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A tungada do aço e o mercantilismo de sempre

 

Exatamente como o IMB alertou em seu boletim da semana passada, o governo cedeu aos interesses mercantilistas das siderúrgicas nacionais e impôs novas tarifas protecionistas sobre a importação de sete tipos de aço.

Produtos como chapas e bobinas a quente, chapas e bobinas a frio, chapas grossas de aço carbono e barras de aços ligados, que tinham alíquota de importação zero, passarão a ter uma nova alíquota de 12%.  Já para as barras de aço ligado o confisco será maior: alíquota de 14%.

A justificativa para tal garfada recai sobre o culpado de sempre: a China.  Segundo a siderurgia nacional, os produtos chineses e seus baixos preços representam uma concorrência desleal para os produtos nacionais.

Porém, tal justificativa é tão bisonha que chega a ser incrível que tenha sido publicada pelos jornais.  Segue um trecho da notícia:

A medida atende ao apelo das siderúrgicas que estão perdendo mercado brasileiro para as importações, ao mesmo tempo em que houve uma retração da demanda interna e externa.  De acordo com uma fonte do governo, a medida visa a proteger a indústria nacional, sobretudo da importação de produtos siderúrgicos da China.

Segundo informação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que ainda não tem os dados por país até maio, as importações brasileiras de ferro e aço da China totalizaram US$ 175,9 milhões de janeiro a abril de 2009, contra US$ 114,4 milhões no mesmo período de 2008.

No mesmo período, as importações gerais desses produtos somaram US$ 831,5 milhões, acima dos US$ 789,82 milhões que entraram no País entre janeiro e abril do ano passado. Por outro lado, as exportações brasileiras caíram drasticamente: passaram de US$ 3,52 bilhões no primeiro quadrimestre do ano passado para US$ 1,99 bilhão no mesmo período de 2009. (Leia mais aqui)

Ou seja: ao mesmo tempo em que o setor exportou quase 2 bilhões de dólares, ele diz que está sofrendo concorrência desleal com importações que totalizam meros 176 milhões de dólares.  Mesmo quando se considera as importações totais desses produtos - isto é, não apenas as importações da China - o saldo comercial ainda é tremendamente positivo (2 bilhões contra 832 milhões).

Outra questão interessante é que, até meados de 2008, dizia-se que o crescimento da China era a força motriz do setor siderúrgico nacional, uma vez que a China demandava intensivamente aço e outros produtos siderúrgicos para sua infraestrutura.  Agora, pretende-se dizer que, em um espaço de menos de seis meses, as coisas mudaram a tal ponto que, um país que até então era freguês, virou um ofertante predador da indústria nacional.  Quanta eficiência!

A verdade é que a produção mundial de aço sofreu uma queda em todo o mundo.  Só nos quatro primeiros meses de 2009, a produção foi 23% menor que no mesmo período de 2008.  Na China, só em abril, houve uma queda de 4% (veja aqui).  Em termos nominais, a produção de aço no Brasil caiu 1,7 milhão de toneladas métricas em abril, enquanto que na China, também em abril, a produção despencou mais de 43 milhões de toneladas métricas.  Portanto, dizer que está havendo 'concorrência predatória' quando na verdade o seu concorrente direto está diminuindo sua produção, é, no mínimo, um tripúdio à nossa inteligência.

Podemos também analisar o cenário atual através de um panorama mais amplo, que é o volume de importações de matérias-primas em geral.  A tabela a seguir mostra os valores totais - em milhões de dólares - das importações mensais de matérias-primas, bem como a variação percentual em relação ao mesmo mês do ano anterior.

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Período

 

 

 

 

Matérias-

Primas

 

 

 

 

Valor

Var.

 

%

2008*

 

 

 

 

Jan

6 445

53,1

 

Fev

6 044

62,5

 

Mar

5 437

13,2

 

Abr

5 865

42,0

 

Mai

7 250

46,3

 

Jun

7 464

59,2

 

Jul

8 112

53,8

 

Ago

8 005

36,3

 

Set

8 295

63,2

 

Out

8 349

38,1

 

Nov

6 770

20,4

 

Dez

5 153

3,7

2009*

 

 

 

 

Jan

4 877

-24,3

 

Fev

3 752

-37,9

 

Mar

4 407

-18,9

 

Abr

3 820

-34,9

 

Mai

4 286

-40,9

Fonte: MDIC/Secex

 

 

 

Observe que durante todos os meses de 2008 o volume de importações foi incrivelmente superior aos respectivos meses de 2007.  Entretanto, mesmo com esses expressivos aumentos nas importações (inclusive de aço), nenhuma indústria de base veio reclamar mais protecionismo, embevecidas que estavam com a intensa demanda tanto mundial quanto interna.

Curiosamente a lógica se inverte em 2009.  Durante absolutamente todos os cinco primeiros meses deste ano as quedas nas importações (inclusive de aço) foram abissais, e em nenhum momento as importações apresentaram um valor nominal que sequer chegasse perto do de qualquer mês de 2008.  E é justamente nesse cenário que a siderurgia está reclamando de concorrência desleal.  Ora, que lógica é essa?  Por que a siderurgia não reclamou de concorrência desleal quando as importações estavam em alta, mas passou a espernear justamente quando as importações se tornaram quase insignificantes (em relação ao que eram em 2008)?  Aliás, por que a siderurgia está reclamando de dumping justamente no momento em que a produção mundial de aço está em queda livre?

Resta claro que a justificativa do apelo ao protecionismo por parte das siderúrgicas nacionais está, portanto, em outro lugar.

O problema real é que essas empresas se acostumaram com o crescimento fácil - quase que por inércia - promovido pelo crédito fácil e abundante que varreu todo o mundo entre 2003 e 2008.  A expansão monetária empreendida pelo Fed fez com que os bancos centrais mundiais também tivessem de expandir a base monetária de seus respectivos países - caso contrário o dólar se desvalorizaria e o setor de exportação ficaria prejudicado.  Essa expansão monetária concertada derrubou os juros mundiais e tornou o crédito farto e barato, estimulando a demanda principalmente dos setores que ocupam os estágios iniciais da cadeia de produção - isto é, as indústrias de base, como a siderurgia, a metalurgia, a petroquímica e o setor de extrativismo mineral.

Nesse cenário, as indústrias siderúrgicas apresentaram - como era de se esperar - os melhores resultados de sua história.  Mas agora que chegou o período da correção, com a demanda e os preços em inevitável queda, elas não querem aceitar a realidade.  É como estar em uma festa extremamente animada e receber a notícia de que acabou a cerveja.  Ninguém aceita a nova realidade e passa a exigir providências do dono da festa.

Essa queda na demanda (tanto interna quanto externa) provocou prejuízos, pois as empresas - que aparentemente não contavam com essa reviravolta súbita nos mercados - seguiram mantendo seus planos de investimentos na crença de que a bonança provocada pelo crédito artificialmente barato seria duradoura.  E como se adaptar à nova realidade - isto é, cortar custos e refazer investimentos - é bem mais trabalhoso do que fazer lobby, essas empresas preferem recorrer ao estado para que este suprima a livre concorrência e garanta seus lucros na marra - em detrimento dos consumidores desses produtos.

É de se esperar que a indústria automotiva e a de eletrodomésticos sejam as mais prejudicadas por essa medida protecionista, já que suas matérias-primas foram encarecidas artificialmente pelo governo.  E só mesmo o estado para achar que preços mais altos em época de recessão e desemprego são uma coisa positiva para a economia.

A TEORIA DO PROTECIONISMO

Em termos econômicos, essas tarifas de importação são indistinguíveis de impostos.  Elas nada mais são do que um confisco da propriedade das empresas consumidoras de aço e de seus clientes, uma vez que ambos são obrigados a pagar preços muito maiores do que aqueles que seriam praticados em um livre mercado.  Nesse sentido, tarifas de importação solapam as perspectivas de crescimento econômico.  Se alguém disser que não é bem assim, esse alguém certamente ignora não apenas toda a literatura da área - principalmente Bastiat - como também toda a lamentável história das interferências dos governos no comércio internacional.

O pensamento que origina esse tipo de protecionismo é soviético até a medula, por dois motivos.  Primeiro, porque o governo parte do princípio que a livre concorrência com produtos de fora é um mal a ser extirpado.  Se o concorrente externo é mais eficiente e consegue com êxito ganhar mercado interno, então, por definição, ele está incorrendo em "práticas injustas de comércio".

Segundo, porque o governo se arroga a sapiência de saber qual o "preço justo" que deve ser praticado no mercado.  Se o preço corrente das importações estiver abaixo desse patamar estipulado pelo governo, então certamente está havendo o "crime" de dumping (ou, como gostam de dizer, "precificação predatória").  Ou seja: o preço justo não é aquele determinado pelo mercado, mas sim aquele que o governo julga alto o suficiente para facilitar as coisas para a indústria nacional.

Além das raízes soviéticas, essa política também possui seu lado explicitamente fascista: o conluio entre estado e grandes empresas.  Esse arranjo também é conhecido mais simpaticamente como mercantilismo.  Trata-se de um arranjo em que ambos ganham: o estado arrecada mais impostos e, com isso, pode gastar mais para agradar sua base de apoio; as grandes empresas tornam-se capazes de cartelizar o mercado, restringir a produção, aumentar seus preços e descuidar da qualidade de seus produtos.  E quem perde, obviamente, é o consumidor, que agora tem de se virar com produtos ruins e mais caros.

A realidade, portanto, é que o protecionismo subsidia o ineficiente e tende a agravar a ineficiência, não importa se a indústria protegida é infante ou madura.  Tarifas de importação fazem também com que as administrações incompetentes não sejam punidas pelo mercado, que os custos de produção não sejam controlados (o que provoca o desperdício de recursos escassos) e que haja inúmeras concessões aos sindicatos.  O resultado, no longo prazo, será uma indústria perpetuamente não competitiva - como foi a indústria automotiva brasileira até os anos 1990.  Apenas a livre concorrência pode fazer com que uma empresa ou indústria se mantenha permanentemente competitiva - ou quebre.

Quanto à questão do dumping propriamente dito, trata-se apenas de lamúrias daquelas empresas que estão perdendo mercado para a concorrência externa.  Porém, mesmo no caso extremo de algum país estar sendo tolo o suficiente para nos ofertar produtos a preços realmente abaixo de custo, o certo seria que corrêssemos para aproveitar tal oportunidade, antes que os bobos de lá caíssem em si.  Se, por exemplo, a China, por pura extravagância, resolver inundar o mercado brasileiro com aço bom e gratuito, deveríamos, como consumidores, agradecer a barganha e aproveitá-la enquanto possível.  Enquanto não chegar o dia - inevitável - em que as empresas chinesas irão falir e consequentemente cancelar essa política maluca, os 'compradores' e consumidores brasileiros só terão a ganhar com essa oferta generosa.  O dumping só prejudica aquele que o pratica; ele sempre beneficia aquele a quem se destina.

 



autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Marcela A.  14/05/2012 20:45
    Leandro tenho algumas questões. Não muito entendida em economia(na verdade sou aluna pré vestibular ainda), mas o que aprendi nas aulas de história e geografia é:

    As empresas grandes conseguem manter a prática do dumping por algum tempo, mesmo tendo prejuízo, justamente pq são grandes. Com isso as pequenas empresas não conseguem concorrer com preços tão baixos e acabam quebrando, e aí temos um setor monopolizado. Isso não faz sentido? Mesmo o consumidor usufruindo de preços baixos durante o processo do dumping, assim que a empresa grande conseguisse desbancar as menores, teríamos um monopólio e aí essa empresa poderia estipular o preço que quisesse. Ao longo prazo, não seria algo ruim?

    Se puder me responder, fico agradecida!

  • Leandro  15/05/2012 06:14
    Prezada Marcela, esta é uma teoria completamente sem pé nem cabeça. Exatamente por isso, tal fato nunca aconteceu no mundo real. Não há absolutamente nenhum exemplo deste tipo de prática no mundo real. Nem mesmo um. E o motivo é simples: tal prática, além de ser completamente insustentável, é totalmente irracional do ponto de vista empreendedorial.

    Apenas imagine: você é a gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros.

    Pois bem. Após vários meses no vermelho, você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinha no mercado, porém bastante descapitalizada, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores. Pior ainda: estes novos concorrentes poderão perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora estará correndo o risco de ser expulsa do mercado. Seus concorrentes poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.

    Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática que você aplicou sobre os outros.

    E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la completamente. Um sujeito com esta "sabedoria" não duraria um dia no livre mercado, e não conseguiria encontrar emprego sequer como caixa de padaria.

    Esta teoria certamente foi inventada por algum economista que não sabia os mais mínimos conceitos de administração -- ou seja, qualquer economista.

    Grande abraço!


    P.S.: por outro lado, tal prática pode sim ser muito viável em um mercado totalmente regulado e protegido pelo governo, no qual não existe liberdade de entrada para a concorrência. Mas aí, neste caso, obviamente não temos uma falha de mercado, mas sim protecionismo estatal. Em um mercado assim, no qual o que vale é a amizade com o rei, qualquer incapaz prospera.
  • Marcela A.  15/05/2012 22:26
    Entendi. Muito obrigada, Leandro!

    Tentei até debater o tema com a prof em questão, mas ela acabou por perguntar que curso eu pretendia prestar, respondi que seria economia... Ela só se limitou a dizer que quando eu entrasse na universidade, entenderia. Desestimulador...

  • Paulo Sergio  16/05/2012 03:21
    Você vai encontrar dezenas desses pela frente,nunca desanime por causa disso, entenda isso da parte dela como um atestado de arrogância ou pior, de desonestidade.Ou pior ainda, de que o ambiente universitário é absurdamente contaminado por essas coisas
    E só uma coisa, se eu fosse você não faria economia não, se o que você quer é o conhecimento ninguém precisa de universidade nenhuma pra isso.E emprego pra economista da escola austríaca qual é? Não tem, só de professor mesmo e até isso é muito raro pelo mesmo motivo que falei antes...o ambiente universitário é esquerdista demais...
  • Gilberto  15/01/2016 13:43
    Interessante, não sabia que não existe exemplo real de dumping.
    Dumping é um argumento comum de "esquerdistas" contra a livre concorrência.
    Já vi num debate um cara dizendo que o Wallmart fez dumping para quebrar concorrentes. Já ouviram algo a respeito?
    Estou procurando no google e não encontro nada.
    Na verdade encontrei sim, Wallmart acusado de dumping mas era de lixo tóxico, não de preços :)
  • Taxidermista  15/01/2016 14:07
    Meu prezado:

    vale conferir esse artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1319


    E sobre esse pretexto protecionista chamado "dumping" (e "preços predatórios"), meu caro, tá tudo bem explicado naquele livro que te falei, lembra?


    www.mises.org.br/Product.aspx?product=87
  • Gilberto  15/01/2016 16:24
    Opa valeu de novo caro Taxidermista, vou ler o livro sim parece interessante.

    Quanto ao dumping a explicação do Leandro foi bem clara e faz todo sentido. Dumping é uma teoria ilógica.
    Qualquer empresa que se torne mais eficiente pode acabar sendo acusada de dumping.

    Estou googando sobre o Wallmart só para entender se houve realmente esse suposto caso ou não.
    À propósito dumping em inglês também pode significar "despejar". As manchetes que encontrei foi que o Wallmart estava despejando lixo tóxico.
  • anônimo  12/04/2018 21:18
    "Apenas imagine: você é a gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção.'' Mas Leandro, essa não é a definição de dumping considerada pela OMC. Para a OMC, é caracterizada como 'dumping' a prática de exportar produtos com preços inferiores aos preços que aqueles mesmos produtos são comercializados no mercado interno do país de origem. Ou seja, se o custo de produção de um produto é $100 e ele é comercializado no mercado interno a $150 e no externo a $101, tal situação se encaixaria na definição de dumping da OMC. Portanto a empresa ainda estaria lucrando e não estaria operando no vermelho. Isso não possibilitaria com que ela quebrasse a concorrência local e depois conseguisse criar um monopólio ou ao menos um oligopólio no mercado? Pois ela não estaria destruindo $1 sequer de seu capital, apenas diminuiu seus lucros por um determinado período de tempo para depois conseguir lucros ainda maiores (suponhamos que o mercado do país para o qual o produto está sendo exportado seja maior e mais vantajoso que o mercado de origem) . E então poderia aumentar os preços e passaria a controlar o mercado, gerando o desmantelamento da industria local,desemprego,etc. E existem alguns casos e processos disso registrados na OMC. Qual sua opinião sobre isso? Sou a favor do livre mercado e do fim do Estado, porém esse cenário me causou certo desconforto. Preciso ser refutado, por favor.
  • Guilherme  12/04/2018 22:23
    "é caracterizada como 'dumping' a prática de exportar produtos com preços inferiores aos preços que aqueles mesmos produtos são comercializados no mercado interno do país de origem. Ou seja, se o custo de produção de um produto é $100 e ele é comercializado no mercado interno a $150 e no externo a $101, tal situação se encaixaria na definição de dumping da OMC. Portanto a empresa ainda estaria lucrando e não estaria operando no vermelho."

    Os carros fabricados e vendidos no Brasil são também vendidos no México, na Argentina e no resto da América Latina pela metade do preço praticado no Brasil.

    A gasolina da Petrobras é também vendida na Argentina, no Paraguai e no resto da América Latina por menos da metade do preço praticado no Brasil.

    A Taurus e a Rossi vendem suas armas nos EUA a preços bem menores do que os praticados aqui dentro. Lá nos EUA um .38 da Taurus sai por US$ 350. Aqui sai por R$ 4.000.

    Pela sua lógica, tudo isso seria dumping. Obviamente, não é.

    Ademais, fica a pergunta: se uma empresa consegue ser eficiente ao ponto de vender seus produtos a um preço baixo e ainda assim lucrar com isso (pela sua própria definição, isso é dumping), quem exatamente está sendo prejudicado?

    Você está querendo punir a empresa eficiente (que vende barato e ainda consegue lucro) para proteger a ineficiente (que não consegue ter lucro se for vender pelo mesmo preço).

    Gentileza apresentar um mísero argumento econômico em defesa deste arranjo (premiar o ineficiente e punir o eficiente).

    "Isso não possibilitaria com que ela quebrasse a concorrência local e depois conseguisse criar um monopólio ou ao menos um oligopólio no mercado?"

    Uma empresa quebra todas as outras do resto do mundo e passa a ter um []umonopólio global[/u]?! É isso mesmo? Você sinceramente acredita nesse delírio?

    Por gentileza, apresente um único exemplo prático disso. Diga uma empresa que praticou preços baixos, quebrou todos os concorrentes ao redor do mundo, e ficou só ela como única fornecedora global.

    Acho que você já percebeu seu erro: você está pensando em termos puramente locais, sendo que a economia é globalizada. Se uma empresa estrangeira concorrente (A) leva uma empresa nacional à falência (porque é mais eficiente), a população deste país sempre poderá recorrer a outra empresa estrangeira concorrente (B). É impossível, numa economia globalizada, haver uma única fornecedora global. Pare de delírios.

    O único arranjo que pode distorcer tudo isso é se o governo nacional impuser tarifas de importação -- aí realmente os nativos ficarão reféns. Mas, ora, tarifas de importação serão as culpadas, e não o livre mercado.
  • Emerson Luis, um Psicologo  19/02/2014 14:25

    Um governo intervencionista sempre encontra pretextos para mais intervenções, mesmo que estes pretextos sejam o oposto dos subterfúgios anteriores.

    Ótima explicação sobre dumping!

    * * *
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  20/03/2015 21:46
    Liberar a economia é preciso.
  • Gilberto  15/01/2016 13:38
    Gostei do artigo, me ajudou a olhar os fatos por um outro ângulo!
    Seria interessante fazer outro artigo com dados atualizados?

    Tenho um particular interesse em aço pois é a principal atividade na cidade em que nasci.
    E lá era bem difundida essa ideia de que a China era o principal comprador e depois virou concorrente.
    Numa conversa recente que tive com um amigo que trabalha nessa usina de aço (Aperam, ex-Acelor Mital) ele comentou que e China está fazendo dumping e que por isso a empresa exige proteção do governo.
    Não moro mais na cidade, mas me parece que essa história da "concorrência desleal" da China é senso comum por lá.
    Certeza que a própria empresa ou o sindicato deve divulgar essas ideias para os empregados.


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