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Um conto de duas farmácias

Motivos médicos têm me mantido um tempo nos EUA.  Nessa temporada, tive a oportunidade dúbia de frequentar muitas farmácias, e posso dizer que a experiência americana nesse quesito é muito diferente da brasileira.  Querem saber em qual dos dois países as farmácias são melhores?  Aposto que não, né?  Mas mesmo assim acompanhem comigo esta disputa que, embora menos emocionante que a Copa, guarda uma lição.

Comecei a pensar no assunto farmácia ainda em São Paulo, quando tive que comprar lentes de contato e não as encontrei.  Na segunda tentativa frustrada, perguntei à atendente da farmácia se alguma outra próxima teria (tenho memória recente de comprá-las).  A resposta?  Farmácias estão proibidas de vender lente e óculos.  Interessante.  Lá fui eu para uma ótica.  Imagino que ter uma visão boa seja algo perigosíssimo ao indivíduo e à sociedade, e por isso as autoridades tenham decidido dificultar nosso acesso a ela.  Agora, cada idoso pobre com vista cansada tem que marcar consulta com oftalmologista e apresentar receita médica para comprar óculos.  Os consumidores já podiam, antes, consultar um médico e pegar a receita.  Quem achava que isso tomava muito tempo e dinheiro e que o benefício dos óculos um pouco mais precisos não valia à pena podia comprá-los direto.  Não mais.

A lente de contato é um pequeno passo na crescente restrição ao que as farmácias podem vender.  Lembro de uma matéria do Jornal Nacional uns anos atrás sobre outros produtos cuja venda seria proibida (já não lembro quais) em que perguntavam a um comprador numa farmácia se ele aprovava a nova lei.  Sim, claro, aprovava.  Ironicamente, na cesta desse consumidor consciente estavam vários produtos que a lei proibiria.  Para vocês verem como pesquisas de opinião e voto nas urnas refletem fielmente as preferências reais da população... O resultado é que hoje em dia nossas farmácias só vendem remédios, cosméticos e algumas coisas de banheiro.  Em breve alguém vai perceber que shampoo é bem diferente de remédio, vai achar "irracional" juntar os dois produtos numa mesma loja e vai querer que a lei separe o que o bem-estar dos consumidores uniu.

Devem existir motivos muito bons para proibir as farmácias de vender produtos em geral, fazendo com que os cidadãos percam tempo à toa indo a várias lojas diferentes.  Será? Vejam a justificativa dada pelo presidente da ANVISA, Dirceu Raposo de Mello (ADVERTÊNCIA: o pensamento de quem trabalha com o Ministério da Saúde pode ser prejudicial à sua saúde mental): "A farmácia é um estabelecimento diferenciado, não se pode banalizar esse ambiente com produtos que não têm relação com seu objetivo". Precisa criticar?

Pensemos em algo mais agradável do que a ANVISA, o que não é difícil.  Vamos aos EUA!  Lá, as farmácias vendem de tudo: remédios, eletrônicos, utensílios domésticos, brinquedos, livros, comida e mais, muito mais.  Procuro um pouco e ali estão: óculos de até 3,5 graus por 15 dólares livremente expostos (é, a saúde americana ainda não chegou ao nível invejável da brasileira, embora avanços importantes estejam sendo feitos nesse campo).  Enquanto espero meu remédio ficar pronto (mais sobre isso abaixo), compro guloseimas.  Não tenho a menor dúvida: farmácia banalizada é muito melhor.

O outro lado da pílula

Talvez você esteja pensando algo nessas linhas: "canalha liberal vendido ao capitalismo ianque!"  Se for o caso, acalme-se.  Na competição pela melhor farmácia ainda sobra um quesito no qual poderemos resgatar a honra brasileira.  Notem que até agora eu falei de tudo, menos de remédio.

A farmácia americana goza de muita liberdade exceto quando o assunto é remédio; aí ela é o sonho de qualquer burocrata.  Registrem bem: para comprar qualquer remédio de receita, é preciso dar a receita (que é nominal, numerada e tem um papel especial com várias marcas para não ser falsificada) ao farmacêutico, apresentar documento de identidade e dar endereço e telefone; daí o farmacêutico registra tudo no computador, faz algumas ligações e depois coloca a quantidade exata de remédio que a receita prescreve num potinho.  

Da primeira vez, o atendente me disse que estaria pronto em vinte minutos. Fiquei pasmo; vinte minutos?  No Brasil a venda é instantânea (fora para remédios tarja preta — nos EUA é assim para quase todos): o atendente olha o seu papel e te dá a caixa.  Uma lei nova que proíbe que o próprio consumidor pegue o remédio atrapalha um pouco as coisas, mas o serviço ainda é rápido.  Bom, como dito, usei o tempo de espera para comprar sorvete, Coca-Cola e outros remédios da alma.  O que eu nem suspeitava era que aquele fosse um dia de sorte; o normal é que o remédio demore uma hora para "ficar pronto".  Perguntei a um farmacêutico que conheci por aqui e ele me contou que a demora deve-se à checagem da receita e à negociação com as seguradoras.  Falha de mercado?  Mais para falha de governo: o mercado de seguros americano é dos mais regulamentados do mundo, e as seguradoras são obrigadas a dar muito remédio de graça sem aumentar o preço da mensalidade; naturalmente, lutam com unhas e dentes para não dar um centavo além do exigido por lei.  O resultado é que os pedidos vão se acumulando e forma-se uma fila imensa.  Esse farmacêutico lamenta que ele não tenha mais tempo de ajudar nenhum cliente, conversando e tirando dúvidas sobre sintomas.  Todo ele é consumido por tarefas burocráticas.

Se o sistema brasileiro já é desnecessariamente complicado, o americano é uma piada de mau gosto.  Contei a um atendente aqui nos EUA como funciona a venda de remédios no Brasil. "É, aqui era assim também. Mas tinha muita receita falsa." Não tive a presença de espírito de retrucar um "E daí?".  No Brasil também tem muita receita falsa.  E daí?  Se receita não fosse obrigatória, o número de receitas falsas cairia muito, pode apostar.  E elas cumpririam sua função legítima: informar ao paciente e ao atendente da farmácia qual o remédio e a dosagem prescritas pelo médico; não servir de controle legal de quem pode ou não ingerir uma substância.

Mas, você me dirá, e os perigos de se tomar um remédio errado e morrer?  Será que vale a pena encarecer (em tempo e dinheiro) toda a nossa relação com a saúde porque algumas pessoas são temerárias o bastante para tomar remédios perigosos sem ter a menor idéia se ele é ou não indicado a seu caso?  Ironicamente, muita gente que defende a saúde regulamentada admite que descumpre a lei corriqueiramente, por exemplo pedindo indicação de remédio ao farmacêutico (ou mesmo à mãe), o que é ilegal (talvez isso mude parcialmente; notem o medo dos médicos de perderem sua reserva de mercado).

Perto do FDA, órgão do governo americano que decide que substâncias podem ser vendidas e quais devem ser controladas, a ANVISA é benigna e liberal.  O FDA já quer, por exemplo, limitar legalmente a quantidade de sal em todos os alimentos.  Muitas grandes empresas já se adequaram voluntariamente.  Para elas é uma boa: via de regra, qualquer nova regulamentação será mais facilmente colocada em prática por uma grande empresa (para a qual o gasto extra é relativamente pequeno) do que por uma pequena, para quem o novo gasto pode comprometer a existência do negócio.  Depois não venham reclamar de monopólios e cartéis...

Estou me estendendo; hora de anunciar o vencedor.  Quem ganha na comparação de farmácias; Brasil ou Estados Unidos?  And the winner is... o mercado.  EUA e Brasil têm prós e contras diferentes; mas nas farmácias de ambos os prós devem-se à liberdade das pessoas de transacionar voluntariamente para melhorar suas vidas, e os contras às ações dos governos que decidem melhorar a situação.

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Leia também:

O mercado e o sistema de saúde de El Salvador

Quatro medidas para melhorar o sistema de saúde



autor

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com.

  • Fernando Chiocca  19/10/2010 12:27
    Alguns anos atrás viajei aos EUA e esqueci minhas lentes de contato. Fui em um ótica comprar e pedi o mesmo modelo Acuvue que comprava no Brasil. Eles se recusaram a me vender, dizendo que eu precisava de uma receita para comprar lentes. No Brasil eu sempre comprei sem apresentar nada. Pedi para meu oftalmologista enviar por fax para os EUA. Ele enviou, mas eles não aceitaram. Disseram que faltava dados. Perguntei o que era e eles disseram que era a curvatura. Sai de lá, escrevi a caneta qq curvatura e voltei para a ótica. Só ai consegui comprar as lentes.
    Nesse quesito o Brasil ganhou dos EUA, mas de fato, os dois são horríveis.
  • Filipe Celeti  19/10/2010 12:36
    Joel, sempre didático e com texto agradável.
  • Carlos Santos  19/10/2010 13:18
    O bom do Brasil é o 'jeitinho'. Não tem lei idiota ou regulamentação chata que o 'jeitinho brasileiro' não dê um jeito. Eu nunca tive grandes problemas em comprar medicamentos sem receita, inclusive tarja preta, ou até mesmo ilegais (como anabolizantes, por exemplo). O segredo é ir no lugar certo, onde tem menos fiscalização da ANVISA.

    Joel, você deveria ter tido a 'presença de espirito' e dito ao farmacêutico americano "E daí? É só dá um jeitinho!".
  • Daniel Marchi  19/10/2010 16:59
    Também tive a oportunidade de entrar numa farmácia nos EUA. Comprei um desodorante e outras bobagens. Percebi que haviam vários stands de... cigarros! Sensacional.
  • marcus maia  19/10/2010 17:13
    Bom vamos aos fatos, sou oftalmologista e leio sempre o blog pois amo economia e mercado financeiro. Meu ponto de vista não reflete algum interesse financeiro até por quê faço mais cirurgias do quê lentes de contato ou óculos.
    A consulta para um óculos ou uma lente é necessária com o oftalmologista não por quê um óculos ou uma lente de contato sejam difíceis de serem feitas (qualquer médico residente aprende a fazer um exame de refração em poucas semanas), mas por quê é na consulta que se descobrem uma boa quantidade de doêncas sérias que sem tratamento levam a perda irreversível da visão. Não atendo o SUS, pos isso minha clientela é "um pouco" mais diferenciada, mesmo assim é comum o paciente chegar com uma perda severa de visão achando que é um "problema dë óculos".
    Lentes de contato a primeira vista parecem inofensivas, mas o uso errado pode gerar sérias complicações, outro dia fiz um tranplante de emergência em um paciente com úlceca de córnea, a infecção perfurou a córnea do paciente em 30h do inicio dos sintomas. Pos isso é importante analisar o outro lado da moeda, creio em simplificação do sistema, mas isso é muito dificil, se as pessoas não tem idéia das consequências de seus atos não fazendo exames preventivos ou se automedicando. Por exemplo passe alguns anos sem se consultar tendo glaucoma sem tratamento, essa doença destroi lentamente o nervo ótico da periferia para o centro, sabe qual é o sintoma? nenhum !!!, quando vc comecar a perder a visao, seu nervo já sofreu uma destruição (irreversível) de uns 70 %, aí é sentar e chorar.

  • Fernando Chiocca  19/10/2010 17:47
    Marcus, "bom vamos aos fatos"?
    O que o Joel apresentou já foram fatos. Não estavamos falando de ficção ou de contos de fadas e você surgiu falando do "mundo real". Já estavamos falando da realidade e de fatos concernentes à liberdade. E os fatos que você trouxe são, sem querer ofender, irrelevantes para o assunto. Mesmo que se eu comprasse uma lente de contato e tivesse 99% de chances de ela me cegar instantaneamente se esta não tivesse sido receitada por um oftalmologista após um exame, continuaria sendo um ataque inaceitável a liberdade regular e controlar através da violência governamental o comércio delas.
    Abs
  • Bruno  19/10/2010 23:26
    (...)E os fatos que você trouxe são, sem querer ofender, irrelevantes para o assunto (...)

    Céus !!! Até aonde vai o radicalismo ?!

    A parte a paranóia libertária, foi muito elucidativo a questão do atendimento e consulta.

    Agora, esse problema do glaucoma não sabia não. Caracas? Não nem uma dor avisando?
  • Fernando Chiocca  20/10/2010 00:36
    Bruno, se vc enfiar um garfo no olho vai ficar cego.... O quão relevante isto é para a discussão da regulamentação proibitiva da venda de garfos?

    É cada uma...
  • mcmoraes  19/10/2010 19:05
    marcus maia,

    dá uma olhada na seguinte definição, tirada de um outro artigo do IMB:

    Economia, nas palavras de Ludwig von Mises, é o estudo da ação humana. A todo instante tomamos decisões, como usar nosso tempo, nosso esforço e os materiais que criamos para atingir nossos objetivos. O estudo destas decisões e de suas conseqüências é a Economia.

    Política é o estudo da ação governamental. Um governo é uma organização que detém o monopólio do uso da força física em uma dada região. Política é o estudo sobre o propósito, as regras e a estrutura de tal organização.


    De acordo com essa definição e considerando o seu comentário, acho que vc ama não a economia e o mercado financeiro, mas sim a política e a regulação dos mercados.
  • Rhyan Fortuna  19/10/2010 17:28
    Muitas pessoas morrem por causa da automedicação. Mas fazer o que, proibir as pessoas de se automedicar?

    Quem quiser correr o risco que corra.

  • Joel Pinheiro  19/10/2010 17:53
    Marcus,

    obrigado pelo comentário.

    Não tenho a menor dúvida de que o que você fala é verdade, e também sei que não é levado por nenhum interesse financeiro. A auto-medicação, ou seu equivalente na compra de óculos e lentes sem ter feito consulta antes, traz consigo muitos riscos. Isso é ponto pacífico.

    Mesmo assim, discordo da sua conclusão de que, portanto, é necessário haver uma obrigação legal de se ter a consulta e conseguir a receita.

    Tudo se resume a uma escolha de risco e retorno; custos versus benefícios. Eu sempre fui ao oftalmo antes de mudar o grau do meu óculos. Não chego a seguir o seu grau de cuidado (na minha opinião bastante alto): ou seja, não vou ao oftalmo a cada seis meses e nem todo ano. A última vez foi em 2007. Vou quando sinto que estou precisando de um novo óculos, ou quando acho que posso estar tendo algum outro problema (hoje em dia, por exemplo. Assim que voltar dos EUA vou passar na minha oftalmo).

    Essa minha decisão me deixa numa posição mais vulnerável aos problemas oculares do que a outras pessoas, que seguem a sua recomendação e vão regularmente ao oftalmo? Sem dúvida. Estou aceitando um risco maior porque, dada minha experiência e observações, não creio ter nada muito grave acontecendo nos meus olhos. Numa dessas eu posso me dar muito mal, mas é um risco que estou disposto a correr para não ter que ir tantas vezes ao médico.

    Ninguém nunca estará 100% seguro. Mesmo quem vai a cada 6 meses pode ter um problema grave e perder grande parte da visão. Cada pessoa trabalha com níveis de risco diferentes.

    O sujeito que nem vai ao oculista e resolve comprar direto o óculos de farmácia está num ponto mais aberto ao risco do que o meu. Acho que ele está escolhendo mal? Dependendo do caso, sim. Se for alguém que tem dinheiro para marcar uma consulta, eu o recomendaria a fazê-lo. Por outro lado, pode ser alguém pobre para quem o dinheiro faria falta; e já que o problema na visão é pequeno, provavelmente (ele pensa) um óculos de farmácia já dará conta do recado.

    As pessoas podem estar subestimando os riscos desse tipo de comportamento? Talvez. Então mostrem a elas, convençam-nas de que vale a pena abrir mão de algum tempo e dinjeiro para ir mais vezes ao médico (na verdade, aos médicos: oftalmo, dentista, otorrino, cardio, etc). É assim que as pessoas mudam seus comportamentos: sendo convencidas de que é o melhor para elas. Obrigar-lhes a passar no médico para pegar a receita, pelo contrário, só as torna mais irresponsáveis, pois tira das mãos delas a decisão e coloca no governo.

    Aumentam os custos (seja para o paciente, seja para o resto da população que tem que pagar mais médicos do SUS), e diminui a autonomia do indivíduo, cuja vida consiste cada vez mais em obedecer protocolos exteriores do que a decidir sobre o que é melhor para sua existência e agir de acordo.

    Se liberássemos a saúde, é possível que todo mundo "aloprasse" e se auto-medicasse? Muita gente possivelmente faria isso. Há uma curva de aprendizado da responsabilidade. Os indivíduos não estão mais acostumados a decidir por si mesmos na área de saúde. Mas conforme eles se acostumem, a saúde estará muito melhor: menos gastos, maior eficiência e adequada às demandas de cada um.
  • Juliano Camargo  19/10/2010 19:20
    Caro Joel,

    Me identifiquei muito com o seu artigo, pois também notei estas coisas uns anos atrás ao ver como alguns oftalmologistas naturalmente tratavam este comércio de lentes de contato como uma renda extra para eles, trabalhando com apenas alguns fabricantes e adicionando uma gorda margem, é claro.

    Caro Marcus, é claro que o trabalho do oftalmo é valioso, e isto não estamos discutindo. Mas obrigar as pessoas a irem no oftalmo para repor lentes? Faça o favor... Que tal obrigar quem vai parar pra calibrar o pneu do carro a passar por uma revisão completa? Não pode salvar vidas? E se o cabo de freio está gasto? Para mim é a mesma situação.

    Mas não são só oftalmos que fazem isso não. Pacientes com uso frequente de medicamentos cuja doença não apresenta risco de piora súbita precisam dar um check-in quase mensal no médico para praticamente conseguir as receitas. E o médico recebe o dele, é claro.

    Parece também evidente que o que está por trás das decisões da Anvisa contra as farmácias são interesses comerciais dos supermercados e mini-mercados. Compro o leite do meu filho e vários outros produtos de higiene em farmácias porque aqui na minha cidade é muito mais barato. Os supermercados aparentemente usam estes produtos de bebê para aumentar a margem de lucro. É um direito deles. Mas é essencial que o estado zele pela competição de mercado, e não ajude a destruí-la.

    Assim como você também vi coisas positivas no sistema brasileiro. Quando morei na Irlanda por exemplo notei que as farmácias por lá eram como os cartórios do Brasil: herdadas de família.
  • Joel Pinheiro  19/10/2010 19:44
    Ótima comparação com a revisão do carro, Juliano!

    Em essência é a mesma coisa: vidas em jogo em ambos os casos. Faz sentido obrigar o dono do carro a fazer revisão geral toda vez que for calibrar pneu ou encher o tanque? Pode salvar vidas? Pode. Nem por isso é razoável transformá-lo em lei. Quem quiser fazer revisão a cada 2 semanas, é livre para fazê-lo. Quem não quiser, é livre para correr o risco e usar seu tempo de outras maneiras.
  • Antonio Carlos  27/10/2010 00:58
    Prezado,
    concordo que se o sujeito deseja andar com os pneus descalibrados e por isso sofrer um acidente, o problema seria dele se não houvesse outros motoristas na estrada cujas vidas seriam prejudicadas pela decisão do nosso herói.
    Do mesmo modo, decidir ir à farmacia comprar antibióticos por conta e risco seria problema do indivíduo se essa ação não contribuísse para diminuir a eficácia do remédio pela criação de cêpas resistentes devido ao uso indiscriminado da substância e com isso prejudicando toda a população.
    Então, é preciso analisar o contexto de modo um pouco mais abrangente.
    Antonio Carlos
  • Angelo Viacava  19/10/2010 20:09
    Essa nossa liberdade que incomoda tanta gente.
  • Edson de Carvalho  19/10/2010 22:16
    Aqui no Japao, nao tem essa festa absurda de farmacias que vendem remedios em toda esquina que se passa. ( A variação de precos e impressionante, fora que certos remedios que sao baratissimos, variacoes de Garamicina tipo Amicacin, as farmacias nao trabalham porque nao dao lucro, e falam isso na tua cara. Custa 3,5 reais ) Depois de 20 anos no Japao, precisei comprar esse antibiotico que e o unico que combate uma infeccao urinaria na minha idosa Mae, atestado por um antibiograma, e tive que recorrer a um amigo de um Hospital para conseguir. No Japao quando voce sai do medico ou Hospital ja sai de la com os remedios corretos em quantidades suficientes. Nas farmacias aqui nao vendem remedios, sulfas penicilinas etc...
    Esse paraiso de farmacias e so aqui no Brasil.
  • Daniel  20/10/2010 12:45
    "As pessoas podem estar subestimando os riscos desse tipo de comportamento? Talvez. Então mostrem a elas, convençam-nas de que vale a pena abrir mão de algum tempo e dinjeiro para ir mais vezes ao médico (na verdade, aos médicos: oftalmo, dentista, otorrino, cardio, etc). É assim que as pessoas mudam seus comportamentos: sendo convencidas de que é o melhor para elas. Obrigar-lhes a passar no médico para pegar a receita, pelo contrário, só as torna mais irresponsáveis, pois tira das mãos delas a decisão e coloca no governo."\r
    \r
    e a questão da legalização de propaganda de médicos/consultórios ?\r
    seria bom, não ? acho mais dificil que a Dilma aparecer perdendo nas pesquisas de opinião de voto hehehe...\r
    nos EUA ainda deve ser permitido, não ?
  • Joel Pinheiro  20/10/2010 17:25
    Tem muita propaganda de remédio e de um ou outro centro médico. De consultório pequeno nunca vi, mas deve ter também.

    É engraçado que as propagandas de remédio têm que (imagino que seja uma lei) narrar todos os possíveis efeitos colaterais, então metade da propaganda do remédio tem imagens de gente feliz fazendo atividades lúdicas enquanto um narrador enumera efeitos colaterais terríveis. Esse é imbatível: www.youtube.com/watch?v=fW2H8bVXLPs

    Marcus: perfeito, eu posso não ter a informação necessária, e você está aqui ajudando a me convencer. Quem sabe eu passe a ir mais ao(s) médico(s). Mas o que eu realmente detestaria seria que, ao invés de alguém como você tentar me convencer, o governo me obrigasse a ir a cada 1,5 ano. Muito do meu tempo seria gasto com procedimentos burocráticos, que em 90% das vezes serviriam só para dar um tratamento desnecessário a algo trivial, do que a auto-medicação daria conta facilmente.
  • João E  23/03/2012 17:44
    Joel,
    Sou estudante de medicina e (como quase todo universitário) rodeado de socialistas por todos os lados frequentemente entro em discussões com eles, principalmente em quando a autonomia do paciente entra em conflito com a pratica médica e sobre a liberdade das pessoas de "errar".

    Mas sobre automedicação tenho uma ressalva a fazer, durante todo o curso e mesmo em grandes congressos escuto sobre a necessidade do uso racional de antibióticos, pois existem cada vez mais resistência bacteriana, causado principalmente por indicações erradas, uso exagerado e uso incorreto, o avanço em termos de novas drogas é limitado, de fato para muito é inevitável entrarmos em uma era da medicina pós-antibióticos.

    Aceitando essas afirmações como verdadeiras, o que acredito que é pois como a orientação é entre os próprios médicos que já possuem essa "reserva de mercado" não se teria um ganho nessa recomendação ( na verdade pelo contrario, em uma situação em que achar o antibiótico ideal caso ele exista seja mais difícil é que o papel do infectologista se tornaria mais valorizado).
    Seria correto do ponto de vista libertário regulamentar o acesso aos antibióticos?
    Penso que o individuo tem toda a liberdade de decidir como ira ou se ira se tratar, entretanto o próprio conceito de liberdade como direito natural deixa claro que a liberdade individual não deve restringir a do outro (não sei se me expressei bem , mas a idéia é que ninguém tem a liberdade de escravizar outro). Nesse ponto e entendendo saúde como uma propriedade individual e produto da minha liberdade, podemos afirmar que um individuo não teria a liberdade para que sem a minha permissão violar essa propriedade, no caso a minha saúde. Certo?

    E como os danos dessa escolha errada não afetaria apenas o autor da decisão mas seria pulverizada sobre todos, uma vez que o individuo é incapaz de restringir a bactéria a si mesmo e em alguns casos ele não sofreria nenhuma consequência podendo se torna portador assintomático de uma bactéria multirresistente, na pratica estaria dividindo com a sociedade os ônus de uma escolha que ELE tomou. (é difícil pensar em curva de aprendizado nesse contexto)

    Assim qual direito teria essa pessoa de deliberadamente ou não, inutilizar um antibiótico, contribuir para a disseminação de bactérias multirresistentes ? não estaria nesse caso violando a saúde (propriedade) dos outros?
  • Marcelo  26/11/2012 10:40
    Esta é uma dúvida que tenho também sobre liberação de medicamentos.

    Entendo que, em uma sociedade totalmente livre, é de se esperar que o indíviduo possa escolher comprar o que e quando quiser, sem ter que respeitar alguma regulamentação imposta pelo governo.

    Porém em alguns casos, como neste exemplo do João, um uso indiscriminado e/ou mal instruido de antibióticos pode levar a um aumento da resistência das bactérias, podendo criar complicações não apenas para o individuo, como também consequencias graves, como infecções generalizadas em um hospital, por exemplo. A liberdade de um individuo de tomar o que bem entende e como bem entende acaba podendo prejudicar outras vidas.

    Gostaria de saber uma resposta na visão libertária.

    obs: Tenho acompanhado o site faz alguns meses. Consigo entender e concordar com 98% dele, mas tem alguns pontos, como esse, que ainda me sinto um pouco em dúvida.

    Obrigado!
  • Fernando Chiocca  27/11/2012 10:54
    Eu sempre achei essa história de restição de antibióticos uma grande balela.

    Se usar antibióticos resulta em um fortalecimento das bacterias e na criação de uma superbactéria que vai dizimar a população, como a humanidade ainda existe se estamos usando antibiótico aos milhões há muitos e muitos anos?

    E se essa bactéria irá ser criada pelos antibióticos, não seria um argumento para se proibir totalmente os antibióticos? A bactéria vai ser criada cedo ou tarde, mas vamos restringir o uso só para quando médicos receitarem para demorar mais um pouco para a raça humana ser extinta. É isso?

    A penicilina ainda funciona, não funciona? Como?? Será que já não foi usada o suficiente? Mais 1 século de uso pode? Não? Quanto tempo pode? E por quantas pessoas?

    Se o uso de antibióticos realmente fosse uma ameaça para as outras pessoas, a pessoa que estivesse prestes a se aplicar antibióticos poderia levar um tiro na cabeça de outra, e isso seria considerado legítima defesa.

    Mas é tudo balela mesmo. Para se atacar a liberdade não se precisa de muito. Basta alguém inventar alguma coisa, basta surgir qualquer teoria, basta que uma dúzia de mortes não consiga ser explicada, que pronto, para as armas entrarem em ação é dois palitos.

  • Marcelo  27/11/2012 11:37
    "Se o uso de antibióticos realmente fosse uma ameaça para as outras pessoas, a pessoa que estivesse prestes a se aplicar antibióticos poderia levar um tiro na cabeça de outra, e isso seria considerado legítima defesa."

    Essa parte me soa estranho, pois, pra mim, é inevitável fazer um paralelo com a questão de dirigir após beber:

    "Se o uso de álcool ao dirigir realmente fosse uma ameaça para as outras pessoas, a pessoa que estivesse prestes entrar no carro após beber poderia levar um tiro na cabeça de outra, e isso seria considerado legítima defesa." - e pra mim, é fato que beber alcool aumenta a probabilidade de causar um acidente - o que se enquadraria em uma "ameaça".

    Veja bem, concordo em partes com o artigo que fala sobre o direito de dirigir ao beber, que não se pode criminalizar alguem pela simples possibilidade de ela poder matar alguem, porém é essa ausência de questões preventivas que me dificultam ainda em abraçar 100% a teoria. Para mim, alguns (poucos) pontos da teoria austríaca são respondidas pelo direito à "liberdade geral", apenas para serem coerentes com a idéia da ausência total de regulamentação.

    Quanto à questão de ser balela ou não, me informarei melhor. Ter uma namorada farmaceutica não me ajuda muito nos meus argumentos, ainda, rasos em muitas questões.

    Fernando, agradeço pela resposta e por não entrar de "sola nas minhas costas", como faz muitas vezes. Confesso que não li o suficiente para ter um embasamento sólido, mas estou tentando chegar la!

    Abraços

  • Fernando Chiocca  27/11/2012 12:47
    Mas Marcelo, não existe isso de "liberdade geral".

    Se um ato é uma ameaça a vida e propriedade de outrem, ele não pode ser livre. Deve ser impedido, e se cometido, deve ser punido.

    Só que a ameaça precisa ser direta e declarada. Probabilidades não entram na conta. Pra começar, voc6e usou erradamente o conceito de probabilidade. Beber alcool depois de dirigir não aumenta nenhuma probabilidade de ocorrer acidente, pois ninguém possui uma medição objetiva de probabilidade em si e nos atos que performa.
    Por que a definição de probabilidade é importante

    E também não sou nenhum especialista em medicina ou bacteriologia, mas esse argumento a favor de restrição de antibióticos nunca fez sentido para mim. Me parece só mais uma reserva de mercado. Pessoas devem ser obrigadas a pagar consultas medicas para obter uma receita antes de comprar um remédio.
    Antibióticos são colocados como uma ameaça para a vida humana na Terra, e me parece que o contrário é verdadeiro.
    Segundo esses argumentos restritivos, uma grande ameaça seria um terrorista da Al Qaeda se mudar pros EUA, comprar 1 tonelada de antibióticos e ficar tomando de 10 em 10 minutos... e assim ele logo criairia a superbacteria que iria dizimar a população de todo os continente.

    Ahhh, vão andar né! Até parece...

  • Joao  27/11/2012 15:45
    Fernando a sua noção de "superbacteria" é realmente muito mais pra hollywood do que para ciência, a ideia de que a resistência a antibióticos possa criar uma bactéria que dizimaria a população mostra um desconhecimento enorme sobre o assunto.
    Porem a grande questão é que você realmente não precisa saber nada sobre isso, o site não é instituto mises de infectologia Brasil, e não cabe aqui a discussão sobre a resistência bacteriana em si, discutir a existência da questão é fugir da reflexão sobre o tema.. afinal a teoria liberal deve ter uma resposta para os fatos independente de quais forem, caso seja uma balela como você diz,ok a resposta está pronta, agora se for uma realidade como toda a literatura cientifica internacional aponta..?
    Neste caso repito a questão?
    " Seria correto do ponto de vista libertário regulamentar o acesso aos antibióticos?
    Penso que o individuo tem toda a liberdade de decidir como ira ou se ira se tratar, entretanto o próprio conceito de liberdade como direito natural deixa claro que a liberdade individual não deve restringir a do outro (não sei se me expressei bem , mas a idéia é que ninguém tem a liberdade de escravizar outro). Nesse ponto e entendendo saúde como uma propriedade individual e produto da minha liberdade, podemos afirmar que um individuo não teria a liberdade para que sem a minha permissão violar essa propriedade, no caso a minha saúde. Certo?

    E como os danos dessa escolha errada não afetaria apenas o autor da decisão mas seria pulverizada sobre todos, uma vez que o individuo é incapaz de restringir a bactéria a si mesmo e em alguns casos ele não sofreria nenhuma consequência podendo se torna portador assintomático de uma bactéria multirresistente, na pratica estaria dividindo com a sociedade os ônus de uma escolha que ELE tomou. (é difícil pensar em curva de aprendizado nesse contexto)

    Assim qual direito teria essa pessoa de deliberadamente ou não, inutilizar um antibiótico, contribuir para a disseminação de bactérias multirresistentes ? não estaria nesse caso violando a saúde (propriedade) dos outros?"
  • Fernando Chiocca  28/11/2012 08:29
    Sim João, nesse caso sob a ótica libertaria seria permissível uma restrição ou mesmo proibição de antibióticos. Como eu falei, até um tiro na cabeça de alguém que ameaça usar um antibiótico poderia ser justificado sob a alegação de legítima defesa!

    Mas cuidado com esta "uma realidade como toda a literatura cientifica internacional aponta".. Pelo pouco que pesquisei, pesquisas sobre desenvolvimento de superbactérias são algo bem recente, datadas de 2009, e certamente não existe nenhum consenso como este que você está dizendo existir.
    As semelhanças com a fraude do aquecimento global são muitas, principalmente no embuste de fazer o público acreditar se tratar de um consenso científico.
    Eu aconselharia segurar os cachorros da proibição e restrição...
    Sem pesquisar e sem todo o conhecimento que adquiri sobre a farsa do aquecimento global, eu diria que essa história de antibióticos é outra grande farsa para aumentar a renda de médicos... Posso estar enganado, mas acho que não...
  • Marcelo  28/11/2012 08:09
    Fernando,
    Apesar do terrível (até engraçado, de tão irreal) exemplo do terrorista do Al Qaeda, entendi a mensagem!

    Continuarei estudando a respeito.

    Obrigado!
  • AR  29/11/2012 05:39
    Com esta discussão em vista passei a imaginar condutas relacionadas com tal situação em um livre mercado:

    Se um laboratório investe na pesquisa e produção de um novo antibiótico, e o mau uso deste medicamento tem grande potencial de torná-lo ineficaz (cessando com isto os lucros advindos da distribuição do medicamento), não seria de interesse do próprio laboratório orientar muito bem a administração de tal medicamento? Ele poderia até mesmo restringir a utilização do medicamento a profissionais ou centros de saúde em que tenha confiança, pelos critérios que julgar mais adequados.

    É um livre mercado, e não há nada de incorreto ou coercivo quando esta restrição partir do próprio laboratório. Antes que digam: "pobres doentes pobres, não poderão se tratar...", coloco outra observação: acredito que também seria de interesse do laboratório que o tratamento fosse amplamente disponibilizado. As restrições estariam relacionadas apenas à correta administração do medicamento.

    Esta seria uma plausível solução de livre mercado, a meu ver.
  • anônimo  29/11/2012 05:46
    Exato. O viés anticapitalista aqui no Brasil é tão grande, que o sujeito acha que uma empresa criar um remédio que mate todo mundo seria algo lucrativo e bom para os negócios. Ele realmente jura que, sem regulamentação, as empresas farmacêuticas iriam pagar salários milionários para cientistas desenvolverem um remédio que dizimaria a população (isso realmente é uma medida muito lucrativa, e melhoraria enormemente o bem-estar dos próprios donos dessas empresas), e que apenas burocratas estatais poderiam colocar esses malvados na linha.
  • marcus maia  20/10/2010 13:49
    Para Joel:

    Não tenho a menor dúvida de que o que você fala é verdade, e também sei que não é levado por nenhum interesse financeiro. A auto-medicação, ou seu equivalente na compra de óculos e lentes sem ter feito consulta antes, traz consigo muitos riscos. Isso é ponto pacífico.

    R: concordo

    Mesmo assim, discordo da sua conclusão de que, portanto, é necessário haver uma obrigação legal de se ter a consulta e conseguir a receita.

    R: na pratica hoje vc pode pegar a receita de um ano atrás e ir em uma ótica, mas muitas não iram aceitar pois se o óculos não ficar bom a culpa e o ônus da troca cairá sobre a ótica e nenhuma quer ter essa responsabilidade cívil. Para lentes de contato, é possível conseguir até pela internet, o paciente pode fazer isso e como a maior parte dos graus são ametropias simples uma grande parte ficará satisfeita, porém caso a lente dê algums problema, a quem é possível reclamar ? a ótica, ao site ?

    Tudo se resume a uma escolha de risco e retorno; custos versus benefícios. Eu sempre fui ao oftalmo antes de mudar o grau do meu óculos. Não chego a seguir o seu grau de cuidado (na minha opinião bastante alto): ou seja, não vou ao oftalmo a cada seis meses e nem todo ano. A última vez foi em 2007. Vou quando sinto que estou precisando de um novo óculos, ou quando acho que posso estar tendo algum outro problema (hoje em dia, por exemplo. Assim que voltar dos EUA vou passar na minha oftalmo).

    R: vc pode escolher o risco e o retorno se vc tiver uma boa informação sobre os risco, custos, beneficios etc... e se vc não souber, como fazer a escolha certa? . também não é necessário uma consulta de 6 em 6 meses de rotina, basta uma anual oua cada 1,5 anos, mas 2007... já faz um bom tempo. Com relação a sintomas, o problema é que muitas patologias já sao de dificeis tratamento quando a pessoa passa a ter sintomas, por isso é que em medicina a prevenção é o mais importante (inclusive em custos para o paciente)

    Essa minha decisão me deixa numa posição mais vulnerável aos problemas oculares do que a outras pessoas, que seguem a sua recomendação e vão regularmente ao oftalmo? Sem dúvida. Estou aceitando um risco maior porque, dada minha experiência e observações, não creio ter nada muito grave acontecendo nos meus olhos. Numa dessas eu posso me dar muito mal, mas é um risco que estou disposto a correr para não ter que ir tantas vezes ao médico.

    R: concordo, o problema é que a maioria das pessoas não sabe dos riscos ( sem ofender, vc tambem não sabe apesar da sua experiencia e observaçoes)

    Ninguém nunca estará 100% seguro. Mesmo quem vai a cada 6 meses pode ter um problema grave e perder grande parte da visão. Cada pessoa trabalha com níveis de risco diferentes

    R: concordo, mas morrer (ou ficar cego) por uma doença de fácil tratamento é triste,

    O sujeito que nem vai ao oculista e resolve comprar direto o óculos de farmácia está num ponto mais aberto ao risco do que o meu. Acho que ele está escolhendo mal? Dependendo do caso, sim. Se for alguém que tem dinheiro para marcar uma consulta, eu o recomendaria a fazê-lo. Por outro lado, pode ser alguém pobre para quem o dinheiro faria falta; e já que o problema na visão é pequeno, provavelmente (ele pensa) um óculos de farmácia já dará conta do recado.

    R: óculos de farmácia nao faz mal nenhum, mas por outro lado resolve somente os problemas bem simples, por outro lado folks o problema é vc ter uma informação sobre riscos e beneficios deficiente, como fazer uma escolha com pouca ou nenhuma informação ??

    As pessoas podem estar subestimando os riscos desse tipo de comportamento? Talvez. Então mostrem a elas, convençam-nas de que vale a pena abrir mão de algum tempo e dinjeiro para ir mais vezes ao médico (na verdade, aos médicos: oftalmo, dentista, otorrino, cardio, etc). É assim que as pessoas mudam seus comportamentos: sendo convencidas de que é o melhor para elas. Obrigar-lhes a passar no médico para pegar a receita, pelo contrário, só as torna mais irresponsáveis, pois tira das mãos delas a decisão e coloca no governo.

    R: campanhas são muito importantes mas custam caro e são difíceis de serem bancadas pelas sociedades de especialidades. Campanha do nosso governo ? saúde públida no BRasil é piada triste

    Aumentam os custos (seja para o paciente, seja para o resto da população que tem que pagar mais médicos do SUS), e diminui a autonomia do indivíduo, cuja vida consiste cada vez mais em obedecer protocolos exteriores do que a decidir sobre o que é melhor para sua existência e agir de acordo.

    R: aumenta o custo se a pessoa perder a visão e tiver que se aposentar precocemente em idade produtiva ou se inves de faler um controle glicemico do seu diabetes associado a um laser de retina o paciente tiver que fazer uma cirurgia devido a hemorraiga intra ocular por diabetes por exemplo. com relação a obedecer protocolos, até nós obedecemos, protocolos em saúde não foram criados por acaso, eu não posso tratar um paciente com a medicação que eu quiser, eu até posso mas existe a medicina baseada em evidências que é um conjunto de normas para melhorar e padronizar o tratamento dos pacientes

    Se liberássemos a saúde, é possível que todo mundo "aloprasse" e se auto-medicasse? Muita gente possivelmente faria isso. Há uma curva de aprendizado da responsabilidade. Os indivíduos não estão mais acostumados a decidir por si mesmos na área de saúde. Mas conforme eles se acostumem, a saúde estará muito melhor: menos gastos, maior eficiência e adequada às demandas de cada um.

    r: as pessoas já fazem o que quewrem rs rs rs, mas liberdade vem junto com responsabilidade e a maioria na hora do problema não quer saber da responsabilidade e das consequencias do seus atos

    ufa depois eu continuo folks
  • marcus maia  20/10/2010 22:35
    Para Juliano

    Me identifiquei muito com o seu artigo, pois também notei estas coisas uns anos atrás ao ver como alguns oftalmologistas naturalmente tratavam este comércio de lentes de contato como uma renda extra para eles, trabalhando com apenas alguns fabricantes e adicionando uma gorda margem, é claro.

    R:foi o tempo em que LC dava dinheiro, só da se vc fizer comprar bem alta (mil lentes)

    para negociar um preço menor, afinal não dá para cobrar por exemplo R$100 se na internet ou na ótica está R$80,00

    o custo pago por uma lente deveria ser mais explicado = preço da lente + despesa operacional (afinal a auxilliar nao trbalha de graça + supervisao do médico que é o teste de adaptaçao de lente de contato que deveria ser pago pelos planos de saúde (não pagam nem a fórceps) :)

    Caro Marcus, é claro que o trabalho do oftalmo é valioso, e isto não estamos discutindo. Mas obrigar as pessoas a irem no oftalmo para repor lentes? Faça o favor... Que tal obrigar quem vai parar pra calibrar o pneu do carro a passar por uma revisão completa? Não pode salvar vidas? E se o cabo de freio está gasto? Para mim é a mesma situação.

    R: juliano, a pessoa ir repor a lente na clínica sem passar pelo médico está errado
    e a sociedade brasileira de lentes de contato recrimina tal atitude, isso está errado, nós temos a obrigação de zelar pela saúde ocular dos nossos paciente e conversar com o paciente mesmo que ele tenha uma longa experiencia com lentes sempre é bom, até por quê percebo que é o pessoal que usa a mais tempo muitas vezes que tem mais vicios.

    Mas não são só oftalmos que fazem isso não. Pacientes com uso frequente de medicamentos cuja doença não apresenta risco de piora súbita precisam dar um check-in quase mensal no médico para praticamente conseguir as receitas. E o médico recebe o dele, é claro.

    R: concordo contigo, esta errado !!!, dar receita sem examinar o paciente é no mínimo negligencia e imprudência

    abraços a todos
  • Joel Pinheiro  21/10/2010 01:32
    Marcus, seus planos para a saúde nacional apenas a encarecem e dificultam o acesso aos serviços de saúde. Na ânsia de prevenir os casos de exceção, você pune a maioria que não é exceção.

    Você deve achar que saúde é a única preocupação na vida das pessoas. Não é. Tem que pensar no trabalho e aperfeiçoar-se, passar tempo com a família, com os amigos, fazer reparos na casa, cuidar do carro, dedicar-se ao lazer, ir ao psicólogo, ir à igreja, comer, dormir, praticar um esporte, ir passear no parque, comprar roupas, etc.

    Se quisermos que as pessoas estejam 100% seguras em matéria de saúde, simplesmente tiraremos TODO o tempo delas.

    Cada check-up a mais, cada consulta de rotina só para pedir a mesma lente novamente, é menos tempo com a família, é uma refeição perdida, etc. Que tal deixar cada pessoa agir de acordo com suas próprias prioridades?
  • RH  21/10/2010 08:02
    Esse tipo de discussão, onde os profissionais que defendem sua guilda ou confraria tentam nos convencer do caráter indispensável dos serviços prestados pelos seus próprios cartórios, me leva sempre à mesma conclusão: trata-se da eterna luta dos intervencionistas que, com o apoio do Estado, tratam a todos como criancinhas ou incapazes, cheios de boas intenções e querendo nos proteger de nós mesmos (com os resultados que todos conhecemos: custos insuportáveis, perda das liberdades individuais etc.).
    Eu já pensei assim durante muitos anos, mas depois de ler "For a New Liberty" de Rothbard e alguns artigos do Mises Institute há cerca de 5 anos, tive que decidir entre rasgar a lógica pura e viver através de ideologias mortas, ou enfrentar a realidade e agir de acordo com ela.
    Respeito as opiniões dos médicos e sempre que necessário/ possível, procuro a sua assistência e sigo suas recomendações, mas os cartórios que se incrustaram nas diversas áreas da saúde são um claro exemplo das consequências nefastas do estatismo e do intervencionismo.
    Por exemplo, vejam que ridículo: se um sujeito quiser entrar na Internet e pesquisar como fabricar uma bomba (convencional ou atômica), como cometer um atentado terrorista, como fabricar drogas ilícitas em casa etc., basta um clique para ter todo o know-how à disposição - no entanto, se esse mesmo sujeito tiver uma dor na perna esquerda e quiser, listando os sintomas, pesquisar as possíveis causas do seu incômodo, não poderá acessar quaisquer bancos de dados de pesquisas médicas *oficiais* nem arquivos de universidades nem outros recursos científicos "sérios" online, *sem antes* atestar que possui formação médica, digitar seu registro num conselho de medicina (argh...) etc. e tal. Isto é uma sonegação inaceitável de informações, destinada a manter os privilégios de castas que se auto-intitularam superiores intelectualmente e moralmente em relação ao resto das pessoas.
    O cúmulo do absurdo, agora, é a tal lei (não sei se já foi oficializada) que obriga as pessoas a terem um diploma de jornalista para terem o direito de exercer as atividades de escrever jornais e outras ligadas à área de informações e mídia. Obviamente, o objetivo é exercer o total policiamento das idéias e garantir que todo aquele que escreve em jornais ou revistas, ou até mesmo mantém um site de notícias, esteja devidamente doutrinado e deformado pelos institutos de lavagem cerebral marxista que são nossas faculdades de comunicação.
    Ufffa, chega de escrever por enquanto (estou aproveitando as minhas férias).
    Obs.: vejam os intervencionistas, que interessante: mesmo sendo PJ, sem carteira assinada, consegui negociar com o meu contratante principal um acordo que inclui 1 mês de férias remuneradas por ano e gratificação anual equivalente a um décimo-terceiro salário, *voluntariamente* por acordo entre ambas as partes, simplesmente pelo fato de que o mercado valorizou o meu modesto trabalho e recebi ofertas para mudar de empresa, e no caso o meu ex-empregador (agora contratante) achou melhor me oferecer estes benefícios para não perder a minha mão de obra. Isto prova a eficiência do mercado e da desregulamentação das relações de trabalho, quando o prestador de serviços agrega valor ao resultado da empresa.

    Saudações austro-libertárias e parabéns ao IMB pelo trabalho.
    RH - Engenheiro Mecânico - Rio de Janeiro
  • Artur  21/10/2010 08:31
    Tem que haver exigência de receita sim. Comprar medicamentos não pode ser igual a casa da mãe Joana ou um buteco onde qualquer um compra o que quiser. Do contrário, nem precisaríamos consultar médicos - bastaria ir no balcão da farmácia e pronto. Além do mais, é preciso evitar a automedicação, a intoxicação medicamentosa e principalmente, no caso de crianças, se tomar cuidado com alergias e choques anafiláticos, que é mais comum do que se pensa. Comprar remédios não é o mesmo que comprar doces. E só um médico pode prescrever isso através de receita. Em nenhum lugar do mundo se implantou o ultra-liberalismo preconizado por alguns. Porque se fosse implantando pouco tempo depois muitos iriam novamente pedir regulamentações do Estado como forma de evitar o caos.
  • RH  21/10/2010 10:20
    Artur,

    Ninguém está preconizando aqui dispensarmos os médicos e praticar livremente a auto-medicação. O que estamos querendo dizer (nós, os "ultra-liberais", se é que isso existe...) é que consultar um médico para buscar orientação e aconselhamento não deveria ser uma imposição do Estado através da força, e com as nefastas consequências de custos e liberdade perdida.

    Se, conforme a sua visão, "muitos iriam novamente pedir regulamentações do Estado como forma de evitar o caos", desejamos que você e aqueles que pensam desse modo façam o que bem entenderem, sem nos obrigar a pensar e agir como vocês.

    Por que será tão difícil de entender que "nós" queremos viver sem a coerção do estado, e que "nós" gostaríamos que "vocês" vivessem felizes suas vidas sem interferir nas "nossas"?

    Por isso, inclusive, "nós" preconizamos o direito de se associar e desassociar livremente conforme os interesses comuns de grupos sociais, culturais, étnicos ou qualquer outra forma de identificação mútua, inclusive o direito de secessão de países, províncias ou municípios.

    Mas entendo que este tipo de pensamento é muito complicado para alguém que a vida inteira foi doutrinado ao pensamento coletivista-marxista-distribucionista-estatista-intervencionista desde criancinha.

    Sugiro ao Artur que leia um pouco sobre as bases lógicas do pensamento austro-libertário e, após digerir os conceitos básicos, reexamine as suas crenças e opiniões à luz da nova visão. Eu pessoalmente fiz isso, e o meu castelo de cartas social-democrata se desfez imediatamente.


    Saudações austro-libertárias,
    RH - Engenheiro Mecânico - Rio de Janeiro
  • F  25/10/2010 20:47
    Levando em consideração que prevenir geralmente tem um custo menor do que remediar, como fica a questão do aumento de custos com saúde para estado caso as pessoas se mostrem mais dispostas a se esporem ao risco do que a regulamentação as faz se esporem?
  • Fernando Chiocca  25/10/2010 20:55
    Muito simples F, é só separar estado de saúde e cada pessoa coloca em sua balança de risco/benefício suas opções de ações, e arca com os lucros ou prejuizos de suas escolhas.
  • Antonio Carlos  27/10/2010 01:12
    Prezado Fernando,
    apesar de seu argumento de colocar na balança os riscos e benefícios para o indivíduo decidir aparentemente ser válido para qualquer situação inclusive as de risco, é prediso definir "quem" é que vai pesar esses fatores. Qual é a balança? E nesse momento retornamos ao ponto de partida com os interesses de quem pesa pesando na decisão do outro tornando o ato de decidir um ato plural. Por outro lado, se ao indivíduo cabe pesar por conta e risco próprios, vamos abolir, por exemplo, a necessidade de habilitação para dirigir veículos de qualquer natureza. Cada um julga/pesa se é capaz ou não.
    Os desastres resultantes dessa decisão "de liberdade" resultarão na seleção natural de excelentes motoristas, pilotos de avião, etc. E uma montanha de cadáveres.
    Grande abraço

    Antonio Carlos

  • Guibro  04/03/2013 01:46
    Estava agora planejando uma viagem para os Estados Unidos quando, pesquisando sobre a compra de lentes de contato por lá, acabei caindo aqui, neste que foi o primeiro de incontáveis artigos do Instituto Mises Brasil que eu li na vida! Que nostalgia daqueles primeiros dias de contato com a filosofia libertária... foi há poucos anos, mas parece que foi em outra vida...

    Fortíssimo abraço a todos os apoiadores da causa da liberdade.
  • Emerson Luis, um Psicologo  30/07/2014 21:53

    Os liberais não são a favor da imprudência, são contra a imposição da suposta prudência.

    * * *
  • mariah  11/07/2015 01:13
    Então, estive em Nova York em 2012 e trouxe um óculos de grau de uma farmácia de lá.
    Posteriormente fiz uma consulta no Brasil, com um oftalmologista para fazer a cirurgia de laser e qual não foi minha surpresa, quando ele me pediu para olhar meu óculos.
    Dei-lhe o tal óculos que comprei na farmácia americana, sem mencionar sua origem. E ele avaliou inclusive com aquelas lentes de aumento deles e disse; hum, bom esse óculos.... Até estranhei o comentário, mas... figuei bem quietinha.
    Depois eu fiz a cirurgia com ele e não precisei mais usar óculos para longe...
    Este mês vou para NY e vou me jogar numa farmácia para comprar um óculos, só que dessa vez, para perto, pouco grau, só para ler...mas vou comprar numa farmácia de lá.. sem dúvida.



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