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Entendendo a guerra da Rússia e a mentalidade de Putin: a estranha filosofia de Aleksandr Dugin
Tentar interpretar as ações da Rússia sob uma ótica Ocidental não logrará êxito

Os russos foram "escolhidos escatologicamente". Eles devem oferecer resistência à falsa fé, à pseudo-religião do liberalismo ocidental e à disseminação de seu mal: modernidade, cientificismo, pós-modernidade e a nova ordem mundial. 

Esta é a tese de Aleksandr Gelyevich Dugin, o proeminente filósofo russo e mentor do presidente Vladimir Putin. Sendo uma "área pivô" geográfica, a Rússia deve recuperar sua posição no coração do continente eurasiano.

Filosofia política

A teoria política de Aleksandr Dugin, baseada no tradicionalismo, quer libertar o socialismo de suas características materialistas, ateístas e modernistas. Ele classifica sua abordagem de "a quarta teoria política" (2012), pois é dirigida contra as outras três ideologias convencionais: comunismo, liberalismo e fascismo. 

Dugin, que leciona sociologia e geopolítica na Universidade Lermontov, de Moscou, está à procura de uma nova ideia política para a Rússia. E ele a encontra na identidade tradicional da região, a qual Dugin associa a "religião, hierarquia e família". Como tal, sua teoria é uma "cruzada" contra a pós-modernidade, a sociedade pós-industrial, o pensamento liberal e a globalização.

Em sua terra natal, Aleksandr Dugin é um muito conhecido geoestrategista e mentor do atual presidente russo, Vladimir Putin. Para Dugin, os EUA são uma ameaça à cultura russa e à identidade da Rússia. Ele deixa sua posição inequivocamente clara ao declarar que:

Acredito firmemente que a Modernidade está absolutamente errada e a Sagrada Tradição está absolutamente certa. Os EUA são a manifestação de tudo que eu odeio – Modernidade, ocidentalização, unipolaridade, racismo, imperialismo, tecnocracia, individualismo, capitalismo.

Aos seus olhos, os EUA são "a sociedade do Anticristo". Os Estados Unidos da América são o país sinistro e alarmante do outro lado do oceano, "sem história, sem tradição, sem raízes […] o resultado de um experimento puro feito pelos racionalistas utópicos europeus". 

Ele lamenta que os EUA estejam impondo sua dominação planetária e vivenciado o triunfo de seu estilo ao redor do mundo. Ele critica o fato de que "única e exclusivamente em si mesmos" os EUA veem as normas do progresso e da civilização.

De acordo com Dugin, os EUA negam a todos os outros "o direito ao seu próprio caminho, a sua própria cultura e ao seu próprio sistema de valores". Sua conclusão, consequentemente, é que enterrar os EUA "é nosso dever religioso". 

A salvação não só da Rússia, mas de praticamente todo o continente eurasiano, é o retorno à sua "Sagrada Tradição". Aos olhos de Dugin, a Rússia deve retornar à sua verdadeira identidade. Um retorno à grandeza da Rússia é uma obrigação moral. E os EUA estariam impedindo o cumprimento deste destino messiânico.

Geopolítica

Na visão de Dugin, a cisão cultural possui uma contraparte geopolítica. Sua grande visão é criar um eixo Paris-Berlim-Moscou que preencha o buraco negro geopolítico deixado na Eurásia após o fim da União Soviética.

Alguns dos conceitos básicos da geopolítica de Dugin remontam ao geógrafo geopolítico inglês Halford J. Mackinder e ao teórico geopolítico alemão Karl Ernst Haushofer (1869-1946). Mackinder (1861-1947) apresentou sua tese de que o coração da Eurásia é o "pivô geográfico da história" em uma reunião da Royal Geographic Society já em 1904.

O prognóstico de Mackinder dizia que, embora a vasta área da Eurásia tenha sido inacessível aos navios, essa desvantagem terminaria porque a Rússia estaria prestes a construir um sistema ferroviário abrangente. Ser inacessível aos navios não seria mais uma desvantagem. Com o sistema ferroviário, o Império Russo estaria a caminho de pressionar "a Finlândia, a Escandinávia, a Polônia, a Turquia, a Pérsia, a Índia e a China". No mundo como um todo, uma Rússia modernizada "ocuparia a posição estratégica central que a Alemanha usufrui na Europa".

À época da apresentação de Mackinder no início do século XX, Londres já estava preocupada com a ascensão da Alemanha como uma potência industrial. E se a Rússia seguisse esse caminho, um novo e potencialmente maior rival surgiria. Impedir qualquer aliança entre Rússia e Alemanha ganhou prioridade estratégica nos círculos de política externa do Reino Unido. 

O conceito de manter o equilíbrio de poder na Europa e anunciar a conquista da Rússia pela Alemanha, ou vice-versa, tornou-se um imperativo estratégico, e motivou a Grã-Bretanha a entrar na Primeira Guerra Mundial, em 1914.

Na década de 1920, a visão geoestratégica de Karl Haushofer, de um eixo que iria de Paris, Berlim e Moscou a Tóquio, ganhou forma na Alemanha e também atraiu estrategistas soviéticos. A teoria geopolítica de Dugin representa a continuação desta linha de pensamento, e segue tanto Haushofer quanto a máxima de Mackinder: "Quem governa a Europa Oriental comanda seu coração. Quem governa seu coração comanda a Ilha-Mundo. Quem governa a Ilha-Mundo comanda o Mundo".

Para Dugin, o conflito entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Pacto de Varsóvia durante a Guerra Fria situa-se no mesmo contexto da guerra entre Cartago e Roma. Com o fim da União Soviética e a ascensão dos Estados Unidos como a única superpotência, esse conflito histórico atingiu um novo estágio. 

Hoje, a Rússia está sozinha contra uma OTAN ampliada. Com isso, o conflito entre a região atlântica e o coração da Eurásia caminha-se para um confronto.

Uma década antes de a visão de mundo geopolítica de Dugin ganhar destaque, o estrategista geopolítico americano Zbigniew Brzezinski também identificou o coração do Leste Europeu como uma região-pivô. Em seu livro The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geostrategic Imperatives (2016), Brzezinski explica que, para manter seu papel primordial no mundo, os EUA devem incluir a Alemanha e o Japão como suas fortalezas nos lados ocidental e oriental do continente euro-asiático para manter a Rússia sob controle.

Quanto à importância da posição geoestratégica da Rússia e de seus vizinhos, não haveria muita diferença entre Aleksandr Dugin e Zbigniew Brzezinski. Para ambos, a Eurásia é o tabuleiro de xadrez sobre o qual a luta pela primazia global continua a ser jogada. A diferença fundamental, no entanto, entre os Estados Unidos e a Rússia é que o colapso da União Soviética deixou os Estados Unidos na posição única de se tornar a primeira superpotência com alcance global.

Para estabelecer essa hegemonia, explica Brzezinski, a Eurásia é o "axial geopolítico", e a Ucrânia seria um estado-pivô geopolítico. Segue-se que "sem a Ucrânia, a Rússia deixa de ser um império eurasiano. […] No entanto, se Moscou recuperar o controle sobre a Ucrânia […] a Rússia automaticamente recupera novamente os meios para se tornar um poderoso estado imperial, abrangendo a Europa e a Ásia."

Crítica

É difícil entender que Dugin reivindique "tradição" e "identidade" quando, na verdade, a história russa dos séculos XIX e XX foi um desastre. 

Foi o apego a tradições imaginárias que lançaram as bases para que as calamidades acontecessem. 

Foi a resistência dos czares contra o liberalismo e o capitalismo, que continuou sob os soviéticos até a atual liderança, que bloqueou o progresso da Rússia.

No século XX, a Rússia experimentou uma catástrofe após a outra. A Guerra Russo-Japonesa de 1905 terminou com uma derrota humilhante e provocou revoltas violentas no país. A Primeira Guerra Mundial custou milhões de baixas e devastou a economia da Rússia. A tomada de poder bolchevique levou à sangrenta guerra civil de 1918-1921, seguida pela guerra russo-polonesa de 1919-1920. A União Soviética começou sua existência paralelamente ao estabelecimento do GULAG, a vasta rede de campos de concentração.

A industrialização forçada e a coletivização das terras agrícolas geraram o Holodomor, a fome com milhões de mortes na Ucrânia e no Cazaquistão. O regime de terror de Stalin prendeu milhões em campos de trabalho forçado.

A Segunda Guerra Mundial de 1941-45 trouxe terríveis baixas militares e civis e foi imediatamente seguida pela Guerra Fria com sua corrida armamentista e envolvimentos caros em muitos países do Terceiro Mundo. A trágica guerra no Afeganistão, que durou mais de dez anos, até 1989, deu o golpe final e levou ao colapso da União Soviética. A tentação fracassada de estabelecer uma economia de mercado não trouxe prosperidade, mas estabeleceu o capitalismo de estado oligárquico.

Igualmente problemática é a análise de Dugin de que guerra e a cultura representam o principal conflito entre a área atlântica e o coração da Eurásia. Para ambos os aspectos, guerra e cultura, seu conceito de "atlanticistas" contra "eurasianos" é fundamentalmente falho. As guerras entre as nações marítimas europeias marcaram a história desde os tempos da Grécia e Roma e atingiram novos patamares após a descoberta da América. 

Da mesma forma, as "potências terrestres" França e Alemanha invadiram a Rússia e ambas foram derrotadas pela Rússia com a ajuda dos "atlanticistas".

Quanto à tese de que há uma cisão cultural fundamental entre a Europa Ocidental e as terras russas, vale lembrar que a Igreja Ortodoxa Russa em muitos aspectos está mais próxima do catolicismo do que a Igreja Católica está do protestantismo no Ocidente. A literatura e a música russas do século XVIII foram profundamente influenciadas pela parte ocidental da Europa, e as contribuições russas repercutiram fortemente na Europa Ocidental. 

Não foi uma ruptura cultural que fez a Rússia adotar o marxismo em vez do capitalismo de livre mercado e os valores do liberalismo clássico. A Rússia importou essas falsas ideologias do Ocidente. Ao optar pelo marxismo do Ocidente em vez do capitalismo liberal do Ocidente, a Rússia cometeu seu maior erro até hoje.

Com relação à atual guerra na Ucrânia, não apenas a política externa da Rússia se tornou refém da geopolítica; ocorreu o mesmo com os EUA. Ao perder a Ucrânia, a Rússia teme perder sua identidade junto com a chance de se tornar um proeminente ator global novamente. Para os EUA, a Ucrânia é vista como o estado-pivô crucial para manter e expandir sua posição hegemônica global. 

Em ambos os países, os formuladores de política externa olham para o mapa geográfico e veem um tabuleiro de xadrez. Ambos parecem acreditar que a autoridade sobre a Ucrânia decide definitivamente seu próprio futuro.

Não seria a primeira vez na história que uma "idée fix", como a determinação geográfica dos assuntos mundiais, coloca em risco a prosperidade e a paz em todos os continentes.

Conclusão

Caso continue seguindo o caminho ideológico de Aleksandr Dugin, a Rússia cometerá outro erro trágico. Em vez de acreditar nas ilusões de uma tradição imaginária, a liderança russa deveria reconhecer que, a não ser com o capitalismo de livre mercado, não haverá liberdade nem prosperidade.

Historicamente, a casa da Rússia não está fora da Europa. São Petersburgo e Moscou são cidades europeias. Se, no entanto, as potências ocidentais não conseguirem integrar a Rússia em um sistema de segurança comum, o país se voltará para a Ásia. Com China, Índia e Irã, novas associações estão disponíveis.

Considerando o papel estratégico "pivô" da Ucrânia, tanto a Rússia quanto os EUA podem estar errados.


autor

Antony Mueller
é doutor pela Universidade de Erlangen-Nuremberg, Alemanha (FAU) e, desde 2008, professor de economia na Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde ele atua também no Centro de Economia Aplicada. Antony Mueller é fundador do The Continental Economics Institute (CEI) e mantém em português os blogs Economia Nova e Sociologia econômica




  • Yuri  23/05/2022 18:03
    Ninguém mais percebeu que essa tal "quarta teoria política" é exatamente o que TODOS os partidos "moderados" do Brasil defendem?
  • Maurício  23/05/2022 18:33
    Não vejo nada de absurdo nesta quarta teoria política do Dugin. Qual o problema? É autoritária? sim, mas a suposta democracia americana há mais de 200 anos vem espalhando o terror sob o mundo. No geral, o anti-americanismo costuma ser um monopólio da esquerda comunista e seus agregados. E que no final jamais foram capazes de impedir que o estado americano fosse uma nova Roma. Eu vejo um limite de agressividade desta teoria nas mãos dos políticos russos, à região específica da eurásia. Ao contrário da democracia americana que tem a capacidade de combate 24 horas por dia em qualquer lugar do mundo.

    Se eu não fosse libertário, o caminho mais lógico é ser contra o liberalismo, fascismo e comunismo; essa quarta teoria política, portanto, é compatível – sem conhecê-la profundamente, com um certo espírito para quem a grosso modo se considera conservador.

    Ser anti-liberal não significa ser contra as instituições de mercado, até porque os libertários identificam os liberais como os seus inimigos preferenciais.

    Não fosse o interesse americano, esse guerra não teria passado de 15 dias…

    O professor Mueller é um grande e articulado anarcocapitalista e escreveu um excelente artigo.
  • Fabrício  23/05/2022 18:39
    "Não vejo nada de absurdo nesta quarta teoria política do Dugin. Qual o problema? É autoritária? sim, mas a suposta democracia americana há mais de 200 anos vem espalhando o terror sob o mundo."

    Releia sua frase, mas agora com mais calma.

    É autoritária e, ainda assim, você não vê nada de absurdo?
  • Olavo  23/05/2022 18:07
    O fato incontestável é que o "véio doido da Virgínia" cravou mais essa:

  • Nikus Janestus  23/05/2022 18:20
    Mais um filósofo ambicioso espalhando por aí suas idéias equivocadas e sem qualquer conexão real com a realidade, ao mesmo tempo que busca justificar às ambições autoritárias de determinados políticos e oligarcas.

    Querem expandir a "influência" da Russia mas no máximo irão apenas empobrecer mais o país ao mesmo tempo que anexam regiões devastadas pela guerra.

    Os políticos imperialistas americanos, enquanto isso, apenas aproveitam a chance para alienar mais às populações que dominam e influenciam, em nome da "causa justa", ao mesmo tempo que se enchem de dinheiro ao lado das indústrias corporativistas mais poderosas e influentes, que por sinal estão lucrando horrores nessa guerra.

    Não duvido que os burocratas ucranianos estejam nadando nas riquezas enviadas para uma suposta "ajuda humanitária" naquele país. Não é atoa que o presidente de lá está tão ativo na demanda por dinheiro e armamentos, aparecendo constantemente na mídia. Deve estar lucrando muito com tudo isso.
  • Hans  23/05/2022 18:32
    Concordo.
  • Guilherme  23/05/2022 18:38
    O Dugin até faz algumas críticas corretas e pertinentes ao Ocidente em geral e aos EUA em particular. O regime americano de fato representa e defende um sistema social e moral corruptos, principalmente agora sob Biden.

    Mas Dugin e o regime russo também fazem exatamente o mesmo. O principal ponto do Dugin é que a Rússia deveria estar dominando o mundo todo, e não sendo dominada pelo Ocidente.

    É aquilo: "Eu quero mandar na porra toda, e não ser mandado".

    É só pirraça. Imitar a Suíça ninguém quer.
  • Hugo  23/05/2022 18:45
    Todos esses filósofos pró-governo — não importa a ideologia — só pensam em termos de poder estatal. Só pensam na "glória de mandar".

    O curioso é que essa ideologia é bastante pós-moderna. Dugin é culpado das exatas coisas que ele próprio acusa os outros de fazer. Sua solução é dominar ou destruir os EUA.
  • Bernardo  23/05/2022 18:49
    Enquanto houver intelectuais influentes fazendo planos sobre "controlar o mundo", tudo continuará como está.

    Vale lembrar também que o Dugin — e isso eu lembro do Olavo falando — promove um hierarquia de classes baseada na etnia e no legado (ao mesmo tempo em que chama os outros de racistas). Isso é exatamente o que mantém a Rússia na pobreza e escraviza seu povo.
  • Flávio Ribeiro Gomes  23/05/2022 19:02
    Opções atuais da Europa: sociedade tradicional russa ou fascismo pós-moderno capitaneado pelos ultra-progressistas do governo Biden.

    Ser brasileiro está se tornando uma opção quase que invejável.
  • anônimo  23/05/2022 19:41
    "Ser brasileiro está se tornando uma opção quase
    que invejável."

    Realmente, a Europa se tornou em um verdadeiro poço de lama nas questões sociais, importando e exportando todo tipo de delírio progressista fiéis às paltas da intelligentsia globalista.

    Mas ainda sim contínua sendo um continente com uma sociedade majoritamente rica, desenvolvida e relativamente segura e livre, contendo alguns países que inclusive se aproximam do ideal libertário na questão da liberdade, e aínda demorará muito até que os psicopatas burocratas de lá consigam empobrecer a população com suas medidas políticas autoritárias e esbulhadoras. Logo, ainda contínua sendo um lugar muito melhor do que o Brasil economicamente, pelo menos por enquanto.
  • anônimo  23/05/2022 19:56
    a imagem pitoresca da europa bonita e cheirosa é coisa do passado
    em paris voce tem guetos entupidos de gente de tudo quanto é buraco que a policia francesa nao entra, tal qual as favelas cariocas

    obviamente que isso nao sai nas fotos da eiffel , mas uma voltinha de google streetview e voce acha aos montes

    viva o multiculturalismo haha
  • Ex-microempresario  23/05/2022 20:03
    As favelas da Europa podem ser tão ruins quanto as brasileiras, mas os "lugares bons" da Europa são muito melhores que os "lugares bons" do Brasil.
  • Vladimir  23/05/2022 20:06
    Sim. A Europa é bastante superestimada neste quesito "quero morar". Vale muito a pena ir lá turistar, mas morar não.

    Aliás, de todos os países que eu já conheci, estes são os que me marcaram mais:

    A Suíça é o mais incrível.

    Os EUA são os de vida mais fácil. Sério, tudo lá é moleza de se fazer e de se conseguir. É o país que de fato entrega facilidades. Dependendo do estado, eu moraria lá tranquilamente.

    O Canadá é agradável, mas você só não pode ficar doente. Os hospitais deles são uma bosta. Todo mundo vai pros EUA pra se tratar. Não moraria lá.

    Portugal é supreendentemente agradável. E barato. Moraria lá.

    A cidade de Praga é a mais bonita de todas. Mas acho que não moraria no país.

    Toda a Itália é belíssima, mas eu não moraria lá. Dependendo da cidade, tudo é muito pior do que aqui. Ao sul de Roma, então, é uma avacalhação total.

    Alemanha, França, Espanha e Reino Unido valem uma visita, mas é só. Não me atraíram. Jamais pensaria em morar lá. (Tudo de bom que tem na Alemanha, você encontra ainda melhor na Suíça).

    Agora, em termos de beleza, nenhum país supera a Áustria. Ganha até da Suíça. Não sei se moraria lá, mas com um cenário daqueles, creio ser impossível ter uma vida ruim.
  • Peixeiro  23/05/2022 22:48
    A Suíça é, de longe, o melhor país que já visitei. Melhor que Alemanha e EUA. Qualidade de vida absurdamente alta para os padrões de um mundo cada vez mais estatista; muita oportunidade para os jovens; o país é de uma beleza natural incrível, além de ser muito limpo; mulheres bonitas em todos os lugares; etc, etc, etc.
  • Zilander Camoleze  23/05/2022 19:14
    Não obstante o breve resumo sobre o pensamento do Prof Dugin, ficou sem menção o fato de que o liberalismo como ideia de economia, foi nitidamente modificado para uma nova versão que assume hoje, seu aspecto globalizado, assim o liberalismo globalista praticado por comando de um Estado forte, onde as regras de mercado não são adotadas em sua plenitude e prática, e sim movidos por interesses de corporações industriais, tecnológicas e financeiras, via mãos desse Estado cooptado e servil a elas. No fundo seria uma antítese, ou deformidade do liberalismo original, que foi exitoso na Europa Ocidental e EU. Quanto as tradições, querendo ou não, elas existem no espaço social dos povos e sua identidade histórica com suas aproximações de ideias, também é uma realidade. O que se choca com a visão de um mundo homogêneo e sem nenhuma característica cultural diversa dentro de uma fronteira fictícia. Esse aspecto o Dugin menciona bem. Nesse caso, ele está sendo realista ao ponto de ver que os espaços geopolíticos podem sim, em alguma medida, refletir essa identidade maior por afinidade entre as nações devido aos seus elementos culturais e históricos. As diferenças existem assim como as similaridades.
  • Juliano  23/05/2022 19:40
    O arranjo econômico que você citou já existe e está a pleno vapor. Novidade nenhuma:

    Eis as únicas três maneiras de se organizar uma economia

    O que realmente é o fascismo
  • anônimo  23/05/2022 19:58
    "Nesse caso, ele está sendo realista ao ponto de ver que os espaços geopolíticos podem sim, em alguma medida, refletir essa identidade maior por afinidade entre as nações devido aos seus elementos culturais e históricos. "

    Às nações e impérios dos tempos antigos já estão extintos há muito tempo, o império Russo não existe mais e foi substituído por seguidos novos governos compostos por burocratas autoritários e ambiciosos. Nenhuma "identidade maior" pode substituir a ética de não-agressão, e qualquer mudanças dos modus operandis de determinadas sociedades deve ser assumido de acordo, primeiramente, com o concentimento totalmente voluntário das pessoas para ocorrer com sucesso e sem transtornos.

    A Rússia "peca" eticamente no momento em que começa uma guerra sem haver anteriormente uma clara agressão. Utilizou como justificativa o tal "retorno da tradição" para "resgatar" pessoas pró-russas que querem nada mais que suas regiões se curvam perante os russos sem ter uma clara sinalização geral de submissão.

    Se fulano quer se tornar Russo em um cenário de divisões geopolíticas com divisões territoriais, será muito mais ético que ele imigre para a Rússia do que pedir que a região como um todo se torne parte da Rússia. É a mesma coisa que dizer que os Japoneses possuem o direito de clamar pela anexação das comunidades compostas por pessoas etnicamente e culturalmente Japoneses aqui no Brasil.
  • Gilmar  23/05/2022 20:15
    O fato é que a Rússia nunca teve uma tradição de liberdade. Pode conferir. Sempre houve a necessidade de um "homem forte" no comando. E a própria Igreja Ortodoxa sempre foi subordinada a um império ou a um estado, seja ele o Bizantino, os Czares ou os soviéticos. Sempre foi assim e sempre será.
  • anônimo  23/05/2022 20:28
    "Sempre foi assim e sempre será."

    Essa é uma afirmação forte, mas não realmente discordo, já que eu dúvido que consigamos nos livrar totalmente do Estado, até porque tradições são difíceis de mudar, e é difícil de mobilizar pessoas acomodadas com o "atual" e que temem mudanças rigorosas. Países cujas populações são extremamente submissas ao Estado, como acontece na Rússia, dificilmente mudarão suas atitudes á não ser que aja uma forte influência intelectual externa para que suas tradições mudem com o tempo.

    Seja lá o que for, eu diria que a comunidade libertária russa só irá crescer cada vez mais com o tempo, então não diria que devemos cogitar que às coisas sempre serão assim. A Coreia do Norte, por exemplo, está vivendo em uma ditadura, mas não acho correto dizer que será sempre assim, pois qualquer tipo de Estado se deteriora de acordo com o tempo.
  • anônimo  23/05/2022 20:08
    Vale lembrar também que "soberania nacional" é um completo mito, pois simplesmente não faz sentido clamar que uma entidade abstrata organizada por políticos e burocratas e que utiliza do poder da coerção para se manter ativo possuí qualquer "direito natural" sobre qualquer pedaço de terra, seja lá qual for.

    Dito isso, é fácil saber porquê qualquer fita legitimidade de "propriedade nacional histórica" é igualmente imoral, pois no final simboliza apenas o anseio pelo controle coercivo sob um pedaço de terra que supostamente já fez parte de um governo com igual identidade "cultural e etnica" no passado.
  • Soldado  23/05/2022 19:45
    O artigo vacilou em não mencionar China X Taiwan. Afinal, Pequim e Moscou estão juntos 100%?

    Outra coisa, o que que o Ocidente poderia ter feito pra evitar isso? Conflito direto? A guerra por procuração fortaleceu a ucrania mas esta aumentando a guerra.

    Olavo ja dizia, a Russia é complexada, acabamos dever novamente que a única coisa que eles tem é arma nuclear e uns lazers que ate então só são lenda. Exército mesmo e condição de combate é uma porcaria, quem entende de economia de guerra sabe do que eu estou falando.
  • Bruno  23/05/2022 20:00
    Cara, China e Rússia NUNCA foram amigas. Nem sequer aliadas, principalmente durante o Comunismo.

    Com efeito, durante a década de 1980, nos estertores da guerra fria, a China se aliava aos EUA contra o "imperialismo russo" no Oriente Médio e no sudeste asiático.
  • Carlos Brodowski   23/05/2022 20:21
    Desde que existe, a Europa vive fazendo guerra entre si. Toda a história da Europa é uma história de guerras entre vizinhos.

    Esta atual é apenas mais uma.
  • anônimo  23/05/2022 20:33
    "Desde que existe, a Europa vive fazendo guerra entre si. Toda a história da Europa é uma história de guerras entre vizinhos."

    E errôneo generalizar toda a história da Europa nisso, creio que a forma mais correta de formular essa frase seja dizendo que toda a história geopolítica da Europa se resume em guerra, mas mesmo assim ainda estará bastante errôneo. Além do mais, sempre houveram guerras constantes no mundo inteiro, não é exclusividade Europeia, até porque violência e coerção fazem parte da natureza do Estado, nas quais os governantes estão sempre buscando criar justificativas para anexar territórios geopolíticos.
  • ze das couves  23/05/2022 21:14
    1. esse cidadão dugin parece estar resgatando uma história que nunca existiu e querendo que o povo viva isso goela abaixo... custe quantos russos, ucranianos e qualquer outros povos custar!...
    2. os EUA são hipócritas de 1a categoria, com o melhor setor de marketing do mundo!
    3. e levado pelas correntes existe um belo, grande país chamado Brasil... amaldiçoado por uma síndrome de vira-lata, pessimamente administrado e onde sempre se valorizou mais a esperteza do que a sabedoria... um dia acordaremos como país e nos tornaremos uma nação?!...
    4. outro dia assistia um documentario americano sobre a escravidão e suas implicações, é impressionante como tudo e qualquer coisa eles conseguem manipular para provar certo ponto! com os recursos investidos da maneira certa, eles vendem a agenda deles para todos os países do mundo! e o pior é que nós compramos!!!
  • anônimo  23/05/2022 22:01
    "3. e levado pelas correntes existe um belo, grande país chamado Brasil... amaldiçoado por uma síndrome de vira-lata,"

    Sempre achei impressionante o quão comum é dizer que os brasileiros possuem "síndrome de vira-lata". Não acho que faz qualquer sentido dizer isso, e sinceramente confesso que no passado, quando eu era um genérico estatista doutrinado pela escola e por "influencers", eu já cheguei a ver sentido nessa afirmação quando eu ainda era adolescente, mas esqueci o porque.

    Na verdade, hoje em dia o que eu mais vejo são políticos e pessoas estatistas dizendo que devemos valorizar a "soberania nacional", delírio estatistas é o que não falta nesse país. Me pergunto de onde esse delírio de "vira-lata" veio, talvez do futebol.

    " pessimamente administrado e onde sempre se valorizou mais a esperteza do que a sabedoria..."

    E por acaso existe "boa administração"? O máximo que eu conheço nos países da vida real é a menos pior administração por parte dos burocratas, pois políticos são sugadores de riqueza por essência, e nunca podem ser essencialmente bom administradores, pois não atendem a demanda do mercado, mas sim se delírios populares de minorias, seja via lobby com empresas amigas de políticos, seja por concessões de construções de estradas para construtoras, aos quais quase sempre terminam estando superfaturadas, e uma infinidade de outras atividades políticas corruptas que podem ou não já estarem legalizadas, e quem ocorrem diariamente. Recomendo mergulhar nos artigos desse site, talvez algum dia entenderá o que eu quero dizer.

    "um dia acordaremos como país e nos tornaremos uma nação?!..."

    Acordar como país? Nos tornarmos em uma nação? O que quer dizer com isso? Até onde eu saiba a tal "nação" na verdade é apenas uma entidade abstrata formada por um punhado de políticos que parasitam a classe produtiva, adulteram às moedas e proíbem os trabalhadores e empreendedores de exercerem atividades produtivas, seja por meio de monopólios e oligopolios concebidos para empresas específicas, seja por meio de regulações que beneficiam quem já está estabelecido do mercado e prejudicam quem pretender adentra-lo.

    Confesso que eu não sei responder direito essas afirmações genéricas que fazem parte do senso comum do populacho, já que o meu senso comum hoje em dia é totalmente anti-Estado.
  • Ex-microempresario  24/05/2022 00:10
    A expressão "Sindrome de vira-lata" realmente nasceu do futebol, mais especificamente da derrota na copa de 1950 para o Uruguai. Mas hoje é usado como xingamento genérico.

    Os "conservadores de direita" acham que sindrome de vira-lata é não ser "patriota", não ter saudades da ditadura militar ou não repetir expressões como"soberania nacional" de cinco em cinco minutos.

    Os "progressistas de esquerda" acham que sindrome de vira-lata é dizer que os EUA são melhores que o Brasil em algum aspecto, não concordar que o governo é a solução para todos os problemas ou não falar em "desigualdade" de cinco em cinco minutos.

    Eu penso nessa expressão (mas não falo) quando vejo alguém afirmando que não podemos ter cassinos, não podemos permitir a posse de armas, não podemos descriminalizar as drogas, etc, porque "nossa cultura" é inferior ao resto do mundo, como se nascer no Brasil causasse alguma deficiência neurológica que impede de seguir os exemplos positivos do resto do mundo.
  • Raphael  23/05/2022 23:42
    A Teoria do Mundo Multipolar de Dugin busca se contrapor a hegemonia norte americana. O livro "EUA e a Nova Ordem Mundial" - debate do Dugin com o Olavo - explica um pouco essa visão do filósofo russo, mostrando sua aversão ao atual sistema de dominância exercido pelos EUA no mundo. Um mundo multipolar seria alternativa a este estado de coisas.
    Um dos pontos chave desta teoria baseia-se no não reconhecimento da soberania dos Estados Nacionais (negação ao sistema Westfaliano)…as fronteiras nacionais não definem os limites da soberania de um país…o que realmente importa para Dugin, seriam os processos civilizacionais (talvez aí resida um certo ponto de argumentação para as recentes invasões russas em território alheio, sob pretexto de proteção dos cidadãos russos).
    Sobre este aspecto, historicamente a Rússia emprega este apelo aos processos civilizacionais…a própria entrada na 1 GM se deveu, em parte, a sua auto determinação de protetora dos povos eslavos, neste caso, para proteger a Sérvia.
    O fato é que não há mocinhos nesta guerra atual. A Rússia, que sempre teve a Ucrânia sob sua esfera de influência/dominância, vê como gota d'água a aproximação com o Ocidente e, aproveitando a deixa, almejam um retorno da Mãe Rússia num sonho soviético. Do outro lado, os Globalistas Ocidentais, utilizam-se da figura opaca de Zelensky em uma guerra de procuração, procurando - como sempre o fizeram - obter lucros e poder com o caos que eles mesmos geram. No final das contas, quem realmente sofre - como sempre - é o povo ucraniano.


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