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O que virá após o dólar?

O destino do dólar

Meus leitores já estão familiarizados com minhas recentes previsões quanto ao futuro do dólar: a moeda americana está em declínio terminal.  Os EUA estão tragicamente falidos, o governo é incapaz de quitar seus empréstimos sem que tenha de recorrer à impressão de dólares e o país está enredado em uma depressão econômica.  O relógio já está em contagem regressiva para o dia em que o dólar finalmente irá enfrentar uma crise de confiança, assim como ocorre com todas as bolhas.  A diferença essencial entre esse colapso e, por exemplo, o estouro da bolha imobiliária é que o dólar americano é a espinha dorsal da economia global.  Sua destruição deixará um vácuo que terá de ser preenchido.

Os comentaristas convencionais sempre enumeram os três principais concorrentes para assumir essa função: o euro, o iene, e o renminbi chinês (conhecido informalmente como yuan).  Entretanto, todas essas três possuem, cada uma à sua maneira, falhas cruciais que as tornam despreparadas e incapazes de assumir a função de moeda de reserva internacional quando chegar o momento do colapso do dólar. 

Ou seja, no que diz respeito a alternativas fiduciárias, parece que o mundo irá simplesmente sair da frigideira e ir direto para o fogo.

Euro: desfiando-se nas bordas

O euro é um experimento de apenas dez anos de idade, uma tentativa de unir divergentes interesses políticos, econômicos e culturais sob uma moeda de papel de curso forçado, a qual é controlada por um único e muito poderoso banco central.

Caso fosse gerenciada corretamente, tal moeda poderia servir para manter honestos os governos que a utilizam — mas esse não é o mundo em que vivemos.  Exatamente por isso, os governos fiscalmente irresponsáveis já estão debatendo a possibilidade de sair da moeda, e logo no primeiro sinal de problemas.  Ou seja, tais governos preferem ter e manusear uma moeda própria, a qual eles poderiam inflacionar sempre que quisessem reduzir o fardo de suas dívidas públicas.  Sendo assim, com o intuito de manter coeso esse arranjo do euro, as nações credoras foram forçadas a dar pacotes de socorro fiscal para as nações devedoras — ainda que tal medida viole as regras do pacto que criou a moeda comum.

Logo, a pergunta passa a ser: até quando os alemães — ainda escaldados pelas lembranças da hiperinflação da República de Weimar e a consequente ascensão do Terceiro Reich — irão aceitar que o Banco Central Europeu continue imprimindo euros para pagar as dívidas dos perdulários gregos?  Quantos políticos alemães irão vencer eleições sob a promessa de pacotes de socorro infinitos e preços crescentes por toda a Europa?  Esse é o defeito crucial do euro. 

E, é claro, a Grécia não é o único problema.  Irlanda e Portugal estão em disputa acirrada pelo título europeu de segunda pior crise da dívida.  A Espanha, que representa 12% do PIB da zona do euro, viu os juros de sua dívida pular de 4,1% para 6,6% ao longo de 2010.  Os juros dos títulos das dívidas de todos os outros países da zona do euro também continuam subindo — uma clara indicação de que a zona do euro é uma aposta crescentemente arriscada.

É verdade que, caso os PIGS decidissem sair do euro, isso poderia de fato tornar o euro mais forte; porém, tal secessão seria um evento traumático.  Essa possibilidade está solapando a confiança no euro justamente no momento em que o mundo está analisando para onde ir daqui pra frente.

Talvez uma moeda mais madura, que não vacilasse tão facilmente em meio à recente crise financeira global, fosse uma melhor opção para assumir o posto de moeda de reserva internacional.  O euro, no entanto, é jovem e já está com sérios problemas.  Se menos de duas dúzias de nações já mostraram ser um fardo imenso para o euro suportar, será que devemos esperar melhores resultados caso o euro passasse a servir a duas centenas?

Yuan: país capitalista, moeda comunista

Os investidores estão lentamente começando a adotar o meu entusiasmo — o qual mantenho há muito tempo — quanto ao miraculoso crescimento da China.  E essa mudança de postura não se trata de nenhum furor.  Com efeito, se algo, creio que muitos ainda são muito ariscos quando se trata desse mercado.  Entretanto, aqueles que se encantaram com a China e já entraram alegremente no trem da alegria, começaram agora a proclamar que o yuan chinês é o sucessor lógico do moribundo dólar.  Porém, embora a China esteja se tornando uma imensa força econômica, o próprio yuan ainda continua amarrado e restringido pelo passado comunista do país.

Antes de tudo, a China impõe um rígido controle de capital sobre o yuan.  Uma moeda de reserva internacional tem de ser livre e facilmente conversível em outras moedas.  Mesmo dentro das fronteiras da China, um indivíduo não consegue trocar grandes quantias de yuan por dólares ou por qualquer outra moeda.

A China está, muito lentamente, fazendo reformas para aliviar esses controles, mas vale lembrar que estes não foram impostos arbitrariamente; eles estão ali para permitir que a China contenha a valorização do yuan, permitindo — dentre outras consequências — que seu setor exportador se mantenha artificialmente expandido.  Caso o governo chinês permitisse que o yuan fosse livremente conversível, ele perderia esse poder que mantém sobre sua moeda — e, por conseguinte, sobre seu povo.

Vale lembrar que todas as moedas de papel são rotineiramente manipuladas e inflacionadas.  O Banco Central da China relatou que o M2 cresceu mais de 140% nos últimos cinco anos — crescimento esse que se deu quase que exclusivamente para manter uma taxa de câmbio estável perante um dólar cada vez mais desvalorizado.

Iene: buraco negro de dívidas

O iene japonês é o terceiro Don Juan dessa fiesta fiduciária internacional.  Embora não padeça dos riscos estruturais do euro, o iene sobrevive em um ambiente de colossal dívida soberana.  A razão dívida/PIB do Japão, de 225%, é a maior dentre todos os países desenvolvidos, o que significa que sempre haverá aquele ímpeto de imprimir mais dinheiro para quitar ao menos parte dessa dívida.  Dado que o iene tem de suportar esse nó corrediço, ele se torna uma alternativa fraca ao dólar americano, o qual padece exatamente do mesmo problema.

Embora eu creia que o Japão está em uma situação muito melhor que a americana — porque mantém uma balança comercial positiva e porque a maior parte de sua dívida está em mãos domésticas —, sua moeda ainda não é uma unidade estável com a qual conduzir o comércio mundial.

Talvez ainda mais importante: caso o mundo começasse a buscar ienes para construir suas reservas, o preço da moeda japonesa iria aumentar drasticamente.  Isso seria politicamente inaceitável no Japão, onde o lobby exportador está constantemente tentando desvalorizar o iene para estimular suas vendas internacionais. 

A combinação desses dois fatores torna impraticável o iene ser uma moeda de reserva internacional.  A valorização do iene iria, ao mesmo tempo, piorar os problemas da dívida do Japão e fazer com que sua indústria exportadora sofresse enormemente — o que significa que o Japão provavelmente está menos interessado em assumir essa função do que nós queremos que ele esteja.

A solução mais simples frequentemente é a melhor

Como J.P. Morgan memoravelmente disse ao Congresso americano em 1913, "apenas ouro é dinheiro, nada mais".  Morgan quis dizer que o ouro era incomparável e insuperável em sua eficácia como reserva de valor e meio de troca.

Dado que seu banco homônimo, em fevereiro passado, começou a aceitar barras de ouro como garantia para empréstimos, por que a tendência de retorno em ampla escala para o ouro deveria ser considerada apenas uma possibilidade remota?  Ao contrário, ela deveria ser esperada — no mínimo, simplesmente porque todas as outras moedas de papel estão fundamentalmente em estado desanimador.

Mercados são arranjos poderosos, e requerem um meio de troca confiável, honesto e seguro.  A exigência de uma moeda sólida e forte não é apenas filosófica; ela advém do próprio mercado.  Ao longo da história humana, mercadores e comerciantes sempre recorriam ao ouro e à prata perante o surgimento de novas moedas pretendentes.  O arranjo em que vivemos hoje não é o primeiro experimento da história com um sistema de dinheiro de papel, tampouco estamos vivendo a primeira desvalorização do dinheiro em larga escala.  Com efeito, as lições da história já haviam sido apreendidas pelos pais fundadores dos Estados Unidos, os quais escreveram claramente na Constituição americana: "Nenhum estado deverá... tornar qualquer coisa que não seja moedas de ouro e prata em meio de pagamento forçado para a quitação de dívidas."

Embora sempre tenha existido a possibilidade de outra moeda de papel crescer a ponto de assumir o lugar o do dólar como moeda internacional de reserva, e assim dar continuidade a esse experimento irracional de dinheiro em contínua desvalorização, as circunstâncias específicas que predominam atualmente tornam cada vez menos provável que isso ocorra.  Ao contrário: de minha perspectiva, vejo sinais de que o mundo está voltando para o ouro a uma velocidade atordoante.

Isso seria meramente um retorno à normalidade e traria muitas implicações positivas para a economia global.  É certamente um rumo que todos nós devemos acolher favoravelmente, e lucrar com isso.


Image by AZRainman.com


autor

Peter Schiff

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.



  • marcel  02/06/2011 11:26
    seria a hora de começar a comprar ouro?
  • Mario Cunha  02/06/2011 13:27
    Já passou da hora...
  • Angelo Noel  02/06/2011 13:47
    Acerta mais essa previsão pra gente, Schiff!
  • A. Reijers  02/06/2011 16:29
    Respondendo criptoanarquicamente à pergunta do título:
    BITCOIN!

    bitcoin.org
    pt.wikipedia.org/wiki/Bitcoin
    pt.wikipedia.org/wiki/Criptoanarquismo
  • Fernando Chiocca  02/06/2011 17:00
    Não vejo como algo sem valor como o bitcoin se tornar uma moeda sem ser através do curso forçado, como é feito com o papel com tinta hoje.

    Escassez não é tudo para que algo se torne uma moeda.

    Don't Buy Bitcoins

  • Tiago RC  03/06/2011 05:58
    Sem valor? Bitcoins já estão chegando perto de $10,00 cada, o valor total superando 50 milhões de dólares. Como sem valor?
    Eu valorizo as bitcoins. Milhares de outras outras pessoas o fazem. Isso por si só já fazem com que tenham valor. Não se esqueça que valor é subjetivo.

    As razões por valorizá-las já apresentei algumas vezes, não custa repetir. Já que imagens valem por mil palavras, aqui estão algumas:

    Quantidade total de ouro produzida: www.moneyweek.com/~/media/MoneyWeek/2011/110404/11-04-07-MM02.ashx?w=450&h=326&as=1
    Quantidade total de bitcoins: en.wikipedia.org/wiki/File:Total_bitcoins_over_time.png

    Além disso, o pseudo-anonimato das bitcoins te garantem uma privacidade financeira que mesmo uma volta ao padrão-ouro por si só não garantiria (ou você consegue imaginar um serviço como esse usando transferências bancárias convencionais?). E, claro, é muito mais fácil proteger e transferir dados do que qualquer coisa física, você sequer precisa de um banco pra isso.

    Já percebi que certos libertários parecem adorar o metal amarelo de uma forma quase religiosa. Mesmo no universo dos metais preciosos existem alternativas mais interessantes que ouro. Analise calmamente quais características fazem do ouro algo tão bom como moeda, e depois estude o conceito de cryptocurrency e você verá como elas são superiores.

    Mas bom, paciência. Se uma coisa o ouro tem são milênios de história. Não espero que libertários mais avessos à tecnologia mudem de idéia tão rápido. O conceito de cryptocurrency é novidade - pode ser que as bitcoins sejam superadas por uma idéia melhor, por ex. Vamos dar tempo ao tempo...
  • A. Reijers  02/06/2011 17:06
    Valor é algo subjetivo.
    [Aprendi isto com vocês do Mises ;)]
  • Fernando Chiocca  02/06/2011 17:22
    Hehehe, então, subjetivamente falando, não sei como alguém pode trocar uma dúzia de ovos por bitcoins, ou mesmo por papel com tinta, a não ser que seja obrigado.

    E mesmo o papel com tinta não conseguiria ser transformado em moeda nem através da força se antes não tivesse sido atrelado a uma commodity já valorizada subjetivamente por quase todo mundo.
  • A. Reijers  02/06/2011 17:24
    Eu também não sei. Só sei que a bitcoin já é usada (e cada vez mais) e não há qualquer "pingo" de coação por trás disso.
  • void  02/06/2011 21:43
    Da mesma forma que o ouro não tem valor intrínseco, Bitcoins não têm valor intrínseco. Seu valor se dá pela própria aceitação desta, pela confiança nela como moeda. Agora, do ponto de vista do risco em se assumir algo virtual como commodity, sou obrigado a dizer: não troco o ouro por ela.
  • Fernando Chiocca  02/06/2011 23:00
    O ouro tem valor pois é uma coisa útil para satisfazer variadas demandas, desde jóias à componentes eletrônicos.
    Bitcoin nem existe no mundo físico.
  • Erick Skrabe  02/06/2011 23:58
    O ouro é especial por uma série de fatores:

    Antigamente as pessoas faziam escambo. O ouro se destacou justamente por ser inútil. Vc ñ pode fazer uma arma de ouro ou uma casa de ouro. E isso é uma vantagem. Antes do ouro, se vc recebia uma dúzia de ovos, vc comia os ovos e acabava o "dinheiro". O ouro não. Talvez se pudesse fazer alguma jóia, mas o ouro sempre estaria lá.

    OK, mas e qto as outras coisas "inúteis" ? O ouro é bonito. Ele brilha, as pessoas querem um pouco dele para ficar olhando.

    O ouro tb é divisível, é fácil de se trabalahar com ele, relativamente fácil atestar se é original ou uma falsificação e tem um volume relativamente constante. Ñ tem muito, mas tb ñ é algo raríssimo.

    Talvez hj tenhamso algumas aplicações q realmente requerem ouro no campo da eletronica. Mas são poucas. As pessoas ainda querem olhar para ele, na forma de joias, por exemplo.

    Interessante mesmo é essa coisa do ouro branco. Poderia ser até algum outro material, mas ñ, as pessoas ainda querem q seja 'ouro', mesmo que de outra cor.

    Eu acho boa a idéia do bitcoin como curiosidade, mas acho arriscado. E se cair a rede ? Imagine ter um terremoto e ficar sem energia por 1 mês... e aí ? - por isso ainda acho importante ter algo físico. Por outro lado quem garante q qde de bitcoins ? - OK, até acredito q o algorítmo seja bom mas ñ existe essa coisa de "programa de computador perfeito".
  • Tiago RC  03/06/2011 06:09
    Fato, existem riscos ao se usar bitcoins como investimento. Os principais ao meu ver são:
    * as bitcoin serem superadas por uma cryptocurrency melhor.
    * O governo da sua jurisdição começar a perseguir bitcoins com mais vontade do que persegue cocaína, e isso tornar o seu investimento "travado" de uma certa forma.

    Problemas de rede não me preocupam, até porque já existem materializações das bitcons.

    E mudar o esquema de inflação só seria possível mudando o software e convencendo todo mundo a usar outra versão. Você poderia criar o seu "inflatocoin", mas não seria reconhecido pelo programa bitcoin como válido.

    Abraços,
    Tiago.
  • Bruno A  03/06/2011 00:16
    Não faz sentido algum justificar a escolha do ouro pela utilidade. Existe uma infinidade de outras coisas mais úteis que ouro, como minério de ferro, aço, terras raras, fosforo, potássio, petróleo, enfim... A lista é gigantesca.
  • Bruno A  03/06/2011 00:18
    Além disso ouro pode ser inflacionado, novas reservas podem surgir, processos de alquimia podem ser criados, explorações interplanetárias podem começar, ai amigo.. já era sua reserva de valor, a inflação vai comer tudo.

    Já o BITCOIN não, é limitada. Tudo que eu quero da minha moeda é a garantia que ela não vai ser inflacionada, e BITCOIN atende perfeitamente essa demanda.
  • rafael  03/06/2011 03:34
    e porque é necessário ter usos alternativos para a moeda? acredito que dependa apenas da adoção das pessoas como meio de troca. Até a moeda do WoW é utilizado para trocas no mundo real.
  • Tiago RC  03/06/2011 06:00
    Já existe sim: bitbills.com/ ;-)
  • Miguel A. E. Corgosinho  02/06/2011 17:29
    Sabemos que no caso dos agentes naturais, a ordem ao efeito ou a ação é a próprio valor do agente.

    Eis que o valor é uma existência do conhecimento, mas o trocaram por preço, imanente de uma coisa que não é.

    Que tipo de transição nos conduzem... Como seria possível comprar ouro com as reservas de papel que ficarão inválidas?

    Evidentemente só é possível realizar ou produzir o valor se a ação estiver escrita com os princípios precedentes das operações dos agentes naturais (causas de referência).

    Senão precisaremos de um objeto para olhar nele e dizer: olha, que interessante, esse objeto tem valor de referência, e por isso mesmo irá ordenar a ação de ser dos demais.

    Mas um objeto não é o agente natural - ele não sabe funcionar imanente a uma coisa que não é?

    É preciso que a ação ou o efeito estejam impressos antes de ser na realidade. Ou seja, o padrão de valor é o próprio padrão natural de determinação das coisas que virão a ser na moeda.
  • Daniel  02/06/2011 22:29
    é, mas esse bitcoin é a coisa mais fiduciária que eu já vi, hahaha
  • Cerqueira  03/06/2011 03:54
    Cuidado com o que vcs escrevem na net, o grande irmão espia tudo:

    br.noticias.yahoo.com/processo-%C3%A9-aberto-jovem-ofendeu-nordestinos-234500627.html

    'De acordo com o Ministério Público Federal, o caso tramitou sigilosamente "para preservar o conteúdo das quebras de sigilo telemáticas necessárias para confirmar se o perfil realmente era atualizado por Mayara".'
  • sidnei  03/06/2011 20:25
    A moeda de hoje é o dolar.
    A do futuro será o NOVO DOLAR. Vermelho...fiduciária.
    É só dar o calote em todo mundo e dizer que podem exportar todo o excedente do mundo para eles. O americano bancará o mundo, rapazeada.
    Quanto ao OURO: é bom pra fazer jóias. Se voltar o padrão-ouro o ouro vai pra mil doláres o grama. Quais paizes podem ter suas moedas conversíveis em ouro, senhores?
    Igual ao padrão-ouro é criar-se a obrigatoriedade de 100% de depósito compulsório, ou perto disto...
  • augusto  05/06/2011 13:04
    "Quanto ao OURO: é bom pra fazer jóias. Se voltar o padrão-ouro o ouro vai pra mil doláres o grama. Quais paizes podem ter suas moedas conversíveis em ouro, senhores?"\r
    \r
    Esse eh um engano que eu vejo pipocar em todas as discussoes sobre um possivel retorno ao padrao-ouro, mas ate hoje ainda nao consegui bolar uma forma didatica de explicar que o suposto problema do aumento do preco do ouro em dolares eh um falso problema.
  • Joao  05/06/2011 11:29
    Quanto ao OURO: é bom pra fazer jóias. Se voltar o padrão-ouro o ouro vai pra mil doláres o grama. Quais paizes podem ter suas moedas conversíveis em ouro, senhores?

    Igual ao padrão-ouro é criar-se a obrigatoriedade de 100% de depósito compulsório, ou perto disto...


    O problema é que essa obrigatoriedade deveria ser mantida pelos governos. Sejamos realistas: quantos governos vão querer manter uma regra que limite seus gastos? É muito mais fácil se endividar até o pescoço, garantir o paraíso na terra, desde que os investimentos sejam "aplicados corretamente".
  • Artur Reis  05/06/2011 16:57
    Como fasso para adquirir ouro fisico que possa ser mantido em minha posse ?
  • Adriano klein  07/06/2011 15:32
    Em vez de Bitcoin

    VOLTA E-GOLD !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Melhor moeda virtual!

    www.e-gold.com/

    en.wikipedia.org/wiki/E-gold

    Tu compra Microgramas de ouro, mas pelo mês são microgramas de ouro e não gramas de papel e tinta!
  • Tiago  07/06/2011 19:01
    E-gold era centralizado, por isso caiu. E bom, ouro não é melhor que cryptocurrency, mas enfim... dá uma olhada nas imagens que postei lá em cima se quiser.

    Se quer moeda digital lastreada em ouro, tem a pecunix que ainda está de pé: www.pecunix.com/
    Tem a mesma desvantagem do e-gold (centralização), porém é sediada no Panamá se não me engano, provavelmente por isso ainda não foi fechada.
  • EUDES  15/06/2011 15:35
    No Brasil, todas, ou quase todas, as minas de ouro importantes na Amazônia estão fechadas; o governo não permite a exploração delas. O padrão-ouro poderia fazer com que os políticos mudassem de idéia.
  • anônimo  12/05/2012 19:27
    Não tenho dinheiro para comprar ouro hoje, que vai acontecer comigo quando o padrão-ouro voltar? =/
  • Augusto  13/05/2012 05:08
    Nada. Voce vai comecar a receber seu salario em ouro, e tera ouro para gastar.
  • anônimo  12/05/2012 19:30
    Digam qual a falha no meu raciocínio (sei que existe, mas não pesquei hehehe): numa sociedade (não falo de anarcocapitalismo, mas algo mais parecido com os EUA do passado ou mais liberal do que a Suíça de hoje, palpável no curto-prazo) com moeda lastreada em ouro, o aumento da oferta de ouro (como citaram aí, por descobrirem minas novas ou até em outros planetas) não faria diferença significativa, porque poderiam atribuir um padrão baseado em outra coisa, certo? Aliás como ficariam as trocas entre pessoas de países que adotassem padrões distintos?\r
    \r
    Obrigado.
  • Pedro Ivo  13/05/2012 09:44
    Saudações anônimo.

    respondendo sua pergunta: [1] "como ficariam as trocas entre pessoas de países que adotassem padrões distintos?" Ficaria do mesmo modo como está agora: haveria taxas de câmbio entre os diferentes padrões, e você acompanharia estas variações no seu tablet, TV ou notbook. Haverá (como já existe) sítios de internet que fazem conversões dos valores com base na cotação do momento; é o que já acontece quando você precisa fazer comércio entre países: via de regra, converte-se os padrões diferentes (as duas moedas nacionais) num padrão comum (frequentemente o dólar); [1.1] E, p/ contratos de longo prazo, os contratantes podem instituir uma cotação fixa entre os padrões, com base na variação entre eles dar-se num espectro previsível de possibilidades (isto acontece entre certos produtos, logo, pode-se escolher uma cesta-de-produtos que mantenha a mínima variação entre os dois padrões); [1.2] o contrato pode ser estabelecido não 'entre padrões' mas dentro de um só padrão. Então os contratantes vão à bolsa de mercadorias e futuros e compram contratos futuros do padrão (o padrão será provavelmente uma commoditie) para se precaver contra choques súbitos no cambio. Isto se faz comprando não a commoditie, mas um 'contrato de compra futura' desta commoditie. Funciona, grosso modo, assim: supondo que, hoje, a onça de ouro está a US$1800, e o contrato da onça de ouro para daqui 6 meses [ou um ano; tanto faz o prazo] esteja em US$1823. Se eu temo que o ouro possa se apreciar mais que isto neste prazo, compro este 'contrato' que me dá o direito de numa data específica, daqui a 6 meses, a comprar X onças de ouro a US$1823. Se nesta ocasião o ouro estiver num valor maior que este, estou no lucro; aso haja se depreciado, tive prejuízo. Através destes contratos (que funcionam como seguros) os operadores de valores (que negociam em diferentes padrões de commodities. Eles apenas mensuram tudo em moedas nacionais, mas estão negociando entre diferentes padrões, pois negociam commodities. Caso precisem negociar frequentemente com moedas diversas, usam do mesmo procedimento, mas com contratos sobre moedas, e não sobre commodities)


    [2] "numa sociedade (não falo de anarcocapitalismo, mas algo mais parecido com os EUA do passado ou mais liberal do que a Suíça de hoje, palpável no curto-prazo) com moeda lastreada em ouro, o aumento da oferta de ouro (como citaram aí, por descobrirem minas novas ou até em outros planetas) não faria diferença significativa, porque poderiam atribuir um padrão baseado em outra coisa, certo?": meio certo. De fato, pode-se usar padrões diferentes conforme as necessidades do cliente. Pode haver moedas baseadas em ouro ou prata, como numa cesta de cereais (por ex., o cereal mais cultivado do mundo é o trigo. Pode haver uma moeda baseada em trigo. Ou numa cesta de cereais, como trigo, arroz e milho. Sendo os três cereais mais cultivados, muitas coisas tem seus preços variando em torno destas 3 culturas, logo, tem seus preços relativamente constantes às safras). Por outro lado a quantidade de ouro no Sistema Solar é constante: 5 gramas de ouro por cada 1000 toneladas do restante. Isto porque o ouro é formado no interior de estrelas com massas centenas de vezes maiores que a do Sol. Logo, o ouro é raro no universo como um todo. O ouro nunca se tornará um mal padrão monetário por 'abundância'. Teria de ocorrer um evento de outra natureza para tornar o ouro inútil. Por ex., existem moedas (como Bitcoins) não conversíveis em produtos, mas que tem quantidade fixa (quando o último Bitcoin for emitido, não serão emitidos mais. Logo seu valor marginal crescerá com os anos, e menos Bitcoins comprarão mais produtos, tudo o mais constante). Talvez elas se tornem um padrão preferível à commodities devido a um mundo cada vez mais digitalizado e em rede (mas isto é só uma especulação de cunho didático para não te deixar sem um exemplo – não gosto de explicar um conceito sem apontar uma ilustração, pois pode confundir mais que explicar. Não estou afirmando que isto ocorrerá).

    E por fim, numa sociedade mais liberalista, possível hoje (e não num anarcocapitalismo distante), haveria mais livre concorrência, mais leis privadas, menos entraves estatais à concorrência, mais liberdades civis, etc., como você pode ver nestes artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1279 (No Panamá não há Banco Central)
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=608 (A incerteza e suas exigências - o papel crítico das seguradoras em um livre mercado)
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=642 (O mercado e o sistema de saúde de El Salvador)
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=105 (Quatro medidas para melhorar o sistema de saúde)
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=349 (A medicina socializada e as leis econômicas)
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1115 (Mitos vs fatos no sistema de saúde sueco: O direito de esperar )
    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=8 (desarmamento)
  • Rhyan  04/09/2014 06:46
    Essas previsões do Schiff ainda estão de pé? Porque a tal hiperinflação e declínio do dólar ainda estão muito longe da realidade. O mundo ainda demanda por dólares.
  • anônimo  04/09/2014 16:58
    Vc é mesmo leitor desse site? Se fosse não perguntaria isso e já saberia que esse dinheiro não entrou na economia.
  • Rhyan  05/09/2014 12:50
    Eu conheço a explicação, mas de qualquer forma houve um erro de timing. Queria mais detalhes do assunto, se a hiperinflação americana é inevitável ou se há uma forma de evitá-la (qual?). Qual seria o porto mais seguro no momento, o ouro ainda?
  • Hay  05/09/2014 19:34
    Eu conheço a explicação, mas de qualquer forma houve um erro de timing. Queria mais detalhes do assunto, se a hiperinflação americana é inevitável ou se há uma forma de evitá-la (qual?). Qual seria o porto mais seguro no momento, o ouro ainda?

    A hiperinflação monetária já aconteceu, especialmente com a bolha de ativos se formando. O que ainda não aconteceu foi a inflação de preços e um declínio do dólar. Pode ser até mesmo que demore um bocado de tempo a mais, mas não vejo como os EUA ficarem a salvo das consequências de uma decuplicação da dívida. É bem provável ser que um ou mais eventos mundiais acabem catalizando um efeito dominó.
  • Rhyan  12/09/2014 22:11
    Pronto, terminei de ler o livro do Schiff (Como a Economia Cresce e Porque ela Quebra). No fim do livre ele fala que as possibilidades são mesmo a hiperinflação ou a inadimplência, e que a demanda mundial pelo dólar deu sobrevida à moeda.

    Muito improvável que os atuais ou próximos políticos resolvam isso. Será que o Rand Paul se eleito em 2016 conseguiria evitar esse desastre?

    Só não entendi bem por que Peter Schiff coloca sempre os chineses como os idiotas da história.
  • Bruno   05/09/2014 21:04
    Se o dólar deixar de ser a moeda internacional de reserva, o que vai acontecer? Os países que possuem títulos americanos vão converter os títulos para dólares à vista e despejar esses dólares no mercado interno americano, já que este será o único mercado que os aceitarão?
  • Carlos Garcia  06/09/2014 13:48
    Se isso acontecer a inflação nos EUA vai finalmente acompanhar o ritmo de expansão monetária que os quantitative easings realmente representam.
  • Emerson Luis, um Psicologo  24/12/2014 19:19

    O dólar provavelmente sobreviverá por ser reinventado e por falta de concorrentes à altura, mesmo que isso signifique algum tipo de lastreamento em padrão ouro.

    * * *


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