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O fascismo da ANVISA

"Os governos existem para nos proteger uns contra os outros; o governo vai além de seus limites quando decide proteger-nos de nós mesmos." (Ronald Reagan)

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou novas regras dificultando a venda de medicamentos nas farmácias. Diversos remédios avulsos, incluindo os mais básicos, não poderão mais ficar ao alcance direto dos consumidores, que deverão solicitá-los ao farmacêutico. Outras medidas de cunho claramente fascista foram tomadas, com o alegado objetivo de acabar com a "irracionalidade" da automedicação. A história se repete: burocratas arrogantes acham que devem cuidar do povo idiota, impondo leis autoritárias em nome das nobres intenções.

O debate oscila, como sempre, entre questões menores, como a menção de casos de abuso da automedicação e a capacidade de fiscalização das novas regras. Ninguém ousa questionar as premissas básicas por trás das medidas. Ninguém ergue a voz para defender a propriedade privada, a liberdade de exercer trocas voluntárias e o direito individual de fazer com o próprio corpo o que desejar. Ninguém questiona com qual direito o governo invade a propriedade particular dos donos de farmácias para ditar, nos mínimos detalhes, como seus negócios devem ser tocados. Afinal, o governo é o dono das farmácias? Os cidadãos são indivíduos livres e responsáveis, ou súditos mentecaptos que necessitam da tutela dos "esclarecidos" burocratas? Infelizmente, essas perguntas não fazem parte dos debates sobre as novas regras.

O fato de ocorrer abuso na prática de alguma coisa não deve prejudicar o direito ao seu uso. Há uma expressão jurídica que resume esse conceito: Abusus non tollit usum. Não é porque algumas pessoas irresponsáveis abusam da bebida alcoólica que o consumo de álcool deve ser proibido. Não é porque algumas pessoas ficam viciadas em jogos de azar e destroem suas vidas que o jogo deve ser proibido. E também não é porque algumas pessoas resolvem tomar todo tipo de remédio sem consulta médica que todos deverão pagar por isso, vendo suas liberdades básicas limitadas. Em nome do abuso de alguns, o governo resolve escravizar todos, e controlar de forma absurda as farmácias. As regras novas podem até ser legais, mas não são legítimas.

Essa assustadora intervenção estatal no comércio de remédios nos remete ao nazismo e ao fascismo. Eram nesses regimes que o governo decidia sobre praticamente tudo na economia, anulando completamente a liberdade dos vendedores e consumidores. O governo apontava os "gerentes" das empresas, decidia sobre preços, sobre como vender, tudo! Diferente dos comunistas, eles não precisaram abolir a propriedade privada de jure, pois fizeram isso de facto. O controle pertencia aos burocratas no poder. O Brasil parece caminhar cada vez mais rápido nesse "caminho da servidão", para usar a expressão de Hayek. O povo, anestesiado, aceita passivamente ser tratado como idiota e irresponsável. Um povo de cordeiros terá sempre um governo de lobos!

Em suma, aquilo que realmente deveria estar no topo da pauta de discussões sobre as novas regras nem sequer aparece no debate. O governo não tem direito legítimo para decidir essas questões. Não cabe aos burocratas invadir a liberdade dos donos das farmácias e dos seus consumidores. Como cidadão livre, eu não reconheço o direito da Anvisa de proibir que eu possa comprar um simples remédio para dor de garganta ou cabeça direto da prateleira de uma farmácia. Se as leis serão seguidas, que ao menos fique transparente seu caráter autoritário, retirando o manto hipócrita do suposto altruísmo do governo: não é porque a medida é legítima e cuida do povo que todos terão que se adaptar; é porque o governo detém o monopólio da força. A legitimidade do ato da Anvisa é a mesma daquela de um criminoso que te obriga a fazer algo sob a mira de uma arma, ainda que o criminoso jure que faz isso para o próprio bem da vítima.

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Leia também o já clássico texto de Luis Almeida sobre assunto semelhante:

Uma organização criminosa chamada ANVISA

 


autor

Rodrigo Constantino
é formado em Economia pela PUC-RJ e tem MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, primeiro como analista de empresas, depois como gestor de recursos. É autor de cinco livros: "Prisioneiros da Liberdade", "Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT", "Egoísmo Racional: O Individualismo de Ayn Rand", "Uma Luz na Escuridão" e "Economia do Indivíduo - o legado da Escola Austríaca".


  • Juliano Torres  20/08/2009 16:38
    Isso porque a muito tempo tentam aprovar uma lei proibindo farmácias de venderem qualquer produto que não seja remédio, como por exemplo cosméticos. As farmácias voltarão em breve a ser apenas um balcão, ou talvez um galpão distribuidor.
  • MARCO  20/08/2009 16:44
    À bem da verdade, o que ocorre é o plano socialista do atual governo petista de uma grande estratégia de inviabilizar a economia de mercado do País ao mesmo tempo que implanta por etapas, o socialismo. E é o que eles vão conseguir se o povo não começar a reagir..
  • Rafael Hotz  20/08/2009 19:34
    frase inicial comprometeu o texto... rs...
  • Oriom Lisboa  30/08/2009 18:21
    Por que raios os liberais nunca aprendem? Oras, a regulação da industria não é "anti-capitalista", no sentido de que os coitadinhos dos farmacêuticos são atacados pelo governo mal. Pelo contrário, a maior parte, senão todas elas são criadas por lobby dos próprios barões da industria! Isso porque se cria um efeito protecionista e elitista dentro do mercado. Como não são todas as farmácias que conseguem pagar os custos artificias das regulamentações, algumas quebram, enquanto outras se movem para a economia informal. De qualquer forma, os pequenos comerciantes e o povo é prejudicado em benefício da elite. No mercado informal, as pessoas não tem os "direitos" que o governo costuma garantir para os formais, quanto mais para a elite. Ou seja, as regulamentações e impostos sempre ajudam os ricos e fodem com os pobres. Impostos, regulamentações e gastos do governo criam uma elite artificial, que só existe pela existencia do Estado. Anarquia é o "capitalismo" dos pobres, isso é, a economia informal. Parem de defender um "governo limitado", isso é totalmente contraditório. Enquanto existir Estado, sempre existirá exploração, e a burguesia sempre governará!\n\nAvante a Revolução Negra! Agora, Anarquia, Ação!
  • Caio  08/08/2012 11:55
    Ok, eu concordo com a eliminação da ANVISA e eliminação da restrição de alguns documentos. Mas apenas uma dúvida, quem se encarregaria do controle de epidemias e pandêmias? E a venda de antiobióticos?
  • Max Stirner  17/11/2016 02:21
    Quatro anos se passaram e até agora ninguém conseguiu responder sua pergunta...



  • Blat  17/11/2016 03:35
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=275
  • Emerson Luis, um Psicologo  18/03/2014 14:24

    Em 2014, o Brasil caiu da 100ª para a 114ª posição de liberdade econômica.

    Bem lembrado: a ANVISA coopera com o corporativismo para formar cartéis.

    * * *
  • RENATO ANDREUCCI LOBO  20/10/2016 19:43

    www.istoe.com.br/reportagens/1292_A+CIENCIA+SOB+PRESSAO

    "estudos comprovam a ineficácia da grande maioria dos remédios aprovados
    pela agência e que circulam no mercado"


    www.istoe.com.br/reportagens/1292_A+CIENCIA+SOB+PRESSAO

    Na Universidade de São Paulo (USP), o farmacologista Gilberto De Nucci comprou briga ao afirmar que pelo menos 80% dos remédios em circulação são ineficazes: "Eles servem para alguma coisa, mas não exatamente ao que se propõem." Pioneiro na bioequivalência, área que realiza testes de eficiência dos genéricos antes de chegarem às farmácias, De Nucci teve um de seus laboratórios fechado no final do ano passado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo os laudos oficiais a que ISTOÉ teve acesso, normas para a compra de medicamentos não foram seguidas. Mas no centro desse imbróglio residem conflitos de interesse entre a USP, que abrigava o laboratório, empresas farmacêuticas, a Anvisa e o próprio De Nucci.


    jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL550033-10406,00-NOVE+REPRESENTANTES+DA+CAMARA+DE+MEDICAMENTOS+PEDEM+DEMISSAO.html

    01/10/2003 Nove, dos dez representantes da Câmara de Medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, decidiram se desligar, hoje, da Anvisa. E saíram criticando a agência. A nova crise na saúde pública chegou com uma carta de demissão, entregue hoje à Anvisa. Na carta, nove dos dez representantes da Cateme - a Câmara de Medicamentos - explicaram os motivos da renúncia: Eles alegaram que o processo de autorização para novos medicamentos perdeu a transparência, quando a Anvisa proibiu a divulgação na internet de análises da Cateme. Os especialistas reclamaram que a Anvisa chegou a pedir parecer de um outro profissional, de fora da câmara. A coordenadora demissionária da Cateme, Regina Scivoletto, acusou ainda a Anvisa de tentar prejudicar um laboratório, proibindo a venda de um remédio que foi autorizado para outras duas empresas. "Isso mostra que as análises são diferentes para o mesmo produto. Que haja o favorecimento para alguns e outros não ou uma perseguição de algum laboratório, não sei", criticou Regina Scivoletto. É a Câmara de Medicamentos que estuda a eficácia de um remédio antes de ele entrar no mercado. Mas quem dá a palavra final é a Anvisa. Por isso, a agência disse ter proibido a divulgação dos pareceres da câmara durante o processo de análise do medicamento. O diretor da agência avisou que vai pedir aos representantes da Cateme que mudem de idéia. A Anvisa disse que só recorre a outros especialistas quando integrantes da Cateme prestam consultoria para fabricantes do medicamento em avaliação. "É possível que membros da Cateme tenham ficado incomodados ou tenham resistido a mudanças que o tempo exige do próprio funcionamento da câmara. O conceito de transparência de dois anos atrás é diferente, evoluiu", disse o presidente da Anvisa, Cláudio Maierovitch Henriques. O ministro da Saúde, Humberto Costa, está avaliando a crise: "Se, de fato, houver qualquer nível de falta de transparência, nós vamos discutir como agir". A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, acha que a demissão coletiva é ruim para a política de medicamentos. "O meu empenho será certamente de procurar conciliar essa comissão com o Ministério da Saúde", afirmou o presidente do SBPC, Ennio Candotti.




    www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/08/1798867-anvisa-suspende-medicamentos-para-emagrecer-e-estomago.shtml

    www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2003/030903_4.htm (Projeto "Z")

    www.hipolabor.com.br/blog/2014/11/27/anvisa-conquistas-e-avancos-para-saude-sanitaria-no-brasil/ (Projeto "Z")



    www1.folha.uol.com.br/poder/2016/07/1787539-jbs-e-alvo-de-nova-etapa-da-lava-jato.shtml

    A ação também tem fatos ligados a delação premiada do ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas Nelson Mello



    blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/bovespa-pune-hypermarcas.html

    A revelação feita por "O Estado de S. Paulo" de hoje a respeito da delação premiada de Nelson Mello, ex-presidente da Hypermarcas, sobre um esquema no Congresso de compra de proteção atingiu fortemente a empresa na Bovespa.

    Os investidores estão, naturalmente, punindo a Hypemarcas. Enquanto o Ibovespa sobe 1,65%, as ações da Hypermarcas caem 4,94%.

    Seria natural a queda, mas o fato relevante divulgado pela empresa não ajudou muito.

    Diz o texto que "o Sr. Mello autorizou, por iniciativa própria, despesas sem as devidas comprovações das prestações de serviços".

    O mercado, no fundo, duvida que alguém que teve a posição de Nelson Mello e está há tantos anos ao lado de João Alves Queiroz Filho, o dono da Hypermarcas, tenha agido de forma isolada.

    De acordo com o que apurou o jornal, o delator disse ter dado R$ 23 milhões a Romero Jucá, Renan Calheiros e Eduardo Braga. O dinheiro era dado a Milton Lyra e Lucio Funaro que o distribuía aos senadores. Não se trata da Lava-Jato, mas de um outro esquema de achaque.





    www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/ADMINISTRACAO-PUBLICA/511404-COMECA-REUNIAO-DA-CPI-DO-CARF-PARA-OUVIR-EX-CONSELHEIRO.html

    6/28/2016 Começa reunião da CPI do Carf para ouvir ex-conselheiro - Câmara Notícias - Portal da Câmara dos Deputados www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/ADMINISTRACAO-PUBLICA/511404-COMECA-REUNIAO-DA-CPI-DO-CARF-PARA-OUVIR-EX-C… 1/2 CÂMARA NOTÍCIAS ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Assista ao vivo 28/06/2016 - 10h52 Começa reunião da CPI do Carf para ouvir ex-conselheiro Começou há pouco reunião da CPI do Carf convocada para a votação de requerimentos de convocação e para as oitivas de duas pessoas acusadas de participação em esquema de compra de sentenças no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf): o ex-conselheiro do Carf Leonardo Manzan e Hugo Rodrigues Borges, ex-funcionário do escritório J.R. Silva Advogados. O Carf é o órgão do Ministério da Fazenda que julga recursos de empresas autuadas pela Receita. Segundo a Operação Zelotes, da Polícia Federal, esse esquema de corrupção causou um prejuízo de R$ 19 bilhões aos cofres públicos. Leonardo Manzan, ex-conselheiro do Carf, é genro do ex-secretário da Receita Federal e ex-presidente do Carf Otacílio Dantas Cartaxo. A Operação Zelotes, da Polícia Federal, apreendeu R$ 1,5 milhão na casa dele. Em depoimento à CPI do Carf do Senado, no ano passado, Manzan disse ser inocente e que o dinheiro era pagamento de honorários advocatícios. Manzan é Òlho do ex-auditor Òscal Agenor Manzano, sócio da empresa de lobby SBS, junto com Eivany Antônio da Silva e Jorge Victor Rodrigues. Eivany, por sua vez, é pai de outro ex-conselheiro do Carf, o advogado José Ricardo da Silva – sócio de outra empresa de lobby, a SGR. Todos atuavam para empresas que questionavam autuações da Receita Federal no Carf e foram denunciados por corrupção pelo Ministério Púbico Federal. Eles negam o pagamento de propina e aÒrmam que os valores envolvidos não passavam de honorários advocatícios. O grupo é acusado de ter operado em benefício da empresa Qualy Marcas Comércio e Exportação de Cereais que, depois de recorrer ao tribunal administrativo, recebeu R$ 37,6 milhões dos cofres públicos como expurgos inÓacionários que teriam sido acumulados na década de 1990, quando o país passou por planos econômicos e mudanças de moeda. Segundo a Polícia Federal, durante os onze anos em que o Processo Administrativo Fiscal tramitou no Carf, o empresário Ramiro Júlio Ferreira Júnior pagou R$ 4,3 milhões ao grupo de intermediários: as empresas SBS e SGR. Ex-ministra O segundo depoente, Hugo Rodrigues Borges, foi funcionário de empresas do ex-conselheiro José Ricardo. No ano passado, em depoimento à CPI do Carf que funcionou no Senado, ele disse que a advogada e ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, assim como o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, frequentaram por pelo menos seis meses, entre 2011 e 2012, o escritório das empresas J. R. Silva e SGR Consultoria Empresarial.

    6/28/2016 Começa reunião da CPI do Carf para ouvir ex-conselheiro - Câmara Notícias - Portal da Câmara dos Deputados www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/ADMINISTRACAO-PUBLICA/511404-COMECA-REUNIAO-DA-CPI-DO-CARF-PARA-OUVIR-EX-C… 2/2 Reportagem - Antonio Vital Edição - Mônica Thaty A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias' Segundo ele, eles se reuniam semanalmente com José Ricardo e com o lobista Alexandre Paes dos Santos, denunciado por envolvimento em compra de medidas provisórias que deram benefício Òscais a empresas automobilísticas. Requerimentos Também está na pauta de hoje da CPI a votação de 89 requerimentos, entre os quais os que pedem a convocação de 55 pessoas, entre empresários, acusados de corrupção no Carf e agentes políticos. Entre os alvos de requerimentos estão os empresários André Gerdau, presidente da metalúrgica Gerdau; Jorge Gerdau; Wesley Batista, diretorpresidente do Grupo JBS; Joesley Batista, presidente do conselho de administração do Grupo JBS; Eduardo Sirotsky, diretor do Grupo RBS; Luís Carlos Trabucco, presidente do Bradesco; Roberto Setúbal, presidente do Itaú/Unibanco; Sérgio Rial, presidente do Santander; Rossano Maranhão, principal executivo do Banco Safra; Adriano Cabral Volpini, principal executivo do Bank Boston; Persio Arida, presidente do banco BTG Pactual; Stevem Armstrong, presidente da Ford do Brasil; e João Alves de Queiroz Filho, fundador do grupo Hypermarcas. Entre as pessoas relacionadas a agentes políticos estão Luís Cláudio Lula da Silva e Fábio Luiz Lula da Silva, Òlhos do ex-presidente Lula; Gilberto Carvalho, exsecretário geral da Presidência da República; Silas Rondeau, ex-ministro de Minas e Energia do governo Lula; e o ex-senador Delcídio do Amaral. Das últimas vezes que a CPI tentou votar requerimentos de convocação, as reuniões foram encerradas por falta de quórum. A reunião da CPI do Carf está sendo realizada no plenário 7. Mais informações a seguir.




    noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/06/28/delacao-cita-propina-de-r-30-milhoes-a-peemedebistas.htm

    Os senadores Renan Calheiros (à esq.), Romero Jucá (centro) e Eduardo Braga
    Os senadores Renan Calheiros (à esq.), Romero Jucá (centro) e Eduardo Braga
    Uma nova delação premiada, firmada com a Procuradoria-Geral da República, aponta o suposto repasse de propinas milionárias para senadores do PMDB, entre eles o presidente do Congresso, Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Eduardo Braga (AM).

    Nelson Mello, ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas, afirmou em depoimento aos procuradores que pagou R$ 30 milhões a dois lobistas com trânsito no Congresso para efetuar os repasses.

    Lúcio Bolonha Funaro e Milton Lyra seriam os responsáveis por distribuir o dinheiro para os senadores. Mello depôs em fevereiro e, em seguida, deixou o cargo que ocupava no Hypermarcas.

    Em comunicado, a Hypermarcas diz que não é alvo de investigações e que não se beneficiou de atos praticados pelo ex-executivo do grupo Nelson Mello. Todos os parlamentares citados negam envolvimento em irregularidades.

    Leia a íntegra da nota da empresa
    A Procuradoria-Geral da República vai pedir ao Supremo Tribunal Federal que as afirmações envolvendo os políticos sejam investigadas. O relato não é alvo de inquérito na Operação Lava Jato. O Estado apurou que as informações repassadas por Mello referem-se à atuação de parlamentares na defesa de interesses da empresa no Congresso.

    Os lobistas, segundo Mello, diziam agir em nome de políticos e que estes poderiam tomar iniciativas de interesse da empresa e do setor no Congresso.

    Segundo o delator, Lúcio Funaro se dizia "muito próximo" do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e de outros peemedebistas da Casa. Já Milton Lyra afirmava agir em nome dos senadores "da bancada do PMDB" que teriam sido destinatários da maior parte da propina.



    Ricardo Botelho/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

    O deputado Eduardo Cunha também é investigado


    Mello disse que conheceu os lobistas em Brasília. Ele afirmou que se "ajustou" com Funaro e Lyra para "se aproximar" do poder. Seu objetivo, declarou, era "proteger" o mercado que representava. Disse ainda que, para ele, o setor "tinha que ter uma proteção legal".

    Mello trabalhou por mais de 20 anos no Hypermarcas, grupo do qual se desligou depois de fechar a delação. Ele afirmou que "ressarciu" o grupo daquele montante que disse ter repassado aos lobistas. Segundo ele, a empresa Hypermarcas "não auferiu nenhuma vantagem nem sofreu prejuízos porque foi reembolsada".

    Operadores
    O executivo citou vários nomes em sua delação premiada, incluindo Renan, Jucá, Braga e Cunha. Na Operação Lava Jato, Funaro já foi apontado como operador de Cunha e responsável por viabilizar o escoamento de propina das empreiteiras para as contas do deputado afastado fora do País.

    Os investigadores chegaram a mapear dois carros --um Hyundai Tucson e uma Land Rover Freelander-- em nome da empresa C3 Produções, da mulher de Cunha, mas que foram pagos por empresas ligadas a Funaro.

    Também na Lava Jato, os irmãos Milton e Salim Schahin, do grupo Schahin, disseram aos investigadores que foram ameaçados por Funaro por causa de problemas em obra de interesse dele e de Cunha.

    Também na apuração do cartel que atuou na Petrobras, Lyra foi apontado como operador de Renan e seu nome apareceu em uma anotação apreendida no gabinete do senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS).

    No documento, ele está relacionado a um suposto pagamento de R$ 45 milhões em propina para o PMDB. Em outra frente da Lava Jato, que apura desvios em fundos de pensão, Lyra é investigado por aparecer como operador de duas empresas que captaram R$ 570 milhões do Postalis, o fundo de pensão dos Correios.

    Zelotes
    Renan e Jucá também são investigados na Operação Zelotes, deflagrada inicialmente pela Polícia Federal em março de 2015 para investigar um esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) - órgão colegiado do Ministério da Fazenda, responsável por julgar recursos de autuações contra empresas e pessoas físicas por sonegação fiscal e previdenciária.

    A investigação da Operação Zelotes se desdobrou para a apuração de suposta compra de medidas provisórias no Congresso. Os senadores peemedebistas são suspeitos de terem recebido propina para aprovar medidas provisórias de interesse de empresas do setor automobilístico.

    Já Eduardo Braga, ex-ministro de Minas e Energia durante o governo Dilma Rousseff e atualmente senador pelo Amazonas, foi citado em delação premiada de ex-executivos ligados à empreiteira Andrade Gutierrez como destinatário de propina em obras no Amazonas e em licitações relacionadas à Copa.




    www1.folha.uol.com.br/poder/2016/06/1786420-hypermarcas-diz-que-apenas-ex-diretor-e-nao-a-empresa-e-alvo-da-pf.shtml

    A companhia de fármacos e produtos de consumo Hypermarcas responsabilizou um ex-diretor por supostos repasses ilegais a senadores do PMDB em comunicado ao mercado nesta terça-feira (21).

    O texto foi escrito em resposta a uma reportagem publicada pelo "Estado de S. Paulo". Segundo o jornal, o ex-diretor de relações institucionais da marca Nelson Mello afirmou, em delação premiada, que repassou R$ 30 milhões a senadores do PMDB –entre eles Renan Calheiros (AL), presidente do Senado, Romero Jucá (RR) e Eduardo Braga (AM)– para que defendessem interesses da empresa no Congresso.

    No comunicado, a Hypermarcas afirma que "não se beneficiou de quaisquer dos atos praticados pelo ex-executivo" e que não é alvo de nenhum procedimento investigativo. A empresa informou ainda que acertou acordo com Mello por meio do qual "assegurou ressarcimento integral pelos prejuízos sofridos".

    "Após a saída do ex-executivo, a companhia contratou assessores externos renomados para conduzirem uma auditoria, já finalizada, que concluiu que o senhor Mello autorizou, por iniciativa própria, despesas sem as devidas comprovações das prestações de serviços", afirmou a Hypermarcas.

    Antes de assumir o posto de diretor de relações comerciais, Mello foi presidente comercial empresa entre 2002 e o fim de 2011.

    Segundo o "Estado de S. Paulo", a Procuradoria-Geral da República vai pedir ao Supremo Tribunal Federal que as afirmações envolvendo os políticos sejam investigadas. O relato não é alvo de inquérito na Operação Lava Jato, afirmou o jornal, que publicou ainda que as informações repassadas por Mello em delação premiada "referem-se à atuação de parlamentares na defesa de interesses da empresa no Congresso".

    OUTRO LADO

    Renan negou qualquer tipo de recebimento de vantagens indevidas, enquanto o advogado de Jucá não retornou as ligações da reportagem. Já Braga, por meio de sua assessoria, disse nunca ter recebido valores da Hypermarcas ou de seu ex-diretor.

    Senadores que já apareceram nas investigações sempre negaram ter recebido vantagens ilícitas.


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