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Questão de lógica: defender o livre mercado é ser contra os interesses de vários megaempresários
Estes gostam mesmo é do intervencionismo, arranjo no qual eles prosperam

Os inimigos do livre mercado frequentemente fazem dois ataques: primeiro, eles dizem que tal arranjo é o favorito dos grandes empresários; em seguida, dizem que os defensores do livre mercado trabalham a soldo deste grande empresariado, defendendo seus interesses.

De maneira caracteristicamente conspiratória, eles se apressam em descrever o libertarianismo — a filosofia que defende o livre mercado — como sendo um conjunto de teses criadas ad hoc para beneficiar a plutocracia: impostos baixos ou nulos, ausência de leis trabalhistas, ausência de regulamentações sobre a economia, oposição à tributação, oposição às leis antitruste etc. 

O curioso, no entanto, é que se todas as propostas defendidas pelos adeptos do livre mercado de fato fossem colocadas em prática, os grandes empresários seriam exatamente os mais afetados e prejudicados por elas.

E isso é puramente lógico.

Para começar, a acusação de que o livre mercado defende os interesses dos grandes empresários imediatamente se depara com um problema insolúvel: os interesses dos empresários não são nada homogêneos

Por exemplo, dentro de uma mesma área da economia, duas empresas podem competir e batalhar ferozmente até que uma delas desapareça (pense em duas empresas de telefonia celular, duas companhias aéreas ou de sistemas operacionais). 

Dentro de um mesmo sistema econômico, diferentes indústrias podem reproduzir esta feroz concorrência para ganhar os clientes das outras (por exemplo, empresários que fabricam computadores versus empresários que fabricam máquinas de escrever). 

Mais ainda: dentro da economia global, os interesses gerais de alguns capitalistas podem estar em conflito com os interesses de outros capitalistas (por exemplo, quando alguns especuladores atacam as ações de uma empresa é evidente que os interesses dos especuladores são absolutamente contrários aos interesses da empresa contra a qual eles estão especulando).

Se os adeptos do livre mercado realmente querem defender os interesses de empresários e capitalistas, então eles inevitavelmente entrarão em colapso em decorrência de um curto-circuito esquizofrênico. Afinal, exatamente os interesses de quais empresários ou capitalistas eles irão defender a cada momento? 

Com efeito, dado que não há a mais mínima garantia de que todos os empresários serão beneficiados em um sistema de livre concorrência, a lógica diz que a maioria deles não terá motivos para defender os princípios do livre mercado. E a realidade é que o livre mercado beneficia apenas aqueles empresários competentes, aqueles capazes de investir adequadamente seu capital de modo a satisfazer — melhor do que seus concorrentes — as variadas e variáveis demandas dos consumidores. E de satisfazer continuamente estas demandas. 

O livre mercado, portanto, é um arranjo bastante incerto, hostil e variável, no qual poucos empresários podem se sentir permanentemente confortáveis. 

O que a grande maioria dos empresários realmente deseja é que o estado lhes proteja da concorrência e lhes assegure uma fatia garantida de lucro, que lhes permita desfrutar a vida sem dores de cabeça e sem constantes preocupações acerca de como melhorar seus serviços aos consumidores. 

O que os empresários realmente desejam são subsídios (ou empréstimos subsidiados com os impostos da população) que lhes deem vantagem de mercado, tarifas protecionistas que os protejam da concorrência de importados e agências reguladoras que cartelizem o mercado e dificultem a entrada de novos concorrentes. 

Mesmo uma carga tributária alta ou um código tributário confuso e complexo podem ser do interesse dos grandes empresários: ambos não apenas impedem que novas empresas surjam e cresçam, como ainda representam um grande custo para as pequenas empresas já existentes. Ao passo que as grandes empresas, recheadas de contadores e tributaristas, conseguem navegar com facilidade pelos labirintos do emaranhado tributário, as pequenas empresas, que têm uma folha de pagamento menor e não podem se dar ao luxo de contratar contadores experientes e caros, mal sobrevivem a isto. Seguidas vezes cairão na "malha fina" da Receita e serão chamadas de "sonegadoras criminosas"

Se os libertários estivessem a serviço do empresariado, suas principais reivindicações consistiriam em exigir que o estado criasse mais regulações, mais tarifas, mais subsídios e aumentasse seus gastos de forma a maximizar o lucro empresarial. (Exatamente como querem os intervencionistas). 

No entanto, o que ocorre é justamente o oposto: os libertários desejam abolir todas as regulações, todos os subsídios, todas as tarifas e todos os gastos estatais que resultam em altos lucros para determinada casta corporativa.

Fazendo uma lista nada exaustiva, os genuínos defensores do livre mercado se opõem às seguintes prebendas tão ao gosto de vários empresários acomodados:

1) Políticas de preços mínimos, subsídios e pacotes de socorro

Em um livre mercado, todas as empresas devem estar sujeitas aos desejos dos consumidores. Isso implica que nenhum empresário ou capitalista tem sua renda futura garantida. Suas rendas decorrerão exclusivamente de suas capacidades de atender os desejos dos consumidores de forma mais satisfatória que seus concorrentes. 

Este princípio, é claro, não vale apenas para empresários e capitalistas, mas também para todos os agentes econômicos (daí a tão difundida ideia de que somos "escravos do mercado"). 

Consequentemente, os libertários se opõem a todos os tipos de falcatruas estatistas criadas com o intuito de burlar esta servidão dos empresários aos consumidores. 

Exemplos típicos destas falcatruas são as políticas de preços mínimos (o estado compra as mercadorias de um empresário a preços mais altos do que estão dispostos a pagar os consumidores), os subsídios (os pagadores de impostos são obrigados a financiar um projeto empresarial com o qual não necessariamente concordam), e os pacotes de socorro (empresas falidas, que destruíram mais riqueza do que foram capazes de criar, e que, de acordo com os desejos claramente manifestados pelos consumidores — que não mais compram seus produtos —, deveriam desaparecer, são salvas pelo governo). 

Empresários gostam de políticas de preços mínimos, de subsídios e de pacotes de socorro. Os libertários são radicalmente contra todas elas.

2) Barreiras de entrada ao mercado

Se o empresário deve, a todo o momento, servir ao consumidor de forma mais satisfatória que seus concorrentes, então é evidente que sua situação dentro da economia de mercado está continuamente em perigo. Mesmo que ele não esteja visualizando nenhuma ameaça ao seu domínio, isso não significa que ninguém esteja preparando um plano de negócios que a curto, médio ou longo prazo termine por destroná-lo. 

Exatamente por isso, os empresários que já estão estabelecidos no mercado adoram todos os tipos de barreiras de entrada que impeçam que outros empresários com novas ideias os desbanquem. Os libertários, por sua vez, se opõem a toda e qualquer regulamentação que bloqueie a livre concorrência, exatamente porque é a livre concorrência que permite desbancar empresários menos eficientes. 

Licenças, burocracia, regulamentações que imponham opressivos custos iniciais, concessões exclusivas e monopolistas, e até mesmo patentes — tudo isso é combatido pelos libertários. 

Empresários já estabelecidos no mercado adoram restrições à concorrência. Os libertários as detestam.

3) Tarifas de importação, desvalorização cambial e outras barreiras protecionistas

Outra forma de proteção contra a concorrência são as tarifas de importação, as quotas e outras barreiras protecionistas, como a desvalorização cambial. Este ferramental mercantilista blinda as empresas nacionais contra a concorrência estrangeira, assegurando aos empresários que se especializaram em atender o mercado interno a continuidade de seu reinado

Dado o tamanho da economia mundial em relação a uma economia nacional qualquer, basta apenas imaginar a enorme inquietação que sente um empresário nacional quando, de repente, as barreiras comerciais são abolidas e ele se depara com toda uma cornucópia de potenciais concorrentes estrangeiros. Daí que inúmeros empresários adoram o protecionismo comercial e o câmbio desvalorizado, ao passo que os libertários sempre foram marcadamente pró-livre comércio e pró-moeda forte. 

Novamente, empresários e defensores do livre mercado estão em lados completamente opostos.

4) Crédito artificialmente barato

Capitalistas e empresários têm, e sempre tiveram, uma relação passional com o crédito barato. Muitos empresários vendem a maior parte de suas mercadorias a crédito (imóveis, eletrodomésticos, automóveis etc.), de modo que, quanto mais crédito, mais vendas. 

Da mesma maneira, para montar uma empresa, ou para multiplicar seus rendimentos, é necessário capital, e uma forma de obter esse capital de maneira acessível é com empréstimos bancários artificialmente baratos. 

Por sua vez, os empresários provedores deste crédito artificialmente barato e abundante — os banqueiros — também obtêm lucros extraordinários em decorrência de seu agora maior volume de negócios. 

Sendo assim, quase todos os empresários adoram quando o governo, por meio de seu Banco Central, fornece mais dinheiro aos bancos para que estes expandam o crédito a custos mais baixos. E adoram ainda mais quando o próprio governo, por meio de algum banco estatal de fomento, fornece este crédito. 

Os liberais, ao contrário, condenam as manipulações inflacionistas do crédito e, para acabar com elas, chegam até mesmo a propor o abandono da moeda fiduciária e a abolição destes monopólios estatais chamados Bancos Centrais, que tanto protegem e beneficiam o sistema bancário. 

Outro ponto no qual empresários e defensores do livre mercado batem de frente.

5) Planos de estímulos e obras públicas

Uma possível consequência das expansões creditícias é o endividamento estatal decorrente de projetos faraônicos despropositados, como obras públicas megalomaníacas. Muitas destas obras são inventadas com o intuito de gerar empregos e "estimular" a economia.

Mas há também as "obras corriqueiras", como construção de rodovias, portos, aeroportos, refinarias estatais etc., as quais são tocadas por empreiteiras cujos donos possuem laços estreitos com políticos e que, por isso, são selecionadas de acordo com este critério.

As empresas adoram tais obras porque elas incrementam suas receitas e seus lucros. 

Quando uma empresa privada faz um contrato com o governo para executar uma obra, ela passa a usufruir uma renda garantida por meio do dinheiro de impostos que o governo lhe repassa. Tal arranjo é a exata antítese do livre mercado.

Se uma empresa é escolhida segundo critérios políticos, se a sua renda é garantida pelo estado, e se não há consumidores para cobrar qualidade, o arranjo é o exato oposto daquele defendido pelos libertários.

[É por isso que empreiteiras são um grande exemplo de empresas privadas que, na prática, funcionam como se fossem estatais. A esmagadora maioria de suas receitas advém de obras que elas executam para governos (federal, estaduais e municipais), sendo pagas com o dinheiro de impostos. Segundo os relatos do Ministério Público, por exemplo, quase 100% do faturamento da empreiteira Delta, do empresário Fernando Cavendish, vinha de contratos públicos, chegando a quase R$ 11 bilhões. A maioria dos recursos veio de contratos com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit).]

Com efeito, tais obras públicas nada mais são do que uma forma de subsídio e, como todos os subsídios, elas são repudiadas frontalmente pelos libertários.

Outro exemplo em que não há nenhuma coincidência de opiniões entre livre-mercadistas e empresários. 

Conclusão

O fato de os libertários defenderem um arranjo no qual os melhores empresários podem prosperar e enriquecer não significa que estejam a serviço destes, uma vez que, em tal arranjo, os empresários que forem ineficientes — e que não podem recorrer aos privilégios e protecionismos estatais — estão condenados ao fracasso.

Mais ainda: nada impede que os empresários bem sucedidos de hoje se transformem nos arruinados de amanhã.

Os libertários defendem este arranjo porque ele é o único que permite que todos satisfaçam suas necessidades: os melhores empresários enriquecem somente após terem gerado muito valor para os consumidores. 

A realidade, portanto, é exatamente o oposto do que parece: são os intervencionistas, contrários ao livre mercado, que recorrem a todos os tipos de argúcias estatistas para solapar a soberania do consumidor e, consciente ou inconscientemente, encher os bolsos dos empresários protegidos pelo governo.

Já passou da hora de as pessoas entenderem a diferença entre livre mercado — que se baseia na liberdade e na concorrência — e mercantilismo, que se baseia em privilégios concedidos pelo estado.

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autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • Alberto  16/09/2019 18:16
    Tem uma crítica, por parte da esquerda, que diz que este modelo (capitalismo de estado) é inevitável ao capitalismo, pois as grandes empresas sempre tendem a capturar o estado, seria como esperar que uma ANATEL não fosse capturada pelas empresas de telefonia. O que vocês dizem sobre isso?
  • Vladimir  16/09/2019 18:26
    Parcialmente correto.

    Não é "inevitável ao capitalismo", mas sim inevitável ao "intervencionismo".

    Mas o resto está certo. Enquanto houver estado, e enquanto este seguir crescendo, a tendência é que o corporativismo se exacerbe ainda mais.

    Como acabar com esse arranjo?

    1) Fim do estado; ou

    2) Reduzir ao máximo o estado.

    Se isso não for feito, não há solução.
  • Dane-se o estado  17/09/2019 00:10
    1) Enquanto houver estado, sempre haverá uma desculpa pra criar mais agências para "corrigir" os erros das agências estatais anteriores, gerando de forma sistêmica o crescimento do estado, acumulando mais impostos e aumentando o conclúio com corporativistas. Este vício imoral, perverso e antiético só vai deixar de existir quando o conformismo de gado se tornar um cansaço e não mais servir como desculpa pra defender ilusões como estado mínimo ou que o monopólio do estado é "necessário."

  • Luzimar Fugueiredo Teixeira  17/09/2019 18:40
    Reduzir ao máximo o Estado. Educação, segurança e saúde. Somente isso, até que o povo se eduque e não mais precisará dos outros dois.
  • Régis  16/09/2019 18:27
    Quanto maior for a liberdade econômica de um país, menor será o efeito do corporativismo. Isto a esquerda não entende (ou entende mas finge que não por conveniência).
  • André  16/09/2019 18:52
    Adoro ouvir esse argumento, e respondo perguntando:

    Se a iniciativa privada sempre irá capturar as políticas públicas, quais delas foram capturadas por mercados numerosos como barraquinhas de cachorro quente na frente de escolas, lanchonetes de esquina nos centros decadentes, lojinhas de roupas populares, tiazinhas que fazem salgados pra vender em festinha de crianças e o gordinho que vende café na garrafa térmica e bolo no isopor na porta do terminal de ônibus 4:30 da madrugada? Afinal se tem muita gente operando nesses mercado, irão capturar muitas políticas públicas pela lógica dada.

    Dobrar esquerdista e estatista em geral é simples, é só jogar a horda de miseráveis, trabalhadores informais e pobres em geral que eles tanto protegem em cima deles.
  • Bernardo  16/09/2019 19:03
    Pois é. E vale acrescentar: capturar o Estado significa assumir que o Estado é falho e corrupto. No capitalismo, algo quando é falho é extinto, vai a falência. Se o estado falha, então por que ele não poder ir a falência? No mínimo, seus burocratas deveriam ser demitidos. Questão de coerência.

    A esquerda critica o capitalismo, um sistema que nunca existiu no Brasil. E tudo que deu errado nesse país foi por conta das coisas que eles defendem.
  • Luzimar Fugueiredo Teixeira  17/09/2019 18:49
    Nos livrar do Estado seria de bom tom, como não é possível, o ideal é mante-lo somente no básico. O Estado brasileiro está inchado e ingovernável. Administrar uma máquina com enésimos conluios e interesses particulares cria uma bolha inflacionária patrocinada por seus interesses escusos. É o que estamos vivendo.
  • Dane-se o estado  18/09/2019 17:24
    Não existe estado básico ou mínimo. A trava cognitiva de pessoas como você me impressiona. Não há como o estado se manter mínimo, e o seu controle da educação é tão imoral e antiético quanto qualquer manipulação de mercado e distorções que ele cria. Eliminar o estado é possível, pois diferente das acusações de "utopia" de gente que nem sabe o que essa palavra significa usando-a apenas para definir a impressão de impossibilidade que funciona nada mais do que um espelhamento de cosmo visão de sua própria ignomínia. Anarcocapitalismo não é utopia, mas uma mudança de senso comum cultural sobre ordenamento jurídico. Manter controle do estado sobre a educação é exatamente manter a base do esquema que faz ele crescer e manter a estrutura de distorção que mantém. O que você defende além de já ter sido amplamente refutado por este instituto e demonstrado inúmeras vezes como uma ilusão, é exatamente e ignobilmente aquilo que mantém todos esses esquemas.

    em um mundo ancap um estado jamais surgiria novamente pois:

    1) Não há viabilidade econômica para milícias privadas dominarem o mundo, não importa quanto capital acumule, precisariam confrontar toda a sociedade armada e todas as potencias econômicas concorrentes o que é impossível; não vivemos na idade média ou a milênios, onde a capacidade de pessoas terem acesso a armas era altamente restrita e seu uso dependia estritamente de força física e habilidades de luta; Os meios de locomoção e transmissão de informação em tempo real inviabilizam completamente a capacidade de tomada e de não alerta viável da ação de milícias em qualquer lugar. Tendo acesso livre a armamento, a imensa maioria da sociedade estaria armada sem restrição; uma milícia precisa convencer pessoas a fazer parte do seu exercito privado, o que é terminantemente impossível para a imensa maioria da população, que teria inúmeras formas de boicote e reação.

    2) Com a tecnologia atual, não há mais necessidade da existência de bancos. Com toda a economia funcionando de forma anônima e descentralizada em redes virtuais que não dependem de servidores centrais, é impossível qualquer instituição confiscar qualquer recurso de capital e se estabelecer novamente como um estado.

    3) Sem capacidade de confisco de capital, é absolutamente impossível o uso da força para visitar o lar de 7 bilhões de seres humanos e obrigá-los a transferir seus bens, e não haveria como ter exercito e gente interessada nisso, nem como tal coisa surgir de forma despercebida por toda a sociedade.

    4) há imensa maioria das empresas, as que sempre vão corresponder a maior parte do movimento da economia, jamais, vão concordar com a atitude de duas ou três corporações que tentassem tal feito, pois todos sabem que é impossível que este privilégio de um estado coloque todas que não contemplam os esquemas marcados pelos corporativistas, logo não existe nem mesmo uma vantagem pervertida para a maioria das empresas e investidores do mundo aceitar um novo estado.



    Argumento de estado mínimo é argumento ingênuo, ou de gente que deseja mesmo a existência do estado porque uma sociedade descentralizada inviabiliza que suas ideologias cedo ou tarde sejam impostas, ameaça totalmente sua cosmo visão de mundinho seguro com a "moral" correta dirigida por lei.

    tanto conserva idiotas, quanto esquerdistas no fundo são assim, não vou me estender agora a verdadeira hipocrisia por trás disso; o que quero deixar claro é que o anarcocapitalismo é uma possibilidade real, e certamente não vai acontecer amanhã, cada nova geração tem menos resistência para aceitar ideias de ruptura cultural, e acredito eu que o acumulo de demonstrações históricas e da informação descentralizada acelerará o processo. A resistência cultural existe, mas não é impossível de ser transcendida.

    Não acredito que em 30 anos estaremos no anarcocapitalismo como o autor do vídeo, mas é fato que rupturas culturais que geram transformações profundas no tecido social nem são impossíveis nem utopia.
  • João Rodrigues  16/09/2019 20:55
    Se as agências reguladoras são inevitavelmente capturadas pelos regulados, por que não fechá-las?
  • João Rodrigues  16/09/2019 21:02
    Se as agências reguladoras são inevitavelmente capturadas pelos regulados, por que não fechá-las?
  • Jefferson  16/09/2019 18:24
    A classe política é apenas o verniz do estado. É apenas a sua face pública. Ela não é o estado propriamente dito. Quem de fato comanda o estado, quem estipula as leis e as impinge é a permanente estrutura burocrática que comanda o estado, estrutura esta formada por pessoas imunes a eleições. São estes, os burocratas e os reguladores, que compõem o verdadeiro aparato controlador do governo. E eles não são retirados de lá, e nem se submetem a eleições.
  • Luro  16/09/2019 18:40
    OAB
  • Evandro  16/09/2019 18:25
    Isso é um tema que tem de ser abordado sempre. Esta parceria de Estado Intervencionista com os grandes grupos empresariais em detrimento dos pequenos empresários, da forma como foi conduzida pelo menos no Brasil, só serviu mesmo para gerar o descalabro hoje experimentado por todos nós chamado CORRUPÇÃO.
  • Tetas secas  16/09/2019 19:25
    O Brasil é um imenso chiqueiro onde todos tentam se passar por leitão pra mamar deitado.

    É o empresariado querendo um teta subsidiada do BNDES (e inovar o menos possível).

    É o funcionário do governo sempre querendo aumentar a teta do salário (e trabalhar o menos possível).

    É o político tentando roubar o máximo possível da teta e ao mesmo tempo tentando aumentar o poder de distribuição da teta (e dizendo que ele é necessário pra administrar a "nação").

    É o "trabalhador" querendo o máximo de "direitos" e dinheiro do patrão explorador, que ao mesmo tempo quer também uma parte da teta.

    Enfim, falta teta pra tanto leitão.
  • Felipe  16/09/2019 19:52
    Sempre relembrando:

  • thiago  17/09/2019 12:30
    O vídeo ilustra bem a confusão que políticos maliciosos fazem entre empresário legítimo e empresário fantoche bancado por eles. Os mesmos que se dizem "contra empresários capitalistas" prezam a iniciativa privada quando encabeçada pelo empresário fantoche. Um grande teatro.
  • João  16/09/2019 19:12
    Com o capitalismo estatizado é fácil não gostar dele, uma vez que os que estão próximos dos governantes são os mais beneficiados, enquanto os demais pagam a conta e ainda enfrentam dificuldades para adentrar no mercado, tamanha são as regulamentações...

    O discurso anticapitalista prevalece porque ele é míope. Os anticapitalistas tratam o capitalismo como algo homogêneo, como algo único, enquanto que, na realidade, existem várias formas de capitalismo. Entender isso é libertador.
  • Pensador Puritano  16/09/2019 20:08
    É o conluio da Tirania, que no estado burguês chamamos corporativismo e no estado proletário chamamos capitalismo de estado. E por que capitalismo de estado? Simplesmente o estado parasitário anterior a ex-União Soviética não tinha empresas estatais e com o advento do stalinismo a ex-União Soviética chegou a ter 200.000 estatais constituídas, portanto um capitalismo de estado para ninguém questionar.
    O mesmo era o dono supremo de todas elas, Stalin não as administrava pessoalmente, mas os burocratas que administrassem fora da cartilha eram eliminados pela KGB. Portanto ele era o supervisor-mor deste sistema monopólico absurdo que acabou falindo 70 anos depois. O mundo ocidental copiou este modelo ao abrir estatais em seus países, Brasil também copiou e chegamos a ter no governo federal mais de 400 delas (fora as estaduais e algumas municipais). Hoje umas 150 delas existem (salvo engano). Enfim este monstro burocrático se alimenta e retroalimenta com apoio de grandes empresários, pois tentem perguntar aos fornecedores da Petrobrás se eles são favoráveis a privatização dela. Duvido que a maioria vai dizer sim...
  • Luiz  16/09/2019 19:21
    É importante ressaltar que só os grandes empresários querem proteção, o que o pequeno empresário quer é justamente o contrário.
  • Roberto  16/09/2019 19:31
    Será? Eu discordo. Na prática, nenhum empresário quer concorrência. Aliás, nenhum empregado também quer concorrência. Nenhum de nós gosta de concorrência.

    Nós gostamos de vivenciar os efeitos da concorrência enquanto consumidores, mas não gostamos da disciplina que a concorrência nos impõe.

    Todos somos, em princípio, a favor da livre concorrência. Quem não quer ter ao seu dispor diversas opções de pães, bebidas, vestimentas, restaurantes, carros, telefones, enfim, de qualquer produto ou serviço ofertado no mercado? Quem seria contra isso? O problema surge quando a concorrência bate à nossa porta, "roubando-nos" potenciais clientes. Aí tudo muda de figura. A partir desse momento, a concorrência passa a ser negativa, nociva e contrária ao "bem público".
  • Henrique  16/09/2019 19:40
    Desculpe discordar mas eu que sou microempreendedor sou muito grato a essa ação humana chamada concorrência, e se não fosse por ela, seria hoje um sujeito medíocre, fechado e ignorante. A luta por mercados te faz pensar, estudar, se esforçar mais, produzir bens e oferecer serviços cada vez melhores.

    As vezes estressa? Claro que sim. Há momentos em que preços caem sem nenhum fundamento, ou a preferência do mercado muda de uma hora para outra sem aviso prévio. Mas se utilizar essa tensão de forma correta tendo uma postura pró ativa de enfrentamento, você se obriga a avançar sem medo de começar muitas vezes um novo projeto por semana, ao ponto que seus concorrentes começam a ter medo de você, pois a cada mercado disputado eu entro em outro onde ele estava confortável rs.

    Um empreendedor que ama o livre mercado, seja pequeno, médio ou grande está sempre em busca do melhor. Não tem preconceitos, acompanha sempre o futuro dos mercados, o que lhe permite ser arrojado quando necessário, porém em sua base filosófica é pragmático ao extremo e ponderado em seus hábitos buscando sempre poupar, seja para investir caso surja uma grande oportunidade, ou no pior dos cenários, sobreviver em tempos de turbulência.

    Abraços,
  • Observador anarco  16/09/2019 20:06
    Concordo com o Roberto em parte,pois este pensamento é decorrente de nossa cultura e doutrinação escolar e só com a mudança de mentalidade para aceitarmos o livre-mercado...
  • thiago  17/09/2019 12:17
    Concordo com o Henrique. A concorrência é natural e estimulante. A "concorrência interna" é necessária para o nosso desenvolvimento; a "concorrência externa" leva esse desafio a um novo patamar. Não é à toa que atletas e esportistas competem, pelo gosto do aprimoramento e da superação. De um ponto de vista, alguns são mais bem sucedidos que outros, mas de outro ponto de vista o sucesso é fruto de processos competitivos e deve a todos que foram superados mas que contribuíram com ele. Ninguém quer assistir a um jogo muito desigual, com pouca competitividade e poucos desafios. A gente quer ver superação, grandes duelos. E ninguém ganha tudo ou perde tudo; havendo superação, todos ganham em alguma medida. E para aqueles que não são os campeões em um dados momento, é sempre um prazer ver e admirá-los.
  • Pensador Puritano  17/09/2019 18:36
    Não discordo do Henrique,só que sem mudança de mentalidade do povo brasileiro,essa nação sempre irá se pender para o populismo seja de esquerda,seja de direita,enfim serão enrolados por qualquer político demagogo,com suas promessas irrealizáveis.Individualmente nós comentaristas aqui do Mises estamos libertos destas falácias,mas a massa precisa ser liberta deste pensamento equivocado de esperar o salvador da pátria,portanto nossa batalha enquanto libertário é conquistar mentes e corações,só assim a mudança cultural será concretizada nesta terra de santa cruz.
  • Daniel  17/09/2019 23:17
    Por esse motivo, a luta por mercados farmacêuticos faz a gente pensar, estudar e se esforçar, pois, as vezes, o mercado nós estressa.
  • Free Market  16/09/2019 19:24
    O livre mercado sempre se adaptou ao tipo de país e economia local.

    Em ilhas ele trouxe prosperidade, porque permitiu a importação de quase tudo que é consumido. Além de aproveitar ao máximo os recursos escassos.

    Em países grandes, com mais mão de obra e recursos naturais disponíveis, o livre mercado trouxe prosperidade com a construção de fábricas.

    O livre mercado sempre vai atrair empreendedores, mas desde que eles sejam bem tratados (por exemplo, não confiscando seus merecidos lucros). O Brasil e Argentina estão sofrendo por conta dos 34% e 36% de imposto sobre PJ. As grandes empresas sempre irão procurar países com menos imposto para produzir. Essa desindustrialização é coisa de país que odeia os empresários.

    O protecionismo é um "remédio" que possui efeitos colaterais capazes de matar o paciente. A "doença" pode ser curada, mas os efeitos colaterais irão matar o paciente.
  • Wagner  16/09/2019 20:09
    Este é o sonho de qualquer ser humano... abundância de recursos e ausência de concorrentes! Quem não sonha com uma praia lotada de belas mulheres e nenhum carçoludo por perto? E vice-versa para as mulheres...
  • Iniciante  16/09/2019 20:11
    Olá, pessoal, tenho uma dúvida: em um livre mercado, caso uma empresa causasse dano ao consumidor. Sem regulamentação, como esse dado seria reparado?

    No caso de controvérsia judicial, o juiz decidiria o caso com base em uma lei (regulação) - CDC. Mas se essa lei não existisse?
  • Geraldo  16/09/2019 20:48
    Tribunais privados servem para isso. Há vários artigos neste site falando sobre eles. Se um desses decidisse a favor de quem não deveria, menos pessoas (físicas ou jurídicas) se disporiam a submeter seus casos a eles, e eles acabariam sendo engolidos pela concorrência.

    O problema é que, quando se fala em tribunais privados, a maioria dos brasileiros pensa nos "tribunais do crime" que existem em grandes organizações criminosas, como o PCC ou o CV, e que impõem inclusive a pena de morte para quem não segue seus ditames.
  • anônimo  17/09/2019 02:24
    Prezado Geraldo se você me permite vou complementar

    A base para qualquer troca (transação) é o contrato, e isso já ocorre hoje em dia. Ali estão especificadas todas as cláusulas que garantem a satisfação de ambas as partes.

    Essa será a premissa utilizada para os tribunais privados, por exemplo, como citou o colega Geraldo acima.
    Além disso temos que pensar em como se dá um livre comercio. O livre comércio é extremamente competitivo pois ele é auditado nada mais, nada menos que pelo próprio consumidor. Logo, é imperativo que esse tenha sua satisfação garantida. Nós veríamos o famoso pós-venda funcionando e caso a satisfação do cliente não fosse atingida, seria uma iniciativa da própria empresa, reverter a situação, pois quem quer perder um cliente? Lembre, o concorrente estará ali, pronto para ter o consumidor ao lado dele.

    Alguns consumidores até poderiam sair no prejuízo, mas isso iria durar muito pouco. Ao contrário de hoje, em que as grandes empresas não dão a mínima para o consumidor, pois o cartel está instituído. Você não tem opções concorrentes e caso você resolva se rebelar contra o sistema e entrar na justiça, por exemplo, você talvez vá receber alguma indenização depois de um embate que pode durar anos. Sem contar que mesmo que o mercado ainda venha saber das insatisfações quanto a determinadas empresas, você é só mais um e, mais uma vez, não terá muitas opções a sua disposição.

    Outra... Nada impediria que surgissem empresas especializadas em garantir boas trocas, eu iria criar a "comprecerto", por exemplo, você pagaria pra mim, eu intermediaria sua compra com a empresa e caso o contrato não fosse cumprido, você receberia seu dinheiro de volta e, o pior, a empresa ficaria com seu nome estampado em minha lista de empresas que não satisfazem o cliente.

    Ou seja, o mercado iria se adaptar de inúmeras formas, pois os consumidores, de fato, estariam sendo os protagonistas e, sendo assim, estariam com suas trocas garantidas.
  • Paulo  17/09/2019 03:35
    Eu creio que empresários que buscam proteção estão fazendo um erro de cálculo utilitarista. É verdade que individualmente podem ficar rico e manter essa riqueza indefinidamente, mas o estrago por meio de externalidades negativas é imensurável. Cura de doenças - da qual ele próprio pode ser vítima- tecnologias que deixam de existir ou são postergadas, problemas politicos que podem derruba-los.. É preferível viver em uma sociedade próspera do que ser monarca de um feudo atrasado. A elite empresarial tem culpa, não apenas o estado
  • Pensador Puritano  18/09/2019 11:03
    Elites empresariais tem culpa? Daqui a pouco você irá afirmar que a culpa é do capitalismo,mas não adianta mudar as palavras,o grande culpado é o leviatã,este monstro burocrático criado por mãos humanas sujas e cheias de injustiças e pecado,o estado,ministro de Deus é o estado provedor de Justiça e Segurança,agora este estado assistencialista,paternalista,protecionista,subsidiador,corporativista,concentrador de renda nas mãos de uma minoria em detrimento da maioria pagadora de impostos não representa a justiça de Deus aqui na Terra,nem aqui nem na China,pois Deus não compactua com injustiças,nós enquanto libertários e cristãos respeitamos a palavra de Deus e aqueles que agem com Justiça e Ética independentemente de postos e cargos públicos.

    Este estado mastodôntico precisa ser implodido,mas sem derramamento de sangue,devemos com a conquista de mentes e corações implodir este estado burocrático e pesado que carregamos nas costas a séculos e ai sim veremos o estado ministro de Deus agir com Justiça,ética e provendo segurança aos cidadãos de bem na face da terra,cristãos libertários juntem-se a nós nesta luta pacífica e justa,como gostam de dizer os esquerdopatas "estamos do lado certo da história".
  • Estado o Defensor do Povo  17/09/2019 13:11
    Os tribunais vendem uma mercadoria, chamada 'sentença' ou 'resolução de um conflito', portanto essa sua situação trata-se de um conflito, contrate um tribunal, tem muitas outras soluções também só que eu não sou um expert nisso pra te listar. Você também pode ir no Reclame aqui.
  • Marcel  16/09/2019 21:09
    Na feira é um exemplo de que quanto mais concorrentes "melhor" para o consumidor sendo que o consumidor "premia" aquele que tiver a melhor qualidade ou o menor preço.
    Se talvez tivesse um só feirante ou poucos talvez não atrairia tanta gente.
  • Matias  17/09/2019 14:24
    Pessoal, me parece que o problema não é essencialmente a criação artificial do capital (dinheiro)... Haja visto que o dinheiro não é uma unidade de medida, é uma unidade de conta, mas sim, o rumo que esse capital artificialmente criado toma. Uma intervenção estatal protecionista e corporativista é algo absolutamente tirânico. É que o mundo ainda não conhece um estado onde se regule o mínimo e se COORDENE o máximo. Lembrem-se que o estado não é um agente que veio da Lua ou de Marte... O Estado somos "nós representados". Então não é "O Estado" que é ruim - É "Este Estado" que se vê ao redor do mundo que é ruim. O Livre Mercado deve ser a meta econômica de toda sociedade que sonha em se desenvolver para níveis de vida cada vez melhor.
  • Estado o Defensor do Povo  17/09/2019 15:35
    Você aparentemente é um liberal, isso facilita a conversa pois liberais são mais fáceis de convencer do que um socialista.
    O problema do Estado não é quem ele é, se é "Nós", "Ele" ou "Eu"(um rei das antigas falou uma presepada dessas, se eu não me engano foi Luís XIV), o problema é ele ser agressivo, coercitivo, ladrão que cobra impostos, o problema é ético, ninguém tem autoridade sobre a vida de ninguém, nem mesmo o Estado, na nossa democracia brasileira a população é obrigada a votar, e quem vencer a eleição governará sobre todos, mesmo que apenas uma parcela da população tenha votado nele, isso caracteriza uma agressão, pois os votantes do candidato perdedor serão agora obrigados a baixar a cabeça pro candidato vencedor, eles não se sentem representados, pergunte a qualquer esquerdista ferrenho se ele se sente representado pelo Bolsonaro, ele irá se enojar de sua pergunta e dizer que está vivendo em uma ditadura. Portanto valorizar o indivíduo é crucial.
  • Daniel  17/09/2019 23:57
    Fazer uma análise sobre o que é estado é muito importante. Está faltando esse entendimento. Tribunais privados não seriam uma espécie de estado?
  • Dane-se o estado  18/09/2019 17:30
    Estado mínimo não funciona e não existe!

    Democracia é um sistema baseado em falácia de apelo a autoridade e apelo a multidão;

    Democracia é um sistema imoral e antiético que obriga todos a pagar pelos erros dos outros;

    Democracia é um sistema imoral que obriga todos a participarem de políticas econômicas que nãos servem a todos e que invariavelmente geram prejuízos a todos piorando a situação dos que tem menos poder econômico, incentivando mais parasitismo através do estado.

    Democracia é um sistema imoral e antiético que obriga todos a financiarem crimes.
  • Andre  17/09/2019 20:49
    Leandro, por que o FED conduziu estas operações repo para injetar liquidez no sistema bancário:

    www.cnbc.com/2019/09/17/fed-to-conduct-technical-repo-operation-tuesday-to-keep-its-benchmark-rate-where-it-wants-it.html

    Os bancos americanos não estão cheios de dinheiro do FED após rodadas de QE e recebem juros por eles?
  • Leandro  18/09/2019 00:22
    Até o momento, o que se sabe é que faltou funding de curto prazo. Como o Fed está pagando juros (2,10%) sobre as reservas bancárias, e como estava havendo um quantitative tightening (lembre-se de que a base monetária por lá está se contraindo desde 2014), acabou faltando dinheiro no mercado interbancário.

    As informações oficiais são de que houve um aumento pontual na demanda por empréstimos no interbancário por empresas que precisam fazer um pagamento trimestral de impostos, e também porque houve a liquidação da compra de títulos do Tesouro dos EUA na casa dos US$ 78 bilhões. Falaram também de um feriado no Japão (!).

    A desconfiança é de há alguma instituição com problemas de liquidez.

    A última vez que algo assim ocorreu foi em 2008...
  • Matheus Santiago  18/09/2019 02:54
    Ouvi dizer que o Departamento do Tesouro planeja leiloar mais de US $ 800 bilhões em dívidas dos EUA.

    Peter Schiff resumiu muito bem em um podcast recente: "O mundo vai se afogar em um oceano de inflação".

    Após a grande crise financeira de 2008, os bancos centrais globais começaram a comprar ações, títulos e outros ativos financeiros em quantidades muito grandes e não pararam desde então. De fato, como você verá abaixo, os bancos centrais globais estão no ritmo de comprar 3,6 trilhões de dólares em ações e títulos apenas este ano. Nesse momento, o Banco Nacional Suíço possui mais ações negociadas publicamente no Facebook do que Mark Zuckerberg, e o Banco do Japão é atualmente um dos cinco principais proprietários em 81 grandes empresas japonesas.

    De acordo com o Business Insider, os bancos centrais globais estão no ritmo alucinado de compras acionárias, apenas em 2017, compraram um total de US $ 3,6 trilhões em ações e títulos. No geral, os cinco maiores bancos centrais globais agora coletivamente têm US $ 14,6 trilhões em ativos em seus balanços.

    Tenho uma desconfiança que os bancos irão encontrar alguma estratégia para dissipar seus balancetes. Na Dinamarca e nos EUA, a situação é a seguinte:

    Os bancos agora está oferecendo hipotecas aos mutuários a uma taxa de juros negativa, pagando efetivamente a seus clientes uma compra de casa. Essas taxas de juros negativos surgiu em 2016, concomitantemente nasce o Programa de Taxa de Hipoteca Negativa (NMRP), o Federal Reserve declara que o NMRP é uma extensão brilhante do NIRP (política de taxa de juros negativa), porque beneficiará a todos, não apenas aos 1%.

    Eis como funciona: Não é necessário um pagamento inicial. É 100% de financiamento.
    Nenhum pagamento é necessário. Este é o inverso dos empréstimos de amortização negativos durante a era do subprime. Em outras palavras, é uma amortização negativa. O saldo do empréstimo diminuirá em vez de aumentar.
    Não há necessidade de seguro de hipoteca, pois, sem pagamentos, não pode haver inadimplência.
    Não é necessário qualificar, removendo todo o processo complicado de solicitação de empréstimo.

    Em 2007, os cinco maiores bancos detinham 35% de todos os ativos bancários. Hoje, esse número é de até 44%…
    Desde 1992, o total de ativos mantidos pelos cinco maiores bancos dos EUA aumentou quase quinze vezes! Naquela época, os cinco maiores bancos detinham apenas 10% do total do setor bancário. Hoje, apenas o JP Morgan detém mais de 12% do total da indústria, uma participação maior do que os cinco maiores bancos reunidos em 1992.
    Mesmo em meio à crise financeira global, os maiores bancos dos EUA conseguiram aumentar sua participação no total de ativos do setor bancário. Os ativos mantidos pelos cinco maiores bancos em 2007 - US $ 4,6 trilhões - aumentaram mais de 150% nos últimos 8 anos. Esses cinco bancos deixaram de deter 35% dos ativos do setor em 2007 para 44% hoje.
    Enquanto isso, quase 2.000 instituições menores desapareceram do sistema financeiro desde o início da última crise. Portanto, o problema de "grande demais para falir" agora é maior do que nunca.
  • INICIANTE NO IMB  18/09/2019 06:08
    Desculpa fugir do tema:

    A visão libertária enxerga os membros do setor público como seres privilegiados, com altos salários, etc...

    Concordo que isso é válido para políticos e funcionários públicos de médio e alto escalão. Realmente esses são o câncer do brasil, responsáveis diretos pela alta carga tributária que é necessária para mantê-los, sem contar as legislações, regulações e bobagens que eles produzem.

    Mas e quanto a funcionários públicos como merendeiras de escola pública, soldados da PM, soldados dos bombeiros, faxineiras, etc... ( obviamente os que cumprem sua função corretamente, sem corrupção): não vejo esses como privilegiados (apesar do salários deles virem dos nossos impostos). O que vocês pensam sobre isso?
  • Flávio  18/09/2019 13:37
    Sim. Quanto mais alto o cargo do funça, mais inútil é sua função, e maior é o seu salário (que é extraído dos desdentados). Essa é a principal crítica.

    Como os funcionários públicos se tornaram uma casta privilegiada e quase intocável
  • Intruso  18/09/2019 14:55
    Chamar funcionário público de casta privilegiada é tão fora da realidade. Pois mais de 90% deles ralam diuturnamente em atividades como de professor, policiais civis e militares, médicos e enfermeiros e tendo que passar o mês com salários baixos e que não são reajustados há anos. Existe sim uma casta, mas são formadas por juízes, desembargadores, auditores fiscais, advogados da união, assessores de deputados, etc. Uma casta pequena e que acredito não ultrapasse nem 10% do total de funcionários públicos.
  • Andre  18/09/2019 13:51
    Os funças da segurança, educação e saúde continuarão a ter seus postos de trabalhos garantidos num ambiente sem estado ou de estado mínimo, já que prestam serviços realmente úteis e demandados, ainda que de qualidade duvidosa.
    Porém essa gente não se vê assim, seu sonho é conseguir uma sinecura nos escalões mais altos do funcionalismo, acima de uma estagnação econômica o Brasil sofre de uma profunda estagnação mental.
  • Rodolfo Andrello  18/09/2019 14:14
    Você traz um critério que é no m´mínimo nebuloso.
    Você apresenta algumas categorias que não fazem parte da cúpula e pede uma opinião sobre pessoas investidas nestes cargos e que "exercem suas funções corretamente", nas suas próprias palavras.
    Mas qual o critério pra definir que um funcionário público, seja ele de qualquer setor, de fato exerce suas funções corretamente?
    O fato é que as distorções não surgem exclusivamente da quantificação salarial, mas principalmente das formas de acesso e permanência nos respectivos cargos. Esses agentes até podem se submeter a um ou outro critério de avaliação por parte do próprio estado, mas estão protegidos do escrutínio dos consumidores, os quais num livre mercado estão a todo momento avaliando os produtos e serviços que lhes são ofertados.
    No Brasil, por exemplo, o índice de solução de homicídios fica abaixo dos 10%. Apesar de que cada um de nós ainda possa conhecer um soldado com excelente reputação e as melhores das intenções, é fato que as instituições de segurança entregam resultados muito aquém dos desejos dos consumidores. Dizendo de outro modo, eu certamente não contrataria um detetive que falha em nove de cada dez casos que ele se propõe a investigar. Um tal prestador de serviços certamente estaria em apuros dentro de um sistema de livre concorrência.
    Falando ainda da questão da segurança, o estado sequer tem um critério apropriado pra definir quantos agentes de segurança são necessários patrulhando cada bairro. Ao passo que agentes privados podem definir que querem um vigia patrulhando um determinado trecho de um bairro durante a noite, (e de fato são comuns arranjos como esses em bairros por aí), o estado na ausência de qualquer critério minimamente objetivo deixa tais decisões a cargo de canetadas de burocratas que desconhecem as reais demandas descentralizadas dos consumidores. Os mais bem intencionados entre os burocratas ainda lançarão mão de alguma estatística ou modelo de política pública recomendada por especialistas, mas de novo, tais critérios políticos vem entregando a impressionante quantidade de mais de 90% de homicídios sem solução, o que diz muito sobre a eficiência deste planejamento central.
    O problema em síntese é um problema de cálculo econômico. Se ainda não houver lido, leia sobre a impossibilidade do cálculo econômico sob o socialismo e muitas destas questões serão prontamente respondidas.
  • anônimo  18/09/2019 15:39
    São funções que podem perfeitamente serem ofertadas pela iniciativa privada da mesma forma. Apenas o mercado pode ofertar os salários e custos pelo valor correto, determinado pelos próprios consumidores.
  • Ciro Daniel Amorim Ferreira  18/09/2019 06:48
    Quão repetitivo, chatos pra caralho e por fim, Zé economista de h12c. Até a praxeologia já foi abandonada, pulem do barco liberlalas.

    O libertarianismo não funciona mais pq os srs. Se esqueceram de evoluir e estão debatendo problemas do século passado.
    Quando não é aquela merda libertina de hippie imundo.
    Essa farra acabou junto com Beltrão.... Koch bros (????????rsrs poucos ou nenhum saberá a referência).
    Não tem mais Mises menos Keynes. Mais HHH menos Mises.
    Talvez mais Pinochet menos firula.

    O corporativismo e defender o livre mercado são antagônicas ???
    Nós já tínhamos isso em mente há umas décadas.

    Tem alguém prestando atenção que estamos em um tipo de meta capitalismo, no qual as elites estão se alimentando da degeneração que eles (BOOMMERS FDP) jogararam na mão da Gen X?

    Que Occupy Wallstreet 10 anos atrás foi forjado pelo lindo do Buffet, Barack Osama que levantou os zumbis pra mais regulação?
    Paranoico? YouTube =Peter Schiff (um Judeu HF que preveu o bust 08 e está prevendo o próximo) + occupy =????

    Escutem.... Ninguém está lhes escutando.
    Lew Rockwell e Radical Capiralist são os únicos sãos nesse inferno que ousam "push to the limits" e tentam avançar a teoria. Sabe quem disse isso..?

    'O SOCIALIST DO FRIEDMAN!!"

    E quem chamou ele de socialista.. Também não foi eu... Rsrs

    A Alt-Right tem muito a oferecer em termos de sociologia e história pra quem aguenta piada ofensiva (era a gente), ah 14/88 a todos.

    Não vou nem gastar MEU
  • Hans  18/09/2019 13:34
    Passarei a acreditar em milagres no dia em que eu conseguir ler uma crítica minimamente sensata, racional e inteligível ao libertarianismo (e, obviamente, feita por pessoas deste planeta).
  • Estado o Defensor do Povo  18/09/2019 14:37
    Eita, se pretende fazer uma crítica pelo menos melhore o seu português porque tá sofrível, bando de frases desconexas que eu não entendi bulhufas.
  • Anticoletivista  20/09/2019 20:36
    Pode mandar nazista se f... aqui na área de comentários?

    Que lixo humano, como alguém pode pregar superioridade por conta da cor da pele?

    Embuste.
  • anônimo  18/09/2019 10:46
    Acredito que o problema não está na existencia do estado, mas no tamanho que o estado tomou, agindo em áreas que não tem competencia para agir.
  • ancap ironico.  18/09/2019 15:05
    Acredito que o problema não está na existência do estuprador mas na quantidade de estupros que ele faz estuprando mulheres que não são de sua alçada. Se fosse só as do bairro dele, ok.
  • cmr  18/09/2019 15:24
    E em quais áreas o sacrossanto estado tem competência para agir ?.
  • Drink Coke  18/09/2019 16:51
    Justiça, ainda que não seja perfeita e não seja possível ser perfeita, mas sem um monopólio da ordem e da justiça haverá caos e desisntegração social.


    E não, justiça não pode está sujeita ao livre mercado, porque a justiça não tem que agradar ao cliente, mas tem que impor a ordem. Por isso a justiça difere de qualquer outro setor e precisa ser um monopólio imposto a sociedade.

    Nenhuma sociedade se desenvolveu minimamente sem esse monopólio, afinal se não há uma confiança que seu direito de propriedade tenha alguma garantia institucional, não haverá investimento e portanto progresso.

    E antes que me chamem de alguma coisa, essa era a mesma opinião do cara que dá nome a esse site.
  • Dane-se o estado  18/09/2019 20:26
    Qual confiança o estado transmite além de alienação cerebral cultural? em toda a história? o estado é por consequência inexorável a sua estrutura monopolística e coercitiva inconfiável e inseguro, insegurança empiricamente demonstrável em escala econômica e moral colossal. usar ilusão e alienação social para validar esta merda é um nível medíocre de falácia que chega a ser risível.
  • Dane-se o estado  18/09/2019 20:36
    "E não, justiça não pode está sujeita ao livre mercado, porque a justiça não tem que agradar ao cliente, mas tem que impor a ordem. Por isso a justiça difere de qualquer outro setor e precisa ser um monopólio imposto a sociedade. "

    Falácia, por ignorância ou desonestidade intelectual. Nenhum Ancap defende relativismo de justiça para agradar clientes, e sim descentralização da única lei baseada no direito natural simples e objetivo, a propriedade privada! podem haver variações burocráticas em lugares diferentes, que por motivos concorrenciais de custo benefício tenderiam a um senso comum geral. Estados são cheios de contradições legais, e relativismos positivistas contraditórios dentro do próprio território e entre os estados, gerando conflitos de todo tipo. Seu argumento é mais uma das falácias que acusa um futuro mundo ancap de gerar os conflitos que ocorrem hoje por inconsistência do que o estado já é, sendo que em um mundo onde a justiça não é coercitiva, conflitos são eliminados por concorrência e busca por adaptabilidade eficiente.


    " Justiça, ainda que não seja perfeita e não seja possível ser perfeita, mas sem um monopólio da ordem e da justiça haverá caos e desisntegração social. "

    Ordem é algo que qualquer ser humano demanda naturalmente e intuitivamente, monopólio da ordem é apenas ignomínia cultural milenar e absoluta ilusão!

  • Dane-se o estado  18/09/2019 20:45
    " Justiça, ainda que não seja perfeita e não seja possível ser perfeita, mas sem um monopólio da ordem e da justiça haverá caos e desisntegração social. "

    Ordem é algo tão desejável e instintivo que até criminosos demandam ordem, a diferença é que criminosos impõe por coação e ameaça a propriedade! exatamente como o estado faz. O estado é nada mais que uma máfia maior que tomou conta por efeito de condições adversas da massa ao longo da história. Estado algum jamais foi confiável, sempre foram tirânicos e apenas reduziram em parte sua tirania ao longo dos séculos. Monopólio coercitivo da ordem é consequência de inércia e alienação cultural geral e nada mais.

    "E antes que me chamem de alguma coisa, essa era a mesma opinião do cara que dá nome a esse site. "

    Falácia de apelo ao diploma/nome/autoridade. E mesmo assim não é bem assim! O próprio Mises por efeito de seu trabalho sobre o cálculo econômico demonstrou que estado mínimo, eficiente e justo é de fato utopia.
  • Estado o Defensor do Povo  19/09/2019 00:35
    Exatamente, por isso me chamam de defensor do povo.
    Só que não, justiça pode ser visto como um produto como qualquer outro, justiça trata-se da resolução de conflitos, e como tal, deve pautar-se na ética da propriedade privada, pra te dar um exemplo de como a justiça estatal é um lixo basta ver as leis estapafúrdias e contraditórias que existem, em âmbito federal é proibido o motociclista andar sem capacete, já no Ceará tem uma lei estadual que proíbe o motociclista de andar com capacete, os caras tão num campo minado.

    E além disso a justiça estatal brasileira tem clientes, que somos nós, os residentes no Brasil, e você vê esses clientes satisfeitos? Quando o STF decidiu soltar o José Dirceu você viu o povo vibrando de alegria? Ou então quando o STJ decidiu abolir a taxa de conveniência em vendas de ingresso? Você ficou feliz com isso? E ainda por cima os juízes com complexo de deus que decidem essas coisas recebem uma fortuna SÓ PRA PIORAR A VIDA DAS PESSOAS, nem pra servir como cabides de emprego eles servem, já que tem alguns empregos no funcionalismo público que não ajudam mas também não atrapalham, só servem pra preencher tabela na folha de pagamento, mas os caras que trabalham na justiça nem isso, eles de fato pioram diretamente a vida das pessoas, essa é a função deles muitas vezes, e não é pouco não, chegam a causar demissões em massa por causa das estúpidas decisões que eles tomam, e ainda assim recebem uma fortuna, eu fico de fato impressionado.
  • Estado o Defensor do Povo  19/09/2019 00:50
    E só pra constar nós aqui do IMB concordamos muito mais com o Rothbard do que com o Mises (e ele aparece na logo do instituto, no canto inferior esquerdo), não me pergunte porquê mas alguém achou que seria uma boa ideia dar o nome de Instituto Mises pra essa poha, sendo que instituto rothbard ou instituto HHH faria mais sentido. Talvez pra ficar parecido com o instituto mises americano?
  • Felipe Lange  18/09/2019 22:49
    Leandro, o que você acha dessa redução na taxa de juros, que ocorreu tanto aqui nos EUA quanto no Brasil? Ambos os bancos centrais estariam tentando concorrer para atrair investidores estrangeiros? O que isso indica?
  • Leandro  18/09/2019 23:27
    O Fed era esperado e não afetará a robustez do dólar. Já o Bacen está entrando em veredas inauditas.

    Quero muito estar errado, mas não estou confiante nesta redução de juros. Essa postura pombalista do atual COPOM não é boa para a força do real. E um real fraco não combina com crescimento econômico. Nunca houve na história do país crescimento econômico com moeda fraca.

    E o problema da moeda fraca nem é inflação de preços. Isso é o de menos. O problema é que moeda fraca eleva custos de produção. E isso é contrário a um crescimento econômico.

    Não interessa se você é o gerente de uma grande indústria ou de um simples escritório comercial. No final, você trabalha com insumos importados. Máquinas, computadores, peças de reposição - boa parte é importada.

    Com o dólar caro, os preços destes insumos aumentam. Ou seja, os custos de produção aumentam. E como não é possível repassar aumento de custos para os preços (tanto pela fraqueza da economia quanto pelos motivos explicados aqui), o empreendedor acaba tendo de absorver este aumento de custos.

    Ou seja: de um lado, os custos de produção aumentam. De outro, as receitas permanecem as mesmas. Logo, a margem de lucro cai.

    Com margem de lucro menor, reduzem-se os investimentos e não há aumento de salário e nem contratação de mão-de-obra.

    E isso vai se generalizando por toda a economia. Menos investimentos, desemprego em nível alto e renda estagnada. E aí a economia fica anêmica.

    Essa é a encrenca de uma desvalorização cambial.

    Se o câmbio se mantiver no atual nível por muito tempo já será lucro. Se ele degringolar, um abraço. Se ele se valorizar (improvável), aí sim há uma chance.

    Sempre lembrando que o "surpreendente" PIB do segundo semestre (crescimento de 0,4%) ocorreu exatamente sob um contexto de valorização do real (o dólar caiu de R$ 4,04 para R$ 3,80).

    Com dólar caro, só há empregos de baixos salários no setor de serviços.
  • Ninguém Apenas  19/09/2019 00:09
    Leandro,

    uma dúvida, você respondeu acima que o FED interviu porque faltou dinheiro no interbancário. No entanto, não entendi um ponto, mesmo que o FED esteja pagando juros de 2,10% sobre as reservas, os bancos não possuem liberdade de retirar o dinheiro de lá quando quiser e usá-lo?

    Faltou dinheiro no interbancário, mas o banco não pode simplesmente pegar parte de suas gordas reservas e fechar a conta? Na real eu não consigo nem entender porque o interbancário existe nessas condições, se o juros do interbancário são mais baratos do que o que o FED paga pelo dinheiro depositado, valeria a pena para quem tivesse pegando emprestado mas não para quem está emprestando. Se fosse mais caro seria o inverso. Seria por conveniência?

    Mesmo que o FED esteja apertando a base monetária, ela ainda está bem maior que os níveis pré-2008 ou que o M2, não?

    Qual o motivo de tal operação não ter sido realizada?


    O FED interviu justamente para isso não acontecer? ou entendi tudo errado?
  • Leandro  19/09/2019 02:49
    Ninguém sabe, ninguém entendeu nada. Os motivos apresentados foram exatamente aqueles que eu postei acima. Nada mais sei além disso.

    Normalmente, esse tipo de coisa (uma secura no mercado interbancário) acontece quando algum grande banco está na iminência de um colapso e precisa desesperadamente de empréstimos (mas ninguém empresta justamente porque sabe que o banco está insolvente) . Isso aconteceu imediatamente antes da crise de 2008, e foi narrado aqui.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1696

    De concreto, sabemos apenas – e isso sempre é repetido aqui – que a base monetária americana está se contraindo desde meados de 2014. Em um cenário assim, é de se esperar que alguns bancos de fato passem aperto. Só não se sabe a seriedade da coisa.
  • Matheus Santiago  19/09/2019 16:31
    Leandro,

    há relatos de que isso seja devido a um acúmulo de dívida comercial arriscada nos últimos anos. As siglas mudaram um pouco - "CLOs" (obrigações de empréstimos com garantia) em vez de "CDOs" (obrigações de dívida com garantias), por exemplo - mas, mais uma vez, vemos uma categoria de dívida que cresce mais rapidamente do que a renda dos mutuários. Da mesma forma, grande parte dos empréstimos é financiada de maneira opaca, fora do sistema bancário. Muitos estão perguntando se esses desenvolvimentos representam uma nova ameaça à estabilidade financeira.

    A dívida comercial relativa ao tamanho da economia está em patamares históricos. A dívida corporativa relativa ao valor contábil dos ativos está no limite superior de sua faixa nas últimas décadas. E a dívida corporativa com grau de investimento se aproximou do limite do grau especulativo. Os empréstimos alavancados aumentaram 20% e agora estão acima de US $ 1 trilhão.

    O aumento de empréstimos de negócios mais arriscados foi financiado principalmente por credores não bancários. As obrigações de empréstimos garantidos são agora os maiores credores, com cerca de 62% dos empréstimos alavancados pendentes. Conferir aqui!

    Esses credores são veículos de securitização gerenciados ativamente que compram ativos de maior risco, como empréstimos alavancados. Os CLOs, por sua vez, são financiados por uma fatia do patrimônio e camadas de dívida de diferentes idades. Após as CLOs, os fundos mútuos são o próximo maior veículo para manter empréstimos alavancados, com cerca de 20% do mercado. Esses fundos permitem que os investidores resgatem suas ações diariamente, embora os empréstimos subjacentes demorem mais para serem vendidos. Como resultado, os investidores podem reagir ao estresse financeiro tentando resgatar suas ações antes que os fundos vendam seus ativos mais líquidos. Resgates generalizados por parte dos investidores, por sua vez, podem levar a pressões generalizadas sobre os preços, o que pode afetar todos os titulares de empréstimos, incluindo CLOs e aqueles que possuem CLOs.

    Existem semelhanças com a crise das hipotecas subprime. Assim como no boom das hipotecas, a história da dívida comercial começa com o rápido crescimento da dívida para novos patamares e um aumento nos empréstimos a tomadores de risco, possibilitados pela subscrição agressiva usando veículos de securitização.

    Os grandes bancos americanos mantêm quantidades substanciais de ativos de alta liquidez e dependem relativamente pouco de financiamento no atacado de curto prazo. Os fundos do mercado monetário possuem ativos muito mais seguros. E os CLOs, que facilitaram o crescimento de empréstimos alavancados, têm financiamento estável: os investidores comprometem fundos por períodos prolongados, de modo que não podem, por meio de saques, forçar os CLOs a vender ativos a preços baixos.

    O mercado CLO dos EUA abrange o mundo todo, envolvendo bancos estrangeiros e gerentes de ativos. No momento, porém, sabemos principalmente onde os CLOs não estão - apenas US $ 90 bilhões dos cerca de US $ 700 bilhões no total de CLOs são mantidos pelos maiores bancos dos EUA. Essa é certamente uma boa notícia para os bancos domésticos dos EUA, mas em uma crise, em qualquer lugar, as instituições podem se sentir pressionadas, especialmente aquelas com capacidade inadequada de absorção de perdas ou financiamento de curto prazo que pode ser executado.

    A dívida comercial está perto de níveis recordes e a emissão recente foi concentrada nos segmentos de maior risco. Como resultado, algumas empresas podem sofrer sérias dificuldades financeiras se a economia se deteriorar ou por algum choque econômico externo. Um setor de negócios altamente alavancado pode ampliar qualquer desaceleração econômica, pois as empresas são forçadas a demitir trabalhadores e reduzir os investimentos. Investidores, instituições financeiras e reguladores precisam se concentrar nesse risco hoje.

    Isso pode ser um direcionamento do que pode estar ocorrendo no sistema financeiro mundial.
  • PauloHMB  19/09/2019 00:58
    Se o governo começar a reduzir tarifas de importação, talvez pudesse compensar esse dolar, certo?
    É até estranho o atual governo falar em redução de tarifas e ignorar o câmbio; como se não fosse fechar o mercado o dolar sair de 3,70 para 4,10;
    Vai entender essa lógica seletiva da abertura comercial
  • Vladimir  19/09/2019 02:54
    Reduzir tarifa ajuda, mas não resolve o problema. Com dólar caro, produtores preferem exportar o que é bom e deixar aqui o que é ruim. Óbvio: preferem ganhar moeda forte (exportando) e deixar os restolhos de má qualidade para os desdentados (com moeda fraca).

    Assim, há uma redução da oferta de alimentos e demais produtos tradables no mercado nacional. O fino vai pra fora. Só fica aqui a xepa. Carros, carnes e cafés de qualidade vão pro exterior. Aqui ficam a alfafa e as laranjas podres. O padrão de vida cai.
  • Felipe Lange  19/09/2019 00:58
    Por que o comitê do Copom está reduzindo tanto os juros interbancários? Pombalista? Como assim?
  • Trader  19/09/2019 02:48
    Pombalista = pomba = dove = oposto de hawk = banco central adepto de juros baixos e política monetária frouxa
  • PauloHMB  19/09/2019 18:38
    ''we are all keynesians now''
    Esta na ata que os juros estão abaixo do estrutural(como eles sabem qual o juro estrutural?) para ''estimular a atividade econômica'';
  • Vladimir  19/09/2019 18:45
    Sim. Fazenda e Banco Central foram tomados por desenvolvimentistas bizarros. Se eu soubesse que seria assim teria feito campanha pra Ciro Gomes. Aí ao menos eu não me decepcionaria.

    Até Mantega, Barbosa e Tombini foram menos desenvolvimentistas que esses idiotas.
  • Fan do Paulo Guedes  18/09/2019 23:33
    Banco Central NOVAMENTE reduz 5,50, o dolar vai disparar? E agora pessoal?
  • Humberto  19/09/2019 02:55
    De duas uma: ou esse atual Banco Central sabe exatamente o que está fazendo, ou então nossa moeda está a caminho de rivalizar com o peso argentino.

    Só sei que não acredito muito na primeira hipótese. A atual equipe não tem absolutamente nenhum integrante da gestão do Ilan Goldfajn. É um Bacen totalmente novo. Na dúvida, comprem ouro.
  • Thiago  19/09/2019 15:52
    Estou deduzindo que estão atrás de diminuir as despesas com juros e não estão se importando com o valor do Real. E devem ser do pessoal da tese de que moeda desvalorizada traz desenvolvimento...
  • Felipe Lange  19/09/2019 00:40
    Pessoal, o que vocês acham dessa postagem falando sobre a liberação dos defensivos agrícolas no Brasil?
  • anônimo  19/09/2019 02:47
    Postagem anônima de Facebook agora virou fonte para debate? Peloamor, hein...

    Os artistas, os defensivos agrícolas e a máxima de Nelson Rodrigues
  • Kennedy C.  19/09/2019 15:02
    Tentem afirmar o título desse artigo em voz alta para algum professor de humanas e você nunca mais terá chance de falar novamente, levando em consideração o quanto será interrompido.
  • INICIANTE NO IMB  20/09/2019 23:51
    Leandro (demais também podem responder),

    Analisando somente taxas de juros e câmbio, podemos concluir que para gerar crescimento econômico/bem estar é mais importante um cambio valorizado (moeda forte) do que do que uma taxa Selic em níveis historicamente baixos? (diferentemente do que ensinam nos cursos de economia por aí?)

    No cenário atual, para recuperação do crescimento econômico seria melhor termos um dólar na casa dos R$ 3,60 com uma taxa Selic a 7% ou 8%(por exemplo) ?
  • Leandro  21/09/2019 02:17
    "Analisando somente taxas de juros e câmbio, podemos concluir que para gerar crescimento econômico/bem estar é mais importante um cambio valorizado (moeda forte) do que do que uma taxa Selic em níveis historicamente baixos? (diferentemente do que ensinam nos cursos de economia por aí?)"

    Correto.

    Mesmo porque é impossível definir o que seria uma Selic alta ou uma Selic baixa. Apenas um livre mercado no setor de poupança e empréstimo pode definir a taxa de juros correta. Em mercado genuíno, juros baixos sinalizariam abundância de poupança, o que possibilitaria investimentos. Juros altos, baixa poupança.

    Se os juros serão baixos ou altos dependerá do nível de poupança e da demanda por esta (no Brasil, é o próprio estado o maior sugador de recursos).

    Por outro lado, o câmbio nem precisa estar "valorizado" ou "desvalorizado". Basta que ele seja estável. Estável em relação ao quê? Quanto maior a cesta de referência, melhor. Pode ser estável em relação ao ouro. Pode ser em relação ao dólar. Pode ser em relação ao euro. Pode ser em relação ao índice DXY (meu favorito).

    O Banco Central de Cingapura faz exatamente isso. Ele não estipula juros e nem faz metas para evolução da base monetária e dos agregados monetários (como faz o BC brasileiro). Ele tem uma única missão: manter uma taxa de câmbio estável.

    Exatamente como deve ser.

    Sua única função é manter estável o valor do dólar de Cingapura em relação a uma cesta de moedas das principais economias do mundo. A autoridade monetária de Cingapura não controla juros nem agregados monetários. Estes são definidos livremente por oferta e demanda. A autoridade monetária atua apenas para garantir que o dólar de Cingapura mantenha um valor relativamente estável perante as principais moedas do mundo. Ela faz isso aumentando e reduzindo a base monetária por meio da compra e venda de ativos, respectivamente.

    No site da autoridade monetária tem muita coisa interessante, inclusive a descrição do próprio mecanismo de funcionamento.

    www.mas.gov.sg/monetary-policy

    Veja lá, em destaque:

    "Monetary policy in Singapore is centred on managing the trade-weighted exchange rate with the objective to ensure price stability over the medium term as a basis for sustainable economic growth."

    Ou seja, ao passo que a maioria dos BCs controla juros, o de Cingapura mira apenas o câmbio. Se for pra escolher o menos mal, então o de Cingapura ganha de lavada, pois sua opção é muito mais racional. Já que é pra haver uma agência estatal manipulando a moeda, então uma que ao menos garanta o poder de compra da moeda é preferível a uma que tenta controlar o preço dos empréstimos de curto prazo (algo sem nenhum sentido).

    O ponto é: Banco Central nem deveria existir. Mas, dado que ele existe, dado que ele detém o monopólio da moeda, e dado que os brasileiros são obrigados a aceitar esta moeda, então o mínimo que o BC tem de fazer é ofertar uma moeda minimamente estável e com poder de compra. Isso é muito mais racional do que ficar fixando juros para empréstimos de curto prazo na crença de que isso irá controlar preços e estimular a economia.

    "No cenário atual, para recuperação do crescimento econômico seria melhor termos um dólar na casa dos R$ 3,60 com uma taxa Selic a 7% ou 8%(por exemplo) ?"

    Um real estável em relação ao dólar, ou ao ouro, ou ao índice DXY sempre será preferível a qualquer que seja a SELIC. Com moeda estável, tudo é mais previsível. Tudo é mais fácil de calcular. Investimentos se tornam bem menos incertos. O empreendedor ao menos tem uma idéia de qual será o seu poder de compra no futuro, quando o investimento começar a trazer resultados.

    Já uma moeda instável, aquela que nem permite você sequer estimar o câmbio para daqui a um mês, é totalmente incondizente com investimentos produtivos de longo prazo. Você investe em um ano com o dólar a R$ 3,10, e dali a dois anos o dólar está em R$ 4,20. Ou seja, você teria de ter um retorno de 35% em dois anos apenas para manter o mesmo poder de compra. Que confiança isso pode trazer? Eis um (artigo inteiro sobre isso).

    De resto, estabilizando a moeda, a SELIC irá automaticamente para o nível correto. Os períodos de maior crescimento econômico no Brasil ocorreram exatamente quando a moeda era estável.
  • INICIANTE NO IMB  22/09/2019 15:13
    Entendi, Leandro. Obrigado pela explicação.

    Considerando que a estabilidade do cambio/moeda é fundamental, faz diferença o nível onde a moeda esteja estabilizada? Por exemplo: no cenário atual, supondo que o BC conseguisse manter e zelar pela estabilidade do câmbio, seria bem melhor que um câmbio estabilizado na casa dos R$ 3,50 do que a R$ 4,20 ou isso não faria diferença?
  • Auxiliar  22/09/2019 16:05
    Quanto menor o nível do câmbio, mais forte é a moeda, mais robusta é a economia no curto prazo e menor a pressão nos preços.
  • Ajudante  23/09/2019 00:14
    Vamos comparar ao dólar por exemplo.
    Quanto menor a diferença, melhor.

    Na pratica... No escritório você terá um celular mais barato, um computador mais barato, um sistema mais barato. No chão de fabrica, a máquina (importada ou produzida aqui e que vai possuir algum componente importado) utilizada na montagem ou na confecção de seu produto final seria mais barata e imaginando que você não produz todas as peças do seu produto final, você pode escalar esse raciocínio para toda a cadeia de produção, ou seja, os produtos utilizados para compor seu produto final seriam mais baratos. Logo, seu produto final será mais barato, será mais vendido, pois você vai ter escala, e você conseguirá aferir lucros, fazendo com que você reinvista, contrate e prospere.

    Todos podem PLANEJAR melhor, essa é uma palavra desconhecida para a maioria dos brasileiros, mas é o que gera prosperidade, você pode simular cenários no futuro, estabelecer metas, ou seja, você pode organizar sua produção para que ela seja mais efetiva, mais diversificada, você pode organizar a sua vida. Lembre você agora tem uma moeda forte, demandada, estável. Você vai trabalhar com metas de resultados focados em melhorias dos lucros e não em como amenizar as perdas com a constante desvalorização da moeda.

    Sua vida será melhor, você pode ser empregado (com bom salário, pois existirá demanda por você) ou empresário e terá dinheiro para consumir, poupar, investir.

    Até para a porcaria do estado isso é melhor, pois com uma produção melhor, melhor seria a arrecadação.

    Mas infelizmente nossos mestres da economia, enxergam diferente, para eles o que interessa é que os juros do crediário sejam mais baixos e isso será suficiente para gerar produção, serio? Esse site não cansa de mostrar o paradoxo: De onde vem a criação de riqueza nesse cálculo? Parece elementar, mas enfim.
  • Pedro  23/09/2019 16:41
    Os políticos são coniventes com a corrupção, e quando descobertos
    dizem "viram como o capitalismo não funciona?" Esquerda ou direita, nossos políticos estão entranhados em negociatas e negociatas, seja para aprovação e projetos, indicação de função, entre outras coisas.
  • Emerson Luis  11/11/2019 13:22

    Análise empírica:

    Os megaempresários (Soros, Ford, Lemann, etc.) financiam e apoiam

    grupos que promovem o liberalismo

    ou

    grupos que promovem vertentes do socialismo/esquerdismo?

    * * *
  • Marcelo  26/11/2019 13:40
    Não resta dúvida de que o metacapital (avesso à instabilidade do mercado) criou o socialismo, para se associar ao governo, recebendo privilégios e "financiando" o partidão local.
    Neste diapasão, o CADE - Conselho Administrativo de Defesa Econômica é um órgão de defesa dos interesses esquerdistas no Brasil.
    Basta ver sua atuação a serviço do capitalismo de Estado, que se praticou no Brasil, antes do governo Bolsonaro.


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