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Mais agressão à propriedade: consumação dá cana!

Ainda no dia em que escrevo este texto, tenho por lido uma queixa de uma leitora, que me pergunta a quem recorrer nestes tempos em que tudo parece estar perdido.  Se posso ajudar de alguma forma, ouso confortar-lhe que, em primeiro lugar, não há mal que dure para sempre, e principalmente, que há muitas e muitas pessoas que têm uma noção, pelo menos intuitiva, de que as coisas estão fora do lugar.

Para ilustrar esta situação, causada por um domínio maciço dos meios de comunicação e dos recintos estudantis, eu recorro a um filme da década de 80, intitulado "The Day After".  Naquela película, após a eclosão de uma hecatombe nuclear, a primeira iniciativa dos sobreviventes é procurarem uns aos outros.  Na verdade, existem muitos deles, mas estão ilhados e sem comunicação, de modo que cada um pensa ser o único.

Assim estamos nós, mas agora, graças a Deus, no meio de um trabalho formiguinha que já tem conseguido aglutinar muitas almas amigas.  Frente a um inimigo que conta com recursos poderosíssimos, temos nos esforçado e, com a verdade ao nosso lado, já demos mostras de ter incomodado um tanto.

A esta pessoa aflita, digo que prevejo um momento futuro de reversão da opinião pública, mais ou menos segundo uma poderosa reação em cadeia, para me utilizar de um conceito de comparação utilizado pelo escritor Alain Peyrefitte em sua obra "A Sociedade de Confiança".  Não sei quando ocorrerá, até porque, quanto mais perto de acontecer, maior será a velocidade da reversão desta opinião que não digo coletiva, mas majoritária.

Somente com este ânimo e compreensão majoritários por parte da população é que poderemos reverter o atual estado de estatolatria em que vivemos, com todas as suas consequências.  Somente os conceitos de liberdade e responsabilidade individuais bem assimilados pelas pessoas poderão fazer com que repudiem e reajam às tentativas de concentração de poder e intervenção sobre a vida privada que, infelizmente, jamais deixarão de existir.

Desta vez, venho trazer mais um lamentável caso em que se demonstra que o senso de propriedade privada no seio de nossa gente ainda é plenamente desconhecido.  No Diário do Pará, leio a seguinte matéria:

O promotor militar Armando Teixeira entrou em contato com o comando da Polícia Militar em Salinópolis para que a polícia proíba a prática abusiva de consumação mínima nas barracas da praia do Atalaia, em Salinópolis, nordeste do Pará, um dos principais destinos turísticos do Pará. A prática abusiva aplicada pelas barracas varia de R$ 50,00 até absurdos R$ 150,00.

De acordo com o promotor, a prática é criminosa e fere a relação de consumo, prevista no Código de Defesa do Consumidor, com pena prevista de dois a cinco anos de reclusão. A ordem é para que os barraqueiros sejam presos em flagrante caso insistam na cobrança.

"Esses barraqueiros ocupam um espaço público da União de maneira irregular e ainda cometem outro crime contra o consumidor", vaticina o promotor.

Ora, o que é o comércio, senão a troca de títulos de propriedade privada?  No regular funcionamento de uma sociedade livre, as pessoas ajudam umas às outras trocando propriedade, e a condição da consumação pode ser um meio de tornar estas trocas possíveis, de modo que, para uma delas, não se torne anti-econômica e portanto, inviável, o que traria um decréscimo do padrão-de-vida para todos.

Em nossa sociedade, são inúmeros os casos de consumação mínima, sem que as pessoas menos atentas se dêem conta: por exemplo, para o vendedor ou o garçom, o mínimo a receber no fim do mês é o salário mínimo, mesmo que suas comissões não alcancem o valor estipulado por ele.  É ou não um caso de consumação mínima?

E quanto aos diversos planos telefônicos?  Não estamos a falar aqui de consumação mínima também?  E aos planos médicos e odontológicos?  E aos programas de tv de canal fechado?  Contratamos, por acaso, cada um dos canais, individualmente?  E aos pacotes turísticos?  Será que posso estabelecer, para um determinado plano de estada, ficar apenas dois dias em Bariloche, ao invés de cinco?

Os exemplos fornecidos aqui dão uma mostra rápida da função da consumação.  No caso das malocas de praias - e estamos falando da alta estação - há inúmeros consumidores que enrolam o dia inteiro com um copo de cerveja na mão, desfrutando do usufruto das instalações que custaram significativamente ao empreendedor investir.

Com a repressão aos barraqueiros, o que poderá acontecer é que os produtos simplesmente terão de ficar mais caros, ou então, que eles passarão a cobrar pelo "aluguel" das mesas e pelo uso dos banheiros.  De qualquer jeito, ficará mais caro por unidade de produto consumida.  Em última instância, se nada puderem fazer, simplesmente abandonarão a atividade.

Qualquer pessoa, de posse de sua propriedade privada guardada na carteira - isto é, seu dinheiro - pode aceitar ou não entrar em uma daquelas barracas.  O que qualquer pessoa também pode fazer é trazer o seu isopor e o seu guarda-sol, e isto é justamente o que muitos outros cidadãos preferem - inclusive, eu e imagino, representamos a maioria - sem ameaçar os barraqueiros.

Porém, isto não é tudo: a matéria ainda traz um flagrante ainda mais grave do abuso de poder.  Chamo a atenção do leitor para a citação do promotor, que investe contra os barraqueiros, acusando-os de ocupação irregular de terreno da União.  Ora, se há irregularidade na ocupação, o que ele deveria fazer como promotor público seria agir para retirar os barraqueiros de lá, e não reclamar da forma como eles praticam sua atividade.

Imagine um guarda rodoviário que constata que o motorista trafega em um carro roubado, mas que decide apenas lhe multar por uma lanterna queimada!  Não seria esdrúxulo?  Desta forma, a ocupação irregular se torna um pretexto de legitimação da perseguição contra a propriedade privada, ao modo como tanto acontece todos os dias contra quem abra uma porta de comércio, já de antemão enquadrado por uma longa lista de irregularidades que estão lá para conceder ao seu dono um status precário de legalidade, ou melhor dizendo, uma concessão.

Função Apriorística da Propriedade Privada!  Eis o que falta aos brasileiros conhecerem e entenderem para então termos uma sociedade mais livre e justa.  Dentro dos meus esforços pessoais, tenho estado muito desanimado com a classe empresarial, que teima em não entender a importância da divulgação deste conceito, antes preferindo agir como ovelhas a balir coisas estapafúrdias como "responsabilidade social".  Preferem patrocinar antes quem planeja lhes destruir do que quem lhes alerta para o perigo e mostra o caminho correto.  Mudarão quando as pessoas em geral adotarem estes conceitos, mas até lá...que custo!


autor

Klauber Cristofen Pires

Bacharel em Ciências Náuticas no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar, em Belém, PA. Técnico da Receita Federal com cursos na área de planejamento, gestão pública e de licitações e contratos administrativos. Dedicado ao estudo autodidata da doutrina do liberalismo, especialmente o liberalismo austríaco.


  • Henrique Vicente  21/07/2010 12:08
    Isso é muito parecido com o 'mimimi' anti venda casada.

    Dia desses estava discutindo numa comunidade de tecnologia e começaram a reclamar de venda casada. Quando forçam os anti-bom-senso a raciocinarem perguntando se então deveriam vender as peças individualmente (parafuso, borracha da direção, etc) para dar liberdade ao consumidor eles geralmente simplesmente fingem que somos doidos irrelevantes ou outra coisa assim e fogem da discussão.
  • Marcelo Boz  21/07/2010 12:37
    Klauber,\r
    \r
    Constatação perfeita!\r
    O governo não deve de forma nenhuma interferir nos preços de qualquer que seja a atividade economica. Isso contribui para manter todos esses barraqueiros na ilegalidade. \r
    Sou a favor de uma emenda constituicional que proiba as três esferas de poder de interferir nos preços de qualquer atividade economica, por mínima que seja.
  • Filipe  21/07/2010 12:43
    Da nisso... contratam muitos funcionários desse "nipe", ficam sem ter o que fazer e começam a inventar essas coisas! Isso é mais falta do que fazer. \r
    Enquanto isso o setor produtivo perde recursos valiosos para sustentar essa praga.\r
    \r
    \r
  • Diogo Siqueira  21/07/2010 14:59
    Não culpo o promotor por suas ações. Na verdade o considero uma vítima da educação controlada pelo estado. E para corroborar o que eu disse, cito uma passagem de autoria de Iara Glória Areias Prado, feita em uma cartilha elaborada pelo MEC intitulada "Parâmetros curriculares nacionais: apresentação dos temas transversais e Ética". No texto, a pedagoga propõe uma reflexão sobre a relativização dos direitos de propriedade como um pressuposto ético (só se for marxista!):

    Moral e ética, às vezes, são palavras empregadas como sinônimos: conjunto de princípios ou padrões de conduta. Ética pode também significar Filosofia da Moral, portanto, um pensamento reflexivo sobre os valores e as normas que regem as condutas humanas. Em outro sentido, ética pode referir-se a um conjunto de princípios e normas que um grupo estabelece para seu exercício profissional (por exemplo, os códigos de ética dos médicos, dos advogados, dos psicólogos, etc). Em outro sentido, ainda, pode referir-se a uma distinção entre princípios que dão rumo ao pensar sem, de antemão, prescrever formas precisas de conduta (ética) e regras precisas e fechadas (moral). Finalmente, deve-se chamar a atenção para o fato de a palavra "moral" ter, para muitos, adquirido sentido pejorativo, associado a "moralismo". Assim, muitos preferem associar à palavra ética os valores e regras que prezam, querendo assim marcar diferenças com os "moralistas".

    Como o objetivo deste trabalho é o de propor atividades que levem o aluno a pensar sobre sua conduta e a dos outros a partir de princípios, e não de receitas prontas, batizou-se o tema de Ética, embora freqüentemente se assuma, aqui, a sinonímia entre as palavras ética e moral e se empregue a expressão clássica na área de educação de "educação moral". Parte-se do pressuposto de que é preciso possuir critérios, valores, e, mais ainda, estabelecer relações e hierarquias entre esses valores para nortear as ações em sociedade. Situações di temáticas da vida colocam claramente essa necessidade. Por exemplo, é ou não ético roubar um remédio, cujo preço é inacessível, para salvar alguém que, sem ele, morreria? Colocado de outra forma: deve-se privilegiar o valor "vida" (salvar alguém da morte) ou o valor "propriedade privada" (no sentido de não roubar)?

    Como esperar que indivíduos reconheçam direitos de propriedade quando são educados para desqualificá-lo; para adorarem o estado e atacarem o capitalismo? (E o difícil é aguentar os ataques de histeria desse pessoal quando se critica a constituição neste aspecto!)
  • Carlos Santos  21/07/2010 15:00
    Pelo menos as pessoas não aceitam o conceito de 'terras da união', 'propriedade coletiva' ou 'bens da união', interpretando o bem público como propriedade abandonada a ser ocupada e explorada. Apesar de nossa mídia sempre criticar negativamente essas ocupações (E o mais interessante é que não são tão críticas assim a respeito das ocupações de imoveis particulares), elas frequentemente trazem benefícios, não só ao posseiro, como a toda a comuinidade. É o caso desse barraqueiros que se comprazem em ser serviçais dos banhistas, fornecendo-lhes abrigo do sol, bebidas, tira gostos e tantos outros serviços, exigindo apenas que ele consumam ao menos um cota pré-estabelecida (pois se um cliente ocupar o espaço por uma tarde inteira e consumir apenas R$20, dará prejuízo ao barraqueiro). Como esse há muitos outros exemplos, todos benéficos! Não me recordo de ter ouvido falar algum imóvel da únião tenha sido ocupado e causado transtornos.
  • Fernando Chiocca  21/07/2010 18:53
    Aqui em São Paulo a algum tempo proibiram a cobrança de consumação. E a boa notícia é que esta é mais uma das intervenções absurdas que "não pegaram". Diversos lugares cobram consumação.
  • Mário Fernandes  21/07/2010 19:06
    Técnico da RF e anarco-capitalista? incongruência à vista...
    a gente não quer o governo metendo a mão no nosso dinheiro através de tributos e um Estado forte, mas quem não resiste a uma tetinha da União, não é?
    Nada contra, sou servidor federal também... mas é complicado...
  • Angelo Noel  21/07/2010 21:10
    Pois é, Mário Fernandes.
    Confesso que o autor desse artigo me despertou um interesse de cunho pessoal/psicológico...
    Ainda não sou totalmente versado na Escola Austríaca e não consigo estabelecer uma visão apriorística sobre o assunto.
    Como será que ele lida com essa contradição (se é que tal fato caracteriza uma incompatibilidade de ideologia versus vida prática) de "servir ao déspota e louvar aos habitantes dos burgos"?
    Grande abraço a todos.
  • Klauber Cristofen Pires  22/07/2010 09:31
    Srs leitores,\r
    \r
    Eu já era um analista tributário (na época, um "TTN") quando conheci Ludwig von Mises, pela indicação do filósofo Olavo de Carvalho. Ambos mudaram extraordinariamente meu modo de pensar. \r
    \r
    Adianto-lhes que não sou o único articulista liberal com cargo público: cito-lhes também os diplomatas Paulo Roberto de Almeida e José Oswaldo de Meira Pena, bem como o Sr Mario Jorge Tenorio Fortes, fiscal de tributos do estado das Alagoas.\r
    \r
    Hoje, mesmo na Receita Federal, tenho, graças a Deus, muitos seguidores, que me lêem e se correspondem comigo. \r
    \r
    Ser um funcionário público não é necessariamente uma opção ideológica. Há muitos e muitos empresários e profissionais liberais socialistas. Pelo contrário, pode ser uma atitude plenamente capitalista: o indivíduo procura o que lhe é mais apropriado. A alternativa a isto é pensar que todos os funcionários públicos devam ser socialistas. Será que é isto o que desejamos?\r
    \r
    Na falta de outras opções, contentar-me-ei em ser um servidor público de um país capitalista. Muito obrigado.
  • Filipe Rangel Celeti  22/07/2010 10:44
    O que vcs preferem?


    Um funcionário do governo que quer aumentar o tamanho do governo ou um funcionário do governo que é contra o governo?

    As vagas existem e continuarão existindo, se alguém não ocupa a vaga por motivos de incompatibilidade ideológica outro irá preenchê-la.

    Incoerência é achar que as pessoas que estudam EA são altruístas a ponto de largarem seus empregos e carreiras para estarem de acordo com teorias.

    Tem um artigo do Rothbard neste site tratando do assunto, vou tentar achá-lo.
  • Filipe Rangel Celeti  22/07/2010 10:46
    O artigo é: "Os libertários e o estado" em www.mises.org.br/Article.aspx?id=146
  • Erick Skrabe  22/07/2010 12:09
    Ótimo ponto Filipe.

    Além do mais, isso é um "argumetum ad hominem": criticar o argumentador ao invés de criticar o argumento.

    Quantas empresas privadas grandes no Brasil tem menos de 40 anos ?

    Não estamos mais em 1973. No Brasil de hoje se vc quer avançar na vida ou vai pro governo ou vai pro aeroporto. Eu optei pela segunda, tem gente que optou pela primeira.
  • Angelo Noel  22/07/2010 13:24
    Filipe Rangel Celeti,
    No artigo que você elencou, Rothbard diz claramente:
    "Assim, um libertário não pode ser: diretor ou guarda de campo de concentração, funcionário da Receita Federal...".
    Logo após, ele conclui:
    "[i]Parece-me, portanto, que os critérios, os fundamentos que devemos observar para sermos morais e racionais em um mundo gerido pelo estado é... (3) recusarmo-nos terminantemente a participar em atividades estatais que sejam imorais e criminosas per se
    ".
    Concordo que tal julgamento moral além de envolver critérios extremamente subjetivos (mesmo o autor trabalhando na Receita Federal, pode desenvolver medidas que visam reduzir os tributos que assolam a iniciativa privada), também é muito pessoal e não diz respeito á terceiros. Mas acredito (após ler este artigo), mesmo supondo até que fosse ele o Ministro da Fazenda dispondo da mais nobre mentalidade libertária, haver aí uma contradição, pois tal instituição se utiliza de métodos coercitivos para existir e também perpetuar a força do Estado na economia.
    Não critico nem autor, nem artigo, que por sinal é excelente! Mas acredito a abordagem proposta pelo Filipe não é de todo correta.
    Grande abraço a todos.
  • Mário Fernandes  22/07/2010 14:10
    Filipe,
    quando você diz: "O que vcs preferem? Um funcionário do governo que quer aumentar o tamanho do governo ou um funcionário do governo que é contra o governo?" demonstra uma maneira de pensar estranha. Certamente a sua pergunta foi retórica apontando para a segunda opção, e isso leva eu a acreditar que você, assim como muitos outros, se se tornarem servidores públicos estarão simplesmente para "aproveitar" a lambança de dinheiro que rola nas repartições públicas. Mantém o pensamento: "eu sou servidor mas acho que o Estado não tem nem que existir! Que os burocratas morram! Mas a minha gratificação gorda eu não me importo de receber todo dia 1º! ;-)".

    "Incoerência é achar que as pessoas que estudam EA são altruístas a ponto de largarem seus empregos e carreiras para estarem de acordo com teorias."
    Não é altruísmo, pois é não questão de fazer o bem aos outros, o problema reside no fato de que voce afirmar: "O Estado não deve existir! Cobrar impostos é confisco!!!" mas estar recebendo a sua graninha em um órgão que é o responsável pelo recolhimento de impostos, causa uma certa estranheza.

    Erick:
    "criticar o argumentador ao invés de criticar o argumento."
    não é questão de criticar o argumentador, é criticar a situação geral do Brasil. Temos um presidente que foi a vida toda esquerdista, e ainda se define como tal, e segue a política das gestões anteriores. E a situação do autor do artigo é parcialmente semelhante - prega a extinção do Estado e dos impostos, mas preenche uma vaga na adm. pública, em um órgão "confiscador".
    Fato paralelo seria o caso de uma nutricionista obesa: põe em dúvida seus conhecimentos, por mais capacitada, reconhecida e inteligente que ela seja.

    Quanto ao autor do texto:
    "Ser um funcionário público não é necessariamente uma opção ideológica. Há muitos e muitos empresários e profissionais liberais socialistas."

    Ser servidor não é uma ideologia, concordo. Mas ter uma ideologia reflete na maneira como conduzimos nossa vida, tanto pessoal como profissional. Um comunista que é empresário, causa estranheza também.


    Obrigado pela resposta de todos! Abraços!
  • Luis  22/07/2010 14:45
    Não é um argumento ad hominem pois não foi contextado o argumento do autor (na verdade concordaram com ele), e sim outras atitudes dele.

    A questão é complicada, e o artigo linkado pelo Filipe é elucidador e nós aponta um norte.
  • Mário Fernandes   22/07/2010 15:10
    uma dúvida de amador, nao tem nada a ver com a discussão ou com o artigo...
    qual é a posição dominante no libertarianismo para a existencia da Ministerio Publico? Por exemplo, ja li em alguns artigos que a teoria condena a existencia do estado, então ficaria uma lacuna na fiscalização da ordem e da lei com a inexistencia do MP. O mercado regularia o comportamento humano, na âmbito dos crimes?
  • anônimo  22/07/2010 15:18
    Luis,

    Tem razão. Ñ tinha pensado sob esse ponto de vista.

    Mário,

    Eu penso como você em relação ao governo e seus defensores (estes simpáticos senhores que gostam de roupas vermelhas). Mas não me sinto em posição de julgar alguém só porque trabalha no governo.

    Infelizmente... concordo com este artigo: www.mises.org.br/Article.aspx?id=704 - ñ sei se um dia conseguiremos uma sociedade verdadeiramente sem governo.
  • Klauber Cristofen Pires  22/07/2010 15:27
    Senhores,\r
    \r
    Raramente me atrevo a participar dos comentários aos meus artigos. Todavia, peço a licença para a exceção.\r
    \r
    Eu já fui até o anarco-capitalismo, bati e retornei, de forma que hoje estou mais para o liberalismo minarquista, talvez um pouco mais minarquista do que o foi Mises, mas ainda rconhecendo a necessidade da existência do estado, ou quando muito, pelo menos reconhecendo que esta é a realidade em que vivemos e que não será mudada tão cedo. \r
    \r
    Uma sociedade totalmente anárquica, assim penso eu, não tem como fazer frente ao único aspecto que que a figura do estado é eficiente: fazer guerras. Um estado tem como concentrar a fundo perdido recursos materiais e humanos, de tal forma que uma sociedade anárquica não teria como produzir da noite para o dia a pronta reação. \r
    \r
    Ademais, a questão da imigração parece ser bastante ilustrativa do conceito de guerra demográfica, isto é, aquela em que povos inteiros se instalam no território de uma sociedade livre para ali instaurar um regime tirânico. Isto aconteceu com a China sobre o Tibete, com a União Soviética sobre os pequenos países que a circundam, e está acontecendo com a invasão islâmica na Europa e latina nos EUA. Até a Bolívia vem praticando, por ação de Evo Morales, a imigração forçada de populações inteiras para artificializar maiorias eleitorais nas províncias com maioria oposicionista. \r
    \r
    Explicada esta razão, é certo que todas os países possuem um órgão arrecadador, e a maioria deles possuem um banco central. Portanto, resta ao liberal ou libertário decidir entre possuir pessoas que tenham um perfil semelhante ou, ao revés, afirmar que as pessoas hábeis para participar destas instituições devam ser afinadas com o socialismo. \r
    \r
    Em sociedades mais livres ou mais liberais, os órgãos arrecadadores são pequenos, pois os impostos e as obrigações acessórias são poucas. Além disso, estes órgãos tendem a realizar o trabalho de arrecadação conforme a lei formal oriunda das casas legislativas. Ao contrário, em países como o Brasil, a Receita Federal legisla administrativamente, propõe mudanças nas leis formais, cobra impostos, julga os cidadãos e até se arvora em políticas de educação fiscal(!)\r
    \r
    Nos jornais, vocês devem estar a par do perigo que representa um órgão ocupado por militantes socialistas, que estão a acessar dados indevidamente, como aconteceu com o coordenador da campanha do PSDB, Eduardo Jorge. No Incra, todos os superintendentes são egressos do MST. São eles quem definem os tais "índices de produtividade" que vêm desapropriando fazendeiros. \r
    \r
    Portanto, um liberal que trabalha em um órgão público normal, isto é, aqueles órgãos que pertenceriam a qualquer estado liberal, tem como realizar um grande serviço ao seu país, militando pela administração austera e eficiente dos recursos públicos, pela desburocratização, pela desoneração tributária, pelo apreço à lei formal e pela abstenção de propostas tais como esta que eu disse, qual seja, a educação fiscal. \r
    \r
    O texto de Rothbard é bom, mas contém imperfeições. Estes órgãos não se comparam a um campo de concentração. Ainda assim, segundo relatos de um prisioneiro de um destes campos, como o foi Victor Frankl, por meio de seu livro "Em busca de sentido", havia alemães que se esforçavam para minimizavar o sofrimento dos prisioneiros, enquanto havia "capos", ou seja, prisioneiros com tarefas de guardas, que desfrutavam algumas concessões tais como uma fatia de pão a mais por dia, e eram especialmente cruéis. \r
    \r
    Finalmente, quero destacar que um professor, mesmo trabalhando em uma faculdade privada, pode ser mais nocivo á sociedade livre que um funcionário de um órgão tal como a Receita Federal. Rothbard e seu tradutor destacam o estatismo pela via do financiamento, mas se esquecem que a própria grade curricular, no Brasil, é definida pelo estado. Pois, em qualquer curso, especialmente sociologia, direito e economia, as leituras de Conte, Hegel, Marx e outros são obrigatórias. Claro está que um professor liberal há de apresentar estes pensadores porque a isto é obrigado - mas no desenvolvimento haverá de expor a falácia de suas doutrinas. \r
    \r
    Bom, creio ter dito o suficiente. Obrigado. \r
  • Isaias Lobao  02/03/2016 17:51
    Hoje, dia 03 de março de 2016, estava garimpando artigos do Instituto Mises e achei este artigo e li os comentários. Passei recentemente num concurso público na esfera federal. Leciono história e filosofia no ensino médio no Tocantins. Sonho com um estado mínimo, mas tive que me sujeitar ao concurso porque minha área de atuação é limitada em instituições privadas. Tento fazer o melhor que posso, inclusive repassando as ideias promovidas pelo Instituto Mises. Meus alunos não serão doutrinados na cartilha marxista, mas terão a oportunidade de ler e estudar temas liberais/libertários. Talvez não seja o ideal, mas é o que posso fazer.
  • Renê  22/07/2010 16:22
    Acredito que o ideal seja um estado mínimo, permanentemente controlado pela sociedade.\r
    Como ficaria a função da justiça em um estado anárquico?
  • Rhyan Fortuna  22/07/2010 18:10
    Renê, veja:\r
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=93\r
    \r
    Abraço!
  • Fernando Chiocca  27/07/2010 13:04
    Estes guardas de campos de concentração que se esforçavam para minimizar o sofrimento dos prisioneiros, ainda impunham um sofrimento aos prisioneiros. Mesmo que eles dessem escondido uma barra de chocolate para uma garotinha judia, eles ainda eram pessoas que levantavam de suas camas de manhã e iam colaborar com um trabalho que consistia em aprisionar e exterminar pessoas inocentes. Eles ainda colaboravam expontaneamente com crimes, se envolvendo pessoalmente na execução destes.

    Se todos se recusassem a trabalhar em campos de concentração, eles não existiriam, mas ao mesmo tempo, se apenas uma pessoa ou um pequeno grupo se recusassem a participar, não faria diferença nenhuma, pois eles existiriam (e existiram) de qualquer maneira. Deixando por um instante qualquer moral e ética de lado, o resultado prático dessa recusa seria apenas a perda de uma oportunidade de trabalho.

    No entanto, dizer que estes crimes seriam cometidos de qualquer jeito, e de maneira mais cruel, se estes "guardas bonzinhos" não se envolvessem, não ajuda, pois é o mesmo que dizer que não haveria problema em aceitar uma proposta de matar alguém por 10 milhões de dólares, pois se você não aceitar, outra pessoa irá com certeza aceitar (a Eliza foi morta por 3 mil reais) e a pessoa irá morrer de qualquer jeito.


    Porém, de fato, se uma insitutição assaltante vai existir de qualquer jeito durante nossos tempos de vida, é melhor que de seu quadro façam parte pessoas que trabalhem para minimizar o roubo e deixar o máximo de vítimas escapar. Um guarda de alfândega que finge não ver produtos "proibidos" é preferível a um que não deixe passar nada desapercebido e cumpra estritamente o crime.

    Por fim, um ladrão de chicletes é preferível à um ladrão de carros, mas o fato inescapável é que ele ainda é um ladrão.

  • Emerson Luis, um Psicologo  25/06/2014 19:25

    A mudança rumo a uma sociedade mais livre e responsável será gradual e cumulativa. Cabe a cada um de nós dar a sua própria contribuição, mesmo que nosso máximo pareça fazer pouca diferença: cada ação pode gerar reações e assim por diante. Foi assim com a escravidão no ocidente, que no século XVII parecia inexpugnável.

    * * *


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