que constituem a terra é de 1,083 trilhão de quilômetros cúbicos.

Essa enorme quantidade de elementos químicos representa a oferta de recursos naturais fornecida pela natureza.  A ela juntam-se todas as forças energéticas dentro e em volta da terra, desde o sol e o calor fornecido por bilhões de quilômetros cúbicos de ferro fundido no núcleo da terra, até o movimento das placas tectônicas que formam sua crosta e os furacões e tornados que pontilham sua superfície.

É óbvio que, intrinsecamente, essa oferta de recursos naturais é amplamente inútil.  O que é importante — da perspectiva da atividade econômica e da produção — é o subsistema de recursos naturais que a inteligência humana identificou como possuidor de propriedades capazes de servir às necessidades e desejos humanos, e sobre os quais os seres humanos adquiriram um real poder, de modo que aprenderam a dirigi-los à satisfação de seus desejos e necessidades, e a fazê-lo sem despender quantias exageradas de trabalho.  Esta é a oferta de recursos naturais economicamente utilizáveis.

A oferta de recursos naturais economicamente utilizáveis será sempre uma pequena fração da oferta total de recursos naturais fornecidos pela natureza.  Com a exceção do gás natural, mesmo hoje, após mais de dois séculos de rápido progresso econômico, o total da oferta de minerais explorados pelo homem anualmente corresponde a algo substancialmente menor do que 104 quilômetros cúbicos.  Trata-se de uma taxa que poderia ser mantida pelos próximos 100 milhões de anos, quando, só então, chegar-se-ia a algo perto de 1% da oferta total da terra. (Essas estimativas advêm do fato de que o total anual da produção global de petróleo, ferro, carvão e alumínio pode ser respectivamente alojado em espaços de 4,79, 0,58, 1,21 e 0,16 quilômetros cúbicos, baseando-se no número de unidades produzidas e na quantidade que cabe em um metro cúbico.  A produção de gás natural totaliza mais de 2.500 quilômetros cúbicos, mas se reduz para 4,58 quilômetros cúbicos quando liquefeito.)  Nessa mesma perspectiva, a oferta total de energia produzida pela raça humana em um ano é ainda muito menor do que aquela gerada por um único furacão.

Com tais fatos entendidos, não é surpresa alguma constatarmos que a oferta de recursos naturais economicamente utilizáveis não é algo fixo e determinado.  Pelo contrário: não apenas estamos lidando com uma fração muito pequena da oferta de recursos naturais fornecida pela natureza, como também estamos lidando com uma fração que pode ser substancialmente aumentada por um considerável período de tempo vindouro.  As atividades de minerações poderiam ser aumentadas em 100 vezes a sua escala atual durante o próximo milhão de anos e, ainda assim, estaríamos utilizando menos de 1% da terra.

A oferta de recursos naturais economicamente utilizáveis se expande à medida que o homem aumenta seu conhecimento em relação à natureza e seu poder físico sobre ela.  A oferta se expande à medida que o homem obtém avanços na ciência e na tecnologia e aprimora e amplia sua oferta de equipamentos (bens de capital).

Por exemplo, a oferta de ferro como um recurso natural economicamente utilizável era de zero para o povo da Idade da Pedra.  O ferro passou a ser um recurso natural economicamente utilizável somente após terem descoberto alguma utilidade para ele e após terem percebido que o ferro poderia contribuir para a vida e bem-estar do homem ao ser forjado em vários objetos.  A oferta de ferro economicamente utilizável era ínfima quando ele podia ser extraído somente por meio de escavação com pás.  Ela se tornou substancialmente maior quando escavadoras mecânicas e de motor a vapor substituíram as pás manuais.  E se tornou ainda maior quando se descobriram métodos para separar o ferro de compostos contendo enxofre.  E assim tem sido, e pode continuar sendo, para cada recurso natural economicamente utilizável.  Sua oferta aumentou e pode continuar aumentando por um período de tempo indefinido.

O fato de que a terra é feita de elementos químicos que o homem não pode criar e nem destruir implica que, do ponto de vista das ciências físicas, a produção e a atividade econômica podem ser entendidas como sendo meras alterações nas localizações e combinações dos elementos químicos.  Assim, por exemplo, a produção de automóveis representa um mero deslocamento de parte do ferro que está localizada em uma região do planeta para alguma outra localidade onde está a montadora; e, nesse processo, o ferro é separado de elementos como oxigênio e enxofre e recombinado com outros elementos como cromo e níquel.

As mudanças nas localizações e combinações dos elementos químicos que constituem a produção e a atividade econômica não são aleatórias, mas, sim, voltadas precisamente para o aprimoramento da relação dos elementos químicos com a vida e o bem-estar humano.  O ferro presente nos automóveis, nos eletrodomésticos e nas vigas de aço que sustentam prédios e pontes possui uma relação muito mais útil e valiosa para a vida e bem-estar humano do que o mesmo ferro soterrado, intocado e inutilizado no subsolo.  O mesmo é válido para o petróleo e o carvão trazidos para a terra e utilizados para gerar calor, iluminar casas e fornecer energia para as máquinas e ferramentas do homem.  O mesmo também é válido para todos os elementos químicos que se transformaram em componentes essenciais de produtos importantes quando comparados ao que eram esses mesmos elementos quando jaziam inertes no subsolo.

Na medida em que a natureza essencial da produção e da atividade econômica é aprimorar a relação dos elementos químicos que constituem a terra com a vida e o bem-estar do homem, ela também tem o objetivo de necessariamente aprimorar o ambiente do homem, o qual é formado por nada menos do que esses mesmos elementos químicos e suas forças energéticas correlacionadas.  A ideia de que a produção e a atividade econômica são nocivas para o meio ambiente significa dizer que o homem e sua vida não são fonte de valor algum para o mundo, e que, portanto, tal fonte de valor deve ser substituída por um critério de valor não-humano — ou seja, pela crença de que a natureza tem valor intrínseco, quando, na verdade, todo o seu valor lhe é imputado pelo homem.

Quando o homem e sua vida são considerados os critérios básicos para se determinar o valor das coisas, então é correto dizer que o ambiente é aprimorado com a construção de casas, áreas agrícolas, fábricas e estradas — pois todas essas obras tornam, direta ou indiretamente, a vida mais fácil.  Quando a natureza por si só é vista como valiosa, então diz-se que o ambiente é danificado sempre que o homem constrói algumas dessas obras ou faz algo que altera o estado atual da natureza, pois ele estará destruindo algo que supostamente possui valor intrínseco.

Por fim, uma última dedução que pode ser obtida é que um dos principais problemas de nossa época não é a poluição ambiental, mas, sim, a corrupção filosófica.  É exatamente aí que jaz a crença de que melhorias nas condições materiais externas da vida humana são, de alguma forma, danosas ao meio ambiente.



autor

George Reisman
é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University. Seu website: www.capitalism.net. Seu blog georgereismansblog.blogspot.com.

  • Miguel  19/11/2010 12:47
    Quando o homem e sua vida são considerados os critérios básicos para se determinar o valor das coisas, então é correto dizer que o ambiente é aprimorado com a construção de casas, áreas agrícolas, fábricas e estradas - pois todas essas obras tornam, direta ou indiretamente, a vida mais fácil.

    Isso nos EUA.

    É a natureza da produção que exterioriza o valor ao dinheiro e não o dinheiro é o critério básico.

    Porque cada produto criado pelo trabalho se perde do Brasil para se criar como valor num outro país? (exportações são critérios básicos de valor da natureza?

    O que os EUA estão fazendo através dos investimentos externos ao aferir a produção da natureza em dólar? Anular as nações em si mesmas, para gerar um valor que entre todos (exportações) seja o seu crescimento!

    A priori, isso acontece no âmbito interno do país colonizado. Exemplo, um poço de petróleo, mina de ferro, ouro etc, é uma divida externa, em dólar (+ 1= -1), ou seja, Perde-se o produto pelo investimento.

    E o dinheiro que fica, irá pertencer a uma suposta segunda riqueza da natureza? Não. Apenas projetará os juros da divida anterior, mês a mês na produção real. Isto é: Para sempre precisaremos de mais investimentos; não para o país crescer por si, mas para financiar a própria natureza.

    Se um dia fizermos uma idéia do que é economia, então, sim: tudo será do Mercado Financeiro.

    Ou a matemática cumpri seu papel de mensurar a moeda da produção os bens se vão.

    Na verdade não temos correlação com riqueza alguma, a não ser com a sua eterna divida.

    Tudo por que? buscamos a unidade de trocas(1=1) distorcida pelo câmbio no vazio da natureza. Logo, o futuro valor no PIB é uma visão através do ônus real, com a origem dos EUA.
  • Pedro  19/11/2010 13:49
    A Natureza fornece os recursos e os homem os processo com o TRABALHO? Concordo em gênero, número e grau. Mas os recursos naturais são FINITOS. E ao seguir convertendo-os indefinidamente em "riqueza econômica" isso vai exaurindo os recursos e não aumentando a oferta dos mesmos! Veja o exemplo da escassez do petróleo. Não haverá atividade econômica que faça jorrar mais petróleo do que o existente. Isso ocorre com todos os recursos naturais.
  • Leandro  19/11/2010 14:18
    Pedro, procure informar-se sobre todo o petróleo contido em reservas naturais (como ANWR, no Alasca) que não pode ser extraído simplesmente por proibição dos grupos ambientalistas. E o estado do Colorado tem reservas de petróleo jamais exploradas que equivalem a vinte vezes o total das reservas da Arábia Saudita.

    Faz quase um século que dizem que "o petróleo não durará mais dez anos". Aí, quando as previsões não se concretizam, os gênios voltam às suas planilhas, refazem os cálculos e garantem que "dos próximos 10 anos não passa".

    Tem petróleo sobrando no mundo e haverá atividade econômica que fará jorrar mais petróleo do que o existente. E isso ocorre com todos os recursos naturais.

    Abraços!
  • Pedro  19/11/2010 14:40
    Prezado Leandro. Agradeço pela informação, mas mesmo que se permita explorar livremente TODAS as jazidas de petróleo, existe uma determinada quantidade de petróleo e no dia em que for TOTALMENTE consumida, não haverá mais atividade econômica que fará jorrar mais petróleo do que TOTAL do petróleo existente. Mesmo que se faça operações de guerra contra os tais grupos ambientalistas.
  • Fernando Chiocca  19/11/2010 15:17
    E daí? Você está sugerindo que não usemos algo útil agora para que gerações futuras usem? O que as gerações futuras têm de supeiror a nossa para concedermos este privilégio? E elas iriam poder usar? Ou também teriam que preservar para gerações futuras?
  • artenir Busanello  05/12/2010 19:39
    Sr. Pedro, estás partindo do principio de que só o petróleo fornece energia. A tecnologia e biotecnologia avançam a passos largos. Segundo meu entender, o que temos por trás disto, são grandes interesses econômicos, tentando que suas rendas não terminem logo. A velha premissa, de que se tem que tirar o máximo ganho, claro só ninguém fala que as estruturas de poder mudam. È ainda utópico, mas um dia talvez tenhamos uma consciência mais humanista. Aí, o acumulo de bens já não seja tão prioritário.
  • Bruno  19/11/2010 14:48
    O que o texto não contempla é o impacto ambiental na extração, produção, no consumo e descarte.

    A questão ambiental visa mais a qualidade de vida humana que simplesmente a relação de recursos naturais extraídos x recursos ainda não-tocados.

    O excesso de lixo, tóxico ou não, agrotóxico em aquíferos, de áreas esterelizadas por extração, inundadas por barragens, e muitos outros problemas podem no longo prazo inviabilizar a existência humana.

    "...A ideia de que a produção e a atividade econômica são nocivas para o meio ambiente significa dizer que o homem e sua vida não são fonte de valor algum para o mundo..."

    O planeta continuará firme e forte como sempre esteve. Ou seja, para o planeta, o homem e sua vida não são fonte de valor algum mesmo.

    Corrupção filosófica quem faz é o autor do texto.
  • Leandro  19/11/2010 15:04
    Bruno, seu último parágrafo está em total contradição com o penúltimo. Não dá pra concordar com o autor (o que você faz no penúltimo parágrafo) e ao mesmo tempo dizer que ele pratica corrupção filosófica (o que você faz no último).

    A menos que você também esteja em incorrendo em tal prática, no que não creio.
  • Bruno  19/11/2010 15:34
    Não concordei com o autor. Citei a única frase lúcida dele. E o fiz para reforçar o argumento das duas frases acima.

    No último parágrafo do texto o, Reisman escreve (ele não assume a dedução) que o nosso problema não é ambiental, é filosófico (ou corrupção filosófica).

    Ora, para mim, quem está praticando isso é ele, ao vir com o argumento de que a quantidade de recursos na natureza ainda não utilizado é imenso em relação ao extraído e trabalhado.

    Explicando melhor, é uma tentativa de invalidar toda a demanda por melhoria em processos de extração, melhoria em processos de fabricação, tratamento de efluentes, e etc, pois "a gente só usa um pouquinho do que o planete dispõe".

  • Roy Mustang  25/08/2014 13:53
    Sobre petróleo, além das reservas não exploradas ainda há a teoria do Petróleo Abiótico, que defende que ele é uma fonte renovável e não tem origem fóssil. Antes das pedradas, a teoria dos combustíveis fosseis nunca foi provada em laboratório, portanto, esta teoria "nova", que data do século 18, e que foi criada pelo russo, Mikhail Vasilyevich Lomonosov é tão válida quanto qualquer outra.

    en.wikipedia.org/wiki/Abiogenic_petroleum_origin
  • Tiago RC  25/08/2014 18:45
    Independente da origem do petróleo natural, a sintetização de "combustíveis fósseis" é possível, mas ainda é muito cara. Veja:
  • Cadu  10/10/2014 02:35
    E sempre existirão iniciativas como essa. (E o preço com o tempo tende a baixar)

    economia.terra.com.br/carros-motos/alemanha-homologa-carro-movido-a-agua-do-mar,cbccd0fe98638410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html
  • Flavio Ortigao  19/11/2010 16:03
    O assunto e' interessante, nas o autor desconhece o assunto.
    1. Os elementos sao os mesmos em todo o universo, mas sua ditribuicao espacial nao e' a mesma. O que equivale a dizer que alguns elementos estarao mais longe do alcance e mais dificeis ou mais caros para a transformacao economica que outros. Por exemplo, o mundo JA depende da China para os principais metais "estrategicos" para aindustria de alta tecnologia.
    2. As jazidas economicamente viaveis (competitivas) dos elementos, e compostos sao finitas. E todos os usos que fazemos dos elementos e compostos NAO tem o mesmo valor estrategico. Por exemplo queimar petroleo nao tem o mesmo valor que usa-lo para fazer LEGO-bricks.
    3. A natureza foi criada muito antes do homem (compare 14 Bilhoes com 2.5 milhoes de anos) e nao so tem uma existencia indepedente como valor para a sustentacao da Vida do Homem independente da atividade do homem. Ja a atividade economica do homem, depende dele, mas e' altamente influenciada pelos fatores naturais. Agua cheia de arsenico, por exemplo, nao tem mesmo valor que agua pura para matar a sede das pessoas.
    4. A Sustentabilidade consite no uso mais parcimonioso dos recursos naturais, de modo que as geracoes futuras possam ainda desfrutar de agua limpa a um preco razoavel.
  • Felix  20/11/2010 19:54
    concordo com o autor quanto a imensidão das reservas...
    mas o que ele esquece de mencionar é a poluição no processamento de todo este material
    esta poluição prejudica a qualidade de vida nossa,
    além do mais, ele fala apenas de minérios
    e a madeira? será que vai durar milhões de anos neste ritmo?
    e o ar puro? e a água doce?
    a poluição vai levando estes recursos importantes e mais escassos no caminho...
    e temos que preocupar com as gerações futuras sim, porque são nossos filhos e netos, etc...
  • Fernando Chiocca  20/11/2010 22:46
    Este comentário do Felix, que contém absurdidades incríveis, só pode ser um reflexo do que a mídia e a educação controladas pelo estado fizeram com a cabeça das pessoas com seu ecoterrorismo.
    Madeira!? É só plantar mais, ou melhor, é só não fazer nada que as árvores tomam conta do planeta.
    Chegou até em falar de água, algo que, literalmente, cai do céu!!
    A única razão de existir escassez de água é porque o governo monopoliza a distribuição.
    Impressiona.

  • edson gurgel  27/04/2016 19:08
    Há sempre algo muito estranho sobre cidades fantasmas e Picher, em Oklahoma é, provavelmente, um dos exemplos mais terríveis nos Estados Unidos. Atualmente a cidade é uma visão pós-apocalíptica, e o fotógrafo Seph Lawless foi capaz de entrar nessa área anteriormente restrita e fazer fotos incríveis.
    A cidade foi abandonada em 2006, quando a Agência de Proteção Ambiental emitiu uma nota de evacuação obrigatória devido ao envenenamento extremamente perigoso por chumbo , embora que alguns tenha se recusado a sair por muitos anos. Picher era uma comunidade de mineradora que produziu 50 por cento do chumbo e zinco utilizado durante a I Guerra Mundial, e essa mineração continuou até 1967.

    A água contaminada e os materiais de mais de 14.000 minas espalhadas no chão, edifícios, pessoas, e em 1996, 34 por cento das crianças da cidade tiveram envenenamento por chumbo.

    Picher é mais um exemplo extremo de interesses industriais superando preocupações ambientais, assim como o ocorrido recente em Mariana-MG, aqui em nossas terras. Mais imagens podem ser encontradas no livro de "The Prelude: The Deadliest City in America" ou no Instagram de Lawless.Lembrando que os seres humanos apesar de sentirem-se dominantes na natureza,esquecem que são parte dela e que o uso indiscriminado dos recursos naturais podem incorrer na própria inviabilidade do capitalismo e da vida humana.
  • André Ichiro  19/11/2010 16:27
    Obviamente há danos para o meio ambiente. A idéia do petróleo não pode ser generalizada para todos os recursos (e, mais relevante do que isso, ainda que o recurso esteja disponível, sua utilização produz lixo e poluição). Não há relação alguma entre ser contra a interferência do Estado ("preservador" do meio ambiente) e ingenuamente achar que o mercado não deve dar atenção ao meio ambiente (que, por exemplo, o excesso de lixo/poluição não é um problema). O argumento de valor intrinseco é bastante falacioso: a natureza não possui valor intrinsico, mas sua preservação beneficia o homem (e por isso não se deve ser contra a atividade econômica, mas igualmente não se deve cair no simplismo de achar que a exploração dos recursos deve se dar de qualquer maneira).
  • Miguel A. E. Corgosinho  21/11/2010 01:36
    "O argumento de valor intrinseco é bastante falacioso: a natureza não possui valor intrinsico,..."\r
    \r
    Se voce tivesse 1 kg de ouro trocaria o valor intríseco do mesmo simplesmente para o dono de uma balança te entregar o comprovante da medida natural do seu peso?\r
    \r
    De maneira semelhante o dólar subtrai o valor da produção (quem dera fosse medida a respeito da lógica dos contrários; mais é ludibriando mesmo os ingenuos adeptos do capitalismo. \r
    \r
    E olha que eles topam acabar com funções lógicas da matemática...
  • Andre Ichiro  19/11/2010 16:34
    "Você está sugerindo que não usemos algo útil agora para que gerações futuras usem?". Sim. "O que as gerações futuras têm de supeiror a nossa para concedermos este privilégio?" Nada, assim como também não somos superiores e portanto nos falta legitimidade para produzir lixo/poluição de maneira grotesca (a única 'supremacia' que há é a idéia arbitrária de 'força', onde podemos produzir lixo/poluição e as gerações futuras nada podem fazer - já que nem existem - o que me parece um uso arbitrário da força bastante similar ao que o Estado propaga). Uma amenização nos graus de poluição/lixo (sempre levando em consideração o impacto econômico relativo, e, portanto, ponderando ambos, sem privilégio a priori de um sob o outro) e, se for o caso de um recurso relevante que se esgotará (sendo tal esgotamento nocivo "futuro" e temporalmente próximo do presente) deve se dar uma minima distribuição/planejamento de recursos, distribuindo-os entre presente e futuro. "E elas iriam poder usar? Ou também teriam que preservar para gerações futuras?" Ambos, como já foi respondido.
  • Rui Carlos Gonçalves  19/11/2010 19:30
    E o lixo também tem mais valor que os recursos que lhe deram origem? O petróleo espalhado pelo Louisiana também tem mais valor do que quando estava no fundo do mar? Não querem ir viver para Devecser? Ou oferecerem-se para armazenar risíduos nucleares na vossa casa? Até deviam ter quem vos pagasse para que vocês ficassem com esses valiosos produtos.
    O artigo parece ignorar que na tentativa de se transformar os recursos em matéria com mais valor, também são produzidas composições de elementos indesejadas.

    E se os recursos não são escassos, porque é que os preços de alguns estão ao amentar a um ritmo significativo? Pelo menos diria que a evolução dos meios de extracção não está a acompanhar a redução de recursos fáceis de extrair. É isso ou então a culpa deve ser dos famosos especuladores.

    A currupção filosófica é normal, e acontece em todo lado... De um lado temos os extremista ambientalistas, que vêem problemas em todo lado. Do outro temos os anti-ambientalista, que acho que está tudo bem. E é graças as estes dois grupos de curruptores, que vamos tendo um equilibrio minimamente aceitável, e com o qual nenhum dos curruptores concorda.
    Há muita histeria em torno das questões ambientais, mas as coisas também não são tão simples como algumas pessoas querem fazer crer.
  • Leandro  19/11/2010 20:14
    E se os recursos não são escassos, porque é que os preços de alguns estão ao amentar a um ritmo significativo?

    Porque todos bancos centrais mundiais -- principalmente o mais poderoso deles -- estão imprimindo dinheiro desbragadamente. A teoria econômica ensina que tal aumento irá se manifestar principalmente em setores como imóveis, mercado de ações e commodities. O que está acontecendo com os preços das commodities é a simples manifestação desse fenômeno. Seria estranho se não fosse assim.

    Os preços de todas as commodities estão aumentando em dólar e assim será enquanto a atual e desarrazoada expansão monetária seguir seu curso.


    Petróleo na Louisiana? Que petróleo? Alguém ainda fala disso? A coisa durou dois meses. Evaporou. Exatamente como os cientistas menos proxenetas disseram que iria acontecer.

    Leia o link postado no último comentário deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=694
  • Fernando Chiocca  19/11/2010 20:21
    Alias, uma pena para os ambientalistas -- que valorizam mais o mar e bichos do que o bem estar de seres humanos -- que o petróleo desapareceu, pois ele estava fazendo um bem para eles:

    www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0911201003.htm

    Petróleo de vazamento entra na alimentação de espécies marinhas

    Não há risco no consumo desses animais, porém, diz cientista

    Patrick Semansky/Associated Press

    Caranguejo coberto de óleo em área próxima ao vazamento de petróleo, na costa dos EUA

    DA ASSOCIATED PRESS

    Cientistas dizem ter rastreado pela primeira vez a rápida incorporação de alguns elementos não tóxicos do vazamento da plataforma da BP, no Golfo do México, à dieta dos plânctons.
    Ao virar alimento para esses micro-organismos, que são a base da cadeia alimentar da vida marinha, os resíduos do vazamento se espalharam por diversos animais.
    Como os plânctons são realmente muito pequenos, os cientistas decidiram mapear as substâncias através de um indicador simples de controlar: a proporção dos diferentes tipos de carbono em micróbios e plânctons próximos à mancha de óleo do vazamento.
    Essa proporção importante aumentou 20%, mostrando a presença de petróleo na cadeia alimentar.
    Apesar disso, o líder da pesquisa publicada na "Environmental Research Letters", William Graham, do Laboratório de Vida Marinha de Dauphin Island (EUA), disse não haver indícios de que plânctons, peixes que deles se alimentam ou pessoas que comem frutos do mar estejam em risco.
    Segundo ele, trata-se apenas de um marcador biológico que mostra o percurso do carbono derivado do vazamento na cadeia alimentar.
  • Rui Carlos Goncalves  19/11/2010 21:09
    "Os preços de todas as commodities estão aumentando em dólar e assim será enquanto a atual e desarrazoada expansão monetária seguir seu curso."

    Essa expansão monetária justifica todo o aumento?
    O facto do custo de extração de petróleo em alto mar ser mais elevado que o custo de extração no Médio Oriente não influencia o preço?

    "Petróleo na Louisiana? Que petróleo? Alguém ainda fala disso? A coisa durou dois meses. Evaporou. Exatamente como os cientistas menos proxenetas disseram que iria acontecer."

    Admitindo que esse petróleo se evaporou, e que já não está a causar prejuízos às pessoas, todo o lixo se evapora? E é preciso evaporar? Ele não era algo valioso? Vai ou não passar a armazenar resíduos nucleares na sua casa? Como já referi, tenho a certeza que ganhará muito dinheiro com isso.
  • Leandro  19/11/2010 21:28
    O senhor está usando o truque desonesto de desvirtuar o que foi dito. Falei apenas de petróleo e não de lixo nuclear. O fato de o senhor desviar a discussão para esse campo deixa-lhe bastante a descoberto.

    O facto do custo de extração de petróleo em alto mar ser mais elevado que o custo de extração no Médio Oriente não influencia o preço?

    Ora, é claro que influencia! Essa, aliás, é a função dos preços: sinalizar riscos e escassezes. E tais preços só farão aumentar com a expansão monetária. Qual a divergência aqui?
  • Fernando Chiocca  19/11/2010 21:47
    Eu tenho um terreno onde posso armazenar resíduos nucleares. Quanto você paga?
  • Rui Carlos Goncalves  20/11/2010 19:09
    Uns franceses tiveram uns problemas para se livrar de uns resíduos há uns dias atrás. Entre em contacto com eles, tenho a certeza que lhe pagariam para ficar com eles (ou com os próximos).
    E quanto pagam é relevante? Tendo em conta o custo dos recursos que lhes dão origem, o seu valor deve ser significativo.
  • Fernando Chiocca  20/11/2010 19:42
    Não posso.
    Não sei se você está sabendo Rui, mas não temos um livre mercado. Existem instituições criminosas que obtruem e impedem o mercado.
    Se não fosse isso, com certeza o mercado atenderia a demanda desses franceses, da maneira mais barata e segura possível.
  • Rui Carlos Goncalves  20/11/2010 18:37
    "O senhor está usando o truque desonesto de desvirtuar o que foi dito. Falei apenas de petróleo e não de lixo nuclear. O fato de o senhor desviar a discussão para esse campo deixa-lhe bastante a descoberto."

    Estou usando um truque desonesto? Eu já não tinha referido o lixo nuclear no primeiro comentário? Apenas quis realçar que mesmo que o petróleo já se tenha evaporado, o meu ponto


    "Ora, é claro que influencia! Essa, aliás, é a função dos preços: sinalizar riscos e escassezes. E tais preços só farão aumentar com a expansão monetária. Qual a divergência aqui?"

    Ao ler a sua resposta anterior fiquei com a ideia que os "riscos e escassezes" não tinham influência no caso em questão. Agradeço a clarificação.
  • Lázaro Amaro  19/11/2010 19:46
    George Reisman merece respeito, eu acompanho esse site, sempre atento a seus artigos. Sou muito grato a todo o trabalho que vocês tem traduzindo e publicando. Porém, é a primeira vez que discordo de um artigo.
    Acredito que o pensamento de Reisman tenha um pouco de ódio contido, sei como é. Ambientalistas são chatos e no fundo detestam humanos.
    Tive de trabalhar com este tipo na universidade (há 12 anos atrás), sou engenheiro florestal, mas sempre me interessei por biologia e recursos naturais. Fazia parte de um grupo que mapeava florestas, tinha de aguentar o ranço anti-engenharia da parte de professores doutores e de alunos alienados.
    Somos uma espécie que preda outras para sobreviver isto é fato, mas bastam análises químicas simples como fazem aos montes em campo para observar os impactos ambientais, como no caso de queimadas ou de atividades mineradoras.
    Assim como nos livramos do escravismo temos de aprender a coexistir com formas mais limpas, mas que ao mesmo tempo não sejam impeditivas para a procura da felicidade.
    O que deve existir é bom senso, realmente não vejo porque não explorar as reservas no Alaska como disse o amigo aí de cima. Porém vejo com maus olhos a influência que grandes empresas petroliferas tem com o governo, assim como reprovo veementemente o fanatismo de ambientalistas que no fundo defendem mesmo é sua fatia no mercado de trabalho.
    Abraços. Lázaro Amaro
  • Fernando Chiocca  19/11/2010 21:45
    Artigo irretocável do Reisman, que logicamente não dá ponto sem nó. O pessoal que criticou não entende que poluição -- que não era assunto do artigo -- é um problema de invasão de propriedade, fizeram outros comentários sem relação alguma com o exposto ou simplesmente não entenderam absolutamente nada do que leram (descofio que alguns nem leram, devido ao conteúdo desconexo dos comentários)
    Qualquer resposta que eu poderia dar não seria melhor do que a seguinte: Leiam o artigo.
  • Luis Almeida  19/11/2010 22:13
    Fato.

    Aliás, está cada vez mais difícil e dolorosa a tarefa de escrever para brasileiros. A cada frase que você escreve, tem de se certificar de que está utilizando a construção mais simples e as palavras mais fáceis possíveis. Caso contrário, os coitadinhos não entendem e confundem tudo.

    É uma coisa medonha isso que está acontecendo com a cultura literária do país, e eu sinceramente temo aonde iremos parar. Antes, lia-se e entendia-se Machado e Padre Vieira. Hoje, já há uma congestão cerebral ao se ler as patetices de Arnaldo Jabor e Carlos Heitor Cony, ambos símbolos da mais alta cultura nacional.

    A continuar assim, acho que, no futuro, estaremos todos dialogando na base do au-au, miau, oinc-oinc etc. Aí pelo menos não haverá mais margem para dúvidas literárias.

  • CR  19/11/2010 21:46
    Apreciei o texto. De fato, os recursos naturais são finitos, como a própria Terra assim o é. Dizem que até o Sol vai desaparecer com o tempo, posto perder energia. Mas a preocupação ecológica parece mais acentuada do que a preocupação com os atores do cenário. Há uma exigência ética desmedida com o meio-ambiente, ao tempo que há o mais completo desrespeito com a propriedade, este bem mais natural representado a partior do prórpio corpo, que é mais finito do que qualquer outro elemento. Todos parecem mais preocupados com o cenário, e os atores que se danem. Uma coisa eu garanto: se acabarem com o ferro, com o petróleo, com a madeira, e sei-lá mais com o que, ainda assim eu viverei tranquilamente. Tudo isso não fará a menor diferença. Pode alguém até demonstrar o contrário, mas quanto a mim, pelo menos, asseguro que não fará. Mas tem outro aspecto que gostaria de mencionar. Ocorre que este sistema extrativista pertence ao antepassados. Hoje em dia vivenciamos novos horizontes. Os ambientalistas podem respirar mais aliviados. O petróleo tem perdido importância, frente a uma infinidade de matrizes energéticas, petroquímicos, elétricos, aelólicos, sistemas diversos. A madeira embora tenha lé sua clientela, há muito já perdeu espaço para outros materiais. E os animais, coitados, esses tem sido tratados melhores do que muita gente.
    O que é preciso é acabar com a dialética, dos polos contrários, antagônicos, concorrentes, olímpicos, essa infâmia inoculada no berço da filosofia, sim, mas que não foi subvertida não, porquanto já nasceu com o fito de a todos ludibriar.
  • Andre Ichiro  19/11/2010 23:31
    Achei que o espaço servia à discussão, e "lixo" me parece um tema extremamente conexo com "uma cartilha sobre recursos naturais e o meio ambiente". Me parece, ainda, que os comentários estão sendo lidos como se todos fossem criticos ao artigo, ao invés de apenas propensos a conversa. De qualquer maneira, ainda mantenho a critica em face do argumento "ideia de que a produção e a atividade econômica são nocivas para o meio ambiente significa dizer que o homem e sua vida não são fonte de valor algum para o mundo, e que, portanto, tal fonte de valor deve ser substituída por um critério de valor não-humano - ou seja, pela crença de que a natureza tem valor intrínseco, quando, na verdade, todo o seu valor lhe é imputado pelo homem".
  • Eduardo Rodrigues  19/03/2011 13:04
    Vídeo em que o economista Steve Horwitz acaba com o mito de que os recursos estão acabando. Tradução: Henrique Vicente. Legendas: Juliano Torres.

    Estão acabando os recursos naturais?
    www.youtube.com/watch?v=YqkRsESPbFw&feature=mfu_in_order&list=UL


  • Deilton  18/06/2012 19:31
    Excelente texto. Sempre desconfiei dessa paranóia ambientalista.
  • Emerson Luis, um Psicologo  13/08/2014 22:03

    O petróleo provavelmente vai ser substituído muito antes de esgotar-se.

    Quando for viável e lucrativo, empresas privadas vão minerar os asteroides.

    * * *


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