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Incoerência destrutiva: dizer que o endividamento do governo não importa é duplamente perigoso
Ser indiferente aos déficits do governo significa defender sua expansão irrestrita

Não é só na esquerda que estão as pessoas que subestimam os efeitos nocivos dos déficits do orçamento do governo e a crescente dívida pública que eles geram. Há também "liberais e conservadores" que subestimam os déficits.

Especialmente no momento atual, em que a pandemia de Covid-19 está aniquilando as contas dos governos, a postura de várias correntes ideológicas até então rivais em relação às fianças públicas parece ter se tornado bastante uniforme.

A esquerda afirma que déficits orçamentários são uma maneira efetiva de o governo estimular a economia. Segundo ela, quando há "recursos ociosos", inclusive mão-de-obra, déficits do governo têm o poder de colocar tudo para trabalhar e, com isso, reativar a economia. Neste grupo estão os keynesianos, os quais agora ganharam a companhia de pessoas ainda mais bizarras, que são os seguidores da "Teoria Monetária Moderna".

Argumentos contra essa teoria dos "déficits como estimuladores da economia" já foram apresentados aqui e aqui, de modo que não serão o objetivo deste artigo.

É no segundo grupo, que engloba alguns tipos de liberais e conservadores, que está o interesse deste texto.

Normalmente, este grupo é formado por pessoas contrárias (corretamente) ao aumento de impostos. Tais pessoas não possuem a ilusão de que déficits são necessários para estimular a economia. Elas não são keynesianas. Elas não acreditam que uma economia funcional necessita de um governo fornecendo estímulos fiscais ou monetários. E elas sabem que impostos distorcem e desvirtuam a atividade econômica e, consequentemente, afetam o crescimento econômico.

São realmente liberais em economia.

No entanto, elas afirmam que os déficits e o crescente endividamento do governo "não importam" muito. Consequentemente, elas não defendem uma redução do déficit via corte de gastos (muito "politicamente impopular").

Logo, dado que não defendem aumento de impostos e não defendem corte de gastos, elas simplesmente dizem que os déficits (e o crescente endividamento) não apenas são um dado da realidade que deve ser aceito, como também não afetam a economia.

Tais pessoas realmente entendem as consequências negativas dos impostos. Estão corretas neste ponto. E isso faz com que elas aceitem os déficits orçamentários com o argumento de que são preferíveis ao aumento de impostos.

Falando mais especificamente, o argumento é que, ao passo que impostos são coercivos (correto) e retiram recursos do setor privado (correto), investidores emprestarem recursos para o governo é um ato voluntário (correto) e, logo, menos nefasto em termos econômicos.

Consequentemente, tais pessoas fazem a pergunta retórica: por que não financiar o governo por meio de empréstimos feitos voluntariamente em vez de por meio de recursos extraídos coercitivamente, algo que comprovadamente distorce a economia?

Afinal, dado que o governo está financiando suas operações com recursos emprestados voluntariamente em vez de com impostos extraídos coercitivamente, o fardo tributário sobre a economia se mantém inalterado e as distorções econômicas não ocorrem. Adicionalmente, a liberdade individual não é atacada. É uma situação em que todos ganham.

Mas há dois erros graves neste raciocínio aparentemente atraente.

Financiamento via endividamento não mantém a carga tributária inalterada

A primeira falácia fatal é a ideia de que o financiamento do governo via endividamento permite que a carga tributária se mantenha inalterada.

Não é verdade.

O financiamento via endividamento de fato permite que os impostos não tenham de subir hoje, mas isso só é possível porque se torna implícito de que os impostos terão de ser subidos em algum momento no futuro. Dado que o serviço da dívida terá de ser pago, incorrer em mais endividamento hoje significa ter de elevar impostos amanhã.

Uma analogia com um indivíduo é útil. Dizer que os cidadãos estão livres de um futuro aumento de impostos sempre que o governo opta por endividamento (em vez de por um aumento de impostos agora) faz tanto sentido quanto dizer que você está livre da obrigação de pagar caso você compre um carro com dinheiro emprestado em vez de à vista.

Obviamente, quando você compra um carro via financiamento, você está incorrendo em uma obrigação futura. Você terá de pagar essa obrigação. O fato de você ter adiado o momento da quitação do pagamento não significa que você não tem de pagar pelo seu carro. O fato de você não estar pagando por seu carro hoje não significa que o seu carro será pago pelo seu banco, que fez o financiamento. Você irá pagar pelo seu carro com a sua renda futura.

Já os indiferentes ao endividamento do governo respondem dizendo que, ao contrário do dívida privada, que realmente tem de ser quitada, o endividamento do governo nunca tem de ser quitado (toda a esquerda e praticamente toda a direita parecem estar de acordo aqui). Segundo eles, o governo sempre pode rolar a sua dívida. Ou seja, quando ocorre o vencimento de um título do governo, o governo sempre pode emitir outro título e com isso arrecadar o dinheiro necessário para quitar o título vincendo.

Logo — prossegue o argumento —, os gastos de ontem do governo, feitos à época com empréstimos voluntários concedidos por investidores ao governo, não são quitados pelos pagadores de impostos de hoje. Igualmente, os gastos de hoje do governo serão financiados por empréstimo voluntários feitos ao governo, e não terão de ser quitados pelos pagadores de impostos do futuro.

Toda essa dívida que vai se acumulando poderá ser eternamente rolada

Mantendo-se esse arranjo para sempre, os pagadores de impostos nunca serão afetados.

Faz realmente sentido acreditar neste moto-perpétuo?

É claro que o governo pode rolar sua dívida. Com efeito, ele faz isso frequentemente. Ou seja, o governo não só pode, como frequentemente ele quita sua dívida vincenda emitindo mais dívida. Ele quita parte de sua dívida com mais empréstimos. Mas o governo só consegue fazer isso porque os credores corretamente entendem que ele tem o poder de tributar.

Assim como um banco só concede a você um empréstimo para comprar um carro porque ele entende que você tem a capacidade de auferir uma renda e, com isso, a capacidade de quitar sua dívida, os credores compram títulos do governo somente porque entendem que o governo tem o poder de tributar e, com isso, a capacidade de quitar suas dívidas.

A necessidade de o governo ter de quitar suas dívidas é mascarada, na prática, pelo fato de o governo ser capaz de rolar com frequência suas dívidas. E dado que a longevidade de um governo é muito maior que a de um ser humano, o governo consegue rolar sua dívida por mais tempo que qualquer pessoa.

Mas para entender por que a capacidade do governo de rolar sua dívida depende totalmente da sua capacidade de tributar, faça a si mesmo a seguinte pergunta: se o governo repentinamente perdesse seu poder de tributar (inclusive a capacidade de imprimir moeda, que nada mais é do que um imposto, no caso, um imposto inflacionário), você emprestaria dinheiro para o governo? Você compraria os títulos da dívida do governo (via Tesouro Direto, por exemplo)? 

Ainda que você responda que sim, você realmente acredita que, sem o poder de tributar, todos os outros credores também continuarão emprestando para o governo? Mais ainda: você continuaria emprestando para o governo se você não estiver confiante de que outros emprestarão para ele no futuro? Lembre-se: se, no futuro, outros não emprestarem para o governo, você simplesmente levará calote quando os títulos públicos em sua posse vencerem.

Assim que os credores passarem a acreditar, generalizadamente, que o governo não mais tem poder de "receita" — ou seja, que o governo não mais tem o poder de tributar —, eles irão emprestar para o governo o mesmo tanto que emprestariam para um condenado com prisão perpétua sem chance de condicional.

Qualquer promessa de que esse prisioneiro poderá pedir emprestado na segunda-feira para quitar a dívida contraída no domingo, e depois pegar emprestado de novo na terça-feira para quitar a dívida contraída na segunda-feira, e assim por diante, não será nada convincente. Esse presidiário rapidamente será visto como alguém que não possui nenhuma fonte de renda.

Um governo sem o poder de tributar também não possui fonte de renda. (Um "governo" com um fonte de renda, mas sem o poder de tributar seria uma organização privada, no mesmo nível de uma associação de proprietários.)

Portanto, antes de passarmos para a segunda falácia, sempre tenha isso em mente: a capacidade de um governo de se endividar depende, em última instância, de seu poder de tributar.

Financiamento via endividamento estimula o governo a crescer excessivamente

A segunda falácia é ainda mais irônica: pessoas corretamente contrárias ao aumento de impostos aparentemente não percebem que estão defendendo a expansão estatal ao afirmarem que déficits não importam.

O tamanho dos gastos do governo não é independente dos meios utilizados para financiar esses gastos.

Especificamente, dado que a capacidade de o governo se endividar permite que os políticos e pagadores de impostos de hoje possam passar a conta dos gastos estatais atuais para os pagadores de impostos futuros, o custo de políticos e pagadores de impostos atuais expandirem o estado hoje é menor do que seria caso o governo não conseguisse se endividar.

A capacidade e a facilidade de se endividar, portanto, subsidia expansões no tamanho do governo. Ademais, dado que os recursos gastos hoje serão quitados pelos pagadores de impostos futuros, há todos os motivos para se acreditar que os gastos estatais atuais serão ainda mais esbanjadores e pródigos do que seriam caso o governo não tivesse essa capacidade.

Daí a grande ironia de "liberais, conservadores e direitistas" que se dizem anti-estado mostrarem indiferença aos déficits: se realmente fosse verdade que o governo pode se endividar indefinidamente, sem realmente depender dos futuros pagadores de impostos, então a taxa de crescimento do tamanho do governo, e consequentemente sua influência sobre a economia, aumentaria ainda mais do que já aumenta hoje.

Políticos, ao se darem conta de que podem conseguir empréstimos dos credores sem terem de se preocupar com a quitação dessa dívida e nem com nenhum aumento de impostos, passariam a ser ainda mais pródigos com o orçamento, e com isso acabariam sugando para o estado cada centavo disponível na economia, asfixiando o financiamento para investimentos privados, aniquilando a economia produtiva e ampliando o estado para todas as searas de nossas vidas. 

Aqueles cidadãos que se opõem a um estado inchado teriam ainda mais dificuldades para oferecer resistência a essa expansão do poder estatal.

Para concluir

Dada a existência de uma organização que pode legalmente iniciar o uso de força física, deveríamos ser gratos pelo fato de essa organização não ter um acesso tão fácil e irrestrito aos nossos recursos, ao contrário do que acreditam aqueles que dizem que déficits não importam.

E uma gratidão extra e especial deve ser expressada por aqueles de nós que somos totalmente céticos quanto às intenções e capacidades do estado. 

Falando de maneira mais prática, nós, céticos quanto aos poderes de um governo, jamais deveríamos parar de alertar quanto aos perigos dos déficits e do crescente endividamento do governo. Mostrar indiferença aos déficits e à dívida reduz os custos para os políticos expandiram o tamanho e o escopo do governo.

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autor

Donald Boudreaux
foi presidente da Foudation for Economic Education, leciona economia na George Mason University e é o autor do livro Hypocrites and Half-Wits.


  • Bruno Souza  07/07/2020 19:33
    Perfeita a explicação. Nos EUA é muito comum ver direitistas dizendo que "deficits don't matter", mas só em governos republicanos. Ninguém criticou a explosão dos déficits do Trump.

    Aqui no Brasil, até ano passado ainda havia algum esforço para reduzir os déficits (mas sempre pela via do aumento de impostos). Agora, pós-pandemia, tudo foi pro espaço.

    Até a turma que criticava os déficits da Dilma (como Mônica de Bolle e asseclas) hoje passou a exigir déficits ainda maiores para "salvar a economia".

    São pouquíssimos os que mantêm a coerência.
  • Bruno Souza  07/07/2020 19:35
    Excelente. Já discuti bastante esse assunto até mesmo com pessoas esclarecidas, e elas nunca parecem entender o ponto. Elas juram que a dívida do governo é um problema pontual e que não afeta ninguém. Mais até, elas acham que é algo "socialmente bom", pois permite o governo gastar mais do que arrecada com impostos. Para elas é uma opção indolor: o estado pode gastar mais sem ter de tributar ninguém.
  • Gustavo  07/07/2020 19:43
    Tem muito supply-sider que fala isso: se os juros de longo prazo estão baixos, então é porque os credores não estão preocupados com a capacidade do governo de quitar os empréstimos.

    Aparentemente, não levam em consideração que o "investimento" em títulos do governo pode ser também uma especulação de curto prazo, como eu mesmo faço. Eu compra títulos públicos de longo prazo, mas não tenho nenhuma expectativa de levá-los até 2045. Meu intuito é embolsar lucros e vender tudo tão logo minha meta seja atingida.

    Se eu compro hoje um título com vencimento em 2045 para vender daqui a dois anos, não estou preocupado com a solvência do governo em 2045. A maioria pode também estar fazendo a mesma coisa que eu, de modo que é falsa a tese destes supply-siders de que os juros baixos indicam que o governo segue gozando de credibilidade.
  • Humberto  07/07/2020 19:49
    Esse fenômeno dos juros longos historicamente baixos (ao redor do mundo) só ocorre porque os BCs estão imprimindo moeda e porque ainda há demanda para os títulos.

    A demanda continuará, mas é de se duvidar que a dívida continuará sendo rolada infinitamente com juros baixos. Em algum momento surgirá outro ativo mais seguro e rentável (para mim, já existe e é o ouro), o que diminuirá a demanda por títulos públicos.

    Aí os juros terão de subir. Junto com os impostos.
  • Gabriel  07/07/2020 20:58
    Importante por os pingos nos is.
    Gustavo, se vc compra título 2045 pra vender daqui a dois anos é porque, sendo vc racional, espera que haja um aumento nos preços dos títulos, que só ocorrerá se houver queda dos juros, que por sua vez só ocorrerá se houver uma confiança ainda maior dos agentes nos papéis do governo, que por sua vez só ocorrerá se acreditarem na capacidade de pagamento governamental. Logo, o que vc disse é ilógico.
    Humberto, sinto lhe trazer essa notícia mas o "o outro ativo mais seguro e rentável que surgirá" citado por vc que é o ouro já existe há pelo menos alguns milênios. Logo querer dizer que o ouro vai drenar os recursos que hoje vão pros títulos é espetacularmente insustentável
  • Trader  07/07/2020 21:16
    "se vc compra título 2045 pra vender daqui a dois anos é porque, sendo vc racional, espera que haja um aumento nos preços dos títulos, que só ocorrerá se houver queda dos juros, que por sua vez só ocorrerá se houver uma confiança ainda maior dos agentes nos papéis do governo, que por sua vez só ocorrerá se acreditarem na capacidade de pagamento governamental."

    Errado. Para o curto prazo, uma queda da inflação reduz os títulos do governo. Mais impressão monetária também reduz (operação twist).

    Até mesmo uma recessão econômica pode reduzir.

    Há vários fenômenos de curto prazo que influenciam muito mais diretamente toda a curva de juros do que a solvência do governo, a qual só preocupa no longuíssimo prazo. Aliás, dado o aumento de impostos nunca foi descartado (ao contrário, é a praxe), então não há, no curto prazo, preocupação nenhuma com a solvência do governo.

    E, pelo que entendi, essa é exatamente a crítica feita pelo artigo: quem defende endividamento está, indiretamente, defendendo maior tributação.

    "Logo, o que vc disse é ilógico."

    Demonstrado que não. Já o seu raciocínio foi incompleto (mas tudo bem, isso não é crime nenhum).

    "Humberto, sinto lhe trazer essa notícia mas o "o outro ativo mais seguro e rentável que surgirá" citado por vc que é o ouro já existe há pelo menos alguns milênios."

    Sim, e não pára de encarecer, o que demonstra que a demanda por ele é maior que a oferta. Logo, o raciocínio se mantém.

    "Logo querer dizer que o ouro vai drenar os recursos que hoje vão pros títulos é espetacularmente insustentável"

    Ele não disse que vai drenar, mas sim que vai competir e, consequentemente, diminuir a demanda por títulos públicos, o que, por definição, significa que terá de haver uma elevação dos juros.
    Já você está afirmando que isso nunca vai acontecer.

    A pergunta é: você mantém essa afirmação para todo o sempre?

    Colocando de outra forma: você jura que será assim para todo o resto da história da humanidade? Nunca vai mudar?

    É disso que se trata.

    O Humberto está dizendo que o cenário vai mudar. Já você está dizendo que será assim para sempre. Ousado…
  • firmino  07/07/2020 20:37
    Não acho que procede. A menor dívida pública e déficit público da região em relação ao PIB é o Paraguai, apesar de estar em boa situação econômica não se vê nenhum milagre de investimentos por lá que não ocorra em um país com hábitos moderados de endividamento.

    Sem o gasto do governo local os investidores colocam seu dinheiro em bancos locais que compram títulos dos países perdulários ao lado, Brasil.
  • Lopez  07/07/2020 20:44
    O Paraguai nunca teve estabilidade política e nem institucional. Nunca houve segurança jurídica e respeito a contratos. E sua dívida pública só é baixa porque o governo historicamente sempre recorreu à inflação monetária para pagar suas contas.

    Querer que haja investimentos explosivos em um cenário como este é ser muito ignorante em economia básica.

    Apenas muito recentemente é que as coisas começaram a se estabilizar por lá. E, veja só, os investimentos estão crescendo fortemente. Triplicou de 2008 até hoje.
  • firmino  07/07/2020 21:22
    você acabou confirmando exatamente o que ocorrerá se o Governo Brasileiro se tornar um exemplo de sobriedade fiscal, não há histórico de estabilidade política e institucional que alicerce investimentos de infra-estrutura e de longo prazo, investidores vão comprar títulos de outros países perdulários da região, como Argentina.
    A propósito há outro país na região com baixo individamento e paga juros ínfimos, o Peru, seus investidores fazem empréstimos à perdulária Colômbia e o devasso Equador.
  • Amante da Lógica  07/07/2020 21:41
    "você acabou confirmando exatamente o que ocorrerá se o Governo Brasileiro se tornar um exemplo de sobriedade fiscal, não há histórico de estabilidade política e institucional que alicerce investimentos de infra-estrutura e de longo prazo, investidores vão comprar títulos de outros países perdulários da região, como Argentina."

    Peraí, eu devo estar ficando maluco. Deixa eu ver se entendi bem.

    Você está dizendo que o Brasil não possui "histórico de estabilidade política e institucional que alicerce investimentos de infra-estrutura e de longo prazo", e, logo em seguida, diz que se o governo passar a apresentar um orçamento equilibrado tudo irá piorar ainda mais, pois os investidores fugirão para a Argentina?

    Que bosta de teoria é essa que diz que, se o governo se tornar mais previsível e parar de sugar dinheiro do setor privado, a situação ficará ainda pior?!

    Por essa sua brilhante lógica, a solução para um país que possui pouco estabilidade política e institucional seria ter um governo que destrói completamente o orçamento, pois, assim, tamanha destruição orçamentária garantirá que os investidores os financiem? Ué, mas se a instabilidade é alta e as instituições são fracas, quem será o idiota a emprestar dinheiro para esse governo?

    Entenda apenas esse básico: déficits orçamentários sempre geram o temor de que o governo irá elevar impostos no futuro. Contas desarranjadas não duram por muito tempo. Se o orçamento do governo está deficitário, o empreendedor sabe que o ajuste futuro muito provavelmente será via aumento de impostos. E aumento de impostos sempre gera custos adicionais às empresas, mudando totalmente o cenário no qual elas basearam seus planos de investimentos.

    Empresas planejam a longo prazo. Investimentos produtivos são investimentos de longo prazo. Um aumento-surpresa de impostos gera custos adicionais no longo prazo e altera totalmente o cenário no qual as empresas inicialmente basearam seus planos de investimentos. Elementos como previsibilidade, facilidade de empreender e custo tributário são cruciais. Mudanças abruptas alteram todo o planejamento das empresas e inibem seus investimentos. Como investir quando não se sabe nem como serão os impostos no futuro?

    E aí vem você e diz que, se um país tem instabilidade política e institucional, ele estará em melhor situação com um governo que destrói o orçamento do que um governo mais fiscalmente responsável?

    Gentileza apontar um mísero país em isso tenha ocorrido.

    "A propósito há outro país na região com baixo individamento e paga juros ínfimos, o Peru, seus investidores fazem empréstimos à perdulária Colômbia e o devasso Equador."

    É mesmo? Então coloca aí as fontes. Gentileza mostrar que o Peru piorou a sua situação devido a ter um governo mais fiscalmente responsável (o que só ocorreu a partir de meados década de 2000).

    Aliás, eis a evolução dos investimentos no Peru: dispararam exatamente a partir de meados da década de 2000:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/peru-gross-fixed-capital-formation.png?s=perugrofixcapfor&v=202008261016v&d1=19170101&d2=20201231

    Exatamente quando seu governo se tornou fiscalmente responsável, zerando os déficits e tendo superávits:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/peru-gross-fixed-capital-formation.png?s=perugrofixcapfor&v=202008261016v&d1=19170101&d2=20201231

    Desculpe, mas, já que você evocou o Peru, saiba que lá, na prática, ocorreu exatamente o oposto da sua teoria asinina.
  • Felipe  07/07/2020 20:44
    Pela lógica do firmino, se a dívida do governo do Paraguai estivesse em 100% do PIB, a economia seria uma potência…
  • Vladimir  07/07/2020 20:45
    A Estônia tem uma das menores dívidas/PIB do mundo (ínfimos 8%). Como consequência, não só o governo não tem de ficar rolando dívida, como ainda sobre dinheiro para investidores investirem na economia privada.

    Aí o resultado é esse aqui.
  • Herzog   08/07/2020 02:25
    Pela lógica do firmino, se a dívida do governo do Paraguai estivesse em 100% do PIB, a economia seria uma potência

    Errado. Pela lógica se a dívida estivesse em 1% ou 100% isso seria irrelevante.
    O ponto chave é justamente a irrelevância do nível de dívida

    A Estônia tem uma das menores dívidas/PIB do mundo (ínfimos 8%). Como consequência, não só o governo não tem de ficar rolando dívida, como ainda sobre dinheiro para investidores investirem na economia privada.

    O ensino lá eh público gratuito e abrangente a todos. Além disso, os professores decidem a pauta educacional, aqui isso eh visto como o problema dos esquerdistas fazendo proselitismo.
    Além disso estão no euro, não usam currency board
  • Mauro Lopes  08/07/2020 14:17
    "Pela lógica se a dívida estivesse em 1% ou 100% isso seria irrelevante. O ponto chave é justamente a irrelevância do nível de dívida"

    Estou aberto a novas ideias. Se a dívida pública é absolutamente irrelevante, e em nada importa se é de 1% ou de 1.000.000% do PIB, então por que os governos não abolem os impostos e vivem exclusivamente de endividamento?

    Ao meu ver, seria um arranjo imbatível e politicamente muito apetitoso. Apenas imagine políticos poderem fazer o que quiserem, gastar o tanto que quiserem, com o que quiserem, e sem terem de recorrer a impostos? Parece uma quimera.

    Logo, por que nenhum país faz isso?

    Pergunta sincera mesmo, sem pegadinhas.

    "O ensino lá {Estônia} eh público gratuito e abrangente a todos."

    No Brasil também. Aqui no Brasil, se você quiser, vai do maternal ao pós-doutorado sem pagar nada.

    É possível fazer jardim de infância, ensino fundamental e ensino médio em escolas públicas municipais e estaduais (ou em escolas militares) e curso superior em universidades federais.

    Logo, dizer que o diferencial da Estônia é ter "educação pública" me parece algo pra lá de desarrazoado.
  • Daniel Cláudio  08/07/2020 14:18
    "se a dívida estivesse em 1% ou 100% isso seria irrelevante. O ponto chave é justamente a irrelevância do nível de dívida"

    Entenderam agora o perigo da ignorância econômica?
  • YURI - SÃO CARLENSE  09/07/2020 01:44
    Essa eu dei risada.

    A maioria dos leitores daqui sempre defendeu liberdade de pauta na educação.
    Todos são contrários a imposição curricular do MEC. Um currículo obrigatório imposto pelo estado é algo fortemente combatido por aqui.
    Quem é contra a desregulamentação educacional e não gosta de liberdade de pauta no ensino é a esquerda.

    "Os socialistas não gostam que pessoas comuns escolham, pois elas podem não escolher o socialismo."
  • Ulysses  07/07/2020 21:46
    O teto de gastos ainda será abolido. E será para permitir mais benefícios para os funças, como comprova a notícia abaixo.

    "Aras obtém no TCU revisão do teto de gastos para pagar auxílio-moradia retroativo ao MP"

    www.oantagonista.com/brasil/aras-obtem-no-tcu-revisao-do-teto-de-gastos-para-pagar-auxilio-moradia-retroativo-ao-mp/

    E ainda terá "liberal" dizendo que tá de boas ter déficits.
  • Bruno  08/07/2020 01:01
    Certa vez fui a Brasília e fiz uma visita guiada ao Congresso. Obtive a informação de que apenas lá trabalhavam 8 MIL SERVIDORES! Num prédio! É insustentável.

    Pior: o Congresso Nacional possui orçamento maior do que o de 95% dos municípios do Brasil. Tem noção do que é isso?
  • Alexandre   08/07/2020 01:16
    O maior lobby em Brasília é o lobby do funcionalismo estatal. Mandam no país desde 1822. Sem nenhuma chance de ocorrer qualquer medida que os desagrade.
  • Ex-microempresario  07/07/2020 22:27
    "...o que ocorrerá se o Governo Brasileiro se tornar um exemplo de sobriedade fiscal"

    Se isso ocorrer eu acho que o universo acaba.
  • Joao  07/07/2020 23:05
    O endividamento do governo não importa, desde que não cause inflação, se for em moeda nacional, caso do Brasil. O problema é a inflação, não dívida. Esta é só número eletrônico. Aquela é um fenômeno real preocupante.

    Sendo assim, não há como ter insolvência no Brasil. No limite, se nenhum investidor mais quiser comprar título do tesouro, há ainda o BB, que participa do mercado primário de títulos públicos, e que pode absorver as vendas do Tesouro e revender para o BC, o qual controla a criação eletrônica de moeda. Ou seja, não há como haver uma situação em que o Tesouro não consiga mais vender títulos nem rolar sua dívida e tenha que dar calote. Então repito, não há risco de insolvência.

    E quanto à inflação? Num cenário em que o Tesouro emita demais, gaste demais, e o dinheiro efetivamente entre na economia real em abundancia, havendo pressão inflacionária, aí sim teríamos que nos preocupar e tomar medidas de contenção fiscal. Porém esse cenário não é o problema agora, ao contrario, o Brasil está há 2 meses em deflação.

    Antes de nos preocuparmos com risco de inflação, deveríamos nos preocupar em recuperar a economia, gastar o que for necessário para fazer frente a nossa recuperação, ajuda às empresas e pessoas. Só depois da economia passar por uma queda grande de ociosidade, do desemprego e viver um boom, começaria a haver pressão inflacionária. Então seria hora de nos preocuparmos com a dívida e o deficit, não por eles em si, que são só números, mas pelo excesso de demanda.

    Isso aí é tudo verdade para um país com moeda forte, o qual pode gastar como se não houvesse amanhã, até o momento em que comece a ter inflação. Para um país emergente , o mercado pode encrencar e tentar desvalorizar a moeda nacional. Então teríamos esse risco , ao adotar a estratégia de gastar o que for preciso para recuperar a economia brasileira. Porém acho que siso é contornável com uso das reservas e pactuando com o mercado que vamos gastar muito agora, mas quando a coisa voltar ao normal e a economia engrenar de vez, voltaríamos a ter preocupação como controle de gastos. Assim poderíamos gastar, fazer deficit pesado e aumentar a dívida sem sofrer ataque especulativo do mercado e socorrer as empresas e pessoas.
  • Vladimir  07/07/2020 23:34
    "O endividamento do governo não importa, desde que não cause inflação, se for em moeda nacional, caso do Brasil. O problema é a inflação, não dívida. Esta é só número eletrônico. Aquela é um fenômeno real preocupante."

    Vou deixar passar, por enquanto. Mas vejamos o que virá a seguir.

    "Sendo assim, não há como ter insolvência no Brasil. No limite, se nenhum investidor mais quiser comprar título do tesouro, há ainda o BB, que participa do mercado primário de títulos públicos, e que pode absorver as vendas do Tesouro e revender para o BC, o qual controla a criação eletrônica de moeda."

    Já se contradisse espetacularmente. Se ninguém mais quer comprar os títulos do governo, então, em primeiro lugar, os juros já explodiram. Em segundo lugar, a moeda, por definição, já perdeu todo o seu valor, e já se está em hiperinflação.

    Se ninguém mais aceita investir naquele que, em tese, é o investimento mais seguro do país, então é porque não se tem mais confiança nenhuma na moeda. Se houvesse confiança na moeda, o investimento mais seguro do país teria demanda. Se não tem, é porque ninguém mais confia que irá receber, no futura, uma moeda com um mínimo poder de compra.

    No arranjo de papel-moeda fiduciário, o que em última instância garante algum poder de compra à moeda é exatamente a solvência do governo que a emite. Se o governo emissor da moeda perde sua solvência (pois ninguém quer comprar seus títulos), então a própria moeda perde sua razão de existir. O lastro dessa moeda (os títulos públicos) caiu a um valor zero. A moeda perdeu sua função. E os agentes econômicos passam a se dolarizar ou a usar qualquer outra moeda de um governo menos fodido.

    Aí já se está em hiperinflação, o que refuta o seu próprio primeiro parágrafo.

    Não foram necessários mais do que dois parágrafos para você se contradizer espetacularmente.

    Nem perdi o tempo de ler o resto. Se a premissa inicial já é falha, não há como se aproveitar qualquer coisa que venha depois.
  • Joao  08/07/2020 03:22
    A demanda por títulos públicos no Brasil é muito grande e não há outra opção senão títulos públicos para a maior parte da poupança das empresas e família, por serem esses ativos mais seguros, de modo que prefere-se perder um pouco na maioria das vezes ou ganhar próximo de zero , optando por segurança a arriscar-se em ativos de maior risco como ações.

    Isso acontece no mundo todo. Por isso governos estao emitindo volumes imensos a juro negativo e conseguem vender sem problema.

    Daí eu reafirmar que nosso Tesouro tem ainda espaço imenso para emitir títulos e reservas grandes para defender nossa moeda. Porém, repito, precisa se pactuar com o mercado que a emissão e crescimento maciço da dívida seria temporário, até a economia recuperar-se. A outra opção é deixar a economia afundar, pessoas ficarem sem renda nenhuma e empresas falirem. Ngm quer isso.

  • Imperion  08/07/2020 03:22
    O mercado desvalorizar a moeda? Vc tem idéia da inverdade que falou?
    Quem desvaloriza a moeda é o proprio governo, ja que é ele quem cria a moeda.
    O mercado lida apenas com a producao nacional usando a moeda que o governo obriga a usar
  • Luan  08/07/2020 00:32
    Em tempos como esses é que vemos quem são os verdadeiramente defensores de suas ideias. Cheguei do trabalho e li sobre o que Rodrigo Maia falou. Será que vai ter um fim nessa expansão excessiva do Estado? Será que ninguém percebe como o Estado está fazendo com nossos direitos básicos, principalmente a liberdade? Não vejo uma melhora no cenário do Brasil, seja em termos econômicos e políticos. Quanto tempo Guedes vai aguentar aos devaneios dos políticos? Ou será ele também um 'Ditador - Socialista' ?
  • Vladimir  08/07/2020 01:09
    Embora seja aparentemente um "fiscalista", Guedes defende aumento de impostos para equilibrar o orçamento.
    Ele é contra déficits porque acredita que com menos déficits os juros caem (o que tende a ser verdadeiro), mas para ele não há problema nenhum em conseguir equilíbrio orçamentário via aumento de impostos (por isso ele vive falando em ressuscitar CPMF).

    Ou seja, na prática mesmo, ele não defende a redução do estado.
  • Vladimir  08/07/2020 01:06
    Apenas complementando:

    O que realmente importa para uma economia não é o tamanho do déficit orçamentário do governo, mas sim o total dos gastos do governo — ou seja, a quantidade de recursos que o governo retira do setor privado e desvia para suas próprias atividades.

    Muito embora um orçamento equilibrado seja importante, ainda mais essencial é não haver aumento de gastos. Por isso, o objetivo de se equilibrar o orçamento do governo pode ser uma política errônea.

    Por exemplo, se o governo planeja gastar $3 trilhões e planeja financiar esses gastos por meio de $2 trilhões em impostos, haverá um déficit de $1 trilhão. Isso significa que, além dos impostos de $2 trilhões, o governo terá de arrumar outros meios para financiar o $1 trilhão restante, e ele normalmente o fará por meio de endividamento.

    Dado que o governo certamente irá obter esse $1 trilhão restante, pode-se concluir que o que realmente importa são os gastos de $3 trilhões, e não o déficit de $1 trilhão.

    Se o governo elevar impostos e consequentemente conseguir obter receitas de $3 trilhões, isso o deixaria com um orçamento equilibrado. Mas isso seria positivo? Isso por acaso alteraria o fato de que ele ainda está se apossando de $3 trilhões em recursos do setor produtivo?

    Um aumento nos gastos do governo desencadeia um aumento no confisco de recursos do setor produtivo, desviando esses recursos para as atividades não-geradoras de riqueza do governo. Isso gera empobrecimento econômico.

    Dado que o governo não é uma entidade geradora de riqueza, quanto mais ele gasta mais recursos ele retira das atividades que genuinamente geram riqueza. Consequentemente, isso solapa todo o processo de geração de riqueza da sociedade. Sendo assim, o que realmente importa para a economia é o total de gastos do governo.
  • Marcelo  08/07/2020 01:13
    E eis como cortar gastos de maneira factível:

    1 - Manter apenas o Ministérios da Defesa, Fazenda, e Relações Exteriores. Fechar todos os demais;

    2 - Fechar o BNDES e converter todos os seus ativos em renda da União para pagar a dívida pública.

    3 - Privatizar: Petrobras, Banco do Brasil, Correis, Caixa Econômica, e todas as demais estatais;

    4 - Privatizar todas a universidades federais;

    5 - Privatizar todas as estradas federais:

    6 - Reforma política: extinguir 90% dos cargos políticos com respectivos cargos de assessoria e demais equivalentes. Isso sim é reforma política;

    7 - Privatizar portos e aeroportos federais;

    8 - Acabar com o FGTS e pagar o saldo da conta aos devidos correntistas;

    9 - Fechar Anatel, Anvisa, Anac e todas as demais agências reguladoras;

    10 - Permitir livre concorrência e todos os setores da economia onde havia monopólio ou forte intervenção do Estado.

    11 - Novo Plano Real: Lastrear nossa moeda ao ouro.

    12 - Estabelecer Free Banking.

    13 - Novo Pacto Federativo: Deixar bem claro quais são as atribuições do Governo Federal, Estados e Municípios.

    14 - Reforma tributária: Após esse corte de gastos e deveres do governo federal para com "os mais pobres", extinguir e baixar ao máximo os impostos.

    15 - Revogar leis e regulamentações em disposição contrária ao livre mercado.

    Apenas os itens 3 e 4 dependem de negociação com o Congresso.

    Se fizer o resto, nunca mais haverá preocupação com déficit e com dívida.
  • Felipe L.  08/07/2020 01:51
    Seria sonho demais ter real atrelado ao ouro. Seria quase na época em que o Brasil usava réis.
  • Motorista do Sr. Mises  08/07/2020 03:47
    Faltou a reforma trabalhista e a desoneração dos empresários com a folha de pagamento ja q a geraçao de empregos aumentaria a arrecadação sobremaneira. Acabar com a CLT. Dinamitar o congresso com pastilhas valda. Endireitar os esquerdistas e abolir o dízimo o qual não deixa de ser um imposto para entrada no além-mundo, coisa aliás q nem existe. Antes q digam q o dízimo nao é um imposto pois ninguém vai preso por nao pagar o dízimo eu argumento q ninguém vai preso por nao comprar uma barra de cereal, mas se resolver comprar o imposto estará lá, goste vc ou não.
  • Intruso  08/07/2020 15:40
    Colocaria aí no pacote a não existência de municípios com menos de 10.000 habitantes e também a inexistência de estados nanicos como Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba.
  • Felipe L.  08/07/2020 17:09
    Acho que poderia sim haver municípios pequeninos. Mas tem que dar autonomia a eles e parar com esses mimos que temos hoje com o Brasil. Se o prefeito quebrar as finanças, deixa quebrar e acabou.

    Municípios pequenos são ainda alguns dos últimos bastiões de subsidiariedade neste país.
  • Felipe L.  08/07/2020 02:09
    Esse déficit deste ano no Brasil de quase R$ 1 trilhão é algo que faz qualquer obra pornográfica pesada parecer um filme de animação infantil.

    Parece uma pergunta idiota mas como funciona na Venezuela?

    "Como assim essa pergunta, Felipe?"

    O governo venezuelano já caloteou os estrangeiros e quase nenhuma pessoa de fora vai emprestar dinheiro para o governo do Maduro. Mas e os domésticos? Há algum tipo de mercado de títulos de dívida interna? Com uma moeda de valor menor do que as cédulas do Banco Imobiliário, haveria como o governo se financiar com juros astronômicos? No governo brasileiro, historicamente, houve até alguns anos com taxas de juros anuais na casa dos milhares.

    Aqui no Brasil, por exemplo, foi só depois do PAEG no governo Castello Branco, que o governo acabou se tornando mais dependente dos títulos que ele emite, pois antes uma maior fatia de seu financiamento era pelo senhorio (imprimir dinheiro).
  • Ex-microempresario  08/07/2020 19:05
    Uma vez perguntaram para o Roberto Campos se o Brasil corria o risco de falir. Ele respondeu:

    "Países não podem falir. Países apenas sofrem."
  • Imperion  09/07/2020 00:29
    Pais pode falir e, quando acontece, perde território. Acaba encolhendo. Antigamente tinha muita dança das fronteiras.
  • Ex-microempresario  09/07/2020 14:21
    Questão de semântica. Para uma empresa privada, falir significa encerrar as operações. Um país não pode fechar ou deixar de existir. Mas pode, assim como uma empresa endividada, perder patrimônio, inclusive território, embora hoje em dia isso seja considerado "fora de moda".
  • Felipe L.  08/07/2020 13:58
    "Juro baixo e câmbio depreciado permanecerá por um tempo, diz Campos Neto"

    Esperem câmbio afundar mais.

    E você que é informal, está proibido de trabalhar e agora está no auxílio emergencial e sem poder usar a esmola, pode esperar que você também vai se ferrar. Exportadores de commodities agradecem (os americanos vão consumir cafés brasileiros de ponta, europeus vide...).
  • Sadib  08/07/2020 15:00
    Achei muito bem escrito, e poderia facilmente compor um dos artigos aqui no Mises
    www.infomoney.com.br/colunistas/aod-cunha/o-oasis-do-funcionalismo-publico-brasileiro-na-crise/
    Que mais impressiona (ou não) é a quantidade de funças que apareceu pra criticar, o pessoal ta de férias em casa em casa, navegando na internet com o dinheiro dos desdentados.
  • Alexandre  08/07/2020 15:50
    Funças são extremamente bem coordenados. Quando sai um (raro) artigo na grande mídia criticando seus privilégios (pagos pelos desdentados), eles imediatamente acionam seu exército de desocupados (o que equivale a 100% daqueles que ocupam cargos no alto escalão) para tentar intimidar o autor.

    Trata-se do maior e mais poderoso lobby do país. Mandam e desmandam nisso aqui desde 1822. Não há nenhuma chance de ocorrer qualquer medida que os desagrade.
  • Felipe L.  08/07/2020 16:05
    Não existe nada igual no mundo em questão de privilégios do funcionalismo. Talvez só em países como a Argentina. Parece um pandemônio. Sem contar que a chance de ser processado por um funcionário estatal é muito maior, além do tal do "crime" de "desacato". Só para se ter ideia, ao passo que nos EUA os juízes americanos ganham 4,56 vezes o salário médio americano, no Brasil os juízes ganham pelo menos 8,42 vezes o salário médio brasileiro (isso se descontar os ganhos extras como "vantagens eventuais").

    De fato, é assim desde 1822. Antes, o funcionalismo ficava em grande parte na metrópole, mas a economia informal no Brasil, apesar de um monte de regulação e proibição, funcionava e estava prosperando e ninguém ligava para os decretos e leis. Isso é algo politicamente incorreto para os monarquistas, mas os dois reinados foram uma porcaria em vários aspectos. No começo da República houve até algumas coisas boas, mas muitas também foram terríveis. Depois do getulismo, aí o nosso país afundou de vez. Nunca mais saímos da mediocridade.
  • Ex-carioca  08/07/2020 20:39
    E o STF recentemente declarou inconstitucional o gatilho de reduçao de jornada e salario em 25% dos servidores pela lei de responsabilidade fiscal
  • Bostileiro  09/07/2020 13:30
    STF com toda sua sabedoria econômica não iria decepcionar.
  • Tadeu  08/07/2020 16:51
    Os funcionários públicos estão trabalhando normalmente. Alguns em home office outros nos seus locais habituais de trabalho.
    Também tem muito trabalhador da iniciativa privada que estão com seus salários normais. Não sei pq a histeria dos liberaloides
  • YURI - SÃO CARLENSE  09/07/2020 02:47
    "Tanto o setor público como o privado têm mais ativos do que passivos externos em moeda estrangeira, respectivamente US$ 234 bilhões e US$ 85 bilhões. O passivo externo líquido das empresas brasileiras é denominado majoritariamente, portanto, em moeda nacional.

    Posto de outra forma, o setor privado liquidamente se beneficia da valorização do dólar no que diz respeito ao seu balanço, isto é, seus ativos se valorizam mais do que seus passivos.

    Dificilmente a desvalorização da moeda nacional face ao dólar teria um efeito negativo generalizado sobre as empresas brasileiras." (Os números provêm do relatório sobre a Posição Internacional de Investimento (PII))
    ------------------------------------------------------------------------------------

    Leandro, como você enxerga a análise acima? É o BC tentando justificar sua política de juros baixos que desvaloriza o cambio, procurando algo de positivo com alta do dólar?
  • Leandro  09/07/2020 14:52
    O raciocínio mostra perfeitamente o tenebroso erro de se agregar dados, em vez de se fazer uma análise causal-realista, partindo do individualismo metodológico.

    O cenário descrito vale para grandes empresas multinacionais. A pequena empresa está excluída. E é exatamente a pequena empresa quem mais sofre. É o pequeno empresário, que vende aqui para dentro, que depende de vários insumos importados para continuar funcionando. É ele quem depende de peças de reposição, de novos computadores, de novos maquinários. É o próprio varejo quem depende de produtos importados para fazer suas vendas.

    Como já discutido repetidamente aqui, o problema da volatilidade cambial nem é a inflação de preços ao consumidor. O problema é a inflação de custos ao produtor.

    Quando há desvalorização cambial, o custo de produção das empresas sobe (insumos mais caros por causa do câmbio). No entanto, não há como repassar esse aumento de custo para os preços, pois os consumidores não irão aceitar pagar mais só porque o dólar subiu (a renda nominal deles não se alterou). E não como haver explosão inflacionária se a população está sem renda.

    Ou seja, os custos de produção sobem (vide o IPA), mas não há repasse para o consumidor (que não tem renda). Logo, a única solução é a empresa absorver os custos.

    Com isso, receitas paradas e custos maiores, as margens de lucro ficam menores. Consequentemente, há menos investimentos, menos contratações e nenhum aumento de salários. Economia fica parada e renda segue estagnada. E aí, obviamente, só surge emprego mal remunerado e informal.

    Isso ocorre por toda economia dominada por micro, pequenas e médias empresas. E estas são as mais afetadas.
  • Alessandro  09/07/2020 15:46
    Por outro lado, se o bem importado fica mais caro, acaba por se ter um incentivo para se produzir em casa. E os insumos dos pequenos empresários não costumam ser dos mais complexos tecnologicamente.
    Desse modo, abre-se assim um espaço para sermos mais eficientes em bens industriais e passarmos a produzir internamente
  • Vladimir  09/07/2020 16:11
    A mesma conversa desenvolvimentista de sempre, a qual nunca se comprovou em lugar nenhum do mundo.

    Pra começar, ainda que ocorresse essa "substituição de importações" (nunca ocorreu), seria um processo extremamente lento. Teria de haver uma completa transformação da indústria e uma total reconfiguração da força de trabalho. Isso seria coisa para mais de três décadas. Gerações inteiras teriam de ser reeducadas e redirecionadas. As pessoas teriam de sair do setor de serviços e voltar ao trabalho insalubre das indústrias. As universidades teriam de oferecer uma explosão de cursos de mecatrônica, mecânica e controle e automação. Acima de tudo: a população teria de querer aprender essas coisas.

    Na prática, você está dizendo que desvalorização cambial gera trabalhadores mais inteligentes e mais produtivos, e empresários melhores. Uma quimera total.
  • Alessandro  09/07/2020 17:16
    Parece que hoje o grosso da população atua só em setores de serviços sofisticados...
    Poderia ser aproveitada essa mdo presente atualmente nos grandes centros urbanos que atuam em "petty services" como manobristas, entregadores, ubers etc e serem direcionados para industria nacional. De quebra vc poderia ajudar a despovoar os grandes centros urbanos atualmente entupidos de pessoas, e ocupar cidades interioranas com mais qualidade de vida e atuando em setores que podemos ser competitivos.
    Lógico, as mudanças nunca são indolores (veja o artigo anterior do site, falando das agruras daquelas pessoas que não souberam acompanhar as inovações da economia), mas são extremamente importantes.
    O modelo que descrevi acima foi exatamente o que ocorreu pos crise de 1930. Diga-se de passagem, o Brasil foi o que mais cresceu em termos per capita apos esse periodo.
    Temos outra crise em curso que pode servir de base para essa mudança e avanços.

    Na prática, o que eu digo, é que vc pode direcionar mao de obra pra setores mais inovativos e de maior valor agregado, assim, abre-se de demanda e cria-se oferta para especializações e aprimoramente profissionais por esses trabalhadores que hoje atuam em setores que pouco conseguem agregar de produtividade (os petty services já citados)
  • Eu entendo o Paulo Guedes  09/07/2020 03:56
    Entenda porque Guedes quer cambio Alto! E ele tem razão:

    Vejam essa última a maravilhosa do Guedes na CNN, AGORA VOCÊS ENTENDEM O PORQUE DO CAMBIO ALTO?
    www.youtube.com/watch?v=5WHA0zU82vE

    Ele quer isso pra acalmar a industria e permitir a abertura da economia junto com o fim dos subsídios. É um TRADE OFF político! Ele confessou praticamente, vejam depois de 1 hora de entrevista. É uma BAITA SAÍDA política pra abrir essa economia e depois mandar os industriais pra casa do chapéu
  • Felipe L.  09/07/2020 15:13
    Câmbio desvalorizado só vai beneficiar alguns certos setores de exportação, como os de commodities, pois o processo de produção é mais enxuto. A indústria brasileira, que em geral já era uma porcaria, vai ser ainda mais asfixiada.

    Mas há algo bom, sim, nisso: para os estrangeiros que irão comprar carne, laranja, açúcar e café brasileiros (que é o que aconteceu principalmente após 2015). Além de eles comprarem mais barato, ainda irão consumir os melhores produtos. Experimente um café brasileiro exportado para os americanos e você verá o quão feitos de idiotas somos pelo estado. Tente exportar uma laranja feia e cheia de cicatriz para um americano que pode comprar laranja da Flórida. Provavelmente vão usar para compostagem.
  • Ninguém Apenas  09/07/2020 15:18
    Doce ilusão... qualquer pessoa com mais de 2 neurônios sabe que o objetivo é aumentar a arrecadação do governo, tanto por monetização quanto pelo bracket creep.
  • Trader  09/07/2020 16:02
    Sobre esse assunto, a maior comprovação está na taxa de desaprovação do governo por faixa de renda e por região.

    A maior desaprovação está exatamente na faixa de renda entre 5 e 10 salários, faixa essa que é formada por pequenos empresários que estão sendo ferrados pelo câmbio, bem como pela classe média que está vendo suas possibilidades de viagens internacionais se desfazerem.

    E a maior aprovação está exatamente no Centro-Oeste, cuja produção e exportação de commodities é extremamente beneficiada pelo dólar caro. Só que estes são uma ínfima minoria.

    www.poder360.com.br/datapoder360/governo-bolsonaro-mantem-aprovacao-estavel-em-40-desaprovacao-e-de-47/

    Enfiaram na cabeça da equipe econômica que moeda fraca é positivo para a economia. Os números provam que não. Se moeda fraca fosse positivo, FHC teria feito sucessor em 2002. E ele próprio não teria sido reeleito em primeiro turno em 1998. E Lula não teria sido folgadamente reeleito em 2006.
  • Felipe L.  09/07/2020 17:20
    Por possível vaidade ou mesmo nacionalismo, a equipe econômica do segundo mandato do FHC, ao invés de adotar Currency Board (curiosamente o André Lara Resende apoiava) ou dolarizar, preferiram se aventurar no câmbio flutuante. E está aí o resultado. Sorte a dos peruanos e equatorianos.

    Falando nisso, quais outros fatores para o fracasso do segundo mandato do FHC? A Crise do Apagão?

    Apesar que não havia algo bom naquele ano de 2002. Além do Lula, tinha quem? O Sr. Burns que sequer apoiava a agenda do FHC.
  • Wesley  13/07/2020 09:14
    Ele aumentou absurdamente a carga tributária para cumprir o acordo com o FMI. A população foi duplamente atacada com uma moeda destruída e mais impostos para pagar. Não é atoa que a a população passou a odiá-lo no segundo mandato e têm lembranças ruins dele. Pois ele começou bem e se queimou no segundo mandato. Não é atoa que o Serra se declarou na época uma oposição ao próprio governo. As opções eram a velha esquerda de sempre. O Ciro e o Lula.
  • Felipe L.  13/07/2020 17:07
    Tem esse relatório do FMI? Por que ele fez isso, tem a ver com a crise asiática?
  • Imperion  13/07/2020 18:04
    www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u53074.shtml
  • Imperion  13/07/2020 15:12
    A crise do apagão não foi a causa, mas a consequência. Mas estourou com ele, logo na aparência a culpa é dele.
    FHC, ao desvalorizar o câmbio, agiu contra o próprio plano real. As perdas obviamente atraíram os olhares das pessoas contra essa prática. Mas grande parte do ódio contra FHC era propaganda da esquerda pra dar força ao Lula ou Ciro Gomes. Sujo falando do mal lavado.

    FHC foi um presidente tão ruim quanto seus antecessores e sucessores, já que suas práticas foram "mais do mesmo" em relação às políticas econômicas que o Brasil sempre insiste em repetir várias e várias vezes. Critica-se o governo FHC, mas seus críticos estão louquinhos pra chegar ao poder pra fazer as mesmas coisa que ele, mesmo que travestidas de outras coisas.
  • Felipe L.  13/07/2020 17:11
    Como essa crise do apagão começou a surgir?
  • Menino da TI que não trabalha na TI  09/07/2020 15:38
    [OFF]

    Alguém aí da área de TI (ou qualquer outra) poderia me ajudar? Fiz quatro semestres de ciência da computação, tranquei e estou seguindo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas via EAD, além disso estou estudando estatística e Machine Learning de modo totalmente autodidata, e ainda faço cursos online na área eventualmente. Apesar disso, venho até o momento falhando miseravelmente em conseguir qualquer oportunidade de trabalho na área, nem mesmo uma entrevista.

    Tenho Github onde posto pequenos programas que faço, majoritariamente implementações de algoritmos de Machine Learning que faço para melhorar meu entendimento do algoritmo após aprender sobre.

    Fora isso também tenho LinkedIn com todas as informações atualizadas e tudo certinho. Mas quando envio currículo ou me candidato à uma vaga por outros meios eu quase nunca recebo sequer uma resposta.

    Alguém saberia me dizer o que falta ou o que estou fazendo errado?
  • Imperion  09/07/2020 18:55
    Se vc quer emprego, a meu ver não está fazendo errado. Continue mandando currículos. Mas atualmente, ao contrário do que dizem , não tem vaga.

    Então amplie seus horizontes, faça projetos, abra sua empresa. Não seja empregado, seja empreendedor.
    Como está fazendo curso, é novato. Então melhor fazer projetos e mostrar ao mundo. Porque em todas as áreas está saturado de estudantes recém-saídos das escolas e cursos, mas que não sabem fazer o que uma empresa quer.
    Quando conseguir uma chance, seja produtivo. 


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