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A calamitosa situação espanhola - e suas lições para o Brasil

Ao passo que muita atenção tem sido dispensada à tragédia grega, é a tragédia espanhola que deveria ser analisada com mais atenção pelos brasileiros, e por um simples motivo: o que aconteceu por lá é mais fácil de se repetir por aqui. 

Mas antes, uma palavrinha sobre a Grécia.

A tragédia grega é resultado único da incompetência administrativa de seu governo.  Enquanto o mundo vivia seu período glorioso de expansão monetária (2003-2007), o governo grego aproveitou essa bonança para aumentar os gastos, inchar o funcionalismo e a folha de pagamento.  E fez tudo isso sem precisar aumentar impostos.  Como foi possível?  Como o crédito vinha de fora, e era abundante e barato, o governo percebeu que era mais vantajoso se endividar (ao invés de tributar) para aumentar os gastos — e, depois, apenas rolar a dívida, pagando juros bastante camaradas. 

É lógico que tal arranjo grego seria insustentável no longo prazo, mesmo que os juros continuassem baixos.  É como se você fosse a um restaurante e, ao invés de pagar a conta inteira, pagasse só a metade, e prometesse pagar o resto e mais juros no dia seguinte.  Porém, quando chegasse o dia seguinte, você faria um acordo com o dono do restaurante e, novamente, pagaria apenas a metade da conta daquele dia e empurraria todo o resto acumulado para o dia seguinte.  E assim você iria fazendo todos os dias.  Quando chegasse o fim do mês, o dono, desconfiado de que você iria dar o calote, simplesmente lhe apresentaria a conta total, com principal e juros acumulados, e exigiria o pagamento, não dando chances para mais rolamentos de dívida.  É aí que você teria o infarto.

No caso da Grécia, a crise financeira internacional, com a contração do crédito, acelerou esse processo de cobrança da dívida — logo, os juros exigidos para a rolagem da dívida subiram.  A farra grega durou apenas três anos.

O déficit público, que em 2006 era de módicos 3,6% do PIB, pulou para 5,1% em 2007, 7,7% em 2008 e, finalmente, para impressionantes 13,6% em 2009.

Como consequência, a dívida pública, que era de 205,7 bilhões de euros em 2006, pulou para 273,4 bilhões em 2009.  Veja a evolução de ambas no gráfico abaixo.

 Greece debt burden.jpg

Porém, o ponto a ser destacado é que, nesse período, não houve aquela característica expansão de alguns setores da economia grega, expansões essas que, por serem sem fundamentos e estimuladas unicamente pelo crédito fácil, são classificadas como bolhas.  A atual lambança grega se deve unicamente à má gestão das contas públicas — endividamento e gastança sem as equivalentes receitas.  (Para os mais interessados, o que houve na Grécia foi um caso típico de inflação simples, sendo que todo o dinheiro que veio de fora foi parar nos títulos do governo.)

Já na Espanha, foi diferente.  As contas públicas foram mantidas relativamente em ordem até 2008, quando começou a recessão mundial.  Nesse ano, a economia espanhola também entrou em recessão e as receitas do governo caíram.  Como bom keynesiano, o primeiro-ministro Zapatero implementou vários pacotes de estímulo (leia-se gastos), na crença de que isso tiraria a economia da recessão.  O resultado foi exatamente o oposto: a recessão aumentou e o desemprego disparou, estando hoje em mais de 20%.

Apenas em 2009 a dívida espanhola aumentou 33,9%.  Enfatiza-se: aumento de 33,9% em apenas um ano!  Porém, ainda assim, a dívida pública total é de 55% do PIB, metade da grega.

Ou seja: ao passo que a Grécia vinha praticando esbórnia fiscal desde 2006, a Espanha só entrou na farra em 2009, e seu endividamento nem se compara ao grego.

O problema na Espanha, o que gerou a crise, foi outra coisa.  E é isso que nos interessa — e por dois motivos: nossa situação fiscal nem de perto se assemelha à grega, e a conjuntura econômica da Espanha de três anos atrás se parece com a brasileira atual.  É para a Espanha, e não para a Grécia, que devemos olhar agora.

Dito isso, leia com bastante intenção a notícia a seguir.

Espanha reduz tamanho do Estado para enfrentar crise

Governo anuncia redução de 30% do número de estatais; corte de mais de 500 cargos executivos nas empresas públicas e extinção de 32 postos de confiança no governo

A Espanha reduz em 30% o número de estatais, corta mais de 500 cargos executivos nas empresas públicas e acaba com 32 postos de confiança no governo. As medidas anunciadas nesta sexta-feira, 30, fazem parte de uma tentativa desesperada de reduzir o déficit nas contas públicas. O governo também confirmou que, pela primeira vez desde a entrada da Espanha na zona do euro, mais de 20% da população está desempregada. Em algumas regiões, a taxa de desemprego já chega a 27%.

A Espanha foi a xodó da UE por anos, com crescimento a taxas elevadas, geração de emprego e modernização de sua economia. Mas o país se tornou em uma das maiores vítimas da crise mundial e sua economia ainda não conseguiu superar a recessão. O déficit explodiu e passou de 11% do PIB ao final de 2009. Nesta semana, o país ainda teve seu rating rebaixado, como uma forma de punição do mercado financeiro.

Na sexta, o governo decidiu reagir. Madri anunciou que acabará com 29 empresas públicas, o que levará à redução de 80 executivos e mais de 450 cargos com salários elevados. O número de empresas na qual o governo tem mais de 50% das ações passa então de 106 para apenas 77.

A reestruturação prevê o fim de empresas mercantis, a fusão de 24 companhias, assim como a eliminação da maioria de fundações mantidas pelo Estado.

A reforma também atingiu a máquina do Estado. 32 cargos de alto escalão desapareceram do dia para noite, na esperança de economizar ? 16 milhões em salários por ano. No total, o governo reduziu em 10% o número de cargos de alto escalão na estrutura do poder.

A meta do governo é a de reduzir os gastos da máquina pública em ? 50 bilhões em três anos. Para isso, precisará cortar 4% do funcionalismo público. Na sexta, os cargos que desapareceram foram de diretores-gerais de departamentos e secretários de ministérios.

Para a vice-presidente do governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, as medidas tem como meta a eficiência da máquina estatal. "Atuamos com rigor, decisão e responsabilidade. Os cortes significam mais trabalho com menos recursos humanos", disse.

Dados da Organização Internacional do Trabalho revelados pelo Estado há poucos dias apontam que a tendência de corte de funcionários públicos está sendo registrada em toda a Europa.

Desemprego

O governo ainda confirmou que a taxa de desemprego no país superou pela primeira vez desde 1997 a marca de 20%. No primeiro trimestre, a alta foi de 1,22% e já seriam 4,6 milhões de espanhóis sem trabalho. Entre os imigrantes, um a cada três não tem emprego.

A Espanha segue uma tendência contrária a de algumas das principais economias europeias. Na França e Alemanha, a expansão do desemprego já foi freada. Mas a quarta maior economia da zona do euro continua em franca queda, com uma contração do PIB e alta da taxa de desempregados. Desde que entrou em recessão em 2008, a taxa de pessoas sem trabalho dobrou.

Na região de Andaluzia, uma a cada quatro pessoas está desempregada. O número é tão grande que o governo já não consegue pagar seguro desemprego a todos.

O setor de construção é o que mais sofreu e chegou a representar 20% da economia espanhola. O setor imobiliário não sobreviveu à crise, depois de construir em dez anos mais casas na Espanha que na França, Alemanha e Itália juntas.

O resultado do colapso do setor foi a contração de 3,6% na economia espanhola em 2009. Neste ano, a previsão é de mais uma queda, de 0,3%. O governo prevê que o crescimento virá apenas em 2011, com uma expansão de 1,8%, insuficiente para desfazer as perdas dos últimos anos.

Mas tanto o BC espanhol como a Comissão Européia julgam que o executivo está sendo otimista demais em suas previsões e que a eventual expansão em 2011 não chegará nem a 1%.

A oposição na Espanha não perdeu a chance de criticar as medidas anunciadas. O líder do Partido Popular, Mariano Rajoy, classificou a iniciativa de "isolada e inútil".

 

Qual a história espanhola?  Na última década, a economia espanhola experimentou um vigoroso crescimento econômico que se deveu, em parte, a causas reais — reformas estruturais liberalizantes que começaram durante a administração de José Maria Aznar (1996-2004).  No entanto, aquele componente insidioso, ao qual pouca gente dá atenção, estava também presente, sendo um dos principais estimulantes do crescimento econômico: a expansão artificial do dinheiro e do crédito, a qual, segundo o economista espanhol Jesús Huerta De Soto, cresceu a uma taxa quase três vezes maior em relação às correspondentes taxas francesas e alemãs.  E, como mostra a reportagem acima, em dez anos o setor imobiliário espanhol construiu mais casas do que França, Alemanha e Itália juntas. 

E o que é mais curioso: como Espanha, França, Alemanha e Itália possuem o mesmo banco central — o Banco Central Europeu —, isso significa que a expansão monetária espanhola se deu por meio do seu sistema bancário de reservas fracionárias.

Essa expansão monetária começou desde os tempos em que o país iniciou seu processo de convergência — isto é, desde que o país entrou na zona do euro, em 2000.  Como consequência, a inflação de preços na Espanha sempre foi mais alta do que a média da zona do euro, e os preços dos imóveis estavam, em 2007, três vezes maiores do que em 1997 — um aumento de 200%!

Daí veio toda a sequência clássica já explicada pela teoria austríaca dos ciclos econômicos: os agentes econômicos interpretaram a queda (artificial) ocorrida nas taxas de juros bancários — resultado do processo de convergência — como sendo consequência de uma maior disponibilidade de poupança a ser emprestada (poupança essa que nunca existiu, pois a queda artificial dos juros estimulava o consumo). 

Assim, um volume maciço de empréstimos foi solicitado aos bancos espanhóis, principalmente para especulação imobiliária.  Como não havia poupança, os bancos simplesmente criaram dinheiro do nada, por meio de seu sistema de reservas fracionárias — tudo isso com a complacência do Banco Central Europeu, que supostamente deve gerenciar o sistema bancário.

Quando os preços começaram a subir por toda a Europa, o BCE — nesse caso, demonstrando bom senso — optou por não diminuir as taxas de juros.  Isso fez com que o crédito fácil secasse (a simples manutenção da taxa básica de juros foi suficiente para reduzir a expansão monetária), obrigando os bancos a aumentar os juros que cobravam para seus empréstimos.

Esse súbito encarecimento do crédito e o aumento nos preços das matérias-primas fizeram com que as imobiliárias espanholas — o setor da construção civil representava 20% da economia, como relata a reportagem acima — repentinamente se vissem incapazes de terminar seus empreendimentos, os quais haviam deixado de ser lucrativos — o que significa que todo o investimento havia sido errôneo, induzido pelo crédito artificialmente barato.

Inevitavelmente, a economia espanhola entrou no processo de reajuste da estrutura de seu capital — reajuste esse popularmente conhecido como recessão.

Desde dezembro de 2007, quando atingiram seu ápice, os preços dos imóveis já despencaram 15,4%.  E mesmo com essa queda, as vendas de imóveis despencaram 27%, o que significa que os preços ainda podem cair mais.  Como também previsto pela teoria austríaca, os pacotes de estímulo do governo estão apenas prolongando a crise, impedindo que os ajustes de mercado ocorram livremente — além de estarem impondo um pesado ônus para os espanhóis, que herdarão uma pesada dívida futura.

Por que isso nos interessa?  Porque tudo indica que o Brasil também está formando a sua bolha imobiliária, embora aqui o processo seja mais recente e menos intenso, principalmente por causa de nossos juros bancários (bem) mais altos.  As coincidências estruturais, entretanto, são grandes: expansão monetária robusta, inflação acima do centro da meta (que já é alta, 4,5%), rápida valorização dos imóveis, alta dos alugueis e empregabilidade crescente no setor da construção civil — de dezembro de 2006 a março de 2010, o emprego no setor aumentou 46%, muito mais que na indústria, no comércio ou nos serviços.  E tudo isso sem termos poupança interna — pelo menos, não num nível que aparentemente seja capaz de sustentar toda essa expansão. (A nossa bolha imobiliária foi comentada com mais detalhes aqui). 

Caso se confirme a tendência de alta da SELIC, com o consequente encarecimento do crédito bancário, é possível que essa bolha seja arrefecida, com prejuízos mínimos.  Porém, se ela continuar sendo inflada, os investimentos errôneos no setor continuarão se avolumando, fazendo com que o estouro dessa bolha seja ainda mais pirotécnico.


Leia também:

Juros, preferência temporal e ciclos econômicos

A bolha imobiliária brasileira


1 voto

autor

Equipe IMB

  • Carlos Assumpção  01/05/2010 15:52
    Parabéns IMB!

    É sempre bom ver artigos como esse alertando sobre a economia brasileira. Também acredito na bolha imobilaria brasileira e quase ninguém fala sobre o assunto. Imaginem se nossos juros fossem ainda menores? O setor imobiliário está louco para que isso acontessa e possa se expadir mais ainda, principalmente, porque dizem que há um enorme déficit de construção no país. Junta-se isso com programas governamentais de financiamento, além do "Minha casa, minha vida" e temos muitos ingredientes catalisadores. Se Dilma ganhar não tenho idéia de como será a política do BC, entretanto, imagino que Serra buscará diminuir os juros.
    Mudando um pouco de assunto, gostaria de perguntar se há algum artigo para recomendar que fale sobre o seguinte:
    Tenho a opinião de que os próximos anos podem se assemelhar muito com a década de 70, como por exemplo inflação das commodities e, no Brasil, bom desempenho "economico" (como o milagre de 70). Entretando todos conhecessem o resultado e a década de 80 no Brasil e no mundo.
    Não sei se a comparação está correta, mas se há algo escrito a respeito gostaria muito de ler.

    Abraços!
  • Marcelo Boz  01/05/2010 22:46
    Sobre o mercado imobiliário está óbvio pra mim, que moro no Rio de Janeiro: Há claramente uma bolha imobiliária.\r
    Em 2005 fui ver um anuncio de um terreno no bairro da freguesia de jacarepagua, em relação a um terreno que custava em torno de R$180.000,00. Acabei não comprando. Mês passado passando por lá, fiquei sabendo que o terreno ainda estava a venda, porém pelo preço módico de R$560.000,00.\r
    Nada, absolutamente nada, houve de extaordinário na vizinhaça para o preço do terreno ter subido assim. Nenhuma estação do metrô foi inaugurada no bairro, nenhum shopping fui construído perto dali; não houve nenhum incremento na infraestrutura do local. Simplismente o preço dos imóveis no Rio de Janeiro dispararam.\r
    Lendo o site, sei o porquê, mais a maioria das pessoas não têm a menor noção do que está acontecendo.\r
    Até agora, nos governos FHC e Lula, não se titubeou em aumentar a taxa básica de juros ao menor sinal de inflação. Isso causou nos ultimos anos o fenômeno chamado "o vôo da galinha", como foi definido pelo economista Ubiratan Iorio; onde a economia cresce 2 anos e depois desacelera mais 2 anos, em ciclo que parece infinito.\r
    O que me deixa assustado é quem vai ser o novo presidente. Tanto Dilma como Serra me parecem de pouca confiança, com relação a manter um mínimo de austeridade monetária.
  • Edik  03/05/2010 11:24
    Para mim não ficou claro por que os bancos da Espanha se alavancaram mais do que os dos outros países da Europa através do sistema de reservas fracionárias. Teria sido alguma medida governamental ou os bancos espanhóis decidiram tomar um risco maior do que os seus concorrentes do resto do continente?
  • Leandro  03/05/2010 11:58
    Edik,

    Após ter aderido ao euro, os compulsórios bancários da Espanha caíram de 9 para 3% (por causa da chamada convergência), o que fez com o processo de reservas fracionárias se encarregasse de expandir a oferta monetária do país.

    Vale lembrar que, embora todos os países estejam sujeitos ao Banco Central Europeu, cada país tem seu banco central nacional (que funciona como uma subsidiária do BCE), que pode decidir políticas como compulsório.

    Atualmente, o ECB estabelece um compulsório mínimo, que todos os países devem seguir. Porém, aqueles países que quiserem adotar compulsórios maiores estão livres para tal. E a maioria faz isso.

    No caso da Espanha, o Banco da Espanha optou pelo mínimo, de 3%.
  • Carlos Alexandre  03/05/2010 16:35
    Prezado Leandro:\r
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    Porque a simples manutenção ou a redução da taxa básica de juros reduz a expansão monetária?\r
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    \r
    Abraços.
  • Leandro  03/05/2010 17:25
    Carlos,

    Atente que não foi dito que redução de juros reduz a expansão monetária. Falou-se apenas que, em determinados casos, a manutenção de uma taxa de juros (no caso, a taxa básica de juros, tipo a SELIC) pode implicar uma redução da expansão monetária.

    Tem-se que tomar cuidado com essa expressão: reduzir a expansão significa crescer a taxas menores. Não significa que está havendo contração da oferta monetária, como alguns podem pensar. A oferta monetária continua crescendo, só que a uma velocidade menor.

    No contexto do artigo, o que ocorreu foi que, devido à (grande) quantidade de dinheiro que havia na economia europeia, havia uma tendência natural para que os empréstimos interbancários fossem feitos a juros menores (se há muito dinheiro, mas a inflação de preços ainda está baixa, então a tendência é que os juros dos empréstimos diminuam).

    Sendo assim, caso o BCE nada fizesse, a taxa de juros cairia naturalmente. Para evitar isso, ele interveio no mercado interbancário vendendo títulos. Ao fazer isso, ele reduziu a expansão da oferta monetária (contração da oferta monetária é caso raro em qualquer lugar do mundo). Como consequência, ao invés de os juros caírem, eles ficaram no mesmo nível - ao mesmo tempo em que a expansão monetária foi reduzida, que foi o que interrompeu a farra do crédito.
  • Carlos Alexandre  03/05/2010 17:42
    Leandro,\r
    \r
    conseguir entender mais um pouco - e compreender o meu equívoco - mas surgiu outra dúvida: porque o BCE quis evitar a queda da taxa de juros?\r
  • Leandro  03/05/2010 17:56
    Carlos, porque a inflação de preços já começava a dar sinais de vigor. Logo, ele tinha de agir antes que a coisa começasse a sair do controle (o BCE tem uma meta de inflação não declarada, mas que é de aproximadamente 2%).
  • Carlos Alexandre  03/05/2010 18:05
    E no caso dos EUA, o FED também pressentiu o aceleramento da inflação de preços?\r
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  • Leandro  03/05/2010 18:13
    No caso dos EUA, os juros, após ficarem em 1% por mais de um ano, subiram para 5,25% entre 2003 e 2007, uma vez que a inflação de preços sempre ameaçava superar a meta -- ao passo que os preços dos imóveis subiam irrefreavelmente, sem que ninguém ligasse.

    A bolha foi formada quando os juros estavam baixos (2001-2005), e estourou no final de 2007, após os juros terem subido muito.

    O melhor artigo para acompanhar esse fenômeno é esse do Mark Thornton, cujos gráficos ajudam a compreender a cronologia dos fenômenos.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=168
  • Carlos Alexandre  03/05/2010 18:23
    Ok, Leandro, obrigado pelas respostas.
  • Antonio Carlos  04/05/2010 02:30
    Leandro, por gentileza, me tire algumas dúvidas\r
    1. As reservas brasileiras nao servem como um colchao para cobrir o déficit fiscal\r
    2. Acho que o crédito fácil para comprar imóvel pode realmente criar uma bolha, mas as obras de infraestrutura sao realmente necéssárias (Belo Monte)\r
    3. Como fica a questao cambial. Os juros entendi que vc acha que temos que eleva-lo para evitar um crescimento nao sustentável, mas voce nao falou sobre a política cambial que deve ser feita (mantem o dólar baixo ou aumenta). Acredito que um aumento do dólar seria saudável para a balança comercial\r
    Um abraco e obrigado!
  • só o que ônus...  04/05/2010 03:23
    "Na última década, a economia espanhola experimentou um vigoroso crescimento econômico que se deveu, em parte, a causas reais - reformas estruturais liberalizantes que começaram durante a administração de José Maria Aznar (1996-2004)." - Ou seja, o liberalismo era responsável pelo crescimento, agora não tem nada a ver com a recessão. É a velha tática de assumir só o bônus e não o ônus.
  • EUA  04/05/2010 03:31
    Leando...explique melhor...de acordo com os indicadores de liberdade econômica do tal do Heritage, a Liberdade Monetária dos Estados em 2002, 2004 e 2005 era superior à de HONG KONG. Os EUA ainda era nota 9 (das mais altas) em "liberdade financeira", junto com HONG KONG. Se quiser lhe envio os números do Heritage. Portanto, então explique melhor esta história de que não é culpa do liberalismo.
  • Leandro  04/05/2010 04:50
    Prezado só o que ônus...

    Você incorre aqui na falácia favorita dos nossos detratores. Permita-me explicar. Existem duas maneiras de você estimular uma economia:

    1) Reduzindo obstáculos ao empreendimento, cortando burocracias e diminuindo regulamentações onerosas sobre o mercado de trabalho;

    2) Estimulando o crédito fácil via expansão monetária e redução de juros a níveis artificialmente baixos.

    A Espanha fez os dois. Não é à toa que foi o país que teve o mais vigoroso crescimento da Europa na última década. Entretanto, como sempre, toda expansão artificial do crédito cobre seu preço. O tamanho desse preço vai depender de quanto tempo durou a farra do crédito fácil. Na Espanha durou quase uma década, por isso a recessão lá ser a mais intensa, com alto índice de desemprego.

    Essa questão de o crédito fácil gerar crescimento artificial que logo depois se transforma em recessão é algo infelizmente do qual não se pode escapar. E essa constatação não é ideológica; é questão de ciência econômica pura.

    Portanto, embora algumas reformas estruturais espanholas (chame-as de liberais, ou de qualquer outra coisa) tenham ajudado a estimular o crescimento, a parte principal veio da expansão do crédito. E é essa agora que cobra seu preço.


    Prezado EUA,

    O índice da Heritage é bom, mas tem um defeito grave: exatamente esse quesito Liberdade Monetária. Leia a metodologia e comprove: a única coisa analisada é o índice de inflação de preços. Eles não analisam a expansão dos agregados monetários nem o que o Banco Central faz com os juros. Eles se preocupam apenas com índice de preços. Nada mais enganoso do que isso.

    Nos EUA, por exemplo, não obstante toda a expansão monetária ocorrida na década de 2000, os preços que compõem o núcleo da inflação permaneceram relativamente estáveis, pois o dinheiro estava indo para os imóveis, algo que não é computado pelas estatísticas de inflação americana. A bolha se formava, os investimentos errôneos se acumulavam, mas os índices de inflação continuavam dentro do tolerável. (Exatamente a mesma coisa ocorreu na década de 1920, que foi o que levou ao Crash de 1929)

    E é isso que a Heritage mensura.

    Ou seja, justamente o item mais perigoso de uma economia é ignorado. De nada adianta reformas tributárias se o crédito continuar sendo sem lastro. É isso o que derruba uma economia e não necessariamente um determinado nível de tributação.


    Prezado Antonio Carlos,

    Confesso que não entendi os seus itens 1 e 2. Não vi ligação entre um e outro.

    Quanto ao item 3, eu não disse que os juros necessariamente têm de ser elevados. Apenas disse que há indícios de que há uma bolha em formação, e que para estourá-la o crédito teria de ser contraído. Embora seja um assunto complexo para ser tratado aqui, é possível reduzir o crédito sem aumentos de juros no longo prazo.

    Quanto ao dólar, alguém ainda tem de explicar duas coisas:

    1) Por que o nível atual é ruim? Como sabem disso? E como sabem que um dólar mais caro seria supimpa para todos?

    2) Qual o problema com déficits na balança comercial quando se tem um câmbio flexível? Nunca explicaram isso sem cair em argumentos mercantilistas.

    Abraços a todos!
  • Tiago RC  04/05/2010 08:38
    Leandro,

    Primeiro, parabéns pelo artigo. Ficou bom. Tente buscar uns "canais" pra publicar cópias desses textos seus em veículos de maior circulação, como o Constantino publica em alguns jornais/revistas de economia. Seria até uma forma de expandir o IMB, além das idéias austríacas.

    Aproveitando a oportunidade...

    E o que é mais curioso: como Espanha, França, Alemanha e Itália possuem o mesmo banco central - o Banco Central Europeu -, isso significa que a expansão monetária espanhola se deu por meio do seu sistema bancário de reservas fracionárias.

    Isso me deixou uma dúvida... se eventualmente a preferência temporal espanhola fosse maior que a dos outros membros do euro ou eles simplesmente tivessem pouca poupança no momento que entraram na zona do euro, para que o BCE pudesse manter os juros homogêneos em todo o seu "domínio" uma parte relativamente maior da expansão monetária teria que se direcionar ao sistema bancário espanhol, naturalmente, não? O que acabaria por causar mais danos a essa região do que a outras, correto?
    (eu vi tua resposta onde fala das taxas de compulsório, é só uma dúvida teórica mesmo.. aliás, 3% só, que insanidade!! Não imaginava que os compulsórios fossem tão baixos por aqui, achava que eram maiores que nos EUA)

    Abraços,
    Tiago.
  • Edik  04/05/2010 09:20
    Leandro,


    Obrigado pela resposta. E gostaria de ver os artigos publicados por você e pela equipe IMB na imprensa de maior circulação como jornais e revistas especializadas. São bem melhores do que os que costumo ler nesses veículos.
  • Leandro  04/05/2010 09:35
    Tiago e Edik, obrigado pelos elogios. Grande mídia? Ainda não. Quanto maior a exposição à grande mídia, maior a chance de alguém ser corrompido. No mínimo, o discurso seria tolhido, censurado ou "forçadamente abrandado".

    Ademais, o que se publica de bobagem na grande mídia é algo digno do Granma.

    Tiago, sim, seu raciocínio quanto às preferências temporais está corretíssimo. Apenas mais um exemplo dos malefícios trazidos pela imposição estatal de juros artificiais.

    Quanto aos compulsórios da zona do euro serem baixos, vale lembrar que na Suíça, por exemplo, o compulsório é de 2,5%. E mesmo assim os bancos não fazem gracinhas, pois o Banco Central suíço, além de sua fama de durão, é um dos mais conservadores do mundo (em termos de expansão monetária).

    Logo, sem expansão monetária, simplesmente não há como bancos saírem criando dinheiro do nada, ad eternum. Portanto, um compulsório não está necessariamente ligado a uma política monetária sólida.

    Compulsório alto é coisa de país cujo BC gosta de usar a impressora -- como o Brasil, por exemplo.
  • o que é crédito?  04/05/2010 12:19
    Mas o que é o crédito, Leandro? O que é um banqueiro? O que um banqueiro (como qualquer homem de negócios) precisa fazer para aumentar seus lucros? Não precisa expandir seus negócios (como qualquer outro empresário)? Eis a questão da expansão de créditos...A política "frouxa" dos bancos centrais atendeu a essa necessidade dos banqueiros. Agora que a casa caiu os liberalóides querem tirar o corpo fora...

    Os EUA apresentavam indicadores de liberdade monetária superior à economia mais liberal do mundo e era nota 9 em liberdade financeira...

    Por falar em HONG KONG, até o presidente da Autoridade Monetária de Hong Kong (equivalente a um Banco Central) já alertou sobre a formação de uma bolha no mercado imobiliário da cidade-estado, quando a bolha se inflar, vamos ver os liberalóides como este tal do Leandro negando que Hong Kong seja liberal....ou vão culpar a China como um bode expiatório...
  • Reservas fracionárias  04/05/2010 12:26
    E o que os liberalóides sugerem para o problema das reservas fracionárias???Vão dizer que é culpa dos bancos centrais???Nem o famigerado padrão-ouro (tão proposto pela Escola Austríaca) conseguiu resolver este problema....
    A questão é que o crédito é a mercadoria ofertada pelos banqueiros, tal como em uma economia de mercado altamente competitiva, o maior número de clientes dessa mercadoria, ou seja, a expansão do mercado não só é desejável como necessário para os bancos crescerem.
  • Leandro  04/05/2010 13:14
    Após ter todas as suas perguntas devidamente respondidas, o distinto acima (que é mesma pessoa, como atestam os IPs) perdeu as estribeiras -- percebeu que não lidava com amadores. Não vendo outra alternativa para sustentar suas crenças, restou-lhe apenas recorrer ao recurso manjado do xingamento (liberalóide?!)

    Mas vale a pena respondê-lo apenas para que outros leitores possam tirar algum proveito da situação.

    Primeiro, a função do banco central é justamente a de cartelizar o setor bancário, impedindo a concorrência e protegendo os bancos incautos, aqueles que expandiram seus depósitos além da conta. Por que o BC protege os bancos? Para permitir que estes pratiquem suas reservas fracionárias seguramente, sem que se tornem insolventes -- uma inevitabilidade caso não houvesse o banco central ali, pronto para garantir-lhes dinheiro quando os saques fossem maiores que os depósitos.

    Enfatizo: é justamente a existência de um banco central que permite que os bancos sejam livres para expandir o crédito sem maiores preocupações com a solvência e sustentabilidade destes empréstimos. Não houvesse banco central, os bancos obrigatoriamente teriam de ser mais prudentes e cautelosos ao expandirem o crédito.

    É justamente por isso que os austríacos condenam a existência de um banco central, pois é ele quem permite que o setor bancário opere em regime de proteção total -- ao mesmo tempo em que os bancos estão tecnicamente insolventes (praticar reservas fracionárias é o equivalente a uma insolvência técnica).

    Logo, a insinuação do leitor anônimo de que os "liberalóides" (que original.) defendem banqueiros e banco central, mas correm quando a coisa fica feia, mostra o quanto o sujeito realmente desconhece a teoria. Quem defende banqueiros (desde que os juros praticados sejam baixinhos) e acha imprescindível haver um banco central são as outras escolas econômicas -- as mesmas que até hoje seguem sem entender a causa da crise e o motivo de Estados Unidos e Europa continuarem em recessão.

    Quanto ao indicador de liberdade monetária da Heritage, já expus minuciosamente todos os defeitos em minha última postagem. Como a realidade não se conformou à visão de mundo do leitor anônimo, ele apenas se deu ao trabalho de repetir a afirmação, já jogando a toalha.

    Quanto ao padrão-ouro resolver a questão das reservas fracionárias, ele ao menos não permitia que bancos imprudentes pudessem ser salvos pelo governo (leia-se, com o dinheiro do contribuinte). Foi justamente por isso que o Fed foi criado por meia dúzia de banqueiros e magnatas, entre eles J.P Morgan e John D. Rockefeller. Após terem tido prejuízos com algumas crises bancárias causadas pelo sistema de reservas fracionárias, eles simplesmente se juntaram e criaram um banco central. Pronto, problema resolvido.

    O fato de após a criação do Fed ter havido uma média de uma crise por década -- e crises muito mais graves que as do século XIX -- não é mera coincidência.
    Por fim, crédito (o genuíno) não é mercadoria ofertada pelos banqueiros, como diz o leitor anônimo. Crédito genuíno vem da poupança (abstenção de consumo) das pessoas. O que os bancos fazem por meio das reservas fracionárias, que são defendidas e estimuladas pelo banco central, é criar dinheiro do nada. É exatamente o fato de esse dinheiro criado do nada ser confundido com crédito que causa os ciclos econômicos.

    Espero que agora o anônimo tenha aprendido ao menos noções básicas daquilo que ele quer criticar. Falar de algo sem que se tenha o mínimo conhecimento do assunto não é algo recomendado. Senão eu vou começar a falar de moda.
  • Fernando Chiocca  04/05/2010 13:22
    "Não é nenhum crime ser ignorante em economia, a qual, afinal, é uma disciplina específica e considerada pela maioria das pessoas uma "ciência lúgubre". Porém, é algo totalmente irresponsável vociferar opiniões estridentes sobre assuntos econômicos quando se está nesse estado de ignorância." - Murray Rothbard
  • Marco Antonio  06/10/2011 16:54
    Então por que vocês insistem em falar no assunto?
  • mcmoraes  06/10/2011 17:24
    Essa é uma pergunta fácil de responder. Eles insistem porque existe demanda para seus discursos. O crescente aumento no tamanho e na qualidade do povo que frequenta o IMB é evidência inegável. Todos lêem. Todos comparam. Todos julgam. E todos, ou boa parte dos frequentadores, concluem que as teorias dos economistas da EA estão se mostrando corretas. Talvez, a sua pergunta deva ser modificada de "por que vocês insistem em falar" para "por que eles (cada vez mais numeros) insistem em escutá-los". Então, após uma certa reflexão, verá que o errado é você.
  • EUDES  06/10/2011 17:42
    Ótima resposta !
  • Marco Antonio  06/10/2011 23:30
    Na verdade essa expansão dos frequentadores só prova que existe uma quantidade crescente de gente que acredita em economia do faz-de-conta. A rapazeada chega ao cúmulo de colocar política monetária e regulamentação no mesmo pacote e sair falando esse monte de groselha. Que qualidade tem nisso? Mesmo pra alguém com forte inclinação neo-clássica, as coisas que se fala aqui sobre keynesianismo, por exemplo, soam como piada de mau gosto. Ou vocês não leram (o que é remediável), ou leram e não entenderam nada (aí o buraco é mais embaixo).

    E o mesmo vale pros autores da EA. Sério, ou vocês não leram os autores da Escola Austríaca, ou leram e pinçaram meticulosamente os argumentos que são convenientes somente à alta nata do corporativismo (a qual provavelmente pertence os caras que entram aqui e levam a sério esses "artigos"). Economistas de verdade entram aqui pra dar risada, não pra tirar lições valiosas. Sem brincadeira.

    Como economistas, os caras do IMB (o IVM lá de fora até que tem uma ou outra coisa que salva) são excelentes humoristas.
  • Joao  07/10/2011 08:16
    É hilário ver alguém se achar muito inteligente mas ao mesmo tempo ter a falta de raciocínio lógico e/ou preguiça mental necessária para acusar a EA de ser corporativista.

    Primeiro, onde a EA é corporativista? As críticas mais ferozes que eu li ao corporativismo vieram de autores da EA, especialmente do Rothbard, que escrevia muito sobre o assunto, e Lew Rockwell, que definitivamente não pode ser acusado de corporativismo.

    Segundo, há algo mais corporativista do que um economista que defende ideias que não estão funcionando e mesmo assim acha que está sendo muito genial, só porque ele passou anos estudando um punhado de teorias? Quer exemplo maior de corporativismo do que alguém dizendo "ai meu Deus! Eu estudei as teorias X e Y! Elas só podem estar corretas porque, afinal, eu as estudei! Elas são DOGMAS! Não as questione!".

    Vamos combinar o seguinte: continue na sua ilha da fantasia dos economistas neoclássicos, keynesianos, que seja. Eu continuarei procurando teorias que expliquem o mundo real, e não tentando fazer o mundo real se encaixar nas teorias.
  • mcmoraes  07/10/2011 10:10
    @Marco Antonio: "...Ou vocês não leram (o que é remediável), ou leram e não entenderam nada (aí o buraco é mais embaixo)... Economistas de verdade entram aqui pra dar risada, não pra tirar lições valiosas. Sem brincadeira...

    Além de darem risadas, os "economistas de verdade" (sic) poderiam refutar o que é dito aqui. Apenas dizer "não, porque não!" pode ser um tanto cômodo, mas é nada útil. Por exemplo, em vez de apenas dizer "...A rapazeada chega ao cúmulo de colocar política monetária e regulamentação no mesmo pacote e sair falando esse monte de groselha...", você poderia ter explicado por que política monetária e regulamentação são coisas distintas. Tenho certeza de que o Leandro iria adorar discutir isso com você.

    Além do mais, eu gostaria de saber: você se considera um "economista de verdade"? Se sim, por favor comece a refutar agora mesmo o que é dito aqui. Se não, por que você se dá ao trabalho de fazer um comentário desses?
  • Luiz Faremesi  07/10/2011 13:10
    "Segundo, há algo mais corporativista do que um economista que defende ideias que não estão funcionando e mesmo assim acha que está sendo muito genial, só porque ele passou anos estudando um punhado de teorias? Quer exemplo maior de corporativismo do que alguém dizendo "ai meu Deus! Eu estudei as teorias X e Y! Elas só podem estar corretas porque, afinal, eu as estudei! Elas são DOGMAS! Não as questione!".

    Vamos combinar o seguinte: continue na sua ilha da fantasia dos economistas neoclássicos, keynesianos, que seja. Eu continuarei procurando teorias que expliquem o mundo real, e não tentando fazer o mundo real se encaixar nas teorias."

    Legal é ouvir isso de alguém que segue uma escola teleóloga por natureza.

    Lindas as elocubrações dos seus mentores sobre algo que eles nunca viram funcionar. Vou começar a falar que a economia funcionaria melhor se fossemos capazes de viajar no tempo, depois começar a meter o pau nas forças produtivas atuais porque elas não foram capazes de inventar essa tecnologia.

    Depois eu subo nesse mesmo pedestal de arrogância que vocês e me gabo da minha teleologia barata.
  • Xisto  07/10/2011 11:49
    EA... corporativista... eu nunca pensei que veria uma associação tão estúpida quanto essa.
    E pensar que isso aí deve ser algum tipo de economista que se acha genial e acha que sabe como ditar os rumos da economia de um país, acha que sabe resumir o mercado em uma gororoba de números, gráficos e estatísticas. Continuará falhando, mas continuará com aquela cara de intelectual que sabe como resolver os problemas que ele mesmo está ajudando a criar.
  • Jorge Tadeu  07/10/2011 12:57
    Hmm, acho que vocês não entenderam o que o "economista de verdade" falou.

    Ele não disse que a EA é corporativista, mas que a interpretação feita pelos economistas do IVM é tendenciosa, que os argumentos são pinçados seletivamente dos escritos de Von Mises, Hayek, Rothbard & friends e adaptados de forma a ser conveniente somente à visão do empreendimento, independente de sua configuração, corporativo ou não.

    Ele disse que nós, economistas alinhados à IVM, lemos e não entendemos nada.

    Da mesma forma que vocês leram e não entenderam nada do que ele falou.

    Se for pra queimar o Instituto, por favor, não comentem.

  • não respondeu  04/05/2010 14:51
    Você enrolou mas não respondeu à minha pergunta: o que os liberais sugerem para resolver o problema das reservas fracionárias se nem o padrão-ouro resolveu o problema? Aliás, antes da criação do FED, também ocorria uma crise por década. Houve a crise de 1873, a de 1893, 1896, 1901 e a mais famosa: 1907. Todas estas crises ocorreram no chamado padrão "moeda-mercadoria" (como denominou Mises).

    Você não pode negar o óbvio: o banqueiro (como qualquer empresário), precisa expandir seus negócios. O que acontece com os negócios de um banqueiro que não emprestar dinheiro? Ele precisa concorrer, e para concorrer, precisa baixar os juros e expandir seus negócios. Para se expandir, o banqueiro precisa recorrer a mecanismos como a impressão de dinheiro e reservas fracionárias (o último nem o padrão-ouro resolve).

    Agora, os liberais só confirmam uma famosa frase do Marx: é difícil distinguir um assaltante de bancos de um fundador de um banco, pois todo o banqueiro é ladrão. Ele não empresta seu dinheiro (usa o dinheiro dos correntistas) e ainda cobra juros. Reservas fracionárias é um verdadeiro assalto ao poupador.
  • Hong Kong  04/05/2010 14:54
    Leandro...por falar em Heritage, quero ver o que voce tem para argumentar sobre a bolha se inflando no mercado imobiliário de HONG KONG? O que você tem a dizer...vai dizer que Hong Kong não é liberal? Ou vai procurar um bode expiatório, como culpar a China?
  • Leandro  05/05/2010 04:43
    Prezado anônimo, as crises bancárias 1873,1893, 1896, 1901 e 1907 foram sim causadas pelo sistema de reservas fracionárias. A questão é: justamente pelo fato de não haver bancos centrais a quem recorrer, os bancos incautos não haviam se expandido tanto quanto teriam se expandido caso houvesse um BC. Consequentemente, a intensidade de tais crises foi bem menor do que as que vieram pós-Fed.

    Por exemplo, a famosa crise de 1873. Esse é um daqueles mitos que, assim como a crise de 1929, perduram não se sabe por quê.

    Pesquisas recentes de historiadores econômicos (veja bem, historiadores, e não economistas austríacos) mostram que sequer houve depressão na década de 1870. Houve, no máximo, uma curta recessão em 1873. De resto, aquela década vivenciou o que hoje alguns consideram ter sido o maior período de crescimento sustentável da história americana.

    O emprego cresceu vigorosamente, maior até mesmo que a taxa de imigração; o consumo tanto de comida quanto de outros bens cresceu em todas as faixas de renda. No final da década, a população americana estava com melhores moradias, possuía melhores roupas e, no caso da população do campo, vivam em maiores fazendas. As lojas de departamento surgiam até mesmo nas cidades de médio porte. Foi nessa época que os EUA de fato se transformaram na primeira sociedade de consumo em massa do mundo.

    Mas de fato havia uma sensação de insatisfação. Isso porque as pessoas estavam confusas com o comportamento dos preços, que estavam caindo acentuadamente. Os fazendeiros, por exemplo, achavam que a queda nos preços dos grãos significava que estavam ficando mais pobres. Porém eles não notavam que os preços de todo o resto estavam caindo também. Quando se analisa os termos de troca dos fazendeiros - isto é, a diferença de preços entre o que eles vendiam e o que eles compravam - é possível comprovar que eles obtiveram sólidos ganhos na década de 1870.

    Vá ao link abaixo e selecione 1870 como ano inicial e 1880 como ano final. Veja que tanto o PIB real quanto o PIB real per capita crescem na década.

    www.measuringworth.org/usgdp/

    E para termos porcentuais exclusivos para a década de 1870, faça o mesmo aqui

    www.measuringworth.com/growth/

    Já a crise de 1907, por exemplo, fez com que os banqueiros, agora já muito receosos, não mais quisessem correr risco. E pronto: ali começou a ser planejado o Fed.



    Como combater as reservas fracionárias? Dá uma boa discussão. O essencial nem é aboli-las, mas apenas restringir ao máximo seus efeitos nefastos.

    Por exemplo, um ambiente ideal seria a abolição do banco central e dos seguros governamentais para as contas-correntes. Nesse caso, obviamente, não haveria políticas para compulsório, uma vez que não há banco central. Só que essa abolição do compulsório dificilmente geraria grandes expansões monetárias.

    Afinal,

    1) Os bancos não poderiam ser temerários, pois não haveria um BC para salvá-los quando se tornassem insolventes.

    2) E, além de não terem um BC a quem recorrer, não haveria também o sistema estatal de garantia dos depósitos para restituir os clientes que ficaram sem seu dinheiro (que os bancos queimaram em suas aventuras) - sistema esse que estimula o risco moral.

    Portanto, em um sistema sem a proteção do banco central e sem a proteção do governo aos depósitos - e obviamente com segurança jurídica -, esquemas como o compulsório não seriam vigorosamente necessários como são hoje.

    Ou seja, o compulsório é uma intervenção estatal criada justamente para corrigir outra distorção que é incentivada e protegida pelo próprio estado, a saber, o sistema de reservas fracionárias.

    Vale lembrar que na Suíça, por exemplo, país onde há leis e cujo banco central tem fama de durão, o compulsório é de míseros 2,5%, e mesmo assim os bancos não fazem gracinhas - pois sabem que, se fizerem, pagarão por isso.

    Quanto a Hong Kong, de fato trata-se de um país bem liberal, principalmente em termos de poucas regulamentações sobre a economia privada. Entretanto, seu sistema monetário, um currency board, embora seja superior aos bancos centrais convencionais, ainda é bastante falho, pois está ligado ao dólar americano (adota-se uma paridade fixa).

    Assim, quanto mais o Fed imprimir, maior as chances de haver essa bolha em Hong Kong. Diga-me: isso é um sistema monetário livre ou intervencionista?

    Eu respondo tudo, meu caro, pode continuar perguntando. Peço apenas que adote uma postura mais educada quando vier aqui, por uma questão de bons modos. Não é porque suas perguntas foram respondidas, que você deve ficar bravo, certo?

    Forte abraço!
  • Alexandre M. R. Filho  06/10/2011 19:04
    Vixe.... eu nem perguntava mais nada.\r
    \r
    Quem fala o que quer, ouve o que não quer.\r
    \r
    O mais interessante é o anonimato, reduto supremo dos críticos covardes.
  • Nelson de Souza  05/05/2010 22:32
    É muito estranho, tolerar que os países se endividam sem ter um sistema de controle para depois forçar privatizações como solução de um problema que o próprio parlamento coadjuvou. Mas, se as economias já estão unificadas porque a EU não passa logo a direção de todos os países para o parlamento europeu. O golpe já foi dado, porque então tanta burocracia? Decretem logo o continente todo. nação europeia. Afinal, não é isso que eles querem?
  • Zéh  06/05/2010 09:55
    Esse anonimo que apareceu aí...\r
    \r
    É tão dificil perceber que não existe liberdade economica quando um agente estatal é o responsavel pela economia?!\r
    Vocês criticam dizendo que nós tiramos o nosso da reta, quando na verdade já criticavamos e alertavamos os falsos liberais(que defendem a existencia dos Bancos Centrais) e todos os outros que uma crise estava por vir. Ninguém aqui saiu da frente, pelo contrário, nós ganhamos força. \r
    E vocês socialistas se negam a perceber que todas as crises foram causadas por causa de crédito, que o crédito é socialista(já que vem de uma entidade do governo, 100% de monopólio), e que uma parte dos "liberalóides" que somos nós que estudamos a escola austríaca de economia SABEMOS disso e tentamos alertar os liberais que defendem as intervençõs. \r
    Quem libera, libera alguma coisa, como pode alguém se chamar de liberal e defender um monopólio de crédito?!\r
    Nós não, nós sabemos que só a liberdade para bancos se ferrarem caso cometam erros, fará as crises acabarem.\r
    TODOS os países que tem bancos centrais já passaram ou vão passar por crises, muitos tiveram hiperinflação, e cada vez esses bancos centrais culpam alguém diferente, mas os verdadeiros culpados são eles mesmos. Isso é fato.\r
    Não confunda as coisas quando vier criticar os libertários.
  • Daniel  09/05/2010 01:11
    Posso estar engando, mas isso de rolar a dívida parece com uma pessoa que resolve pagar o Visa usando o Mastercard.

    Incrível como algo que é tão estúpido é considerado normal pelos governos.
  • Carlos Alexandre  10/05/2010 14:54
    LEANDRO:\r
    \r
    essa ajuda externa à Grécia é advinda de recursos do FMI?\r
    \r
    E esses recursos não terão um efeito inflacionário e depreciador do euro?
  • Carlos alexandre  10/05/2010 15:36
    LEANDRO:\r
    \r
    \r
    Porque o euro está sendo desvalorizado, se os países europeus não podem expandir a base monetária?\r
    \r
    O socorro à Grécia advem exclusivamente de recursos do FMI?\r
    \r
    E este pacote não terá um condão inflacionário e depreciador [ mais ainda] do euro?
  • João  10/05/2010 17:02
    Ja sei, vou parar de trabalhar!!
    Vou comprar uma impressora HP fodástica e vou mandar brasa!! Se o Banco Central Europeu pode, porque eu não posso?? Eu que vou ser o otário de trabalhar?? E viva Keynes!!
  • Carlos Alexandre  10/05/2010 17:46
    Será que, além da Espanha, haveriam mais países europeus, onde os bancos estariam driblando a impossibilidade de expansão da base monetária, com a prática de reservas fracionárias?\r
  • Leandro  10/05/2010 20:32
    Prezado Carlos Alexandre,

    O que estamos vendo na Europa é apenas o resultado inevitável de um sistema monetário baseado em papel-pintado sem qualquer lastro. Poucos sabem, mas o atual arranjo monetário existe apenas desde 1971 - e tem durado muito. O que ele permitiu? A explosão dos déficits e do endividamento. E o que isso gerou?

    Primeiro veio a bolha financeira - que foi a maior de todas da história -, e agora finalmente começa a surgir uma crise monetária (a qual é muito pior que uma crise financeira). Tudo previsível, tudo inevitável. A questão, como sempre, era adivinhar quando tudo iria ocorrer.

    Em teoria, a ajuda à Grécia virá principalmente da Alemanha (ou seja, dos pagadores de impostos alemães) e do FMI (sendo que 227 milhões de euros são nossos. Você sabia que você está pagando pra sustentar a mamata dos funças gregos?)

    Apenas esses dois fatores não são necessariamente inflacionários, mas há outras coisas em jogo. Por exemplo, se a Grécia for salva, o recado que estará sendo enviado pela União Europeia é claro: podem ser imprudentes, que nós iremos salvá-los. Ou seja, estar-se-á deixando claro que as políticas fiscais preconizadas pela zona do euro não são obedecidas por ninguém, e que os gastadores são recompensados pela ajuda dos mais prudentes, algo que solapa a confiabilidade de qualquer moeda.

    Outro fator é que, dentre os credores do governo da Grécia, existem vários bancos alemães. Sendo assim, caso o governo grego dê o calote, vários bancos alemães poderiam ir à bancarrota. Portanto, essa ajuda do governo alemão aos gregos tem interesses mais corporativistas do que apenas manter a unidade do bloco europeu.

    Tudo isso está pesando contra o euro, já que muitos sabem que, em última instância, sempre há a possibilidade de o Banco Central Europeu simplesmente imprimir mais euro, salvar a Grécia e presentear todos os outros países da Europa com inflação de preços.

    Ou seja, está havendo nesse momento uma batalha entre finanças e políticas. Como sabemos, no final, os interesses políticos sempre ganham. O que isso significa? Que não há hipótese de o euro acabar; eles vão fazer de tudo para salvar a moeda comum, nem que isso gere hiperinflação.

    Isso, é óbvio, é apenas o meu palpite.
  • Juliano Camargo  11/05/2010 00:16
    Gostei muito deste artigo e queria dar também uma contribuição.

    O grupo de países com problemas na europa (PIIGS) não estava mais conseguindo rolar títulos da dívida pública de maneira consistente com os outros títulos mais seguros. Os bancos destes países seriam praticamente cortados para fora do sistema euro, já que estes títulos já não seriam mais aceitos como colateral no processo monetário europeu.

    Assim como a Argentina em sua crise não podia criar dólares, bancos gregos também não podia mais criar euros.

    Logo, teriam uma forte contração monetária - evento raro no sistema fiat mas que acontece subitamente em momentos como esse. Como o Leandro apontou, isto atingiria também todos os outros bancos europeus, que investiam nesses títulos para ganhar um pouco mais do que nos títulos dos sues países, e eram incentivados para isso pela integração européia. Só não esperavam que virasse lixo de uma hora para a outra.

    Aí as cabeças coroadas fizeram o quê? Se reuniram no final de semana e socializaram o risco dos títulos dos PIIGS com todos os países do euro. Títulos dos PIIGS terão como fiador os países da zona do euro.

    E, talvez ainda mais importante qua a socialização de risco, obrigaram o ECB a aceitar o lixo para sempre como colateral. Isso jogará crédito de volta nestes países, a taxas baixas que o mercado já não aceitava mais.
  • Tiago RC  11/05/2010 05:23
    Eu moro na França. O mais engraçado (tem que rir pra não chorar né) é ouvir os noticiários. De acordo com a mídia francesa, os PIGs são vítimas de um "ataque especulativo". Pode?? Sequer mencionam a irresponsabilidade absurda dos governos! A culpa agora é dos especuladores, que tanto adoram atacar esses países mais pobres.

    E como se não bastasse, os governos estão fazendo pressão para que o BCE possa comprar títulos da dívida de países da zona do euro, como faz o Fed. Aí eles podem se endividar mais facilmente com a inflação, e a população que pague o pato.

    O futuro é sombrio....

    A propósito, alguém sabe me dizer como o BCE manipula os juros hoje, se ele não pode comprar títulos de governos? Ele compra o que? Dívida privada?

    Abraços
  • Juliano Camargo  11/05/2010 11:03
    Tiago RC, ninguém por aí está falando dos problemas de design do euro? ( Isso não me surpreenderia na França! )

    O BCE já compra sim títulos de governos do euro, a idéia era justamente essa. O BCE funciona da mesma maneira que outros bancos centrais.

    Mas como tem vários títulos de vários governos, fizeram assim: qualquer título com boa análise de risco pode ser aceito como colateral para entrar na euro-festa. Na prática, isso colocava todo mundo dentro do barquinho do euro.

    O tratado de ascenção ao euro estipulava condições macroeconômicas para que todos esses fossem alinhados, como metas de inflação, metas de deficit público abaixo de 3% do PIB, percentagem da dívida para o PIB abaixo de 60%... Quem alguma vez alcançou isso, entrava. Depois, tudo isso foi obviamente deixado de lado. A Grécia, por sua importância cultural e histórica e por rivalidade com a Turquia, entrou no barco mesmo sem atender esses critérios. Com a Itália, a mesma coisa, e muitos analistas lamentaram na época. Já os outros novos-ricos fizeram um esforcinho e entraram no barco. E depois afrouxaram, se esbaldaram de crédito barato e se enfiaram na maior bolha imobiliária da história da europa.

    Aí o que aconteceu é que os títulos diferentes se desacoplaram totalmente. O da Alemanha é de baixo risco e investidores aceitam receber 3%. O da Grécia só conseguia ser vendido a 10% ao ano. A percepção de risco aumentou muito e descobriram fraude nas contas públicas. O BCE ia ter que cortar da euro-festa os títulos da Grécia, logo, bancos gregos e outros teriam uma contração monetária.
  • Leandro  11/05/2010 11:06
    Tiago, o BCE pode sim comprar títulos públicos, desde que esses estejam em posse dos bancos (como faz qualquer banco central do mundo).

    O que ele não pode fazer (em teoria) é comprar títulos diretamente dos governos.

    Por exemplo, quando o governo da Grécia incorria em déficits, ele tinha de vender títulos para os bancos. Ele não podia vender diretamente para o BCE. Agora, é isso que eles querem mudar.

    Curiosamente, aqui no Brasil, o BACEN podia comprar títulos diretamente do governo federal (Tesouro) até 2000, quando a lei foi alterada em decorrência da Lei de Responsabilidade Fiscal.

    Isso foi comentado aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=651
  • mcmoraes  11/05/2010 11:28
    Tiago RC disse: "O mais engraçado (tem que rir pra não chorar né) é ouvir os noticiários. De acordo com a mídia francesa ... [portanto,] O futuro é sombrio..."

    Acho que vc está certo ao afirmar que o futuro é sombrio somente se a mídia baseada em difusão centralizada característica do séc. XX continuar tendo a importância que sempre teve. Caso contrário, graças à Internet, eu diria que o futuro é luminoso.

    Obrigado por mandar notícias dessa parte do mundo!
  • Juliano Camargo  11/05/2010 12:03
    Bem observado Leandro, o BCE não compra título direto, mas indiretamente, e isso faz toda a diferença quando ninguém mais topa financiar um estado quebrado.

    E uma 'compra' direta de título pelo BC é equivalente a imprimir dinheiro para fechar as contas.

    Será que os bancos europeus vão continuar comprando esses títulos como se nada tivesse acontecido? Não é a toa que agora querem dobrar o BCE. Só o BCE vai aceitar esse lixo nas taxas que eles querem daqui em diante.

    A análise de dados brasileiros que vocês fazem, como nessa análise da LRF, é muito importante, pois os analistas tracidionais geralmente são confusos, incompetentes, desonestos, ou uma combinação dessas três coisas.
  • Luiz Santos  06/10/2011 06:57
    Oi Leandro, tudo bem?
    Olha, adorei sua analise sobre a crise española e a consequente ligaçao com o mercado imobiliario brasileiro, passando pela crise americana.
    Mas infelizmente, essas crises nao sao tao simples de explicar como parecem ser.
    1- A crise nos Estados Unidos nao foi provocada por um "ligeiro" aumento dos juros pelo FED e sim pelo aumento exorbitante dos imóveis, fraude no sistema financeiro onde bancos como o Goldam Sachs ou Morgan Stanley especularam contra a AIG (seguradora). Primeiro compraram titulos subprime dos bancos que emprestavam a pessoas sem nenhuma forma de renda, isso, porque o governo americano desregulamentou o setor financeiro apos a crise no final dos anos 90 e afrouxou ainda mais depois da crise de 2001 (crise das PontoCom). Esses bancos de "investimento" (leia-se especulaçao), compraram essas dividas, misturaram com outras (como cartao de credito, universidade, financiamentos de carros, etc), cortou tudo em fatias e fez uma "salada de frutas" e as chamou de "CDO". Depois corrompeu as agencias de risco pagando um bom dinheiro para elas dizerem que eram triplo AAA e as vendeu no mercado de açoes. Sabendo que esses titulos eram ruins (muitas das dividas nao tinham a menor perspectivas de serem pagas), fez um seguro com a AIG. Como o mercado americano é desregulado e o governo é controlado por lobistas e antigos funcionarios desses mesmos bancos, eles nao fizeram nada. Entao esses mesmos bancos começaram a apostar contra esses mesmos titulos, assim, caso esses titulos virassem "B" (junk), eles seriam ressarcidos pela seguradora (AIG). A coisa começou a feder tanto, que o Goldman fez um seguro contra a quebra da AIG, se na brincadeira ganhou outros USD60bi! Enfim, o rombo que eles mostram na midia de USD700bi, na verdade foi de USD7tri! Só a quebra do Lehman e Bear Stears (dois dos 5 maiores bancos de investimento antes da crise) deve ter dado um tombo de USD1tri, fora os mais de 250bancos que quebraram.
    Na Espanha, em 2005 eu falei para a minha amiga dona de uma imobiliaria que o setor iria quebrar, ela perguntou porque e eu dei as seguintes explicaçoes
    1- De 1997 a 2008, os salarios dos espanhois praticamente nao subiu (menos de 30% em 10 anos)
    2- Nesse mesmo período, os preços dos imoveis subiram uns 300%
    3- Corrupçao nos preços de "vivienda protegida" (o minha casa minha vida espanhol), o governo limitava o preço, porem as imobiliarias absorviam todos esses imoveis em nome de laranjas e revendiam posteriormente muitas vezes ao dobro do preço (muita gente foi pra cadeia posteriormente por isso).
    4- Chegou-se a construir 700mil imoveis para uma demanda de pouco mais 350mil e o governo nada fez!
    5- Ao contrario do que imaginas, foi o aluguel "baixo" (com relaçao ao preço dos imoveis) é que acelerou ainda mais o desmoronamento do setor. Muitos predios ficaram vazios (construçao maior que a demanda), entao as imobiliarias baixaram as exigencias para o aluguel e com a maior oferta, caiu o preço. Algo que os preços para a compra nao pode acompanhar, já que o dinheiro das construtoras vinha dos bancos.
    6- Sem compradores, os imoveis incalharam, caiu o castelo de cartas, aumentou o desemprego, caiu o consumo e entrou-se na recessao, que gerou mais desempregos, e a roda inversa começou a girar...

    No Brasil há sim uma certa "bolha", mas, geralmente é nos bairros mais "nobres" onde nao há espaço para expansao da construçao. Entao os terrenos se valorizam (os donos sabem que nao há espaço) e consequentemente os preços. No entanto, nos apartamentos "protegidos" (minha casa minha vida), a primeira vista nao há a corrupçao ocorrida na Espanha, o que segura um pouco os preços nos bairros perifericos. Além disso, há aumento da classe média e o numero da populaçao é muito maior e ha areas para construçao (fora dos bairros centrais), o que quer queira quer nao, ajuda a combater os preços. Mesmo assim, os preços aumentaram bastante, só há 4 ferramentas aqui mais "poderosas" que la. 1- Os principais financiadores de imoveis sao bancos publicos 2- Os juros sao altos 3- Uma leve puxada de mao no freio na Selic ou no compusorio é capaz de frear a ganancia dos construtores tanto que já houve uma caida brusca nas vendas e por ultimo bancos preferem financiar carros, o financiamento é mais curto,mais lucrativo e é mais facil de tomar de volta e revender num eventual "calote".

    Digo isso tudo porque tambem gosto de economia e vivia na Espanha nessa epoca.
  • Leandro  06/10/2011 09:14
    Prezado Luiz, agradeço seus elogios, mas devo dizer que você chegou um pouco tarde ao nosso site. Tudo isso que você falou sobre a crise americana já foi por nós destrinchado em inúmeros artigos. Nada é novidade, e nada foi por nós negligenciado.

    Veja aqui:

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=8

    Sobre a situação espanhola, embora as descrições que você apresentou sejam factualmente corretas, faltou o essencial: explicar qual fenômeno possibilitou todas essas ocorrências bizarras, que não são normais em um mercado. E o fenômeno que possibilitou tudo foi exatamente a expansão monetária. Sem abordar a expansão monetária e a manipulação dos juros, é impossível entender por que tudo aquilo ocorreu. Você sabe que o sujeito está com febre, mas não sabe explicar as causas da febre -- e, consequentemente, não sabe recomendar a cura para a doença. Traduzindo para a economia espanhola: você soube observar fenômenos estranhos, mas não tem explicação para o porquê de tudo aquilo estar ocorrendo da maneira como estava ocorrendo.


    É por isso que estudar teoria monetária e a teoria dos ciclos econômicos é algo essencial para análises econômicas.

    Grande abraço e volte sempre!
  • João  06/10/2011 10:04
    O artigo As raízes da crise imobiliária serviu para tirar em definitivo da minha cabeça a ideia de que a crise imobiliária dos EUA foi causada por falta de regulamentação. Recomendo fortemente a qualquer um que ainda acredite nisso.
  • Joao  06/10/2011 09:56
    Dizer que a crise dos EUA está relacionada com a desregulamentação do setor financeiro é risível. Afinal, o Community Reinvestment Act foi tudo, menos uma desregulamentação. Se a desregulamentação fosse um problema, a crise das .COM teria acabado com a indústria de TI dos EUA, o que obviamente não aconteceu.
    Aliás, falar sobre desregulamentação e ao mesmo tempo citar o fato de que o governo dos EUA estava dando rios de dinheiro a bancos é estranho. Afinal, se o governo já estava ajudando certos grupos de capitalistas fajutos, não é óbvio que uma regulamentação ainda mais obsessiva favoreceria ainda mais esses mesmos grupos?

    Um bando de economistas "jeniais" decide que o mundo irá prosperar se os governos decidirem torrar dinheiro para "mover a roda da economia", a fim de "aquecer o consumo". Quando isso não funciona, eles culpam o mercado, a falta de regulamentação, os "instintos selvagens e irracionais" dos grandes e malvados capitalistas. Afinal, os jeniais não podem estar errados. A culpa só pode ser da falta de regulamentação. Dar ainda mais poder para os mesmos burocratas favorecerem seus amigos ainda mais vai certamente resolver os problemas econômicos.
  • Luiz Santos  06/10/2011 11:30
    Olá, Caro Leandro:

    Nao expliquei a "causa" ou a "cura" para a febre, simplismente porque o artigo já deixa isso explicado, entao achei pouco produtivo repetir o que já estava descrito.
    E sim, sei muito bem a "causa" do problema espanhol. Mas ao inves de usar uma serie de teorias e me alongar, usarei uma explucaçao de um humorista e estudante catalao que explica quase que fielmente o que ocorreu na Espanha e é mais ou menos o que ocorreu nos Estados Unidos, salvo que lá na terra dos Yankees, para priorar se criou os derivativos, os CDO's mais a ganancia e a corrupçao dos bancos de investimentos. Os juros do subprime nao eram nada baixos nos USA e só aconteceu pelos seguintes motivos: A) Despejo de dolares nos bancos devido a crise de 2001 B) Falta de regulaçao de mercado financeiro a exposiçao a titulos subprime, alavancagem excessiva, anomalias e distorçoes nos mercados de derivativos, CDOs, CDLs, securitizaçao (chegaram ao absurdo de permitir fazer 5-10-20 seguros para um mesmo ativo, o que maximizou o rombo)! Por isso quando a pseudo-economista Miriam Leitao criticou o governo quando este decidiu uma regulaçao mais estrita a exposiçao a derivativos das empresas (o "quebrou" a Sadia e a Votorantim em 2008) e optou pelo aumento do IOF e 20% de recolhimento obrigatorio dos contratos no mercado futuro do dolar para conter o cambio; dei risada. Porque sabia que a "fantoche" estava fazendo lobby para os especuladores e banqueiros, e havia gente, digamos, pouco inteligente que dizia que o governo estava errado em tentar regular o setor, pode?

    Mas voltemos a Espanha, aqui deixo um video "resume" do que foi e como se deu a crise espanhola: www.youtube.com/watch?v=N7P2ExRF3GQ
    Como podes notar, em 98 o plano já tinha sido iniciado por Aznar já pensando em 99 com a entrada em vigor do ECU por causa da facilidade emprestimos junto ao BCE com seu compulsorio de 3%. Mas nao é coincidencia, a "farra do credito" disparar em 2002... quem nao tem memoria curta, sabe exatamente que essa "chuva de dinheiro" nao veio só do BCE. Boa parte desse "rio de dinheiro" veio de especuladores de Wall Street quando o "magnanimo" Greespan teve que cobrir o rombo de USD5tri da bolha da internet e despejou toneladas de dolares no mercado e afrouxou ainda mais a regulaçao do mercado financeiro. Ou seja, a disparada das construçoes na Espanha se acentuou nesse período. E tanto o FED quanto o BCE nao fizeram absolutamente nada. E tinha poder para faze-lo, principalmente o BC Espanhol e o BCE, mas como os politicos pensam a curto prazo e nao gostam de ser apontados como "recessivos", deixaram correr solto. O FED nem digo nada, porque há muito que manda lá é Wall Street.

    Batizei esse fenemeno de, "a febre do falso rico", algo semelhante ocorreu na Argentina e no Brasil quando houve uma "dolarizaçao" feita claramente de forma artificial nos governos Menem e FHC. O sujeito do dia para a noite pode comprar um monte de bens, na maioria importados. A importaçao dispara, a industria interna quebra porque nao consegue competir com as industrias dos países desenvolvidos, destrói-se dos empregos,os governos se endividam para manter suas moedas valorizadas artificialmente e assim manter o "falso poder de compra" da populaçao e a divida publica vai para a estratosfera, os especuladores vem a escalada alarmante da divida e "dao no pé" com seus dolares, o risco país dispara, aumenta do desemprego, a recessao, encolhimento ou crescimento pifio do PIB e a divida aumenta ainda mais. No Brasil a divida publica se elevou 72% em 8 anos. FHC conseguiu endividar o país em 8 anos o que nós levamos quase 500! A Argentina deu logo o calote e ficou na mingua varios anos. Na Espanha para manter o "falso poder de compra" dos trabalhadores, se facilitou o credito com juros baixos. Como o preço do solo disparou, chegaram ao absurdo de esticar as hipotecas ate 40anos! Quando estourou a crise nos USA, a torneira do credito fechou, pegaram as construtoras, bancos espanhóis (americanos, ingleses, franceses e outros que estavam na farra) com a calça arriada. A coisa piorou quando o desemprego aumentou, fazendo que a economia de la desse mais um "mergulho" e que os bancos locais tivessem que se fundir e se concentrar ainda mais para nao quebrar todo o sistema. Enfim, o video humoristico retrata com uma dose de humor e inteligencia o que se passou na Espanha, sei que gostas das teorias, etc, mas espero que consigas se divertir com uma explicaçao, digamos, menos ortodoxa ;)

    Estou lendo vossos artigos e gostaria que escrevessem como os governos europeus e americano vao conseguir se livrar dessa posiçao de refém? É um circulo vicioso. Socorrem os bancos porque eles sao muito grandes para quebrar, os banqueiros pegam o dinheiro do socorro e voltam ao vicio do "casino bolsa" e tem lucros monstruosos e simplismente deixam a economia estagnada, até que quebram novamente. Digo que é um "circulo vicioso maldito", porque os bancos americanos vem fazendo isso desde da bolha imobiliaria de 88-89 que criou um rombo de USD124bi! Depois com a ajuda do Glenn Hubbard (Dean de Economia da Columbia), eles conseguiram "espalhar" titulos toxicos, minimizar os riscos de curto prazo e fazer com que as "crises" e "bolhas" levem mais tempo para estourar, porem infelizmente as mesmas ficaram nao só maiores, mas também mais perigosas... como podemos ver... a outra veio somente 11 anos depois em 2001 (crise internet), custando 5tri! E 7 anos depois (crise imobiliaria com CDO's e Subprimes)... custando USD7tri só nos USA mais uns USD5-7tri para o resto do mundo. Os governos "socorreram" e o que eles fizeram? Fraudaram o relatorio e a contabilidade da Italia e Grecia, venderam titulos desses países na alta e os que eles nao puderam se livrar, eles fizeram um seguro para a baixa. Provocando de novo um rombo enorme nos investidores, o que consequentemente, acarretará em mais ajudas aos bancos! Qual seria a soluçao, estatizar esses bancos?
  • Leandro  06/10/2011 11:45
    Prezado Luiz, Uma solução efetiva deve seguir três critérios: ela deve ser ética, deve ser baseada em uma teoria econômica sólida e, obviamente, deve criar um arranjo econômico fundamentado em bases sólidas.

    Eis a minha contribuição:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=946

    Abraços!
  • Luiz Santos  06/10/2011 12:14


    Caro Leandro
    "Risível", é achares que uma teoria expansiva criada no seculo passado serve para o mercado dinamico e complexo do mundo atual. Lembre-se que naquela epoca nao havia uma coisa chamada "DERIVATIVO", que te permite especular praticamente sobre qualquer coisa, até na ultima tempestade de areia no Sahara! Hoje, soltam um boato e fazem com que um barril de petroleo saia de 30-40USD e va a 150USD!
    As crises de 1989/2001/2008 foram causadas SIM pela falta de regulamentaçao no mercado. Nao pela INEXISTENCIA delas, e sim devido a uma serie de brechas e pela pura e simples cara de pau dos reguladores de nao quereram aplicar as leis. Pergunte-se porque uma fiscalizaçao mais estrita dos derivativos foi NEGADA pela Commodity Futures Modernization Act no ano 2000? Coincidencia um crash logo depois em 2001? Faça uma pesquisa dos casos de fraudes das agencias de risco e de contabilidade nos casos Enron e MCI. Se o seu "Deus Mercado" se autoregula, ou achas que a regulamentaçao é aplicada corretamente, me responsa porque o Lehman Brothers, Fannie Mae e Freddie Mac assim como a AIG era todos INVESTMENT GRADE, com no minimo um DUPLO A a poucos dias virarem pó? Diga se nao é uma falha de regulamentaçao do governo? Das agencias de risco darem AAA para titulos subprime? Responda porque Timothy Geithner esta no FED se ele nunca foi um regulador na vida, aliás, ele mesmo já afirmou isso. Porque Henry Paulson nao obrigou o Goldman Sachs a aceitar um pagamento de seguro mais baixo da AIG, porque ficou mais que claro que o Goldman fraudou a seguradora? A pergunta de ouro, mesmo com todas as provas e acusaçoes de fraude, porque nenhum dos CEOs dos grandes bancos de investimentos foram pra cadeia? Eu te respondo: Porque Wall Street é quem manda em Washington, essa é sua resposta para a sua pergunta porque o governo americano entupiu os bancos de dinheiro depois das quebras das Dotcom!
    E nao meu caro, estas enganado. A maioria esmagadora das empresas de tecnologia QUEBRARAM! Pegue a lista das açoes que mais subiram antes e depois da crise.Pegue o numero de empresas de tecnologia que pululavam nos anos 2000/01. Se fizeres uma investigaçao seria, veras que os bancos de investimento INFLARAM os preços das empresas que eles sabiam que quebraria, fizeram seguros contra esses mesmos titulos, e lucraram em dobro quando essas empresas quebraram. Pergunte a Henry Paulson porque ele nao deu ouvidos ao relatorio publicado por Raghuram Govind Rajan, alertando para os riscos, indicando o risco da estrutura montada por Glenn Hubbard e que um crash global estaria a caminho se nada fosse feito. O "mago" Paulson, "curiosamente" ex-funcionario do Goldman nao fez nada, porque ele foi um dos que orquestrou o esquema. Enfim, diga o que queiras, o mercado financeiro provocou SIM o crash sabendo o que estava fazendo. E isso poderia ser evitado. Recomendo que leias o livro the "Two Trillion Dollar Meltdown" escrito por Charles R. Morris que previu a avalanche vindo muito antes dela ocorrer ou o documentario "Inside Job"... deixa os livros com as teorias austriacas escritas no seculo passado de lado um pouquinho, e veja um pouco como o buraco é mais embaixo na economia do seculo XXI, OK?
  • Leandro  06/10/2011 13:26
    Caro Luiz, falta você explicar como bolhas e especulações podem ocorrer aos montes sem que haja expansões na oferta monetária. Ou será que a "nova" teoria do século XXI também explica isso?

    Abraços.
  • Marco Antônio  06/10/2011 13:51
    O setor privado pode perfeitamente expandir os meios de pagamento e a liquidez sem a necessidade de haver expansão da base monetária, e as duas expansões claramente não ocorreram pari passu. É um dos pressupostos mais básicos da teoria monetária e está presente tanto na TQM como na TAM. Você deveria saber disso.
  • Leandro  08/10/2011 15:31
    Prezado Marco Antônio, não discordo que, em teoria, é possível isso acontecer (bancos expandirem a oferta monetária sem um banco central). Porém, falta apenas você mostrar como isso de fato ocorreria sem disparar uma corrida bancária e a consequente falência dos bancos.

    Aliás, é exatamente esse mecanismo de autopreservação dos bancos que o pessoal defensor do free banking utiliza como justificativa para a solidez do seu modelo -- afinal, sem um emprestador de última instância (um banco central), bancos não irão expandir indefinidamente a oferta monetária; seria extremamente arriscado para os negócios, pois, quando os clientes fossem aos bancos sacar seu dinheiro, ou quando investimentos errôneos fossem liquidados e o capital dos bancos fossem dizimados, não haveria um banco central para imprimir dinheiro e salvar os bancos que fizeram essa graça.

    Portanto, não se preocupe: eu não apenas "deveria saber disso", como sei até um pouco mais.

    Grande abraço!
  • Arthur M M  22/08/2012 14:23
    Pois é, depois de quase 1 ano parece que os socialistas banqueiros keynesianos não sabem a resposta. Ou se sabem, não querem contar, afinal, é bom para eles.
  • Eduardo  06/10/2011 12:18
    Leandro, ótimo artigo, como de hábito.

    No seguinte trecho do artigo, você diz:


    "Daí veio toda a sequência clássica já explicada pela teoria austríaca dos ciclos econômicos: os agentes econômicos interpretaram a queda (artificial) ocorrida nas taxas de juros bancários - resultado do processo de convergência - como sendo consequência de uma maior disponibilidade de poupança a ser emprestada (poupança essa que nunca existiu, pois a queda artificial dos juros estimulava o consumo)."

    Concordo com quase tudo, o modelo Austríaco, porém, ao sugerir que os agentes econômicos são incapazes de avaliar corretamente a real quantidade de poupança disponível e consequentemente projetar o futuro de maneira eficaz, parece implicar um dilema: A condução sistemática da economia para situações insustentáveis é inevitável por fatores externos (é impossível se proteger de uma chuva de meteoros), ou é inevitável por fatores internos (os agentes econômicos são TODOS tolos)

    O que acontece, a meu ver, é o seguinte: mesmo os agentes econômicos que avaliam corretamente fatores como quantidade de capital, demanda futura, etc, não possuem incentivos para agir de maneira a tornar o mercado mais eficiente (na sua capacidade de alocar recursos escassos para suas funções mais valiosas), é muito "caro" e arriscado apostar contra a opinião BANCADA pelo governo. É como se os governos oferecessem aos agentes econômicos a incrível oportunidade de escolher entre uma roleta russa e uma pastilha de sicuta.
  • Eduardo  06/10/2011 12:46
    pequena correção: pastilha de cicuta.
  • Leandro  06/10/2011 13:32
    Prezado Eduardo, o seguinte artigo responde diretamente a esta sua dúvida:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=142

    Abraços!
  • Eduardo  06/10/2011 14:02
    Obrigado, Leandro. Concordo plenamente com o artigo e acho que era o que tinha em mente quando falava que a estrutura de incentivos governamenteis impedia os agentes econômicos de tomar as decisões sustentáveis. Frank Shostak diz que os empresários devem atender às demandas imediatas ou falir, é a escolha entre a roleta russa e a pastilha de cicuta.

    abraço.
    Eduardo.
  • Xisto  07/10/2011 13:30
    Ele não disse que a EA é corporativista, mas que a interpretação feita pelos economistas do IVM é tendenciosa, que os argumentos são pinçados seletivamente dos escritos de Von Mises, Hayek, Rothbard & friends e adaptados de forma a ser conveniente somente à visão do empreendimento, independente de sua configuração, corporativo ou não.

    Primeiro, não é nenhuma surpresa que os argumentos sejam pinçados de escritos de von Mises, Hayek, etc. Segundo, não são pinçados seletivamente, e não são tirados do contexto. Terceiro, se fosse esse o caso, os textos deste site defenderiam algum tipo de defesa do estado aos empreendedores, como se eles fossem de cristal, e ignorariam as duras críticas de Rothbard ao "capitalismo fajuto", por exemplo.
    O que se vê aqui é uma defesa do empreendorismo que deixa também ao empreendedor a total responsabilidade sobre as consequências de seus atos - incluindo a falência. Se o sujeito investir em um negócio que deu totalmente errado, ele é que tem que arcar com os custos, não pode sair por aí dizendo que é importante demais para falir e pedir uma ajudinha do governo. Se ele precisa de capital, não deve se dizer muito importante e pedir um financiamento camarada do governo, e muito menos exigir que o governo o ajude caso ele esteja com problemas.
    Se o "verdadeiro economista" confundiu corporativismo com uma simples defesa coerente de um conjunto de princípios, então ele usa o termo "corporativismo" sem pensar no seu significado.

    Ele disse que nós, economistas alinhados à IVM, lemos e não entendemos nada.

    Da mesma forma que vocês leram e não entenderam nada do que ele falou.


    Se ele quer que as pessoas entendam o que ele falou, então ele deve pensar no significado das palavras que escreve.
  • Jorge Tadeu  07/10/2011 15:19
    Xisto, acho que você não está entendendo.

    Deveria entrar em contato com outras teorias pra sacar que elas atribuem significados diferentes para termos diferentes.

    Para keynesianos, corporativismo tem um significado difernete. Para institucionalistas, é outro. Para marxistas, mais um.

    A etimologia é relativa em economia política, assim com os conceitos. Procure sobre a interpretação da curva de Philips para keynesianos e neo-clássicos, por exemplo.

    Faltou essa interpretação da sua parte...
  • anônimo  08/10/2011 11:21
    Desculpa, mas aqui usa-se o significado que as palavras têm no dicionario, e não num mapa esotérico.
  • Marco Antonio  08/10/2011 15:21
    É porque fica muito difícil pra cabecinha de vocês atribuir mais de um significado pra mesma palavra...
  • Joao  09/10/2011 13:27
    Acho que as bolas de cristal do pessoal deste site não estão funcionando direito. É por esse motivo que ninguém conseguiu adivinhar o que significa se corporativista neste caso. Peço desculpas por isso. Indique-nos uma boa marca de bola de cristal para que nós realizemos as trocas.
  • Emerson Luis, um Psicologo  26/05/2014 13:34

    Keynesianos não aprendem com a experiência alheia nem com a própria.

    * * *


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