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O mundo sem ninguém: o sonho dos ambientalistas

Os ambientalistas estão sempre pregando a preservação do ambiente.  O objetivo deles parece ser evitar que a ação humana altere a fauna e a flora.  No entanto, a própria sobrevivência do homem depende de sua interação com o ambiente, transformando-o para satisfazer suas necessidades e retirando dele o que é preciso para sobreviver (e viver).  Visto que é inevitável que o ser humano altere o meio em que vive, os ambientalistas parecem querer que o atual estado do ambiente seja preservado, e que não ocorra nenhuma alteração adicional na quantidade atual de plantas e animais — mesmo que isso implique uma diminuição da quantidade e qualidade de vida dos seres humanos, deixando claro que esta ideologia valoriza mais insetos, sapos, micos e mato do que o homem.  Uma pergunta que surge é por que o atual estado deve ser preservado?  O que há de tão bom nele?  Por que, por exemplo, o imenso deserto verde amazônico deve ter seu tamanho colossal mantido?  Murray Rothbard, ao analisar as conseqüências econômicas das leis de preservação faz exatamente essas perguntas:

Quantos e quantos escritores reclamam da brutal devastação que o capitalismo impõe as florestas americanas!  Porém, é evidente que a terra na América tem sido usada para produções que são mais valorizadas do que a produção de madeira, e, consequentemente, a terra foi destinada aos fins que melhor satisfaziam os desejos dos consumidores.[1]  Em que critério além deste os críticos podem se basear?  Se eles acham que muita floresta foi cortada, como eles podem estabelecer um critério quantitativo para determinar quanto é "muito"?  Na verdade, é impossível estabelecer um critério destes, do mesmo modo que é impossível estabelecer qualquer critério para a ação do mercado fora do mercado.  Toda tentativa de fazer isso vai ser arbitrária e não será baseada em nenhum princípio racional.[2]

Boston.jpg
150 anos sem ninguém: O edifício mais alto de Boston desmorona sobre a mata que domina a cidade
Então, se não existe este critério, poderíamos levar as reivindicações dos ambientalistas as suas últimas consequências lógicas.  O History Channel exibe uma série de documentários que mostra o que aconteceria com o planeta Terra se todas as pessoas desaparecessem de uma hora para outra.  Nos primeiros seis meses, os animais selvagens já estariam novamente vivendo nas cidades.  Com um ano, o mato estaria tomando conta da área urbana, e com cinco anos as ruas e estradas teriam desaparecido embaixo deste mato.  Passados 25 anos sem ninguém, as estruturas de concreto e aço começam a ruir sem o trabalho humano de conservação, e após 200 anos somente as mais resistentes estruturas de concreto reforçado ainda estarão de pé.  Mas transcorridos 500 anos, mesmo estas sucumbirão, e após mil anos quase todas as evidencias da civilização terão desaparecido e as cidades serão novamente grandes florestas.  Seria este o mundo ideal que os ambientalistas querem impor à humanidade?  Se não, por que não?  Em que ponto eles pretendem parar de advogar agressões contra a propriedade alheia em nome de uma preservação?

Há aqueles que alegam que as leis de preservação são essenciais para manter a vida humana; que caso os humanos não tivessem suas liberdades de ação cerceadas por um ente superior e altruísta, eles acabariam com os recursos naturais e deixariam o ambiente do planeta hostil à vida.  Estes ambientalistas falham em reconhecer que um sistema de inviolabilidade dos direitos de propriedade, que se oriente pelos preços do livre mercado para alocar os recursos, é a melhor maneira de garantir um ambiente sustentável e o maior bem estar para as pessoas (leia mais aqui e aqui).  E sobre a alegação da necessidade de se preservar recursos não-renováveis, Rothbard faz a seguinte análise:

.. há de se presumir que os recursos não-renováveis deverão ser usados em algum momento, e deve ser encontrado um ponto de equilíbrio entre a produção presente e a futura.  Por que as vontades da presente geração possuem tão pouco peso nessa decisão?  Por que a geração futura possui um valor tão maior, capaz de impor à atual um fardo muito mais pesado?  O que a futura geração tem para merecer este tratamento privilegiado?  Na verdade, uma vez que as futuras gerações tendem a ser mais ricas do que a presente, seria melhor aplicar o inverso! .. Além do mais, transcorridos alguns anos, o futuro terá se tornado o presente; então as gerações futuras também devem ter suas produções e consumos restritos em nome de outro "futuro" fantasmagórico?  Jamais devemos esquecer que o objetivo de toda atividade produtiva são bens e serviços que irão e poderão ser consumidos apenas em algum presente.  Não existe nenhuma justificação racional para penalizar o consumo em um presente e privilegiar um presente futuro; e seria ainda mais impossível justificar a restrição de todos os presentes em favor de algum "futuro" ilusório que pode nunca chegar e está sempre além do horizonte.  No entanto, este é o objetivo das leis de conservação.  As leis de conservação são na verdade legislações fantasiosas da Terra do Nunca. [3] [4]

coruscant.jpg
O planeta-cidade Coruscant, capital da galáxia
E a ausência do uso ou ameaça do uso de violência física para preservar o ambiente também não significa que ocorreria um cenário inverso ao mundo sem ninguém — um mundo superlotado e completamente alterado pela ação humana, algo como o planeta Coruscant, a capital da galáxia na saga Guerra nas Estrelas, que possui a totalidade de sua superfície ocupada por uma cidade.  Em um livre mercado, a simples satisfação que as pessoas obtêm ao apreciar uma paisagem natural seria o suficiente para que diversas áreas fossem mantidas intactas pelos seus proprietários.  Mas se um mundo como Coruscant fosse o resultado da ausência de agressão, seria, obviamente, muito bem vindo.

Sendo assim, quem ganha com estas legislações de preservação?  Além dos burocratas parasitas que têm seus empregos garantidos por estas políticas e dos inimigos do capitalismo que se regozijam ao ver liberdades cerceadas e o bem estar dos outros diminuído, existem outros beneficiários, como os proprietários de terras.  Recorro mais uma vez à explanação de Rothbard:

Portanto, elas [as leis de preservação] impõem à economia um padrão de investimento ineficiente e distorcido.  Dada a natureza e as consequências das leis de preservação, por que alguém iria defender esta legislação?  Devemos observar que as leis de preservação possuem um aspecto extremamente "prático".  Elas restringem a produção — i.e., o uso de um recurso — por meio da força e assim criam um privilégio monopolístico, o que proporciona um preço restricionista aos proprietários deste recurso ou de seus substitutos.. [elas] cartelizam a terra e certamente restringem a produção, ajudando assim a assegurar ganhos monopolísticos permanentes (e progressivos) para os proprietários. [5]

Deste modo, quando, por exemplo, o IBAMA restringe ou proíbe completamente o corte de árvores na região norte do Brasil, ele garante como consequência um ganho monopolístico para os produtores de madeira da região sul, tornando seus produtos artificialmente mais escassos e, portanto, mais caros, diminuindo assim a utilidade social.[6] Tudo isso exposto, resta ao movimento ambientalista solucionar a contradição de seus objetivos com os dos alarmistas do aquecimento global, que alegam que as emissões de CO2 são responsáveis pela elevação de temperatura do planeta, pois um mundo sem nenhum ser humano fatalmente teria mais animais — e, como mencionado aqui, um pequeno cãozinho é responsável pela emissão de mais CO2 do que um automóvel.  Qual dos dois objetivos eles irão escolher: a terra sem pessoas ou a terra com um "clima estável"?

_________________________________________________

[1] Um conservacionista típico foi J.D. Brown que, em 1832, preocupado com o consumo de madeira, queixou-se: "Onde iremos encontrar suprimentos de madeira daqui a 50 anos para garantir a continuidade de nossa marinha?" citado em Scott, National Resources, pág. 37. Scott também menciona que parece que os críticos nunca percebem que a madeira de uma nação pode ser comprada do exterior. Scott, "Conservation Policy."

[2] Murray N. Rothbard, Man, Economy, and State with Power and Market. Cáp. 3 P. and M.

[3] Como pertinentemente pergunta Scott: Por que devemos concordar "em preservar os recursos da maneira que eles seriam na ausência de usuários humanos?" Scott, "Conservation Policy," pág. 513. E além disso: "A maior parte [de nosso] progresso tem ocorrido ao se converter os recursos naturais em formas mais desejáveis de bens. Se o homem tivesse valorizado os recursos naturais acima de seus próprios produtos, com certeza ele teria permanecido selvagem, praticando a preservação." Scott, Natural Resources, pág. 11. Se a lógica dos impostos é destruir o mercado, então a lógica das leis de preservação é destruir toda a produção e o consumo humano.

[4] Murray N. Rothbard, Man, Economy, and State with Power and Market. Cáp. 3 P. and M.

[5] Ibid.

[6] Tomo de Rothbard outro exemplo: "Os donos de madeireiras também enxergavam os ganhos que teriam com a 'preservação' das florestas. O próprio presidente Theodore Roosevelt anunciou que 'são os próprios grandes produtores de madeira que estão incentivando o movimento pela preservação das florestas'. Conforme um estudioso da questão declarou, os

proprietários  de toras e produtores de madeira . . . chegaram a um consenso  com Gifford Pinchot [o mais eminente protetor das florestas] já em 1903. . . Em outras palavras, o governo, ao impedir a posse efetiva de áreas de floresta e mantê-las fora do mercado iriam ajudar a aumentar o valor da madeira privada."

Ibid. Nota no original.


autor


  • Tiago RC  29/12/2009 14:34
    Gosto de textos como esse que mostram os interesses econômicos por trás da fachada altruísta de muita gente. Bacana.\n\nSó uma correção: não é exatamente um cachorro que polui mais que um carro, e sim o processo industrial que produz os alimentos que damos a ele. O CO2 produzido naturalmente por animais no processo respiratório é cíclico: vem dos alimentos que consumimos, que em algum momento foi capturado da atmosfera por algum vegetal.\n\nAbs,\nTiago.
  • Fernando Chiocca  29/12/2009 17:54
    Valeu Tiago. E obrigado pelas infos. Eu apenas considerei que a maior parte de emissão de CO2 do processo produtivo da ração vem da produção da carne, ou seja, de animais que num mundo sem ninguém seriam as presas dos predadores carnívoros. E que neste mundo hipotético sem humanos, pouco ou nada mudaria na emissão de CO2, que alguns alegam ser a causa de um suposto aquecimento do planeta. Já que os aquecimentistas assumem tantas coisas, eu assumi que sem o maior predador do reino animal, o homem, que come de tudo e mata animais como elefantes e rinocerontes apenas para aproveitar o chifre e tubarões pela barbatana, o numero de outros animais--a produção de carne-- iria aumentar e o CO2 na atmosfera continuaria o mesmo ou aumentaria. Abs
  • Bruno  30/12/2009 10:58
    Caramba Fernando! Quem diria que alguém conseguisse superar o programa imbecil do Histoty. \nQuanto ao 1º parágrafo do Rothbard, quanto à critérios quantitativos qualquer estudante de eng. ambiental pode respondê-lo. Quanto a sua alusão ao planeta Coruscant, na história do George Lucas os outros planetas abastecem com recursos naturais o "planeta cidade" (e se fosse maldoso, eu diria: o sonho dos liberias, hehe).\nVamos lá Fernando: Tem duas maneiras de tratar os recursos naturais, sendo estes privados. [1] Tentar preservar para continuar recebendo recursos financeiros por estes, nas famosas trocas livres e voluntárias. [2] Maximizar o lucro em função do tempo finito de duração do recurso natural. Digamos que são duas situações extremas. Você tem condições de me dizer que 100% dos proprietários vão optar pela primeira opção?
  • Bruno  30/12/2009 11:00
    Relembrando a você que as opções são extremas. Na verdade tem modo melhor de tentar satisfazer ambas as demandas. Mas parece que o IMB quer fechar os olhos e cerrar punhos contra qualquer coisa que pareça com preservação ou sustentabilidade.
  • Alexandre  30/12/2009 13:20
    Tiago, a questão de preservar a natureza como forma de garanti-la para as gerações futuras possue diversas críticas econômicas muito bem expressas aqui, no entanto, a questão maior é de caráter ético, ao qual não quero me estender aqui pois é um debate bastante polêmico.\n\nQuanto ao lado econômico...\n\nNo caráter econômico da preservação existe alguns pontos que não foram aqui tratados.\n\nPrimeiramente, a teoria dos jogos nos mostra que a perseguição do interesse próprio pelos agentes em muitos casos nos leva a pontos sub-ótimos (no conceito de pareto) de utilização dos recursos. Esse é apenas um dos motivos pelo qual é necessária a intervenção governamental. Todos os agentes explorando simultaneamente a madeira de forma a maximizar seu lucro (ou utilidade) levam a um ponto onde os recursos são utilizados a um ponto que gera um lucro menor a todos.\n\nO outro motivo esta mais ligado a questão dos bens públicos. Como você bem deve saber, bens públicos (ao contrário de bens privados) tem a características de serem não excludentes e não rivais. Além disso, existem muitos desses bens que geram as chamadas externalidades positivas para a sociedade. Vou tentar ser mais claro no exemplo. As florestas, rios e ecossistemas amazônicos abrigam formas de vida ainda muito pouco estudadas, matrizes químicas para diversos medicamentos além de colaborar de diversas formas na manutenção do equilíbrio biológico mundial. Dessa forma, a utilidade provida pela externalidade positiva da preservação da mata é destruída quando o interesse próprio de um indíviduo é atendido, gerando um bem estar-social menor. É um caso típico de um benefício privado as custas de toda a sociedade que perde em avaços na medicina, biologia, e diversos outros pontos aos quais, por não ser biologo ano posso dizer com precisão. Em suma, de forma a garantir o ótimo social o governo cria regras para que o interesse privado não prejudique o interesse social. É claro que aqui novamente entraremos em um dilema sobre qual interesse deve ser atendido, o lucro do madeireiro ou o ganho em pesquisa e desenvolvimento da sociedade.\n\nUm abraço
  • Leandro  30/12/2009 19:25
    Bruno e Alexandre,

    O problema é que vocês partem do princípio (no caso, deixam implícito) que a única solução sustentável é entregar todas as florestas e reservas naturais para os burocratas do governo - afinal, estes sim têm incentivos e sabem direitinho como cuidar de tudo.

    Mesmo num planeta fictício em que o governo de fato soubesse cuidar bem das florestas, ainda assim ficaria uma pergunta: cuidar bem para quê? De que adianta termos infindáveis quilômetros quadrados de mato se esse não pode ser utilizado para fins beneficentes ao homem?

    Exploração sustentável do ambiente - uma medida indelevelmente necessária à sobrevivência humana - é algo que só pode ser feito de maneira eficiente se houver o incentivo do mecanismo de lucros e prejuízos. Gerenciamento estatal do ambiente é igual a malversação e subutilização de recursos - infelizmente não faltam exemplos empíricos para confirmar essa teoria.

    Não é uma questão de ideologia, é simplesmente se ater à realidade.
  • Bruno  30/12/2009 20:40
    Perdão Leandro. Quem está sendo ideológico é você. Leia de novo as propostas e a explicação do Alexandre.
  • Leandro  30/12/2009 20:59
    Já li. Ele utiliza o conceito (falho) de teoria dos jogos para concluir que só a intervenção governamental pode atingir o "ótimo social", seja lá o que isso signifique ou, pior ainda, seja lá como isso possa ser medido (dica: não pode, é impossível).

    Em momento algum ele considera que os problemas que ele elencou na primeira parte de sua escrita poderiam ser (atenção: 'poderiam ser', não estou falando que 'seriam') resolvidos mais eficientemente via propriedade privada. Ele já parte logo para a solução de entregar tudo para o governo, o qual vai intervir sábia e clarividentemente e gerar o "ótimo social".

    Isso, sim, é ideologia.

    Por outro lado, ele fala corretamente na necessidade de preservar florestas e ecossistemas e concede que elas são "matrizes químicas para diversos medicamentos" - algo que, de novo, para ser explorado sustentavelmente precisa de alguma baliza mercadológica e principalmente de propriedade privada - e não apenas de decretos governamentais.

    Agora, se você quer acreditar na benevolência e na competência de políticos e burocratas para gerir o ambiente, isso é um direito seu. Apenas não estranhe quando alguém classificar tal postura como ingênua e desligada do mundo.
  • Gustavo  13/01/2010 15:32
    Se tudo isso faz parte de uma trama dos burocratas parasitas, e você não enxerga limite para as intervenções humanas, por que não passa a morar ao lado do Rio Tietê, ou passa suas férias em Cubatão?
  • Luis   13/01/2010 15:58
    Gustavo, por que não estuda aquilo que deseja criticar?

    Sua crítica em forma de pergunta, que vc parece considerar genial, beira o ridídulo, pois a poluição de rios e do ar é exatamente um consequencia do desrespeito a vida e aos direitos de propriedade.
    Vc sequer leu os link do artigo.
    Além dos links, se quiser elaborar uma crítica sabendo ao menos ao que está criticando ao invés de fazer esse papel ridículo, leia tb:
    Law, Property Rights, and Air Pollution
    http://mises.org/daily/2120
  • Tiago RC  14/01/2010 06:34
    Alexandre,

    \nClaro que deixar indivíduos livres não vai atingir um ótimo social, assim como nenhum arranjo social vai atingir um ótimo social, já que isso é simplesmente impraticável. Estamos falando de seres humanos, seres imperfeitos. Se nem mesmo programas de computador conseguem atingir em tempo hábil resultados ótimos para problemas perfeitamente computáveis (NP-difícil), como esperar que seres humanos atinjam resultados ótimos para todo tipo de problema que a sociedade pode enfrentar?
    \n
    \nAgora, como já explicou muito bem o Leandro, o fato de que um sociedade livre não atinge um resultado ótimo não implica de maneira alguma que dar poder coercivo para indivíduos, cujas ações são sempre auto-interessadas (princípio da ação humana), vai atingir um resultado melhor do que o processo espontâneo de criação de riqueza e destruição criativa do livre mercado. Simplesmente não vai, é isso que a Escola Austríaca nos mostra tão bem.
    \n
    \nQuanto a bens "públicos", isso não existe. Ou algo tem dono, ou não tem, e o dono de algo tem que ser alguém capaz de agir, i.e., um indivíduo ou uma instituição. "Bem público" é apenas eufemismo para propriedades tomadas à força pelo governo. O governo é uma instituição, não é o "público".\n

    \nE finalmente, tenho certeza de que se tais externalidades positivas provocadas por essas terras sem donos são tão importantes, há uma demanda por ela, que será naturalmente suprida pelo processo de ordem espontânea do livre mercado. Não precisamos de violência pra isso.
    \n
    \nAbraços,
    \nTiago.
  • Mauro Ricardo  14/01/2010 06:55
    "Agora, como já explicou muito bem o Leandro, o fato de que um sociedade livre não atinge um resultado ótimo não implica de maneira alguma que dar poder coercivo para indivíduos, cujas ações são sempre auto-interessadas (princípio da ação humana), vai atingir um resultado melhor do que o processo espontâneo de criação de riqueza e destruição criativa do livre mercado. Simplesmente não vai, é isso que a Escola Austríaca nos mostra tão bem."

    É impressionante como as pessoas são incapazes de perceber algo tão lógico e dedutivo. O problema realmente parece ser aquele velha propensão humana para comandar e ser comandado, a maior praga da nossa história.
  • CR  05/05/2010 00:45
    Por um prego, perdeu-se a ferradura;
    Por uma ferradura, perdeu-se o cavalo;
    Por um cavalo, perdeu-se o cavaleiro;
    por um cavaleiro, perdeu-se a batalha;
    Por uma batalha, perdeu-se o reino
    James Gleick

    Sir Francis Bacon, um indigesto "professor" de Direito, Cavaleiro de Jaime I, Procurador Geral do Reino, Lord Chanceler e Barão de Verulam, integrante da Câmara dos Comuns de 1584 e autor, dentre outros, do Novum Organum, Aforismos Sobre a Interpretação da Natureza e do Reino do Homem (1620), e companheiro de quarto no Palácio e ninguém menos do que Thomas Hobbes. "O Estado de Natureza descrito por Hobbes é aquele em que cada um vive por sua conta e precisa cuidar da própria defesa, pelo que termina em uma guerra de todos contra todos." (THOUREAU, H., in DOWNS, ROBERT BINGHAM: 75)
    Bacon& Hobbes falavam da natureza como de uma fêmea à antiga, aquela "obrigada a servir", posta em "sujeição", desse modo escravizada pelo filósofo natural. De nada valeria tentar agarrá-la se não se exercesse total controle sobre ela. A Natureza deveria ser capturada, e os segredos desvendados, através dos seus aposentos íntimos.
    Falava o corrupto, perdoe-me, de estupro à Natureza:
    A partir de Bacon, o objetivo da ciência passou a ser aquele conhecimento que pode ser usado para dominar a natureza. A natureza, na opinião dele, tinha que ser 'acossada em seus descaminhos', 'obrigada a servir', 'escravizada'. Devia ser 'reduzida à obediência' e o objetivo do cientista era 'extrair da natureza, sob tortura, todos os seus segredos'.
    A ciência poderia confirmar o imperium hominis (império do homem) sobre as coisas.
    Para o historiador Wilhelm Windelband (1848-1915): "O esplendor da vida de Bacon foi prejudicado por manchas de graves defeitos morais."
    A visão da evolução como uma crônica competição sangrenta entre indivíduos e as espécies, um desvirtuamento popular da noção de Darwin da 'sobrevivência dos mais aptos', dissolve-se diante de uma nova visão de cooperação contínua, forte interação e dependência mútua entre as formas de vida. A vida não conquistou o globo pelo combate, mas por um entrelaçamento. As formas de vida multiplicaram-se e tornaram-se complexas cooptando outras, e não apenas matando-as.
    SAGAN, D., cit. DAWKING, R.: 288
    * * *

    "A mensagem de Adam Smith, em particular, foi grotescamente distorcida durante os últimos duzentos anos." (ORMEROD, 1996: 223)
    O princípio da relatividade deve ser mais geral ainda - devemos procurar a diferença de tempo nas realizações biológicas e sociais, - o tempo local das espécies e dos grupos humanos. Isto nos poderá explicar muitos fenômenos que resistem às explicações atuais. Mas para conseguir tais fórmulas muito terá que lutar o espírito humano contra os preconceitos que o rodeiam e contra as obscuridades da matéria que irá estudar.MIRANDA, Pontes de, cit. MOREIRA: 103
    * * *
    Acredito que quem estiver entrando no caminho da iluminação será absolutamente impecável em tudo o que fizer. E por causa do medo da condenação? Não. Ou de punição de Deus, ou porque pequei e não alcancei o perdão? Não, não, não. Os verdadeiros iluminados verão que toda a ação tem uma reação com a qual eles terão de lidar, e se formos sábios, não faremos coisas que nos levarão a ter de enfrentar resolver e equilibrar isso em nossa alma mais tarde. Esse é o verdadeiro critério.
    LEDWIN, M., cit. ARNTZ, W.: 203

  • David Matos  27/12/2012 15:32
    Concordo com o Felipe Andueza.
    O fato cientificamente comprovado é: não podemos viver sem os animais, plantas, água consumível e algumas outras coisas. Precisamos conservas os animais e os vegetais, com o propósito de preservar a humanidade. Veja as três grandes leis da ecologia. Para quem não sabe, a ecologia é a parte da biologia que estuda as relações entre espécies, ecossistemas e sistemas biológicos.
    Existem vários tipos de ambientalistas. Dizer que o movimento ambientalista quer "destruir toda a produção e o consumo humano" é um tremendo exagero. Um argumento inválido. Os ambientalistas são pessoas apaixonadas por determinada causa ambiental. Por exemplo: baleias. Os ativistas que atacam (sem usar violência, ou infligir qualquer lei) os baleeiros (Sea Shepherd persegue a frota baleeira japonesa, por exemplo), fazem isso porque são apaixonados por baleias. Eles utilizam o argumento de que as baleias estão em risco de extinção, para fazerem o que fazem. Particularmente, não vejo nada de errado nisso. Muito ao contrário: eles estão fazendo um favor à sociedade, mesmo que essa última não seja tão interessada pela causa. Mas ai está: conservação é feita por quem quer! Mas as leis (3 leis da ecologia) devem sempre existir para permitir que as pessoas preocupadas com a conservação, possam agir em nome dela. Ninguém deve ser obrigado a praticar os princípios conservacionistas.
    O artigo, na sua maioria, é muito falacioso e inválido. O autor mostrou muita ignorância com seus argumentos. Da mesma maneira que o Rothbard erra. Aliás, ele recorre ao Rothbard como se ele realmente soubesse da verdade sobre a preservação dos ecossistemas na Terra. Um puxando o erro do outro. Enfim, não gostei do artigo.
  • Felipe Andueza  24/03/2011 19:16
    Conceitualização generalizadora sobre ambientalismo: o autor utiliza argumentos que os conservacionistas em geral combatem aos preservacionistas e premissas falsas como: o clima é estável e que CO2 o desestabiliza; a natureza é estática e intocada; a humanidade não é natural e, consequentemente, deletéria a qualquer meio ambiente.

    Essa confusão é proposital, é jogo argumentativo de quem tem pouco conhecimento do que fala. O autor ataca os pontos fracos dos argumentos da ala mais radical dos ambientalistas, generalizando-os a todos os ambientalistas no intuito de descreditar a luta geral desse movimento e construir um argumentação lógica em contra a ambientalização das políticas humanas (empresariais, governamentais, pessoais...) Argumentação essa sem premissas reais e com total desconhecimento da dinâmica da vida que nos sustenta.
  • anônimo  24/03/2011 22:12
    Melancia detected
  • Fernando Chiocca  19/01/2012 08:14
    Vejam essa bizarrice projetada por um arquiteto de mentalidade ambientalista anti-humana: Sea Tree

    "Banida para humanos, a Sea Tree tem como objetivo servir de refúgio para plantas, pássaros, abelhas e para a vida marinha, entre outros animais. Segundo Olthuis, pode ajudar no processo de limpeza de rios poluídos e na absorção de água da chuva."

    "Quero que seja um primeiro passo para que os arquitetos percebam que não podemos construir apenas para nós (humanos)", disse Olthuis


  • anônimo  19/01/2012 10:06
    Tenho certeza que o financiamento ele não vai pedir para animaizinhos.
  • anônimo  19/01/2012 10:36
    Prefiro mil vezes as Seasteadings do Sr. Patri!
  • Mario  19/01/2012 12:10
    Citação {3} e {4} são muito boas. Por que as vontades da presente geração possuem tão pouco peso nessa decisão? Por que a geração futura possui um valor tão maior, capaz de impor à atual um fardo muito mais pesado? Deixamos de usar sacolinhas plásticas em nome de um futuro ilusório, porque devemos pagar o fardo, o que a geração futura tem de tão especial? Porque os países mais ricos e mais poluidores não seguem o protocolo de Kioto e eu (simples idiota) tenho que carregar meus produtos na mão, ou ser obrigado a usar uma "ecobag"? O texto já diz: "Não existe nenhuma justificação racional para penalizar o consumo em um presente e privilegiar um presente futuro". Concordo em preservar, mas desde que quem polua (USA) cumpra sua parte! Senão o que vemos é pura demagogia política e um bando de trouxas ambientalistas pregando a utilização de "ecobags" ou deixar de usar copos descartáveis como solução para tudo. \r
    \r
    Abraços!
  • Ribamar Bezerra  06/01/2013 00:08
    Eita texto tendencioso. mas vamos lá. Bem, o fato é que somos apenas um evento biológico que deu certo. A natureza é soberana, mesmo que não queiramos admitir, um dia não teremos mais como sobreviver seguindo esse sistema de propriedade e de consumo exacerbado que copiamos e multiplicamos. A natureza pode muito bem viver sem nós e muito bem, mas nós? Sem ela estamos fritos. O que penso como medida necessária é nos integrarmos, não precisamos deixar de existir, Acho que é feita uma idéia completamente errada dos ambientalistas, pelo menos da maioria, sei q existem os radicais, mas a maioria é realiza trabalhos importantes para preservar o que muitos enxergam como cenário p/ minha existência. Precisamos sim preservar o máximo que pudermos e buscar alternativas, visto que somos uma 'espécie evoluída', p/ manter um padrão de vida que não destrua tudo ao seu redor, mas que nos satisfaça ao mesmo tempo. Começando com a contenção do crescimento populacional. Uma espécie consumista e suja como a nossa não tem condições de existir em grande quantidade, na verdade nem precisa. Assistam ao vídeo do Steve Cutts, é nosso legado vimeo.com/56093731, mas penso que podemos e devemos mudá-lo.
  • Fernando Chiocca  07/01/2013 21:44
    Ótima sua ideia do controle populacional Ribamar.
    Já comprou a corda pra se enforcar?

    Quanto ao resto, eu traduzi um texto bom que responde suas inquietações aqui.
  • Kondde  08/01/2013 00:46
    Boa fernando!! também sou a favor de aborto retroativo hehe!!


    Parafraseando Churchil: "Esses ecologistas* são piores do que os Nazistas!"

    No original trabalhistas*
  • anônimo  08/01/2013 12:06
    o sr. Bezerra é no mínimo um desonesto se não de todo , ao menos no nível intelectual.
    primeira falácia refutada:

    "A natureza é soberana"

    Qual a definição de natureza?

    Natureza existe? Existe diferença entre o que foi feito pela ação legitima do homem, que eu saiba a maioria dos ecologistas não acredita no criacionismo, o homem então é produto dessa entidade abstrata chamada natureza, ora se o homem é produto da natureza ele em si não poderia alterar a ordem natural em si pois ele sendo produto dela estaria apenas transformando natureza por ela mesma.

    "um dia não teremos mais como sobreviver seguindo esse sistema de propriedade "

    Foi justamente o sistema de propriedades que nos permitiu sobreviver as codições insalubres, inóspitas e extremas as quais nossos antepassados foram expostos por gerações e gerações.

    "Precisamos sim preservar o máximo que pudermos e buscar alternativas"

    A preservação da "natureza" já ocorre o tempo todo pois é um sistema dinamico, se vc acabou de dizer que a "natureza" naõ vive sem nos, mas nós não vivemos sem ela já houve uma contradição com a idéia exposta em preservar o máximo, alias o que seria mínimo e máximo? Mínimo vamos dizer que uma floresta amazônica seria toda devastada para uma criação de uma estrada por exemplo e máximo o contrário? Nenhuma construção humana poderia existir em uma floresta qualquer? É isso?

    "visto que somos uma 'espécie evoluída'"

    A evolução é só uma teoria, e uma teoria que hitler adorou por exemplo, se existe o chipanzé, existe o Zé e se existe o Zé existirá o Super Zé! Foi dai que as idéias malucas de eugenia, super raça e até mesmo raça tiveram seu embasamento nas ecatombes humanitárias de que temos notícias.

    "Uma espécie consumista e suja como a nossa não tem condições de existir em grande quantidade, na verdade nem precisa"

    Consumista ver de consumir.. bem "ista" é geralmente quando queremos criticar ad homin. Mas suja?!?! O que seria limpa então? Coloque um camelo dentro do seu apartamento e vamos ver quem é mais sujo.

    Sobre "Começando com a contenção do crescimento populacional"

    O sr. fernando chiocca já respondeu..



  • Kondde  08/01/2013 01:13
    Ecologismo também tem um q de charlatanismo:

    Um pouco antes da virada do ano colocaram uma propaganda aqui no metro do rio que se referia a uma imagem do rio (o famoso pão de açucar) na época de 1500.

    No texto da propaganda diz assim: "Para ajudarmos a cidade ter o jeito de quando ela foi descoberta"

    Claro para isso um pequeno valor da passagem paga para utilizar o metro no ano novo foi "revertida" para a implementação de tais politicas.

    Veja bem, é uma foto de quando o rio ainda nem era habitada pelos [indios, na foto nem um alma huma é vista apenas mato, morro areia e água. Nada de ocas ou qualquer outro vestigio de presença humana.

    Ainda querem afanar o nosso dinheiro para deixar o rio de como ele era no seu estado natura? É isso? Basta jogar uma bomba aqui matar todo mundo (sonho de qualquer ecologista) e acabar com a civilização, para que o rio em seu estado natural surja novamente.

    O progresso que permite que as pessoas vivam com conforto não contam.. Imagine ser possivel a vida conforme nos a conhecemos em um ambiente daqueles? Não seria um retroscesso? Não para eles é a utopia.

    Uma companhia que adere a um pacto global, nos não podemos esperar mais nada..

    www.pactoglobal.org.br/

    Att

  • Emerson Luis, um Psicologo  06/01/2014 18:11

    Ecologistas que são contra uso responsável dos recursos naturais parecem ser motivados pela misantropia.

    * * *
  • Victor Nërokaroki  27/04/2015 05:10
    O mais importante de tudo; mesmo que fizesse algum sentido, mesmo que o ambientalismo fanático não possuísse em suas entranhas contradições fatais, esquecem (convenientemente ou não) que tudo isto aqui (a "natureza"- Que já foi modificada várias e várias vezes e não tem nada de natural - o planeta e todo nosso sistema solar) tem uma data de validade, e um dia, o hidrogênio que alimenta a fusão nuclear responsável pela produção de energia solar vai acabar, e em aproximadamente 5,5 bilhões de anos, quanto o núcleo solar entrar e colapso, haverá uma super expansão da superfície do sol que engolirá não somente a terra, mas todo nosso sistema solar, e isso inclui todas as florestas e animais, todos os riachos e reservas minerais, todos os pandas e baleias, tudo que restará no lugar de nosso lindo mundo é uma luz intensamente brilhante em um núcleo de cristal extremamente denso, uma Anã Branca. Em outras palavras, a humanidade é a única esperança conhecida, e isso não só para própria humanidade, mas para todo animal, planta e inseto que conhecemos e esperamos preservar. Sendo assim, mesmo que fizesse sentido (e não faz), ainda assim, estariam errados.


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