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Por que defender a existência do estado é algo radical e incoerente - em 21 argumentos

Ao lidarmos com a alegação de que alguma doutrina antiestado (por exemplo, o anarcocapitalismo) seria perigosa na prática — por causa de seu caráter radical —, é válido apontar o patente radicalismo presente em todas as doutrinas que defendam a existência de um estado. 

Entretanto, apenas isso não basta.  Sugerir que o radicalismo per se não é o problema de qualquer doutrina socioeconômica é uma postura válida, porém insuficiente.  O que é ainda mais válido é enfatizar que qualquer teoria que defenda a existência de um estado não é apenas radical; é também radicalmente incoerente.  Essa é uma descrição bastante adequada para teorias que dizem que:

1.  A única maneira eficaz de se proteger contra a violência, agressão e coerção de terceiros é ajudando a instituir e a sustentar eternamente um vasto aparato que detém o monopólio da violência, da agressão e da coerção institucionalizada.

2.  A única maneira eficaz de se proteger os direitos de propriedade é ajudando a instituir e a sustentar eternamente uma entidade coerciva cujos representantes não apenas não são donos de nenhum dos ativos dessa entidade, como também se arrogam a si próprios o direito de expropriar qualquer proprietário de qualquer propriedade, para propósitos cuja utilidade cabe apenas a eles avaliar.

3.  A economia de livre mercado — cujos participantes, com o intuito de prosperar, têm de ofertar uns aos outros bens e serviços produtivos, assim como têm de sofrer todas as responsabilidades financeiras decorrentes de potenciais fracassos de suas ações — pode sobreviver apenas quando submetida à regulação intensa de um grupo monopolístico formado exclusivamente por pessoas que nada produzem, e que podem sempre jogar os custos de seus fracassos sobre os ombros dos produtores.

4.  A coerção do estado é necessária para fazer cumprir os contratos.  Entretanto, o pretenso "contrato social", aquele que supostamente estabeleceu o estado, curiosamente não precisa de nenhum meta-estado para impô-lo, o que significa que ele na verdade é uma anomalia que se auto-impõe e se faz cumprir.

5.  Os gerentes de qualquer aparato monopolista da compulsão e da agressão são dotados de motivações exclusivamente altruístas.  Entretanto, se estas mesmas pessoas parassem de utilizar métodos coercivos (atividade política) e se dedicassem a métodos voluntários (atividade de mercado), seu altruísmo seria imediatamente suplantado pelo egoísmo vil e ganancioso.

6.  Os estados, instituições responsáveis por mais de 200 milhões de mortes cruéis apenas no século XX, supostamente servem para nos oferecer proteção contra "criminosos privados" — os quais, mesmo em sua mais organizada forma de redes mafiosas internacionais, nunca lograram sequer chegar perto da mais ínfima fração do número de mortes causadas pelos estados.

7.  O estado de anarquia entre os indivíduos — sendo que cada um deles pode, em termos gerais, financiar suas atividades apenas com seu próprio bolso — iria levar a uma intolerável escalada da violência e da carnificina, mas o estado de anarquia entre os estados — sendo que cada um deles pode impor os custos de suas atividades (inclusive belicistas) sobre todos os seus súditos — é um arranjo tolerável e relativamente pacífico.

8.  A ausência de um fiscal externo e monopolista que impinge a execução de acordos entre indivíduos iria levar a infindáveis conflitos, porém a ausência desse mesmo fiscal externo e monopolista em relação a vários órgãos do estado não os impede de cooperar eficazmente e até mesmo benevolentemente.

9.  Conceder a tarefa de zelar pela justiça a uma entidade que é ao mesmo tempo monopolista e coerciva não irá fazer com que ela continuamente perverta a justiça a seu favor.

10.  A noção de um sistema de pesos e contrapesos, pelo qual os governantes controlam os governados e os governados controlam os governantes não viola o princípio da navalha de Occam, similar à visão na qual um único grupo de indivíduos autogovernantes mantém-se perfeitamente em equilíbrio pacífico.

11.  Os governados são sábios o bastante para escolher seus governantes, mas não para escolher como utilizar seu próprio dinheiro.

12.  Dois viajantes que se trombarem no meio de uma floresta desabitada não irão imediatamente se atracar e se esganar apenas porque temem serem punidos pelo estado.

13.  Uma instituição que violentamente impõe seus serviços de proteção sobre as pessoas, determina unilateralmente seu preço e exclui toda a concorrência nessa área, não irá tentar criar conflitos para se beneficiar deles, e tampouco irá deixá-los evoluir ao invés de pacificá-los ou mesmo impedi-los de ocorrer.

14.  A expropriação compulsória da propriedade privada de um indivíduo não deve ser considerada uma violação de um direito (considerando-se que haja uma "devida compensação monetária" determinada unilateralmente), porém a recusa de abdicar de uma parcela da riqueza que o indivíduo criou independentemente ou adquiriu contratualmente é uma violação direta, justa e clara de vários direitos.

15.  Os direitos políticos precedem os direitos de propriedade, o que presumivelmente significa que o contrato social supostamente original foi concluído por uma fogueira em uma caverna e escrito na parede da caverna — caso contrário, estar-se-ia dizendo que as condições do mundo pré-contrato, misteriosamente e sem qualquer distribuição de propriedade, permitiram a criação do capital necessário para (pelo menos) abrigar os indivíduos que assinaram o contrato e fornecer-lhes tinta e papel.

16.  Ter uma clientela suficientemente grande transforma aquilo que normalmente seria considerado um roubo em larga escala em algo que é comumente aceito como sendo parte de um serviço social necessário.

17.  Um grupo relativamente pequeno de pessoas é capaz de possuir mais conhecimento e tomar decisões mais informadas e embasadas no que tange o gerenciamento de atividades de qualquer sociedade do que todo o resto da sociedade em questão.

18.  A noção de igualdade perante a lei abre espaço para privilégios funcionais.

19.  O respeito incondicional pelo princípio da não agressão é "absolutista", mas o respeito incondicional pelas leis criadas pelo estado não é.

20.  A prevalência do estatismo indica a vantagem desse sistema sobre os outros — como se o mesmo não pudesse ter sido dito sobre a astrologia, a escravidão, a perseguição ou difamação de uma pessoa ou de um grupo de pessoas, e a discriminação racial legal.

21.  Cada uma das afirmações acima é solidamente justificada, tanto teórica quanto empiricamente, ao passo que a negação de qualquer uma delas está fundamentalmente além dos limites da integridade e da moralidade de qualquer discussão sensata.

 

Tendo enumerado esses (ou outros) argumentos, vale a pena confrontar o estatista com a tarefa de defender a supostamente moderada natureza da doutrina que ele defende.  E mesmo que ele aguente a dor de confessar e reconhecer o radicalismo do estatismo, deve-se resolutamente confrontá-lo com outra tarefa igualmente difícil — a de defender a suposta coerência do estatismo.  Se ele admitir derrota nessa tarefa também, não devemos ficar intelectualmente surpresos, mas ao menos poderemos nos sentir taticamente satisfeitos.


autor

Jakub Bozydar Wisniewski
é filósofo graduado pela Universidade de Cambridge. Atualmente trabalha em seu PhD, experimentalmente voltado para a teoria dos bens públicos de acordo com a Escola Austríaca de Economia, na Queen Mary, University of London.  Já publicou artigos em, dentre outros, The Libertarian Papers, The Quarterly Journal of Austrian Economics e LewRockwell.com

  • mcmoraes  14/05/2010 09:23
    Esse artigo me resgatou da memória a última cena do Matrix I, que mostra uma tela de computador com um alerta: "Falha no Sistema!" :)
  • Felipe  14/05/2010 15:57
    Não entendi esse ponto:

    12. Dois viajantes que se trombarem no meio de uma floresta desabitada não irão imediatamente se atracar e se esganar apenas porque temem serem punidos pelo estado.

    Até pensei no caso da guerra mas não faz sentido na frase.
  • Roberto Chiocca  14/05/2010 16:34
    Excelente artigo!
    Felipe, esse ponto destaca a falácia de que as pessoas só não saem matando umas as outras por medo da punição do estado e não por que a esmagadora maioria das pessoas é pacífica. Ou seja, numa localidade remota onde não existe a menor chance de uma patrulha estatal passar pelos próximos anos duas pessoas se encontram e não se matam.
    Mas este exemplo pode ser dado no meio de uma cidade mesmo, pois a chance de um assassino ser punido pela agencia de segurança estatal é absurdamente pequena e mesmo assim a maioria das pessoas convive pacificamente com as outras.
  • Carlos Alexandre  14/05/2010 16:55
    Significa que os estatistas acreditam que a criatura deles é suficiente para debelar os impulsos agressivos dos cidadãos; também, que o obstáculo à agressão por parte do indivíduo parte do temor ao estado e não da religião, da escola, da família, das convicções éticas e morais pessoais, etc.
  • Fernando Chiocca  14/05/2010 18:11
    Muito bom este artigo. Reune pontos que revelam claramente como o estatismo é uma doutrina falaciosa einjustificável racionalmente.
    Não é a tôa que as autocontradicões ambulantes estatólatras que assombram este site não tenham comentado nada aqui.
  • Bruno Eduardo Silva Ramos  06/10/2010 10:46
    Caros,

    sinceridade não vi nenhuma inconsistência ao defender o Estado em nenhum dos 21 itens!
    Acho que quem postou isso se esqueceu para que serve o Ministério Público ou pior ainda, se esqueceu o poder da democracia - lógico, nos moldes como ele deveria funcionar - vide por exemplo o que Amartya Sen diz sobre o sistema capitalista e seus problemas.

    Sei bem que o Estado gasta muito mal os recursos "roubados" através dos impostos - falo todos os governos federais existentes no mundo - mas defender a ausência total do Estado é o mesmo que permitir os terríveis mercados monopolistas (que qualquer Economista sabe muito bem porque esses mercados nos tira bem estar).

    Desafio a qualquer liberal aqui a me propor um sistema onde a livre-iniciativa nos propicie de forma eficiente e barata bens essenciais como Energia, Água e Esgoto.

  • Leandro  06/10/2010 11:00
    Bruno Eduardo, uma resposta ao seu desafio pode ser encontrada aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=646

    Abraços
  • Fernando Chiocca  06/10/2010 11:17
    defender a ausência total do Estado é o mesmo que permitir os terríveis mercados monopolistas (que qualquer Economista sabe muito bem porque esses mercados nos tira bem estar).

    Percebe-se logo de cara que você sequer sabe o básico de economia, e vocifera opniões mesmo sem conhecer a definição de monopólio.
    Monopólios só podem existir com estado. Monopólio é o impedimento de concorrência através do uso da força. E o estado é um monopolista, por definição. Ele é o monopolista na prestação de serviços de polícia e justiça. E exatamente por que, como você bem disse, todos sabemos porque esses mercados monopolistas nos tira bem estar, qualquer pessoa que preze o bem estar deve ser contra o monopólio.

    Desafio a qualquer liberal aqui a me propor um sistema onde a livre-iniciativa nos propicie de forma eficiente e barata bens essenciais como Energia, Água e Esgoto.

    O mais curioso é você dizer isto em um país onde o estado monopoliza estes serviços e 60% da população não tem saneamento básico, hehehehe.
    Mas neste ponto você novamente desafia uma lei economica, a de que uma concorrência de livre mercado não é capaz de fornecer bens e serviços mais eficientemente do que um monopolio...

    Ficou bem confuso seu comnetário aqui; ora você é à favor do monopólio, ora você é contra..

    Por fim, se não viu nenhuma inconsistência ao defender o Estado em nenhum dos 21 itens, será que nem a imoralidade de agredir inocentes, atribuição inerente de qualquer estado, você consege enxergar?

  • Bruno Eduardo Silva Ramos  06/10/2010 12:02
    Caro Chicocca,

    podemos falar de monopólio sem falar de estado - "mercado onde existe somente uma firma ofertando produto ou serviço".

    Sei muito bem que há várias ocasiões em que decisões estatais implicam em monopólio!!!
    Mas também existem barreiras tecnológicas que implicam em monopólio - o custo de implementação é tão alto que não é toda empresa que irá gastar dinheiro com aparatos tecnológicos para prover o serviço.

    Ao invés de considerar comentários improdutivos como o seu em dizer que não sei o básico de Economia, prefiro considerar e estudar o belo convite que o Leandro me fez (www.mises.org.br/Article.aspx?id=646) e sem denegrir a imagem de ninguém.


    Cordialmente
  • Fernando Chiocca  06/10/2010 12:34
    Caro Bruno

    Está não é a definição usada pela ciência economica, ela é apenas uma ideia popular deste conceito que carece de utilidade científica. "mercado onde existe somente uma firma ofertando produto ou serviço".
    Os produtos são valorados subjetivamente pelos consumidores e, segundo esta definição popular, praticamente tudo seria monopólio. O McDonalds é monopolista do Big Mc; a Ferrari da Ferrari e a Ford do Fiesta; a Britney Spears de shows da Britney Spears; o chef Alex Atala da comida de Alex Atala; até o mecânico da esquina por seus serviços exclusivos. Nem mesmo commodities são todas iguais e o produtor de uma pode ser considerado o único ofertante de determinado produto.

    Segundo a ciência econômica, o termo "monopólio" refere-se apropriadamente à "concessão de um privilégio especial pelo Estado, que reserva determinada área de produção a um indivíduo ou grupo específico", obviamente através do uso ou ameaça do uso de violência contra pessoas que tentem concorrer com o privilegiado, ofertando no mercado o mesmo produto ou serviço. Murray Rothbard, Man, Economy and State with Power and Market, cap. 10, parte 3-A.

    Ao invés de considerar comentários improdutivos como o seu em dizer que não sei o básico de Economia.

    Não se ofenda. Não saber algo não é demérito algum.

    "Não é nenhum crime ser ignorante em economia, a qual, afinal, é uma disciplina específica e considerada pela maioria das pessoas uma "ciência lúgubre". Porém, é algo totalmente irresponsável vociferar opiniões estridentes sobre assuntos econômicos quando se está nesse estado de ignorância." - Murray Rothbard
  • Bruno Eduardo Silva Ramos  06/10/2010 14:26
    Creio que você tem outros autores para fundamentar o que está me dizendo (Até agora só vi vc citar Murray Rothbard - não estou dizendo que não esteja com a razão, mas também não tenho como afirmar o contrário).
    Além do mais, como estudantes de ciência econômica que somos, sabemos existem várias outras lacunas além da relação Estado e Monopólio e nossa missão como Economistas é decifrá-las.

    Não me sinto ofendido por tal, mas lamento por vc ter de recorrer a isso para defender suas idéias.

    Espero que, com suas idéias, você possa iluminar mais pessoas para que possamos extirpar todo tipo de mal, mas infelizmente, da forma como as coloca, não posso mais me sentir a vontade para expor minhas "vagas" idéias de um recém graduado...

    Abraço

  • Fernando Chiocca  06/10/2010 15:19
    Bruno, não me considero economista e não sou graduado em tal disciplina, mas devo dizer que conheço mais de economia do que a maioria dos graduados e mesmo de seus professores, apenas pela leitura que tive de livros como Ação Humana e Man, Economy and State.
    Considero que sei o básico somente, mas isso já é muito mais do que ensinam em praticamente todas as universidades do mundo.
    Faça suas considerações à vontade, mas cuidado ao fazer afirmações baseadas em falacias economicas que visam refutar argumentações totalmente fundamentadas no conhecimento científico real de tal disciplina praxeológica.
    Desculpe qualquer coisa.

    abs
  • mcmoraes  06/10/2010 15:34
    Bruno Eduardo Silva Ramos,

    Creio que você tem outros autores para fundamentar o que está me dizendo (Até agora só vi vc citar Murray Rothbard - não estou dizendo que não esteja com a razão, mas também não tenho como afirmar o contrário).

    Eu tb não sou economista, mas acho que não é preciso muito para fundamentar o q o Chioca está te dizendo. Uma Googlada por define:Monopólio resulta no seguinte:

    # Em economia, monopólio (do grego monos, um + polein, vender) é como se denomina uma situação de concorrência imperfeita, em que uma empresa detém o mercado de um determinado produto ou serviço, impondo preços aos que comercializam.

    # estrutura econômica controlada por uma só pessoa ou empresa; privilégio exclusivo para realizar um negócio ou prestar um serviço (privilégio este usualmente outorgado pelo governo); possessão ou controle exclusivo de algo.

    # Situação em que uma empresa domina sozinha a produção ou comércio de uma matéria-prima, produto ou serviço e que, por isso, pode estabelecer o preço à vontade.

    # exemplo de uma forma de mercado de concorrência imperfeita, em que a oferta se encontra numa única empresa que tem total poder par fixar o preço do bem produzido.

    # Direito exclusivo de produção ou comercialização.

    # Forma de organização do mercado em que uma empresa domina a oferta de um determinado produto ou serviço que não pode ser substituído. A legislação da maioria dos países proíbe o monopólio, com exceção dos exercidos pelo Estado, geralmente em produtos e serviços estratégicos.

    Como vc pode ver, o monopólio tem associado a si as idéias de controle, privilégio, imposição, proibição e exclusividade, que são inerentementemente ligadas ao Estado (e somente ao Estado e às empresas ligadas a ele). Portanto, através do uso da razão, creio q vc realmente não precise de outros autores para concordar com o Rothbard.

  • Fernando Chiocca  06/10/2010 17:33
    E aqui Rothbard faz uma analise completa de todas as definições históricas que "monopólio" já recebeu e explica porque apenas uma pode ser a definição apropriada: mises.org/rothbard/mes/chap10b.asp#3._Illusion_Monopoly_Price
  • mcmoraes  19/01/2011 11:20
    Bruno Eduardo Silva Ramos,

    Outro autor é o Gabriel Kolko.
  • Indivíduo Realista  14/05/2010 19:13
    O q vc esperava, Fernando? 21 diretos são suficientes p/ apagar qq um. Quando é que o IMB vai ter uma seção tipo https://mises.org/donate.aspx?
  • Bruno  15/05/2010 15:32
    Toda a falácia anti-estado cai com o seguinte fato histórico:

    Não existe vácuo de poder. Cai o estado, alguém ou organização assume como o novo estado.
  • Oziel JOse  13/02/2013 13:44
    Exato, é isso que penso. Pode até ser pior, imagine o poder que uma empresa como a coca-cola, por exemplo, poderia exercer em sociedades libertárias.
  • anônimo  13/02/2013 22:40
    O poder de falar pra mim: beba coca cola.
    E eu: não, obrigado.
  • Angelo T.  14/02/2013 11:33
    Estamos respondendo a um comentário de quase três anos atrás, então há poucas chances do autor ler nossas respostas. Mas vamos lá:

    Como assim não existe vácuo de poder? Existe estado somente em 3% da história humana. Em praticamente 97% da história o ser humano viveu sem estado.
    Faça uma pergunta inteligente para nós, por exemplo: "Como vocês explicam que o maior desenvolvimento da civilização se deu no período em que existia estado, e não no período sem estado?". Aí pelo menos você não passa tanta vergonha.
  • Felipe  15/05/2010 16:24
    Roberto e Carlos, obrigado pelos esclarecimentos. Realmente não me dei conta na hora que li, mas agora ficou bem claro.

    Realmente o artigo é excelente.
  • mcmoraes  15/05/2010 18:00
    Bruno,

    Falácia significa um argumento logicamente inconsistente. É difícil falar em lógica quando se leva em consideração apenas dados estatísticos, como você está fazendo ao tentar determinar o futuro com base no passado. Quando se considera a História das sociedades, dados estatísticos refletem apenas as equações escolhidas por alguns de forma subjetiva. Como e porquê uns fatores das equações foram escolhidos e outros foram rejeitados é algo totalmente arbitrário.

    Independentemente disso, por favor me responda: a sociedade foi formada antes ou depois da formação dos governos? Se a sociedade apareceu antes dos governos, isso não caracterizaria o vácuo de poder q vc está procurando?

    Por último, olhar somente para do passado para justificar imutabilidade futuro não seria uma contradição, visto que a História é, por definição, uma seqüência de mudanças?
  • Felipe  15/05/2010 20:49
    Bruno, isso só acontece se a sociedade governada por esse Estado assim o desejar. Imagine que vivemos numa sociedade anarcocapitalista e, de repente, alguém decide montar um governo porque acha que é o melhor a ser feito. A partir daí essa pessoa junta outras, monta uma ordem e então impõe a uma X sociedade a sua forma de pensar, o custeio do seu funcionamento etc.

    Essas pessoas simplesmente não precisarão e não irão aceitar isso. E, caso esse "governo" use de violência, as demais poderão contratar empresas de segurança para se defender e impedir essa nova ordem.

    E imaginando que todas as pessoas vivam melhor, se alcance o pleno emprego e se tenha o máximo de liberdades é muito difícil que uma maioria aceite a imposição dessa coerção.

    Ou seja, até poderia ocorrer de algumas pessoas interessadas em ter poder organizarem isso, porém não encontrariam recursos (financeiro, de pessoas,morais,legais) suficientes para executá-lo.

    Diferente do que ocorre hoje, onde essas pessoas encontram isso tranquilamente nos seus padrinhos políticos e com a ajuda de lobistas.
  • Bruno  15/05/2010 22:29
    "...Essas pessoas simplesmente não precisarão e não irão aceitar isso. E, caso esse "governo" use de violência, as demais poderão contratar empresas de segurança para se defender e impedir essa nova ordem..."

    A história te desmente. Seria a situação de guerra. Uns grupos lutando contra outros.

    Me explico melhor. Não necessariamente um grupo apenas tentaria ocupar o poder deixado vago. Pode ser vários.

    Veja que absurdo é sua proposta. O restante que quer se defender, contrata empresas de segurança. Que obviamente tem poder de fogo, OU SEJA DAR PODER DE FOGO A UMA ORGANIZAÇÃO QUE DIZ QUE VAI PROTEGER (eu já ouvi isso!!!). Se não há governo, nem algo que controle DE FATO essa organização, ora, porque não usar de coerção contra seus contratantes? O que impede? O poder real (poder de fogo) é da empresa.

    É como nas favelas. Estar protegido do traficante de outro morro não é liberdade quando o traficante do seu morro tem poder despótico.

    Para mim, o real desafio da humanidade é superar a violência.
  • Felipe  16/05/2010 11:42
    Bruno.

    Primeiro, obviamente todos gostariam de tomar o poder. Agora, numa sociedade sem Estado, não se quer ninguém exercendo um poder central de violência e coerção.

    Essa sociedade estaria experimentando uma grande prosperidade já que não teria mais um parasita tirando seu dinheiro para se sustentar e ditar o que é certo e o que é errado. Hoje nós vemos coisas tão absurdas como funcionários públicos que dão "carteiraço" para não pagarem uma refeição, para não serem barrados na alfândega, para terem atendimento preferencial, policiais que espancam e matam alguém que não os agradou. Apesar do afastamento, do raro processo que eles possam sofrer, essas situações continuam ocorrendo com a mesma e até maior frequência.

    Numa sociedade livre, se todos começassem a se sentir ameaçados por uma organização, poderiam comprar armas para se defender também. Agora, por exemplo, se há um maluco que compra uma bazuca e atira contra o seu vizinho, creio que não é legítimo que os demais queiram atirar nele também. Aí sim teríamos um cenário de guerra. Porém, nesse caso entram as regras de não agressão, do devido processo legal etc que a agência de justiça a que a pessoa esteja associada possa ter como norma.

    Me parece que a sua maior dúvida é justamente como organizar a Justiça numa sociedade livre. Ainda estou no começo dos estudos e tenho muitas dúvidas de como isso funcionaria. Por isso ainda me agarro ao minarquismo, mas não vejo como loucura o anarcocapitalismo.

    Não acredito que seja possível passar para uma sociedade anarcocapitalista diretamente sem grandes traumas. Acho que ela precisa passar pelo minarquismo.

    Mas dizer que viveríamos uma violência maior com proliferação de guerras é absurdo. Só se você toma como exemplo de sociedade livre as tribos africanas que se matam com flechas e paus até hoje.

    Ah e o exemplo dos traficantes não tem a ver com uma sociedade livre. Jamais se teria um poder despótico numa sociedade livre. Você só estaria sujeito àquilo que aceitou num contrato. As pessoas de maneira geral tenderiam a se associar a uma agência de Justiça que tem como norma o devido processo legal, a não agressão física. No caso do assassino que eu mencionei, se ele pertencesse a essa agência, seria punido de acordo com as normas que aceitou. Agora, quem gostaria de entrar numa agência que permitisse a agressão física? Essa pessoa poderia então matar alguém sem ser punida, do mesmo modo que poderia ser assassinada sem qualquer punição para o agente. Ela ficaria insegura.
    Creio que seria mais ou menos assim no anarcocapitalismo e muitas questões podem ser levantadas. Entretanto, não a de que viveríamos guerras por todo os lados. Até mesmo porque nada impede que isso ocorra hoje.

    É difícil debater por aqui, mas tentamos.

    Abraços,
    Felipe.
  • mcmoraes  18/05/2010 13:17
    Aproveito o ensejo dos 21 invictos deste artigo para disponibilizar um PDF com todos (ou quase todos, não tenho certeza se meu software foi capaz de buscar todos) os artigos e os respectivos comentários do IMB. Sei que a qualidade do PDF não é lá essas coisas (para ser franco ficou ruim mesmo e os conteúdos das tabelas ficaram praticamente incompreensíveis) e sei que o IMB seria capaz de fornecer facilmente algo muito melhor, mas já é alguma coisa para quem prefere ler bons textos em papel impresso. Não sei bem como o 4shared funciona, mas parece q o link tem uma validade de pelo menos 30 dias a partir de hoje.

    www.4shared.com/document/97nGwirb/mises-br.html
  • Roberto Chiocca  18/05/2010 15:48
    mcmoraes, vc pode tentar usar o zinepal, fica bem legal o resultado.
    Mas, para fazer um trabalho bem feito utilizando o zinepal o nosso site não ajuda muito, pois os artigos do blog não sao publicados, só os comentários, alguns artigos mais antigos nõa entram pois ainda não utilizavamos o RSS, e as letras dos titulos dos artigos que contém acentos não são reconhecidas, mas vale muito a pena dar uma olhada.
  • Carlos Alexandre  18/05/2010 18:36
    Bruno:\r
    \r
    \r
    existe vácuo de poder , sim. Veja o caso da Somália, que está sem estado há quase 20 anos, e vai muito bem, obrigado; é o país africano que mais cresce: o que você acha de um país da Africa com meros 4,6% de desemprego [ ou dito de outro modo, com 95 % de pessoas empregadas]? Você não devia ter faltado tantas aulas de História, caso contrário teria sabido que o estado é uma invenção relativamente recente na história da humanidade.
  • Bruno  18/05/2010 21:29
    Nossa Alexandre.

    Vai citar o desastre humanitário que é a Somália? Somente lembrada quando tropa de algum país entra lá e se envolve em combate?

    Outra. Como é que é? Estado é algo recente? Quer dizer que os antigos impérios Assírios, Egípcio, babilônico não era estado?
  • Tiago RC  19/05/2010 09:00
    A Somália tem uma tentativa governo central sim, desde 2006 - e desde então as coisas lá tem piorado, mais somalianos fugindo para a Arábia Saudita, mais gente passando necessidades, mais violência... a corte islâmica lá que julga decisões como essa aumentou radicalmente seu poder (as milícias que se opõem ao governo estão se centralizando sob esse grupo), entre outros problemas.

    Dizer que as coisas lá vão "bem, obrigado" é forçar a barra. Sim, o período que passaram sem governo central permitiu muitas melhorias (quem tiver curiosidade: en.wikipedia.org/wiki/Anarchy_in_Somalia), coisa que estatistas fazem questão de ignorar. Mas ainda assim, a qualidade de vida lá nunca foi digna de elogios.
  • Lia  25/05/2010 21:08
    A situação da Somália enquanto sem governo teve o detalhe vital de uma situação alarmantemente desfavorável pré existente.
    Uma população pobre de educação e experiência socioeconômica não é eficiente sob qualquer governo, então esperar que uma repentina descentralização de poder vá compensar por isso é inconcebível. O "anarquismo" na Somália pode ser considerado benéfico ou danoso não só analisando estatísticas comparativas, mas avaliando a capacidade daquele povo quando o poder caiu em suas mãos. Essa experiência não pôde amadurecer o bastante, nem mesmo uma geração, para poder se concluir sua eficácia de fato. Quinze anos talvez acomode o assentamento de um mercado livre, mas uma total reforma retificando problemas antigos de violêcia e sáude, vimos que, para essa população, necessita de mais tempo e entendimento.
    No passo, os setores que tiveram um desempenho claramento melhorado favorecem a alternativa sem governo, mostrando que mesmo um povo macerado e saturado de violência tem o instinto de se organizar.
  • Tiago RC  26/05/2010 11:01
    Perfeito Lia, ótimo comentário. Não se pode desconsiderar o tempo em nenhuma análise.
  • AndrÃf©  06/10/2010 20:04
    (o post anterior saiu com alguns erros, se for possível apagá-lo, agradeço)\r
    Se os tributos fossem opcionais, os pagamentos viriam apenas daqueles que desejassem manter o Estado (e usufruir de seus serviços, ou seja, necessariamente os serviços, todos, teriam de ser abertos à iniciativa privada, estabelecendo uma possível competição). Se deseja ser julgado por juízes privados, acabar com ações penais de iniciativa pública, usufruir de serviços os quais não tenham o dedo do Estado e não se submeter às leis produzidas por políticos estatais, isto seria possível (e o inverso também). \r
    Para tal, me ocorreu, inicialmente, que seria necessário estabelecer: a) um mecanismo de comunicação entre esses setores (exemplo: entre juízes estatais e privados) para ver se chegam a um acordo (sobre, por exemplo, a sentença, respeitando, ao menos no caso do juiz privado, a vontade da parte de haver ou não um acordo); b) um mecanismo que, se aceito pelas partes (ao menos quanto à parte que optou por um juiz privado) e fiscalizado tanto pelo Estado quanto pela iniciativa privada, escolhe, aleatoriamente, qual dos dois modelos seria o responsável (no exemplo, pelo julgamento); c) possibilidade de separação territorial no caso de ser impossível uma existência harmônica (entre àqueles que preferem usufruir de um não-estado daqueles que preferem a existência do Estado; isto não significa que tal "existência harmônica" não possa ser perseguida, sendo desejável; notei, também, que alguns posts gostam de comparar qualquer coisa com nazismo/comunismo, e, antes que o façam, não, não se trata de uma segregação territorial do tipo "campo de extermínio" ou "muro de berlim"). Me parece que é uma opção a luta contra a existência do Estado (excluindo àqueles que preferem manter a sua existência). \r
    Alguém poderia dizer: sim, mas a mera existência do Estado já significa prejuízo - o seu caráter centralizador tentará prejudicar seus concorrentes, o seu caráter despótico tentará "convencer" as demais pessoas a pagarem tributos, assim como porções de terra seriam divididas desigualmente e o uso da força, por parte do Estado, seria constante (enfim: o Estado nunca adotaria este modelo - a não ser que ele não tivesse escolha; "me aponte um lugar onde este tipo de Estado aconteceu"). Sobretudo, acredito que a argumentação inversa também é possível: empresários tentando prejudicar o Estado, convencimento das demais pessoas a não pagarem tributos, terras, forças policiais e juízes (do lado Estatal) tentando ser "comprados" (pela parte anti-Estado). Parece-me, então, que este modelo (de "concessões"), além de ser mais fácil do que "aniquilar" o Estado ("me aponte um lugar atual onde a idéia de Rothbard/Mises/Friedman é completamente realizada") também respeita a vontade daqueles que desejam manter o Estado (e vocês poderiam dizer: "manter o Estado vivo será prejudicial a nós!", ao passo em que essas outras pessoas poderiam dizer: "aniquilar o Estado será prejudicial a nós!"; a não ser que alguém mude de opinião ou que algum modelo seja imposto, como o que ocorre hoje - e acredito que isto não seja o "ideal" - não faz tanto sentido optar por este tipo de argumento; há o argumento, também, que me parece um tanto marxista/paternalista, de: "essas pessoas que desejam manter o Estado são ignorantes ou incapazes de ver a verdade ou ainda não foram apresentadas a ela"). \r
    Apenas para adiantar, este post não possui um caráter "pró-Estado" e o defenderei daqueles que tentaram assim enquadrá-lo.
  • André  07/10/2010 12:29
    corrigindo: "(NÃO excluindo àqueles que preferem manter a sua existência)." e "tentarem"
  • Paulo Sergio  10/12/2011 09:58
    Agora eu fico pensando, se num país as pessoas resolvessem se defender sozinhas, como é que alguém ia ser, sei lá, médico, engenheiro e nas horas vagas um soldado amador em vez de se dedicar a uma coisa só? Porque querendo fazer tudo ele não faz bem feito nenhum dos dois, só se for um gênio.
    Fora que a guerra hoje é quase coisa de videogame, o soldado fica lá escondido no abrigo controlando o drone que fica voando e mata o cara sem ele nem ver o bixo.
  • Marc...  14/12/2011 05:38
    Paulo Sérgio,
    Ninguém seria obrigado a trabalhar na segurança, seríamos livres para nos defender ou para contratar voluntariamente alguém (ou empresa, entidade etc) para nos defender.
    A partir do momento que fôssemos livres para escolher, selecionaríamos aqueles que acreditamos ser melhores e os piores ficariam sem mercado e iriam falir (os ruins, incopetentes etc saem de cena, e sua capacidade produtiva será realocada onde possam produzir algo realmente útil para a sociedade).
    Você que fabrica ou produz pessoalmente o seu alimento, roupa ou qualquer bem ofertado pelo mercado? Ou você escolhe aquele que considera melhor? Mas você é livre para fazer você mesmo caso não queira o que o mercado produz.
    Assim precisamos ser livres para nos proteger também!
    Precisamos ser livres, tudo é mercado, justiça e segurança é mercado, não pode ser certo aquilo que apenas alguns privilegiados (políticos) consideram correto!

    Quem disse que o estado quer te proteger? Quando você estudar o suficiente saberá que ele quer te escravizar cada vez mais!
  • Oziel JOse  13/02/2013 19:38
    Me desculpem, mas argumentos repetidos aqui diversas vezes como: Você precisa estudar mais ou você não sabe de economia, são, na minha opinião, contra-producentes, pois afirmar sem sombra de dúvida que uma sociedade libertária seria um sucesso, é no mínimo um desejo e não uma questão lógica que se apoia em fatos. O problema é que fica parecendo que só existem dois caminhos ou comunismo ou anarco-capitalismo e quanto a isso eu discordo. Acredito piamente que uma sociedade democrática tende ao socialismo, CASO se permita que o governo atue de maneira indiscriminada, pois o estado deve ser o menor possível e onde for possível sair de cena cada vez mais, no entanto desaparecer completamente não acho uma solução cabível. Claro que posso estar errado, mas acredito que ninguém saiba tudo que se possa saber, ou voltamos a um grupo de pessoas que se julgam donos da informação...
  • Adonias Schwartz  18/02/2014 15:01
    "A sociedade não pode passar sem o aparato do estado. É esta a função que a doutrina liberal atribui ao estado: a proteção à propriedade, a liberdade e a paz. [Contudo] o liberalismo procura eliminar o ferrão que se interpõe nas relações do governo com o cidadão. O Liberalismo não é anarquismo, nem tem, absolutamente, nada a ver com anarquismo" (Ludwig von Mises).
  • Endireitador  18/02/2014 15:13
    A circunstância de se ver obrigado a pertencer a um estado, contra a própria vontade, por meio de uma votação, não é menos penosa do que a circunstância de se ver obrigado a pertencer a esse estado em razão de uma conquista militar (Liberalismo — Segundo a tradição clássica, p.137).

    O direito à autodeterminação, no que tange à questão da filiação a um estado, significa o seguinte, portanto: quando os habitantes de um determinado território (seja uma simples vila, todo um distrito, ou uma série de distritos adjacentes) fizerem saber, por meio de um plebiscito livremente conduzido, que não mais desejam permanecer ligados ao estado a que pertencem, mas desejam formar um estado independente ou tornar-se parte de algum outro estado, seus anseios devem ser respeitados e cumpridos. Este é o único meio possível e efetivo de evitar revoluções e guerras civis e internacionais. (Liberalismo — Segundo a tradição clássica, p. 128)

    O direito à autodeterminação de que falamos não é o direito à autodeterminação das nações, mas, antes, o direito à autodeterminação dos habitantes de todo o território que tenha tamanho suficiente para formar uma unidade administrativa independente. Se, de algum modo, fosse possível conceder esse direito de autodeterminação a toda pessoa individualmente, isso teria de ser feito. (Liberalismo — Segundo a tradição clássica, p.129)


    Trechos de uma entrevista concedida por Hans-Hermann Hoppe:

    "Mises pensava ser necessário ter uma instituição que reprimisse e subjugasse aquelas pessoas que não se comportassem apropriadamente em uma sociedade, pessoas que representassem um risco porque roubam e matam. Ele rotulou essa instituição de governo.

    Mas ele tinha uma ideia muito singular sobre como o governo deveria funcionar. Para restringir seu poder, cada grupo ou indivíduo, se possível, deveria ter o direito de se separar do território do estado caso não concordasse com suas políticas. Ele rotulou isso de 'direito de autodeterminação'. Mas não a autodeterminação de nações, como prega a Liga das Nações, mas sim a de vilarejos, distritos e grupos de qualquer tamanho.

    Em "Liberalismo — Segundo a tradição clássica" e "Nation, State, and Economy", ele eleva a secessão a um status de princípio central do liberalismo clássico. Se fosse possível conceder este direito de autodeterminação a cada indivíduo, disse Mises, isso teria de ser feito. Por conseguinte, o estado democrático se torna, para Mises, uma organização voluntária.

    Em um certo sentido, você pode dizer que Mises era praticamente um anarquista. Se ele se conteve e não expandiu sua lógica até o fim — isto é, se ele não chegou a afirmar explicitamente o direito à secessão individual —, foi apenas por ele considerar tal questão como sendo puramente técnica."


    Sobre as críticas de Mises ao anarquismo:

    "O alvo de Mises eram os utópicos de esquerda, os anarco-comunistas ou anarco-sindicalistas. Em sua época, o termo anarquismo remetia exclusivamente a este grupo. O termo anarcocapitalismo ainda não havia sido cunhado (só o foi em meados da década de 1970).

    Mises atacava a teoria deles de que o homem é um ser intrinsecamente benevolente e que, por isso, não seria necessária uma defesa organizada contra os inimigos da civilização. Porém, não é nisso que o anarquista defensor incondicional da propriedade privada acredita. É claro que assassinos e ladrões existem. É necessário haver uma instituição que mantenha tais pessoas acuadas. Mises chamava essa instituição de governo, ao passo que as pessoas que não querem estado nenhum afirmam que todos os essenciais serviços de defesa podem ser mais bem efetuados por empresas no mercado. Quem quiser chamar estas empresas de governo, porque acha que assim se sentirá melhor, está livre para isso.
  • anônimo  29/05/2014 20:41
    'Em um certo sentido, você pode dizer que Mises era praticamente um anarquista. Se ele se conteve e não expandiu sua lógica até o fim — isto é, se ele não chegou a afirmar explicitamente o direito à secessão individual —, foi apenas por ele considerar tal questão como sendo puramente técnica."'

    Na verdade esse é um absurdo do ponto de vista prático.Você quer ser seu estado sozinho? Na teoria, beleza, na prática é uma coisa idiota.Até os estados pequenos vivem sofrendo nas mãos dos grandes e poderosos.
  • Emerson Luis, um Psicologo  29/05/2014 14:39

    Muito bom. Observação: o ponto nº 7 pode ser usado como argumento para um governo mundial.

    * * *


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