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Anatel: produzindo mais distorções

No sofrível ambiente brasileiro da telefonia e da internet, ambos os serviços são caros e de péssima qualidade.  Ao invés de defender a ampla concorrência, o estado defende os concorrentes.  A ampla concorrência seria alcançada pela completa desburocratização do setor, mas foi imposto à nação um modelo artificial de concorrência controlada, em que seletos participantes gozam de um quase-monopólio institucional.

Por falta de intervenção estatal, não faltarão temas a este articulista.  Todo dia tem novidade.  Todo dia tem um pedaço a menos de liberdade para os cidadãos.  E o povo aplaude.

Diz um brocardo jurídico que aos particulares permite-se tudo o que não for defeso em lei, enquanto que aos agentes públicos só é permitido praticar atos em estrita observância à lei.  Todavia, a cada novo raiar do sol, cada mínimo aspecto da vida dos particulares vem se tornando ou proibida ou obrigatória, em muito devido justamente pela canetada daqueles que deveriam agir em regime de estrita vinculação.

Nesta semana, a Anatel decidiu interromper mais um aspecto da liberdade de comerciar, por abrir mais uma das frentes do governo contra a "venda casada".  Agora, estão proibidas as ofertas de planos conjuntos de telefonia com internet, por exemplo.

Sustenta a nota da Anatel que "as cautelares não têm a intenção de restringir a liberdade de preços praticados pelas autorizadas, uma vez que o Serviço de Comunicação Multimídia é prestado em regime privado, sendo o preço livre, consoante o disposto no art. 129 da Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997".  Entretanto, em um ambiente puramente capitalista, o efeito benfazejo da competição não se produz tão somente pela liberdade de praticar o preço amarrado de uma unidade de um bem ou serviço.

Em um ambiente puramente capitalista, todas as práticas comerciais, as conhecidas e aquelas ainda por serem inventadas, têm por fim a busca por maior eficiência econômica.  Tais arranjos podem encontrar na redução dos custos o seu alvo, ou simplesmente possibilitar a permanência das atividades, em um ambiente de demanda reduzida.  Seja como for, todas elas buscam eficiência e viabilidade, e acima de tudo, estão sob o crivo dos seus implacáveis juízes, os consumidores.

Em um ambiente de franca liberdade econômica, nenhum cartel tem como se sustentar permanentemente contra a vontade dos consumidores.  Só para utilizar o caso mais ilustrativo para os brasileiros, que é o dos postos de gasolina, um acordo assim não tem como ser igualmente benéfico para todos os participantes.  Um deles pode estar localizado em uma área mais suburbana, cujos clientes sejam mais escassos e mais pobres.  Outro pode ter alguma vantagem no transporte do produto, ou ainda dispor de produção própria, no caso do álcool.  Um terceiro ainda pode ser simplesmente mais competitivo, a oferecer gratuitamente aos seus clientes outros benefícios, como lavagem grátis, e por isto visa uma maior fatia do mercado.  Sempre que um deles perceber que está suportando com prejuízo o lucro de algum concorrente, o acordo estará desfeito.

Cartéis, joint-ventures, parcerias, trustes, verticalizações, terceirizações, pools, consumação, parcelamentos, financiamentos, leasings e outras formas de produção, gerenciamento e vendas são inovações que têm por mérito uma maior eficiência econômica.  Elas permitem a redução de custos ou a viabilidade das transações.

Hoje todos compramos um microcomputador com muita facilidade, mas os primeiros equipamentos eram tão caros que não podiam ser vendidos e nem sequer eram alugados, de modo que os serviços consistiam no tratamento dos dados dos clientes por encomenda.  Era o jeito que os tornava economicamente atraentes.

Atualmente, para a maioria dos modelos de automóveis, todas as versões, mesmo as de "entrada", incluem itens como ar-condicionado e direção hidráulica.  Será este um caso de venda casada?  E se eu encontrar na prateleira do supermercado um kit completo que inclua a massa do macarrão, o molho e um saquinho de queijo ralado, isto será também um caso de venda casada?

Coloco estes meros exemplos acima apenas para que o leitor compare e verifique como todas estas incriminações dos atos livres e voluntários dos cidadãos são sempre categorizadas de forma parcial.  No fim das contas, pratica cartel, consumação ou venda casada aquele a quem determinado agente público acusa.

Porém, o usuário recorrente de tais práticas é o próprio estado, e sempre visando não uma maior eficiência econômica, mas tão somente para gozar do privilégio de extorquir à vontade os seus cidadãos.  Se dois ou três donos de postos de gasolina praticam preços parecidos (no que pese o fornecedor ser um só: a Petrobras, e também abstraindo-nos do fato de que o maior componente do preço dos combustíveis são tributos), eles poderão ser presos e expostos à execração pública; poderão inclusive ser filmados e exibidos na TV, em horário nobre, em flagrante ato de combinação de preços.  Todavia, quando se trata de governos, aí o termo "cartel" se transforma em "guerra fiscal", e uma legislação "harmonizadora" vem logo em socorro do princípio da não competitividade.

Venda casada?  Comprar gasolina misturada com álcool não é venda casada?  Consumação?  Pagar o INSS para receber um indesejado auxílio-reclusão (só e somente só porque não pretendo ser um bandido) não é consumação?

No sofrível ambiente brasileiro da telefonia e da internet, ambos os serviços são caros e de péssima qualidade.  Ao invés de defender a ampla concorrência, o estado defende os concorrentes.  A ampla concorrência seria alcançada pela completa desburocratização do setor, mas foi imposto à nação um modelo artificial de concorrência controlada, em que seletos participantes gozam de um quase-monopólio institucional.

Diante deste cenário, não é de surpreender que façam da população os seus reféns, e neste aspecto, programas de venda casada podem, sim, significar não a meta por maior eficiência econômica, mas sim uma forma de tungar ainda mais os clientes que não dispõem — e nem podem dispor — de outras opções.

Constatemos, assim, como um ato de intervenção sempre leva a outro, posterior, criado com a intenção de aliviar os efeitos do precedente, mas por si só capaz de gerar outras distorções que demandarão novos atos futuros de intrometimento.  Isto não pára.  É uma roda-viva.


autor

Klauber Cristofen Pires

Bacharel em Ciências Náuticas no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar, em Belém, PA. Técnico da Receita Federal com cursos na área de planejamento, gestão pública e de licitações e contratos administrativos. Dedicado ao estudo autodidata da doutrina do liberalismo, especialmente o liberalismo austríaco.


  • Alexandre Rodrigues Vianna  31/07/2010 12:18
    Coisa feia, hein! Liberalismo puro!

    Alegam que o capitali$mo precisa de liberdade e que a liberdade não está "apenas" na fixação de preços, mas também na forma de apresentação dos produtos, sendo que caberia unicamente aos consumidores julgar o que é bom ou não, comprar ou não.

    Claro que, com relação ao preço do uísque, isso pode até funcionar.

    No entanto, naquilo que é essencial à população e/ou naquilo que tem grande interesse social, não há apenas uma opção, mas um dever do Estado intervir.

    A proposta é de universalização dos serviços, com modicidade de tarifas.

    Desnecessário dizer que concorrência, especialmente no Brasil, é uma piada. Os setores são muito bem organizadinhos e agem praticamente da mesma forma. Tanto que praticamente todas as empresas atingidas pela medida recorreram, exceto a Telefonica; esta talvez por estar em uma fase mais "paz e amor" com o consumidor, depois de tanto lesar...

    Provado está que quanto mais regulação menos conflito e vice-versa - e nem por isso as empresas deixam de ganhar dinheiro, como nunca na história deste país. E já estamos em um patamar de não mais importar modelos, vez que aqui coisas funcionam e nos ditos países desenvolvidos o que percebemos é uma quebradeira sem precedentes...

    Exemplos de benéfica regulação não faltam. Basta verificar o caos que existia ANTES da Lei que regula os planos de saúde, da Lei do inquilinato, das regras para a concessão de empréstimo por telefone (proibição de venda por telefone, de taxa de contrato, limitação da taxa de juros, etc) e verificar o que existe, depois da regulação.

    O BACEN é extremamente importante. Pode e deve regular cada vez mais e melhor. Tem uma forma única de acolhimento de reclamações contra bancos (procedentes, improcedentes e OUTRAS). Procedente é o que está no regulamento, mas o banco descumpre. Improcedente é o que, tendo sido apurado, percebeu-se que não infringia normas existentes. E "outras" são as práticas que incomodam o povo - muitas delas carentes de regramento.

    E é preciso um bom policiamento até desta apresentação das reclamações ao BACEN. Para entender o motivo, convém verificar esta matéria do JT, de 29 de julho: www.google.com.br/#hl=pt-BR&source=hp&q=jornal+da+tarde+bacen+somem+reclama%C3%A7%C3%B5es&aq=f&aqi=&aql=&oq=&gs_rfai=&fp=73878be4002a1a6c

    No mais, como repito o que o quitandeiro aqui da região me ensinava - deu moleza prá pião, o nego monta em cima. E pião, no caso, são as empresas que abusam.

    Tomo ainda a liberdade de dar um exemplo de prática lesiva, que chegou a me afetar, envolvendo a oferta do acesso à internet e pacotes "combo".
    Moro em Cangaíba - bairro da periferia de São Paulo.

    Em minha casa, a NET chega só com sinal de TV.
    Na minha rua, a uns 300 metros, prestam serviço de acesso à internet.

    Tentei uma vez pedir apenas a TV - a vendedora fez a venda entregou o contrato. Nem eu nem ela sabíamos que o serviço estava disponível só até uma parte da rua - ela deveria saber.

    Botei queixa até no RECLAME AQUI.

    E a "liberdade" defendida pelo Dr. Klauber e demais amigos do liberalismo é mais ou menos essa. A empresa vende, do jeito que quer e onde quer, deixando de fora a maior parte da população.
    Não isso o que interessa ao povo nem ao país!
    As coisas devem ser regradas, com GOVERNO FORTE e princípios de sociedade solidária, prevista pela Constituição Federal cidadã, de 1988.
  • Zen  31/07/2010 14:37
    Boa tarde, Alexandre.

    Você já conheceu as propostas presentes neste site? Acho que seria interessante se lesse e entendesse (ainda que sem concordar) os pontos abordados pelos vários articulistas daqui. Tenho certeza que, como você, a maioria aqui não defende grandes corporações que se sustentam sobre monopólios concedidos por políticos e burocratas. Aqui tem dois textos interessantes para que leia:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=366
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=417

    Não é preciso se desesperar caso não entenda, apenas leia novamente.
  • Erick Skrabe  31/07/2010 14:42
    Alexandre,

    Porque você não monta uma empresa para oferecer acesso a internet no seu bairro ?

    Existe a tecnologia, você pode fazer isso por rádio e ir repetindo o sinal. E falamos de rádios com menos de 1 Watt de potência, o que não causa interferência, dano à saúde e é permitido sem licença (me refiro unicamente à teconlogia de rádio).

    Existe o mercado, existe a tecnologia, creio que existem pessoas dispostas a empreender. Então qual é o problema ?

    Bem, o problema talvez já comece na constituição "cidadã", logo na segunda página, nos direitos fundamentais:

    XXII - é garantido o direito de propriedade;
    XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;

    E quem é que vai definir o que é função social ? Já logo aqui começam os problemas da livre iniciativa.

    Mas não desanime. Apesar dos problemas, ñ é utopia. Eu tenho amigos que tiveram problemas parecidos e abriram empresas deste tipo.

    Talvez ao invés de esperar por um governo forte, vocè pudesse fazer o mesmo. Se vc fizer do seu jeito, vai fazer do jeito que você e seus clientes querem. Se for esperar pelo governo, ele vai fazer do jeito que ele quer.

    ...e pelo menos até agora o jeito que que o governo quer não está resolvendo seu problema de internet satisfatoriamente.
  • Leandro  31/07/2010 17:36
    Prezado Alexandre, obrigado pelo seu comentário.

    Permita-me dizer, por gentileza, que o senhor comete erros básicos de teoria.

    Sim, todos nós queremos empresas que nos forneçam bons serviços a preços baixos. O problema é justamente como vamos chegar a tal arranjo.

    O atual modelo brasileiro -- o qual, pelo visto, o senhor defende -- é dos piores: o governo concede o monopólio dos serviços a alguma empresa (no caso, de telefonia) e, ato contínuo, passa a criar inúmeras regulamentações, achando que com isso irá conseguir fazê-la prestar bons serviços.

    Imagine você o que aconteceria se, por exemplo, o governo desse a um determinado o restaurante o monopólio exclusivo da região onde ele atua. Nesse cenário, você acha que a qualidade da comida e dos serviços iria melhorar ou piorar? E os preços de ambos? Mais ainda: você acha que o governo poderia, por meio de imposições e restrições, fazer com que esses serviços e preços melhorassem? Qual arranjo faz isso mais eficientemente: decretos governamentais ou livre concorrência?

    Então.

    O arranjo que defendemos é o livre mercado. O governo retira os obstáculos que ele próprio impõe ao mercado e passa a permitir a livre entrada da concorrência. Essa livre entrada é a melhor maneira de garantir a qualidade dos preços e dos serviços prestados por empresas privadas. Se você não gostar de uma empresa, tem liberdade para escolher outra.

    Por favor, tenha a bondade de ler os dois artigos a seguir, que explicam exatamente esse processo:
    mises.org.br/Article.aspx?id=637
    mises.org.br/Article.aspx?id=646

    Um abraço e volte sempre!
  • mcmoraes  31/07/2010 17:49
    Alexandre Rodrigues Vianna: "No mais, como repito o que o quitandeiro aqui da região me ensinava - deu moleza prá pião, o nego monta em cima. E pião, no caso, são as empresas que abusam."

    Aqui na minha região, tem um quitandeiro que tem um ditado parecido. Ele diz: "deu moleza prá governante, o nego monta em cima". E governante, no caso, não é figura de linguagem não. É qualquer um que faça parte do governo ou se associe com o mesmo.
  • Andre  01/08/2010 10:43
    Um dos aspectos que não gosto desse site é a frase "num sistema de livre mercado". Ora, isso nunca vai acontecer, livre mercado é um conto de fadas, o governo sempre vai estar presente, o que vai variar é o grau.

    Aliás, se o governo mete o dedo controlando e roubando o mercado, a culpa é do povo, que vota nessas criaturas.

    E como mamae disse, os políticos, congresso e todas essas porcarias que fazem são puro e simples espelho da cultura do povo, que votou neles.

    Simples: se o governo não presta, é pq a maioria do povo tambem.

    Sendo assim só me resta ir pro darkside.
  • Leandro  01/08/2010 15:11
    André, embora eu concorde com você que livre mercado puro nunca vai existir, não acho que haja motivos para desesperos irremediáveis assim. Afinal, sempre é possível movermo-nos para uma arranjo de mais livre mercado, embora ainda não seja puro.

    Por exemplo, existe uma boa dose de livre mercado no setor alimentício e em vários outros setores de serviço. Mesmo o setor aéreo hoje é mais livre do que era há dez anos.

    É papel nosso educarmos as pessoas nessa área, mostrando os efeitos negativos do intervencionismo. Sem isso, não haverá chance alguma. O papel das ideias libertárias sempre foi e será esse: refrear a inerente tendência governamental rumo ao totalitarismo.

    Mas o problema é que, se o cenário fosse apenas "nós contra o estado", seria fácil. Entretanto, o estado tem um exército de intelectuais keynesianos e marxistas a seu lado, dando apoio a cada uma de suas atrocidades, o que torna a nossa batalha extremamente árdua.

    Ideias podem sim ser mais poderosas que exércitos, mas elas precisam ser coesas, bem articuladas e, principalmente, populares. E você precisa nos ajudar nessa tarefa.

    Abraços!
  • Alexandre Rodrigues Vianna  01/08/2010 15:14
    Senhores,

    Agradeço pela dedicação ao meu comentário e pelas contribuições.
    Aos poucos, tomarei contato com os textos sugeridos.

    Mas adianto que tenho grande facilidade para encontrar furos nestes discursos.

    Portanto, a chance de eu acreditar neste "capitalismo utópico" que vocês colocam praticamente não existe.

    Sei que é muito difícil convencer alguém a mudar de posição, política especialmente.
    E logicamente nem tenho esta pretensão.

    De qualquer forma, um ou outro entendimento pode ser harmonizado. Assim, a crítica ficaria mais refinada, de ambos os lados.

    Por ora, apenas saliento que, ao contrário do que sugeriu o colega, não proponho a entrega de nenhum serviço essencial a um grupo monopolista. Sou mais pelas estatais...

    A Sabesp vai muito bem.
    O Metrô, com o que arrecada, poderia ser perfeitamente tocado do jeito que estava. E veja que, com as parcerias, não conseguem levar o Expresso Tiradentes, além do ramal Ipiranga - justamente pela alegada "inviabilidade econômica".

    A Telefonica veio, tomou o controle, triplicou a rede de telefonia, usando muito dinheiro do BNDES - ou seja, nosso próprio dinheiro.
    E há um tempão os acessos de telefonia fixa, no Brasil, não saem dos 40 milhões - com tanta gente precisando de linha em casa e pagando muito caro pela telefonia celular, se não consegue manter a fixa.

    E eles estão aí, desde 98, cobrando R$40,00 de assinatura mensal, coisa que antes não existia. Outro fato muito importante, do qual pouco se fala, são os empregos... Para a Telefonica, ter menos empregados e pagar o menos possível, é quadro positivo a apresentar para os acionistas, que ficam com o lucro. Executivos costumam ser bonificados em função do lucro.
    Pena que este é o tipo de resultado que não é revertido em serviço melhor nem mais barato, como querem fazer crer.
    Assim, ainda estou convencido, como sempre: para os brasileiros, muito melhor seria a antiga estrutura, sem assinatura, com expansão aos poucos, com empregos em quantidade adequada e de boa qualidade.

    A Eletropaulo, agora, parece ter acordado para a realidade de que a terceirização é muito ruim. Dizem que estão contratando muito mais funcionários próprios... Só que até que isso não se transforme em realidade...

    Quanto aos exemplos tomados, dos Estados Unidos, costumo ter muitas ressalvas. Aquele país tem um padrão de consumo que é quatro vezes o que a Terra pode suportar. Tem uma política de estímulo ao conflito. Não dá conta de seus próprios problemas. Por tanto, não está em condições de apresentar modelos; talvez deva passar a seguir exemplos.

    Lembro bem do Claudio Lembo, na televisão, dizendo que o povo americano é conservador e que não votaria em Obama.

    Pois o povo americano é mais sábio do que ele imaginava. Dentre duas opções, escolheu o que prometeu universalização do sistema de saúde, só para citar um exemplo.

    E lá, justamente na Meca do Capitalismo, procura-se hoje maior intervenção estatal, haja vista o desastre causado ao mundo, dada a excessiva liberdade para emprestar e especular...

    Veja que minha proposta não é contra um ou outro sistema. Temos outros modelos na Finlândia, na Bélgica... Mas lá, ao que tudo indica, é inadmissível a concentração de renda (não são verificadas grandes discrepâncias de salário), nas escolas ensina-se que é preciso antes colaborar do que competir, etc.

    No mais, boa semana e boas reflexões a todos desta direitona brasileira!





  • oneide345  01/08/2010 15:21
    Eu a um ano atras pensava como o Sr Alexandre apos entrar em contato com o liberalismo e especialmente com o site do mises.org.br alterei meu modo de pensar,ainda estou em fase de contrução das ideias, dificil se libertar dos grilhões do estado na nossa mente.
    Somente acho que as vezes a linguagem e muito complexa,não que impede so ler e reler algumas vezes.
  • mcmoraes  01/08/2010 15:47
    André disse: "Um dos aspectos que não gosto desse site é a frase "num sistema de livre mercado". Ora, isso nunca vai acontecer, livre mercado é um conto de fadas, o governo sempre vai estar presente, o que vai variar é o grau."

    Isso me fez lembrar de uma conversa que tive esses dias com meu irmão mais velho, quando relembráva-mos a época em que ele era adolescente e eu criança, nos anos 80. Naquela época, tínhamos que, após o lançamento, esperar meses p/ podermos ouvir um vinil do Pink Floyd. Quem diria que aprox. 30 anos depois as coisas estariam tão mudadas?
  • Leandro  01/08/2010 15:51
    Prezado Alexandre, sim, faça isso. Leia, por gentileza, os textos sugeridos.

    Permita-me, por gentileza, apenas apontar o quão elitista e incoerente é a sua atual posição. Ao mesmo tempo em que você diz ser contra a concentração de renda, é totalmente a favor de estatais, empresas concentradoras de renda por excelência e, ainda pior, prestadoras de péssimos e caríssimos serviços. As estatais são, por sua própria natureza, extremamente perniciosas para os mais pobres, que só servem para pagar os salários nababescos de seus burocratas.

    Não sei a sua idade, mas na época da telefonia estatal, uma linha fixa não saía por menos de 2 mil reais a preços de hoje, demorava entre 1 e 2 anos para ser instalada e tinha de ser declarada como um valioso ativo no imposto de renda. Em alguns lugares, a linha telefônica chegou a custar 10 mil dólares no mercado paralelo. Hoje, devido à grande oferta, uma linha telefônica virou um serviço, e não possui nenhum valor em si. A instalação demora menos de 48 horas.

    Sim, ainda há muitos problemas, e estes decorrem exatamente do monopólio garantido pelo estado a essas empresas -- algo, aliás, totalmente previsto pela teoria. Entretanto, é válido notar que, bastou o estado se retirar um pouco do setor, e os serviços já apresentaram melhora.

    Assim, qual você acha que deveria ser o caminho adotado: aumentar ou diminuir o estado no setor?

    Abraços, e volte sempre.
  • Diogo Siqueira  02/08/2010 03:28
    Toda esta discussão me fez lembrar da parte final de uma palestra ministrada por Mises na University Club of New York, intitulada "Políticas de centro levam ao socialismo":

    Naturalmente, este resultado [o socialismo] não é inevitável. A tendência pode ser revertida como foi o caso de muitas outras tendências na história. O dogma marxista segundo o qual o socialismo emergirá "com a inexorabilidade de uma lei da natureza" é apenas uma suposição arbitrária, desprovida de qualquer fundamentação. Mas o prestígio que este prognóstico vazio desfruta, não apenas entre os marxistas, mas também entre muitos auto-intitulados não-marxistas, é o principal instrumento do progresso do socialismo. Ele espalha o derrotismo entre aqueles que deveriam, com galhardia, combater a ameaça socialista. A mais poderosa aliada da União Soviética é a doutrina que afirma que a "onda do futuro" nos leva em direção ao socialismo e que, portanto, é um ato "progressista" se simpatizar com todas as medidas que restringem cada vez mais o funcionamento da economia de mercado.

    Mesmo neste país [EUA], que deve a um século de "individualismo" o mais alto padrão de vida jamais alcançado por qualquer nação, a opinião pública condena o laissez-faire. Nos últimos cinqüenta anos, milhares de livros foram publicados para desacreditar o capitalismo e defender o intervencionismo radical, o estado de bem-estar e o socialismo. Os poucos livros que tentam explicar adequadamente o funcionamento da economia de livre mercado passaram despercebidos pelo público. Seus autores permaneceram na escuridão, enquanto autores como Veblen, Commons, John Dewey e Laski eram vigorosamente elogiados. É um fato bem conhecido que os palcos dos teatros, bem como a indústria cinematográfica de Hollywood, não são menos radicalmente críticos da livre iniciativa do que muitos romances. Há neste país muitos periódicos, que a cada edição, engendram furiosos ataques à liberdade econômica. Dificilmente se encontra em alguma revista uma opinião que saúde o sistema que proporcionou à imensa maioria das pessoas boa comida e abrigo, carros, geladeiras, aparelhos de rádio e outras coisas que os indivíduos de outros países chamam de artigos de luxo.

    O impacto dessa situação é que praticamente muito pouco é feito para se preservar o sistema de livre iniciativa. Há apenas "centristas" que pensam que têm sido bem sucedidos ao adiar por algum tempo uma medida especialmente ruinosa. Eles estão sempre em retiro. Põe-se hoje com medidas que há apenas dez ou vinte anos atrás consideravam como indiscutíveis. Irão em poucos anos acordar sobre outras medidas que hoje consideram como simplesmente fora de questão. O que pode impedir o surgimento do socialismo totalitário é tão somente uma mudança profunda nas ideologias. O que precisamos não é nem anti-socialismo, nem anti-comunismo, mas um endosso aberto ao sistema do qual devemos toda a riqueza que distingue comparativamente a nossa época das condições precárias dos séculos passados.
  • Eduardo Rodrigues  05/01/2011 16:45
    COISAS QUE NINGUÉM CONTA PRA GENTE!

    *Telefone Fixo para Celular*

    Se você ligar de um telefone fixo da sua casa para um telefone celular, será cobrada

    sempre uma taxa a mais do que uma ligação normal, ou seja, de celular para celular. Mas

    se acrescentar um número a mais, durante a discagem, lhe será cobrada apenas a tarifa

    local normal..

    Resumindo:

    Ao ligar para um celular sempre repita o ultimo dígito do número.

    Exemplos:

    9XXX - 2522 + 2 / 9X7X - 1345 + 5

    Atenção: o número a ser acrescido deverá ser sempre o último número do telefone

    celular chamado!

    diplomatizzando.blogspot.com/2011/01/dicas-que-ninguem-da-para-gente-mas-tem.html
  • Eduardo Rodrigues  31/05/2011 00:29
    Sky acusa Anatel de impedir oferta de internet rápida
    www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110528/not_imp725119,0.php
  • eduardo  21/08/2012 08:24
    Lembrei desse artigo ao ler a notícia:\r
    \r
    veja.abril.com.br/noticia/economia/oi-esta-na-mira-de-nova-punicao-da-anatel-diz-jornal\r
    \r
    Os prestativos burrocratas querem multar a Oi por nos dar descontos ao contratar vários serviços.
  • Emerson Luis, um Psicologo  04/07/2014 23:45

    A privatização melhorou os serviços telefônicos,

    mas para plena melhoria é necessário desestatizar o setor.

    * * *
  • Gustavo P Moraes  31/03/2018 03:32
    A ANATEL não é a única agência que distorce seriamente todo o mercado brasileiro.

    Minha irmã é formada em Cinema e simplesmente não consegue empregos bons. E não é apenas ela, fiquei sabendo que essa é uma realidade da maioria dos atores do Brasil. Sabe por causa de quem? A ANCINE escolhe a dedo quais filmes irão receber subsídios, isenções e quais irão ser aprovados. Há filmes que demoram 3 anos para ficarem prontos (por causa do pouco orçamento) e que a ANCINE não aprova para ser exibida nas telas de cinema. Você precisa ser algum apadrinhado ou pagar as taxas para conseguir a benção deles.

    Ela me disse que seu drama só vai acabar quando passar em algum concurso. Quase 10 anos depois de formada, ela virou concurseira em 2017. Esse é o destino de uma pessoa com intelecto no Brasil, virar concurseiro ou concursado. Sem riscos à sua conta bancária e com salários altos garantidos pelos pagadores de impostos. Não é atoa que esse país nunca irá sair do buraco.


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