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Fim da ilusão: o desastre econômico da Venezuela é reconhecido pelo próprio governo socialista
Seu Banco Central veio a público admitir que a situação é de descalabro - até para os bandidos

Fazia três anos que o Banco Central da Venezuela não publicava nenhuma estatística oficial sobre a evolução da atividade econômica, dos preços e do comércio exterior do país.

Este apagão estatístico, obviamente, não se devia a um exercício de modéstia: não é que o governo socialista não quisesse ofuscar seus países vizinhos com seus resplandecentes resultados. A realidade era exatamente o contrário: o regime tinha necessariamente de esconder a miséria de sua economia, não para seus próprios cidadãos (que sofrem na pele o fragoroso empobrecimento vivenciado pelo país nos últimos anos), mas sim para seus sabujos ideológicos espalhados por todo o planeta, os quais, até então, podiam se escudar até o momento na falta de dados oficiais para opinar sobre a calamidade que vive este falido experimento socialista.

Por mais inacreditável que possa parecer, ainda há pessoas que dizem que a situação da Venezuela é uma ficção inventada pela mídia. (Confira três exemplos constrangedores aqui, aqui e aqui).

No entanto, e felizmente, este apagão informacional chegou ao fim. E não por uma boa fé do regime chavista — o qual, sem dúvida, teria preferido continuar ocultando a desastrosa realidade de seu feudo bolivariano, como vinha fazendo nos últimos três anos —, mas sim por pressões do FMI, que exigiu que o regime voltasse a publicar estatísticas básicas da contabilidade nacional sob pena de perder seus direitos de voto dentro do organismo.

Foi necessário, portanto, pressão internacional sobre o regime venezuelano para que ele aceitasse publicar alguns dados que já existiam, mas que eram ocultados pelos chavistas por pura vergonha.

O Banco Central da Venezuela finalmente divulgou os dados econômicos do país.

Colapso total

E o que nos dizem esses dados? Que o desmoronamento da economia venezuelana é absoluto.

No terceiro trimestre de 2018, o PIB era 52% menor que o do terceiro trimestre de 2013.

pib-de-venezuela.jpg

Gráfico 1: PIB trimestral da Venezuela (primeiro trimestre de 2013 = 100)

A moeda, o bolívar, perdeu simplesmente 99,96% do seu valor durante este mesmo período.

valor-del-bolivar.jpg

Gráfico 2: Evolução do valor do bolívar (2012=100)

As exportações e importações desabaram 70%.

relaciones-comerciales-de-venezuela.jpg

Gráfico 3: Relações comerciais da Venezuela (em milhões de dólares)

Além disso, ainda segundo o próprio Banco Central venezuelano, neste mesmo período, o setor da construção civil caiu 95%; o setor industrial, 76%; e as instituições financeiras, 79%.

E, por fim, a taxa de inflação de preços de 2018 ficou em 130.060% (cento e trinta mil por cento).

E, vale ressaltar, estas são estatísticas do próprio governo socialista, sem nenhuma auditoria. Não é desarrazoado imaginar que os números reais sejam muito piores.

Ou seja, em apenas cinco anos, a economia venezuelana vivenciou um dos maiores colapsos econômicos da história (desastres comparáveis a este são encontrados apenas em economias em guerra): os venezuelanos produzem as metades dos bens e serviços que produziam em 2013, sua moeda simplesmente deixou de existir, não há mais obras no país, indústrias e bancos foram dizimados, e suas relações comerciais com o resto do planeta se tornaram quase inexistentes.

Vale lembrar, ademais, que o colapso econômico da Venezuela é muito anterior às sanções impostas pelo governo americano. Até meados de 2017, não havia nenhuma sanção econômica contra a Venezuela. Havia, isso sim, sanções pessoais contra alguns membros da alta hierarquia do governo venezuelano (sanções essas que envolviam congelamento de ativos e proibição de entrada nos EUA). Sanções deste tipo só podem afetar apenas os indivíduos almejados. Não há como elas terem um efeito sobre toda a economia venezuelana.

Foi somente em agosto de 2017 que o governo americano implantou uma medida que pode ser razoavelmente considerada uma sanção econômica: cidadãos americanos foram proibidos de comprar de títulos do Tesouro venezuelano, bem como títulos emitidos pela PDVSA, a estatal petrolífera venezuelana. Um ano depois, a proibição foi estendida para outras estatais. E foi só.

Já no final de abril de 2019 — ou seja, um mês atrás —, o governo americano de fato embargou a compra de petróleo da estatal petrolífera PDVSA pelos americanos.

Será interessante alguém explicar que o colapso econômico vivenciado entre 2013 e 2018 foi causado por uma sanção imposta em abril de 2019.

Mas, incrivelmente, há quem o faça.

Causas e consequências

Obviamente, o colapso econômico da Venezuela se deve inteiramente à política econômica desenvolvida pelo socialismo bolivariano.

E no que consistiu essa nefasta política econômica do socialismo bolivariano?

Primeiro, entre 2004 e 2008, desenvolveu-se uma economia baseada na monocultura do petróleo, com o governo utilizando as receitas desta indústria estatal para criar uma extensa rede assistencialista com o intuito de tornar os cidadãos dependentes do poder político.

Em seguida, a partir de 2009, quando estas receitas entraram em colapso (tanto por causa da péssima e corrupta gestão da estatal PDVSA quanto pela queda global do preço do petróleo), optou-se por manter este arranjo clientelista por meio do endividamento público.

Quando apenas o endividamento não mais funcionava, isso já em 2013, o governo passou a imprimir dinheiro livremente para bancar estes gastos. Tal medida empurrou o país para a hiperinflação.

Sob uma hiperinflação, o governo impôs controles de preços que desestruturaram por completo o resquício de economia privada que ainda existia no país.

Quando esses controles de preços provocaram desabastecimentos generalizados, o governo estatizou as indústrias privadas e colocou os militares para cuidar da distribuição de alimentos, que passaram a ser intensamente racionados.

Sob hiperinflação, preços controlados e indústrias estatizadas, aboliu-se por completo qualquer perspectiva de investimento privado dentro do país.

Para culminar, o país que detém as maiores reservas de petróleo do mundo vive hoje um racionamento de gasolina: os motoristas só podem comprar 30 litros de combustível por semana, e de acordo com o número das placas dos veículos.

O total colapso da economia provocou, por sua vez, o colapso do estado, que se tornou incapaz de garantir o mínimo de ordem pública. A taxa de homicídios do país disparou de 73 assassinatos por 100.000 pessoas em 2012 para 91,8 assassinatos por 100.000 pessoas em 2016. Ao mesmo tempo em que enfrenta manifestações civis — nas quais os manifestantes são assassinados pelo estado —, o governo também recorre aos colectivos, que são as infames unidades paramilitares pró-governo que assassinam pessoas consideradas inimigas do regime. 

Ao menos um alívio

Mas nem tudo é terrível. Há pelo menos um pequeno alívio cômico. A situação econômica ficou tão ruim, que até mesmo os criminosos estão tendo problemas.

O preço de uma munição no mercado negro é de 1 dólar. Um carregador de pistola tem capacidade para 15 munições. Ou seja, são necessários 15 dólares para um bandido ter uma pistola totalmente carregada. Mas o salário médio no país é de 6,50 dólares (menos da metade de um salário médio cubano, que é de 22 dólares).

Como as vítimas de assalto simplesmente não têm dinheiro ou objetos de valor para serem roubados, não há como os bandidos conseguirem dinheiro para comprar munições. E sem munições, torna-se arriscado assaltar. Como lamentou um bandido, "disparar uma bala agora virou atividade de luxo no país."

Por isso, os assaltos no país estão em queda. Os bandidos estão sem dinheiro para comprar munições porque não há pessoas com dinheiro para serem assaltadas.

Consequentemente, os bandidos estão saindo do país.

Para concluir

Sem uma ditadura explícita, a manutenção da ordem pública sob o socialismo é impossível.

Quando o socialismo não consegue estabelecer uma ordem castrista — uma ditadura ao estilo cubano ou norte-coreano — sobre a economia, ele provoca uma total decomposição da sociedade.

Este foi exatamente o resultado de décadas de chavismo na Venezuela.



autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • Felipe Lange  06/06/2019 18:06
    É cômico mas era o esperado. Na Coreia do Norte, pode ter certeza de que não há assaltos, a não ser pelos burocratas e militares do governo, que vigiam o tempo todo qualquer turista que tenha a maluquice de passear por lá.

    O problema agora é que a Venezuela está exportando esses bandidos.
  • Pobre Mineiro  06/06/2019 21:34
    Na Coréia do Norte a situação está menos ruim, não porque o regime tem algum futuro, mas porque
    a China não respeita nenhuma sanção, que ela mesma aprovou na ONU e manda ajuda para que o
    regime não caia.
    Já a Coréia do Sul envia ajuda como: remédios, comida e até brinquedos usando balões que flutuam por
    cima da zona desmilitarizada.

    Para a China é muito importante ter a Coréia do Norte em situação razoável, pois esta é um estado tampão.
    Também não é interesse de muitos sul coreanos que o regime do norte caia, pois sabem que a conta ficará
    para eles.
    Também não é interesse do Japão uma reunificação, pois isso no longo prazo poderia fortalecer a Coréia,
    fazendo dela a segunda economia da Ásia, ultrapassando o Japão.

    O único que tem interesse ali em ver o gordinho fora do poder são os EUA, não porque são bonzinhos, mas
    porque querem expandir a sua influência e amealhar mais um financiador para a sua dívida.
  • Fellipe Andrade  06/06/2019 23:45
    Esse, sem sombra de dúvidas, foi o melhor resumo que pude ler!!!!
  • Lucas-00  08/06/2019 15:39
    Mais um que acredita na "geopolítica", vamos lá...

    Na Coréia do Norte a situação está menos ruim
    Menos ruim? Pelo menos na Venezuela você tem a "liberdade" de ainda poder fugir do país, na Coreia do Norte nem isso.
    Lá você já recebe o título de escravo mesmo, e de quebra já faz 11 anos de serviço militar obrigatório.

    a China não respeita nenhuma sanção, que ela mesma aprovou na ONU e manda ajuda para que o
    regime não caia. 

    Realmente, a situação de lá está menos pior agora já que o regime tem ajuda para não cair.

    Já a Coréia do Sul envia ajuda como: remédios, comida e até brinquedos usando balões que flutuam por 
    cima da zona desmilitarizada. 

    Procurei e não achei nada sobre isso. Além de só ter militar no paralelo 38.

    Também não é interesse de muitos sul coreanos que o regime do norte caia, pois sabem que a conta ficará 
    para eles. 

    Basta apenas o governo da Coreia do Sul não pagar nada.
    Aliás, isso pode dar até dinheiro fazendo propagando humanitária.

    Também não é interesse do Japão uma reunificação, pois isso no longo prazo poderia fortalecer a Coréia, 
    fazendo dela a segunda economia da Ásia, ultrapassando o Japão. 

    Realmente, imagine o Japão perdendo o título de país mais rico, como isso destruiria a economia deles...
    Eu não consigo entender sinceramente isso de como na geopolítica achar que quando outro fica mais rico o resto sai perdendo.
    Isso é crer no jogo de soma zero na economia, o que esse Instituto ataca veementemente.

    O único que tem interesse ali em ver o gordinho fora do poder são os EUA, não porque são bonzinhos, mas 
    porque querem expandir a sua influência e amealhar mais um financiador para a sua dívida.

    Creio que a própria população deve querer o "gordinho" fora do poder também. Apenas são mecanicamente silenciados.
    Além disso não sei como "mais um financiador para a sua dívida" iria ajudar eles.
    O país está destruido, a economia deles é comunista, ou seja, não tem nada...
    Se eles não tem nem dinheiro para usar agora, como vão ter para investir?
  • Pobre Mineiro  08/06/2019 22:05
    O problema de muitos libertários é achar que já vivem no Ancapistão.
  • Lucas-00  09/06/2019 22:29
    E o problemas de muitos estatistas é acham que vivemos em Nárnia, onde leis naturais não se aplicam.
  • Pobre Mineiro   09/06/2019 23:42
    Acredito que você TAMBÉM SEJA libertário, devido a alguns argumentos do primeiro comentário.

    Mas baseado no que, que você julga que eu possa ser um estatista?. Sendo que eu escrevi é apenas o que o politiburo, do mundo inteiro e com o apoio do povo, pensa e age.

    Por mais agorista que alguém seja, infelizmente, ainda não dá para ignorar totalmente os estados e a geopolítica internacional.
  • Rene  06/06/2019 18:20
    Estas duas sanções devem ter tido um impacto ínfimo na situação da Venezuela. Um americano precisaria ser doido de pedra, ou pelo menos não entender nada de economia, para comprar títulos de dívida venezuelana (Ou da PDVSA). Em relação à proibição de comprar petróleo da Venezuela, a produção neste país caiu tanto que eles já estão importando petróleo . Em suma, o governo americano proibiu seus cidadãos de comprar títulos de dívida que ninguém queria comprar, e proibiu de comprar petróleo que a PDVSA não conseguia mais extrair de suas reservas naturais.
  • Helliton  06/06/2019 18:25
    Como o gráfico demonstra no socialismo tem 10 anos de sucesso e vários de fracasso. Pena que a regra também vale no capitalismo. Os primeiros anos são ruins porém depois vem a explosão de crescimento. Isso tem um motivo simples. Para a população ficar rica precisa que quem produz tenha dinheiro para expandir os investimentos. Sem primeiro os ricos ter um alto capital os pobres não ficarão rico. No socialismo é o contrário com o governo consumindo os recursos dos ricos primeiro. Também não é diferente com titulos do tesouro que é farra com o dinheiro dos ricos até que o governo não tenha condições de pagar.
  • Túlio  06/06/2019 18:37
    Sobre os "10 anos de sucesso" você se refere ao gráfico das exportações e importações? Aquilo ali nada tem a ver com os "sucessos do socialismo", mas sim com o preço do petróleo no mercado internacional.

    Se o país só exporta petróleo, e se o preço do petróleo sobe no mercado internacional, então é o óbvio ululante que o valor auferido pelas exportações (em dólares) irá disparar. Consequentemente, haverá mais dólares também para se importar coisas.

    Isso aconteceu com o todos os países petrolíferos do mundo. Vá ver como foi na Noruega, na Arábia Saudita, no Quatar, no Kuwait, nos Emirados Árabes etc.
  • estatístico  06/06/2019 18:26
    Se o problema é o socialismo, pq Cuba não está na situação da Venezuela? Claro que Cuba está longe de ser um país desenvolvido, mas o povo não passa fome em Cuba. Tem até um ditado que diz: "Milhares de crianças morrem de fome no mundo, nenhuma é cubana." Cuba até mantém bons indicadores sociais, como mortalidade infantil baixa, e expectativa de vida razoável....

    Acho que o problema da Venezuela também é boicote.
  • Hairy Heart  06/06/2019 20:21
    Não filho, não é isso... É que vcs nunca entenderão que qualquer sistema diferente do capitalismo, e que faça um contraponto a este, será radicalmente boicotado e terá poucas chances de sobrevivência... Não porque o socialismo seja um fracasso, mas sim porque o capitalismo nunca deixará qualquer outro sistema diferente dele sobreviver para mostrar que há opções à selvageria do capital...
  • Carlos  06/06/2019 20:29
    Hoje tá cheio de stand-upers aqui. O que houve? Abriram a tampa do bueiro?
  • Rodolfo A  06/06/2019 20:38
    Sobre embargos e sanções, a coisa fica ainda mais interessante.

    Visto que Venezuela e Cuba precisam atribuir suas mazelas à dificuldade de transacionar com os EUA, uma tal autocontradição já demonstra que esses países só seriam capazes de chegar a uma melhor situação caso pudessem ter um capitalista com quem transacionar.

    Irônico, mas no fundo é isso, os ditadores latinos argumentam que suas economias socialistas fracassam pelo fato de que os capitalistas não aceitam fazer negócios com eles.
  • anônimo  06/06/2019 20:43
    Sempre me alegro quando vejo algum esquerdista culpar a falha das ditaduras nas sanções/embargos.

    Pelo jeito o problema não é o livre mercado, mas a falta dele. haha

    Sempre lembrando que com embargos norte-americanos só sobra o resto do mundo para comercializar. Que triste morte, apenas poder fazer trocas com mais de 200 países.
  • Tereza Thompson  07/06/2019 03:38
    Ate parece que eles tem intencao de ser diferentes e governar honesta e decentemente. Eles ja entram para o Socialismo para acabar com a nacao e por isso sempre vao para o buraco, mas a cupula do partido fica milionaria e o povo, a metde e assassinada e o resto morre por outras causas. Socialismo so da certo enquanto o dinheiro dos outros sustenta o governo inchado, a partir dai, salve-se quem puder. socialista bom e comunista morto.
  • anônimo  07/06/2019 03:53
    Cuba? Muito bom exemplo, pergunte a um cubano como é viver em um pais que pessoas arriscam suas vidas diariamente para sair do pais pelo mar, preferem a incerteza da morte ao permanecerem na situação de cárcere institucional governista.
  • Dam Herzog  08/06/2019 00:56
    Você acredita nas estatistica fornecida pelo regime cubano?
  • Muñoz  06/06/2019 19:04
    Confesso que achei a parte sobre os bandidos gozada.

    Another gangster, "El Negrito," who leads a gang called Crazy Boys, has found it increasingly hard to support his wife and daughter with assaults. Firing a bullet is a luxury now, he said.

    "If you empty your clip, you're shooting off $15," he told the AP. "You lose your pistol or the police take it and you're throwing away $800."

    As many Venezuelans struggle to pay for basics like food, medicine, or clothes, there are fewer cars or luxury items that criminals can take from them. And most people barely use cash anymore because of soaring inflation.

    Shoemaker Yordin Ruiz told The Washington Post: "If they steal your wallet, there's nothing in it."

    Bank vaults are also mostly empty. Even if criminals were to steal cash from there, they would not be able to transport the mounds of bills it would take to get a substantial amount of money.
  • M. Martinez  06/06/2019 19:43
    Isso que tá acontecendo com nossos vizinhos é uma tragédia humana. Pessoas sendo esfaimadas e morrendo de fome só porque um governo socialista se recusa a reconhecer a realidade da natureza humana e insiste em colocar na prática devaneios que só são aceitáveis na mente de um adolescente rebelde e descolado da realidade.

    Mas ao menos os venezuelanos, ao contrário dos cubanos, tem a vantagem de não viverem em uma ilha. É muito mais difícil para o estado manter toda a população refém quando o país não é um pedaço de terra cercado de água por todos os lados. Assim, uma ditadura duradoura ao estilo de Cuba tem menos chance de funcionar no país, pois a população pode simplesmente sair andando (os mais ricos já saíram voando há muito tempo).

    (A única questão é até quando os militares permanecerão bem alimentados. Quando a comida escassear também para eles, aí o governo não se mantém.)

    Que a esquerda siga defendendo este regime e criando desculpas para minimizar o desastre humanitário apenas a coloca como cúmplice de homicídio.
  • Victor  06/06/2019 23:58
    Venezuela pode ser tão ilha quanto Cuba, a geografia está contra os venezuelanos, as grandes cidades ficam no litoral do país, ao sul e ao leste Amazônia, a oeste está a porta da salvação Colômbia, porém o regime controla as estradas, rouba toda a bagagem de quem viaja de ônibus e de carro, além de frequentemente mandarem os viajantes de volta a origem, há severa escassez de combustível. Os governos dos países do Pacífico calculam que ao todo de 12 a 15% deixarão a Venezuela até final de 2020. A grande maioria é incapaz de encarar a difícil viagem.
  • Imperion  07/06/2019 00:13
    Como eles estão no controle, vão assaltar a população até não sobrar nada, ou esta partir para o confronto. Mas a maioria prefere imigrar e deixar suas posses para traz. Daí se quando o país voltar a ser capitalista , esses bens de capital vão ser comprados a centavos pelos antigos donos do regime, já que o acordo político dará perdão a eles em troca da mudança do regime
  • Judeu  06/06/2019 20:24
    Os socialistas latinos acharam que podiam fazer o mesmo que Arábia Saudita e Noruega fazem, ou seja, ter um gigantesco estado de bem estar social às custas do petróleo.

    Só que os gênios nem tentaram entender a economia desses países. Nesses países não existe socialismo. A economia de mercado permanece e não há tabelamento de preços. Aliás, na Noruega, até o número de estatais é baixo.

    Os chavistas nem pra aprenderem com a URSS. A URSS não perseguia o mercado negro, não tinha hiperinflação e por muito tempo copiou os preços dos países capitalistas da Europa. Nem isso fizeram.
  • Imperion  06/06/2019 22:41
    Como eles estão no controle, vão assaltar a população até não sobrar nada, ou esta partir para o confronto. Mas a maioria prefere imigrar e deixar suas posses para traz. Daí se quando o país voltar a ser capitalista , esses bens de capital vão ser comprados a centavos pelos antigos donos do regime, já que o acordo político dará perdão a eles em troca da mudança do regime
  • Vitor  06/06/2019 20:40
    A empresa petrolífera Citgo, que tem refinarias, distribuidoras e postos nos EUA, é 100% da PDVSA. Ou seja, os EUA permitiram que a estatal venezuelana tivesse ampla participação no mercado americano com todas garantias de direito de propriedade e respeito a contratos.

    Quando os chavistas permitiriam uma enorme empresa americana participar de vários setores na Venezuela?Nunca.
  • Pobre Paulista  06/06/2019 20:44
    "Por mais inacreditável que possa parecer, ainda há pessoas que dizem que a situação da Venezuela é uma ficção inventada pela mídia."

    Bom... se em 2019 tem quem acredite que a terra é plana, não é de se espantar que tenha quem acredite que a Venezuela seja uma potência econômica.
  • Daniel  06/06/2019 20:46
    Sempre lembrando quem é o real responsável pela catástrofe:

  • anônimo  06/06/2019 20:51
    E jamais deixando morrer essa que é a maior pérola da história da internet brasileira, quiçá mundial:

    Venezuela: o socialismo que deu certo
  • Vinícius  06/06/2019 20:48
    Os artigos sobre a Venezuela sempre figuram entre os meus favoritos. O país ilustra em tempo real toda a teoria virando prática.

    Podem me chamar de sádico mas acho ótimo que isso esteja acontecendo. Apenas teorias não bastam para convencer as pessoas. Elas só se convencem pela prática. Elas tem que ver a coisa realmente acontecendo. E tá acontecendo aqui do lado.

    Aliás, digo mais: o fenômeno venezuelano talvez tenha sido determinante em desanimar milhões de pessoas a votarem no PT e no PSOL. Por mais incrível que pareça, a Venezuela pode ter nos salvado de virarmos socialistas.
  • Pobre Mineiro  06/06/2019 21:39
    Aííííímmmmm meeeeeuuuu !!!

    Aquilo lá num foi soçialismu di verdadi, elis traira os ideal soçialista.
    vamo imprementá aki o verdadero soçialismu, o de cáu marquís...


    Perdi a conta de quantas vezes já ouvi isso durante minha juventude.
  • Paulo   07/06/2019 00:20
    Desanimou para presidente, mas, no sistema presidencialista tipico de países subdesenvolvidos, vota-se no presidente, e depois em um congresso desalinhado a ele.
    É verdade que é basicamente um milagre ter um Guedes lá. Mas isso não basta.

    Todos os sistemas de governos latinos sofrem com o presidencialismo. Damos importancia ao presidente e esquecemos do congresso. No parlamentarismo é basicamente o oposto. Se você quer um BolsoGuedes lá, vota nos parlamentares que vão coloca-lo como primeiro-ministro. Perceba que a lógica se inverte e crises políticas tendem a ser menos prováveis.

    Olhar eleições presidencias como a nossa ''salvação'' é um dos maiores problemas latino-americano. Guedes e Bolsonaro são martir. O povo jogou eles aos lobos. Se sair alguma coisa dali, é por mero instinto de sobrevivencia do sistema.

    O centrão sempre impediu o país de Quebrar na ultima hora, depois de alguns congelamentos de preços e confiscos de boi no pasto


  • Andarilho  06/06/2019 23:03
    Eu conversei com o Bresser e ele falou que a culpa da Venezuela ta assim é da doença holandesa e o embargo norte americano.
  • Estado o Defensor do Povo  07/06/2019 02:53
    Eu sinceramente não entendo como você dura nesse site. Tanto tempo aqui e ainda continua a acreditar nessas baboseiras, sinceramente, nada mais entra nessa tua cabeça, já tá dura feito pedra.
  • Jairdeladomelhorqptras  07/06/2019 00:16
    Pesssoal,
    Uma provocação!
    Será que os Venezuelanos não merecem isto? Eta povinho frouxo!
    Tenho minhas dúvidas! Se um "maduro" aparecesse no Brasil ele não seria escorraçado?
    Até os militares brasileiros, estatistas até a alma, me parecem menos piores que os venezuelanos. Apesar de terem se curvado ao Lula e a Dilma!
    O que vocês opinam?
    Agradeço qualquer luz!
    Abraços
  • Estado o Defensor do Povo  07/06/2019 12:26
    Seja individualista, não é todo venezuelano que é estatista, não é todo venezuelano que é pró-maduro, assim como não é todo venezuelano que entende economia pra saber pra onde as políticas chavistas vão levar o país, desses eu tenho muita pena, eu só não tenho pena daqueles que foram avisados do perigo do regime chavista mas que ainda assim teimosamente o apoiavam, já que ele dava tudo "de grátis", é esses que agora estão colhendo o que plantaram.
  • BGC  07/06/2019 13:54
    Até os militares brasileiros, estatistas até a alma, me parecem menos piores que os venezuelanos.

    Os militares venezuelanos foram comprados. É bem provável que os militares brasileiros também tenham o seu preço.
  • Capital Imoral  07/06/2019 00:51
    Neymar e a relação heteronormativa

    Mais uma brasileira foi vítima de estrupudicio - esperando a mídia aderir à palavra -, mas, dessa vez, não foi um caso qualquer. Neymar violentou uma pobre mulher em um hotel de luxo em Paris. O caso Neymar é um exemplo público de como a velha relação heteronormativa está prejudicando as mulheres e minorias. Sim, vivemos tempos difíceis, com a ditadura dos decretos de Bolsonaro, mas cabe a um grande intelectual, como eu, mostrar o caminho do futuro. E onde se encontra esse caminho? Na relação entre ideologia de gênero e a luta por uma nova ordem mundial marxista.

    De fato, este caso precisa ser explicado para não cairmos no virus intelectual dos conservadores - pessimismo e suspeita. Vamos aos fatos: no sábado, dia 1º de junho, uma mulher fez um B.O em São Paulo contra Neymar o acusando de tê-la estuprado no dia 15 de maio, em Paris, depois deles se conhecerem pelo Instagram e o jogador pagar a viagem para ela ir até a capital francesa para encontrá-lo. Foi lá que ocorreu o estupro da pobre mulher que mora na Vila Olímpia. De início percebemos a corrupção do capitalismo nas relações entre homem e mulher. O que levaria Neymar a tratar a mulher em questão como um pedido do Ifood? A mulher deve ser muito 10/10 para Neymar morar em Paris e pedir Marmitex no Brasil. Veja como há uma relação perversa entre consumo e objeto; e pelo fato da mulher estar na condição de objeto oprimido pelo sistema capitalista, exige-se, no caso do Ocidente, certos direitos jurídicos como a superioridade moral-ideológica da palavra feminina.

    A moça que acusa Neymar de estupro pode estar mentindo? Sim, mas quem disse que isso é o suficiente para ela estar errada? A questão não é o que se fala, mas quem fala. O direito das minorias eleva-se acima dos signos certo ou errado, ou seja, assédio sexual (ou racial), não é algo concreto, mas é aquela ação percebida como tal. Na verdade, mesmo supondo que tudo seja uma farsa, seria uma questão de justiça social a mulher tirar dinheiro do jogador rico e famoso. Não gostou? pode ir chorar no fórum MGTOW.

    E veja que não estou defendendo integralmente o sexo feminino, porque o capitalismo, há muito tempo, perverteu a alma das mulheres. Mas o Brasil é um país tão atrasado culturalmente, que ainda estamos na velha relação heteronormativa do século XVIII. E isso me leva a um ponto importante: o novo socialismo do século XXI exige que as mulheres estejam um nível abaixo no índice de minorias. Por que? Porque a mão que afaga é a mesma que apedreja. Em outras palavras: a agenda precisa avançar.
    Assim como os homens, ainda existem traços do naturalismo da criação na mulher, e isso, obviamente, leva ao modo burguês das relações tanto íntimas como profissionais. O futuro exige que você mude o seu gênero para não ficar na condição incômoda, como mostra o caso Neymar, de minoria de segunda classe.

    Só existirá paz quando o capitalismo acabar e a adesão à ideologia de gênero for uma obrigação legal. O ser humano será uma questão em branco. Todos gêneros serão válidos, menos os que levem ao naturalismo. A única regra válida para este novo mundo é: será criminalizado, boicotado, tudo que nos remete à propriedade e à natureza das coisas. Pela primeira vez na história da humanidade a narrativa irá superar a realidade. O poder terreno será centralizado, mas a mente humana será livre para ser pautada por todos movimentos intelectuais que vão contra a entediosa realidade.

    Precisamos sentir saudades do socialismo gênero-normativo que ainda não vivemos.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Tomoe  07/06/2019 14:44
    Texto fenomenal!
  • Jairdeladomelhorqptras  07/06/2019 17:46
    As vezs eu pulo o "Capital humoral". Não estou com o "humor" para lê-lo. Mas este texto foi fenomenal. Igualzinho aos textos esquerdistas que lia na universidade de história. Escreviam, escreviam e não diziam nada. Penso que o Capital Imoral deve passar um bom tempo "garimpando" em textos esquerdistas para conseguir ser tão igualzinho a eles.
    Vou ler mais o "Capital Imoral" ou seria humoral? Sei lá! Mas é um belo contraponto aos comentários sizudos, lógicos e probos daqui! Continue!
    Abraços
  • Feminista  07/06/2019 19:24
    Parabéns Capital Imoral. E digo mais: o caso Neymar a cultura de estupro que predomina na nossa sociedade. Só porque a mulher foi viajar pra Paris esses machistas e misóginas das redes sociais duvidam das palavras da mulher. A coisa não é assim gente. Devemos acreditar na vítima. Nunca duvide quando uma mulher acusa um homem de estupro.
  • Sowel dos Palmares  08/06/2019 10:05
    Capital imoral, quero deixar registrada minha indignação com a seguinte frase, que considero ofensiva à minoria-majoritária afro-descendente: "o ser humano será uma questão em branco".
  • Investidor Iniciante  07/06/2019 11:37
    [OFF] Por onde começar a investir?

    Amigos, não tenho experiência prévia com investimentos. A pouco tempo estava endividado e comecei a estudar sobre finanças.

    Agora estou livre de dívidas e quero começar a investir. Não tenho capital inicial e meu orçamento ainda é apertado. Quero começar esse mês aplicando R$100/mes.

    Minha ideia inicial é começar investindo no Tesouro Direto pelo Banco do Brasil.

    1. Começar pelo TD é uma boa ideia?
    2. Investir no TD pelo BB é uma boa ideia? Ou eu deveria procurar outra corretora?
    3. Quais são as alternativas a essa ideia inicial?
  • Pitaco  07/06/2019 14:45
    Caro Iniciante, estou longe de ser um especialista no assunto, mas vou dar meu pitaco:

    O TD é uma boa pq é extremamente simples e "seguro": se vc realmente mantiver o valor investido até o fim do prazo, vai receber a valorização (cabe lembrar que vc pode até perder algum dinheiro, se resolver sacar antes do prazo final)... e pelo montante que você está aplicando, está coberto pelo FGC (que garante até 250mil reais). Se vc é um investidor conservador, é uma boa escolha (em breve algum extremista vai aparecer e falar sobre o absurdo que é "investir no governo", e a lógica para um libertário não está errada - isso dito, o modo como as coisas funcionam é esse, trate o investimento no TD como um reembolso dos impostos que o governo te toma e seja feliz)

    Uma alternativa conservadora seria investir em CDBs, especialmente de bancos pequenos e médios. Nos sites de qualquer corretora existem listas e listas de diversas opções com os mais variados prazos e retornos. São relativamente tão seguros quanto o TD.

    Se vc quer arriscar um pouco mais, procure algum fundo multimercado ou coisa do tipo. Basicamente, vc vai colocar seu dinheiro na mão de "especialistas" que vão operar em ações, moedas, opções e o que mais houver de disponível. É arriscado pq vc pode perder boas quantias, mas também pode ter ganhos maiores.

    Se vc quer arriscar mais ainda, vá para o bitcoin. Em teoria, no longo prazo, ele tende a se valorizar. Se a sua ideia é simplesmente ir fazendo mais aportes, pode ser uma boa, pra se resgatar daqui 5 anos ou algo parecido. É arriscado pq não é possível saber se o bitcoin sequer será algo existente daqui alguns anos.

    Para arriscar mais mais ainda, vá para o mercado de fundos imobiliários. Estes são legais pq geram rendimento mensal (vc vira "dono" de um pedacinho de algum(s) imóvel, e recebe um pedacinho do aluguel), mas também têm o risco de desvalorização/valorização da cota comprada.

    Para arriscar muito mais, vá para o mercado de ações. Vc pode ganhar 5% num day trade com uma operação correta, ou pode perder 20% numa semana, se fizer um passo errado.


    (apenas um adendo: procure corretoras menores mas com algum suporte. As corretoras dos grandes bancos normalmente cobram caro por operação e com taxas mensais. Existem algumas que sequer cobram qualquer coisa de você)
  • Investidor Iniciante  08/06/2019 10:01
    Obrigado pelas explicações!

    Deixa eu aproveitar e fazer outras perguntas.

    1. As taxas de custódias são duas, sendo uma devidas à corretora e outra à B3? Mesmo que minha corretora tenha taxa zero de custódia eu terei que pagar a taxa de custódia da b3? No site do BB diz que a taxa deles é zero mas que ainda existe a taxa da B3. (www.bb.com.br/pbb/pagina-inicial/voce/produtos-e-servicos/investimentos/tesouro-direto#/)

    2. Quais são os custos que devo levar em conta ao analisar um investimento? Por exemplo
    2.a - Custo do TED banco -> corretora
    2.b - Custo de custódia da corretora
    2.c - Custo de custóddia da B3
    2.d - Custo de operação dentro da corretora (a cada compra/venda de ativo)
    2.e - Taxa ou custo do TED no resgate da corretora para meu banco
    2.f - Imposto de renda
  • Engenheiro  07/06/2019 14:57
    Bom dia,

    cara invista em educação primeiramente, se desenvolva e logo terá mais $$ para investir. Será o melhor retorno.
  • Investidor Iniciante  08/06/2019 10:03
    Com certeza amigo, aplicar o tempo na aquisição de conhecimento é uma forma de investimento.
  • ed  07/06/2019 17:58
    Amigo, indico dois canais do Youtube: Eduardo Cavalcanti e Bastter. No site desse último há, inclusive, um ebook gratuito.
  • Investidor Iniciante  08/06/2019 10:06
    Muito obrigado, já me inscrevi nos dois. Também vi que a Bastter tem um mural que é um lugar mais adequado para fazer esse tipo de pergunta que estou fazendo aqui.
  • Caio Márcio  07/06/2019 15:30
    O socialismo é tão ruim, mas tão ruim, que até bandido quer fugir da Venezuela.
  • Sabio  07/06/2019 16:26
    Se o problema da Ven é socialismo, por que a Bolivia está muito bem, com inflaçao controlada, crescendo e reduzindo pobreza há mais de 10 anos, enquanto o Brasil patina adotando o neoliberlaismo. Idem pra ARG? O problema é o socialismo ou incompetencia de governos corruptos? A Bolivia multiplicou seu PIB por 3, desde que Evo assumiu. Nenhum modelo funcionou tão bem lá quanto o de Evo Morales. Antes a Bolivia adotava o neoliberalismo e era um desastre: alta pobreza, baixo crescimento e elevada desigualdade. E vale notar que o crescimento argentino foi explisivo antes da adoção do neoliberalismo. Expliquem essas coisas aí.
  • Amante da Lógica  07/06/2019 17:11
    "Se o problema da Ven é socialismo"

    Isso.

    "por que a Bolivia está muito bem, com inflaçao controlada, crescendo e reduzindo pobreza há mais de 10 anos"

    Essa é fácil. E já foi explicado aqui 217 vezes.

    Na Bolívia não há controle de preços, não há estatização de indústrias privadas (Evo tomou uma fábrica da Petrobras [estatal] em 2006, mas hoje já se sabe que foi com a anuência de Lula), não há hiperinflação da moeda, não há expulsão de investidores estrangeiros.

    Evo Morales sempre se mostrou muito à vontade em deixar as pequenas e médias empresas bolivianas em paz. Mais ainda: ele nunca teve problemas em permitir que uma grande fatia da economia operasse na informalidade (ou seja, operasse sem nenhuma regulamentação). Na prática, quando Morales ignora a economia informal, ele está essencialmente criando "brechas" nas regulamentações estatais. E, como Ludwig Von Mises sempre dizia, "as brechas nas regulamentações são o que permitem a economia respirar".

    Mas isso tudo ainda é o de menos.

    A Bolívia, contrariando toda a receita defendida pela esquerda, simplesmente adotou um arranjo de câmbio atrelado ao dólar desde 2009. (Sim, Evo Morales fez exatamente como Gustavo Franco).

    Pode conferir aqui. Câmbio atrelado desde 2009:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/bolivia-currency.png?s=usdbob&v=201904051028a1&d1=19190101&d2=20191231

    Segundo o site Trading Economics, o "Banco Central da Bolívia não utiliza as taxas de juros como ferramenta de política monetária. Toda a política monetária da Bolívia tem sido baseada na taxa de câmbio."

    Vale notar que o discurso "anti-imperialista" de Evo é só propaganda para enganar trouxas e excitar a esquerda mundial: na hora que realmente interessa, o índio atrela a moeda ao dólar "imperialista" e, com isso, mantém sua economia estável, com a mesma inflação americana. (O Equador foi ainda mais longe e simplesmente dolarizou sua economia; lá a inflação de preços sumiu).

    Já a Argentina, coitada, nunca entendeu o básico: em países de economia e de política avacalhadas, a moeda não flutua, ela desaba. E juntos vão os governos. Argentina e Venezuela estão deste lado; Bolívia e Equador estão do outro.

    E aí, você, de esquerda, defende um regime que abriu mão de sua "soberania monetária" e atrelou a moeda nacional ao dólar imperialista? Se a resposta for sim, você tem de mudar o discurso. Se a resposta for não, você também vai ter de mudar o discurso.

    Sua situação é delicada.

    "enquanto o Brasil patina adotando o neoliberlaismo"

    Não sei o que é isso. Por acaso seria isso?

    De resto, é interessante: se um país que ocupa a 150ª posição no ranking de liberdade econômica da Heritage é "neoliberal", o que seria então, por exemplo, a Suíça, que está na quarta posição? E a Nova Zelândia, na terceira posição?

    Parodiando você próprio, "explica essas coisas aí".

    "Idem pra ARG?"

    Argentina?!

    As lições da Argentina: gradualismo e medo de reformas são fatais para uma economia

    Aliás, vou até repetir o que escrevi lá em cima: Já a Argentina, coitada, nunca entendeu o básico: em países de economia e de política avacalhadas, a moeda não flutua, ela desaba. E juntos vão os governos. Argentina e Venezuela estão deste lado; Bolívia e Equador estão do outro.

    "O problema é o socialismo ou incompetencia de governos corruptos?"

    Ambos, mas o socialismo é muito pior. Economia de mercado com governo corrupto ainda sobrevive. Já o socialismo, mesmo com um governo formado por anjinhos, só gera destituição e miséria.

    "A Bolivia multiplicou seu PIB por 3, desde que Evo assumiu. Nenhum modelo funcionou tão bem lá quanto o de Evo Morales."

    Opa! Legal saber que você defende o arranjo cambial de Gustavo Franco. Só não conte para a esquerda. Vai dar pane cerebral.

    "Antes a Bolivia adotava o neoliberalismo e era um desastre: alta pobreza, baixo crescimento e elevada desigualdade. E vale notar que o crescimento argentino foi explisivo antes da adoção do neoliberalismo."

    Essa aqui eu vou rotular na seção "Pândega". A coisa é tão deslocada da realidade, que nem errada consegue ser. (É como um sujeito dizer que a Terra é plana: você não tem de se preocupar se ele está errado; você tem de se preocupar se ele está é maluco).

    "Expliquem essas coisas aí."

    Explicado. Resta saber se você aguentou tamanha quebra de ilusões.
  • Estado o Defensor do Povo  07/06/2019 22:39
    Boa Amante da Lógica, o senhor é um gênio.
  • Questionador  09/06/2019 16:25
    Se o socialismo é o causador de um milagre econômico na Bolívia, por que há tantos bolivianos no Brasil? Por que preferem ser miseráveis em solo Brasileiro, do que participar da prosperidade econômica na Bolívia?
  • Felipe Lange  07/06/2019 17:02
    Leandro, o que seria esse tal de "peso-real"? Seria benéfico?
  • Leandro  07/06/2019 17:17
    Para os argentinos até seria uma boa. Seria a primeira chance de eles terem inflação de preços abaixo de 2% ao mês.

    Para nós brasileiros seria, obviamente, trágico.

    Uma maior argentinização do Banco Central brasileiro seria péssima para nós (à exceção da Venezuela, ninguém é pior para gerir moeda na América do Sul). Já uma maior brasilianização do Banco Central argentino seria excelente para eles.

    De resto, eu só aceito discutir qualquer idéia sobre moeda única na América Latina se o Banco Central for comandado por um peruano. E tendo como vice-presidente um chileno.

    Qualquer outro arranjo é tragédia garantida.
  • Aprendiz  07/06/2019 19:31
    Ok, Leandro, mas você, de fato, considera esta hipótese? Ou e um factóide mesmo?

    O ideial para os dois não seria uma dolarização?
  • Leandro  07/06/2019 20:05
    Factóide, é claro. Quero dizer, espero.

    A não ser que a equipe econômica esteja ficando completamente insana.


    P.S.: cadê Olavo de Carvalho quando se precisa dele? Era para ele estar ensinando seus seguidores no governo a se pronunciarem visceralmente contra essa medida globalista que atenta contra a soberania nacional.
  • Paulo   07/06/2019 21:23
    O Guedes sonda essa ideia desde 2008. Foi encontrado um artigo dele falando aqui

    O lado chicaguista inocente dele é seu pior lado.
  • Sérgio  07/06/2019 19:37
    "Como as vítimas de assalto simplesmente não têm dinheiro ou objetos de valor para serem roubados, não há como os bandidos conseguirem dinheiro para comprar munições. E sem munições, torna-se arriscado assaltar. Como lamentou um bandido, "disparar uma bala agora virou atividade de luxo no país."

    Por isso, os assaltos no país estão em queda. Os bandidos estão sem dinheiro para comprar munições porque não há pessoas com dinheiro para serem assaltadas.

    Consequentemente, os bandidos estão saindo do país."


    Este trecho do artigo me preocupa. Para onde os bandidos venezuelanos estão indo? Só espero que não venham pro Brasil, porque senão teremos os mesmos problemas que os americanos tem com os latinos. Já não basta os bandidos que vivem aqui no Brasil? Vai vir mais?

    Espero que o nosso presidente tome medidas quanto a isto. Se ele quer deixar venezuelanos se refugiarem no Brasil (para fugirem daquele inferno socialista), que pelo menos verifique os antecedentes criminais dos imigrantes (parece que o Trump tem feito isso nos EUA). Não quero saber de mais bandidos entrando aqui.
  • Victor  07/06/2019 20:40
    Você e ninguém tem poderes sobre as fronteiras, já viu um passo fronteiriço típico brasileiro? Totalmente aberto, o Brasil é numa várzea pra não dizer um chiqueiro, entrar mais bandidos aqui é mera consequência do fracasso total brasileiro.
  • Ginanni  07/06/2019 23:29
    Não há nenhum dado que o cinismo dos socialistas não possa explicar. O bom é que a mentira cobra seu preço cedo ou tarde.
  • João Canali  08/06/2019 19:59
    Meses atrás, no início da 'rebelião' de Juan Guandó, digamos assim, um dado de extrema importância em toda esta discussão foi lançado na mídia e nunca foi usado como argumento principal do Grupo de Lima (uma vítima desse dado) ou mesmo pelos EUA... Um dado que vale mais do que esses gráficos todos porque, na realidade, explica como o país teria aguentado a sua queda de produção de petróleo (falta de reinvestimentos em novos poços durante o período de prosperidade quando sustentavam o projeto bolivariano, técnicos da PDVSA todos em Miami e a grande violência criminal na região onde estão a maioria dos poços, com grande quantidade de furtos de maquinário, etc...). Três milhões dos 34 milhões de venezuelanos teriam se transformado em refugiados (imigrante é outra coisa), ou seja, praticamente 10% da população fugiu e foi parar em países vizinhos que não tem como manter seus próprios desempregados... Essa quantidade gigantesca de refugiados, mesmo para padrões internacionais, foi praticamente esquecida na conversa... assim como ninguém lembra daquela favela em Calais cheia de refugiados muçulmanos esperando uma chance para atravessar o Canal da Mancha, mesmo que entre vagões de um trem subterrâneo ... e que foram esquecidos assim que a Grã-Bretanha montou o seu BRexit... Curiosamente, enquanto Guandó blefava sem parar, Trump voltava a carga com seu muro e uma marcha de refugiados centro-americanos se realizava... O Grupo de Lima nunca falou com todas as letras que não tinha como ficar financiando a crise venezuelana com seus cubanos agarrados no pescoço... que não tinha mais como seguir 'agasalhando'o desempregado alheio... Nunca jogou isso na cara dos russos que se arvoravam a defender Maduro... Na verdade, a fórmula de subsistência de todo governo autoritário que se arrebenta economicamente (um especialidade de comunistas, já que sociedade sem prêmio não produz nunca o suficiente) é botar gente pelo ladrão como se fosse uma caixa d'água cheia... Nunca foi crime tentar fugir de Cuba (a exceção eram oposicionistas de talento, esportistas e ou artístas onde houve investimento publicitário do regime), conheci diversos aqui em Miami. Uma tentativa fracassada rendia apenas o custo de uma passagem de ônibus de Guantánamo para casa... Os gulags russos eram uma expressão da mesma coisa, para lá iam os desempregados das cidades, os desajustados economicamente... e lá trabalhavam de forma braçal até morrerem... Tudo se equilibrava. Voltando... Depois o noticiário passou a sumir com os 3 milhões de refugiados... mas o noticiário está comprometido com uma oposição cega aos governos do Grupo de Lima e ao Trump, por outro lado, os articulistas das principais mídias, o pessoal do Império do Jabá é muito fraco em articulação internacional... Os 3 milhões foram uma mentira? Qual é a projeção de crescimento desses refugiados salvadores da pátria bolivariana, gente que deixa as estatísticas de desempregados de seu país e passam a engrossar as estatísticas negativas de países vizinhos? O futuro do petróleo como principal fonte energia planetária está contado... Quantas dezenas de milhões venezuelanos herdaremos?
  • Estado o Defensor do Povo  09/06/2019 01:03
    Pessoal, vocês já ouviram falar da Colônia Cecília? Acho que seria bom um artigo à respeito, visto que tem gente que tem dúvidas sobre.
  • Milton Friedman Cover's  09/06/2019 11:35
    Excelente artigo! E ainda tem quem defenda este governo comuna da Venezuela. Aqui, espera-se que o atual governo faça logo as mudanças necessárias. Dá pena ver o excelente Paulo Guedes tendo que explicar mil vezes seu projeto econômico para um bando de deputados mal intencionados e com perguntas e ataques pessoais totalmente fora do contexto. É preciso rever o processo eleitoral deste país urgentemente! Torço para que Paulo Guedes não desanime e que estes deputados desinformados acordem. Quanto aos esquerdoides parasitoides, que sejam engolidos pelos conservadores e sensatos. Abraços.
  • Paulo   09/06/2019 19:43
    Ótimo texto. Acrescentaria algo sobre o monte de expropriações, nacionalizações e estatizações feitas pelo chavismo e que envolveu frações significativas de setores como elétrico, siderúrgico, petroquímico, incluindo fertilizantes, telecomunicações, bancos, até hotéis e supermercados. Também foram muitos imóveis urbanos e terras (na tal revolução alimentária). Se tiverem a curiosidade, pesquisem por cronograma + expropriaciones + venezuela.
  • Estado o Defensor do Povo  10/06/2019 01:33
    Vamo refutar esse cara>

    liberaisantilibert.wixsite.com/naosrancap/blog/todo-estado-é-socialista
  • Rodolfo Andrello  10/06/2019 16:10
    O interessante foi acompanhar a mudança do mantra. Hoje um defensor do socialismo diria que o "embargo" de 2017 destruiu a economia da Venezuela, porém, esse mesmo socialista antes dessa data dizia que a culpa foi do imperialismo que derrubou a cotação do petróleo no mercado internacional.
  • raphael  10/06/2019 19:51
    a venezuela eh desarmamentista, mas eh engraçado que nenhum defensor do desarmamento costuma falar como anda a violencia em caracas
  • Revoltado  11/06/2019 12:22
    Raphael,

    Nem perca tempo esperando que os vermelhos falem algo a respeito. Enxugar gelo é mais producente que vê-los manifestando-se contra algo que fere sua narrativa ideológica.
  • Milton Friedman Cover's  11/06/2019 05:47
    Muito grato, sr. Gattai pelos links enviados. Irei lê-los com atenção. Enfim, sempre digo às pessoas que não tem como a esquerda, qualquer esquerda, dar certo em nenhum lugar do universo. Que não se divide renda sem tê-la, em primeiro lugar. E que mesmo havendo renda, muita renda, se for dividir com projetos populescos ad infinitum só irá transformar toda a população em miseráveis, já que tirar dinheiro de quem tem deixa essas pessoa também pobre ou ela ela sai do país deixando de investir aqui. Oremos para que pelo menos Paulo Guedes consiga convencer o Congresso que as reformas são urgentes, urgentíssimas! Privatizar todas essas empresas estatais inúteis. Estado tem que cuidar da saúde, educação e segurança, nada mais. Claro, nas duas primeiras com investimentos privados e punindo severamente os corruptos. Fora isto, só fiscalizar sem podar a iniciativa privada. Abraços.
  • Kaique  11/06/2019 17:41
    Eu achava exagero falarem tanto da Venezuela até ler uma explicação recente dos "experts" midiáticos do UOL sobre como o país chegou àquela situação.

    Literalmente culpam tudo: queda do preço do petróleo, autoritarismo político, hiperinflação, censura da mídia, etc, menos uma palavrinha simples: socialismo. Se não fosse os tabelamentos de preços e as nacionalizações chaviztas, a situação poderia estar próxima da Argentina ou Brasil, mas jamais chegaria a uma catástrofe humanitária.
    Se fosse depender dessa lógica, países como Arábia Saudita, Noruega e Emirados Árabes devem estar em uma situação ainda mais caótica que da Venezuela.

    Realmente há muito trabalho a fazer. O nível de aparelhamento das instituições por esquerdistas nunca foi tão forte quanto atualmente.


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