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O que há de errado com a econometria?


Um recente estudo acadêmico feito pelos economistas Karl Case, John Quigley, e Robert Shiller sobre o comportamento dos gastos em consumo nos EUA e em outras 13 nações desenvolvidas indicam que o efeito riqueza advindo do mercado imobiliário tem um impacto duas vezes maior no gasto do consumidor do que em relação às mudanças do mercado de ações. Nos EUA, por exemplo, eles descobriram que um ganho de 10 por cento nos preços das casas provocaria um aumento médio de 0,62 por cento no consumo, enquanto que um aumento similar no mercado de ações apenas trouxe um aumento no gasto de entre 0,2 por cento e 0,3 por cento (Barron's, 15 de abril, 2002)

O que possibilitou esses economistas chegarem a essas respostas é a modelagem econométrica.

Nas ciências naturais, um experimento de laboratório pode isolar vários elementos e seus movimentos. Não há algo equivalente na disciplina de economia. O emprego da econometria e da modelagem econométrica é uma tentativa de reproduzir um laboratório onde experimentos controlados podem ser conduzidos.

A idéia de ter tal laboratório tem muito apelo para economistas e políticos. Uma vez que o modelo é construído e endossado como uma boa réplica da economia, políticos podem avaliar os resultados de várias políticas. Isso, eles argumentam, aumenta a eficácia de políticas governamentais e, portanto, leva a uma economia melhor e mais próspera. Também se sugere que o modelo pode servir como um árbitro para avaliar a validade de várias idéias econômicas. O outro propósito do modelo é o de prover uma indicação a respeito do futuro.

Por meios de métodos matemáticos e estatísticos, um econometricista estabelece relacionamentos funcionais entre várias variáveis econômicas. Por exemplo, o desembolso para consumo pessoal está relacionado à renda líquida (pós-impostos) e às taxas de juros, enquanto que o gasto fixo de capital é explicado pelo estoque passado de capital, pelas taxas de juros, e pela atividade econômica. Uma coleção dessas várias relações estimadas - isto é, equações - constitui um modelo econométrico.

Uma comparação entre quão bem uma simulação dinâmica se estabelece em relação aos dados atuais é um critério importante para verificar a confiabilidade do modelo. (Em uma simulação estática, as equações do modelo são resolvidas usando-se variáveis de atraso. Em uma simulação dinâmica, as equações são resolvidas por cálculos dos modelos onde as variáveis de atraso foram aplicadas). O teste final do modelo é sua resposta para uma mudança de uma variável política, como um aumento em impostos ou um aumento nos gastos do governo. Por meios de uma avaliação qualitativa, um modelador decide se a resposta é razoável ou não. Uma vez que o modelo foi construído com sucesso, ele está pronto pra ser usado.

Apesar da aura de importância e misteriosa sabedoria que a modelagem econométrica projeta, ela é, não obstante, um recipiente oco. O procedimento de modelagem econométrica emprega uma metodologia insustentável: ele tenta capturar o comportamento humano fazendo uso de métodos matemáticos e estatísticos.

O método matemático é válido para a economia?

Ao aplicar a matemática, o mainstream está tentando seguir os passos das ciências naturais. Nelas, o emprego da matemática permite aos cientistas formularem a natureza essencial de certos objetos. Sendo breve: por meios de uma fórmula matemática, a resposta dos objetos a um estímulo particular em uma dada condição é capturada. Consequentemente, dentro dessas dadas condições, a mesma resposta será obtida constantemente.

A mesma abordagem, no entanto, não é válida para a economia, pois a economia deve supostamente lidar com seres humanos e não com objetos. De acordo com Mises,

As experiências com a quais as ciências da ação humana têm de lidar são sempre experiências de fenômenos complexos. Nenhum experimento de laboratório pode ser desempenhado com relação à ação humana. [1]

A principal característica ou natureza dos seres humanos é que eles são animais racionais. Eles usam a mente para sustentar suas vidas e seu bem-estar. O uso da mente, no entanto, não é próprio para seguir algum tipo de procedimento automático, mas sim para que cada indivíduo a empregue de acordo com suas próprias circunstâncias. Isso faz com que seja impossível capturar a mente humana fazendo-se uso de fórmulas matemáticas, como é feito nas ciências naturais.

Em resumo: as pessoas têm a liberdade de escolha para mudar suas mentes e perseguir ações que são contrárias ao que foi observado no passado. Como resultado da natureza única do seres humanos, análises da economia só podem ser qualitativas.

Mais ainda, buscar análises quantitativas implica a possibilidade da designação de números, os quais podem estar sujeitos a todas as operações da aritmética. Para cumprir isso, é necessário definir uma unidade fixa objetiva. Tal unidade objetiva, entretanto, não existe no reino das valorações humanas. Sobre isso, Mises escreveu: "No campo da economia, não existem relações constantes, e, consequentemente, nenhuma medida é possível." [2]

Não existem padrões constantes para se medir as mentes, os valores, e as idéias dos homens. Estimação é a medida na qual um indivíduo consciente e objetivo avalia os fatos da realidade. Em outras palavras, uma vez que um indivíduo estabelece quais são os fatos, ele então avalia quais desses fatos estabelecidos são os mais adequados para se atingir seus vários fins.

As metas ou os fins de um indivíduo estabelecem o padrão para se estimar os fatos da realidade. Por exemplo, se a meta de um indivíduo é melhorar sua saúde, então ele deve estabelecer quais bens vão beneficiar sua saúde e quais não vão. Dentre aqueles que irão beneficiá-lo, alguns serão mais eficazes que outros. No entanto, não há como quantificar essa eficácia. Tudo o que se pode fazer é classificar esses bens de acordo com suas eficácias subjetivas.

O uso da matemática na economia traz um outro problema sério. O emprego de funções matemáticas implica que as ações humanas são ativadas por vários fatores. No entanto, esta é uma maneira errada de pensar. Por exemplo, contrariamente a esse jeito matemático de se pensar, gastos individuais em bens não são "causados" pela renda real de um indivíduo. Dentro de seu próprio contexto, cada indivíduo decide quanto de uma dada quantia de renda será usada para consumo e quanto será usada para poupança. Conquanto seja verdade que as pessoas respondam à mudanças em seus rendimentos, a resposta não é automática, e ela não pode ser capturada por uma fórmula matemática. Por exemplo, um aumento na renda de um indivíduo não implica automaticamente que seu gasto em consumo também irá aumentar da mesma maneira. Em outras palavras, cada indivíduo avalia seu aumento de renda em relação aos objetivos que ele quer atingir. Assim, ele pode decidir que lhe é mais benéfico aumentar sua poupança do que aumentar seu consumo.

A validade da teoria da probabilidade na economia

Enquanto a matemática é a ferramenta chave dos métodos econométricos, a base da econometria é a teoria da probabilidade. O que é probabilidade? A probabilidade de um evento é a proporção de vezes que um evento ocorre em um grande número de tentativas. Por exemplo, a probabilidade de se obter cara quando se joga uma moeda é de 50 por cento. Isso não significa que se uma moeda for jogada 10 vezes, cinco caras sempre serão obtidas. No entanto, se o experimento for repetido por um grande número de vezes, então é provável que esses 50 por cento serão obtidos. Quanto maior o número de vezes que a moeda for jogada, mais acurada será a aproximação.

Alternativamente, digamos que foi estabelecido que em uma área particular a probabilidade de casas de madeira pegarem fogo é de 0,01. Isso significa que, com base na experiência, na média, 1 por cento das casas de madeira vão pegar fogo. Isso não significa que nesse ano ou no ano seguinte a porcentagem de casas pegando fogo será de exatamente 1 por cento. A porcentagem pode ser de 1 por cento todo ano, ou não. Com o passar do tempo, entretanto, a média dessas porcentagens será de 1 por cento.

Essa informação, por sua vez, pode ser convertida em custos dos danos causados pelo fogo, estabelecendo assim uma causa para se fazer um seguro contra o risco de incêndio. Proprietários de casas de madeira podem decidir agrupar seus riscos, isto é, diluir o risco individual criando um fundo. Em outras palavras, cada proprietário de uma casa de madeira contribuirá de acordo com uma proporção da quantidade total de dinheiro que é requerido para cobrir os danos daqueles proprietários cujas casas serão danificadas pelo fogo. Observe que o seguro contra o risco de incêndio só foi criado porque sabemos sua distribuição de probabilidade e porque existem proprietários de casas de madeira o suficiente para diluir os custos dos danos provocados pelo incêndio entre eles de maneira que o prêmio não seja excessivo. Sob esse aspecto, todos esses proprietários dessas casas de madeira são membros de um grupo ou classe particular que serão afetados de maneira similar pelo fogo. Sabemos que, na média, 1 por cento dos membros desse grupo serão afetados pelo fogo. Entretanto, não sabemos exatamente quem será. O fato importante para um seguro é que membros de um grupo devem ser homogêneos quando se trata de um evento particular.

Na economia, entretanto, não lidamos com casos homogêneos. Cada observação é um evento único e não-repetível, causado pela reação de um indivíduo em particular. Consequentemente, nenhuma distribuição de probabilidade pode ser estabelecida. Repetindo: a distribuição de probabilidade se apóia na suposição de que estamos lidando com um evento não-particular, portanto repetível. Vamos tomar como exemplo as atividades empreendedoras. Se essas atividades fossem repetíveis com uma distribuição de probabilidade conhecida, então não precisaríamos de empreendedores. Afinal, um empreendedor é um indivíduo que planeja suas atividades na intenção de satisfazer as exigências futuras dos consumidores. Mas essas exigências, no entanto, nunca são constantes em relação a um bem em particular. A suposição que a econometria faz - que a distribuição de probabilidade existe e pode ser quantificada - leva a resultados absurdos, pois ela descreve não um mundo de seres humanos que exercitam suas mentes fazendo escolhas, mas um mundo de máquinas.

Atividades humanas, entretanto, não podem ser analisadas da mesma maneira que se analisam objetos. Para que os dados históricos tenham sentido, não se deve analisá-los por meios de métodos estatísticos, mas, sim, tentar compreendê-los e tentar entender como eles surgiram.

Modelos econométricos nada têm a ver com a realidade

Dado o fato de que seres humanos são governados pela liberdade de escolha, as várias análises políticas feitas por meios de modelagens - conhecidas como "e se" ou análise dos multiplicadores - são como jogos para crianças e não podem ser levadas a sério. Afinal, assumir que uma mudança nas políticas governamentais deixaria a estrutura das equações intactas significaria que os indivíduos na economia deixaram de estar vivos e estariam, na verdade, congelados.

Outro grande problema com a maioria dos modelos econométricos é que eles são construídos seguindo as linhas do pensamento econômico keynesiano. Assim, a variável principal nesses modelos é o produto interno bruto - que é explicado, dentro da estrutura do modelo, pelas interações entre os vários dados amontoados, conhecidos como agregados. A interação entre vários agregados na estrutura do modelo dá a impressão de que a economia gira em torno apenas do produto interno bruto, ou da balança de pagamentos, mas não dos seres humanos e da vida humana. Obviamente, isso vai contra o fato de que tudo no mundo humano é causado pela conduta proposital do homem.

Para melhorar a aptidão de um modelo econométrico como uma ferramenta de previsão, econometricistas normalmente usam vários truques. A capacidade preditiva de cada equação no modelo é checada em relação aos dados atuais, e a diferença entre os dados atuais e os dados obtidos das equações, também conhecida como add factor, é extrapolada adiante e incorporada nos modelos da equação.

Em muitos casos, a previsão feita por um modelo econométrico é fortemente influenciada pelo add factor, o que permite ao modelador forçar o resultado da previsão de acordo com seus "desejos particulares". A maioria das pessoas não está ciente desses truques e acredita que o modelo em si gerou o resultado. Tudo isso põe em dúvida a seriedade dos procedimentos "científicos" adotados pela modelagem econométrica. Mais ainda, não se deve esquecer a qualidade suspeita dos dados sobre os quais os modelos econométricos são construídos. Em resumo: modelos econométricos nada mais são do que jogos glorificados. Sobre isso, Mises disse:

Como método de análise econômica a econometria é um jogo infantil, com números que não contribuem em nada para elucidar os problemas da realidade econômica. [3]

Conclusão

Ao invés de ver a modelagem econométrica como uma técnica sofisticada que pode descobrir a verdade oculta da economia, devemos, ao contrário, considerá-la como um dispositivo extrapolador grosseiro e caro, que nada tem em comum com a realidade. Qualquer um que decida usar modelos como uma ferramenta analítica ou um meio de previsão corre o risco de confundir seriamente a si próprio.




[1] Ludwig von Mises, Human Action (1963), p. 31.

[2] Human Action, p. 55.

[3] Ludwig von  Mises, The Ultimate Foundation of Economic Science (1962), p. 63.

 


autor

Frank Shostak
é um scholar adjunto do Mises Institute e um colaborador frequente do Mises.org.  Sua empresa de consultoria, a Applied Austrian School Economics, fornece análises e relatórios detalhados sobre mercados financeiros e as economias globais.


  • Ruy Benitez  08/08/2011 16:19
    \r
    Sou de acordo com a apresentação feita sobre a econometria. Pois muitos destes dados apresentados pela materia nos leva a tomar decisões erroneas e com grandes riscos operacionais, pois a realidade é adversa deste modelo.\r
    \r
    Para tomada de decisão vejo uma certa temeridade, mas para análises passadas acho bem interessante, pois com um cenário mesmo que distante apresentados em numeros podemos ter uma visão mais profunda sobre dados economicos que podem se repitir, pois como foi apresentado no documento a economia trata de questões relacionadas ao ser humano e suas possiveis atitudes advinda do uso de recursos financeiros ou materiais. Desta forma tenho a dizer que a análise economica pregressa da sociedade pode ser util para tomada de decisões futuras, pois os ciclos se repetem em uma caracteristica bem peculiar da historia da humanidade.\r
    \r
    Assim sendo a econometria pode ter seu valor para uma análise mais aprimorada e detalhada de um tipo de atitude por exemplo que a sociedade e seus consumidores ou produtores tomaram em um determinado periodo.\r
    \r
    Ruy Benitez\r
    Administrador e Especialista em Economia Internacional
  • Erick Skrabe  16/01/2012 19:45
    Vale adicionar que vários destes modelos são criados propositalmente mal intencionados, como o Markov, desenhado por matemáticos do MIT contratados por uma consultoria para convencer o governo do Equador a investir em petróleo.

    Os modelos também são pensados para nunca falharem. Se algo der errado, ops, QUANDO algo der errado, haverá sempre uma desculpa. Como este simpático economista o Sr. Krugman que acha que o problema é que o governo americano não se endividou o suficiente nos últimos anos (!).

    Se pensamos 5 minutos os modelos matemáticos para a economia vem a pergunta por que não ? Se pensamos 5 horas descobrimos o porque. Infelizmente nem todas as faculdades foram feitas para ensinar a pensar.
  • Pedro Lima  28/08/2012 08:31
    Tem um livro, não lembro agora qual é, que demonstra como uma sequência de decisões lógicas pode descambar numa catástrofe.
  • Antonio Galdiano  29/08/2012 05:55
    Existe alguma literatura que condense os esforços em reconhecer todo ou vários tipos de falseamento técnico que a econometria possa causar? Por técnico, eu digo a aplicação metodológica que conduza a resultados equivocados, e não um caso a caso.\r
    Sabem como é né... Eu quero pelo menos saber como que tentam me enganar.
  • Andre Cavalcante  29/08/2012 06:38
    "Ao aplicar a matemática, o mainstream está tentando seguir os passos das ciências naturais. Nelas, o emprego da matemática permite aos cientistas formularem a natureza essencial de certos objetos. Sendo breve: por meios de uma fórmula matemática, a resposta dos objetos a um estímulo particular em uma dada condição é capturada. Consequentemente, dentro dessas dadas condições, a mesma resposta será obtida constantemente."

    Ooops. Já escrevi sobre isso aqui no mises. Não gosto muito dessas comparações com as chamadas ciências naturais e, princialmente, com o uso da matemática. É sempre mais ou menos impreciso. Por exemplo, os estudos da mecânica quântica são feitos em laboratório e por métodos considerados mais ou menos seguros, no entanto toda a mecânica quântica é baseada em probabilidades e pelo princípio da incerteza. O movimento dos corpos celestes no sistema solar, por exemplo, que até pouco tempo (séc. XIX) se pensava absoluto, hoje sabemos que são meramente resultado de atratores em um sistema caótico. A engenharia moderna lida basicamente com sistemas não lineares e variantes no tempo (se bem que a custa de muita linearização, justamente para facilitar o entendimento). As telecomunicações digitais são nada mais que eventos em um mar de probabilidades. Essa de os cientistas "formularem a natureza essencial de certos objetos", não funfa nem nas ciências ditas naturais.

    Outra frase mais ou menos complicada: "por meios de uma fórmula matemática, a resposta dos objetos a um estímulo particular em uma dada condição é capturada" - Sistemas naturais reais (que são ditos complexos) não possuem sempre a mesma resposta a um dado estímulo. A não linearidade e o feedback de tais sistemas impedem isso. É o que se chama de caos determinístico: pequenas variações nas condições inicias (pequenas mesmos, da ordem da precisão do equipamento de medida), produz grandes alterações nos resultados, ao longo do tempo.

    Em outras palavras: se a economia de fato quiser ser influenciada pelas chamadas ciências naturais, tomaria cuidado exatamente em se analisar um sistema complexo, como a sociedade humana, dentro da ótica da não linearidade, da variabilidade no tempo, da não predizibilidade e do seu dinamismo, coisas que uma fórmula matemática sozinha não consegue abarcar (nisso o artigo é perfeito).

    PS(E BEM OFF): Já repararam que a qualidade do português dos comentaristas do site tem piorado a medida que aumenta seu número? Diria que está em estado crítico, quase não dá pra entender o que escrevem.
  • Leandro  29/08/2012 06:58
    Prezado André, em relação ao seu P.S., concordo plenamente. E sou eu quem mais sofre, pois tenho de ler tudo isso. Há alguns comentários elogiosos ao site cuja publicação eu prefiro atrasar, só pra não queimar o filme.

    Por outro lado, venho notando com enorme desespero que esta é uma tendência absolutamente nacional. Até mesmo nas redações de sites de jornais a coisa está feia. Os erros escabrosos já começam nas manchetes. Nas redes sociais, então, o descalabro é total. É absolutamente impossível você encontrar gente que se expresse em um idioma reconhecível. Mesmo entre os mais "cultos", não há uma só frase que não contenha um erro gramatical sério.

    Curiosamente, não se observa este fenômeno em outros idiomas. A maioria -- a maioria mesmo -- dos americanos escreve corretamente em fóruns sociais, assim como espanhóis e portugueses. Pelo que ouço de comentários, alemães também respeitam seu idioma. No Brasil, quanto mais o tempo passa, pior se torna a qualidade de expressão das pessoas. A continuar esta tendência -- a qual não apresenta absolutamente nenhum sinal de revertério --, é muito provável que em um futuro bem próximo já estaremos todos dialogando na base do au-au, miau e oinc-oinc. Aí não haverá muito espaço para erros gramaticais.
  • Neto  29/08/2012 07:25
    Essa conversa de que a ciência 'natural' (coisa que não existe, ou é ciência ou não é, isso de ciência dura, ciência mole, etc, é coisa de pseudociência querendo a credibilidade dos outros ) não é tão precisa assim é uma moda moderda, muito comum entre os maconheiros das 'ciências' humanas.Pra isso tem até nego que apela pra física quântica sem entender lhufas da mesma.
    Einstein por ex sempre disse que a FQ era uma teoria furada, cheia de contradições, era na melhor das hipóteses uma ferramenta técnica pra chegar a alguns resultados as vezes.Se ela é popular hoje é por causa da vontade da maioria
  • Pedro Lima  29/08/2012 08:17
    pode ser que os erros de português sejam só pra testar o preconceito linguístico dos sábios.
  • Alexandre  18/01/2013 11:49
    Há uma matéria no curso de Administração de Empresas chamada 'Modelagem e Simulação de Negócios', que nada mais é que um estudo da dinâmica de sistemas (ou TGS - Teoria Geral dos Sistemas), objetivando uma visão sistêmica do problema, gerando resultados e alternativas (de acordo com cada simulação/dados) para o problema, com ciclos de feedback positivos e negativos.

    O principal programa/ferramenta desse método de estudo chama-se VENSIM (www.vensim.com).

    Pode-se também utilizá-lo como ferramenta para provar, com muita transparência e de forma didática, a ineficiência das políticas econômicas atuais.

    Uma coincidência: o percursor da TGS chamava-se Ludwig von Bertalanffy.

    Recomendo que pesquisem sobre o assunto, pois é diferente da econometria e pode ser muito útil à Economia Austríaca em diversos temas/estudos.

    Recomendo: ftp://ftp.unilins.edu.br/erich/An_lise%20de%20Sistemas%20e%20Modelagem%20Ambiental/Manual%20Vensim.pdf
  • anônimo  09/03/2013 18:50
    usando a teoria de sistemas pra prever o comportamento de variáveis "não-motivadas" como disse o Rothbard, poderia servir pra empreendedores fazerem pequenas comunidades de leis privadas q competiriam entre si

    de qq maneira, pro sistema humano, a liberdade e a livre-competição continuam sendo as regras simples nas quais o sistema deve repousar pra não haver contaminação por política

    de qq maneira curti o paper sobre sistemas, valeu!
  • anônimo  09/03/2013 18:37
    econometria parece mesmo um bando de moleques tentando fazer um joguinho de computador tosco

    usar a modelagem estatistica pra fins de pesquisa operacional blz mas querer matematizar a ação humana pra justificar politicas publicas soa algo de um ditador doidão estilo o general-almirante alladeen do filme do Sasha Baron Cohen
  • ricardson  10/06/2013 22:55


    Prezado Leandro,

    Permita-me apresentar algumas observações:

    Os modelos econométricos apresentam diversas falhas e, portanto, eles não seriam uma boa réplica da economia, devido a esta ser extremamente complexa. Acredito que o que se poderia falar a respeito dos modelos econométricos seria que eles são as melhores ferramentas encontradas até então para o auxílio da teoria econômica. Acredito também que afirmar que "a modelagem econométrica emprega uma metodologia insustentável" seria um tanto exagerado. De fato, procura-se capturar o comportamento humano utilizando métodos matemáticos e estatísticos, mas, como dito anteriormente, eles são importantes para o estudo da economia em termos de dados, apesar de não serem nem de perto perfeitos. E este inclusive é um dos maiores desafios da econometria.
  • Pedro Ivo  11/06/2013 14:45
    Modelos econométricos são descritivos, mas se pretendem explicativos. Eles apresentam um passado recente ou distante, mas não tem a capacidade preditiva que atribuem a si mesmos. São uma tecnologia contábil: registram rastros do comportamento humano; mas não são teoria econômica, pois não permitem uma interpretação acurada destas condutas.

    Se duvida, leia Como evoluí e cheguei à Escola Austríaca de Economia


    O individualismo metodológico

    apresenta uma distinção entre contabilidade e teoria economica
    A geringonça criada por Milton Friedman Elucidando Milton Friedman e a Escola de Chicago

    algumas falhas de teorias economicas matematizadas
    As três escolas liberais do século XX
    Buchanan e Tullock - por que a teoria da Escolha Pública representa um endosso ao estado

    alguns aspectos da realidade que teorias economicas matematizadas não capturam
    Tempo e ignorância - uma visão geral do subjetivismo da escola austríaca de economia
    A questão do conhecimento na escola austríaca
    Juros, preferência temporal e ciclos econômicos
    A teoria austríaca do capital
    A teoria monetária austríaca
    Sobre a quantidade de dinheiro necessária para uma economia

    alguns porquês de econometria e economia matemática serem "descrições" do passado e não "teoria econômica"
    Teoria e história
    A diferença entre história e filosofia da história
    O estudo da economia, os economistas, as previsões econômicas e o cidadão comum

    epistemologia básica
    O que é uma ciência apriorística, e por que a economia é uma
    Psicologia versus Praxeologia
    A pretensão do conhecimento
    O que é a economia e por que estudá-la

    E isto para ficar só na superfície do problema. Se quiser aprofundar vai ter que mergulhar na literatura basilar. Vide Ação Humana - Um Tratado de Economia e Uma Teoria do Socialismo e do Capitalismo . Estes são, em minha opinião, o mínimo.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  23/06/2013 16:36
    A vida humana e sua economia são complexos demais para qualquer tipo de modelagem artificial.
  • Emerson Luis, um Psicologo  29/08/2013 16:38
    Este artigo lembra o livro "Cisne Negro".

    * * *
  • André Andrade  08/12/2014 03:18
    Resumindo: o Ser Humano é complexo, subjetivo e imprevisível para se ter a tolice de rotular as ações usando a matemática.
  • RichardD  16/09/2015 11:16
    Bem interessante esse ponto de vista
  • Eduardo R., Rio  11/10/2016 04:05
  • James Richard  04/11/2016 19:46
    Depende, preços no atacado por exemplo são ditados pelo comportamento do atacadista, que especula, e preços ao produtor pelo comportamento do produtor, que também espera melhor preços para colher. Mas, se vc conseguir ter uma medida da produção, vai ter uma proxy do que o produtor está fazendo, e se vc tiver uma medida do estoque vai ter uma proxy do que o atacadista deve fazer. Então não se mede todas as variáveis subjetivas, mas se se tem os dados corretos se pode ter uma proxy sim do panorama geral, não de prever um valor específico, mas ao menos de classificar (baixo, médio, alto. ruim, médio, bom). Sou estatístico. Abraços,Richard
  • João Marchi  06/12/2016 17:00
    Que engraçado, é só entrar no site da consultoria do autor e vocês verão um modelo econométrico de 200 equações. Hipocrisia ganha outro significado.
    Deixo o link para vocês verem: aaseconomics.com/macroeconomic-modelling-and-forecasting/
    Como isso é diferente de qualquer coisa que ele criticou, eu não sei. Ou este senhor é um gênio da econometria e faz isso sem usar probabilidade e sem moldar o comportamento humano ou ele quis dizer algo neste artigo que não ficou claro.
    Vejam isto, são 200 equações, segundo ele mesmo, belo esforço pra quem acha que não serve pra nada.

  • Ailton  16/08/2017 19:36
    Discordo da crítica a modelos estatísticos não são eficientes, basta verificar as premissas, se análise foi bem feita, e se o modelo é significativo, o modelo representará a realidade e será a melhor previsão possível.

    Outra coisa que me incomodou é a afirmação que não podemos estimar a vontade do ser humano, é claro que com certeza absoluta não, mas as pesquisas eleitorais comparadas com o resultado das eleições mostram que se bem feitas podem sim prever resultados, mesmo que a vontade seja a principal variável.
  • Vinicius Dias Guimarães  15/11/2018 15:06
    Em primeiro lugar, um modelo econométrico não pretende explicar a natureza humana, mas simplesmente estimar maiores possibilidades de ocorrerem determinados eventos de natureza econômica, confirmando ou não, de acordo com indicadores que traduzem quantitativamente a frequência de tal ocorrência, o comportamento econômico médio diante de certos estímulos, como aumento/diminuição da renda ou dos preços por exemplo, procurando uma explicação razoável para tanto. Tudo é verificado de acordo com valores médios, não precisos, mas que indicam tendências muitas vezes bem claras, evidentes.
  • Douglas Espindola  29/12/2018 12:04
    Pesquisem a respeito de psicometria e psicologia matemática, e verão a grosseria do erro de pressupor que o comportamento humano não pode ser modelado.
  • Mauro   29/12/2018 23:14
    Sem problemas. Então apenas explique por que você não está rico. Sim, pois se você é capaz de matematizar o comportamento humano, então é sopa prever, por exemplo, qual será o valor do Ibovespa no final do ano. E olha que isso é bem fácil, hein? É só prever matematicamente o comportamento de alguns traders.

    E aí? Você odeia dinheiro? Ou isso ou você é um charlatão.


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