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O Mercosul representa um verdadeiro embargo econômico ao Brasil - e é defendido por Lula e FHC
A abertura comercial é a mãe de todas as reformas

No mês de junho, em uma nota conjunta, os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva declararam apoio ao presidente da Argentina, Alberto Fernández, que é contra reduções de tarifa de importação para os integrantes do Mercosul.

FHC e Lula se uniram a Fernández em oposição à proposta de redução tarifária unilateral por parte do Mercosul, defendida pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da economia Paulo Guedes. 

Fernandez tem usado seu poder de veto para impedir a modernização do Mercosul, frustrando a melhoria da competitividade internacional brasileira.

Na prática, tanto Lula quanto FHC abertamente defendem que os brasileiros, em especial os mais pobres, continuem pagando artificialmente caro para ter acessos a bens importados e de qualidade. E defendem que o grande baronato industrial continue usufruindo uma reserva de mercado.

No entanto, ainda mais bizarra do que esta posição protecionista — dado que o Brasil é um dos países mais fechados do mundo — foi a motivação apresentada: em apoio ao presidente argentino Alberto Fernandez, a dupla brasileira afirmou que a redução de tarifas de importação é uma ação que poderia prejudicar as indústrias da Argentina!

Não chega a surpreender a camaradagem FHC/Lula/Fernández do estilo "socialistas do mundo, uni-vos", mas é escandaloso que dois ex-presidentes brasileiros defendam o interesse do governo da Argentina em detrimento do povo brasileiro.

Mercosul, uma estrovenga

O Mercosul é uma união aduaneira. Isso significa que, em tese, os países membros devem eliminar todos os obstáculos alfandegários e para-alfandegários ao comércio recíproco, e adotar uma tarifa de alfândega externa comum a todos os outros países fora desta união aduaneira.

Ou seja, em tese, os países-membros usufruem as benesses do livre comércio entre eles. Mas quem está de fora praticamente é proibido de participar. Por causa da Tarifa Externa Comum (TEC), todos os países do grupo são obrigados a aplicar a mesma taxação em relação à importação de produtos de países fora do grupo.

Os países-membros do Mercosul adotaram a TEC em 1995. Isso implica que, por exemplo, o Brasil não pode reduzir autonomamente a taxação sobre determinado produto que compra dos EUA ou da China em troca de algum benefício nos mercados americano e chinês. Para mudar a taxa, é preciso fazer um acordo com todos os países-membros, que também reduzirão suas tarifas. Ou seja, é preciso negociar em bloco. 

Por causa desta característica típica das uniões aduaneiras, um país-membro de uma união aduaneira não pode unilateralmente praticar o livre comércio com países que estão fora do arranjo.

O Mercosul, ademais, é uma elaborada peça de ficção que previa em sua fundação, em 1991 (artigo 1º do Tratado de Assunção), que até 1995 seria estabelecido um mercado comum entre os quatro fundadores (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), com:

a) liberdade total, sem tarifas, de circulação de bens e serviços; 

b) coordenação e harmonização das políticas macroeconômicas, industrial, setorial, fiscal, monetária e cambial; e 

c) o estabelecimento de uma tarifa externa comum (TEC), bem como a obrigação de negociações em conjunto e por consenso de acordos com terceiros países.

O item (a) entrou para a lista de literatura de ficção, por meio do estabelecimento de diversos regimes especiais, como o automotivo (que eleva as tarifas de importação a 35%), e pelas longas listas de exceção, que driblam a TEC e impõem tarifas ainda mais elevadas em pêssegos, brinquedos, leite, coco ralado, e muitos outros.

O descumprimento generalizado do item (b) teve um lado positivo, pois os desastrosos indicadores macroeconômicos argentinos ilustram o que teria sido do Brasil caso houvéssemos harmonizado nossas políticas macroeconômicas com as dos governos peronistas.

Só a TEC e a rigidez negocial pegaram. 

Em razão do imobilismo do tratado, dos 400 acordos registrados na OMC nos últimos 30 anos, o Brasil só firmou o Mercosul. Criou-se dessa forma o Brasil autárquico, tal qual um extenso castelo medieval, isolado e condenado à falta de competitividade internacional.

O produto manufaturado brasileiro agrega apenas 10% de conteúdo importado, ante uma média internacional de 30% a 35%. Em suma, produz-se tudo internamente, com custos mais altos, sem chance de competir no mercado internacional contra produtos cujos componentes são adquiridos no mundo inteiro, onde for melhor e mais barato, praticamente sem tarifas.

Pororocas e jabuticabas

O Brasil pratica o mercantilismo do século XVII. Por aqui, as forças do atraso defendem que a substituição de importações reduz custos e atrai empregos; que saldo comercial é sinônimo de pujança; que tarifas de importação geram bem-estar social; que abrir a economia e reduzir custos para a indústria nacional sem reciprocidade de terceiros países é ingenuidade. 

Todas essas falácias foram devidamente refutadas por Adam Smith em "A Riqueza das Nações" (1776). A abertura comercial é a mãe de todas as reformas: quando ocorrer, provocará o salto do Brasil ao século 21.

Durante seus governos, FHC e Lula abusaram das listas de exceção para aumentar o favoritismo a setores com lobbies poderosos. Nada fizeram para modernizar o Mercosul.

O Uruguai mostra o caminho

A demanda da equipe de comércio exterior do Ministério da Economia, tocada por Roberto Fendt e Lucas Ferraz, é diminuir a TEC em 20%, linearmente, ou seja, uma redução de todas as tarifas sem favorecimento a setores.

Paraguai e Uruguai estão de acordo, mas a Argentina (com ajuda de FHC/Lula) resiste. O Brasil e o Uruguai também demandam que tenham a liberdade para implementar acordos bilaterais. A TEC permaneceria em vigor onde não houvesse acordos. Fernández não quer conceder essa liberdade ao Brasil; prefere que sejamos mercado cativo para seus produtos. 

Já o Uruguai, muito mais esperto, foi em frente e anunciou que passará a negociar acordos comerciais isoladamente. Atenção: não se trata nem mesmo de buscar a anuência dos demais membros; os uruguaios simplesmente comunicaram que passarão a agir desta maneira, gostem ou não os demais parceiros.

Que o Uruguai tenha resolvido abrir mão de pegar carona nos dois maiores mercados consumidores do Mercosul para costurar seus próprios acordos comerciais é sinal de que Montevidéu não vê perspectivas animadoras para o bloco no curto prazo. Estão corretos.

O Brasil deveria fazer o mesmo. 

Obviamente, a política comercial ideal é o livre comércio unilateral (países não comercializam com outros países; apenas indivíduos e empresas o fazem), de modo que o melhor que um país pode fazer é deixar seus cidadãos e empresas em paz e deixar os mercados (ou seja, indivíduos comprando e vendendo) operaram normalmente. Isto, sim, constituiria uma verdadeira abertura ao mundo. 

Sendo esta opção ideologicamente impossível, a segunda melhor alternativa seria fazer igual ao Uruguai: costurar acordos bilaterais com todos os outros países do mundo, ignorando o Mercosul. Deixemos a Argentina falando sozinha.

Para concluir

No momento, chegou-se ao impasse. A maneira mais rápida de acabar com o Mercosul é ignorá-lo.



autor

Helio Beltrão
é o presidente do Instituto Mises Brasil.

  • Flávio  15/07/2021 18:32
    Um novo teatro das Tesouras se aproxima.
  • Adson Joan  20/07/2021 00:18
    será ??
  • David  15/07/2021 18:35
    Tanto aqui quanto em Cuba socialistas querem manter o país miserável , improdutivo e escravo de oligarquias
  • Thiago  15/07/2021 18:46
    Bitcoin resolve esse problema.
  • Marcelo  22/07/2021 12:57
    O Bitcoin será criminalizado em breve.
    Afinal, só Estados podem emitir moedas.
    A experiência do bitcoin será usada como modelo para a moeda única da Nova Ordem Mundial totalitária.
  • Felipe  22/07/2021 14:29
    E vai adiantar nada. Na Nigéria criminalizaram e o Bitcoin continuou sendo utilizado.
  • Régis  15/07/2021 18:47
    Uma coisa que eu juro não entender: por que FHC passou a bajular Lula?

    Lula simplesmente acabou com a imagem de FHC no Brasil. O PT passou seus 13 anos de governo falando em "herança maldita". No vídeo abaixo, no minuto 2:19, Lula diz abertamente que "a única coisa boa que Fernando Henrique fez nos 8 anos foi o cartão corporativo". E hoje o sociólogo se presta a este lastimável papel. Que falta de amor próprio…

  • anônimo  15/07/2021 21:53
    No meu entendimento essa união nada mais é que providencia.

    Ambos são estatistas e o que querem é a perpetuidade do esquema (estado), sem estado essas duas sanguessugas, nem sequer existiriam. Com a volta do PT e PSDB, ambos partidos puramente estatistas, reativa-se o ciclo da velha "esquerda/direita", ou "coxinha/mortadela", ou qualquer tipo de "polarização/distração" que venha ser criado. O ciclo "dos opostos do mesmo" seria reativado.

    Independente de quem esteja no poder, ambos estariam de volta ao cenário. Disfarçados de bem estar, com suas cortes nababescas, fundamentadas em arrecadações partidárias e suas falcatruas.

    Ou seja, o arranjo é uma parceria vencedora, os dois só têm "a ganhar".
  • Introvertido  15/07/2021 22:52
    Exato, é uma união que envolve interesses, nada mais. Com certeza o Lula já deve ter prometido uma fatia do Bolo para o FHC.
  • BAD MALUCO  16/07/2021 10:00
    PSDbostsas é social democrata , ou seja , partido do socialismo democrático. ( A destruição lenta e gradual de um país ).

    FHComunistinha é a verdadeira mulher do Mula.

    A verdade é que vão desaparecer nas próximas eleições , ai sobrou para eles (PSDbostas), unir-se ao PTeta ou morrer. ( qualquer alternativa é ótima para o povo )
  • Bernardo  15/07/2021 18:58
    Vale lembrar que nem mesmo os princípios básicos do Mercosul são respeitados. Experimente ir ao Paraguai e fazer compras superiores a 300 dólares (que nem é muito). Você vai direto pra PF pagar 50%, fora outras taxas. Que acordo do "livre comércio" é esse que tributa em 50% as importações de um país-membro?
  • Bernardo  15/07/2021 19:04
    Além das barreiras tarifárias, há também no Brasil as barreiras não-tarifárias, que chegam a ser ainda piores.
    Por exemplo, é simplesmente proibido importar carros usados. Ah, e roupas também.

    Ademais, as políticas de compras governamentais (para estatais, por exemplo) dão preferência para empresas nacionais. Investimentos estrangeiros em terras e em vários ativos regulados pelo governo são severamente limitados.

    Fora isso, há a infraestrutura em frangalhos, que encarecem ainda mais as importações.

    Sim, as barreiras não-tarifárias chegam a ser ainda piores.
  • Paulo  15/07/2021 19:05
    É possível fazer uma abertura unilateral, mas, aberturas bilaterais geralmente envolve acordos comerciais. Nada impede o Brasil de reduzir suas tarifas, posteriormente, com outros países.
    E também pode ser mais vantajoso que aberturas unilaterais, já que serão dois ou mais países com o comercio facilitado. E a não ser que alguém ainda viva na época em que acreditavam que a riqueza de outras nações significa a pobreza da sua, e não um enriquecimento mutuo, essas aberturas em blocos acabam beneficiando bilhões de pessoas
  • Lucas  15/07/2021 19:10
    Não. Sendo o Brasil integrante do Mercosul, ele perde essa autonomia. Ele não pode reduzir tarifas de importação sem a anuência dos outros países-membros.
  • Humberto  15/07/2021 19:07
    Interessante: o que é o Mercosul?


  • Marcelo  15/07/2021 19:10
    Que se lasquem esses políticos. O meu ramo, oftalmologia e optometria, é protegido para ninguém, pois não tem fabricantes nacional. Mas as tarifas de importação são violentas.

    Precisei comprar um oftalmoscopio wellch&allyn. Nos EUA, 300 dólares; aqui 4.100 reais.

    E não existe um mísero fabricante nacional. A proteção se dá para os fornecedores de peças de reposição da indústria de ótica.

    Um autorefrator que custa 2.500 dólares nos EUA chega a 35 mil reais no Brasil. Comprei o meu seminovo por 15 mil reais com um ano de uso de um amigo que fechou o consultório.

    Parece que o objetivo é lascar quem tem problemas de visão porque não vejo razão minimamente racional pra fazerem isso.
  • Revoltado  15/07/2021 20:17
    Em Banânia, para simplesmente tirar-se uma CNH, paga um valor absurdo, enquanto nos Estados Unidos não deve pagar-se US$ 200. Fora que há taxas similares ao IPVA que sequer chegam a 20!

    Pergunto: por quê Satanazes deve-se pagar um valor na casa de R$ 2.000 para uma simples carteira que o habilite a guidar um veículo?
  • Felipe  15/07/2021 23:27
    Eu paguei US$ 66 aproximados em minha habilitação floridense (a qual dura dez anos). Além de bem mais em conta, o serviço deles foi tão rápido (fez a prova teórica, já recebe ali mesmo o seu cartão plástico de permissão temporária de direção) do que ir numa farmácia brasileira demora mais.

    No Brasil, há poderosos grupos de interesse que se beneficiam dessa burocracia soviética, afinal a burocracia faz parte do arranjo estatal (realmente não sei para onde vai tanto dinheiro arrecadado por eles com isso). Várias taxinhas, papéis e afins. Para renovar é uma chatice, especialmente se você for um motorista de aplicativo, porque precisa do chamado EAR. Um exame psicotécnico tosco e que deve ser da época do regime militar e demorado ao extremo e o exame de vista que tem que ser em um profissional específico e sorteado, enquanto na Flórida o exame de vista você já faz no próprio prédio deles. Faz a prova teórica, o exame de vista e tira o cartãozinho, mas dá também para fazer a prova teórica e prática no mesmo dia, bastando ir lá no site e agendar (embora essa disponibilidade varie por condado).
  • capitalista chinês  16/07/2021 00:42
    Na China, não existe propriedade privada. Empresas ou pessoas fisicas "emprestam" a propriedade do Estado, mediante o pagamento de uma taxa modesta, com validade entre 5~15 anos para empresas e cerca de 90 anos para pessoas fisicas. Não existe tax-property ou IPTU.

    No Brasil, dizem que existe propriedade privada, pois você pode colocar o seu nome no papelzinho (após literalmente ser extorquido pelas taxas de registros e impostos). Além disso, você deve pagar anualmente o IPTU ao Estado e se não pagar o Estado pode "ganhar" o direito de tomar a sua propriedade.

  • Carlos Alberto  16/07/2021 00:53
    Correto. Não há propriedade privada no Brasil. Aqui no Brasil, o governo é o dono de tudo. Porém, mediante o pagamento de um arrego, ele deixa você ficar com algumas coisas.

    Duvida?

    Deixe de pagar seu IPTU para você ver. Faça isso e veja se você é realmente o dono do seu imóvel.

    Deixe de pagar seu IPVA para você ver. Faça isso e veja se você é realmente o dono do seu carro.

    Deixe de pagar seu Imposto de Renda para você ver. Faça isso e veja se você é realmente o dono dos frutos do seu trabalho.

    Deixe de pagar seu ITCMD para você ver. Faça isso e veja se você é realmente o dono da herança de seus pais.

    Em todos os casos acima, o não-pagamento resulta em confisco de propriedade. Seu ativo é confiscado, vai a leilão e as receitas vão para o governo.

    Se você resistir, será preso. Se resistir à prisão, será morto.

    Não existe propriedade privada. Existe apenas concessão estatal mediante pagamento de arrego.
  • Pobre Mineiro  16/07/2021 03:01
    Capitalista chinês; não existe mesmo, não é ?.

    Veja as obras bizarras na China, onde vários proprietérios se recusaram a vender a suas propriedades para que rodovias pudessem ser construídas.

    Passaram as pistas por cima do telhado da casa, em outra deixaram a casa do sujeito ilhada no meio da rodovia, em outro local constuíram um espiral rodoviário em torno do condomínio, etc...

    Se fosse no Brasil, o sujeito teria sido removido a força.
    A China respeita muito mais os direitos de propriedade do que o Brasil, suas fontes de informação estão criando um mundo irreal na sua cabeça.
  • Robson Santos  16/07/2021 00:31
    Porque os brasileiros além de precisarem ser avaliados pelos estado também precisam ser ensinados a dirigir pelo estado, ou seja nos moldes curriculares do estado, é igual a educação com o MEC...
  • WMZ  15/07/2021 19:40
    Vocês só conseguem pensar na categoria "lucros e prejuízo" com a economia sendo uma ciência, acima de tudo, política que envolve o poder.

    Para começar, por que que o dólar é a moeda internacional? Vocês mesmos afirmaram que "o status de moeda de reserva internacional do dólar está ligado à capacidade do governo dos EUA de controlar os grandes países exportadores de petróleo do Oriente Médio" (artigo do Gary North:www.mises.org.br/Article.aspx?id=1673).Por aqui já dá para imaginar que tudo isso é mais uma questão das "ciências militares" do que da ciência econômica.

    Portanto, dá para concluir que o Brasil já nasce com o comércio externo DEPENDENTE de uma moeda que é controlada por outro país (os EUA). Se o Brasil depende do dólar, então está preso ao arbítrio do governo americano que pode muito bem manipular o dólar para prejudicar, intencionalmente ou não, o desenvolvimento das nações rivais (ver Paul Volcker nos anos 80 e a Crise de 95 no Japão).

    Sendo assim, nada é mais racional do que buscar uma maneira de mitigar essa DEPENDÊNCIA e um meio para isso é fortalecer o comércio entre países que sofrem do mesmo mal, principalmente os vizinhos.
  • Ulysses  15/07/2021 20:24
    Ei, WMZ, dá um pulinho aqui. Passei o dia inteiro lá te esperando:

    www.mises.org.br/article/1793/um-giro-por-havana#ac277040
  • Amante da Lógica  15/07/2021 20:35
    "Vocês só conseguem pensar na categoria "lucros e prejuízo" com a economia sendo uma ciência, acima de tudo, política que envolve o poder."

    Já começou errado. Pateticamente.

    A economia é a ciência da escassez. Essa é a definição dela. Ela explica como alcançar determinados fins utilizando determinados meios. Preços e custos irão determinar os meios.

    A economia como "ciência, acima de tudo, política que envolve o poder" é definição exclusivamente sua, que não encontra respaldo em nenhum livro-texto sério.

    "Para começar, por que que o dólar é a moeda internacional? Vocês mesmos afirmaram que "o status de moeda de reserva internacional do dólar está ligado à capacidade do governo dos EUA de controlar os grandes países exportadores de petróleo do Oriente Médio" […]Por aqui já dá para imaginar que tudo isso é mais uma questão das "ciências militares" do que da ciência econômica."

    A moeda internacional de troca sempre foi o ouro. O dólar assumiu essa função somente a partir de 1971. E foi assim simplesmente porque nenhuma outra estava em igualdade de condição. O Japão ainda não era nada, o franco suíço era insignificante e a Alemanha tinha saído de duas hiperinflações. O dólar ganhou por default. Qual o seu ponto?

    "Portanto, dá para concluir que o Brasil já nasce com o comércio externo DEPENDENTE de uma moeda que é controlada por outro país (os EUA)."

    Imaterial. Se não fosse o dólar seria o ouro. E o governo brasileiro não controla a oferta de ouro. O Brasil continuaria sendo igualmente dependente (em vez do dólar seria o ouro). E a gritaria seria a mesma.

    "Se o Brasil depende do dólar, então está preso ao arbítrio do governo americano que pode muito bem manipular o dólar para prejudicar, intencionalmente ou não, o desenvolvimento das nações rivais (ver Paul Volcker nos anos 80 e a Crise de 95 no Japão)."

    Troque "dólar" por "ouro" na sua frase acima e você irá se encontrar xingando russos e sul-africanos.

    Ou seja, pela sua mentalidade, os problemas sempre são os outros, e nunca nós.

    Adendo: o governo americano, com a exceção desta curta passagem de Paul Volcker (exceção que apenas confirma a regra), sempre atuou para enfraquecer o dólar, e não para fortalecer. E dólar fraco é bom para o comércio exterior dos países estrangeiros.

    "Sendo assim, nada é mais racional do que buscar uma maneira de mitigar essa DEPENDÊNCIA e um meio para isso é fortalecer o comércio entre países que sofrem do mesmo mal, principalmente os vizinhos."

    Carai, você fez essa logorreia toda apenas para defender o atual arranjo do Mercosul?

    Não é possível, sério. Ninguém pode ser tão obtuso assim.

    Mas, ok, diga lá: por que e como fazer comércio exclusivamente com argentinos (população pobre e quebrada) irá aumentar o padrão de vida dos brasileiros? Por que vender para argentinos é melhor do que vender para americanos, europeus e japoneses? Juro que aceito qualquer resposta, sem rir.
  • Felipe  15/07/2021 20:59
    O dólar não assumiria essa função já após 1945, sob o acordo de Bretton Woods? O dólar solidificou a sua confiança pois ele era conversível em ouro pelos bancos centrais e tinha ainda algum lastro no metal.

    O dólar em desvalorização ajudaria o comércio exterior de que forma? Os bens americanos de fato ficariam mais baratos para os estrangeiros, mas e o outro lado da conta, como a alta nos custos para esses exportadores americanos por causa da desvalorização do dólar?

    Paul Volcker não teve culpa alguma, ele fez o que tinha de ser feito. O dólar estava em forte desvalorização e teve de ser feito esse sacrifício nos juros altos, para recuperar a credibilidade, na moeda que agora era papel flutuante e sem lastro. Quem se deu mal foram os governos que embarcaram na irresponsabilidade e nos atalhos, como fez o governo militar brasileiro com o crescente endividamento externo. O Chile, por exemplo, sofreu um pouco, mas logo depois se recuperou. Em termos de commodities, o dólar ficou forte nas décadas de 1980, 1990 e, mais atualmente, desde 2014. As commodities agora estão altas, mas o DXY continua perto de alguns anos da década de 90.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  15/07/2021 21:45
    Pois é. Se não fosse em dólar ou ouro, o comércio internacional seria feito em outra moeda. Bolívar? Peso Argentino? Imaginem só... Ademais, se de fato houvesse um comércio livre aqui no Mercosul até que poderia gerar um maior crescimento econômico e benefícios sociais para a população do bloco. Até o momento, está mais para emaranhado econômico do que bloco econômico.
  • WMZ  15/07/2021 22:20
    "A economia é a ciência da escassez. Essa é a definição dela. Ela explica como alcançar determinados fins utilizando determinados meios. Preços e custos irão determinar os meios."

    E quando os ditames dessa "ciência" se volta contra os interesses das pessoas? As pessoas ficam paradas contemplando ou agem por outras formas? A "ciência da escassez" disse, por meio dos preços, que as matérias-primas estavam ficando caras (escassas).O que que os europeus fizeram? Não foram em busca de mais colônias na África e na Ásia? Foram! E o sucesso dessa busca não alterou a economia? Alterou toda história (acabou com a milenar escravidão), junto com a economia!

    "A economia como "ciência, acima de tudo, política que envolve o poder" é definição exclusivamente sua, que não encontra respaldo em nenhum livro-texto sério."

    Das Kapital. Kritik der politischen Ökonomie (Karl Marx). Enfim, eu quis enfatizar que não dá para separar a Economia do poder político.

    "A moeda internacional de troca sempre foi o ouro.O dólar assumiu essa função somente a partir de 1971. E foi assim simplesmente porque nenhuma outra estava em igualdade de condição. O Japão ainda não era nada, o franco suíço era insignificante e a Alemanha tinha saído de duas hiperinflações. O dólar ganhou por default. Qual o seu ponto?"

    O dólar "assumiu" porque os EUA deram calote. Mas e daí? Os EUA eram os "protetores" de Alemanha, Japão e Suíça contra o "perigo vermelho". A França tentou uma dependência mas não foi bem sucedida.

    Agora, e se o evento ocorresse em 1941 ,em vez de 1971, com Japão, Alemanha ou França sendo quase tão poderosos quanto os EUA e não tão dependentes? O ponto é que a questão está mais no poder político somado com o econômico e ideológico do que com os meros ditames da ciência econômica. É só ver que o rublo era a "moeda internacional" entre as nações socialistas...uma moeda que o próprio governo soviético interferia ativamente tabelando os câmbios.

    "Imaterial. Se não fosse o dólar seria o ouro. E o governo brasileiro não controla a oferta de ouro. O Brasil continuaria sendo igualmente dependente (em vez do dólar seria o ouro). E a gritaria seria a mesma."

    Aqui você reforça o meu ponto: Poderia ser o ouro ou latinhas de Coca-Cola...mas quem iria decidir? O Brasil? Ou os EUA e aliados (ou qualquer outra superpotência de plantão)? Então, o Brasil iria refazer a sua economia sobre o novo "padrão-ouro" para, depois, os EUA ou qualquer outra superpotência falarem que o padrão é, agora, a prata ou o bronze. Veja que tudo depende deles e não da gente.

    "Imaterial. Se não fosse o dólar seria o ouro. E o governo brasileiro não controla a oferta de ouro. O Brasil continuaria sendo igualmente dependente (em vez do dólar seria o ouro). E a gritaria seria a mesma."

    Troque "dólar" por "ouro" na sua frase acima e você irá se encontrar xingando russos e sul-africanos.

    "Ou seja, pela sua mentalidade, os problemas sempre são os outros, e nunca nós."

    Imaterial. É óbvio que, segundo a própria narrativa de vocês, o dólar como moeda internacional de troca é um "privilégio exorbitante" (tem um post do Leandro falando disso, é um que ele fala que a única desvantagem é que as "incorreções demoram para se manifestar")

    "Adendo: o governo americano, com a exceção desta curta passagem de Paul Volcker (exceção que apenas confirma a regra), sempre atuou para enfraquecer o dólar, e não para fortalecer. E dólar fraco é bom para o comércio exterior dos países estrangeiros."

    Mas esse choque tornou a dívida externa do Brasil impagável.

    veja.abril.com.br/economia/paul-volcker-o-homem-que-quebrou-o-brasil/

    "Carai, você fez essa logorreia toda apenas para defender o atual arranjo do Mercosul?"

    Não é possível, sério. Ninguém pode ser tão obtuso assim.


    Carai, você fez essa logorreia toda apenas para defender o atual arranjo de ficar nas mãos dos EUA ou do próximo senhor que aparecer?

    Não é possível, sério. Ninguém pode ser tão obtuso assim...ficar nas mãos de Obama, Biden, Ocasio-Cortez, Kamala, Pelosi, Warden etc? Ficar nas mãos do PCC chinês? Ficar nas mãos da ONU?

    "Mas, ok, diga lá: por que e como fazer comércio exclusivamente com argentinos (população pobre e quebrada) irá aumentar o padrão de vida dos brasileiros? Por que vender para argentinos é melhor do que vender para americanos, europeus e japoneses? Juro que aceito qualquer resposta, sem rir.""

    A questão não é "apenas fazer comércio", a questão é fazer comércio para romper a dependência para que o Brasil tenha a sua autonomia.
  • Observador  15/07/2021 22:34
    Resposta convoluta. Mal dá pra distinguir o que é cópia e o que é resposta.

    No entanto, como você nada trouxe de novo, vou insistir: nada impede dois países de comercializarem entre si utilizando suas moedas nacionais em vez de o dólar. Por que não o fazem?

    Só falta você dizer que brasileiros não aceitam exportar para argentinos em troca de pesos porque somos capacho dos ianques...

    Se bem que, vindo de você (que citou Karl Marx), você deve pensar exatamente isso. Quem não aceita vender pra argentino em troca de pesos é capacho de imperialista.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  16/07/2021 00:57
    "Não dá para separar Economia de poder político". De fato, políticos e outros burocratas não abrem mão mesmo de se intrometer na economia. Os resultados dessa intromissão já foram bem apontados por você mesmo.

    "O dólar tornou a dívida externa brasileira impagável". E quem contraiu essa dívida? Releia o parágrafo anterior.

    "A questão é fazer comércio para romper a dependência para que o Brasil tenha a sua autonomia". Estranho. Em uma relação comercial, como qualquer outra relação, creio que seja impossível não haver dependência mútua entre as partes. Até onde me lembro, se uma não entregar o que promete, a outra também não entrega.

  • Alfredo  15/07/2021 20:48
    Imaginem quando o WMZ descobrir que o comércio entre Brasil e Argentina é feito em dólares? Ele terá uma síncope.

    www.google.com.br/amp/s/exame.com/economia/vivendo-crise-tripla-argentina-emperra-comercio-brasil/amp/

    www.google.com.br/amp/s/investnews.com.br/economia/brasil-x-argentina-por-que-a-crise-economica-do-pais-vizinho-e-mais-delicada/amp/

    jeronimogoergen.com.br/noticias/falta-dolar-emperra-comercio-brasil-argentina/
  • WMZ  15/07/2021 21:21
    Eu sei que o comércio é feito em dólar. É por isso que eu coloque "mitigar", afinal, tem um post do Leandro que fala o que acontece com aqueles que desafiam o dólar:

    "Quando Saddam Hussein, ainda em 2000, ameaçou abandonar o dólar e ressuscitar o dinar de ouro, Clinton -- entre um "trabalho de sopro" e outro de suas estagiárias -- impôs duras sanções ao país. Qualquer regime da região que ameaçar deixar de usar o dólar será prontamente ameaçado pelos EUA. E eles sabem disso. E isso também tem de ser levado em conta."
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  16/07/2021 10:17
    Bem, isso não dá pra negar em lugar algum, a imposição do padrão petrodólar é arbitrariedade e terrorismo dos EUA e já foi abordado aqui. Mas, focando apenas no caso de comércio entre Brasil e Argentina (ou outro país do Mercosul), o que usar no lugar? Se o lado brasileiro aceitar receber em pesos, ficará comprometido em usá-los futuramente só na Argentina, já que só lá eles são aceitos.

    Aí uma observação: a moeda argentina perde valor em um ritmo de 5? a cada duas semanas. Já a americana perde isso em um ano (e isso com aqueles malucos que estão hoje na casa branca). Os próprios argentinos evitam usar pesos caso tenham opção diferente, já que o governo de lá está se lixando pro poder de compra da população. Além disso a economia argentina oferece bem menos opções de compras que a americana ou outros países que aceitem dólares. E aí? Se nem o argentinos querem saber da moeda deles por qual razão nós deveríamos?
  • Apropriado  16/07/2021 13:08
    WMZ, ok, não devemos ficar à mercê do Uncle Sam imperialista, ótimo.

    Então o que devemos fazer exatamente?

    Se você fosse do de uma indústria você venderia sua produção aceitando em troca Bolívar venezuelano ou Pesos argentinos?
  • Introvertido  15/07/2021 22:39
    Achei engraçado esse comentário, o wmz fala tanto sobre "dependência", mas ignora por completo que o Brasil atualmente depende dos países integrantes do Mercosul para tomar qualquer medida que vise modificar as tarifas dos produtos que entram no Brasil. Isso não é o perfeito exemplo de ter de depender dos outros países, extinguindo a autonomia dos burocratas brasileiros em relação à isso? Todos esses seus argumentos são falaciosos, que visam distribuir desculpas desavergonhadas, e atribuir á culpa do insucesso da economia brasileira para outrem.

    Mas bem, ainda tem muita gente com essa mentalidade no Brasil, não é atoa que o Brasil será sempre o país do futuro, gritam tanto "Brasil tem que ser independente", mas não percebem que esse país já está praticamente isolado do mundo, tendo de importar bens importados com tarifas soviéticas, e exportar todos os bens de especialidade para fora devido á uma moeda fraca, que gera incertezas no mercado interno. É realmente á própria definição de bater em espantalho.

    PS: interessante que eu já vejo esse wmz desde que eu comecei a acompanhar esse site, é engraçado ver gente que acessa esse site já faz meses ou anos mas ainda assim não aprendeu nem o básico.
  • Felipe  15/07/2021 19:47
    Basta ver que o Equador, que está fora dessa porcaria, tomou o caminho contrário:

    O governo do Equador reduziu as tarifas de importação para computadores, câmeras digitais e equipamentos agrícolas.

    Mas não apenas isso: foram 667 itens contemplados, incluindo bicicletas, alimentos, peças automotivas e aparelhos respiratórios. Desses itens, 590 terão redução total nas tarifas, 27 com redução entre 15 e 25 %, 20 com redução em 10 % e 30 com redução em 5 %.

    No quesito da moeda, o primeiro governo FHC foi bom, mas com relação ao comércio exterior, logo após um breve período de 20 % de tarifas de importação (o qual seria alta para um país desenvolvido), ele foi lá e aumentou bruscamente as tarifas (basta ver como era o mercado automotivo à época).

    Imaginem se o Brasil harmonizasse a política monetária e cambial com a Argentina? Uma maravilha. Talvez desse certo se houvesse uma moeda comum forte entre os membros, como nuevo sol peruano (o qual concorreria com o dólar).
  • Felipe  15/07/2021 23:29
    Falando em Peru, a moeda deles tem sofrido mais depois do fim de março, inclusive aumentando a sua volatilidade e alcançando taxas de câmbio historicamente altas. Deve ser por causa das eleições (até agora ninguém sabe quem que vai ser eleito, com a ínfima vantagem do Pedro Castillo sobre a Keiko Fujimori). Uma pena eles estarem sofrendo com essa instabilidade.
  • Trader  16/07/2021 00:30
    Moeda estatal de país de Terceiro Mundo tem seu poder de compra determinado quase que exclusivamente pela política.

    E quase todos os economistas, ao defenderem câmbio flutuante, estão dizendo que é exatamente assim mesmo que tem de ser.

    E ainda se dizem economistas.
  • Felipe  16/07/2021 12:59
    A situação lá não é pior porque eles ainda podem usar o dólar como moeda corrente.
  • Bolsodilma cirolulaguedes  16/07/2021 14:21
    São políticos com diploma em economia apenas. Eles defendem a política. Então vão contra a economia. E o povão não vai contra a política, pois vai perder a esmola. Perde 10, ganha um. E fica brigando pra passar a conta pros outros. E não se manca que os outros são eles mesmos.
  • ze das couves  16/07/2021 00:02
    até um tempo atrás considerava que todos os impostos de importação devessem ser reduzidos à zero de maneira paulatina, digamos ao longo de 4 anos, de maneira a conceder tempo para que a indústria brasileira (em sua maioria, mas não toda) apertada pelo governo pudesse se organizar e estar em condições de competir tanto internamente quanto no exterior, PORÉM, recordei de algo que distorce isso, SUBSÍDIOS, os quais são concedidos em sua maioria nos países mais
    economicamente desenvolvidos. Zerar a aliquota de importação para produtos que em seus países de origem recebem subsídios governamentais, é injusto com o produtor/fabricante brasileiro. Assim sendo, penso que deveria haver uma sobretaxa para esse tipo de situação, MAS APENAS para esse tipo de situação, trazendo o valor do produto à valores reais de mercado. Concorda? Discorda? Por quê?
  • Supply-sider  16/07/2021 00:27
    Errado. Mesmo no caso extremo de algum país estar sendo tolo o suficiente para nos ofertar produtos a preços subsidiados, o certo seria que corrêssemos para aproveitar tal oportunidade, antes que os bobos de lá caíssem em si. 

    Se, por exemplo, a China, por pura extravagância, resolver inundar o mercado brasileiro com sapatos e panos bons e gratuitos, deveríamos, como consumidores, agradecer a barganha e aproveitá-la enquanto possível. Enquanto não chegar o dia — inevitável — em que o governo chinês irá cancelar essa farra com o dinheiro dos chineses e consequentemente cancelar essa política maluca, os 'compradores' e consumidores brasileiros só terão a ganhar com essa oferta generosa. 

    Os subsídios (que nada mais são do que um dumping) só prejudicam aqueles que os praticam; e sempre beneficiam aqueles a quem se destinam. Se o governo chinês quer usar impostos chineses pra vender produtos mais baratos para nós brasileiros, aproveitemos. E deixemos que os otários nos banquem.
  • ze das couves  16/07/2021 23:52
    entendo que a população do país que é extorquido pelos impostos para que sejam regalados como subsídios para certos setores são prejudicados sem notarem objetivamente, PORÉM, simultaneamente a capacidade produtiva do país importador (em um cenários sem proteção contra esses subsídios) está sendo destruída. O dia que o país exportador-subsidiado quebrar, o país importador zero-alíquota tampouco terá uma indústria para suprir a demanda, pois isso não acontece do dia para noite, não? Exige-se capital, equipamento e know how para produção, não?
  • Bolsodima cirolulaguedes  17/07/2021 16:10
    A produção de algo é sempre mais difícil. Não surge da noite para o dia. Por isso que não se deve proteger, dar subsídio nem cobrar impostos abusivos de um setor.
    Para desenvolver, é necessário que o empresário poupe o que ganha (lucros) e invista no processo produtivo. Nem é necessário inventar processo ou máquinas, pois estas já foram inventadas e são usadas no país que lhe exporta bens e serviços.

    Você só precisa comprar a máquina com a poupança que vc fez e treinar alguém para operá-la. Mas você só faz esse investimento em países que permitem investimento interno, que não extorquem o setor produtivo, que não são hostis ao processo empresarial do capitalismo.

    Toda produção é feita com a compra de bens de capital. Uma pessoa sem bens de capitalsó tem produtividade braçal (produz 1 para 1). Já quem tem bens de capital às disposição produz várias vezes o que consome.

    (A agricultura de precisão hoje já produz 30 para um em produtividade, por exemplo, vc com os bens de capital certos produz trinta vezes o que consome, por isso pratica comércio do excedente e abastece o mercado. O mesmo raciocínio vale pra qualquer indústria).

    Já em países com economia parasítica, sem liberdade, a população não tem acesso a bens de capital, por isso tem produtividade baixa, sendo também que o que produz é sem aparato tecnológico (tecnologia é uma indústria também, e tem que ser produzida com cérebros e bens de capital específicos).

    E tudo isso demanda investimentos em bens de capital, que não ocorrem porque, no arranjo poítico e social, uma parte do dinheiro vai para o bolso de parasitas, e outra pra burocracias que comem o capital. As pessoas ficam então dependentes de comprar de fora o que não é produzido dentro de seu país.
  • Introvertido  17/07/2021 16:50
    "As pessoas ficam então dependentes de comprar de fora o que não é produzido dentro de seu país."

    Adoraria depender de importações, mas nem isso dá para aproveitar aqui em banania, tudo que vem de fora tem seu preço duplicado ou triplicado por causa do burocrático sistema de alíquotas de importação bananense.
  • Introvertido  16/07/2021 01:06
    Queria muito saber porque tantas pessoas possuem essa tara com "produto nacional", países não são pessoas, isso é uma mera ilusão abstrata, o que existem são indivíduos, e se uma determinada empresa ou organização de outro país decidiu vender seus bens por um valor mais baixo aqui, sustentado por subsídios, quem sairá ganhando será o consumidor, que terá produtos muitos mais baratos ofertados para comprar.

    "Ah, mas a indústria nacional sairá prejudicada" problema é deles, se eles perceberem que estão perdendo mercado para produtos importados, só restará:

    1) Tentar concorrer com os importados baratos, seja por preços mais baratos, ou com qualidades superiores;
    2) Exportar para outros mercados mais interessantes e que dêem mais lucro;
    3) Investir em outra coisa.

    O quê é realmente errôneo é tentar acomodar o produtor nacional, já fazem isso aqui em banania há muito tempo, será que nós temos multinacionais ou empresas "vitoriosas"? Empresas "vitoriosas" só surgem onde há mercados com forte concorrência, tentar acomodar o produtor nacional é literalmente dar reservas de mercafos para eles, em detrimento do consumidor, que terá de comprar produtos muito mais caros e com qualidade inferior do que se vê nos produtos internacionais importados.
  • ze das couves  17/07/2021 00:05
    não é tara pela indústria nacional, mas uma questão de "justiça econômica". Tanto que não vejo problema algum em comprar um produto importado que seja melhor que um nacional. Essas empresas "campeãs nacionais" que foram alçadas a essa posição são o outro lado da moeda dessa prática de roubar dinheiro sob a égide da lei (impostos) e dar à quem quer. Essa indignação que causa ao ver o governo brasileiro subsidiar outros, penso que deveria ser aplicada à governos estrangeiros fazendo o mesmo.

    Importar produtos com preços artificialmente baixos e pensar que isso é só lucro, me parece uma visão de muito curto prazo, pois uma vez que essa concorrencia desleal subsidiada pelo governo) tiver destruído o setor do país importador, esse estará à mercê do exportador, o qual buscará tirar o atraso (ainda que argumente que sempre existirão outros fornecedores que irão fornecer à preço mais baixo).
  • Introvertido  17/07/2021 02:30
    Meu deus Zé, seu texto tava indo bem até chegar nessa parte:

    "Importar produtos com preços artificialmente baixos e pensar que isso é só lucro, me parece uma visão de muito curto prazo, pois uma vez que essa concorrencia desleal subsidiada pelo governo) tiver destruído o setor do país importador, esse estará à mercê do exportador, o qual buscará tirar o atraso (ainda que argumente que sempre existirão outros fornecedores que irão fornecer à preço mais baixo)."

    1) Nenhuma indústria nacional pode simplesmente ser destruída por importados, essa é uma visão extremamente erronea e que assume que todos os consumidores já irão saber por imediato que existe um produto muito mais barato sendo importado.

    Você assume que às indústrias que serão "vitimas" dos importados simplesmente desaparecerão do mapa, entrou importado barato? BUUM, sumiu á indústria nacional. Porém nenhuma capital simplesmente irá sumir, se á empresa estiver perdendo espaço para os importados, só restará:

    1) Tentar concorrer com os importados baratos, seja por meio de preços mais baratos, ou com qualidades superiores;
    2) Exportar para outros mercados estrangeiros mais interessantes e que dêem mais lucro, enquanto espera a indústria estrangeira sustentada por subsídios falir ou elevar seus preços;
    3) Investir em outra coisa.

    Nenhuma capital será desperdiçada, se á industria nacional não é capaz de concorrer com os importados, ou atrair os clientes por meio de produtos com qualidade superiores, e muito menos ser competitiva internacionalmente, então é melhor que essa indústria abandone tal função.

    2) Mesmo se essas importações continuarem no longo prazo, simplesmente não haverá elevação dá produção por parte dessa indústria que receba subsídios, já que ela não operará com lucros e simplesmente não terá motivos e nem patrimônio o suficiente para elevar á produção, logo, não terá como ela "destruir" a indústria de outro país.

    Para facilitar a explicação, ilustrarei alguns cenários:

    Imagine que á indústria nacional fábrique 10 toneladas de fermento por dia, e venda cada quilo por 2 onças de ouro, mas derrepente surja importados vendendo cada quilo por 0,1 barra de ouro, por mais barato que o produto seja, não terá como esses importados roubarem toda á cliente-lá, simplesmentes porquê não terá produzido o suficiente para atender toda a demanda nesse país, essa indústria estrangeira produz apenas 100 quilos por dia, e simplesmente não terá dinheiro o suficiente para elevar á produção, simplesmente porque ela não opera com lucro, logo, não é como se uma indústria estrangeira subsidiada fosse destruir a indústria nacional.

    Mas bem, imaginemos outro cenário, digamos que um BNDES desse país estrangeiro perceba tal situação lastimável, e empreste 50 mil barras de ouro para essa indústria elevar á produção, por mais que ela eleve, continuará insustentável, já que os custos se elevarão com á produção, fazendo com que os subsídios repassados não sejam mais o suficiente. Não demorará até falir.

    Agora vamos para um cenário mais absurdo: Imagine que esse país adote uma política de "destruidoras internacionais" e comece á doar bonanças quase ilimitadas para essa indústria privada específica importar e produzir, fazendo com que ela não fique mais com problemas orçamentários, mesmo se esse absurdo acontecesse, essa indústria ainda assim não teria mais nenhuma motivação para elevar á produção, simplesmente porque já estará nadando em dinheiro.

    Agora vamos para o caso mais extremo e absurdo: Imagine que o governo crie uma estatal, abra o cofre do tesouro para ela, e ainda por cima estabeleça uma meta para que ela deva "Elevar á produção sem parar, com o objetivo de destruir às indústrias estrangeiras ofertando produtos gratuitos e fartosos". Em um cenário assim, essa indústria insustentável operará com crescentes déficits avassaladores, e mesmo que ela permaneça importando gratuitamente, á mesma coisa não poderá ser dito da qualidade de seus produtos, já que os burocratas responsáveis por ela só ligarão para á quantidade, como demanda as metas estabelecidas pelo governo, e provavelmente não demorará muito até seu produto ser considerado de baixa qualidade internacionalmente, tendo seu fermento raramente utilizado por padeiros, que não irão querer perder clientes por causa do fermento ruim e de baixa qualidade.

    Mesmo se ela conseguisse manter á qualidade, temo que tal pais falisse rapidinho, já que tal programa é insustentável.
  • Bolsodilma cirolulaguedes  16/07/2021 14:14
    A "proteção" é bancada com a maior taxa de impostos no mundo para as empresas. E os políticos querem enfiar mais. Esse arranjo é tão prejudicial ao empresário quanto para o consumidor. Quem ganha é a classe politica. E também os empresários que ganham subsídios. Os impostos acabam sendo pagos pelos empresários e trabalhadores que não recebem subsídios.

    Esse três fatores causam grandes distorções econômicas: o produto nacional não se desenvolve porque o empresário opera com pouco dinheiro, mas como é protegido pela alta taxa de importação, ele aproveita. Ele seria um tolo se não aproveitasse.

    Para acabar com isso, tem que acabar com as três frentes ao mesmo tempo: reduzir o imposto de importação, reduzir a carga tributária interna, e acabar com o subsídio.

    O empresário não teria proteção, mas se compensaria pagando menos imposto. E sem o subsídio, os empresários privilegiados não receberiam pela a distorção.

    Mas fazer isso significaria destruir o arranjo que manda dinheiro para os políticos. Eles teriam que receber menos salário, o estado teria que gastar menos e os assistencializados perderiam suas esmolas.

    E como vimos ontem, o povo prefere continuar recebendo sua esmola acreditando que o aumento do fundo eleitoral vai ser pago pelos ricos via aumento de impostos, o que vai na contramão da solução, que é baixar impostos.
  • ELCIO ROBERTO FERREIRA MAIOLINI  16/07/2021 02:22
    Se voce entrar no site FligthRadar.com voce vizualizará os fluxos das principais rotas aéreas mundiais. O Brasil não esta inserida nelas. Assim como a Africa. Abu Dabhi , no meio de um deserto, esta bem no meio do fluxo que liga a europa e a ásia. Enxada nesse país de um povo sem noção é um instrumento para cortar mato nas calçadas, que logro rebrotam. Jamais consertam a calçada ou usam herbicidas. Deve ser medo de veneno, medo de destruir o ambiente. Medo de ser idiota eles não tem. Votam em todas as "eleições " e acreditam em mudanças.
  • Introvertido  16/07/2021 12:49
    Brasil sempre será o país do povo bananense, se nem gente com boa educação que se diz "intelectual" e "economista" não entende - ou finge não entender - realmente como o mundo funciona, imagina o brasileiro padrão? Praticamente vivem em um campo de concentração, trabalhando para sustentar uma legião de parasitas públicos, e mesmo sendo escravos, pedem para que seus mestres escravagistas sejam mais "justos" e redistribuam benesses que eles mesmo pagarão.

    Claro que isso é apenas um ponto de vista objetivo, sem qualquer preâmbulo, pois o povo na verdade é feito de trouxa pelos "intelectuais" e demais demagogos, sabe-se lá até quando isso irá durar...
  • Felipe  16/07/2021 12:57
    Pois é. Calçadas brasileiras são medonhas, sem contar que sempre tem fezes de cachorro.
  • Bolsodilma cirolulaguedes  16/07/2021 11:03
    e acordamos com a notícia que aumentaram o afundo eleitoral pra quase 6 bilhões.
    povão troca seu futuro e prosperidade por uma esmola estatal e vai ficar quietinho.
  • Introvertido  16/07/2021 15:21
    Por aqui não existe luta por uma causa, existe luta por políticos e benesses; existem liberais pró Bolsonaro e anti Bolsonaro, mas não existem liberais genuinamente pró livre mercado, libertários austriacos é excessão. A questão é sempre sobre ser gado de alguém, não sobre lutar pela liberdade. Cheguei á conclusão que esses "liberais de direita" não são confiáveis, é só olhar o tal partido "Novo" e todos os gados que os cheguem, o gado não sabe viver em liberdade e ser independente mentalmente, sempre tem de seguir um "líder modelo" ou uma idéia "bela e utópica". As pessoas não querem saber da realidade, não querem se convencer que é o próprio esforço que traz prosperidade, e que não há nenhuma força mágica que irá simplesmente trazer bonanças. Sentem prazer em receber uma esmola governamental, pois gostam de receber dinheiro sem esforço algum, Brasil sempre será o país do futuro enquanto essa mentalidade não for alterada.
  • capitalista chinês  16/07/2021 19:58
    poderia citar alguns exemplos do porquê o partido NOVO ou MBL não são confiáveis na sua opinião?

    eu tenho acompanhado esses congressistas e também o Luiz P. O.Bragança e até o momento eles têm sido consistentes em sua votação e gastos.
  • Artista Estatizado  17/07/2021 00:13
    Do partido NOVO, talvez seja até possível achar (exceto do Amoedo), mas alguém viu uma manifestação do MBL em defesa das liberdades mais básicas durante essa "pandemia"?

    Como Bolsonaro se posicionou contra o "fecha tudo", automaticamente o MBL ficou caladinho perante as mais atrozes demonstrações de tirania sanitária. Se assassinar metade da população for politicamente conveniente em algum momento, o MBL ficará a favor ou se omitirá.

    Essa pandemia demonstrou que os reais defensores da liberdade são uma ínfima minoria. Dentro do grupo de todos os brasileiros, deve dar para contar nos dedos das mãos. Aposto que não passa de 10 pessoas. Uma delas sou eu. Não faço ideia de quem são as outras 9, mas imagino que existam dentre os leitores do Mises Brasil...

    Estamos mais distantes da liberdade do que de Plutão.
  • Felipe  17/07/2021 15:21
    Pelo contrário. O Arthur do Val sempre se mostrou pró-lockdown e estava agindo praticamente como "fiscal do Sarney" ao denunciar "festas clandestinas". Ele vai se afundar eleitoralmente, assim como o Kim. Se apegaram agora nessa história de impeachment do Bolsonaro, vão se queimar.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  17/07/2021 01:04
    Porque todo partido já começa com uma grande desonestidade. Nenhum deles possui como prioridades aquilo que está em seus estatutos. Nada de "defender a democracia e os desamparados". Sua missão principal é chegar ao poder primeiramente (e pode apostar que isso não está escrito no estatuto de nenhum deles). Só então, após ascender ao governo, eles vão pensar em aplicar suas diretrizes.

    Aí começa a segunda grande desonestidade. Para manter-se no poder, terão muitas das vezes, agir contrariamente às suas alegadas convicções e servir-se do status quo, até mesmo aliando-se com supostos rivais de outrora(a foto do FHC e Lula juntos aqui no feed de artigos é emblemática). E aqui no império das bananas é ainda mais desonesto: apesar de apregoarem tão ardorosamente a democracia e a diversidade quando em frente aos holofotes, todos os partidos aqui possuem "donos e chefões"(ou caciques, como eram chamados antigamente), que se contrariados, sabotam qualquer um de seus filiados (vide debandada do PSL).
  • daniel malta dias  16/07/2021 14:45
    Impressionante, é ver falsos liberais sendo contra a saída do mercadosul, como a molecada do MBL, só por ódio ao BOZO....Brasil não tem jeito, vivemos em um país social democrata, grande maioria dos brasileiros são intervencionistas
  • anônimo  17/07/2021 19:08
    Quem do Mbl tá contra a saída do Mercosul?
  • Paulo  16/07/2021 17:30
    Ideia, substituir o termo protecionismo por auto-embargo. Já que é a mesma coisa
  • Felipe  18/07/2021 00:03
    "Os sem-terra fincam bandeira no mercado de capitais"

    Governo Bolsonaro agora terá outro mérito: fazer o MST investir na Bolsa de Valores.
  • Thiago  21/07/2021 12:26
    Bitcoin resolve esse problema.
  • Roberto R  21/07/2021 14:14
    Bitcoin $100k ate o fim do ano eh plausivel ainda? O que voces acham que vai ser do BTC nos proximos meses?
  • Bolsodilma cirolulaguedes  21/07/2021 16:26
    países vão proibir bitcoin, mas ele se fortalecerá em países como el salvador.
    a comunidade vai ficar cada vez mais paralela ao estado.
    países que aceitam bitcoin vão receber divisas do mundo todo
  • Joel  21/07/2021 16:43
    até onde eu saiba é possível sim, não vou dizer que vai e nem que não vai, mas a possibilidade existe.
  • Joel  21/07/2021 18:05
    Esse comentário era pra responder ao Roberto R com a pergunta de : "Bitcoin $100k ate o fim do ano eh plausivel ainda? O que voces acham que vai ser do BTC nos proximos meses?", mas o comentário acabou indo pro lugar errado


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