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Perguntas Inconvenientes (Concurso IMB)

Nota do IMB: o artigo a seguir faz parte do concurso de artigos promovidos pelo Instituto Mises Brasil (leia mais aqui).  As opiniões contidas nele não necessariamente representam as visões do Instituto e são de inteira responsabilidade de seu autor.


A conferência sobre o clima em Copenhague já começou. E aí? Está cheio de esperança por um mundo carbon-free? Se você é um economista liberal, como eu, ou um amante da liberdade em geral, deve estar é muito apreensivo com o que aqueles burocratas vão inventar para aumentar seu poder e piorar nossa vida. Contudo, devo confessar, nutro no fundo da minha alma a singela esperança de que, como costuma acontecer nessas reuniões, cada um defenda o seu e no final nada mude. De minha parte, só queria que os ecochatos poupassem o meu ar. E não estou sozinho. É notório que entre os economistas o discurso ambientalista encontra  resistência. Não nos dando por satisfeitos em louvar a ganância e oprimir os pobres, fazemos questão de um mundo poluído e desértico. Ciência lúgubre mesmo. Querem saber, na realidade, por que os economistas não aceitam o aquecimento global? É por causa de seu olhar cortante, que vê muito além do lado puramente científico do debate.

O principal motivo para o ceticismo dos economistas (dignos do nome) é a desconfiança instintiva das soluções governamentais para problemas sociais. Quando se fala em aquecimento global, qual a opinião sorrateira que fica sempre à espreita? "O Estado é a solução". Mas o economista sabe bem como funciona, e de que é composto, o Estado. Sem ilusões: os políticos não têm mais conhecimento e nem melhores intenções do que o resto da sociedade; via de regra, têm menos e piores - governador Arruda que o diga. Quando encontram um jeito de aumentar seu poder sobre a vida alheia, pode apostar que as belas justificativas surgirão.

É natural que aqueles que mais valorizam a liberdade não vejam com bons olhos o alarmismo verde, que, como todos os pânicos generalizados, resultará em crescimento estatal. Também é natural que estejam mais propensos a considerar o outro lado da questão: os cientistas céticos e as pesquisas dissidentes que são discretamente limados do debate público por seus resultados politicamente indesejáveis. É uma postura saudável.

Entretanto, essa sã desconfiança não deve nos levar a rejeitar a priori todo problema ambiental como se se tratasse necessariamente de fraude motivada politicamente. O meio-ambiente deve sim nos preocupar, e sua destruição ou degradação é um mal que todos - até mesmo um economista liberal - querem evitar. Seu olhar frio e penetrante, insensível à demagógica indignação moral dos medalhões da política, talvez não dê respostas, mas certamente suscita perguntas importantes - e, nem preciso dizer, inconvenientíssimas - que, no entusiasmo do momento, não são feitas.

Não estou falando das questões propriamente científicas (existe aquecimento global? Ele é causado pelo homem?); embora nem nessas haja o consenso que alguns fazem parecer. Também haveria muito o que falar sobre como a tentação do financiamento público viesa os interesses dos pesquisadores. Mas as perguntas que tenho em mente são outras: referem-se às conseqüências práticas das descobertas científicas.

Primeira: as conseqüências do aquecimento global serão negativas ou positivas? Atentem para o que os alarmistas escondem: se há mais mortes de calor ou de doenças ligadas ao calor, há menos mortes de frio e de doenças ligadas ao frio. Se há terras que deixarão de ser cultiváveis, outras passarão a sê-lo (imaginem o potencial agrícola do Canadá, da Groenlândia, da Rússia). Concedo: dado que nosso modo de vida está adaptado à temperatura atual, é previsível que qualquer mudança de temperatura, para mais ou para menos, traga mais custos do que benefícios no curto prazo. No longo, a coisa muda: via de regra, mais calor aumenta a quantidade e a diversidade da vida na terra, como também torna mais fácil a vida humana. O esfriamento global (como se temia e se alardeava poucas décadas atrás) seria muito mais perigoso do que o aquecimento. Depois de um período de adaptação pode ser que a humanidade esteja em melhores condições do que estava antes. Quem disse que as temperaturas atuais são as melhores possíveis?

Segunda: a prevenção em larga escala vale a pena? Mesmo que as conseqüências negativas superem as positivas, não se segue necessariamente que medidas devam ser tomadas para evitar o aquecimento global. Falta comparar custo e benefício, um raciocínio fundamental para qualquer tomada de decisão e que tem sido inexplicavelmente ignorado. Qual o ganho esperado de se cortar radicalmente as emissões de carbono, com perdas brutais de produtividade e qualidade de vida no presente? Se for, digamos, atrasar em míseros dois anos o aquecimento global, valerá a pena? O ambientalista Bjorn Lomborg tem feito sucesso mostrando exatamente isso: pelos próprios modelos do IPCC, as soluções propostas a custos altíssimos têm resultados minúsculos. Não seria melhor deixar as pessoas se adaptarem gradualmente à nova situação, a custos muito menores, poupando assim recursos para outros fins?

O mar subiu bastante desde o século XIX até o presente, e não foi nada catastrófico, devido à adaptação gradual. A previsão de 50 cm a mais no nível do mar, ou temperatura 1 grau Celsius mais alta, daqui a 100 anos (um futuro francamente inimaginável, a começar em termos tecnológicos) não deve nos colocar em estado de pânico, e sim nos levar a pensar, inteligentemente, em como minimizar os custos e aproveitar as oportunidades da nova condição.

Não há nenhuma atitude menos construtiva e mais enganadora do que "na dúvida, melhor não arriscar", usada para justificar toda e qualquer medida de combate ao aquecimento global. É possível que uma quadrilha de bandidos hi-tech esteja planejando invadir sua casa. Será que, só por via das dúvidas, vale a pena gastar todas as suas economias, incluindo o que iria para a educação de seus filhos, para contratar um esquema de segurança de ponta? "Na dúvida, melhor não arriscar"? Balela demagógica. O cálculo de custo e benefício deve sempre ser feito, ponderado pelas incertezas.

Por fim, supondo que os resultados do aquecimento global sejam realmente catastróficos e exijam medidas preventivas, resta a pergunta decisiva: qual a melhor solução? Seriam críveis as propostas, por exemplo, de um mercado de créditos de carbono? O modelo atual não tem nada de mercado: governos ganham cotas e usam-nas para cartelizar a economia. O custo dessas medidas envolve não apenas dinheiro, como também o crescimento estatal (e pior: de um Estado mundial) e a piora considerável que isso traz à vida humana, cada vez mais vigiada e controlada.

Até agora, todas as propostas partem da idéia ingênua do Estado, ou seja, daqueles que têm o direito à coerção, como eficiente, sábio e bem-intencionado, e do mercado, ou seja, da interação voluntária entre indivíduos livres, como inerentemente destrutivo, ganancioso e mau. Estamos à espera, ou em busca, de uma visão de mundo que harmonize o bem-estar humano com a preservação do meio-ambiente. um liberalismo verde, um ambientalismo verdadeiramente capitalista, que resolva os problemas ambientais não pelos cálculos fictícios e imposições arbitrárias de um distante poder estatal, mas pela cooperação voluntária de indivíduos conscientes de que o próprio bem-estar depende do bem-estar dos demais, e que a qualidade do meio-ambiente é condição necessária da qualidade de vida.


autor

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com.

  • Marcus  18/12/2009 19:51
    Caro Joel,\nConcordo com você sobre o alarde que se faz sobre o aquecimento global, e suas consequências, já que isso afugenta o foco da problemática do meio ambiente apenas para a questão das emissões de carbono. Isso é ter uma visão turva do problema real. Agora, o que me incomoda profundamente nos decisores é como eles acreditam piamente que meio ambiente significa apenas custos extras, que isso reduz produtividade, etc. Mais uma vez acredito isso ser uma visão pobre do problema real. Um fato que ninguém pode negar é que a humanidade é grande demais e que se consome mais rápido os recursos do que eles são repostos. Assim, seguir com os modelos atuais de desenvolvimento (que acredito não serem refinados suficientes para representar uma realidade atual) é rota certa ao desastre. Recomendo a leitura do livro "Capitalismo Natural", de Paul Hawken, o qual trata de como considerar a variável ambiental não só é o mais inteligente e racional a se fazer, como também gera retornos financeiros para aqueles que os utilizam com cuidado e sabedoria. Para mim, sem se levar essa mudança de paradigma em consideração, nada de duradouro e realista é passível de ser feito.
  • Joel Pinheiro  18/12/2009 23:46
    Oi Marcus.\n\nOlha, sem dúvida há muitas mudanças que são, ao mesmo tempo, ambientalmente boas e economicamente eficientes.\n\nContudo, muitas vezes isso não ocorre. Há uma tendência por parte de muitos ambientalistas de minimizar as perdas, os custos, das mudanças por eles propostas. Como o Al Gore, em seu filme.\n\nSe fosse realmente mais eficiente produzir bens, digamos, com energia solar, ou eólica, por que as próprias empresas não mudam sua fonte energética? Ou existe alguma barreira institucional a isso (p. ex: leis que limitam a provisão privada de energia) ou então é bem provável que a energia advinda da queima de combustíveis fósseis seja mesmo mais barata, isto é, eficiente do ponto de vista econômico.\n\nIsso significa que, se trocássemos de matriz energética, isso sairia caro, e teríamos de consumir menos do que estamos acostumados.\n\n"Ah, mas seria ótimo que consumíssemos menos!" - não discordo disso em geral, mas adiro ainda mais firmemente à convicção de que a única pessoa que pode legitimamente decidir acerca de seu próprio consumo é ela mesma.\n\nAdoro o lema da sustentabilidade (acho que é da sustentabilidade): mais ecológico, mais econômico e melhor qualidade. Mas realisticamente falando, está bem claro que isso não valerá em todos os casos. Em alguns, possivelmente em muitos, há um trade-off real entre "ecologia" e eficiência.
  • Bruno  19/12/2009 01:10
    Há muitos projetos em andamento para tornar energia elétrica, eólica, da biomassa mais barata. Aliás, os combustíveis fósseis serão cada vez mais caros do ponto de vista de "combustíveis". Muitas empresas estão avançando em pesquisas pela melhor eficiência energética. E... porque as próprias empresas não mudam sua fonte energética? As plantas de alcool e açucar produzem sua própria energia. Tentam de todo modo utilizar os subprodutos do processo antes do descarte.
  • Marcus  19/12/2009 09:55
    É verdade que, em questão de energia, o uso das novas fontes não é viável em muitos casos. Mas uma questão que vejo pouco abordada é das mudanças de paradigmas gerando aumento de eficiência e novas oportunidades de negócios. No ramo de ar-condicionados, por exemplo, se busca vender o serviço por aparelho. Mas não é exatamento o aparelho que atrai o cliente, mas o conforto que ele proporciona. Mudando apenas essa questão de semântica, uma empresa (não me lembro do nome da empresa, mas está neste livro) conseguiu ganhar mercado. Não sei se ficou claro o que queria dizer, mas é principalmente nesse aspecto que vejo as oportunidades de mudanças que gerem efeitos reais. Quanto ao aspecto de que cada um sabe o que consome, tenho uma ressalva. Não sou um profundo entendedor de Economia (tive uma disciplina esse semestre na faculdade. Faço engenharia), mas sei que um dos objetivos da Economia é atender os desejos infinitos das pessoas utilizando os recursos escassos disponíveis. Concordo. Todavia, hoje temos a Economia moldando o que uma pessoa realmente deseja. O marketing agressivo afeta as pessoas. Por exemplo, as pessoas realmente querem um carro numa cidade como SP, ou o mercado faz elas quererem isso? Entende o que eu digo? Aquilo que deveria atender nossas vontades é o que está gerando elas. Assim, não acredito que a hipótese (continua)
  • Marcus  19/12/2009 09:56
    do consumidor racional seja válida para o mundo atual.
  • Joel Pinheiro  19/12/2009 16:07
    Bruno: sem dúvida, há mudanças positivas já acontecendo. Não há porque ser contra isso, e nem eu o sou.\n
  • Joel Pinheiro  19/12/2009 16:11
    Marcus:\nSim, há mudanças de "paradigmas", de formas de pensar os problemas, que podem trazer ganhos para todos os envolvidos. Esse tipo de pensamento ambientalista é ótimo.\n\nQuanto aos desejos das pessoas: olha, no caso particular do carro, posso te dizer que é uma grande comodidade sim ter um carro em São Paulo. Realmente facilita muito a própria vida e torna-a mais confortável.\nEm geral é assim com tudo: o marketing não cria desejos nas pessoas; ele apenas tenta mostrar às pessoas meios de satisfazer os desejos que elas já têm. Se esses desejos são frívolos ou responsáveis, se são fruto do consumismo desenfreado e do desejo de impressionar os outros ou de uma boa aspiração de melhorar a própria vida, varia de caso para caso.\nMas mesmo no caso da pessoa mais consumista e cujos desejos deixam-na mais frustrada, não creio ser legítimo impor a essa pessoa o que ela deva ou não consumir.
  • Marcus  19/12/2009 18:58
    Caro Joel, \nGostaria de dizer que estou adorando essa nossa conversa por aqui. Está sendo muitíssima interessante. Voltando aos carros agora^^. Não sei se o que você descreveu pode se encaixar como liberalismo de mercado, mas gostaria de falar sobre isso. Eu, honestamente, não acredito que deixar o mercado funcionar por si mesmo seja o mais saudável para todos nós. Quando você desse que o marketing apenas mostra às pessoas como satisfazer desejos que já existem, devo discordar. Acredito que a maioria das pessoas se quer saibam o que querem realmente. O consumismo é apenas a maneira mais fácil de satisfazer, a curto prazo, esses desejos que todos temos. Cito o seguimento dos livros de auto-ajuda como exemplo. Por que vende tanto? Porque as pessoas estão buscando entender o que realmente elas querem, o que não é tarefa fácil para ninguém. Nessa medida, deixar que todos possam fazer o que quiser, comprarem o que quiserem o quanto quiserem, acho que existem exceções. O carro é um bom exemplo. É fisicamente impossível que todos os cidadãos usem carros em uma cidade como SP sem que haja transtornos. Nesse caso, vejo que uma intervenção governamental no mercado de automóveis é necessária. Caso tenha interesse, procure sobre as reformas feitas na cidade de Bogotá pelo ex-prefeito Peñallosa. O que ele conseguiu fazer lá é o que, em graus e modos um pouco diferentes, deveria ser feito em SP. Acho que fugimos um pouco do assunto inicial, mas acho interessante fazermos essa discussão.\nAbraços
  • Joel Pinheiro  20/12/2009 15:07
    Também gosto de discussões assim como a que estamos tendo!\n\nNovamente: se os desejos da pessoa são bons e devam ser mantidos ou maus e devam ser mudados, só cabe a ela decidir com base em sua própria consciência.\n\nO mercado de carros: veja só: quanto mais lotadas ficam as ruas, menos interessante torna-se a idéia de ter um carro. Por exemplo: muita gente que poderia ter carro hoje em dia anda de moto, porque não quer perder tanto tempo no trânsito. O valor das propriedades perto, p. ex., de estações de metrô aumenta.\n\nEnfim, não é preciso lei para as pessoas pararem de comprar carros.\n\nE sabe o que realmente torna o trânsito tão infernal? Exatamente aquilo que ainda está nas mãos do Estado: as vias públicas.\n\nSe as ruas fossem privadas, e ofertadas privadamente, a oferta se adequaria à demanda. Além disso, os usuários de rua teriam que pagar pelo serviço (algo que o próprio governo de São Paulo vem pensando em fazer). Teríamos duas conseqüências benéficas: 1) quem pagaria pelo serviço seria quem realmente o utilizasse (e poderia ser de várias maneiras: ou os motoristas pagam, ou as lojas que se establessem na rua, ou as propagandas que são colocadas nas ruas, etc. Cada provedor de ruas poderia desenvolver o seu método de cobrança).\n2) A oferta poderia se adequar à demanda. Se uma rua é muito utilizada, aumenta o incentivo de expandi-la ou de criar alternativas a ela.\nAcho que tem aqui no Mises.org um texto sobre privatização das ruas. Talvez valha a pena você dar uma olhada.
  • marcus  21/12/2009 12:39
    Joel, você acredita que se, por exemplo, as ruas se tornassem privadas, e considerando a quantidade de veículos atuais, seria possível tornar o trânsito palatável?\nAcho que, no fundo, a questão recai sobre planejamento urbano. Suponha que tenhamos as vias públicas sobre controlo privado. Isso, diretamente, não quer dizer que os motoristas vão parar de agir, em muitos casos, como se eles fosse mais importantes que os pedestres. Temos que pensar que tipo de cidade que se deseja, para aí sim agirmos em cima dos problemas. Acho que os carros em SP não são uma solução para o problema do transporte, acredito que terá mais impacto se as pessoas conseguissem morar próximas ao seus locais de trabalho, já que SP é sobrecarregada pelos veículos de pessoas que trabalham no centro e moram longe. Voltando um pouco ao porquê dos problemas ambientais não terem uma solução adequada (e considero o trânsito um problema ambiental): a total falta de diálogo entre todas as partes. Considero esse o caso de Copenhangen não ter dado certo, por exemplo. Já imaginou se houvesse um mecanismo de comunicação entre Estado, montadoras e sociedade sobre a questão do transporte? \nAbraços
  • Ruth  21/12/2009 19:19
    se houvesse livre mercado, não haveriam congestionamentos, pois as pessoas dariam mais caronas.\n \natualmente, precisa-se de licençada prefeitura para operar taxi; \nMas se não houvesse tal restrição, qualquer um poderia ser "taxista" de tempo parcial, entre sua casa e o trabalho, digamos \n \nAo ir todas as manhãs para o trabalho, vc colocaria uma plaquinha indicando o seu itinerário no parabrisa, e os interessados poderiam fazer sinal. \n \nAssim, sem desviar-se do seu trajeto casa-trabalho, vc poderia transportar uma pessoa que tenha interesse no trajeto que vc usa, ou parte dele \n \nA pessoa desceria onde lhe fosse conveniente, um pagamento seria feito e ambos cumprimentariam-se como cavalheiros. Sem interferência do estado\n\nNa ausência de Estado, o senso solidário das pessoas fica mais aguçado, pois o estado é violento por vocação
  • Bruno  21/12/2009 19:30
    Ruth, nada disso é proibido hoje. O estado é grande e gastador, mas não é 1984.
  • Joel Pinheiro  21/12/2009 20:43
    Posso estar errado, Bruno, mas acho que para ter um taxi é preciso uma permissão. Por isso mesmo que havia aquelas vans ilegais levando gente por aí. Se fosse tudo permitido, nunca teria havido uma campanha contra esses ilegais, que no fundo prestavam um serviço valioso, e cometiam apenas o pecado de ser contra os interesses dos cartéis de taxis, lotações e ônibus.
  • Joel Pinheiro  21/12/2009 20:46
    Mas Marcus, esse planejamento que você pensa em fazer é impossível. As pessoas discordam sobre o que seria o melhor. Além disso, mesmo que as pessoas concordassem em linhas gerais, as informações necessárias para se planejar uma cidade não existem em lugar nenhum. É apenas na interação entre as pessoas (e não em diálogos abstratos sobre onde seria melhor construir uma rua ou qual preço deveria ter o ônibus) que essas informações vão se tornando disponíveis para os agentes envolvidos.
  • Marcus  22/12/2009 00:54
    Discordo que seja impossível um planejamento. O que acredito que ocorra é que as pessoas não têm habilidade de reflexão (por simples inexperiência, já que a vida "normal" não exige muita reflexão das pessoas, apenas que estudem pra arranjarem um emprego e viverem) para sabermos o que realmente se quer. Mesmo que isso ocorresse, com certeza ainda haveria conflito. Esse cenário não torna impossível o planejamento. Estuda-se muito hoje mecanismos de decisão em situações como essa, como a análise de decisão multicritério. Mas para que essas ferramentas funcionem com afinco, é necessário que as informações nas quais elas se baseiam sejam as mais precisas possíveis, e isso só surge dessa interação entre todas as partes.
  • Bruno  22/12/2009 01:08
    Análise de decisão multicritério?\nEm caso envolvendo pessoas não caberia teoria dos jogos?
  • Bruno  22/12/2009 01:14
    E Joel... Já assisti videos antigos, do começo da era dos automóveis. Com poucos automóveis já era uma confusão monstro, atropelamentos só não era fatais (alguns eram) porque os carros não tinha tempo de desenvolver razoável velocidade. Limites de trânsito não são impostos porque o estado é mal, mas porque sem isso acaba deixando de existir a liberdade de ir e vir de carro "na prática".
  • José  22/12/2009 10:11
    Se há congestionamento, é porque as ruas são ineficientes em proporcionar locomoção aos individuos. Uma forma de aumentar a eficiencia das mesmas é privatizando-as. As ruas deveriam ser propriedade das montadoras de veículos, pois elas são as maiores interessadas em ruas capazes de acomodar mais carros.
    Aa primeira providência das montadoras, seria construir ruas mais largas.
    Na verdade os maiores interessados nas atuais ruas estreitas, é o setor imobiliário, ganancioso por ocupar o máximo de espaço para construção;
    Na mão do setor privado as ruas seriam maiores e mais eficientes.
    Mas será que as montadoras não iriam acabar com as calçadas, no afã de deixar as ruas maiores?
  • Bruno  22/12/2009 10:27
    Mas o setor imobiliário não é um setor de empresas privadas com o direito de exercer a sua atividade econômica? Ora, vai estrangular um setor para dar mais liberdade a outro? E esse outro, pensando ligitimamente em lucro não vai acabar com calçadas e espaço para pedestres como bem abordou o José?\nÉ por isso que existe um mediador, que fosse um conselho de atores da sociedade civil então, já que vocês detestam tanto o estado. Mas alguém tem que mediar senão é confusão
  • mb3.prado  23/12/2009 12:13
    Caro José. Tentar aumentar a capacidade de veículos transitando nas ruas, ao meu ver, é totalmente ineficiente para uma melhoria de transportes. A questão que eu vejo é a seguinte: para que queremos mais carros? Para aumentar a mobilidade, suponho eu (desprezo aqui aqueles que têm carro por ganho de algum tipo de status). Sendo assim, aumentar a capacidade das vias não me parece viável. Uma medida que acredito ser mais efetiva é tentar ocupar bem as regiões providas de serviços, como acontece no centro de SP, onde vários prédios estão vazios por causa da especulação imobiliária. Recomendo o documentário "Taken for Ride", disponível no Google videos, que trata do processo que levou os EUA à valorizar o transporte viário (e o qual foi importado por nós nos anos 60). Outro mal que vejo numa cultura de valorização dos carros é a individualização das pessoas. Claro, não é só possuir o carro para nos tornarmos frios para com os outros, mas ele corrobora para nos isolarmos ainda mais.
  • B.H.  23/12/2009 13:32
    a posse de carros pelas familias, não adiciona significativo aumento de produtividade à economia. A maior parte dos carros não estão participando de processo produtivo algum. \nTenho um carro avaliado em 20 mil, e costumo dizer que ele é melhor do que qualquer outro carro que custe o dobro: Ele atende à mesma finalidade (transporte) custando a metade do preço. \nAinda por cima, os carros, devido à rápida depreciação de seu valor, não se prestam à reserva de valor. São bens de consumo extremamente irracionais. \nDeviamos considerar a sério modificar nossa matriz de transporte, como está fazendo a China
  • Marcus  23/12/2009 14:21
    O que a China está fazendo B.H? Pensava que eles estavam investindo em carros, que aquela imagem de milhares de pessoas de bicicleta era coisa do passado.
  • Joel Pinheiro  23/12/2009 15:44
    Leis de trânsito continuariam a existir se as ruas fossem privadas. A diferença é que as empresas que fazem e cuidam das ruas é que instituiriam suas leis. Ou então haveria até empresas especializadas em criar e desenvolver códigos de trânsito para os mais diferentes tipos de ruas e vias.\n\nVá a um estacionamento de shopping. São vias privadas. Há regras de funcionamento internas (velocidade máxima, lugares onde é permitido ou não parar, etc). Em ruas privadas não seria diferente.
  • Ruth  23/12/2009 16:44
    Correto. E se o proprietário de uma rua elevasse muito o preço de uso, bastaria usar outra rua que pertencesse ao concorrente.

    Haveria concorrência e competição nesse novo modelo de receita
  • B.H.  23/12/2009 17:06
    A china está edificando um transporte urbano baseado não apenas em metrô, monotrilhos, ônibus, etc.
    Eles usarão teleféricos, semelhante ao bondinho do pão de açucar, para mover a mão-de-obra dos subúrbios até os centros.
    Além disso, existirão teleféricos inteligentes e as pessoas se locomoverão por sobre as ruas e calçadas, inserindo no equipamento o endereço de destino.
    Uma cidade chinesa em 2050 será tomada por meios de transporte suspensos, e se parecerá com o desenho dos jetsons.
    A propósito: a atual alta demanda dos chineses por carros, é corolário do crescimento econômico. A fase do pós venda e da pré-venda requerem transporte e entregas, quanto mais atividade econômica, mais veiculos são necessários.
  • Bruno  23/12/2009 17:16
    A questão Ruth é que espaço também é limitado. Mesmo em mercado-livre haveria duas, três ou até quatro Av. Paulistas?\nDuplicação ou triplicação de Av. 23 de Maio?\nEm espaços já utilizados como é que faz? Desaloja famílias para derrubar habitações e construir família? E vamos supor que os empreendedores irão pagar as famílias, ou seja, comprar o espaço habitacional delas. O que, na minha opinião, num livre-mercado é mais econômico "passar fogo" no pessoal.\nMesmo assim é viável.\nHá um monte de questões que se levanta entre o imaginário liberal e a realidade.
  • Marcus  23/12/2009 23:16
    Imaginemos que as ruas fossem privatizadas, e que o trânsito fluísse bem. Vocês acham que isso acabaria com os problemas que o carro nos traz atualmente. Algo que eu acho é que existe uma supervalorização dos carros, como B.H. bem disse, que os torna mais importantes que os pedestres. Não sou contra o uso de carro, sou contra ao uso excessivo que fazemos dele em SP e outras grandes cidades do mundo. O carro deve ser um meio, e não um fim.
  • Marcus   23/12/2009 23:18
    Quanto a questão da teoria dos jogos que o Bruno citou anteriormente, procurei me aprofundar um pouco no tema, e percebi que realmente ela poderia ser utilizada nos tipos de problema que encontramos hoje. Será que existe quem já a aplique em problemas como os que discutimos aqui?
  • Bruno  24/12/2009 11:45
    Ainda não pois as ruas são públicas então não tem o problema da concorrência ou da relação consumidor/prestador de serviços. Para ordenar o trânsito creio eu ainda ser utilizado algoritmos inteligentes. Esqueci no momento qual algoritmo é mais utilizado. Vou ver.\nTeoria dos jogos entraria em cena num cenário descrito pelo Joel. E mesmo assim seria muito complicado.
  • Rafael Crivelli  27/01/2010 01:33
    Desculpem-me por "ressuscitar" o artigo, mas lendo os comentário não deixei de notar que pouco se falou da questão dos transportes coletivos.
    Acho que a solução está simplesmente na desregulamentação do setor. Se os ônibus e metrôs estão sempre superlotados é devido a seu preço imcompatível, e que não viabiliza a compra de novos ônibus pelas empresas. Me perguntarão se se o preço fosse ajustado pelo livre mercado, ele não subiria. Respondo: certamente. O que abriria a oportunidade para as vans, hoje ilegais, prestarem seus serviços a preços compatíveis, e que forçariam o preço das passagens de ônibus e trens metropolitanos para baixo, até o ponto de equilíbrio. O mesmo vale para o equilíbrio entre carros, coletivos e trânsito.
    Pode haver também a dúvida de se o transporte não poderia encarecer o custo do trabalhador para chegar ao trabalho e ele deixaria o emprego. Simples: a empresa não pode sobreviver sem funcionários.
    Quanto à privatização, por assim dizer, das vias urbanas, acho inviável, tanto quanto a total ausência do governo. Acredito no Estado mínimo, não no anarcocapitalismo. Acredito do federalismo (ou quase municipalismo), e não no governo central. A responsabilidade da conservação e ampliação das vias seria então do município, ou de subprefeituras em grandes cidades como São Paulo, com dinheiro de impostos municipais (e não verbas de emendas de deputados federais), e fiscalizadas de perto por conselhos municipais ou de bairro.
  • Tiago RC  27/01/2010 07:41
    Rafael,
    \n
    \nQual o problema de, ao invés de subprefeituras ou conselhos de bairro, termos condomínios construindo e mantendo as ruas com sua própria grana, sem nenhuma interferência coerciva?
    \n
    \nO lance do transporte público é bem verdade. Muita gente não se incomodaria em ter carro se transporte público não fosse monopolizado.
  • Rafael Crivelli  28/01/2010 02:37
    Tiago,
    Não há problema algum, no caso de bairros residenciais, eles próprios cuidarem de suas ruas.
    Mas em se tratando de grandes avenidas, artérias de tráfego, acho que uma entrega aos empresários, por exemplo, geraria mais problemas que benefícios. Podem argumentar que eles vão querer uma via bem cuidada diante de sua empresa e blablablá, mas sinceramente não acredito nisso, que um empresário esteja disposto a manter uma, sei lá, marginal Tietê, muito menos em ampliá-la quando necessário.
    Quem sugira a privatização e concorrência entre diversas vias, também acho inviável. O grande problema apareceria ao aplicar isso a uma cidade pequena, como a minha. Considerando que aqui tem-se umas três ou quatro avenidas importantes, a tal da concorrência é simplesmente inviável, visto que o tráfego é muito pequeno.

    Por isso acredito num governo local, fácil de ser fiscalizado, e que deveria assumir essas atribuições básicas. Não seria exatamente coercitivo, talvez, mas mais próximo de uma associação para a governança.
  • Tiago RC  28/01/2010 06:28
    As grandes avenidas eu acho até mais simples. Claro que há interesse dos empresários em mantê-las acessíveis e tal, eles dependem disso. E essas grandes avenidas poderiam ter pedágios urbanos também, cobrar por estacionamento na rua etc, formas de internalizar os custos com manutenção.
    \n
    \nIsso que você chama de "governo local" poderia ser uma instituição formada pelos condomínios de bairro para administrar justamente essas vias que os ligam. Uma instituição voluntária, a serviço de seus clientes. Não uma instituição com poder de legislar "monopolisticamente" e conseqüentemente, usar o poder da lei a seu favor. Caso contrário há coerção.
    \n
    \nMas enfim, um modelo de cidades-Estados já seria *muito* melhor do que o que temos hoje.
    \n
    \nAbraços,
    \nTiago.
  • Emerson Luis, um Psicologo  15/04/2014 14:50

    Perguntas inconvenientes para "uma [suposta] verdade inconveniente".

    * * *
  • amauri  22/09/2014 19:11
    Bjorn Lomborg mudou de lado e agora quer um fundo bilionario
  • Mohamed Attcka Todomundo  23/09/2014 13:07
    como assim? ñ entendi q fundo bilionario. vc pode explicar melho ou por um link?
  • anônimo  23/09/2014 13:10
    Continua o mesmo, ele não era cético quanto ao AG, era cético quanto ao protocolo de Kioto

    wp.clicrbs.com.br/blogarpuro/2010/09/06/o-ambientalista-cetico-garante-nao-mudou-de-ideia/?topo=13,1,1,,,13&status=encerrado
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  21/03/2015 16:24
    Escute o que os governos dizem, faça o contrário e siga vivendo.
  • Halvorsen  27/12/2015 23:01
    E sobre a COP21?Qual a opiniao do IMB sobre a conferênci realizada neste mês?


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