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Qual traz maior prosperidade para uma economia: criação de valor ou maior eficiência na produção?
E não, você não pode ter os dois ao mesmo tempo

Qual é o objetivo de uma economia?

A atual ciência econômica lecionada nas universidades sugere que a economia — especialmente a microeconomia — é sobre a busca por eficiência na produção. Estuda-se a teoria da produção, equações de maximização dos lucros, fronteiras de possibilidade de produção, eficiência produtiva, eficiência alocativa etc.

Consequentemente, modelos são criados tanto para avaliar o grau com que tal objetivo — a eficiência da produção — é alcançado quanto para prever quais serão os resultados caso ocorra esta eficiência.

Mas isso, além de ser um erro fundamental e ser claramente impossível, é também indesejável. Sim, é indesejável se concentrar na "eficiência da produção".

A garantia do imobilismo

A verdadeira economia não é sobre maximizar a eficiência da produção, mas sim sobre criar valor.

Criar valor é descobrir o que os consumidores valorizam e então ofertar bens ou serviços para satisfazer essa demanda. Resolver problemas, satisfazer desejos ou necessidades, tornar a vida mais confortável etc.: tudo isso é criação de valor.

Seja abrir um restaurante que oferte alimentos desejados ou criar um aplicativo de transporte que se torna bastante demandado: isso é criar valor.

A eficiência na produção, embora desejável, não pode ser o objetivo final. Eficiência, por definição, significa olhar para o passado para tentar fazer alterações no presente. Significa ausência de progresso. Já a criação de valor significa olhar para o futuro, ter ambições, gerar novidades.

Eficiência é sobre reformular e alterar processos e mecanismos que já existem, com o objetivo de torná-los mais rápidos, estáveis e com menos desperdício. É sobre gerenciamento. É sobre reduzir custos e gastos desnecessários.

Só que, por definição, só é possível cortar custos se já existir um processo de produção estabelecido, do qual custos podem ser cortados.

Em outras palavras, eficiência não é uma questão de descobrir novas coisas a serem feitas, mas sim de apenas efetuar — de outras maneiras — coisas que já existem. De certa forma, isso é um imobilismo.

Considere um determinado processo de produção — seja dentro de uma empresa ou da economia como um todo —, o qual já é eficiente (ou que está bem perto de se tornar eficiente). Cada medida adotada visando a aumentar a produção com um menor custo por unidade de insumo é um aprimoramento em termos de eficiência. Isso seria bom para a sua margem de lucro.

E aí vem a pergunta: por que, nesta situação de busca pela eficiência, você redirecionaria recursos e especularia na produção algo diferente? Por que você se aventuraria em outros ramos, em novas linhas de produção? Não faria sentido. Do ponto de vista lógico, você não faria isso porque tal medida seria ineficiente; ela tornaria todo o processo de produção menos eficiente.

Entretanto, isso é exatamente o que ocorre em uma economia em que há empreendedorismo: há várias tentativas de inúmeros novos tipos de produção, de novos tipos de produtos e serviços etc. E uma primeira tentativa nunca é eficiente. Na esmagadora maioria das vezes, a primeira tentativa é escandalosamente ineficiente e esbanjadora. Porém, naqueles empreendimentos que se revelam bem-sucedidos, há criação de valor. As demandas dos consumidores são atendidas e, consequentemente, novos valores são criados.

E é aí, então, por meio das descobertas estimuladas pela concorrência e por administradores competentes, que o processo de produção pode passar a ser aprimorado visando a eficiência (se ele irá alcançá-la ou não é outra história). É após a criação de valor que o empreendedor pode começar a "se dar ao luxo" de otimizar seu processo de produção.

Surgem outros mais ineficientes, e aí ocorre o progresso

Com alguma sorte, todo este processo — embora esteja se aproximando da eficiência — é abalado pelo surgimento de um novo processo mais ineficiente, o qual, no entanto, cria mais valor para os consumidores. É mais esbanjador em termos de recursos utilizados em relação ao valor do produto criado, mas, ainda assim, o produto criado é mais valoroso (para os consumidores).

Schumpeter rotulou este processo de "destruição criativa" (capítulo 7 de seu livro Capitalismo, Socialismo e Democracia), argumentando que este processo de descoberta e criação sempre irá sobrepujar um sistema que esteja sempre maximizado.

É exatamente porque há recursos disponíveis/ociosos, que o elemento essencial de uma economia livre (o empreendedorismo) consegue criar imenso valor – e sempre por meio de inovações ineficientes, mas voltadas para a tentativa de criação de valor.

Toda ação envolvendo criação de valor está mirando o futuro, como Carl Menger sempre enfatizou. Já a eficiência envolve o gerenciamento daquilo que já existe e já está bem estabelecido.

Você só pode otimizar e tornar mais eficientes aqueles processos que já existem e já estão estabelecidos; você não pode exigir que algo novo já seja eficiente desde o surgimento.

Consequentemente, a busca sistematizada pela eficiência necessariamente irá criar obstáculos caso nosso objetivo seja aumentar o padrão de vida e bem-estar, e salvar a humanidade da pobreza. Ademais, um enfoque obsessivo na eficiência em vez de na criação de valor (e você não pode ter os dois simultaneamente), pelo fato de recorrer ao passado em vez de olhar o futuro, também irá fortalecer as estruturas já consolidadas. E não há nada que garanta que os detentores de capital do passado serão os mesmos que criarão valor no futuro. Com efeito, é quase sempre o contrário: disrupções são geradas por pequenos e aparentemente insignificantes empreendedores e inovadores.

Por tudo isso, se o nosso objetivo for a eficiência, então quaisquer que sejam as diferenças entre os empreendedores já estabelecidos e os potenciais novos entrantes serão aumentadas: aqueles que já possuem e dominam estruturas de produção existentes serão os que irão se beneficiar de torná-las mais eficientes (menos custosas). E, consequentemente, a diferença entre os que detêm capital e os que não detêm será consolidada. E não por causa de seu poder e influência — muito embora o estado tenda a lhes garantir isso também —, mas sim porque o passado não sofrerá uma disrupção oriunda de uma nova criação de valor.

Para concluir

A realidade é que, em uma economia de mercado, empreendedores concorrem entre si não para ver quem minimiza custos (aumenta a eficiência), mas sim para ver quem mais gera valor para os consumidores.

O que interessa para a sociedade e para a economia é esta busca pela criação de valor, pois é ela que melhora nosso padrão de vida. E o resultado dela será uma variedade de bens e serviços que os consumidores poderão escolher — e eles escolherão aqueles que representarem a melhor opção de acordo com seu ponto de vista (ou seja, aqueles que mais lhes criarem valor).

Neste sentido, e ao contrário do que é ensinado, a busca pela eficiência, por si só, não deve ser o objetivo de uma economia. Mais ainda: do ponto de vista de indivíduos que querem elevar seu padrão de vida, ela deveria ser evitada.

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Leia também:

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Dica aos empreendedores: o preço já está dado. Agora, escolham seus custos



autor

Per Bylund

foi consultor de negócios na Suécia, é Ph.D em economia pela Universidade do Missouri e é professor de Empreendedorismo e Livre Iniciativa na Escola de Empreendedorismo da Oklahoma State University.




  • Humberto  26/06/2019 17:08
    Muito bom o ponto. Confesso que nunca tinha visto a coisa por esse prisma. Obrigado pelo insight, como sempre.
  • RICARDO KILSON  26/06/2019 17:20
    Excelente artigo! Foi exatamente isso o que Michael Hammer e James Champy disseram nos anos noventa quando escreveram Reengineering the Corporation. Para se criar valor é preciso mudar as coisas e para mudar as coisas é preciso fazer a Reengenharia, ou como disseram Hammer e Champy: "reengenharia é começar de novo". Resumindo, se você quer gerar valor comece por fazer todos os dias a pergunta que Hammer e Champy fizeram: "Por que fazemos o que fazemos?" Ao se fazer essa pergunta todos os dias você verá como muitas coisas que você faz parecem ser eficientes, no entanto não geram valor algum para ninguém.
  • Carlos Alberto  26/06/2019 17:29
    Um bom exemplo prático disso é a Uber. Criou um puta valor para nós consumidores, trouxe riqueza para todos (ao reduzir nossos custos de deslocamento e, consequentemente, trazer mais demanda para todos os estabelecimentos comerciais das grandes cidades), mas ainda não conseguiu se tornar eficiente.

    Imagine se a Uber fosse criada "buscando a eficiência"? Estaria no papel até hoje.

    Adicionalmente, o surgimento disruptivo da Uber pavimentou o caminho para Cabify e Lyft, que, trilhando o caminho desbravado pela Uber, conseguiram ser mais eficiente (pois não tiveram o trabalho de ter de inventar como criar valor; apenas copiaram).
  • Renato B.  26/06/2019 17:51
    Empresas de delivery de tudo também estão assim. Recentemente, fiz TODAS as compras do supermercado via Rappi. Chegou no horário, tudo certinho e ainda ganhei um cash back de 40%. Uma maravilha.

    A empresa só ainda não aprendeu a ter lucros consistentes. Ela se sustenta com o capital que levantou e queima caixa para tentar ganhar market share. Ao fazer isso, criar valor para os consumidores. Disrupção pura, como diz o artigo.

    www.istoedinheiro.com.br/para-onde-vai-a-rappi/

    www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2018/09/14/internas_economia,705852/empresa-de-entregas-rappi-cresce-e-ja-vale-us-1-bilhao.shtml
  • Régis  26/06/2019 18:14
    E no final apenas algumas poucas irão sobreviver. A maioria irá quebrar. Mas capitalismo é isso mesmo: não é um arranjo para beneficiar produtores; é um arranjo que beneficia apenas os consumidores.

    No capitalismo de livre mercado, quem sempre ganha é o consumidor
  • Felipe  26/06/2019 21:15
    É mas a Uber n da lucro, quem investe quer retorno, logo também tem q ser eficiente, com knowhow e capital se consegue eficiencia deaneira rápida, com criatividade e capital se consegue valor os dois andam juntos um puxando o outro
  • Vladimir  26/06/2019 21:39
    "É mas a Uber n da lucro, quem investe quer retorno"

    E se a Uber surgisse com o objetivo de "ser eficiente" em vez de "criar valor para seus usuários"? Ela seria diferente de uma empresa de táxi? Ela ainda existiria hoje?

    Primeiro a Uber conquistou mercado criando valor para os consumidores. Depois, só depois, é que ela foi se concentrar em tentar alguma eficiência administrativa (e o sucesso de seu IPO mostra que os investidores acreditam nela, caso contrário não arriscariam seu dinheiro).

    Ou seja, além de criar valor para seus usuários, há investidores dispostos a Uber, pois acreditam em seu potencial futuro.

    "logo também tem q ser eficiente, com knowhow e capital se consegue eficiencia deaneira rápida, com criatividade e capital se consegue valor os dois andam juntos um puxando o outro"

    Beleza. Mas o que vem primeiro: criação de valor e conquista de mercado, ou a simlpes busca pela eficiência?

    Sim, é possível criar valor e ser eficiente. Mas não ao mesmo tempo. Eu mesmo desconheço um único caso de empresa disruptiva que já nasceu eficiente. Se você conhece, favor compartilhar.

    Ademais, como o texto aponta, só é possível buscar a eficiência quando você já conquistou sua fatia de mercado (pois soube criar valor para os consumidores). Por definição, é impossível "buscar eficiência" quando você ainda nem sequer surgiu e conquistou clientes. Juro que não entendo qual é o busílis.
  • Lucas-00  26/06/2019 17:33
    Boa tarde IMB.
    Gostaria de saber como é o processo para se publicar um artigo aqui.
    Escrevi um que acho que valeria a pena ser publicado (com toda minha humildade, claro).
  • Ombud  26/06/2019 17:45
    contato@mises.org.br
  • Murilo  26/06/2019 17:47
    Anarcocapitalismo não passa de jusnaturalismo de boteco. Mesmo com uma caralhada de normas jurídicas e poder coercitivo do Estado as pessoas não respeitam a propriedade umas das outras, e vocês querem acreditar que, sem isso, as pessoas se respeitarão magicamente porque é "ético"? Que piada. Na ausência de Estado, quem tiver as maiores armas fará as vezes de Estado, e o resultado não será nada bonito.


  • Benício  26/06/2019 18:10
    Eu sempre me pergunto como é que determinados espécimes exóticos despencam neste site para vomitar asneiras.

    Parece que funciona assim:

    O sujeito acorda cheio de "idéias originais", as quais o mundo não pode esperar para ouvir, diz: "Ahá, agora vou no site do IMB refutar suas teorias". E aí o coitado despenca no primeiro artigo que encontra e descarrega nele sua diarréia cerebral, a qual nem sequer está relacionada com o tema do artigo. (Pena que o moderador parece ser meio desleixado, não respeitando a própria propriedade privada, mas isso é outra historia).

    Cidadão, dica para você: seja contra o anarcocapitalismo o quanto quiser, mas saiba que os seguidores desta idéia nunca argumentaram que em tal arranjo as pessoas iriam "magicamente se respeitar porque é ético". Isso você tirou de sua cabeça, que por sua vez parece estar alojada no final do seu intestino grosso.
  • Murilo  26/06/2019 18:42
    PNA é o que então, jusnaturalista botequeiro? Anarcocapitalismo não passa de utopia adolescente, dessas bem tresloucadas mesmo. Adoro ver as peripécias e malabarismos argumentativos de vocês tentando explicar como o sistema jurídico funcionaria neste "arranjo", onde existem diversos tribunais e ordenamentos jurídicos conflitantes e ainda assim, magicamente, tudo funcionaria bem. Afinal, tudo que leva o selo "privado" deve ser melhor, não é? Risos e mais risos.

    Quer ver o anarcocapitalismo na prática? Visite uma favela dominada pelo tráfico. Lá o Estado formal não apita nada, assim os traficantes fazem as vezes de Estado, com poder coercitivo na base da lei do silêncio e muita munição de fuzil. Talvez eles tenham esquecido do PNA, hahahaha.
  • Destruidor  26/06/2019 19:17
    "PNA é o que então"

    É isto: se você me agredir, eu tenho o direito de revidar. Se você agride um inocente, este inocente tem o direito de revidar.

    Isto é o PNA. Quem o viola perde seus direitos. Quem agride terceiros inocentes perde o direito de não ser agredido. Quem rouba terceiros perde o direito de não ser roubado. Quem viola o corpo de terceiros perde o direito de ter seu corpo violado. Quem mata terceiros inocentes perde o direito de não ser morto.

    Isso é o PNA.

    (Aliás, isso não tem nada de original e nem sequer é teoria nova; já estava na Bíblia. A única discussão em aberto é se a retribuição é do tipo "olho por olho" ou "dois olhos por um olho".)

    Você, ao demonstrar nem sequer saber este básico, comprova que nem sabe onde está.

    "Anarcocapitalismo não passa de utopia adolescente, dessas bem tresloucadas mesmo."

    Argumento poderosíssimo e irrefutável. Estou boquiaberto com seu intelecto. (Aliás, esperar o que de alguém que nem sabe o que realmente é o PNA?).

    "Adoro ver as peripécias e malabarismos argumentativos de vocês tentando explicar como o sistema jurídico funcionaria neste "arranjo", onde existem diversos tribunais e ordenamentos jurídicos conflitantes e ainda assim, magicamente, tudo funcionaria bem. Afinal, tudo que leva o selo "privado" deve ser melhor, não é? Risos e mais risos."

    Sigo abismado com seu intelecto. Você é realmente qualificadíssimo. Frases originais que exsudam profunda perspicácia. Nunca vi algo assim.

    "Quer ver o anarcocapitalismo na prática? Visite uma favela dominada pelo tráfico. Lá o Estado formal não apita nada, assim os traficantes fazem as vezes de Estado, com poder coercitivo na base da lei do silêncio e muita munição de fuzil. Talvez eles tenham esquecido do PNA, hahahaha."

    Legal você citar favelas como exemplo de ausência de estado, quando a realidade é que as favelas são um perfeito exemplo de excesso de estado. E isso vale tanto para as favelas dominadas por milícias quanto para as favelas dominadas por traficantes.

    Pra começar, e só pra começar, miliciano é policial militar. Ou seja, é gente que usa do monopólio da violência que lhe foi conferido pelo estado para aterrorizar inocentes.

    Dizer que milícia -- que é algo que só existe e só se impôs por causa do estado -- é um sintoma de ausência de estado mostra o quão descolado da realidade você é.

    Mas piora.

    Quem garante a reserva de mercado e os altos lucros dos traficantes? Exatamente: as políticas anti-drogas do estado. E quem proíbe forças privadas de subir as favelas para matar traficantes? Exatamente, o estado.

    Deixa eu desenhar para você.

    Uma área pobre de uma grande cidade, infestada de quadrilhas de traficantes que circulam por ali sem qualquer restrição, vendendo abertamente drogas nas ruas e becos e descarregando rajadas de metralhadora em qualquer um que apresente um comportamento suspeito está nessa situação terrível justamente porque há ali excesso de estado.

    1) Se a polícia e o estado realmente nunca se preocupasse em impor qualquer lei naquela área, então ninguém teria de se preocupar com o risco de ir pra cadeia por estar vendendo drogas.

    2) Consequentemente, empresas de fora poderiam ir se instalar naquele bairro, abrir lojas com janelas à prova de balas e vigiadas por seguranças muito bem armados, e vender cocaína e outras drogas para os moradores (ou, principalmente, para os clientes que vêm de outros bairros) por uma fração do preço vigente nas ruas.

    3) Essas empresas iriam rapidamente quebrar todas as quadrilhas de traficantes que operam na região, uma vez que os clientes iriam correr em manada para aqueles empreendimentos profissionalmente geridos, principalmente por causa de seus preços baixos e pela qualidade de seus produtos.

    4) Porém, por que isso não ocorre? Porque se alguns empreendedores tentassem de fato implementar o plano acima, eles seriam rapidamente impedidos pela polícia, que interromperia suas atividades (com o indisfarçável apoio dos traficantes locais).

    5) Mais ainda: essas empresas teriam suas contas bancárias confiscados por ordem do judiciário, inviabilizando qualquer operação. Líderes comunitários e religiosos iriam reclamar que uma farmácia não pode vender cocaína para adolescentes em plena luz do dia (embora os traficantes o façam imperturbáveis) e o chefe da delegacia encarregada da região iria concordar.

    6) Com efeito, nem ocorre a qualquer empreendedor tentar fazer o que foi dito acima porque - duh! - seria algo totalmente ilegal.

    Portanto, não é difícil entender que não é inoperância do governo o que permite que determinadas favelas permaneçam em um equilíbrio violento; ao contrário: é justamente o ataque do governo aos direitos de propriedade que faz com que bandidos detenham um poder permanente sobre determinadas regiões.

    Da próxima vez que se manifestar em público, certifique-se de que ao menos conhece o básico do assunto sobre o qual se propôs a falar. Assim evita passar esta vergonha autoimposta.

    Saudações.
  • Dane-se o estado  27/06/2019 19:18
    "onde existem diversos tribunais e ordenamentos jurídicos conflitantes "

    A lei estatal é super coerente! pode acreditar abiguinho! os tribunais estatais são super honestos e eficientes. Mas um arranjo onde as pessoas podem boicotar tribunais conflitantes, contraditórios e desproporcionais chegando a um consenso útil comum, inclusive já amplamente exposto pela teoria libertária, o que forçaria tais tribunais a se adaptarem ao arranjo mais eficiente e lógico possível, mas é nessa sociedade que a justiça e a ordem social não iria funcionar çim.
  • Estado o Defensor do Povo  26/06/2019 22:49
    Não defendemos isso meramente porque "as pessoas magicamente irão acreditar nisso", e sim também porque é o que achamos ser a forma certa de conviver pacificamente com os outros, nenhum ancap argumenta que no ancapistão vai tudo funcionar perfeitamente e não vai mais existir agressão, é que nem estupro e assassinato, as pessoas não dizem que é errado porque esperam que sejam um dia erradicados totalmente da sociedade, esse tipo de coisa sempre irá ocorrer, as pessoas dizem que é errado porque é errado.
  • Guilherme  26/06/2019 18:12
    O cara realmente acha que o argumento utilizado pelos anarcocapitalistas é que "as pessoas se respeitarão magicamente isso é ético"?!

    Eu nem sou anarcocapitalista (não perco com tempo com rótulos), mas a honestidade intelectual me obriga a dizer que este nunca foi o argumento. Há um enorme aracabouço teórico explicando os princípios básicos do anarcocapitalismo (já li a maioria), e absolutamente nenhum diz que no anarcocapitalismo as pessoas magicamente irão se respeitar porque "isso é ético".

    A piada é você, Murilo.

    P.S.: eu até colocaria links aqui, mas nem vou me dar ao trabalho. Ele não vai ler mesmo...
  • Tiago  26/06/2019 19:31
    No final, é exatamente isso o que gera riqueza: idéias.

    Podemos discutir qual é o arranjo mais propício no qual implantar idéias. Mas, sem idéias, não há criação de riqueza.

    Obviamente, de nada adianta ter idéias se não houver respeito à propriedade privada, acumulação de capital, leis claras, estabilidade jurídica, bens de capital e liberdade de negociação. Porém, e inversamente, de nada adianta ter tudo isso, mas não ter idéias.

    Sem idéias, nada sai do lugar.
  • Estudante  27/06/2019 03:44
    Os 3 únicos fatores que geram riqueza são trabalho, capital e conhecimento, nada mais.

    Agora, para que os fatores de produção sejam otimizados e melhor direcionados as necessidades do seres humanos, é necessário haver um ambiente que garanta a propriedade privada e o livre comércio.

    E sim, o fator mais importante para se criar riqueza é o conhecimento, sem conhecimento não há trabalho e nem capital.
  • Lucas Costa  26/06/2019 19:41
    Eu encontrei essa idéia de imposto ser roubo há pouco tempo, então estou abrindo minha mente para ambas as idéias (de ser roubo ou não). Então me ajudem: Como sistema perfeito ainda não existe, o que vocês acham que seria o "correto" a respeito de impostos e meios de governo? Sem imposto, não acabaria o dinheiro? Sem dinheiro, como seria?
    Preciso de argumentos que não me mostrem a moralidade, mas sim o por quê. O por quê é errado o Estado usar nosso dinheiro para as coisas para que ele é utilizado, o por quê é errado pagarmos parte de nosso dinheiro para Estado. Desde já agradeço!
    Espero que um dia nossa espécie evolua para um tipo de sociedade que consideramos perfeita, embora nem saibamos o que seria um sistema perfeito diferente do nosso, pois ele nos foi imposto desde sempre.
  • Sávio  26/06/2019 19:58

    Impostos nada mais são do que roubo legalizado

    A tirania do imposto sobre a renda - e por que um imposto sobre o consumo é tão ruim quanto

    A natureza do estado


    P.S: não entendi você dizer que "sem imposto acabaria o dinheiro". Como assim? Quando o dinheiro era o ouro, ele dependia de impostos? Só surgia ouro no mundo quando as pessoas pagavam impostos?
  • Bruno Monnerat  26/06/2019 20:30
    Eu discordo. Na minha prática procuro melhorar a eficiência sempre que possível; isso é bastante difícil mas poupa recursos escassos e valiosos, entregando o mesmo serviço, ou ainda melhor. Acredito não existir "imobilismo" aí.

    Eu valorizo mais a produtividade que o empreendedorismo, basicamente porque acho mais racional melhorar servicos e produtos que dão certo do que apostar em novas ideias. Sem dúvida, o status de ser pioneiro tem charme e tá na moda, impulsionando o empreendedorismo; enquanto aqueles que miram a produtividade costumam ser chatos e meticulosos hehehe
  • Vladimir  26/06/2019 20:38
    Ué, e você faz exatamente aquilo que o artigo explica: quem já está estabelecido, usufruindo um já "garantido" nicho de mercado, tende a se concentrar mais em ser eficiente do que em ser disruptivo.

    É o seu caso, ao que parece. Logo, não há do que discordar.


    P.S.: entretanto, se toda a economia fosse assim como você , ou seja, sem novas criações, e com todo mundo preocupado apenas em se manter como está, o imobilismo seria total. Ninguém criaria nada, ninguém inventaria nada, ninguém produziria nada de diferente. Não haveria pujança.

    Sobre isso, recomendo muito o artigo abaixo, que é um perfeito complemento ao artigo acima:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2473
  • Bruno Monnerat  26/06/2019 20:55
    E se ao buscar uma melhora da produtividade, desenvolvo uma nova ferramenta? Quer dizer que houve uma criação do imobilismo? E se eu não quiser vender esta ferramenta, e sim usar apenas como um diferencial individual, estou errado?

    O fato que eu discordo no texto é que você tem que escolher entre criar valor ou ser eficiente. Pode-se ter ambos. Acho apenas que a chance de fracasso é menor ao buscar eficiência.
  • Vladimir  26/06/2019 21:31
    "E se ao buscar uma melhora da produtividade, desenvolvo uma nova ferramenta?"

    Você se refere a um novo método de gerenciamento? Aí você estará consolidando ainda mais sua posição de domínio no mercado.

    "Quer dizer que houve uma criação do imobilismo?"

    Se nada de novo foi criado em termos de geração de valor para o consumidor, então sim.

    Acho que você ficou desconfortável com o termo "imobilismo". Mas ele não é necessariamente pejorativo. Em muitos casos, imobilismo é bom. É melhor haver imobilismo do que retrocesso.

    Às vezes, se trocar o termo 'imobilismo' por 'consolidação' você ficaria menos desconfortável.

    "E se eu não quiser vender esta ferramenta, e sim usar apenas como um diferencial individual, estou errado?"

    De modo nenhum. É criação sua. É sua propriedade privada. Você a utiliza como bem entender. Inclusive para consolidar sua posição no mercado.

    "O fato que eu discordo no texto é que você tem que escolher entre criar valor ou ser eficiente. Pode-se ter ambos."

    Sim, pode ser ambos. Mas não ao mesmo tempo. Eu mesmo desconheço um único caso de empresa disruptiva que já nasceu eficiente. Se com você foi assim, então você é um caso único.

    "Acho apenas que a chance de fracasso é menor ao buscar eficiência."

    Ninguém discorda disso. Mas, como o texto aponta, só é possível buscar a eficiência quando você já conquistou sua fatia de mercado (pois soube criar valor para os consumidores). Por definição, é impossível "buscar eficiência" quando você ainda nem sequer surgiu e conquistou clientes.
  • Marcos   27/06/2019 04:14
    O grande problema é que a maioria das pessoas viram empreendedores porque querem "fazer aquilo que gostam" e não aquilo que realmente que cria valor para os consumidores e que está sendo demandado. Aí quebram a cara e ficam com raiva e deprimidas. É difícil aceitar que o erro estava lá no início (palavras de alguém que já se ferrou várias vezes ao tentar apenas "fazer aquilo que dá prazer" mas que não era muito demandado pelas pessoas).
  • Humberto  27/06/2019 04:34
    Sim, a esmagadora maioria dos empreendedores de sucesso hoje já erraram, já perderam e certamente já foram considerados um fracasso em outras áreas. Ao serem punidos pelo mercado (ou seja, pelos consumidores), eles se ajustaram, se aprumaram, aprenderam e souberam reconhecer que o que interessa é gerar valor.

    São muito poucas as pessoas que começam a empreender pela primeira vez realmente sabendo disso.

    Aliás, a maioria dos pequenos empreendedores são um tanto ruins. E é exatamente por isso que eles permanecem pequenos. Kiyosaki falou isso em Pai Rico, Pai Pobre. Se fosse fácil, todos fariam. É por isso que os realmente bons (os que sabem criar valor) ficam ricos rapidinho.


    P.S.: as pessoas, quando deixadas por conta própria, sem privilégios, protecionismos e subsídios, acabam sempre se especializando naquilo que realmente sabem fazer de melhor. O real valor de um arranjo de livre mercado e guiado por empreendedores é a capacidade das pessoas de aprender com os erros passados em conjunto com os incentivos para fazer esse aprendizado (e com isso criar valor para terceiros).
  • Felipe Lange  27/06/2019 11:48
    Leandro, tempos atrás você disse que valores como disciplina e trabalho duro nos asiáticos foram fatores de sucesso, no processo de enriquecimento (Coreia do Sul no caso). Por que isso estaria contido neles? Os outros povos também estariam?
  • Leandro  27/06/2019 14:07
    Por que isso estaria contido neles? Bom, a minha resposta para isso é simples e direta: não sei.

    Antropologia e estudo das culturas não são minha especialidade. Reconheço que determinadas culturas possuem determinadas qualidades e determinados traços comportamentais, mas não sei explicar por que elas são assim e nem como se tornaram assim. Tenho apenas palpites, mas não estudos aprofundados sobre o tema. E, ainda que os tivesse, seriam apenas hipóteses, e não afirmações conclusivas.
  • Felipe Lange  28/06/2019 01:34
    Mudando agora um pouco de assunto, você sabe o motivo das empregadas domésticas terem virado luxo em países desenvolvidos como os EUA? Teria algum motivo com regulação trabalhista? No Brasil, sabe-se que é o que acabou acontecendo, após a PEC das domésticas. Vi nesse artigo de que uma doméstica cobrava U$80 a hora, uma verdadeira pornografia. Acho que ganhando algo assim por aqui (moro na Flórida), só sendo político.

    Quando eu vi anúncios por aqui de house cleaning, não chegava nem perto de tamanho ganho.

  • Amante da Lógica  28/06/2019 05:29
    São vários fatores.

    1) Como os EUA sempre foram um país capitalista, sempre houve uma abundância de equipamentos eletrodomésticos que facilitam as tarefas domésticos. Acesso farto e barato a máquinas de lavar roupa, máquina de secar, lava-louça, aspiradores de pó, ferro de passar etc. nunca foi problema. Logo, nunca houve essa demanda por empregadas domésticas.

    1-a) No Brasil e nos demais países latinos, como a economia sempre foi fechada, o acesso a esses produtos sempre foi restrito e caro, de modo que eles demoraram a se popularizar (não é à toa que são raras as famílias no Brasil que têm um lava-louças, por exemplo). Era mais barato ter uma doméstica que fizesse tudo.

    2) Nos EUA, como sempre houve acesso farto e barato a esses eletrodomésticos, nunca surgiu um mercado voltado para empregadas domésticas. Não havia demanda forte. Consequentemente, sem essa demanda por domésticas, nunca houve aquela tradição, típica do Brasil, de mães que foram empregadas domésticas ensinarem os segredos do ofício para suas filhas, que também se tornariam domésticas.

    3) Isso, por sua vez, gerou uma escassez desta mão de obra no mercado americano, ao contrário do brasileiro. E tal escassez perdura até hoje. Simplesmente não há domésticas americanas. Todas são imigrantes.

    4) Com poucas oferta de mão de obra neste mercado, é natural que seu preço seja alto.

    5) Além de tudo isso, acrescente o fato de que os americanos nunca tiveram a cultura do almoço. É só café da manhã e jantar (almoço é um fast food ou um hot dog). Sem a cultura do almoço, a necessidade de uma doméstica em casa para cozinhar (uma tradição brasileira) nunca existiu.

    6) Finalmente, como as imigrantes que fazem serviço doméstico nos EUA têm acesso a todos aqueles eletroeletrônicos citados, a produtividade delas é muito maior que a de uma doméstica no Brasil, que tem de fazer tudo na mão. Com produtividade maior (graças a mais ferramentas à sua disposição), elas podem cobrar salários maiores.

    7) Sugiro a você, que está morando nos EUA, aprender a fazer tarefas domésticas por conta própria (e a ser menos bagunceiro). Caso contrário, você ficará financeiramente quebrado.
  • Felipe Lange  29/06/2019 00:44
    Interessante isso. Você sabe por que existe a "cultura do almoço" no Brasil e aqui ser diferente? Fascinante é como a cultura também se molda ao padrão de vida. Minha mãe chegou a ter máquina de lavar louças, mas ela acabou se livrando daqui. Agora aqui é a máquina é sempre usada mas, como eu quase sempre cozinho, então as coisas maiores lavo por conta própria. E sim, sei fazer tarefas domésticas (pelo menos desde a época em que eu ainda gostava do Marx) e o meu quarto é o mais organizado da casa, só não chega ao minimalismo japonês.

    Em resumo, ter empregada doméstica é uma coisa de país ainda atrasado.

  • Felipe Lange  29/06/2019 00:45
    Leandro, o que muda com essa medida no governo com relação ao compulsório?
  • Leandro  29/06/2019 19:25
    Pode reduzir os juros dos empréstimos bancários. Mas isso, por si só, não significa maior expansão do crédito.

    Crédito é algo que pessoas e empresas pegam quando, respectivamente, têm emprego e renda disponível, e perspectivas econômicas futuras positivas. Ninguém (ao menos, os racionais) sai se endividando só porque o crédito barateou (vide Europa, que tem juros zero e o crédito simplesmente não se expande).

    Igualmente, não é só porque os juros diminuíram que os bancos sairão emprestando a rodo, para qualquer um. Ao contrário até: dado que os juros são menores (o que implica ganhos menores), eles tenderão a ser mais criteriosos em suas concessões de crédito. Isso também se observa atualmente na Europa e nos EUA.
  • República de Curitiba  27/06/2019 12:57
    Olá Amigos,

    Excelente artigo. Nessa mesma semana eu e minha esposa estávamos discutindo sobre as diferenças entre a Economia Chinesa e a Norte-Americana, em que parece que a primeira focou um eficiência de produção, quando a segunda em criar valor.

    A minha dúvida é: Criar valor é custoso, caro, como vocês mesmo mostraram no artigo. A busca pela eficiência em um produto já consolidado é sempre mais barata.

    Isso não dá hoje uma vantagem à China? Em fabricar e ter uma indústria forte e diversificada que produz os mais variados produtos mais eficientemente que quase a totalidade dos países?

    Dado que meu processo produtivo é mais forte em determinada região, naturalmente há a possibilidade de concentrar a mão de obra e indústrias nessa região – Logo, terá um controle econômico enorme, e pode ditar os rumos de uma economia – bastando para isso um desentendimento entre dois governos e a região do processo fabril cortar o abastecimento de outra região ou aumentar os preços, podendo determinar qual local se desenvolve ou não.


    Estão de acordo? Falhei em alguma etapa do raciocínio?
  • Vladimir  27/06/2019 13:59
    Você sintetizou perfeitamente a situação:

    EUA = criação de valor

    China = busca pela eficiência
  • República de Curitiba  27/06/2019 16:29
    Vladimir,

    Logo, nesse caso, não temos uma vantagem imensa da China em relação aos EUA?

    Um (EUA) está com o processo de desenvolvimento: Mais custoso e menos lucrativo.

    Outra está na outra ponta, no processo fabril eficiente, lucrativo.


    Não está aí um dos problemas da vantagem competitiva da China hoje?
  • República de Curitiba  27/06/2019 16:33
    Acrescento ao meu argumento uma das frases de um dos Grandes CEOs pós 2000, Sérgio Marcchione (Ex CEO do grupo FIAT), que disse que, quando os carros elétricos forem lucrativos, a Fiat começaria a fazer, e melhor que a Tesla.
  • Vladimir  27/06/2019 16:39
    Tal juízo de valor fica a critério de cada um. Você entendeu a realidade corretamente. Agora cabe a você fazer juízo de valor sobre qual é preferível.

    De minha parte, vejo exatamente o contrário de você: um americano (criador de valor) tem um padrão de vida extremamente superior a um chinês (que busca apenas a eficiência). Prefiro viver nos EUA a viver na China. O americano usa o cérebro e as máquinas para viver; o chinês usa o trabalho físico exaustivo e trabalha mais para beneficiar terceiros do que para beneficiar a si próprio.

    Mas isso, reconheço, vai de cada um.
  • thiago  27/06/2019 13:09
    Achei forçação de barra. Tudo bem que a criação de algo precede o domínio da sua produção, que a ideia seja anterior ao produto, mas daí afirmar que um traz mais prosperidade para a sociedade do que o outro me parece um salto muito grande. Uma ótima ideia não é nada até que seja concretizada, assim como um produto não atende as pessoas até que esteja acessível a elas. E tornar algo acessível às pessoas é otimizar os processos de produção, é ser eficiente. A eficiência é também criadora de valor, ainda que dependa de uma base criadora sobre a qual operar.
  • Guilherme  27/06/2019 13:58
    "Tudo bem que a criação de algo precede o domínio da sua produção, que a ideia seja anterior ao produto, mas daí afirmar que um traz mais prosperidade para a sociedade do que o outro me parece um salto muito grande."

    Sua conclusão é contrária à sua premissa.

    Ora, por definição, se algo não é criado, não há criação de riqueza. Se não há uma idéia que leve à fabricação de um produto, não há criação de riqueza.

    Dizer que a idéia e a implantação desta idéia é que o geram criação de valor para a sociedade é questão de lógica pura e direta. Renegar isso é revogar a realidade.

    E dizer que a lógica acima é "um salto grande", aí sim, é forçação de barra.

    "Uma ótima ideia não é nada até que seja concretizada,"

    Correto. Para ser concretiza, é necessário propriedade privada sobre bens de capital.

    "assim como um produto não atende as pessoas até que esteja acessível a elas."

    Correto. Para tornar acessível às pessoas, é necessário, de início, você aceitar qie não poderá já sair cortando custos operacionais e otimizando. Muito pelo contrário, aliás. O normal no início é você operar tendo prejuízos. Vide Uber.

    "E tornar algo acessível às pessoas é otimizar os processos de produção, é ser eficiente."

    Não necessariamente. Vide Uber.

    "A eficiência é também criadora de valor, ainda que dependa de uma base criadora sobre a qual operar."

    Isso é um argumento circular. Nenhuma empresa startup surge já "cortando custos", isso é algo que ela faz só depois de já ter apresentado um bem ou serviço que criou valor para as pessoas.

    Primeiro você cria valor para as pessoas. Depois, só depois, quando seu produto ou serviço já foi amplamente aceito, você começa a se concentrar em cortar gastos para se consolidar e se manter no mercado.
  • thiago  27/06/2019 15:07
    Se a produção de determinado produto, ótimo e útil, é muito cara e difícil, ele não irá contribuir tanto para gerar riqueza quanto contribuiria se fosse mais acessível, fruto de processos mais eficientes de produção. Da preocupação com a otimização surgem também novas criações, não apenas de processos, mas do próprio produto ou serviço, que pode ser otimizado pela utilização de novas matérias primas ou de novos elementos. Eu só quis dizer que as duas coisas devem caminhar juntas para a criação de riqueza em uma sociedade, admitindo que uma precede a outra. Mas nem uma nem outra são estanques. Existe criatividade também na busca pela eficiência. A eficiência também cria valor.
  • Guilherme  27/06/2019 15:42
    "Se a produção de determinado produto, ótimo e útil, é muito cara e difícil, ele não irá contribuir tanto para gerar riqueza quanto contribuiria se fosse mais acessível, fruto de processos mais eficientes de produção."

    Argumento circular.

    Para começar, é impossível você implantar "processos mais eficientes de produção" para algo que ainda não foi criado. Por definição.

    Mas isso ainda é o de menos.

    Como o próprio Mises já havia explicado ainda em ação humana, os luxos de hoje são as trivialidade de amanhã. Aquilo que só os ricos têm hoje será aquilo que os pobres também terão amanhã.

    Ou seja: primeiro você cria o produto que gera valor. Depois, só depois, você descobre maneiras de tornar sua produção mais eficiente. É impossível começar da segunda e só depois ir para a primeira. É impossível primeiro descobrir maneiras de tornar sua produção mais eficiente e depois ir para a criação do produto.

    Normalmente, primeiro apenas os mais ricos têm acesso. Depois, só depois, a coisa vai se massificando e alcançando os mais pobres. Isso é tão evidente que é até constrangedor ter de relembrar isso. Foi assim com a televisão, com o carro, com o computador, com o celular comum, com o smartphone, com o DVD, com a internet (fibra ótica, 3G, 4G) etc.

    Nenhum destes objetos (que realmente geram valor) surgiram baratos e sendo produzidos eficientemente. A eficiência na produção só veio depois. Primeiro eles foram criados e vendidos caro. Depois, só depois, veio a eficiência na produção. Primeiro veio a criação de valor. Depois, só depois, esse valor criado foi massificado para todos.

    Sério, querer negar isso é querer simplesmente adulterar a história.

    "Da preocupação com a otimização surgem também novas criações, não apenas de processos, mas do próprio produto ou serviço, que pode ser otimizado pela utilização de novas matérias primas ou de novos elementos."

    Pode até acontecer isso, mas não é a regra. De cabeça, não me recordo de nenhum exemplo prático disso (pode ter, mas não consigo me lembrar).

    "Eu só quis dizer que as duas coisas devem caminhar juntas para a criação de riqueza em uma sociedade, admitindo que uma precede a outra."

    Se você admite que uma precede a outra, então é fim do debate. Dou-me por satisfeito. O ponto é exatamente este mesmo.

    "Mas nem uma nem outra são estanques. Existe criatividade também na busca pela eficiência. A eficiência também cria valor."

    Ok.
  • Pobre Paulista  27/06/2019 14:16
    Muito interessante o ponto do artigo, mas permitam-me discordar... A Amazon, sozinha, contradiz o ponto central do autor.

    A Amazon nunca propôs nada novo. Não inventou a venda de livros; não inventou compra pela internet; não inventou entrega em casa, etc. Tudo isso já existia. O que a Amazon fez foi, somente, melhorar a eficiência e produtividade de seus processos de ponta a ponta, e, por causa do aumento de eficiência, gerou valor para o consumidor, que passou a ser atendido com rapidez, variedade e qualidade.

    E hoje é uma das maiores empresas do mundo - dependendo do dia, é de fato a maior do mundo, investindo apenas em eficiência.

    Em suma, não me parece correto que "eficiência de produção" e "criação de valor" sejam coisas tão antagônicas assim como propôs o texto.
  • Vladimir  27/06/2019 14:36
    Pelo visto, você desconhece completamente a história da Amazon.

    1) A empresa não teve nenhum lucro em seus primeiros seis anos.

    Isso, meu caro, não é ser eficiente. Isso é estar preocupado apenas em gerar valor para os usuários. Exatamente como diz o artigo.

    Pela sua lógica (e pela de alguns comentaristas aqui que se recusam a aceitar a realidade), a Amazon já deveria ter surgido tendo lucros explosivos...

    2) Ainda hoje, mesmo já consolidada, a Amazon tem lucros baixíssimos.

    Amazon completa 20 anos de muito sucesso e pouco lucro

    Isso, desculpe-me, não é "preocupação com eficiência", mas sim em agradar consumidores, em gerar valor. Exatamente o ponto do artigo.

    3) E não, não é verdade que a Amazon "nunca propôs nada de novo". Aliás, tal afirmação é bizarra. A Amazon simplesmente inventou uma maneira de atender, de forma barata e rápida, os desejos de todos os consumidores do planeta sem que a Amazon tenha uma presença física na maior parte do globo. Isso, meu caro, é algo que nunca havia sido feito antes.

    Antes da Amazon, os consumidores ficavam à mercê de quem quer que fosse a rede varejista local. Foi a Amazon quem efetivamente ampliou o poder dos consumidores: ao praticamente abolir o fator 'distância' entre consumidor e vendedor, a empresa possibilitou ao consumidor ter acesso direto a mais produtos a preços melhores, fazendo da distância (até então uma barreira intransponível) algo secundário.

    Isso é criar valor de maneira brutal. E inédita.

    4) A Amazon foi a primeira livraria online da história, que permitia ao consumidor comprar livro sem sair de casa (tremenda criação de valor). Depois, se transformou em uma empresa especializada em vender e enviar todo e qualquer tipo de mercadoria comercializável (tremenda criação de valor). Isso não é "não propor nada de novo".

    5) Hoje, a Amazon é, de longe, o maior shopping center online do mundo. E alcançou essa posição satisfazendo os consumidores (criando valor), oferecendo cada vez mais produtos a pessoas de todos os continentes do mundo a preços menores do que elas encontram nas lojas.

    Consequência? Ela tem lucros baixíssimos. Isso não é exatamente um modelo de eficiência.
  • mauricio  27/06/2019 14:40
    nessa o Pobre Paulista (sou fã) comeu uma mosca inexplicável. é fato público e notório que a Amazon demorou anos pra ter o primeiro lucro de sua existência. e é fato publico e notório que até hoje a empresa se preocupa muito mais em vender barato (criar valor) do que em ter altos lucros.

    tinha outros exemplos melhores que ele poderia citar para tentar refutar o autor. mas escolheu logo um que simplesmente confirma tudo que o autor disse.
  • Pobre Paulista  27/06/2019 16:13
    Vcs estão tão preocupados em simplesmente rebater qualquer coisa, que atacaram um ponto que eu nem sequer toquei.

    Em nenhum momento falei de "Lucros da Amazon". Que por sinal é a maior empresa do mundo. (Aliás gostaria de entender como que uma empresa que só tem prejuízos se torna a maior do mundo, mas deixemos isso pra outra discussão).

    O que eu quis pontuar é outra coisa: "Aumento de eficiência" pode sim se traduzir em "criação de valor" para o consumidor. E vocês dois simplesmente confirmaram isso.

    Minha avó já comprava livros por catálogo lá nos anos 50. Mandava cartinha com o pedido e o pagamento, esperava alguns meses e pronto, chegou o livro em casa. Comprar livros sem sair de casa não é uma novidade. A Amazon só tornou esse processo mais eficiente: agora isso é feito em questão de horas, e não mais em meses. E, ao criar processos mais eficientes, criou valor para o consumidor (e, necessariamente, para os seus acionistas, mas deixemos esse assunto pra outra discussão).

    A melhoria de eficiência nesse processo foi tão brutal, que a Amazon pode se propor a oferecer diversos outros tipos de produtos ao seus clientes, coisas que antes não eram da sua área de expertise. Me parece que "oferecer produtos variados para o cliente" não é algo exatamente "original" na economia, mas sei lá, posso estar errado. De qualquer jeito, por causa de seus processos mais eficientes, pôde ofertar mais variedades de produtos aos seus consumidores. (E, com isso, pode aumentar suas receitas, que ao invés de serem retiradas na forma de lucro pelos acionistas, foram reinvestidas em novas melhorias operacionais, mas deixemos esse assunto para outra discussão).

    De tanto reinvestir seus lucros (ops, receitas) em melhorias operacionais, conseguiu a capacidade de ofertar produtos para qualquer parte do globo, aumentando assim seu mercado, e, consequentemente, multiplicar enormemente suas receitas. Que, continuamente, foram reinvestidas em melhorias operacionais.

    A ponto de fazer com que a própria tecnologia criada por ela própria para atender a si própria com o propósito de aumentar a sua eficiência, tenha se tornado um produto em si, a AWS. Que também, por si só, não foi algo original - serviços de "nuvem" existem desde a era dos terminais burros do Unix, apenas não tinham um nome glamourizado - E, olha só: seu aumento de produtividade causou um novo produto no mercado, que, de tão bom que era, acabou se tornando o estado da arte no ramo. Em algo que nem sequer é (ou era) o core business da empresa.

    Desnecessário dizer que seus lucros (ooooops, receitas) continuam a ser reinvestidos em.... melhoria de eficiência.

    Ou, seja, "criação de valor" e "melhoria na eficiência" não são coisas mutuamente excludentes, dado que a Amazon já mostrou que a "melhoria de eficiência" de procedimentos já existentes também pode culminar em "criação de valor" para o consumidor (isso não quer dizer que sempre irá).

    É isso, só isso.

    (Mais tarde, podemos continuar aquela outra discussão, sobre como seria possível uma empresa que só dá prejuízo se tornar a maior do mundo. Talvez me falte conhecimento de contabilidade, ficarei feliz em aprender. Estou até pensando em parar de poupar e passar a ter prejuízos recorrentes a fim de me tornar o homem mais rico do mundo após compreender essa mágica).



  • Guilherme  27/06/2019 16:21
    "Mais tarde, podemos continuar aquela outra discussão, sobre como seria possível uma empresa que só dá prejuízo se tornar a maior do mundo."

    Que espantalho tosco. Foi dito que a Amazon, criada em 1995, só foi ter seu primeiro lucro em 2001. Ou seja, a empresa não surgiu "buscando a eficiência". Ela só foi buscar a eficiência mais tarde, exatamente como tem de ser. Hoje, sim, a empresa tem lucros (mas pequenos).

    E sim, ela pode ser considerada eficiente, mas, ué, foi exatamente disso que o artigo fala: primeiro a empresa surgiu buscando criar valor para se consolidar; depois, já alcançado este objetivo, ela pôde se preocupar mais em se tornar eficiente.

    A Amazon, repetindo, surgiu em 1995 e teve 6 anos de prejuízos. Hoje, em 2019, já consolidada, a empresa passou a se concentrar na eficiência. Totalmente de acordo com o autor.

    De resto, ninguém aqui disse que "a empresa só dá prejuízos". Ao afirmar isso, tentando lacrar, você se colocou a descoberto. E não rebateu nada do que foi respondido acima.
  • Pérsio   28/06/2019 11:26
    Pobre Paulista,
    Entendi seu ponto e concordo. Aliás, quando Henry Ford criou a linha de montagem de automóveis, o que aconteceu foi que AMBAS as coisas se deram. Criação de valores e maior eficiência do processo industrial. Não me consta que as vendas de carros da Ford tenham caído ou que a empresa tenha falido por causa disso.
  • Guilherme  28/06/2019 11:46
    O automóvel foi inventado em 1885 (disrupção criação de valor).

    Henry Ford criou seu primeiro carro em 1901 (criação de valor).

    A empresa Ford surgiu em 1903 (disrupção e criação de valor).

    E a primeira linha de montagem considerada eficiente só surgiu em 1913 (produção eficiente).

    Ou seja, a produção eficiente só foi implantada 10 anos depois do surgimento do primeiro Ford (disrupção e criação de valor).

    Como era a produção dos carros da Ford (criação de valor) antes do evento da produção em massa? Era assim:

    "During its early years, the company produced just a few cars a day at its factory on Mack Avenue and later its factory on Piquette Avenue in Detroit, Michigan. Groups of two or three men worked on each car, assembling it from parts made mostly by supplier companies contracting for Ford."

    Mais um exemplo prático que corrobora tudo que o artigo disse.

    "Não me consta que as vendas de carros da Ford tenham caído ou que a empresa tenha falido por causa disso."

    Outro espantalho tosco. Em momento algum qualquer coisa desse tipo foi sequer aventada. Nunca foi dito que adotar métodos eficientes de produção gera falência. Até porque isso seria absurdo.

    Impressiona-me sobremaneira a dificuldade de interpretação de texto do brasileiro médio. Ninguém é obrigado a concordar com uma tese; mas ninguém tem o direito de distorcer o que está sendo dito e inventar outra realidade.
  • P%C3%83%C2%A9rsio  28/06/2019 15:11
    E a mim, impressiona a falta de educação do brasileiro médio. Coisas da vida...
  • Felipe Lange  29/06/2019 01:47
    Depois, infelizmente, ela e as outras marcas americanas acabaram sendo passadas pelas marcas asiáticas nos EUA.
  • Insurgente  28/06/2019 11:46
    De todo modo ela não nasceu forte e com total eficiência. O que de fato ocorreu, assim como todas as empresas já consolidadas, é que ela foi se "ajustando" ao mercado para satisfazer os consumidores.
  • João S.  28/06/2019 14:40
    Sobre o tema do artigo, vale estudar o caso da FedEx.

    A empresa gastou anos e fortunas tentando otimizar o procedimento de carregar seus aviões sem atrasos, pois os atrasos geravam efeito cascata e prejuízos enormes. Não conseguiu. Tentou todo o tipo de tecnologia. Não funcionou.

    Sabe o que ela fez então? Passou a pagar seus funcionários por serviço, e não mais por hora. Aí os atrasos acabaram na hora.
  • Rodolfo Andrello  28/06/2019 14:47
    No fim, vale o mesmo argumento sobre a mais valia. Nada adianta eu ser o mais eficiente cavador de buracos se esses buracos não forem de alguma forma a expressão de algo desejado pelos consumidores. Eu posso ser eficiente, reduzir custos e tudo que manda a cartilha, mas no fim tudo continuará a ser a mesmíssima coisa, buracos.
  • Felipe Lange  29/06/2019 01:42
    Hoje foi assinado esse acordo de livre comércio, entre o Mercosul e a UE.

    O que vocês acham? Eu acho que é só mais uma gambiarra. Por que simplesmente o governo brasileiro não sai do Mercosul, abaixa tarifas de importação e elimina as demais barreiras não-tarifárias, para então o povo comercializar com o mundo todo? Iria ter birra da OMC? Da ONU?
  • Leandro  29/06/2019 19:23
    Você está correto. O Mercosul está todo errado e deveria ser abolido.

    A idéia original do Mercosul era ser uma "união aduaneira". Neste arranjo, um grupo de países se associa com dois objetivos: a adotar uma tarifa externa comum (TEC) e praticar a livre circulação das mercadorias produzidas nestes países associados.

    A TEC significa que todos os países do grupo aplicam a mesma taxação em relação à importação de bens de países fora do grupo. O Mercosul adotou a TEC em 1995. Isso implica que o Brasil não pode, por exemplo, reduzir autonomamente a taxação sobre determinado produto que compra da China em troca de algum benefício no mercado chinês. Para mudar a taxa, é preciso fazer um acordo com todos os países-membros, que também reduzirão suas tarifas. Ou seja, é preciso negociar em bloco.

    Já a livre circulação de mercadorias entre os diversos membros simplesmente é uma medida que não foi adotada. Os produtos argentinos, paraguaios e uruguaios têm salvaguardas para entrar no Brasil, e vice-versa.

    A União Européia, ao contrário, permite essa livre circulação.

    De qualquer forma, esse acordo assinado ontem foi um pequeno avanço quando se considera a situação anterior. Ao menos agora já será possível uma maior liberdade de comércio com a UE. Melhor do que nada.


    P.S.: sim, o ideal seria sair do Mercosul e adotar acordos bilaterais com os países (com faz o Chile, por exemplo). Mas sair de arranjos não é politicamente viável e nem muito factível (vide o Brexit). São os problemas da venerada democracia.
  • Felipe Lange  30/06/2019 00:26
    Pois é, palhaçada. Cadê os carros exclusivos dos países vizinhos que os brasileiros nunca puderam comprar? A gasolina pura vendida no Paraguai? Uma verdadeira aberração. Se a UE já é problemática, o "Merdosul" consegue ser pior ainda.
  • Alaor  29/06/2019 10:54
    O presidente Bolsonaro conseguiu fechar acordo de livre comercio com a União européia, esse presidente realmente é liberal e vai transformar o Brasil na potência que merece ser.
  • Pjey  30/06/2019 06:12
    Esse artigo lembra um pequeno trecho do filme Lobo De Wall Street, de criar valor para as pessoas, oferta e demanda.
    www.youtube.com/watch?v=jZi-7LTiOsA
  • Renato  01/07/2019 04:55
    E se eu criar um programa de aprendizagem de máquina que aumentasse a produtividade de um processo produtivo, ele não seria inovador por estar colocando uma tecnologia que até então não era utilizada ali, gerando valor? Agora fiquei na dúvida. Para mim geração de valor poderia ser aumento de produtividade em alguns casos!
  • Guilherme  01/07/2019 11:20
    Um "programa de aprendizagem de máquina" representa a criação de um produto ou serviço. Você tem de incorrer em gastos para criar esse produto. Você terá um aumento de gastos para implantá-lo. Por definição.

    Caso tudo funcione, sim, você terá criado valor, e pelo simples motivo de que você criou um novo produto ou serviço. Qual a encrenca?

    E detalhe: mesmo que você queira criar esse produto para utilizá-lo em sua linha de produção (e com isso aumentar sua eficiência), você só poderá fazer isso após já estar consolidado no mercado. Você não vai simplesmente surgir no mercado hoje já criando este método para sua até então inexistente linha de produção.

    Nenhuma empresa startup surge já "inventando novos métodos de produção" para algo que ela ainda nem começou a produzir. Isso é algo que ela faz só depois de já ter apresentado um bem ou serviço que criou valor para as pessoas.

    Primeiro você cria valor para as pessoas e se estabelece no mercado. Depois, só depois, quando seu produto ou serviço já foi amplamente aceito, você começa a se concentrar em mexer no seu processo de produção para se consolidar e se manter no mercado.
  • Dedé  01/07/2019 17:42
    Leandro, ou alguém que possa esclarecer, qual o melhor indicador para se comparar o tamanho de duas economias, o PIB nominal em dólar ou o PIB levando em conta a paridade do poder de compra? E pq?
  • Régis  01/07/2019 18:10
    Nenhum dos dois, pois o PIB, por si só, é um indicador enganoso e deficiente (gastos do governo e restrição de importações aumentam o PIB, algo completamente insano).

    Dito isso, o PIB nominal em dólar é preferível, pois o PIB PPP está sujeito às arbitrariedades dos cálculos da paridade do poder de compra, o que apenas intensifica os erros do cálculo do PIB. (O cálculo do PIB já é errado, e se a ele você acrescentar o erro da PPP, a coisa é intensificada).

    Já o PIB nominal em dólar ao menos evita este erro.


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