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Ciclo nefasto: a economia cresce, o governo gasta, e os gastos do governo depredam a economia
Os gastos do governo são a consequência, e não a causa do crescimento econômico

O governo federal americano gastou US$ 4 trilhões em 2017. Já o governo federal da Argentina gastou US$ 161 bilhões no mesmo ano.

Ou seja, os gastos do governo federal argentino equivalem a míseros 4% dos gastos do governo federal americano.

Um desenvolvimentista olharia para esses números e imediatamente concluiria que o motivo de a Argentina ser mais pobre que os EUA está no fato de seu governo gastar menos que o governo americano. Se ao menos o governo argentino gastasse mais e tentasse se aproximar dos gastos do governo americano, todos os argentinos seriam mais ricos.

Em outras palavras, a economia argentina é ínfima comparada à economia americana porque os políticos argentinos são mais parcimoniosos que os políticos americanos.

Embora eu esteja exagerando um pouco (será mesmo?), esta comparação simplória mostra como a estatística, quando despida do domínio da teoria, pode obscurecer a realidade.

Um indivíduo minimamente versado em economia sabe que os gastos do governo federal argentino são uma fração dos gastos do governo federal americano precisamente porque a economia argentina é uma fração da economia americana.

Pelo mesmo raciocínio, os gastos federais americanos são gigantescos quando comparados a todos os outros países do mundo exatamente porque a economia americana é bem maior que a destes outros países.

No mundo real, um governo só pode gastar se o setor privado de seu país produzir riqueza para ele confiscar e gastar. Quanto maior for a riqueza produzida por este setor privado, maiores poderão ser os gastos do governo.

O governo americano pôde gastar US$ 4 trilhões em 2017 porque a produção e a geração de riqueza da economia americana foram várias vezes maiores que U$ 4,1 trilhões (o PIB foi de US$ 19,4 trilhões).

Se a economia americana fosse mais pobre — isto é, se seu setor privado fosse menos eficiente e gerasse menos riqueza —, os gastos do governo federal americano certamente seriam muito menores.

Questão de lógica

Quando se entende esta lógica econômica básica, teorias desenvolvimentistas que dizem que os gastos do governo estimulam a economia não apenas perdem o sentido, como, na verdade, passam a ser vistas como a própria inversão da realidade. Gastos do governo não podem estimular o crescimento econômico; ao contrário, seus gastos só são possíveis porque houve crescimento econômico.

Para o governo poder gastar, é necessário antes haver crescimento econômico. Sem este não há aquele. Sem uma anterior produção de riqueza, não há riqueza para ser confiscada e consumida pelo governo. Básico.

Se, por exemplo, em um passe de mágica, metade do governo americano desaparecesse (com seus gastos caindo de US$ 4 para US$ 2 trilhões), haveria US$ 2 trilhões a mais em posse do setor privado, disponíveis para ser investidos, consumidos ou alocados de acordo com as preferências temporais de cada indivíduo, e não de acordo com as conveniências de políticos, que sempre visam a eleições.

E os efeitos disso não podem ser minimizados.

Quando o governo federal gasta, isso significa que deputados, senadores, ministros, reguladores, secretários, comissionados e todos os tipos de burocratas estão desempenhando um papel substantivo na alocação de trilhões de uma riqueza que foi previamente criada pelo setor privado. Por outro lado, quando menos desta riqueza vai para o governo, isso significa que empreendedores, investidores e consumidores possuem mais recursos em mãos para produzirem e, consequentemente, multiplicar a riqueza à disposição de todos.

Truísmo

Dado que o governo só pode gastar aquilo que ele antes confiscou do setor produtivo, é ilógico dizer esta intervenção do governo na economia tem o poder de "estimular a produção e fazer a economia crescer".

Por isso, Mises nunca se cansava de repetir:

É sempre necessário enfatizar este truísmo: o governo só pode gastar ou investir aquilo que ele toma de seus cidadãos [via impostos ou empréstimos]. E seus gastos e investimentos adicionais restringem, na mesma quantidade, a capacidade destes cidadãos de gastar ou investir.

Os gastos do governo não têm como criar riqueza pelo simples motivo de que algo que só é possível em decorrência da apropriação de riqueza alheia não pode, por definição, criar riqueza nenhuma.

Para efetuar seus gastos, o governo tem necessariamente de: a) coletar impostos (ou seja, confiscar a riqueza de empreendedores, investidores e consumidores); b) pegar recursos emprestados (o que deixa empreendedores, investidores e consumidores sem crédito); ou c) imprimir dinheiro. 

Nenhuma destas três medidas cria riqueza. 

1) Impostos restringem a produção e o consumo. Se uma empresa tem menos dinheiro, ela não pode nem contratar mais mão-de-obra e nem investir mais, o que afeta sua produção e, consequentemente, a disponibilidade de bens e serviços. Se pessoas têm menos dinheiro, elas também não podem nem investir e nem consumir bens e serviços de empresas.

2) O endividamento do governo — ou seja, o governo pegar recursos emprestados para bancar seus gastos — faz com que haja menos recursos para serem emprestados para empreendedores, investidores e consumidores. O crédito está sendo desviado para bancar os gastos correntes do governo e não para sustentar as atividades produtivas. Isso não tem como gerar riqueza.

3) A criação de dinheiro pode apenas fazer com que os preços dos bens e serviços subam, pois imprimir dinheiro não tem o poder de fazer com que surjam mais produtos na economia. A existência de mais dinheiro (seja em papel-moeda ou em dígitos eletrônicos) não tem o poder milagroso de transformar recursos escassos em bens materiais. O dinheiro não é um meio de produção; ele não produz nem bens de consumo e nem bens de capital. Logo, aumentar a quantidade de dinheiro existente não causará uma maior produção de tratores, carros, computadores, máquinas, sapatos, tomates e pães. O dinheiro é simplesmente um meio de troca que facilita as transações.

Nenhuma dessas três medidas, portanto, cria riqueza. Consequentemente, nenhuma dessas três medidas pode "estimular uma economia". 

Você é o governo - e tudo piora

Entretanto, os efeitos dos gastos do governo são ainda piores. Eles não apenas confiscam riqueza, como na verdade destroem riqueza.

Imagine que você seja trilionário e esbanjador. Ou seja, imagine que você é o governo. Ato contínuo, você sai comprando computadores, laptops, carros, motos, jatinhos, imóveis, smartphones, televisões, tratores, caminhões, retroescavadeiras, toneladas de cimento, toneladas de café, inúmeras máquinas de fazer café, papel higiênico, sabonetes, gravatas, ternos e afins

Ao fazer essas compras, você está provocando dois efeitos: impedindo que haja uma maior abundância desses bens para as outras pessoas, e desviando recursos das indústrias, obrigando-as as produzir mais desses bens apenas para suprir a escassez deles.

Agora, imagine que você perdeu sua fonte de renda e repentinamente cortou seu consumo. Quais as consequências? 

1) Haveria mais bens disponíveis para os outros consumidores, que necessitam deles com mais urgência que você. Os mais pobres agradeceriam.

2) As indústrias não precisariam empregar recursos apenas para suprir a escassez desses bens (escassez provocada por você), o que as permitiria investir em novos processos de produção, que resultariam em maior abundância de bens. 

3) Os bens que já foram produzidos e não consumidos (isto é, os bens que foram poupados) poderiam ser empregados em outros processos de produção cujos produtos finais trariam óbvias satisfações para os consumidores.

Quando se entende esses conceitos, fica mais fácil perceber por que os gastos do governo desestimulam a poupança e atrasam o crescimento sustentável do país. 

Mesmo que o governo gastasse exclusivamente com funcionários públicos, o efeito seria mesmo. Afinal, para gastar, o governo precisa tributar ou pegar empréstimos.  Ambas as medidas configuram absorção de poupança e riqueza de toda a população (inclusive empreendedores e investidores), poupança essa que poderia ser utilizada para financiar projetos de expansão.

Conclusão

O raciocínio é realmente tautológico: para o governo gastar, ele tem antes de tomar de alguém (seja via impostos, seja via endividamento) ou imprimir dinheiro. Se ele tomou de alguém, esse alguém está agora impossibilitado de consumir ou de investir. Se ele imprimiu dinheiro, nada foi criado. E, ao gastar, ele depreda riqueza.

Como disseram Leandro Roque e Ubiratan Jorge Iório, "Impossível mensurar os custos econômicos das empresas que deixaram de ser abertas, dos empregos que deixaram de ser gerados e das tecnologias que deixaram de ser criadas simplesmente porque os investimentos não foram possíveis por causa da absorção de recursos pelo governo federal".  

Por tudo isso, os gastos do governo não podem ser vistos como uma força criadora de riqueza. Todo o gasto do governo ocorre à custa dos outros indivíduos da sociedade. Por definição. 

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Leia também:

A explosiva situação fiscal do governo brasileiro - em dois gráficos

Eis um gráfico que assusta e deprime: a evolução dos gastos do governo federal

 


autor

Thiago Fonseca
é graduado em administração pela FGV-SP e é empreendedor do ramo de eletroeletrônicos


  • Gilson  27/03/2019 19:41
    O keynesianismo é defendido por pessoas que querem ver o governo confiscando o dinheiro dos outros e redistribuindo para elas próprias. Tá cheio de professor universitário assim. É óbvio que essa gente não é burra; eles não acreditam na teoria. Eles defendem a política de tributar e gastar simplesmente porque elas próprias estão do lado beneficiado do esquema.
  • John Maynard Keynes  27/03/2019 20:00
    Pois é, por mais esquerdista que o sujeito seja, ele sabe que se a economia for depredada até a miséria da nação, ele também perderá bastante. O padrão de vida de um funça federal no Brasil é bem melhor que até o alto-escalão dos partidos comunistas mundo a fora. Ser elite em Cuba ou na Coreia do Norte? Pra que? Nâo ter liberdade, não ter acesso a serviços e bens de consumo? Isso explica porque muitos comunistas e socialistas migraram para a social-democracia. Quando algum soça fala "Ain mas o muro de berlim já caiu, não tem mais comunismo". Tem razão, foi substituído por algo mais maquiavélico ainda.
  • Roberto R.  27/03/2019 19:47
    Vale para o governo e para as pessoas também.

    Quando as pessoas consomem, além de elas abrirem mão do capital que têm para adquirirem o bem de consumo, elas dão início ao processo de depreciação do bem adquirido. Assim, perdem de imediato o valor que despenderam e ao longo do tempo parte do valor que adquiriram. Se esse consumo ainda se der através de financiamento, soma-se ao custo de depreciação o valor dos juros sobre o capital tomado emprestado.

    Sendo assim, em hipótese alguma o aumento do consumo de bens resulta no aumento da riqueza. Podemos até nos sentir felizes com o prazer de adquirirmos um bem, porém, ao longo do tempo, a tristeza vem e com ela talvez venha o arrependimento pela depreciação do bem, pela perda do capital que se tinha e do poder aquisitivo.
  • Lucas-00  27/03/2019 20:55
    Mas o que?
    Nunca senti tristeza depois de comer uma comida que eu comprei e ficar pensando que era melhor ter passado fome.
    Criticar a vontade de consumir é querer defender algo como a balança comercial.

    Até se você tirar a teoria de lado e colocar a prática: você trabalha apenas para ganhar dinheiro e não fazer nada com ele?
  • Raul RB  28/03/2019 17:08
    -- Para resumir: Ser rico é diferente de riqueza. Pode parecer confuso, mas um é o aspecto do capital do individuo, e o outro é um aspecto da economia. Em outras palavras ser rico é uma perspectiva subjetiva do tamanho do capital em relação a outros. E riqueza é o poder de produção e consumo de uma economia. Se riqueza é um termo confuso, pode trocar por bens ou produção de bens, vindo do termo "production of good" sendo que o oposto é a produção de males "production of bads".

    Inicie a análise pelo ponto de viste de alguém que está no livre mercado produzindo algum produto/serviço.

    Supondo que esse individuo criou riqueza e acumulou um capital, ao consumir parte dessa riqueza ele não está deixando a economia mais pobre, nem ele está ficando mais pobre. Um exemplo é um carro, todos sabem que ele deprecia ao longo da vida, mas se essa pessoa mora no interior, não tem outra forma de se deslocar. O ganho de produtividade que o veiculo traz para o seu dia a dia é maior que a depreciação.

    Mas ai vc vai perguntar, está bem, mas e para itens subjetivos e de lazer como uma televisão ou uma coleção de cartas pokemon?
    R: Como os recursos foram gerados por ele, apenas o individuo pode alocar de forma a tentar satisfazer suas necessidades, é provável que fique arrependido se assistir 5 horas seguidas de televisão (tempo é um recurso) ou que tenha gasto seu capital em uma coleção que é desnecessária a sua sobrevivência. Nem tudo tem logica, mas as escolhas devem ser feitas, e por isso mesmo que o capitalismo de livre mercado, trocas voluntarias, são a melhor forma, já que cada um tem que alocar o seus próprios recursos.


    Abr
  • Emerson  27/03/2019 19:49
    Cada $1 gasto pelo governo é menos $1 nas mãos da sociedade. O primeiro passo da destruição de riqueza foi feito. As pessoas agora têm menos para gastar ou investir

    Além disso, mesmo que o governo tente produzir algo com esse $1, grande parte dele é desperdiçado com burocracia e má gestão, uma parte é desviada e o que chega à sociedade é mal aplicado.

    Não tem como funcionar.
  • Francisco  27/03/2019 21:55
    E vale acrescentar: se o governo aumenta seus gastos, os incentivos para o empreendimento privado são reduzidos. Por que você vai abrir uma padaria, um restaurante, um comércio ou uma atividade de serviços se você pode se tornar um burocrata bem pago trabalhando em uma repartição pública?

    Por que uma pessoa qualificada vai querer fazer algum estágio em uma firma de engenharia se o governo abriu vários concursos públicos que prometem salários nababescos e estabilidade no emprego?

    Enfim, por que se arriscar no setor privado, sofrendo cobranças e tendo de apresentar eficiência, se você pode simplesmente ganhar muito no setor público, tendo estabilidade no emprego e sem ter de apresentar resultados?
  • Pensador Puritano  27/03/2019 19:51
    Enfim a classe estatal não quer perder seus privilégios e todo argumento falacioso que defenda este leviatã é bem visto por ela.

    Nós os pagadores de impostos é que devemos nos insurgir contra isto.
  • Almir  27/03/2019 20:23
    Os brasileiros continuarão a pagar os impostos escorchantes bovinamente, desde os barões da FIESP até as costureiras MEI, enquanto quem ainda tem alguma renda significativa faz filas no Outback e compram pacotes de turismo de 5 dígitos pra Fernando de Noronha.
  • Paulo Guedes  27/03/2019 20:14
    A reforma não vai passar. Até o Kim já admitiu que o congresso não quer. A oposição não quer e o governo não vai poder molhar a mão de ninguém, pois toda a mídia está em cima.

    O país vai quebrar em 2022, bem na mão do Bolsonaro. Se preparem que o seu sucessor será o Ciro Gomes e sua impressora.

    Isso é a tal democracia.
  • Estado o Defensor do Povo  27/03/2019 23:00
    Para com os comentários apocalípticos mano, tô pra me esconder debaixo da cama pra me proteger dessa falência, por sinal, se alguém souber me responder em detalhes o que acontece em uma falência do governo por déficits eu agradeço, quanto tempo dura e como as pessoas reagem e tal, sou meio leigo e só consigo pensar numa inflação catastrófica.
  • Daniel  28/03/2019 00:10
    No extremo, ocorre isso aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2800
  • John Maynard Keynes  28/03/2019 12:52
    Essa de "governos nunca quebram" é falaciosa. Governos quebram sim, mas quando isso acontece, a população já estará comendo ratos. Essa de "ah quero ver o governo quebrar", "quero ver o estado desabar". Sorry to break your bubble, mas isso não rola. Antes de isso acontecer, sua moeda já não vale mais nada, seu acesso a bens e serviços já era.
  • João Marcelo  29/03/2019 18:49
    Se o Ciro ganhar em 2022 eu saio de qualquer jeito desse porcaria
  • anônimo  30/03/2019 04:10
    E se conseguir, ironicamente, quem verá os efeitos dela não será nenhum dos políticos presentes.

    Por isso democracia não tem como dar certo, os efeitos de curto prazo sempre serão melhores vistos do que os de longo prazo.
  • Vladimir  27/03/2019 20:28
    Muito bom o artigo, como de praxe. Ótimas ilustrações e excelente desenvolvimento lógico.
  • Capital Imoral  27/03/2019 21:41
    STF e a República dos hipócritas

    O Supremo Tribunal Federal decidiu que todos processos da Lava Jato devem ser movidos para Justiça Eleitoral comum. Na prática, os processos agora estão sob controle dos juízes do STF, e isso abre caminho para soltar criminosos do Partido Novo. Isto gerou uma grande repercussão na opinião pública, mas, como esperado, ninguém apontou as reais causas de nossa crise institucional.

    Para entender o que está acontecendo, precisamos nos aprofundar na natureza do atual sistema republicano. A República é baseada na democracia. A democracia, por sua vez, é uma religião coletiva em que ao mesmo tempo é preciso ter fé, no sistema, e apontar eventuais culpados, que volta e meia chamam de corruptos. Segundo os republicanos, o sistema seria perfeito se não houvesse corrupção; portanto, a culpa jamais, nunca, pode recair para o sistema republicano em si. Funcionários públicos e juízes são seres acima do bem do mal cuja a única função é fazer o sistema dar certo. Políticos são representantes supremos do povo e de um ideal de sociedade que se aperfeiçoa a cada novo-ano. Se der errado, é só votar que tudo volta ao normal. Se houver corrupção, a culpa não é do sistema, mas dos indivíduos que ousaram corromper um sistema tão puro e honesto.

    Essa é a teoria do sistema atual; agora analisemos a realidade.

    Na quinta-feira (14), o presidente do tribunal superior, ministro Dias Toffoli, determinou a abertura de inquérito para investigar mensagens e ataques a ministros da Suprema Corte. Enquanto o STF planejava soltar políticos corruptos do Partido Novo, o presidente da Suprema Corte preparava terreno para calar e perseguir quem tivesse a ousadia de denunciar o absurdo [1]. Criou-se uma situação onde há uma ditadura de toga, em pleno sistema republicano, mas ninguém pode dizer o que de fato ocorre: Há uma ditadura comandada por burocratas não eleitos.

    A natureza da democracia
    A democracia é uma religião de covardes que não têm coragem o bastante para assumirem a posição de opressores e oprimidos. Todos querem vestir a capa democrata enquanto escondem sua real natureza. É uma religião de hipócritas, onde a direita, a esquerda social-democrata, os neoliberais, todos, absolutamente todos, fazem parte de uma grande liturgia diária. A religião dos homens não pode parar. Você já se perguntou o porquê do Instituto Mises não criticar abertamente os ministros do STF? Por que durante todo o governo Bolsonaro estão quietinhos compartilhando bobagens de site estrangeiro? Ué, onde foi parar a oposição liberal aos privilégios dos militares na Previdência Social? Eu quero saber se Bolsonaro vendeu a alma ao diabo quando negociou com Trump? Por que estão quietos? Por que vocês não defenderam o Golden Shower? Vocês não gostam do padrão-ouro? A resposta para tudo isso se encontra na hipocrisia democrata.

    Conclusão
    Quer culpar alguém? Culpe a hipocrisia dos homens; culpe a falta de apreço pela verdade e retidão, culpe o bom-mocismo da atual República. Prefiro mil vezes uma ditadura do proletariado do que o atual sistema. Foda-se que Stalin matou milhares! Pelo menos ele não era um viado, relativista, prostituta de Gregos e Troianos. Antigamente havia lado, e estava bem claro a natureza das coisas. O liberalismo e a democracia corrompeu o homem moderno e criou o pior dos mundos: O mundo relativista.

    [1] O Ministro do STF Alexandre de Moraes fez a seguinte afirmação: "No direito a gente chama de 'jus esperneandi, direito de espernear. Pode espernear à vontade, pode criticar à vontade. Quem interpreta o regimento do Supremo é o Supremo." Em outras palavras, isso significa que você um gado, bem gado mesmo, que será abatido diariamente, porém, tem total liberdade de espernear. Sua única obrigação é pagar imposto e defender a democracia, gado.

    g1.globo.com/politica/noticia/2019/03/19/moraes-rebate-criticas-a-inquerito-para-investigar-ataques-ao-stf-pode-espernear-a-vontade.ghtml

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Talles  28/03/2019 12:39
    A distribuição da competência, seja em matéria eleitoral, trabalhista, etc, está prevista claramente na Constituição e legislação esparsa .
    Os Procuradores sabiam perfeitamente disso e optaram por fazer um "jogo com a mídia/população" ao darem seguimento às ações na Justiça Federal. Se tivessem feito o certo desde o início, não haveria essa discussão tola em relação a competência da Justiça Eleitoral.
  • anônimo  27/03/2019 21:49
    Keynesianos dizem que gastos do governo gera o efeito multiplicador. Uma forma fácil de notar pq o efeito multiplicador é falacioso é imaginar as consequências caso este efeito fosse real. Basicamente haveria uma prosperidade infinita, toda e qualquer escassez deixaria de existir simplesmente torrando grana, passando cédulas de uma pessoa para outra.
  • Eduardo  27/03/2019 21:51
    O que gera crescimento econômico no longo prazo (leia-se aqui a taxa de crescimento do PIB real) é a soma da (i) taxa de crescimento do capital por unidade efetiva de trabalho, da (ii) taxa de crescimento da população e da (iii) taxa de crescimento devido à ganhos de tecnologia.
  • O grande mal são os economistas  27/03/2019 21:52
    Eis o paradoxo: quando ninguém sabia nada de economia, as economias cresciam por mais tempo seguido e sem crises.
  • PMI  27/03/2019 22:44
    Estado, o escritório de projetos mais caro e ineficiente do planeta.
  • Estado o Defensor do Povo  27/03/2019 22:55
    Eu sinceramente não entendo como algo tão fácil de entender as pessoas simplesmente não entendem, todo mundo no Brasil pede por mais gastos e mais gastos, é triste ver isso.
  • Kaiowá  28/03/2019 00:47
    De onde vem o dinheiro que o governo utiliza para aumentar seus gastos?
    Do povo. O que Keynes acredita é que o governo pode direcionar alguns gastos e melhorar a economia.

    Mas então governo (burocratas) entende mais de economia do que o mercado (milhões de indivíduos)?
    Não, não entende. Provavelmente um país que tivesse só infraestrutura privada seria MUITO mais eficiente financeiramente. Mas a realidade (em todos os países do mundo) já foi "corrompida" por infraestrutura estatal, que sem investimentos do governo degradam e atrasam a economia. Exemplo: se o governo não melhora a estrada, ela se deteriora e a população não vai investir dinheiro pra melhorá-la, pois acredita que isso é responsabilidade pública.
  • Breno  28/03/2019 00:53
    "Exemplo: se o governo não melhora a estrada, ela se deteriora e a população não vai investir dinheiro pra melhorá-la, pois acredita que isso é responsabilidade pública."

    Errado. A população não vai investir dinheiro para melhorá-la porque é proibida de fazer isso. Infraestrutura é monopólio estatal. Se você, por conta própria, decidir recapear uma estrada, você pode ir preso.

    www.mises.org.br/BlogPost.aspx?id=2523

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2735
  • Intruso  29/03/2019 15:45
    Mas o sujeito privado apenas decidiria pelo recapeamento da estrada se houvesse a possibilidade de pedagiala. Ninguém faz nada de graça.
  • gabriel  28/03/2019 00:57
    se me permitem bancar o advogado do diabo, acho que uma das razoes de o governo usar dinheiro da populacao seria para direcionar gastos onde a produtividade da economia como um todo seria melhorada, ou seja, infra-estrutura, tecnologia, educacao etc. Isso seria melhor para todos do que investimentos ultra conservadores durante uma recessao, como compra de terras, guardar debaixo do colchao etc.
  • Vladimir  28/03/2019 01:13
    "acho que uma das razoes de o governo usar dinheiro da populacao seria para direcionar gastos onde a produtividade da economia como um todo seria melhorada"

    Se há setores onde investimentos adicionais fariam com que "a produtividade da economia como um todo seria melhorada", então os próprios indivíduos atuantes no mercado (empreendedores e investidores em busca do lucro) perceberiam essa oportunidade e fariam isso.

    Na prática, você está dizendo que burocratas têm uma superior capacidade de percepção da realidade de toda a economia do que milhões de indivíduos interagindo entre si. Você está dizendo que burocratas do governo sabem melhor do que milhões de indivíduos onde exatamente deve haver investimentos.

    Se o bairro onde você mora precisa de um restaurante, quem perceberá isso mais rapidamente: consumidores, empreendedores e investidores, ou burocratas?

    Igualmente, se toda uma região precisa de estradas e pontes, quem perceberá isso mais rapidamente: consumidores, empreendedores e investidores, ou burocratas?

    Obviamente, investidores e empreendedores são proibidos pelo governo de sair construindo estradas e pontes porque tal atividade é monopólio estatal (só pode fazer isso quem o estado concede). É por isso que não há estradas e pontes em bom estado no Brasil.

    "ou seja, infra-estrutura, tecnologia, educacao etc"

    Dizer que os burocratas do estado sabem melhor que milhões de indivíduos onde há demanda por tecnologia, infraestrutura e educação é o ápice do humor involuntário.

    O estado não sabe gerir nem um hospital, mas, de alguma maneira, saberá atender às demandas pontuais de milhões de indivíduos por pontes, iPads e aulas de nanotecnologia.

    "Isso seria melhor para todos do que investimentos ultra conservadores durante uma recessao, como compra de terras, guardar debaixo do colchao etc."

    Não existe isso de guardar dinheiro debaixo do colchão. É incrível que ainda haja pessoas que falem isso.

    Pra começar, quem faz isso tem seu dinheiro dizimado pela inflação. É a forma mais estúpida de se queimar capital. Quem guarda dinheiro embaixo do colchão não está nem sequer poupando; está perdendo dinheiro para a inflação.

    No mundo real de hoje, nenhum investidor "deixa o dinheiro parado". O dinheiro está em alguma conta bancária ou em um fundo de investimento ou ações. Dinheiro na conta bancária nunca fica "parado". Ele é emprestado ou para empresas, ou para consumidores, ou para o governo, ou é utilizado -- também pelos bancos -- para comprar debêntures e ações. O dinheiro que você pensa estar paradinho na sua conta já foi repassado para terceiros. Só se os bancos odiarem lucros é que eles deixarão o dinheiro parado.

    Aliás, havendo um governo com um orçamento deficitário, os bancos emprestarão para ele cada centavo sobrante das contas de seus correntistas.

    Não existe "dinheiro parado" no atual arranjo monetário e bancário. Quem fala em "dinheiro parado" parou na economia do século XIX, quando realmente era possível guardar ouro dentro de casa e os governos tinham orçamentos equilibrados.
  • gabriel  28/03/2019 01:23
    Ok, mas dado o arranjo onde o governo possui o monopólio sobre alguns itens de infra-estrutura como estradas, pontes/telecomunicações, etc. E não estou julgando se isso é bom ou ruim é apenas uma constatação de um cenário existente...

    Eventualmente, gastos nessas áreas (se realizadas de forma eficiente), podem ativar a economia... O que quero dizer, é que se o investimento for correto, ele pode ativar a economia sim, tanto quanto um investimento privado o faria, certo?
  • Vladimir  28/03/2019 01:31
    Errado.

    Vivemos em um mundo de recursos escassos. Aquilo que é utilizado em um setor foi necessariamente retirado de outro setor. Se o governo está comprando recursos escassos, insumos e matérias-primas para utilizar em um setor, então outros setores ficarão sem estes mesmos recursos.

    Se o governo está construindo uma ponte, ele irá consumir grandes quantidades de aço, cimento, vergalhões e argamassa. Isso significa que todo o resto do setor da construção civil terá agora de pagar mais caro para conseguir a mesma quantidade de aço, cimento, vergalhões, argamassa. Os preços desses itens irão subir e, como consequência, todos os bens que utilizam esses itens em sua construção -- como imóveis e carros -- ficarão mais caros.

    Quando o governo gasta, ele está consumindo bens que, de outra forma, seriam utilizados pela população ou mesmo por empreendedores para fins mais úteis e mais produtivos. Por isso, todo o gasto do governo gera um exaurimento de recursos. Bens que foram poupados para serem consumidos no futuro acabam sendo apropriados pelo governo, que os utilizará sempre de forma mais irracional que o mercado, que sempre se preocupa com o sistema de lucros e prejuízos. Portanto, os gastos do governo exaurem a poupança (por ''poupança'', entenda-se ''bens que não foram consumidos no presente para serem utilizados em atividades futuras'').
  • gabriel  28/03/2019 01:41
    Mas se um empreendedor construir uma ponte... Ele também consome itens escassos... A única diferença, é a eficiência com que ele gasta esse recurso. Se ao consumir este item escasso, ele gerou condições para que outras pessoas, gerassem riqueza através de trabalho... Ele ativa a economia...
  • Hazlitt  28/03/2019 01:50
    1) Se a obra é estatal -- isto é, se ela é feita de acordo com critérios políticos --, então não há como saber que ela está sendo genuinamente demandada pelos consumidores. Não há como saber se ela realmente é sensata ou não, se ela é racional ou não. (Vide os estádios da Copa na região Norte do país). O que vai predominar serão os interesses dos políticos e de seus amigos empreiteiros, ambos utilizando dinheiro de impostos. Não haverá nenhuma preocupação com os custos.

    2) Se a obra é estatal, haverá superfaturamento. (Creio que, para quem vive no Brasil das últimas décadas, isso não necessariamente é uma conclusão espantosa). Havendo superfaturamento, os preços desses insumos serão artificialmente inflacionados, prejudicando todos os outros consumidores. Os preços, portanto, subirão muito mais ao redor do país.

    3) Por outro lado, se é o setor privado -- e não o estado -- quem voluntariamente está fazendo a obra, então é porque ele notou que há uma demanda pelo projeto. Ele notou que há expectativa de retorno. (Se não houvesse, não haveria obras). Consequentemente, os preços dos insumos serão negociados aos menores valores possíveis. Caso contrário -- ou seja, caso houvesse superfaturamento --, a obra se tornaria deficitária, e seria muito mais difícil a empresa auferir algum lucro.

    Isso, e apenas isso, já mostra por que os efeitos sobre os preços dos insumos são muito piores quando a obra é estatal. Tudo é bancado pelos impostos; não há necessidade de retorno financeiro para quem faz a obra (o governo e suas empreiteiras aliadas); não há prestação de contas (accountability); os retornos são garantidos pelos impostos do populacho.

    Já em uma obra feita voluntariamente pela iniciativa privada, nada é bancado pelos impostos; a necessidade de retorno financeira pressiona para baixo os custos; há accountability; os impostos da população não são usados para nada.

    Qual desses dois arranjos você acha que pressiona para cima os preços dos insumos, prejudicando todos os outros empreendedores do país?
  • AGB  28/03/2019 13:06
    Desde que me conheço por gente, as obras feitas para o estado são superfaturadas. Sem levar em conta os desvios para suborno, os empreiteiros eram praticamente obrigados a elevar os valores cobrados porque o governo atrasava os pagamentos ou simplesmente não os saldava. E desde os anos 50, quando esse mesmo estado passou a financiar-se com a inflação, nenhuma empresa conseguiria sobreviver sem faturamentos exagerados.
  • Sand Brand  28/03/2019 17:23
    Pelo pouco de conhecimento econômico, nesse caso entendo como as "falhas de mercado", pois qualquer empreendendor não aloorá recursos em algo que o retorno não seja garantido. Exemplo: Brasília existiria em 1960 se dependesse dos investidores? As grandes hidrelétricas? Pontes em regiões de baixo valor econômico? Não force a barra do pensamento. Queria ver investidores construindo tudo e só depois começar a lucrar. Em qualquer país do mundo foi e será assim. Os grandes investimentos são do Estado, depois privatiza e concede para iniciativa privada lucrar. Acordem! Veja o que ocorreu com Vale, CSN, Usinimas, Eletrobrás (até hoje cobram tarifa básica), Aeroportos. Os liberais só tem discurso e hipocrisia.
  • Russell  28/03/2019 17:45
    "Exemplo: Brasília existiria em 1960 se dependesse dos investidores?"

    Meu Deus! E quem é que estava "demandando" a existência de Brasília?! Você conhece algum consumidor que estava clamando para criarem uma nova capital federal no meio do nada?

    É óbvio que, no que dependesse da iniciativa privada, aquela bosta não existiria. Para o bem do Brasil. Aquilo ali deveria virar um bordel cercado de plantação de maconha por todos os lados. O país estaria muito melhor assim.

    A não-construção de Brasília pela iniciativa privada denota uma excelência de mercado, e não uma falha.

    É cada um...

    "As grandes hidrelétricas? Pontes em regiões de baixo valor econômico? Pontes em regiões de baixo valor econômico? Não force a barra do pensamento. Queria ver investidores construindo tudo e só depois começar a lucrar."

    Deixa eu tentar lhe trazer para o mundo real.

    Em primeiro lugar, a iniciativa privada não investe nestes setores porque eles tendem a ser monopólios estatais. Ou seja, é proibido investir neles.

    Em segundo lugar, é impossível a iniciativa privada investir vultosamente nestes setores sendo que ela é impiedosamente tributada e espoliada. É o ápice da ironia: o governo tributa e espolia a iniciativa privada, e depois diz que ela não tem condições de investir.

    Em terceiro lugar, o governo sempre proibiu investimentos estrangeiros nestes setores. Se investimentos estrangeiros fossem liberados, consórcios de empresas estrangeiras não teriam nenhum problema ou dificuldade para investir maciçamente aqui (e lucrar bastante com essa demanda). Porém, como o governo proíbe essa "exploração estrangeira" e exige que o capital seja exclusivamente nacional, fica difícil realmente haver algum investimento maciço.

    Em suma: o governo proíbe investimentos estrangeiros, tributa pesadamente o capital nacional, estipula monopólios, e então sai falando que a iniciativa privada não se interessa. É conclui que, se não fosse o governo, nada seria possível.

    Coisa de gênio.

    "Não force a barra do pensamento."

    Em vez de exigir que os outros parem de pensar, acho que é você quem deveria, pela primeira vez na vida, começar a pensar. Eis a definição da mediocridade: exigir que os outros pensem menos em vez de você próprio fazer um esforço para pensar mais.

    "Os liberais só tem discurso e hipocrisia."

    Já o os amantes do estado, além da paixão pelo atraso e pelo esbulho do dinheiro dos pobres em benefício próprio, têm profunda paixão pela ignorância.
  • Humberto  28/03/2019 17:58
    Acho que essa foi a mais sensacional que eu já vi. "Ei, a iniciativa privada jamais construiria Brasília voluntariamente! Jamais torraria dinheiro naquilo! Viram só? Falha de mercado! Precisamos do estado para satisfazer essa irrefreável demanda do povo por Brasília!"

    Eu teria vergonha até de voltar aqui...
  • Andre Fernandes  28/03/2019 18:45
    "pois qualquer empreendendor não aloorá recursos em algo que o retorno não seja garantido."

    Me diz algum exemplo onde existe garantia de lucro para um empreendedor. Isso não existe em qualquer mercado que não seja regulado.

    A única forma de se garantir lucro para alguém é com ajuda do governo. Caso seja criada alguma obrigatoriedade de se utilizar algum serviço/produto. Fora isso, todo investimento vem acompanhado de risco.

    Se houvesse lucro garantido toda a população seria empreendedora ou você conhece alguém que não gostaria de ganhar dinheiro sem risco?


    "Queria ver investidores construindo tudo e só depois começar a lucrar."

    Gostaria muito que você me desse algum exemplo de investimento onde eu lucro primeiro e depois invisto. Aposto que todo mundo viraria investidor hoje mesmo.

    Você achar que algum empreendedor constrói alguma fábrica como? Você investe na bolsa como? Você compra um carro para trabalhar como Uber como? O investimento, por definição, tem que vir antes do lucro da atividade em questão. Não faz nem sentido discutir o contrário.

    Não vou me dar ao trabalho de responder o exemplo bizarro de Brasília, o que já foi muito bem feito pelos colegas acima.
  • Adriano  28/03/2019 14:33
    [OFF]
    Esses tempos eu andei dando uma lida sobre o padrão ouro quando uma dúvida me acometeu: Seria possível lastrear um moeda em diamante? Me refiro á mesma ideia do padrão ouro clássico, mas ao invés de ouro, usando diamantes ou algo similar de alto valor?
    Sou novo por aqui e estou adorando os artigos, parabéns!
  • Dedé  28/03/2019 15:40
    "O governo americano pôde gastar US$ 4 trilhões em 2017 porque a produção e a geração de riqueza da economia americana foram várias vezes maiores que U$ 4,1 trilhões (o PIB foi de US$ 19,4 trilhões)."

    Se esses dados estiverem corretos, então o governo americano gasta pouco mais de 20% do PIB, o que é pouco no mundo moderno, principalmente entre os países ricos.

    Como os EUA se endividam tanto, gastando (relativamente) tão pouco?
  • Humberto  28/03/2019 16:06
    Porque a carga tributária federal é de 16% do PIB.

    fred.stlouisfed.org/series/FYFRGDA188S
  • Dedé  28/03/2019 19:56
    Interessante!

    Olhando o gráfico de endividamento, não parece ter havido uma explosão da dívida americana, ela sempre esteve em tendência de alta. A partir de 2008 a dívida passou a crescer de forma mais acentuada. Mas nada explosivo, como muitas vezes é noticiado na mídia.

    fred.stlouisfed.org/series/GFDEBTN
  • LEONARDO  31/03/2019 14:42
    Não sou da área de economia, apenas às vezes leio para tentar entender o básico a respeito, mas sempre fico com dúvidas...

    Lendo o texto acima, vi que foi colocado que, se o Governo cortasse consumo:


    "1) Haveria mais bens disponíveis para os outros consumidores, que necessitam deles com mais urgência que você. Os mais pobres agradeceriam.

    2) As indústrias não precisariam empregar recursos apenas para suprir a escassez desses bens (escassez provocada por você), o que as permitiria investir em novos processos de produção, que resultariam em maior abundância de bens."

    Ocorre, contudo, que, olhando como se eu estivesse no lugar de um proprietário de uma empresa, tanto faz se eu vendo para um particular ou se eu vendo para o governo, pois meu interesse é vender (não havendo assim interesse em existirem mais bens disponíveis para outros consumidores que não fosse o governo, ao contrário eu teria era interesse em vender o máximo possível).

    Além disso, os recursos utilizados pela empresa em processos produtivos para suprir a escassez advém dos lucros dessas vendas, sejam elas feitas para o setor público ou para o setor privado e vender menos, se o governo não for comprador, a empresa teria menos lucros para aplicar nos seus processos produtivos.

    Então, partindo da posição de um empresário, me parece que não faz diferença para ele quem seria o consumidor, porque seu interesse é vender e lucrar e cada vez mais.

    Refletindo sobre essa situação, me parece que o governo age mais como um intermediário que retira coercitivamente de uns (por meio de tributos) e aloca recursos em outros setores, criando mais distorções do que destruição de riqueza, pois o que foi retirado do tributado acaba sendo disponibilizado para a empresa aonde o governo utilizou esse recurso.

    Na parte do governo consumindo o crédito disponível, fica mais fácil entender como ele destrói riqueza, na medida em que encarece o crédito para o setor produtivo, mas em relação aos tributos, me vem a ideia que coloquei antes de distorção em vez de destruição.

    Em relação à imprimir mais dinheiro, também fica claro como isso gera mais inflação, mas aí me vem outra dúvida.
    No livro Seis lições do Mises, é colocado que o Investimento Estrangeiro é um fator importante para o crescimento de determinado país, o que também me deixou intrigado sem entender como um aporte novo com dinheiro não originado nessa economia, embora empregado no setor produtivo, também não gera mais inflação, isso significa dizer que se o Governo imprimisse dinheiro e empregasse no setor produtivo também não geraria inflação?

    Essas são algumas dúvidas que me recordo agora, que acredito ser pelo fato de não ser da área e assim ficar confuso em meio as teorias econômicas.

    Gostaria que os nobres leitores pudessem esclarecer essas dúvidas.
  • Thomas  31/03/2019 19:08
    "olhando como se eu estivesse no lugar de um proprietário de uma empresa, tanto faz se eu vendo para um particular ou se eu vendo para o governo"

    Correto. Abordado aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1465

    "Então, partindo da posição de um empresário, me parece que não faz diferença para ele quem seria o consumidor, porque seu interesse é vender e lucrar e cada vez mais."

    Para um empresário específico não faz. Para a economia como um todo faz, é muito. Você ter empresários produzindo exclusivamente para políticos, e não para consumidores desejosos, é garantia total de economia pobre e ineficiente.

    Aquilo que o pobre demanda não existe; só existe aquilo que políticos demandam. Você gostaria de viver em uma sociedade assim?

    "Refletindo sobre essa situação, me parece que o governo age mais como um intermediário que retira coercitivamente de uns (por meio de tributos) e aloca recursos em outros setores, criando mais distorções do que destruição de riqueza, pois o que foi retirado do tributado acaba sendo disponibilizado para a empresa aonde o governo utilizou esse recurso."

    Espero que, com o que foi dito acima, agora esteja mais claro.

    Ademais, se você realmente ainda acredita no que acabou de dizer, então coloque em prática: transfira todo o seu dinheiro para mim (e faça campanha para todas as outras pessoas fazerem o mesmo), e eu prometo que irei gastar tudo. Ao gastar tudo, estarei "redistribuindo" riqueza e todos voltarão a ficar bem, certo?

    Se você percebeu algum erro no raciocínio acima, então você entendeu o que há de errado no seu cenário.

    "mas em relação aos tributos, me vem a ideia que coloquei antes de distorção em vez de destruição."

    De novo: se você realmente ainda acredita no que acabou de dizer, então coloque em prática: transfira todo o seu dinheiro para mim (e faça campanha para todas as outras pessoas fazerem o mesmo), e eu prometo que irei gastar tudo. Ao gastar tudo, estarei "redistribuindo" riqueza e todos voltarão a ficar bem, certo?

    Se você percebeu algum erro no raciocínio acima, então você entendeu o que há de errado no seu cenário.

    "No livro Seis lições do Mises, é colocado que o Investimento Estrangeiro é um fator importante para o crescimento de determinado país, o que também me deixou intrigado sem entender como um aporte novo com dinheiro não originado nessa economia, embora empregado no setor produtivo, também não gera mais inflação,"

    Dólares não circulam no Brasil. Nem euros. Nem nenhuma outra moeda. Logo, não existe isso de dinheiro estrangeiro "entrar no Brasil". Consequentemente, não tem como dinheiro estrangeiro gerar inflação monetária.

    Dinheiro estrangeiro é trocado por moeda nacional. Na prática, os dólares de investidores estrangeiros são comprados por importadores nacionais, e estes, por sua vez, repassam seus reais aos investidores estrangeiros. Nenhuma moeda é criada.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1087
  • Emerson Luis  01/04/2019 11:06

    Ótimo artigo!

    É necessário muito estudo em grandes universidades para não compreender pontos tão simples e óbvios. Se bem que diversos apenas fingem que não compreendem.

    Pergunta: Proporcionalmente qual governo gasta mais: o americano, o argentino ou o brasileiro? Quais os números?

    * * *
  • Jefferson  01/04/2019 15:43
    Brasil: 20% do PIB

    Argentina: 18,2% do PIB

    EUA: 14% do PIB

    data.worldbank.org/indicator/NE.CON.GOVT.ZS?locations=BR-AR-US&year_high_desc=true
  • Haniel de Souza Lobo  01/04/2019 23:40
    Belo artigo, simples e didático.
    Poucos dias atrás passei por uma situação um tanto engraçada que tem tudo haver com isso. Estava estudando economia para fazer uma prova e me deparei com a seguinte situação: "para haver estimulo na economia o governo deve aumenta seus gastos" e do contrário pra "desestimular". Tive de decorar essa fórmula apenas para passar na prova, mas essa ideia já não me entra na cabeça de forma alguma, porém é incrível ver instituições que até julgamos ser séria se usando dessa mesma fórmula e princípios sem sequer um debate. É mesmo assim tão óbvio ou é só quem estuda um pouco de economia austríaca que consegue entender?


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