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O real digital: prático e inclusivo, porém orwelliano
As moedas digitais são de grande interesse para os governos emissores

As fintechs e as big techs (Apple, Amazon, Alphabet, Microsoft e Facebook) estão dedicando recursos multibilionários para retirar os bancos da intermediação dos meios de pagamento. 

Há muita demanda reprimida por uma forma imediata e segura de transferir dinheiro via Whatsapp, Facebook ou outras redes, nacional ou internacionalmente, independente dos bancos.

Os desbancarizados, embora em declínio, ainda são numerosos (34 milhões de pessoas no Brasil). A tecnologia privada viabiliza a inclusão destas pessoas no sistema monetário e ainda reduz custos. No ano passado, por exemplo, uma criptomoeda foi usada como veículo de remessa para ajuda humanitária na Venezuela no auge da pandemia.

O Mercado Livre acaba de anunciar um aplicativo para pagamentos digitais dedicado a criptomoedas. Começando pelo Brasil, clientes poderão comprar, vender e custodiar 'criptos' em suas carteiras digitais no MercadoPago

O PayPal e a Venmo anunciaram iniciativas similares. 

O Facebook anunciou há um mês, na Money2020 em Las Vegas, o lançamento da carteira Novi, que utilizará como meio de pagamento o Pax Dollar, uma stablecoin.

Stablecoins são criptomoedas com lastro, em geral fixadas a uma moeda fiduciária, como o dólar. O Pax Dollar não é um dólar verdadeiro, mas um 'token digital' cuja empresa emissora se obriga a lastrear integralmente em dólares verdadeiros.

É a primeira vez que stablecoins estarão disponíveis em carteiras digitais prontas para consumo, fora do ecosistema paralelo de criptomoedas. 

O Mercado Livre tem cerca de 100 milhões de usuários e o Facebook, quase 3 bilhões ao redor do mundo. O próximo passo é que as criptomoedas e stablecoins dos usuários sejam utilizadas diretamente como forma de pagamento.

Quando as stablecoins (ou outras criptomoedas) passarem a ser utilizadas para pagamentos transfronteiriços, ocorrerá um salto de praticidade, com menor burocracia e custos de transação, pois não será necessário recorrer ao mercado de câmbio. 

Pela primeira vez, transações internacionais poderão ser realizadas praticamente sem atrito, instantaneamente, em um meio de pagamento de aceitação mundial.

Entram os governos — e o real digital

Muitos governos, é claro, estão receosos em permitir estas soluções privadas para pagamentos, e alegam uma mescla de motivos, alguns mais razoáveis que outros. Entretanto, caso reajam mal — regulando em excesso ou mesmo proibindo, por medo ou desconhecimento —, a própria moeda oficial poderá sofrer disrupção no futuro.

Para evitar que isso venha a ocorrer — e sabendo ser inevitável o avanço tecnológico e impossível abolir a tecnologia —, os Bancos Centrais foram impelidos a aprimorar seus próprios sistemas centralizados de pagamento, e a vislumbrar a versão digital de suas moedas oficiais.

Nada como a competição para melhorar serviços. 

No Brasil, o primeiro passo foi o Pix ("front end"), um êxito espetacular em termos de aceitação. O passo seguinte, o "back end", é o real digital, que circulará pari passu às cédulas de real.

O problema é que a implantação do real digital é incrivelmente desafiadora. O real digital, se implementado como vem ocorrendo nas discussões preliminares das outras Central Banks Digital Currencies - CBDC (Moedas Digitais Emitidas por Bancos Centrais) no resto do mundo, incentivará depositantes a sacar dos bancos para suas carteiras digitais.

Afinal, uma moeda digital emitida pelo Banco Central é menos arriscada, mais barata e mais utilitária que um depósito em conta-corrente. Se você pode colocar sua moeda digital em uma carteira própria voltada para criptomoedas, e pode enviá-la para quem quiser por meio desta carteira, você não precisa do sistema bancário.

Consequentemente, a perda de depósitos causará uma redução imediata e forçada dos empréstimos dos bancos, causando um efeito transitório altamente recessivo.

Mas isso é o de menos. Há um outro lado sombrio. 

Entra Orwell

Em uma monografia publicada na conferência da Mont Pelerin Society neste mês (ainda não disponibilizada na internet), o economista Fernando Ulrich argumenta que o real digital significará o "absolutismo monetário", permitindo data de validade para o seu dinheiro, bloqueios, taxas de juros negativas, fiscalização estatal de todas as transações, e outras violações.

De forma sucinta, eis um possível futuro:

1) Moedas em espécie deixarão de ser emitidas.

2) Qualquer pessoa com smartphone irá usar moeda digital.

3) O Banco Central terá controle absoluto sobre cada unidade de moeda digital. Com o blockchain — que grava toda e qualquer transação financeira — ele saberá, a todo momento, exatamente quem detém qual dígito em qual carteira. Ele saberá a exata quantia que cada indivíduo tem em suas carteiras digitais.

4) Consequentemente, o BC poderá fazer o que quiser. Poderá livremente criar moeda e enviá-la diretamente para a carteira eletrônica de quem ele quiser. Poderá pagar juros para quem quiser e cobrar juros de quem quiser. Poderá até punir os poupadores impondo juros negativos — ou seja, cobrando juros — a pessoas que tenham muita moeda parada em suas carteiras.

Uma moeda digital, na prática, permite que o Banco Central não mais dependa do sistema bancário para fazer sua política monetária. 

Mais: o Banco Central também adquire a capacidade de se tornar o executor da política fiscal. 

Por saber exatamente quem detém quantos dígitos, e por estar ciente de toda e qualquer transação monetária (que serão feitas via transferência de dígitos entre carteiras, e que ficam gravadas no blockchain), ele também terá o poder de tributar e redistribuir. Dinheiro que está na sua carteira poderá ser repentinamente enviado a outra carteira, ou simplesmente apagado. Poderá também ser multiplicado.

Consequentemente, os Bancos Centrais não só poderão se tornar os executores da política fiscal, como também poderão fazer uma política fiscal completamente independente das finanças dos governos. 

Será possível, por exemplo, a adoção de um sistema de várias taxas de juros, controlado inteiramente pelo Banco Central. Não mais serão os bancos tradicionais que irão determinar os juros de acordo com riscos ou disponibilidade de capital. Os Bancos Centrais poderão estipular o custo de capital que quiserem para qualquer indivíduo ou empresas que escolherem.

(Parêntese técnico: No arranjo atual, em termos puramente contábeis, para o Banco Central criar moeda, ele tem de comprar um título do governo. Ou seja, a criação de moeda tem como contrapartida a compra de uma dívida que vai para o balancete do Banco Central. Com uma moeda digital, isso acaba. A emissão de uma criptomoeda não gera nenhuma contra-partida contábil. Ao contrário da moeda fiduciária, que representa um passivo para o Banco Central, a moeda digital não é passivo de seu emissor.)

Os Bancos Centrais, em suma, terão o poder de criar e destruir moeda diretamente nas carteiras dos cidadãos, contornando completamente o sistema bancário e toda a burocracia estatal.

Este é um arranjo saído diretamente de um livro de George Orwell. Trata-se de um Big Brother em tempo real. Em posse de todos os dados da atividade em tempo real, os Bancos Centrais poderão implantar decisões de política monetária e fiscal visando a criar incentivos diretamente, tanto na forma de recompensa quanto de punição. Eles poderão afetar o comportamento humano de uma maneira bem mais sutil e discreta do que as tradicionais políticas monetária e fiscal. 

Para concluir

Se esse lado orwelliano do real digital — bem como o de qualquer moeda digital emitida por Bancos Centrais — irá ser adotado ou não é algo que apenas o futuro deixará claro. Por enquanto, temos apenas especulações.

Se a sua aposta é que sim, então você terá como única opção de proteção recorrer às criptomoedas privadas, as quais os governos não podem controlar.

É possível que o processo democrático impeça o avanço do real digital estatal (tanto o seu lado bom quanto o ruim), mas o fato é que a tecnologia de pagamentos privada não parará de evoluir. 

E ela será uma concorrência cada vez mais efetiva não só para a moeda estatal em sua versão atual, como também para as futuras moedas digitais emitidas por Bancos Centrais.

Se o Banco Central do Brasil tentar bloquear o avanço da tecnologia privada pela coerção e não melhorar seus serviços de moeda e pagamentos, o real poderá ser "disruptado" por obsolescência. Mas esta potencial concorrência, por outro lado, poderá acelerar ainda mais implantação do real digital — tanto o seu lado bom quanto o ruim.

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Leia também:

A grande mudança monetária e bancária que está por vir - está preparado?


autor

Helio Beltrão
é o presidente do Instituto Mises Brasil.

  • Fabrício  24/11/2021 18:11
    Com as moedas digitais estatais, pode dizer adeus a qualquer tipo de privacidade financeira. Impostos sobre grandes fortunas, por exemplo, serão tributados na hora, sem ter como escapar. O BC saberá em tempo real quanto há em sua posse, e ele imediatamente confiscará esse dinheiro.

    Dica: assim que começarem a discutir o assunto, converta todo seu dinheiro em Bitcoin e envie para uma wallet. Será a única salvação.
  • Meirelles  24/11/2021 18:26
    Nos últimos 12 meses o Bitcoin subiu 200%. Essa disparada do Bitcoin, e com vários figurões (Druckenmiller, Saylor, Salinas) comprando, mostra que o smart money já está se movendo para se proteger. Uma puxada nos preços nesta magnitude não é coisa de pequeno investidor sardinha. Tem um monte de tubarão comprando. Quem é esperto já está se protegendo com criptomoedas privadas, exatamente como está fazendo o smart money.
  • Gustavo  24/11/2021 18:17
    O real digital será propagandeado como sendo uma grande facilitação para a população. Na prática, será sua escravidão e o fim de qualquer privacidade.

    O foda é que não tem para onde escapar, pois será assim no mundo inteiro.
  • escatalogia  24/11/2021 18:25
    Estamos vivendo um momento decisivo da história. Quem tem algum entendimento bíblico está vendo profecias se desenrolarem a olhos nus: acordo de paz com Israel, centralização de poder, controle de meios de transação comercial... É um futuro, escrito há quase 2 mil anos, se tornando presente em nossos dias... pare, pense e pesquise.
  • Matheus da Silveira  25/11/2021 20:17
    Sr. Escatalogia, como o senhor vê que será o desfecho dessa história? Será que a humanidade alcançará a liberdade do controle estatal?
  • Fabrício  25/11/2021 23:05
    É tudo parte do plano do Grande Reset, esquematizado pela ONU e pelo Fórum Mundial Econômico de Davos, na diabólica figura do senhor Klaus Schwab.

    Resumidamente:

    As elites globalistas já têm esquematizado todo um plano que visa suprimir as moedas nacionais e impor uma moeda digital, a qual abolirá completamente toda privacidade do indivíduo, fará com que ele apenas consuma o que o estado autorizar e, ainda por cima, permitirá a imposição da Renda Básica Universal, o que manterá toda a população dócil e submissa.

    Isso representará a maior ruptura econômica da história recente. Este Grande Reset já é falado abertamente por Davos, FMI e ONU.

    Toda essa agenda começou a ser colocada em prática com essa fraudemia da Covid-19, a qual foi instigada por toda a elite globalista já conhecida: ONU, OMS, Fórum de Davos e George Soros. Os lockdowns — que não têm nenhum respaldo científico e que nunca foram adotados na história do mundo — foram inventados exatamente para quebrar as economias, destruir as pequenas empresas, criar as bases para a nacionalização das indústrias e, finalmente, impor as moedas digitais. Não mais haverá soberania nacional. Todos passarão a seguir ordens de Davos.

    Os lockdowns sempre foram uma medida crucial para a implantação desta medida. O Partido Democrata americano é amplamente favorável e está no bolso de Soros e de Klaus Schwab (o real mentor do Grande Reset).

    Grande Mídia e Redes Sociais apoiam tudo isso e suprimem qualquer dissidência (e agora está escancarado: o Twitter simplesmente proíbe e deleta qualquer crítica ao processo eleitoral americano) porque sabem que terão muito a ganhar no futuro arranjo.

    A Grande Mídia será essencial para convencer a população de que tudo está correto e tudo está sendo feito para o bem dela. Ela será crucial para manter o populacho desinformado e submisso. Em troca, terá a sua fatia no novo arranjo e receberá grandes agrado$ do establishment (o qual será feito de maneira direta com as moedas digitais, que estarão fora do escrutínio do público).

    As viagens internacionais serão (aliás, já estão sendo) deliberadamente restringidas com o objetivo de "reduzir a poluição", que é um dos objetivos explícitos da ONU, do Fórum de Davos e do New Green Deal, do Partido Democrata.

    (Obrigar os países a só emitirem passaportes para cidadãos que provarem que já se vacinaram é o lado mais explícito deste plano).

    Estamos vivenciando a maior conspiração organizada da história humana, e toda a imprensa não só não está denunciando, como está adorando tudo.

    Por enquanto, Trump realmente era a única peça fora do quebra-cabeça. Uma eventual reeleição dele frustraria esses planos. Retirá-lo da jogada era absolutamente crucial. Para isso, valeria fazer absolutamente tudo (350 mil mortos votaram em Michigan e vários eleitores foram proibidos de votar no Arizona.)

    Bolsonaro será o próximo a ser corrido. Chance zero de o establishment mundial deixá-lo ganhar.

    Brace yourself.


    P.S.: eu sempre fui completamente avesso a teorias da conspiração. Mas tudo isso que falei acima nem sequer é teoria. Já está tudo escancarado. Todos os fatos que citei acima são perfeitamente encontráveis em qualquer googlada. Tudo o que fiz foi juntar as peças do esquema.


    P.P.S: leia os dois artigos linkados para você entender o que já está sendo implantado como consequência dos lockdowns:

    www.mises.org.br/article/3303/a-grande-mudanca-monetaria-e-bancaria-que-esta-por-vir--esta-preparado

    www.mises.org.br/article/3277/comecamos-com-os-lockdowns-e-estamos-indo-para-o-grande-reset-atualizado
  • anônimo  24/11/2021 18:30
    O BITCOIN tem valor apenas para as pessoas que o possuem. Igual aquelas figurinhas que quando criança as colecionava. Você cresce e percebe o quanto de dinheiro e tempo gastou nisso.;
    Se você comprou bitcoin no passado e hoje ele vale mais de 1000x, venda logo. Do contrário, você nada tem. Não existe riqueza se você não pode usufruí-la; Digo mais. O bitcoin chegou ao limite de valor pelo simples fato de que ele começa a se tornar desinteressante. O alto valor afasta interessados.
    Imagina se você fosse dono de todos os bitcoins, hoje você seria um retardado pobre, pois somente há riqueza quando se pode comparar os patrimônios,.
    As moedas digitais de todas as nações já estão em andamento. Logo o bitcoin se tornará obsoleto e desinteressante. Mesmo caso da libra.
    Abraços
  • Meirelles  24/11/2021 18:41
    Eu acho sensacionais essas pessoas que vivem dizendo que o Bitcoin vale zero (neste momento, vale R$ 317 mil. Valia R$ 90 mil um ano atrás).

    São as mesmas pessoas que estão com todo o patrimônio financeiro em uma moeda estatal — a qual, esta sim, tem o valor intrínseco de zero, estando a apenas uma rodada de impressão de sua completa destruição.

    E não percebem a ironia disso.

    O dólar, em seu atual formato, surgiu em 1971. Sim, em 1971, quando sua ligação com o ouro foi completamente abolida. O dólar de hoje nada tem a ver com o dólar que vigorou até 1971. É uma moeda muito recente. E já bastante inflacionada.

    O peso argentino surgiu em 1991. Quando surgiu, um peso comprava um dólar. Hoje, são necessários 201 pesos para se comprar um dólar (sendo que este dólar também já se desvalorizou muito).

    Ou seja, um peso, que já chegou a comprar um dólar, hoje não compra nem meio centavo de dólar. Argentino que poupou em peso foi para baixo da linha da miséria. Argentino que poupou em Bitcoin já se mudou para as ilhas Cayman.

    No Brasil, o real surgiu em 1994. É mais bem gerenciado que o peso, mas o destino será exatamente o mesmo. É tudo uma questão de tempo.

    Eu imaginava que o brasileiro, de larga experiência com várias hiperinflações, já houvesse aprendido essa lição básica (jamais confie em moeda estatal). Mas, pelo jeito, somos realmente mulher de malandro. Gostamos daquilo que sabemos que vai nos dar tristeza.
  • Cético  24/11/2021 23:15
    Algum tempo atrás as estruturas de poder concordavam que era impossível separar a igreja do estado. Se elas o fizessem seria o caos e a sociedade acabaria.

    Hoje as estruturas de poder acham que não podem separar a moeda do estado. Se você o fizer vai ser o caos e a sociedade acabará.

    As elites acham que o governo deve controlar a moeda porque não existe alternativa, mas eles têm muito pouco poder sobre esta noa tecnologia.

    A crença mainstream/keynesiana de que o governo vai simplesmente chegar e proibir Bitcoin se ele "ficar muito grande" claramente é superficial e não foi bem pensada.

    Quanto mais o bitcoin cresce, mais difícil também fica pará-lo. Hoje a rede tem o maior poder computacional do planeta, simplesmente não tem nenhuma força estatal que consiga derrubar isso.

    E vai ficar cada vez mais forte. A rede do bitcoin é uma fortaleza de validação, uma verdadeira maravilha da era digital.
  • Felipe  24/11/2021 23:23
    Não sei o motivo, mas o Paulo Kogos critica muito essa separação entre Igreja e estado e que isso trouxe consequências nefastas para a civilização. Qual a lógica de misturar religião com um aparato coercitivo?
  • Matheus da Silveira  25/11/2021 20:21
    Sim Felipe eu também não entendo isso. Se a igreja se junta ao estado a igreja passa a apenas a servir ao estado e seus burocratas, e não aos verdadeiros fiéis e devotos.
  • PH  24/11/2021 18:36
    Esse é o ponto principal: uma tecnologia como a do bitcoin usada pelo governo é PIOR que o papel-moeda. Ela tem um registro de TODAS as transações no blockchain, ou seja, você pode literalmente saber a quantidade exata de transações econômicas no país e seus respectivos valores.

    É uma ferramenta para impedir sonegação caso você compulsoriamente faça o comércio usá-la.

    A guerra da nossa época é das tecnologias que afetam o poder do estado vs as que aumentam. E o resultado final não é o meio termo ao que parece
  • Fabrício  24/11/2021 18:42
    Sim, e você terá de se resguardar nas moedas privadas (as quais são impossíveis de serem abolidas ou mesmo proibidas pelo estado).

    Futuramente, quando a população já estiver mais adaptada ao uso das moedas digitais, qualquer estabelecimento que se preze irá aceitar pagamento em Bitcoins, Ether, Ripple, Cardano, Litecoin, Monero, Dash, ZCash e demais moedas.

    Por isso, quem é esperto já está comprando BTC exatamente para ir acumulando. Quem compra BTC não pensa em voltar para reais.
  • anônimo  24/11/2021 18:51
    Você esta muito otimista, também queria que acabasse assim fácil...Mas você acha mesmo que o estado (ou os estados) vai dar essa de bandeja? E quase certo que esses desgraçados irão criminalizar no futuro qualquer criptomoeda que não seja a controlada pelo estado, punindo tanto pessoa física quanto empresas que se atreverem a usar. Provavelmente a maioria das empresas vai se acovardar e não vai querer arriscar transacionar em bitcoin ou outra cripto moeda descentralizada.
  • Fabrício  24/11/2021 18:58
    Até hoje, nunca ninguém explicou como é possível o estado proibir o Bitcoin ou qualquer outra criptomoeda privada. Todo mundo jura que isso irá acontecer, mas nenhuma única alma conseguiu explicar como.

    Dica: dizer que o governo vai fechar exchanges não cola, pois ele teria de fechar todas as exchanges do mundo. Enquanto houver uma única aberta, e clandestina, tudo continua inalterado.

    A China proibiu todas as mineradoras do país no primeiro semestre deste ano. Quando isso foi anunciado, um bando de emocionado saiu vendendo e o preço caiu forte. Hoje, o preço não só já se recuperou totalmente, como está maior do que estava na época do anúncio.

    Ou seja, o BTC está cada vez mais forte.

    De resto, para quem insiste que o estado vai simplesmente proibir o uso, tenho três palavras para você: guerra às drogas.
  • Rafael  24/11/2021 19:02
    1) Não há como o governo "encampar" o bitcoin.

    2) O máximo que pode fazer é exatamente isso que ele pretende: lançar uma moeda digital e chamar isso de criptomoeda.

    3) Se ele usar os mesmos algoritmos de uma verdadeira criptomoeda, vai perder o controle sobre a própria moeda. Como ele não quer isso, então vai ter que usar de emissão ou de mineração prévia. Isso, e apenas isso, já diz tudo sobre a qualidade da moeda estatal.

    4) Não há como uma moeda estatal, seja ela física ou virtual, ser "melhor" que uma moeda privada.

    5) Só há uma maneira de o governo emitir sua moeda e fazer as pessoas usarem: forçando-as.

    6) Sim, o bitcoin (ou qualquer outra moeda digital) é passível de impostos. Impostos sobre as pessoas físicas e jurídicas não dependem de qual moeda se usa na transação.

    No entanto, pense bem: o que mudaria para o governo se vc recebesse seu salário de seu empregador em BTCs ou em BRLs? Só o valor de face: as taxas e encargos continuariam a ser extorquidas pelo governo que forçaria as empresas recolherem o IR na fonte.

    Também, o que mudaria no ICMS que vc paga no supermercado se ele continua emitindo a nota fiscal (e ainda coloca lá o seu CPF - o que poderia ser obrigatório), mesmo se vc pagasse em BTC? Nada, o governo continuaria recolhendo os impostos.

    7) Sonegar impostos é uma questão de posicionar-se assim. Ambas as partes de uma transação teriam que concordar em usar dinheiro vivo ou BTCs (não rastreável) e ambas teriam de concordar em não registrar tal transação em algum meio que o governo pudesse exigir os impostos devidos.

    8) Não adianta falar de outras criptomoedas, o valor de face do bitcoin e o seu apelo de marketing já é tanto que dificilmente alguma outra cripto venha a substituir, ao menos se não encontrarem algo realmente ruim no bitcoin (coisa que até hoje não encontraram).
  • Meirelles  24/11/2021 19:08
    Seu item 7 está em contradição com o item 6. O 7 está correto e o 6 está errado. Não tem como o governo tributar transação de BTC, a menos que o BTC também se torne moeda de curso forçado.

    Se eu vou a um restaurante, almoço e pago em BTC (pois o dono é meu amigo), não tem como isso ser tributado.

    Qualquer coisa que eu compre em BTC não tem como ser tributado -- a menos, é claro, que o vendedor faça questão de emitir nota fiscal acusando o valor da venda, e assim se auto-obrigando a pagar impostos. Mas aí é problema dele.
  • Rafael  24/11/2021 19:14
    Para bens de consumo não duráveis você está certo. Não há chance de tributação, igual a comprar sem NF. Mas e no caso de ativos permanentes como carro, imóveis? Muitas pessoas ainda irão querer comprar esses bens permanentes. E muito provavelmente desejarão que esses bens tenham alguma garantia. E garantia legal, garantia de fábrica, etc. Além disso, o IR ainda vai continuar existindo e a Fazenda vai desejar saber a origem do aumento patrimonial.
  • Felipe  24/11/2021 20:21
    Lembro que certa fez o Raphaël Lima falou que o governo vai querer tributar as pessoas baseado no que elas têm em BTC. Eu não tenho a mínima ideia de como ele chegou à essa conclusão. O governo não consegue nem saber o quanto que as pessoas devem de imposto, imagina com algo como Bitcoin.
  • Felipe  26/11/2021 15:34
    "Futuramente, quando a população já estiver mais adaptada ao uso das moedas digitais, qualquer estabelecimento que se preze irá aceitar pagamento em Bitcoins, Ether, Ripple, Cardano, Litecoin, Monero, Dash, ZCash e demais moedas."

    Isso deve demorar. Nesse ponto mencionado, o estado vai se tornar tão irrelevante que não haverá nada que eles possam fazer. O máximo que eles poderão fazer é diminuírem para pequeninos arranjos, como eram as subdivisões do Sacro Império Romano-Germânico.

    O Bisq parece bom para comprar Bitcoin, mas o valor mínimo é muito alto. As corretoras nacionais brasileiras já estão praticamente sob total controle e vigilância do estado (e vai ficar por isso mesmo). Fora o Bisq, seria o caso de comprar "ao vivo" e com dinheiro (mas sem aplicabilidade para grande parte do País) ou usar caixas eletrônicos de Bitcoin. Desconheço outras formas. A Binance parece boa mas também pode, em algum momento, ser obrigada a dar os dados de todos os seus compradores para o governo.
  • Analista de Risco  26/11/2021 19:49
    Eu uso a Blockchain.com como wallet.

    Aparentemente, é possível comprar criptomoedas direto do cartão de crédito, embora eu nunca tenha usado tal método.
  • Fraude Eleitoral  26/11/2021 23:21
    Tome cuidado. Use também wallets no seu PC.
  • Coinbeast  24/11/2021 19:39
    Ano passado, alguém transferiu o equivalente a 621 milhões de dólares em Bitcoin.

    Pagou uma taxa de míseros 27 dólares.

    Isso equivale a uma taxa de 0,00000434%.

    twitter.com/coinbeastmedia/status/1329622598062260224

    E detalhes:

    -Não foi necessário um atravessador
    -Essa transação não pode ser revertida pelo estado.
    -Essa transação não pode ser proibida.
    -Nada precisou ser "autenticado".
    -O estado não ficou sabendo e, por isso, não tem como tributar.

    Alguma dúvida de que isso é o futuro? Alguma dúvida de que bancos serão irrelevantes no futuro?
  • izanjogavi  25/11/2021 17:47
    Só me diz em caso de faltar a rede mundial de computadores, como fica o uso de cripto moedas?
  • Marcos  25/11/2021 18:14
    Neste cenário, você também não paga nada nem via cartão de débito ou de crédito. Muito menos com Pix. Só com dinheiro vivo. Como quase ninguém mais carrega dinheiro vivo (nas grandes cidades), haveria um colapso total da divisão do trabalho.
  • Felipe  24/11/2021 20:23
    Recentemente o Mercado Livre anunciou que deve aceitar Bitcoin no Mercado Pago. É uma iniciativa interessante, ainda que em tese o governo ainda possa monitorar nesse caso (pelo menos eu acho). Não sei se faria diferença se a pessoa tivesse mais de uma carteira de BTC, já que tem carteiras de BTC que possuem mais de um endereço.
  • Felipe  24/11/2021 20:33
    Como o banco central em tese destruiria e/ou confiscaria as moedas que estão na carteira de uma pessoa? Eles seriam capazes de controlar dezenas de milhões dessas carteiras, ainda que sob o controle do banco central?

    De qualquer forma, como provavelmente eles irão inventar alguma para aumentar o poder, então isso certamente vai afetar a própria moeda deles. Pode chegar num ponto em que a demanda pela moeda estatal ficará tão baixa, que será insustentável para o governo. Eu vou palpitar de que as pessoas usarão as moedas estatais só para coisas corriqueiras, mas irão proteger o patrimônio por outros meios.

    E onde vão ficar os fundos de investimento e demais coisas do mercado financeiro, tradicionalmente usados como proteção, irão evaporar?
  • Felipe  24/11/2021 20:50
    Claro, o governo tem hoje já CPF, RG e afins de todo mundo, mas como o estado é ineficiente por natureza, como seria na prática esse sistema deles?
  • Edson  24/11/2021 21:15
    A tecnologia do blockchain grava toda e qualquer transação financeira ocorrida. Com isso, o emissor (que controla do blockchain) saberá, a todo momento, exatamente quem detém qual dígito em qual carteira. Ele sabe qual carteira transferiu tantos reais para outra carteira.

    É claro que, EM TESE, para o BC ter todo esse poder, ele terá antes de receber autorização do Congresso.
  • Felipe  24/11/2021 21:50
    Fora a questão do dinheiro vivo, qual a diferença disso para as transações do sistema bancário tradicional e do PIX?
  • Gustavo  24/11/2021 22:18
    Pix e TED dependem de bancos, que são os intermediários. Moeda digital não. Vai de um indivíduo direto para o outro, sem terceira parte.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  25/11/2021 06:44
    "Como o banco central em tese destruiria e/ou confiscaria as moedas que estão na carteira de uma pessoa? "

    Com a ajuda disso aqui:

    auditornfe.com.br/artigos/post/os-supercomputadores-da-rfb-no-combate-a-sonegacao
  • imperion turbo nuclear quantico com equio  25/11/2021 22:50
    "Como o banco central em tese destruiria e/ou confiscaria as moedas que estão na carteira de uma pessoa"?

    É um sistema, uma blockchain só dele, a qual ele obriga que sua conta esteja incluída, a qual ele tem acesso. Nesse sistema, você não é o dono da conta. Assim ele coloca e tira o tanto que quiser, quando quiser.

    Obviamente, ele tem que te obrigar a usar, tornando ilegal os outros sistemas. Já na blockchain do Bit, ninguém manda, portanto não é possível alterar o sistema para sair apagando ou transferindo chaves ou fraudando a lista.

    No sistema do governo, ele edita os números. E como lá os número são o dinheiro…

    Já se foi discutido que dinheiro nessas regras não é dinheiro, é crédito. E é ele quem te dá e tira. É como no caso do cheque especial, que todo mês cobre o seu salário quando cai, caso o banco cancele o cheque especial e não cubra, a pessoa fica como se o dinheiro ( crédito) fosse dele e até com raiva do banco.
  • Anônimo  24/11/2021 22:17
    As criptomoedas privadas são realmente impressionantes, faz os governos se rasgarem de raiva por que não há como acabar com elas, porém, ainda é uma terra sem lei, vou explicar com um exemplo.

    Alguém aqui já ouviu falar do Faraó do Bitcoin? Pesquisem e vão encontrar, ainda é notícia recente. Ele aplicava golpes nas pessoas através de uma corretora de criptomoedas criada e gerenciada por ele. Era um esquema de pirâmide. Felizmente o cara já está preso mas os seus ex-clientes passaram um trabalhão pra recuperar o dinheiro roubado.

    Recentemente estive entusiasmado com a possibilidade de criar uma conta numa corretora de criptomoedas, colocar meu dinheiro lá e ver meu patrimônio decolar junto com a valorização das criptos recém criadas, conhecidas como mais lucrativas. Foi então que comecei a ver nomes de corretoras como a Binance no site Reclame Aqui. Li reclamações de usuários que depositavam quantias e o dinheiro sumia, ou não conseguiam sacar mais, e até pior: contas de usuários que desapareciam.

    Por não ter nenhum tipo de controle, também tem pouquíssima segurança nessas corretoras de criptomoedas privadas, pensei em arriscar mas se eu perdesse meu dinheiro numa aventura dessas eu não teria como cobrar de ninguém.

    Na deep web os hackers só usam essas criptomoedas privadas, lá o tráfico de drogas, armas e pessoas foi tremendamente facilitado por meio das transações por essas moedas irrastreaveis. Vá saber quem está falando com você do outro lado da tela? Você cria uma conta numa corretora digital, ok, mas quem garante que aquilo é de fato uma corretora? Quem garante que seu dinheiro estará seguro? Ele pode estar ali num dia e no outro já não estar mais. Entendem? O grande problema é a segurança para os usuários desse sistema.

    Não estou desmerecendo as criptomoedas privadas, pelo contrário, são muito promissoras mas assim como tem pessoas boas no ambiente digital também tem muitos ladrões golpistas e estelionatários prontos pra aplicar todo tipo de golpes.

    Acredito que o único obstáculo para a popularização das criptos privadas seja a segurança. Fato.
  • Felipe  24/11/2021 23:21
    Eu já vi gente sugerindo usar Bisq.

    Gente pilantra e corretora ruim sempre vai ter.
  • anônimo  25/11/2021 01:57
    Vc já usou a Bisq? Eu até olhei a uns dois anos atrás,mas o preço sempre estava mais alto do q na Coinbase. Além de q a forma pra transferência de cash me deixou um pouco desconfiado e acabei não testando. Gostaria de saber se alguém teve experiência com essa exchange
  • imperion turbo nuclear quantico com equio  26/11/2021 14:52
    "Farofa do bitcoin". É só um sujeito que aplicou um dos golpes mais velhos do mundo, que já foi aplicado em todas as moedas: a pirâmide.

    Não teve nada a ver com o bitcoin, mas com a falta de caráter do golpista.
    Troque a moeda e use o mesmo método. Não muda nada. A pirâmide sempre vai existir, pois sempre existirão os que querem dinheiro fácil, acreditam em promessas. E que fogem de uma verdade: a única renda boa provém da produção de bens e serviços.
  • rraphael  25/11/2021 01:47
    "Alguém aqui já ouviu falar do Faraó do Bitcoin?"

    sim, eu nao encontraria apelido mais ridiculo, a midia sempre tem que manter certo "padrao" quando o assunto foge da agenda

    "Era um esquema de pirâmide."

    piramide por piramide o INSS tambem é , sem contar aquele monte de "segredo" de ganhar dinheiro na rede

    "Na deep web os hackers só usam essas criptomoedas privadas, lá o tráfico de drogas, armas e pessoas foi tremendamente facilitado por meio das transações por essas moedas irrastreaveis"

    deep web é so internet nao-indexada , abra a surface e os ads na rede social e a sua caixinha de spam estarao cheias de phishing , abra o SMS da sua rede de telefonia e igualmente voce ve (normalmente de gente presa) - MO comum é usar uma conta de laranja , ademais, o dinheiro de papel pode ter passado na mao de um traficante ou de sequestradores antes de passar pra sua e ninguem traz isso pra conversa pois que diabos isso tem a ver , se isso é relevante entao faça o devido contraste - num papel-moeda regular pode ter traços desde cocaina a DST , é nojento se for parar pra pensar em todas as aventuras que uma nota de 50 faz , tratemos com o mesmo horror tudo que pode ter sido feito com ela, extorsoes, corrupçao, assaltos, sequestros

    "Você cria uma conta numa corretora digital, ok, mas quem garante que aquilo é de fato uma corretora?"

    se voce esta usando uma corretora, entao a cripto nao é sua, é da corretora, capice ? antes de dar dinheiro pros outros pesquise como funciona e depois que voce estiver seguro voce decida com quem vai negociar - desconfie de promessas de dinheiro facil e ganhos absurdos ... é o minimo do minimo pra navegar em segurança

    90% dos sentimentos que as pessoas escrevem sobre isso é uma variaçao porca dessa sintese, mesmo que completamente falsa : cripto é coisa de bandido, fiat é do governo entao é dinheirinho bonzinho pois os politicos e bucrocratas "garantem" que estejamos seguros

    por mim elas que se estrepem no BRL
  • anônimo  25/11/2021 01:49
    "Recentemente estive entusiasmado com a possibilidade de criar uma conta numa corretora de criptomoedas, colocar meu dinheiro lá e ver meu patrimônio decolar junto com a valorização das criptos recém criadas, conhecidas como mais lucrativas. Foi então que comecei a ver nomes de corretoras como a Binance no site Reclame Aqui. Li reclamações de usuários que depositavam quantias e o dinheiro sumia, ou não conseguiam sacar mais, e até pior: contas de usuários que desapareciam."

    Mas pq não colocar suas coin em uma cold wallet? Pq deixá-las na corretora?
  • Imperion turbo nuclear quântico com equio  24/11/2021 22:54
    O real digital funcionará assim, como todos os serviços públicos: o governo montará sua própria blockchain, montará a rede que irá gerenciar essa rede e obrigará você a pagar por essa estrutura.

    Para minar a concorrência, obrigará todos a pagarem nas outras transações para subsidiar os custos. Você gostando ou não, pagará por isso.
  • Desafiante  24/11/2021 23:19
    Leandro e companhia, vocês argumentam que não existe isso de o ''dinheiro sair do país'' porque lá fora não circula real.

    Mas quando o exportador, o investidor ou o portador de capital escolhe ficar com dolares la fora ao invés de ficar com reais aqui dentro, tem uma saída de capital. Porque negam isso como se não entendessem?

    Se eu ganhei aqui 100 mil reais, eu posso transformar em 18 mil dolares e deixar la fora, oras, isso é tirar 100 mil reais do país que seriam aplicados aqui.

    Me explicam
  • Leandro  24/11/2021 23:35
    "Mas quando o exportador, o investidor ou o portador de capital escolhe ficar com dolares la fora ao invés de ficar com reais aqui dentro, tem uma saída de capital. Porque negam isso como se não entendessem?"

    Quando o exportador manda soja para o exterior, ele adquire a propriedade de uma conta bancária em dólares, no exterior. Ato contínuo, ele tem a opção de decidir "internalizar" esses dólares (ou seja, trocá-los por reais) ou deixar tudo como está (manter a conta estrangeira em dólares).

    Se optar por essa última alternativa, não houve nenhuma saída de capital.

    Houve, isso sim, saída de bens de consumo. Mas nenhum real foi mandado para fora do país. Aliás, e igualmente, nenhum dólar saiu do Brasil.

    "Se eu ganhei aqui 100 mil reais, eu posso transformar em 18 mil dolares e deixar la fora, oras, isso é tirar 100 mil reais do país que seriam aplicados aqui."

    Frase sem nenhum sentido. Se você exportou soja, você ganhou em dólares, que é a moeda internacional de troca. Esses dólares estão em um conta estrangeira no exterior (pleonasmo intencional).

    No seu exemplo, você ganhou a propriedade sobre uma conta bancária de 18 mil dólares (normalmente, um banco em Nova York). Se você optar por deixar tudo em dólares, nenhum real saiu do Brasil. A oferta monetária em reais no país se mantém absolutamente a mesma. Nenhum real foi subtraído de nenhuma conta bancária.

    Aliás, se você decidir converter esses 18 mil dólares para 100 mil reais, também não haverá nenhuma alteração na oferta monetária do país. Você irá adquirir 100 mil reais de um brasileiro (provavelmente um importador) e este irá utilizar seus 18 mil dólares para importar algo.

    A oferta monetária do país só será alterada se o Banco Central decidir comprar esses dólares (em vez de o banco repassá-los ao importador, ele os repassa ao BC); aí sim ele criará base monetária para fazer a compra desses dólares.

    Fora isso, a oferta monetária nacional mantém-se a mesma.

    Você irá adquirir 100 mil reais de um brasileiro (provavelmente um importador) e este irá utilizar seus 18 mil dólares para importar algo.

    Qual, exatamente, é a sua dificuldade, além de lógica básica?


    P.S: agora, se a moeda mundial fosse o ouro ou mesmo o Bitcoin, aí sim um superávit na balança comercial geraria um aumento na oferta monetária nacional (esse também é exatamente o princípio de um Currency Board). Já com moedas distintas com câmbio flutuante, déficits ou superávits na balança comercial não alteram a oferta monetária nacional (a menos, é claro, que o BC intervenha; mas aí não seria mais câmbio flutuante).
  • Imperion turbo nuclear quântico com equio  25/11/2021 02:28
    O que saiu do país foram bens e serviços. Não dinheiro. Agora você tem menos bens e serviços disponíveis e a mesma quantidade de dinheiro em circulação, na melhor das hipóteses.
  • zé das couves  25/11/2021 00:05
    algo no fundo de meu cérebro me impede de confiar em cripto-moedas como o bitcoin... é eletronico, pode ser bloqueado, não? o estado não admite concorrencia...
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  25/11/2021 07:08
    Repare que hoje mesmo o sistema financeiro já é bem digitalizado. Mesmo para quem não possui um aplicativo de algum banco em seu celular, bem provavelmente possui um cartão de débito/crédito. De posse do cartão você consegue em um mero caixa eletrônico ou de lotérica realizar transferências e pagar contas instantaneamente sem uso de moeda física.

    Com as criptos funcionaria da mesma forma, apenas seria necessário aqui um aplicativo (wallet) no telefone. Tendo a wallet e sua chave (senha) não tem como ser impedido de realizar qualquer operação. E para muitas criptos, nem ser rastreado, pois elas não possuem uma "central" comandando seu funcionamento (que poderia ser interditada pelo governo) mas sim funcionam totalmente na rede mundial descentralizadamente.

  • Imperion turbo nuclear quântico com equio  25/11/2021 13:07
    Conta normal pode ser bloqueada. No caso do Bit, você tem que bloquear a rede internacional toda. Impossível.

    O governo também pode tentar tornar você ilegal por possuir Bit como última cartada. Mas daí você compra Bit e, quando se aposentar, muda-se para pra El Salvador ou outro país que não o proíbe. Existirão países em que o Bit entra até como investimentos. E os países hostis vão perder dinheiro, pois os cidadãos vai converter suas divisas em Bitcoin e investir nos países liberais.

    Então: os países hostis ao Bit e os que montarem o esquema de usar moedas digitais próprias pra interferir na vida do cidadão serão os novos países burocratas e "em atraso do futuro". Esse esquema de controle, assistencialismo, burocracia, tecnocracia e agora "criptocracia" são sistemas do atraso. Países andam pra trás com isso. E os libertários crescem de verdade.

    A não ser que todos os países do globo banissem o Bit, pra fazer um mega "cartel criptocrata". Daí teríamos os libertários totalmente no mercado negro, que é impossível controlar.

    Seria a ruptura total de "alguns povos" com a política formando uma nação "sem fronteira".
  • Pedro  25/11/2021 03:04
    Essa ideia de implantar moedas digitais já vinha desde que perceberam que o Bitcoin funcionava (assim como todas as moedas digitais) e que o QE (afrouxamento quantitativo) não tinha efeito desejado. O Corona agora foi só o catalisador.

    Todo o esquema é uma espécie de Teoria Monetária Moderna em esteróides.

    Sem resistência (e não haverá), esse sistema começará mais rapidamente do que muitos imagina. No Brasil, o Pix já fez uma bela introdução. O uso das chaves aleatórias e QR codes do Pix teve o positivo efeito colateral de ensinar o povo a como usar criptomoedas. A experiência do usuário é muito semelhante (obviamente, não a tecnologia subjacente!).

    Aos poucos, mas exponencialmente, todos irão adotar moedas digitais. Com a difusão da internet 5G, qualquer rincão do Brasil poderá transacionar moedas digitais. O papel-moeda físico estará abolido em no máximo 5 anos. E aí todo o sistema estará totalmente implantado.

    Pode anotar e cobrar.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  25/11/2021 07:20
    Sim. Bem provavelmente, as primeiras moedas que começarão a ser usadas pela população no lugar do real serão as moedas "fortes" (dólar, euro) ou que sejam lastreadas nelas. Principalmente para compras direto do exterior, remessas ou simples poupança. Quero ver o desespero dos burocratas bananeiros quando verem a moedinha deles ser deixada de lado.
  • anônimo  25/11/2021 03:07
    Matutando aqui: esse arranjo poderia levar aos seguintes cenários.

    1. Com o fim da privacidade financeira, obviamente que o estado vai estar habilitado a incluir e excluir quem quiser do sistema ou manipulá-lo. Primeiro vão criar alguma renda básica universal, de facílima implantação.

    Depois é bem provável que em pouco tempo os governos comecem a estipular margens "aceitáveis" de lucro nos empreendimentos. E poderão ir além: suspender do sistema qualquer um que não quiser se enquadrar e não cumprir com normas verdes, dar emprego para "minorias", entre outras coisas.

    Além disso, a política de salário mínimo e tributação de renda será universal, mesmo para aqueles que jogaram sua carteira de trabalho no lixo para ganhar mais trabalhando informalmente. Haverá grande pressão, descontentamento por grande parte da população e muita gente deixando de trabalhar e empreender.

    2. Isso levará a países fora do radar desses grandes centros que até poderão trabalhar com moedas digitais, mas sem imposição de um banco central estatal. Bem provável que estes atraiam grandes levas de pessoas que queiram fugir do sistema centralizado e levar suas vidas da maneira que bem entenderem. Esse cenário até já foi abordado pelo Daniel Altman em "O futuro da economia", sobre ilhas de mercado negro financeiro e novos conjuntos de eixos de estilo de vida.
  • Fernando  25/11/2021 03:24
    Sim para os dois itens.

    Dependendo de qual seja o governo do momento, qualquer pessoa que não se enquadrar no sistema — e "sistema" significa qualquer que seja o conjunto de ideias vigentes, principalmente o politicamente correto — poderá ser marcada e, com isso, financeiramente punida.

    Moeda poderá ser subtraída de sua carteira caso este indivíduo não se conforme às ideias vigentes, caso seja um rebelde. Poderá também ter serviços negados.

    O incentivo à produção também será reduzido. Se um indivíduo pode ser premiado simplesmente por demonstrar submissão às ideias vigentes, ele não terá por que empreender ou trabalhar.

    Não estou dizendo que tudo isso irá acontecer. Estou dizendo, isso sim, que tal arranjo será tecnicamente possível.
  • Anônimo  25/11/2021 19:31
    Criptomoedas são ativos virtuais protegidos por criptografia. Eis o motivo pelo qual ainda são irrastreaveis, porém, acredito que algo pode mudar esse cenário negativamente para elas: a computação quântica.

    Trata-se de uma novíssima tecnologia que está reinventando o mundo digital porém um dos principais objetivos dos computadores quânticos será QUEBRAR QUALQUER TIPO DE CRIPTOGRAFIA! Isso mesmo que você leu, eles são tão rápidos que conseguem quebrar qualquer tipo de criptografia existente em computadores convencionais, blockchains provavelmente serão bloqueadas na Rede por meio dessa nova tecnologia.

    Se você duvidar do que estou falando e até achar que é uma teoria sem fundamento pesquise por notícias relacionadas aos computadores quânticos, especialmente o que a IBM acabou de desenvolver, é impressionante.

    Criptomoedas tendo suas criptografias quebradas seria o fim delas, não quero desanimar ninguém, podem continuar com suas criptos mas estou alertando sobre o que poderá acontecer daqui alguns anos.
  • rraphael  26/11/2021 00:52
    "novíssima tecnologia que está reinventando o mundo digital"

    nem é tao novo assim . a supremacia quantica foi alcançada na ultima decada e as bases sao bem antigas, o maior desafio é o processo industrial (o processo de inovaçao so se completa apos a produçao e distribuiçao em larga escala, liçao que se aprende nos cursos de engenharia)

    "porém um dos principais objetivos dos computadores quânticos será QUEBRAR QUALQUER TIPO DE CRIPTOGRAFIA!"

    com computaçao quantica sera virtualmente impossivel quebrar , nao tem como fazer bruteforce com entrelaçamento , o maximo que voce vai conseguir é invalidar os dados

    o alarmismo em dizer que a segurança da informaçao vai ficar na idade da pedra enquanto as ameaças chegam no ano 3000 demonstra dominio proximo a zero sobre o assunto

    "não quero desanimar ninguém, podem continuar com suas criptos mas estou alertando sobre o que poderá acontecer daqui alguns anos. "

    ufa, ainda bem que voce avisou, vou vender tudo e depositar no INSS ...

    HODL é uma filosofia , o beautiful people jamais vai entender o que proximo pensa pois faltam os tijolinhos que formam a compreensao do papel que isso tem no contexto politico-economico
  • Matheus  26/11/2021 13:06
    Você considera todo um desenvolvimento novo acerca da possibilidade de quebrar a criptografia das criptomoedas, mas desconsidera os inúmeros desenvolvimentos que podem ocorrer na blockchain e nas vulnerabilidades existentes.

    Apesar de todo o boom de propaganda em torno da computação quântica e da "supremacia quântica", o mundo não está exatamente no estágio em que o maior computador quântico conhecido pode quebrar significativamente os padrões de criptografia atuais. Isso pode acontecer no futuro, mas os computadores quânticos atualmente disponíveis não conseguem prejudicar significativamente os padrões de criptografia sobre os quais as criptomoedas já são construídas. O maior computador com esse poder de processamento que é da IBM e já está comercializando não consegue atingir nem 1.000 qubit, para quebrar apenas um código do bitcoin o poder do processamento precisa ser de 4.000 qubit. Os desenvolvedores e engenheiros computacionais estimam que o desenvolvimento de um computador quântico com esse poder de processamento capaz de quebrar a criptografia do bitcoin pode levar de 5 a 10 anos.

    A computação quântica põe em risco a propriedade de chaves de segurança e a autenticidade do próprio sistema, mas as criptomoedas podem ser proativas através da criptografia pós-quântica. A criptografia pós-quântica é certamente possível, e uma mudança neste sentido pode e deve ser proativa. Com a criptografia pós-quântica, o bitcoin e outras criptomoedas podem levar algum tempo para resolver os problemas. Portanto, qualquer trabalho preparatório deve ser considerado importante, principalmente ao analisar os custos e benefícios.

    Colabora para esta análise o fato de que existem apenas dois ou três tipos de técnicas criptográficas que precisam ser substituídas. Assinaturas digitais e chaves de segurança são as duas áreas que precisam de foco. Corrigir essas duas áreas ajudará a grande maioria das vulnerabilidades que podem ocorrer com a computação quântica.

    Graças à importância da criptografia e das assinaturas digitais para o mundo das criptomoedas, é provável que estas comunidades tenham mais debates antes ou depois de uma interrupção repentina, mas o tempo seria essencial neste cenário. No entanto, há esperança de que a comunidade seja mais ágil do que as indústrias tradicionais ao combater este problema, justamente porque a criptografia é uma parte crítica da existência de criptomoedas.

    Blockchains que se atualizarem para algoritmos pós-quânticos como a Ethererum não terão problemas com a nova era do computador quântico. Aliás, a computação quântica não é um perigo apenas para carteiras de criptomoedas, eles podem invadir qualquer telefone-celular, computadores domésticos, redes privadas... entre outros. Se você acha que o mundo vai ficar assistindo sendo passivo a essa realidade da ameaça do poder de processamento de um computador quântico, você está redondamente enganado.

    Olhe esse exemplo: portaldobitcoin.uol.com.br/o-homem-que-pode-salvar-o-bitcoin-da-computacao-quantica/
  • Imperion turbo nuclear quântico com equio  26/11/2021 13:21
    A criptografia normal será trocada pela quântica. Esta não pode ser quebrada pela computação quântica. Isso se chama atualização.

    Se alguém puder quebrar a criptografia normal usando a computação quântica, o fará agora enquanto puder. Será um baita golpe. Mas não o poderá fazer para sempre. O primeiro a chegar lá, se for antiético, o fará. Porque nesse tempo em que ele chega ao supercomputador, ele está em uma vantagem que nenhuma pessoa tem. Depois acabou.
  • braZilEro  25/11/2021 20:00
    Esses fãs de criptos tem sempre esse leve viés megalomaníaco. Já tive BTC, ganhei bastante, adoro, especulei com ETH, etc. Só vim deixar duas informações para os bit-freaks: atrás de cada coisa intangível de valor (criptos, real digital, propriedade intelectual, etc.) sempre há um corpo de carne e osso. É atrás desse corpo que o governo vai, não das "wallets".

    Na década de 90, mto antes de bitcoin, pix ou mesmo internet no BR, meu pai tinha um terreno na praia que não tinha nada, por não ter nada a gente não ia mas ele também não vendia, ficou abandonado por anos. Um belo dia, comum e normal, meu pai foi ao mercado e quando foi pagar no caixa disseram que o cartão não tava passando (não tinha saldo!). Ora, não tinha saldo? Impossível! Meu pai ficou louco, pois ele tinha certeza que tinha saldo para várias vezes aquela compra de supermercado. Foi ao banco ver qual era o problema.
    O problema é que, sem seu conhecimento, o município onde ele tinha aquele terreno esquecido, estava cobrando uma multa por alguma regularização na calçada em frente ao terreno que foi decretada anos antes pelo tal município e que obviamente meu pai nem ficou sabendo, nem fez. Por isso o cartão de débito não passou, o banco foi intimado a bloquear todo o saldo dele até o pagamento da multa do terreno.
    Note que foi todo um longo processo burocrático que na verdade transcorreu por anos mas de forma obscura. Do outro lado, o cidadão (nesse caso meu pai), foi surpreendido totalmente com um confisco. Sem nada de internet, nada eletrônico. Só a boa e velha burocracia moedora de carne humana.

    Nenhum governo no mundo hoje PRECISA de moeda digital para confiscar sua população. O digital só facilita o trabalho deles.
    Bitcoin é uma camada extra de proteção? Sim, mas serve tanto quanto ter investimento no exterior (se o medo é apenas o país de origem) ou uma offshore (só que com custos bem menores). Todos os 3 casos (investir direto no exterior, ter uma offshore ou ter bitcoins) são possíveis de serem vencidos pelos governos, quando realmente querem.

    Pq o que eles querem realmente, não são teus BRLs, ou teus USDs, ou teus BTCs, é VC!
  • Yuri  25/11/2021 23:00
    Você acabou de fornecer um perfeito exemplo prático de por que não se deve ter ativos tangíveis no Brasil. Nêgo enche a boca para falar de imóveis e de terra ("quem tem terra não erra"), sem nem saber que o real dono de tudo é o estado. Mediante o pagamento de um arrego, o estado permite que você se ache o dono da terra. Mas se você deixar de pagar o arrego (ou por qualquer outro motivo que o estado inventar), o estado simplesmente toma tudo, como seu pai perfeitamente sentiu.

    Já com o BTC, eu realmente gostaria de saber um mísero exemplo prático de como o estado pode confiscá-lo. Até hoje ninguém nunca falou. Só fazem terrorismo, mas nunca forneceram um mísero exemplo prático.
  • Artista Estatizado  26/11/2021 16:55
    O estado pode não tomar o Bitcoin, mas pode tomar qualquer outra coisa que você tenha até que você pague impostos relacionados à propriedade do Bitcoin (um imposto de ganho de capital, por exemplo)

    Ou seja, só funciona se o Bitcoin for a única coisa que você tem. Em última instância, podem mandar um policial arrancar e confiscar até as suas roupas, Desde que você seja encontrado, claro.
  • Joel  26/11/2021 19:15
    Primeiro eles teriam que saber que você tem bitcoin, e existem vários métodos para anonimização dele, e se isso ainda não for suficiente vá para moedas focadas em privacidade como a Monero.


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