clube   |   doar   |   idiomas
O mito da armadilha da liquidez


Já que há preocupações de que o risco da malaise econômica japonesa se espalhe para os EUA e para outros países, alguns comentaristas têm tentado revitalizar a velha idéia keynesiana da "armadilha da liquidez."[1] Apesar do fato de que a idéia em si vem da análise da IS-LM feita por J.R. Hicks, a idéia básica vem de J.M. Keynes.[2] Na verdade, o Japão nunca esteve em tal armadilha nos anos pós-1990. Toda a idéia da armadilha é gravemente defeituosa.

De acordo com Keynes, a relação entre investimento e Eficiência Marginal do Capital (EMC) é negativa. Keynes escreveu que, "Para induzir novos investimentos, 'a taxa de retorno sobre o custo deve exceder a taxa de juros'," referindo-se às palavras de Irving Fisher que "usa sua 'taxa de retorno sobre custos' no mesmo sentido e para precisamente o mesmo propósito que eu uso 'a eficiência marginal do capital'."[3]

Assim, já que a diferença entre o retorno e os custos constitui o lucro, Keynes estava basicamente dizendo que para induzir novos investimentos, a taxa de lucro deve exceder a taxa de juros. Mas assim que o investimento aumenta, quaisquer outras oportunidades de investimentos lucrativos são exauridas. Isso significa que a taxa de lucro (EMC) cai e se aproxima da taxa de juros. E assim que ela se aproxima da taxa de juros, os empresários vão parar de investir. Isso se segue da idéia da preferência pela liquidez de Keynes:

"A taxa de juros a qualquer momento, sendo ela a recompensa por se abrir mão da liquidez, é uma medida da relutância daqueles que possuem dinheiro em se desfazer de seu controle líquido sobre ele. A taxa de juros não é o "preço" que equilibra a demanda por recursos para investir com a prontidão para se abster do consumo presente. Ela é, isso sim, o 'preço' que equilibra o desejo de manter riqueza na forma de dinheiro com a quantidade disponível de dinheiro". [4]

E já que os investidores estarão indiferentes entre entesourar o dinheiro e investir, o investimento entra em colapso. De acordo com essas idéias keynesianas, se por alguma razão o investimento, a produção, e o nível de emprego caírem, deve-se chamar o governo para intervir e baixar as taxas de juros. Alternativamente, o governo poderia imprimir dinheiro, já que "[a] expectativa de uma queda no valor do dinheiro estimula o investimento."[5] Também, medidas fiscais como corte de impostos e gastos públicos deficitários são recomendadas, sendo a última preferível devido a um maior efeito multiplicador.

A idéia que Keynes propôs era a de que a relação entre lucros e investimento era negativa. Hicks, quando criou a estrutura da IS-LM, se apoiou nessa idéia. Dentro dessa estrutura, a curva IS representa a relação negativa entre a taxa de lucros e o nível de investimento - relação essa sobre a qual Keynes escreveu.[6] E como o investimento determina o produto, essa relação negativa acaba se transformando em uma relação negativa entre a taxa de lucro e o nível do produto. E em um estilo quase marxista, a relação entre produto e emprego é de 1 pra 1. A armadilha da liquidez ocorreria quando a curva LM, da estrutura IS-LM, fosse horizontal, fazendo com que qualquer intervenção do governo no mercado financeiro seja inútil. Assim, o governo simplesmente não poderia salvar a economia de si mesma, estando ela presa a uma armadilha.

Desse modo, quando alguns comentaristas trazem a idéia de armadilha da liquidez como uma explicação para os problemas japoneses de 1990 em diante, eles estão implicitamente assumindo que há uma relação negativa entre taxa de lucro e investimento. De acordo com essa visão, quando o investimento aumenta, o lucro cai, e quando o investimento cai, o lucro aumenta. Vejamos se essa relação se sustenta para o Japão no período de 1990-2001.

A figura 1 mostra a taxa de lucro - tanto a atual quanto a prevista -, e as mudanças no volume de lucros operados no Japão entre 1990 e 2001 (eixo da esquerda). A figura também mostra as mudanças percentuais no investimento líquido para o mesmo período (eixo da direita). Como a figura revela, a relação está longe de ser negativa. Ao contrário, os dados revelam que a relação é positiva. Quando o investimento cai, o lucro cai, e quando o investimento aumenta, o lucro também aumenta.

Figura 1 - "A taxa de lucro, tanto atual quanto prevista, e as mudanças no volume de lucros operados (eixo da esquerda) vs. as mudanças no investimento líquido (eixo da direita); Japão 1991 - 2000.

                                  liquidity.gif

Fontes: The Bank of Japan Tankan: Short-term Economic Survey of Enterprises in Japan (taxa de lucro) e o Economic and Social Research Institute (investimento líquido e volume de lucros operados).

A evidência é conclusiva: o Japão não foi pego em uma armadilha da liquidez.[7]. Além disso, já que a relação foi positiva ao invés de negativa - nesse que é tido como um exemplo didático da armadilha da liquidez -, claramente refutando a idéia da armadilha em si, a evidência deveria encerrar toda a discussão a respeito do risco de a armadilha se espalhar para os EUA e para outros países. Mais ainda: o fato de que a relação foi positiva ao invés de negativa, insinuando que as curvas da EMC e IS deveriam geralmente ter inclinação positiva ao invés de negativa, faz com que os fundamentos das análises keynesianas e hicksianas da IS-LM fiquem abaladas ou até mesmo em colapso.

Reisman (1996, Cap.18) fornece um argumento plausível para a relação positiva entre lucros e investimentos, dizendo que a relação é de quase 1 pra 1 em termos de dólar. Isso ocorre já que o lucro é a diferença entre receita de vendas e custos, ao passo que investimento líquido é a diferença entre gasto produtivo e custos (gasto produtivo é o gasto em bens e trabalho feito pelo empresariado). Sob circunstâncias normais, receita de vendas e gasto produtivo variam quase que da mesma maneira, resultando em uma relação positiva.[8]

As suposições irrealistas da análise da IS-LM ajudam a explicar por que Krugman (1998b) teve problemas ao aplicar a armadilha da liquidez para o Japão. Por exemplo, no eixo horizontal ele troca investimento por consumo, o que é exatamente o oposto de investimento. De certa maneira, isso pode ser visto como uma indicação do fato de que Krugman também percebeu que as idéias keynesianas precisam de uma séria revisão (mas talvez de uma maneira diferente da sugerida por Krugman).

É bastante lamentável que as idéias keynesianas tenham dominado as políticas monetárias e fiscais perseguidas pelo Japão durante esse período estudado, incluindo corte de juros até zero, sérias injeções monetárias e variadas medidas fiscais. Não deve ser nenhuma surpresa para o leitor o fato de que essas medidas falharam completamente. Mas como argumentei em um relatório recente (Johnsson 2003), essas medidas keynesianas não apenas foram ineficientes, e não apenas pioraram as coisas, mas também conseguiram reverter um desenvolvimento favorável ocorrido em meados dos anos 1990. O resultado final dessas políticas keynesianas monetárias e fiscais foi gerar exatamente a situação terrível que se pensava estar combatendo!

As medidas políticas keynesianas também não irão funcionar no futuro, apesar dos conselhos de Neo-Keynesianos como o ganhador do Nobel e ex-economista chefe do Banco Mundial Joseph Stiglitz ou o popular economista Paul Krugman.[9] Keynes escreveu no prefácio da sua Teoria Geral que "eu não posso atingir meu objetivo de persuadir economistas a re-examinar criticamente certas de suas suposições básicas, exceto através de um argumento altamente abstrato e de muita controvérsia."

Ele finaliza o mesmo prefácio dizendo que "a dificuldade está, não nas novas idéias, mas em fugir das antigas." Talvez essas palavras tenham adquirido um novo sentido, dessa vez significando que são das próprias idéias de Keynes que temos que escapar. Ou como Reisman (1996) coloca: "A análise keynesiana está tão errada que está além da redenção. A única e fundamental modificação necessária é seu abandono total."

________________________

Referências:

Hazlitt, H. (1960). The Critics of Keynesian Economics, (ed). Princeton, N.J., 1960.

Hicks, J. R. (1937). "Mr. Keynes and the Classics: A suggested simplification." Econometrica.

Johnsson, R. (2003). "Deflation - "Some Classical Lessons." Working Paper No. 23, The Ratio Institute, 2003. Available at http://swopec.hhs.se/ratioi/.

Keynes, J.M. (1936). The General Theory of Employment, Interest and Money. New York: Harcourt, Brace.

Krugman, P. (2003). "No Relief in Sight. " New York Times, 2.28.03

". (2001). "After The Horror." New York Times, 9.14.01.

". (1998a). Why Aren't We All Keynesians Yet?" 8/3/98. Available at (http://www.pkarchive.org/theory/keynes.html)

". (1998b). "Japan's trap." May 1998.

Lahart, J. (2003). Trapped like Japan?, CNN/Money Senior Writer, May 9, 2003.

Reisman, G. (1996). Capitalism: A Treatise on Economics. Jameson Books, Ottawa, Illinois.

Reuters. (2003). Weaker yen may help Japan deflation fight-Stiglitz, April 14, 2003.

———————————

[1] Ver Lahart (2003) e também Krugman (1998b).

[2] Ver Keynes (1936) e Hicks (1937).

[3] Keynes (1936), Capítulo 11, II.

[4] Keynes (1936), Capítulo 13, II.

[5] Keynes (1936), Capítulo 11, III.

[6] Há algumas grandes modificações, como o fato de que Hicks (1937) considera o investimento como dependente de uma única taxa de juros/taxa de lucro. A curva IS não é na realidade uma curva, mas sim um local de equilíbrio, onde a demanda encontra a oferta. Mas a idéia básica ainda é a mesma de Keynes.

[7] Como mostrado em Johnsson (2003), não faz diferença se, ao invés desse método, alguém comparar a taxa de lucro ao Produto Interno Bruto, ou mesmo ao Investimento Bruto ou à Receita Interna Bruta, de acordo com a estrutura de Reisman (1996).

[8] E foi esse argumento que incitou este autor a investigar a situação do Japão. Veja também Hazlitt (1960) para mais críticas das idéias keynesianas.

[9] De acordo com a Reuters (2003), Stiglitz no mesmo dia disse que "o governo japonês poderia estimular a demanda doméstica imprimindo dinheiro, de forma similar ao papel do tesouro americano". Isto é, acima da impressão monetária conduzida pelo Banco do Japão. De acordo com Krugman (1998a, 2001 and 2003), o problema é o baixíssimo nível de gastos, independente do tipo - de tal forma que os gastos combinados com a destruição de arranha-céus ou até mesmo guerras é bom para a economia.


autor

Richard C.B. Johnsson
ttrabalha no The Ratio Institute em Estocolmo, Suécia. Ele conquistou seu Ph.D. em economia em Março de 2003 na Universidade de Uppsala, Suécia, após defender com êxito uma tese que a incluía a construção e a aplicação de um modelo de Equilíbrio Geral Computável (EGC).

Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque

  • Ubiratan Iorio  10/02/2012 15:16
    Bom artigo. Desmitifica a falácia de Keynes.
  • Pedro Ivo  21/07/2012 11:02
    Só desejo comentar uma coisinha que me deixa alegre:

    lendo este artigo, vi que foi a 68ª postagem do instituto, em idos de 2008. Nesta época ainda havia aqui tão poucos artigos postados, que talvez, se eu houvesse descoberto o instituto Mises naquela época, teria achado (por falta de material de consulta, afinal, quando o descobri em 2011, já eram tantos artigo, uns linkando aos outros, de modo que pude satisfazer minhas dúvidas quase) que era só + um grupo de palpiteiros (gosto de pensar que eu teria sido + esperto que isto, mas tenho minhas dúvidas).

    Este artigo me fez lembrar que, outro dia, uma das pessoas que sempre vejo com o nome nos comentários, desabafava mui condoído sobre o estado de lastimável penúria conceitual do nosso debate público, de nossa imprensa, universidades, etc.. Ele dizia não ver saída (e, embora ele não haja dito isto, penso que por trás de seu desabafo havia outra coisa: ele se sentia péssimo porque, leitor do Instituto von Mises que era, nem + o privilégio da ignorância ele tinha. E se via obrigado a assistir à tudo, consciente do todo por trás, e da própria impotência ainda +).

    Este artigo também me fez lembrar de um advogado que sempre fazia longos comentários aos artigos, sempre discordantes e pró-estado. Depois de um tempo ele desapareceu (um tal Alan). Certa vez ele nos acusou de fracassados: como o mundo era oposto às nossas ideias, nós estaríamos nos escondendo dele aqui no Instituto; e chamava atenção para o fato de que nossas discussões eram inúteis exatamente porque não encontram eco neste mesmo mundo (típico de fascistas que não toleram a violação de seu corporativismo. Viu que não + detém a capacidade de centralizar a informação e manipular a educação, e parte para ataques pessoais. Quem vê assim nós precisamos de unanimidade, ou não temos direito de discordar. Curioso o Jeffrey Tucker ter falado exatamente sobre isto hoje mesmo: a arrogância de quem não acha precisar justificar o que pensa porque pode coagir).

    Notem que só o professor Iorio o comentou o presente artigo à época, e que eu sou apenas o 2º a comentar em + de 4 anos. Mas, quando comecei a ler aqui em 2011, era raro um artigo chegar na casa de 30 comentários (alguns passavam em branco). Hoje é raro não superarem a casa das 30 postagens.

    Digo isto para ressaltar que, sem ter acesso aos dados de visitas diárias ao site, ainda sim sei que ele está ganhando repercussão e massa crítica. Sei que vocês estão fazendo a diferença, e, quem sabe, ate nós leitores. Posso dizer que ao menos 4 pessoas leem este sítio por minha recomendação (e já o recomendei a bem umas 40) regularmente.

    Também sei que as pessoas que aqui entravam para atacar as ideias apresentadas vão pouco a pouco desistindo. Simplesmente se retiram (quanto a nós fracassados-segundo-Alan, permanecemos aqui, pensando, lendo, debatendo, partilhando. Nós somos minoria e não recuamo. Eles são maioria e se ressentem de não serem legitimados e se retiram. Uma retirada nada tática nem nada estratégica).

    Sei ainda que este sítio fez diferença para mim. Tenho certeza que as questões colocadas aqui fizeram de mim alguém melhor como ser humano. Mais cônscio, menos sujeito a ilusões, e mais preparado a enfrentar a "incerteza genuína" da vida como um todo (que dirá do mercado). Recentemente, comparando um teste de personalidade que fiz a um mês, com outro de dois anos atrás, vi que minha própria personalidade mudou profundamente (tudo consequência do municiamento conceitual que este sítio me proporcionou. Alterou minha visão de mundo, de mim mesmo, e de mim mesmo no mundo. Isto não é pouco!).

    Também sei que fez diferença para minha mãe. Ela gosta cada vez mais. Ela lê o que recomendo a ela, e já lê também o que a interessa (ela se formou em economia na década de 1970, e à época já achou o curso um lixo. Hoje em dia então...). E acho que fará diferença para cada vez + gente.

    Acho ainda que poucas são as pessoas como o professor Iorio, que já maduras, são capazes de rever aquilo que pensaram e defenderam nas décadas anteriores, alterando totalmente seu rumo. Isto requer + do que honestidade intelectual; requer autenticidade emocional, pois é chamar a si mesmo de ingênuo na fase de desenvolvimento que alicerçou quem somos agora. Logo, poucas pessoas que são referência agora vão nos dar ouvidos; ou a cara a tapa à própria consciência. Mas este instituto é uma semente plantada para as décadas por vir. Por isto não desanimem. Persistam. É num mundo influenciado por nós, seus leitores, nas próximas 3 décadas, que esta semente vai mostrar seu valor.

    A diferença já está sendo obtida agora: + gente lendo, + opositores debandando; + gente comentando, partilhando suas dúvidas e suas experiências, tentando contribuir, avançar e aprender. A semente da liberdade já germinou, mas agora tem de ser cuidada (por isto, Hélio, Leandro e irmãos Chiocca, não desistam deste instituto. Vocês precisarão mantê-lo no ar por anos antes de uma repercussão vigorosa!).

    Por isto, a todos que as vezes desanimam e se sentem sem esperanças, quero lembrar àquilo que Jörg Guido Hülsmann nos disse em O legado cultural e espiritual da inflação monetária. Ele nos mostrou que a inflação destruiu esperanças, poupanças, carreiras, famílias, e a própria fé das pessoas (seja em si mesmas, seja nos outros, seja em seu D'us; seja em sua história pessoal, nacional e familiar). Tirou delas sua liberdade, autoconfiança, auto-imagem, autonomia. Fê-las desistir de seus sonhos; optar por carreiras que não amam (pois a inflação atinge aos preços relativamente: distorce a todos, uns mais outros menos, desvalorizando carreiras e superdimensionando outras), entrarem em desespero (e durante o desespero, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Nas famílias, sobre os filhos. Nas empresas, sobre os mais humildes. No país, sobre os pobres. Na academia, sobre os não-demagogos).

    Bem, se a inflação conduz ao desespero, o liberalismo reforça os laços de interdependência voluntária e pacífica pela divisão do trabalho. Reforça à autoconfiança, auto-imagem e autonomia pela ênfase nos conceitos de responsabilidade pessoal, lei entre as partes, trabalho, poupança, providência, diligência, industriosidade, criatividade e parcimônia. Mostra que boa parte de nossos fracassos não se devem a nós, mas à destruição de capital, por parte do estado, nas ultimas 5 décadas (e que portanto, somos melhores, + fortes, + resistentes e + pungentes do que éramos capazes de suspeitar. Que nossos sonhos nem eram tolos nem ingênuos, mas uma semente frágil que nem sempre pudemos amparar frente ao tufão árido de intervenção e coerção que foi lançado sobre ele. E que, frente a todas essas ingerências, ainda conseguimos sobreviver, prosperar, vicejar, educar nossas famílias, resistir ao assalto à nossos valores e mantermos nossa integridade. Devemos sentir compaixão e amor por todos aqueles que tombaram, mas também júbilo pelo fato de que a gran maioria não sucumbiu ao desespero). E nos capacita, com amparo conceitual e recursos metodológicos, a resistir à esta horda bárbara que assalta aos portões de nossas cidades e vilas, convicções e valores, individualidade e família, privacidade e denodos; fé e espiritualidade, seja esta crente ou herética.

    Este é o legado do liberalismo e deste Instituto: responsabilidade e autoconfiança.

    Todos devemos muita gratidão a vocês.
  • Leandro  21/07/2012 12:01
    Muito obrigado pelo depoimento, Pedro Ivo. Foi-nos uma grande inspiração. Continue nos divulgando, por gentileza.

    Grande abraço!
  • Patrick de Lima Lopes  21/07/2012 13:30
    Foi uma bela postagem.
    Obrigado.
  • Peterson Mota  21/07/2012 19:11
    Onde é que eu assino Pedro Ivo?
  • Pedro Ivo  22/07/2012 09:33
    acabou de assinar Peterson.
  • Nairon Taquita  10/09/2017 14:23
    Me sinto da mesmo forma.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  23/06/2013 16:00
    O pensamento de Keynes é altamente arbitrário e contraditório. Advogar a gastança irresponsável(mesmo se fosse efetuada pelo setor privado) é de um nível de barbarismo econômico só comparável ao marxismo.
  • Emerson Luis, um Psicologo  28/08/2013 14:36
    Quando os fatos não se encaixam com as previsões feitas a partir das teorias, devemos negar os fatos ou rever a teoria?

    * * *
  • Pedro Morais  11/10/2015 22:16
    Leandro,poderia me explicar sobre a mecânica das análises do modelos IS-LM;como analisar essas curvas?
    Poderia,também, me dizer como contra argumentar a ideia de que "a economia esta em recessão porque há baixo consumo,o consumo é a mola- mestra da economia.

    obrigado!!!!!!!!!!!!!
  • Leandro  12/10/2015 14:17
    Crises, recessões e capacidade ociosa não são um problema de baixa demanda agregada. Crises, recessões e capacidade ociosa são causadas por uma expansão de crédito que, de um lado, endivida as pessoas (afetando, aí sim, sua capacidade futura de consumo) e elevam os preços, e de outro, geram vários investimentos errôneos e insustentáveis (em decorrência da distorção das taxas de juros) para os quais nunca houve demanda legítima.

    Não se trata de um problema de demanda agregada, mas sim de um problema de capital que foi desviado para aplicações que não eram genuinamente demandadas pelo público.

    Sendo assim, de nada adianta os governos incorrerem em déficits, aumentar os gastos e imprimir mais dinheiro, imaginando que tudo magicamente seria resolvido.

    O fato é que recursos escassos foram aplicados em investimentos para os quais não havia demanda. Este capital se encontra agora destruído (ou com um valor extremamente reduzido). A recessão nada mais é do que o período de reajuste desta estrutura de produção que foi distorcida pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros.

    Portanto, para acabar com uma recessão, é preciso fazer com que este capital mal investido seja liquidado e que os investimentos sejam voltados para áreas em que haja genuína demanda dos consumidores.

    O governo fazer políticas que estimulem a demanda agregada, de modo a não permitir que haja essa reestruturação do capital, irá apenas prolongar a recessão. O governo incorrer em déficits irá apenas retirar poupança do setor privado, justamente em um momento em que ele mais necessita dela.

    Ou seja, keynesianos partem do princípio de que recessão e capacidade ociosa decorrem simplesmente de uma redução na demanda, e não de investimentos errôneos (para os quais não havia a demanda esperada) gerados pela expansão do crédito e pela manipulação dos juros efetuados pelo Banco Central.

    A razão pela qual há tantos recursos que repentinamente se tornaram ociosos é porque houve algum erro anterior de cálculo. Os empreendedores incorretamente imaginaram que havia uma demanda maior do que a que de fato existia, e isso os levou a fazer investimentos errôneos -- a saber, a expansão de sua capacidade instalada.

    Vou dar um exemplo básico:

    Imagine que a cidade de Teresina tenha sido escolhida a cidade-sede das Olimpíadas de 2016. Nesse cenário, imagine o dono de um restaurante da capital piauiense que, imediatamente após a chegada das delegações e dos jornalistas, vivencie um aumento sem precedentes na demanda por seus serviços.

    Esse dono de restaurante terá duas opções: ou ele mantém seus serviços no mesmo nível ou ele faz investimentos.

    Entretanto, suponha que esse dono de restaurante interprete mal esse aumento momentâneo da sua demanda e passe a acreditar que se trata de um aumento real e sustentável da mesma. Com isso, ele contrai vários empréstimos e faz investimentos vultosos em seu restaurante, contratando mais mão-de-obra, ampliando seus recintos, sua capacidade instalada (comprando mais fogões, pratos, talheres, geladeiras e churrasqueiras) e até mesmo abrindo um novo restaurante.

    O que vai acontecer assim que as olimpíadas acabarem e todas as delegações e jornalistas forem embora? Ora, acontecerá o óbvio: esse dono de restaurante ficará com recursos ociosos. Com vários empregados sem nada para fazer e um segundo restaurante totalmente vazio.

    E então? Será que o governo deveria "estimular" esses recursos, despejando dinheiro ali para tentar manter o nível anterior de atividade? Será que o governo deveria passar a comprar ativamente a comida desse restaurante, apenas para mantê-lo funcionando em plena capacidade? Isso seria um uso inteligente dos recursos? Ou seria um mero desperdício de recursos?

    Lembre-se de que essa mão-de-obra e todos esses recursos sequer deveriam ter sido alocados dessa maneira, em primeiro lugar. Portanto, esse restaurante está segurando mão-de-obra e capital que poderiam estar sendo mais eficientemente utilizados em outros setores da economia.

    A única medida correta seria deixar o mercado, sempre guiado pelo sistema de preços, realocar esses fatores da maneira mais racional possível.

    Logo, o problema não é apenas a falta de "demanda" ou de "gastos". Tampouco é economicamente sensato dizer que o governo deve preencher a "baixa demanda". O problema foi que, na esteira da farra do crédito fácil e dos subsídios, houve uma má alocação de recursos, um desequilíbrio estrutural, um descompasso entre a estrutura do capital e a demanda do consumidor.


    Quanto à IS-LM, lamento, mas não há a mínima chance de eu perder meu tempo falando sobre essa nulidade aqui. O verbete da Wikipedia, no entanto, é bem acurado.
  • Gustavo  12/10/2015 16:26
    Leandro, há alguma diferença entre "sobreinvestimento" e "mal investimento"? São conceitos sinônimos?
  • anônimo  02/06/2018 01:23
    Quando a Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental foram reunificadas em 1990, e o governo da Alemanha Ocidental aceitou a imposição de que ela tinha obrigação de tentar elevar os padrões de vida na parte oriental da Alemanha rapidamente. Isso exigiu um aumento imediato do gasto público destinado à infra-estrutura da Alemanha Oriental e às transferências para os residentes da antiga Alemanha Oriental."


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.