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O tenebroso conto de fadas da Teoria Monetária Moderna - e de André Lara Resende
No final, a teoria é apenas uma roupagem mais elegante para o socialismo

Nota do Editor

Causou frisson no meio acadêmico um recente artigo publicado por André Lara Resende no jornal Valor Econômico. O economista — um dos principais formuladores do Plano Real, e a principal mente por trás do Plano Cruzado — aparentemente deixou de ser um monetarista e tornou-se um fervoroso defensor de uma teoria heterodoxa rotulada Teoria Monetária Moderna (TMM).

No Brasil, esta teoria ainda não emplacou; nos EUA, ela ganhou proeminência porque a ala mais à esquerda do Partido Democrata, capitaneada pela deputada Alexandria Ocasio-Cortez (que é declaradamente socialista), passou a defendê-la vigorosamente (o que praticamente já diz tudo sobre tal teoria).

Como era de se esperar, o fato de um proeminente monetarista brasileiro ter se convertido (e de maneira um tanto fanática) a uma teoria monetária heterodoxa defendida pela extrema-esquerda americana deixou a esquerda brasileira excitada.

Mas o que realmente seria essa tal Teoria Monetária Moderna (TMM)? Ironicamente, a TMM não é nem moderna e nem realmente "monetária". Com efeito, a teoria é apenas uma combinação convoluta de antigas e heterodoxas idéias que envolvem imprimir dinheiro, colocar o governo para gastar (nada de muito diferente do que era feito rotineiramente durante o governo de José Sarney) e usar impostos para "retirar o excesso de dinheiro da economia" (não, não é ironia; a teoria é explícita quanto a isso).

Robert Murphy, membro-sênior do Ludwig von Mises Institute, se encarrega de explicar (e desmontar) a teoria.

Confira.

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A Teoria Monetária Moderna (doravante TMM) é um paradigma econômico/financeiro que virou moda e tomou de assalto um mundo insatisfeito com a economia neoclássica convencional.

A teoria ganhou uma popularidade subterrânea por três motivos: ela aparenta ter um rigor matemático; ela discorda das obviamente erradas doutrinas padrões defendidas pelos neoclássicos (neo-keynesianos ortodoxos), e, acima de tudo, ela afirma que as restrições orçamentárias do governo são uma mera ilusão.

Os proponentes da TMM afirmam que o atual sistema monetário — em que os governos têm liberdade para imprimir dinheiro à vontade — aboliu as amarras associadas ao padrão-ouro, e que, consequentemente, o crescimento econômico depende apenas de entender como os atuais sistemas monetário e bancário funcionam.

O histórico da TMM

Uma coisa que deve ficar bem clara logo de início é que a TMM não é a mesma coisa que economia neo-keynesiana. Tampouco ela está do mesmo lado de keynesianos tradicionais, como Paul Krugman. Com efeito, o próprio Krugman já criticou repetidamente os seguidores da TMM (que retrucaram aqui e aqui, apenas para citar dois exemplos).

A TMM está ligada a uma antiga doutrina formulada pelo economista alemão Georg Friedrich Knapp, a qual ficou conhecida como "cartalismo". O aspecto mais fascinante da TMM é que ela vira de cabeça para baixo idéias padrões da economia. Por exemplo, os proponentes da TMM afirmam que o emissor soberano de moeda fiduciária jamais pode se tornar insolvente (algo que a Venezuela prontamente refuta). Segundo eles, o objetivo da tributação não é gerar receitas para o governo, mas sim regular a demanda agregada.

Acima de tudo, para eles, moeda e impostos são indissociáveis. A moeda é um título de dívida do estado que serve para cancelar dívidas tributárias. Como todos os agentes na economia têm ativos e passivos com o estado, a moeda se transforma na unidade de contabilização de todos os demais ativos e passivos na economia. A aceitação da moeda decorre do fato de que ela pode ser usada para quitar impostos. (Isso gera dificuldades para explicar por que as pessoas que estão na economia informal também aceitam igualmente essa moeda).

Para descrever com mais acurácia a TMM, o melhor é ir direto à fonte. O website de Warren Mosler — um dos mais proeminentes defensores da TMM nos EUA — é reputado pelos próprios adeptos da TMM como o melhor ponto de partida. E de chegada.

A posição contra-intuitiva da TMM em relação aos déficits do governo

Para ilustrar os problemas da TMM, concentremo-nos em um ponto específico, e que talvez seja o cerne da teoria: o debate sobre os déficits orçamentários do governo.

Os seguidores da Escola Austríaca defendem que o governo deve cortar imediatamente os gastos. Os keynesianos defendem que o governo deve, apenas no futuro, restringir seus gastos e aumentar impostos. Já os seguidores da TMM afirmam que ambos os lados são ignorantes.

De acordo com vários proponentes da TMM, "os déficits não interessam" quando um governo soberano pode emitir sua própria moeda. Consequentemente, toda a inquietação em relação às contas públicas e à solvência fiscal do governo é absurda e desnecessária. Com efeito, os seguidores da TMM vão ainda mais além e afirmam que uma redução nos déficits orçamentários do governo afetaria negativamente a capacidade do setor privado de poupar. Ou seja, os austríacos, quando defendem uma redução dos gastos do governo e um consequente equilíbrio orçamentário estariam, inconscientemente, defendendo um colapso da poupança privada.

Pesquisei extensivamente os websites dos mais proeminentes defensores da TMM e aqui está a melhor explicação que encontrei sobre isso. A citação abaixo é um tanto longa e contém equações, mas reproduzi-la na íntegra é a única maneira de garantir que não estou deturpando a posição da TMM:

O conceito de contas nacionais sustenta o modelo básico de renda-despesa que está no cerne da macroeconomia introdutória. Podemos ver este modelo de duas maneiras: (a) da perspectiva da fonte dos gastos; e (b) da perspectiva do uso da renda produzida. Ao juntarmos estas duas perspectivas (da mesma coisa) temos o balanço dos setores.

Assim, pela ótica da fonte dos gastos, temos que:

PIB = C + I + G + (X — M)

a qual diz que a renda total nacional (PIB) é a soma do gasto em consumo (C), do investimento privado (I), dos gastos do governo (G) e das exportações líquidas (X-M) [isto é, exportações menos importações].

Já pela ótica do uso da renda produzida, a renda nacional (PIB) pode ser usada para:

PIB = C + S +T

a qual diz que o PIB (renda) em última instância volta para as famílias que consomem (C), poupam (S), e pagam impostos (T) com sua renda assim que todas as distribuições são feitas.

Logo, se igualarmos essas duas perspectivas do PIB, temos que:

C + S + T = C + I + G + (X - M)

Isso pode ser simplificado cancelando C de ambos os lados da equação e rearranjando os termos (sempre respeitando as regras da álgebra) naquilo que chamamos de visão do "saldo setorial das contas nacionais".

(I - S) + (G - T) + (X - M) = 0

Ou seja, os três saldos têm de dar soma zero. Os saldos setoriais assim derivados são:

  • O saldo privado doméstico (I - S)
  • O déficit do governo (G - T)
  • O saldo nas contas externas (X - M)

Uma simplificação seria somar (I - S) + (X - M) e chamar isso de setor não-governamental. E então você tem o saldo do setor governamental é exatamente igual ao saldo do setor não-governamental (a soma dos saldos privados domésticos e externos). Esta também é uma regra básica derivada das contas nacionais e tem de ser válida para toda e qualquer situação.

Para o propósito de nossa discussão, vamos simplificar as coisas e deixar de fora o comércio externo. (Podemos justificar essa medida ao vermos o mundo como um todo, o qual obviamente não pode ter nem um déficit comercial e nem um superávit comercial, e então analisar os efeitos das mudanças nos déficits orçamentários total dos vários governos).

Logo, se cancelarmos exportações e importações, e rearranjarmos os termos remanescentes, derivamos esta equação:

G - T = S - I

Ou seja, o total de gastos do governo menos o total de receitas tributárias é necessariamente igual à poupança privada menos o investimento privado.

Os proponentes da TMM podem sucintamente expressar essa relação em palavras:

Déficit orçamentário do governo = Poupança privada líquida

Esta equação explica por que os proponentes da TMM desprezam a ideia de austeridade fiscal.

Vale ressaltar que a equação acima foi derivada totalmente por meio de tautologias contábeis, e não por meio de alguma teoria econômica específica, de modo que ela é inabalável. E, espanto!, de fato ela aparenta dizer que se o governo reduzir seu déficit orçamentário, então a poupança do setor privado irá necessariamente cair. O que fazer agora? Será que os austríacos estiveram este tempo todo involuntariamente defendendo uma maciça destruição de capital sem saber disso?

É claro que você não precisa do governo para poder poupar

Qualquer um familiarizado com economia introdutória, mais especificamente o exemplo de Robinson Crusoé em uma ilha, sabe que não faz nenhum sentido dizer que é necessário haver um governo para que o indivíduo possa poupar.

Sozinho na ilha, Crusoé consegue coletar dez cocos por dia com suas mãos. Esta é a sua "renda real". Porém, para progredir na vida, Crusoé tem de poupar — viver abaixo de suas posses. Assim, durante 25 dias seguidos, Crusoé coleta normalmente seus dez cocos por dia, mas come apenas oito e poupa dois. Isso lhe permite acumular um estoque de 50 cocos em 25 dias, o que lhe garante um colchão de 10 dias caso ele fique doente ou se machuque.

Mas Crusoé pode fazer ainda melhor. Ele fica dois dias sem subir em árvores e sem coletar cocos (com suas próprias mãos) e, em vez disso, vai coletar gravetos e videiras. E então ele utiliza esses recursos naturais para criar uma longa vara que irá aumentar enormemente sua produtividade em termos de número de cocos coletados por hora. Este investimento em bem de capital só foi possível por causa da poupança prévia de Crusoé; ele não teria conseguido ficar dois dias sem comer caso não houvesse coletado seu estoque de 50 cocos.

Sim, essa é uma história simples, mas ilustra bem o conceito básico sobre renda, consumo, poupança, investimento e crescimento econômico. Nela, não é necessária a existência de nenhum governo tendo um déficit orçamentário para que a história "funcione". Crusoé consegue genuinamente viver abaixo de suas posses — consumir menos que sua renda — e consequentemente direciona recursos para a produção de mais bens de capital. Isso aumenta a sua produtividade futura, levando a uma renda maior (consequentemente, mais consumo) no futuro. Não há nenhum truque ou salto argumentativo, e a poupança de Crusoé é realmente "líquida" no sentido de que ela não é contrabalanceada por algum empréstimo tomado por seu amigo Sexta-Feira.

Sendo assim, exatamente como podemos interpretar a declaração dos proponentes da TMM de que a "poupança privada líquida" necessariamente é igual ao déficit orçamentário do governo (se ignorarmos o comércio internacional)?

Fiz esta pergunta em meu blog, e o economista Nick Rowe, de impecáveis credenciais acadêmicas e reputação internacional, defendeu a TMM da seguinte maneira:

Eu: "Especificamente, considero uma maluquice as pessoas dizerem que, se o governo federal não tiver um déficit orçamentário, então é contabilmente impossível o setor privado poupar."

Nick Rowe: A teoria está perfeitamente correta, e é padrão, tão logo você faça a tradução. Suponha uma economia fechada para o comércio internacional. Defina "poupança privada" como "poupança privada menos Investimentos", que é como os defensores da TMM normalmente utilizam a palavra "poupança" ou "poupança líquida". E então é tudo contabilidade básica. PIB =  C+I+G, e S=PIB-T-C, logo S-I = G-T.

Percebeu o salto argumentativo? Quando os defensores da TMM falam de "poupança líquida", eles não estão dizendo que as pessoas coletivamente poupam mais do que coletivamente tomam emprestado. Não. Eles estão dizendo que as pessoas coletivamente poupam mais do que coletivamente investem.

Veja o que o próprio Nick Rowe foi obrigado a escrever em defesa da TMM: "Defina 'poupança privada' como 'poupança privada menos Investimentos'". Ora, poupança privada é uma coisa; poupança privada menos investimentos é outra coisa. Se definirmos "poupança privada" como "poupança privada", que é o logicamente correto, então a crítica à TMM segue intacta.

Sim, a "poupança privada líquida" — isto é, "a poupança privada menos o investimento privado" — não pode crescer sem um déficit orçamentário do governo (de novo, se desconsiderarmos o comércio internacional), mas isso é imaterial. Todo o benefício da poupança privada é que ela permite o investimento privado.

Este é o problema fundamental de se recorrer a tautologias contábeis da macroeconomia para defender uma ideologia; as pessoas frequentemente enfiam ali argumentos causais da teoria econômica sem perceberem que estão fazendo isso.

Vejamos de novo a equação que está causando tanta confusão:

G - T = S - I

Como um economista pró-livre mercado, eu não preciso fugir desta tautologia. Eu posso utilizá-la para ressaltar a famosa crítica de que os déficits orçamentários do governo afetam o investimento privado (o famoso "crowding out"). Especificamente, se os gastos do governo (G) sobem ao mesmo tempo em que as receitas tributárias (T) permanecem as mesmas, então o lado esquerdo da equação aumenta (o déficit orçamentário do governo aumenta). Consequentemente, a contabilidade nos diz que o lado direito da equação também tem de aumentar.

Pode ser porque as pessoas passaram a poupar mais (reduziram seu consumo devido às maiores taxas de juros ou por causa de sua expectativa quanto a mais impostos no futuro), mas também pode ser porque o investimento do setor privado caiu.

Em outras palavras, à medida que o governo toma mais empréstimos e gasta mais, a equação nos diz que poderemos ter menos consumo privado, maiores juros e recursos reais sendo retirados do de investimentos privados e desviados para gastos do governo.

Ou seja, eu também posso contar a minha "história" sobre os perigos dos déficits orçamentários do governo utilizando a mesma equação.

No final, utilizar as tautologias contábeis das contas nacionais está longe de ser um argumento efetivo em prol de déficits orçamentários e contra orçamentos equilibrados, pois tais equações também podem ser perfeitamente utilizadas para substanciar teorias econômicas que afirmam que um corte nos gastos do governo gera uma maior taxa de crescimento econômico (teoria esta, aliás, confirmada na prática).

Os fãs da TMM, portanto, deveriam parar de recorrer a estas identidades para tentar argumentar que é destrutivo defender orçamentos equilibrados.

Para dar um último exemplo da falácia lógica de recorrer a tais equações para defender déficits orçamentários do governo, observe que podemos fazer a mesmíssima coisa com, por exemplo, a Google. Volte a todas as equações acima e redefina G como "gastos da Google". Então C seria "gastos totais em consumo de todo o mundo exceto Google", e assim por diante.

Após fazer isso, seriamos capazes de provar — com total certeza matemática — que, a menos que a Google esteja disposta a se endividar ainda mais ano que vem, "todo o mundo exceto a Google" seria incapaz de acumular ativos financeiros líquidos, da maneira como os defensores da TMM definem o termo.

A resposta adequada a esta observação perfeitamente válida é: e daí?

O duplo carpado

As conclusões da TMM sobre poupança privada e déficits orçamentários do governo são insensatas. Na prática, os que os defensores da TMM estão dizendo é que o setor privado deve torcer para o governo ter déficits orçamentários cada vez maiores, pois isso significa que haverá uma cachoeira de receitas indo para as mãos do setor privado. Qual o sentido disso?

Mas o erro original da TMM surgiu já no primeiro passo, com uma interpretação errônea da equação PIB = C + I + G + (X - M). Trata-se de um erro bastante comum por parte das pessoas que não conhecem os problemas da equação do PIB. A única justificativa para mensurar o "produto" (lado esquerdo da equação) pela soma de todas as despesas (lado direito da equação) é que, em uma economia de mercado, o "valor" de algo é aquilo que o comprador decide gastar nele. No entanto, se o governo pode auferir receitas por meio da tributação ou de empréstimos (que serão quitados no futuro via receita de impostos), então essa justificativa entra em colapso.

Simplesmente não é verdade que $ 1.000 em consumo privado ou em investimento privado são equivalentes, em termos de "produto real", a $ 1.000 gasto por burocratas que arrecadam o dinheiro sem o consentimento de seus "consumidores" e que operam sob um processo de apropriação do tipo "gaste o que foi arrecadado ou tenha o orçamento diminuído ano que vem".

Mas os defensores da TMM podem contra-argumentar dizendo, como de fato dizem, que o governo deve pagar sua dívida imprimindo dinheiro, e não por meio de impostos.

O que nos leva ao próximo ponto.

TMM = socialismo sofisticado

Na economia do mundo real, o dinheiro funciona como uma reivindicação sobre bens e serviços. Se você tem dinheiro, você pode utilizá-lo para obter o que quiser.

Sob a TMM, que diz que o governo deve ter a total liberdade de imprimir e gastar dinheiro, essa instituição tem acesso a todo o dinheiro que quiser — uma oferta virtualmente ilimitada. Utilizando seu poder monopolista sobre o dinheiro, a TMM, na prática, concede ao governo um poder de compra ilimitado. Na prática, isso permitiria ao governo sobrepujar o setor privado e fazer uma melhor oferta para conseguir mão-de-obra, materiais, equipamentos etc. Em suma, o que o governo quiser ele consegue. E individuos e empresas seriam correspondentemente privados destes recursos.

E quanto à inflação de preços que essa explosiva oferta monetária acarretaria? De acordo com a TMM, o governo pode impedir tal inflação de preços retirando dinheiro do setor privado por meio de maiores impostos. Vale lembrar: para a TMM, impostos servem não para arrecadar dinheiro para o governo — a impressora faz isso —, mas sim para enxugar dinheiro da economia e, com isso, arrefecer a demanda e evitar uma subida nos preços.

Portanto, ficamos assim:

1) de um lado, o governo imprime dinheiro e, consequentemente, obtém todos os bens, serviços e mão-de-obra que deseja;

2) de outro, ele aumenta impostos para retirar esse mesmo dinheiro da economia, asfixiando ainda mais o setor privado e retirando seu poder de compra.

A TMM, portanto, é um esquema vicioso inventado para que o governo sempre possa ganhar e para que setor privado sempre saia perdendo.

Não é surpresa nenhuma que a extrema-esquerda americana simplesmente ame esta teoria.

Conclusão

A visão de mundo da TMM é intrigante porque ela consegue ser pior até mesmo em relação à maneira como os keynesianos convencionais pensam sobre política fiscal monetária. Na mais benevolente das hipóteses, os defensores da TMM cometem o ingênuo erro de concentrar em tautologias contábeis que não significam aquilo que eles pensam que significam.

No entanto, as políticas fiscais e monetárias defendidas pela TMM teriam efeitos práticos ainda mais avassaladores. A TMM, na prática, se resume a o governo utilizar seu poder monopolista sobre o dinheiro para ditar e controlar a produção, obliterar o livre mercado, suprimir a iniciativa privada, e empobrecer as pessoas. Isso é socialismo.

Com efeito, um nome mais apto para TMM seria Tirania do Monopólio Monetário.

Por último, uma nota mais cômica: a TMM ganhou tanta proeminência entra a esquerda americana, que até mesmo Paul Krugman se sentiu compelido a criticá-la gentilmente, pois, segundo ele, a teoria subestima alguns riscos em relação aos gastos do governo.

Dica: quando Paul Krugman vem a público alertar que a sua filosofia econômica subestima os perigos dos gastos governamentais, chegou a hora de você reavaliar suas escolhas na vida.

 


autor

Robert P. Murphy

é Ph.D em economia pela New York University, economista do Institute for Energy Research, um scholar adjunto do Mises Institute, membro docente da Mises University e autor do livro The Politically Incorrect Guide to Capitalism, além dos guias de estudo para as obras Ação Humana e Man, Economy, and State with Power and Market.  É também dono do blog Free Advice.



  • William  13/03/2019 14:34
    Qual exatamente é a novidade de um cara que o criou o Plano Cruzado (o plano que mais concedeu poderes totalitários ao estado na história do Brasil) se tornar defensor de uma teoria socialista?

    No final, todo tucano volta para seu ninho.
  • JP  15/03/2019 02:24
    Por favor, façam um artigo sobre o tema abaixo e as consequências, caso já haja algum favor desconsiderar.

    economia.uol.com.br/noticias/reuters/2019/03/13/china-determina-que-bancos-reforcem-apoio-financeiro-a-pequenas-empresas.htm
  • Juliano  13/03/2019 14:43
    Eu já acompanhei algumas coisas desse tal Warren Mosler, que é o "papa" da teoria MMT. O cara é insuportavelmente arrogante e cheio de si. Ele coloca o nome dele após todas as frases que pronuncia.

    No final essa teoria é só outra roupagem para o corporativismo fascista. As empresas que primeiro receberem o dinheiro do estado serão as mais bem pagas da economia, ao passo que o restante do populacho ficará entre a inflação e o confisco tributário.

    Como bem disse o artigo, faz muito sentido que Alessandria Ocasio-Cortez seja a principal garota propaganda dessa bizarrice.
  • anônimo  13/03/2019 19:37
    Haha, eu fui no link deixado pelo artigo no qual Bob pergunta sobre a teoria. Encontrei o seguinte comentário


    Warren Mosler
    at

    please read my proposals for the financial sector and see if I don't constrain govt. far more than most libertarians I've read.

    thanks,
    Warren Mosler

    www.moslereconomics.com
  • Leandro  13/03/2019 15:09
    A TMM não só é uma receita para uma inflação maciça, como também é garantia de depressão econômica e consumo de capital.

    No modelo atual, o dinheiro entra na economia via mercado de crédito (empréstimos bancários). Como empréstimos são demandados por investidores e empreendedores, isso gera uma expansão econômica inicial, a qual anos depois vira recessão.

    Já na TMM, o dinheiro não entra na economia via empréstimos, mas sim via gastos do Tesouro. Consequentemente, não ocorre esse boom econômico inicial, típico dos ciclos econômicos. No entanto, a TMM permite que o governo imediatamente aumente seus gastos com funcionalismo, com suas empresas favoritas, com todo o tipo de assistencialismo (de pobres a artistas e grandes empresários), com subsídios, e também com "investimentos em infraestrutura".

    Isso irá retirar mão-de-obra e outros recursos setor privado, afetando investimentos produtivos na estrutura de produção. A poupança e os investimentos de longo prazo serão desestimulados e o consumismo será impulsionado. Além de reduzir a poupança genuína, o processo de acumulação de capital será afetado.

    Mas piora.

    Quando a inflação de preços começar a incomodar (uma inevitabilidade gerada tanto pela maior quantidade de dinheiro na economia quanto pela redução da oferta de bens e serviços), o governo irá aumentar impostos para "retirar liquidez e poder de compra" do setor privado (a MMT é explícita quanto a isso, assim como a André Lara Resende em seu artigo).

    Tal medida, obviamente, irá reduzir ainda mais o estímulo à poupança privada e incentivar ainda mais o consumismo. Não haverá acumulação de capital, mas sim consumo de capital.

    Na melhor e mais benevolente das hipóteses, teremos um cenário em que todos terão algum emprego ligado ao governo (em especial, haverá muito lucro para empreiteiras ligadas ao governo), e a economia não aparentará (ao menos em termos de PIB) estar em depressão econômica. Mas o padrão de vida irá cair progressivamente.

    O setor privado tambem irá encolher progressivamente em relação ao setor estatal, pois tanto a inflação monetária quanto o subsequente aumento de impostos para contrabalançar o aumento de preços causado pela inflação monetária irão retirar recursos do setor privado e direcioná-los para o estado.

    E, obviamente, recorrer a aumento de impostos não irá resolver a inflação de preços, pois o governo continuará incorrendo em déficits orçamentários para bancar seus gastos crescentes. E estes déficits, obviamente, serão financiados com impressão de dinheiro.

    E aí chegaríamos ao pior dos mundos: maciça inflação de preços junto com uma depressão econômica.
  • L Fernando  13/03/2019 16:50
    Mas para tudo isso acontecer, ou seja quando atingir a parte "aumentar impostos para "retirar liquidez e poder de compra" do setor privado" das duas uma;
    Ou todo mundo está extremamente satisfeito e feliz com os serviços prestados pelo estado, isto é. não existirá mais pobreza e desigualdade, ou o estado terá virado uma ditadura.
  • Régis  13/03/2019 18:35
    "E quanto à inflação de preços que essa explosiva oferta monetária acarretaria? De acordo com a TMM, o governo pode impedir tal inflação de preços retirando dinheiro do setor privado por meio de maiores impostos. Vale lembrar: para a TMM, impostos servem não para arrecadar dinheiro para o governo — a impressora faz isso —, mas sim para enxugar dinheiro da economia e, com isso, arrefecer a demanda e evitar uma subida nos preços."

    [...]

    "Quando a inflação de preços começar a incomodar (uma inevitabilidade gerada tanto pela maior quantidade de dinheiro na economia quanto pela redução da oferta de bens e serviços), o governo irá aumentar impostos para "retirar liquidez e poder de compra" do setor privado (a MMT é explícita quanto a isso, assim como a André Lara Resende em seu artigo)."

    [...]

    "O setor privado tambem irá encolher progressivamente em relação ao setor estatal, pois tanto a inflação monetária quanto o subsequente aumento de impostos para contrabalançar o aumento de preços causado pela inflação monetária irão retirar recursos do setor privado e direcioná-los para o estado."

    Meu Deus! Essa teoria de "aumentar impostos pra reduzir inflação de preços" deve ser uma das coisas mais jumentas que eu já ouvi na vida (e olha que a concorrência é grande). Por essa lógica, o Brasil com sua carga tributária de 40% deveria estar sob deflação há décadas.

    Que a esquerda esteja caindo de amores por essa teoria é perfeitamente compreensível. Agora, acadêmicos?
  • Libertário Austríaco  13/03/2019 18:07
    Parece que você, Leandro, descreveu o processo pelo qual a Venezuela passou...
  • Leandro  13/03/2019 18:26
    Boa! Eu mesmo nem tinha pensado nisso, mas, olhando agora em retrospecto, realmente faz todo sentido a comparação.
  • Imperion  14/03/2019 21:37
    Dilmdejavu
  • Renan  15/03/2019 23:22
    Numa apresentação em algum evento internacional de uma universidade americana (não lembro o nome), o André Lara Resende discutia um pouco sobre inflação. Um dos argumentos dele foi justamente o aumento considerável da base monetária nos últimos anos realizado por quase todos os BC's no mundo e que a inflação se manteve estável ou inclusive menor. Minha dúvida é se houve alguma outra medida para se conter a inflação?
  • Leandro  16/03/2019 00:17
    Se ele realmente falou isso, então é apenas uma prova (mais uma) de como ele está extremamente mal informado sobre como realmente foi o QE.

    O Fed expandiu a base monetária, mas impediu que esse dinheiro vazasse para a economia. O dinheiro ficou parado no próprio Banco Central (Fed). E tudo foi intencional: o próprio Fed fez de tudo para evitar esse dinheiro entrasse na economia.

    Artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2585
  • ed  13/03/2019 15:16
    Engraçado o malabarismo que esses caras fazem para tentar justificar o roubo que o governo comete sobre os indivíduos.

    Nenhuma equação/teoria existente do universo pode contrapor o seguinte fato: O governo rouba as pessoas, logo ele não deveria existir.

    Mas já que esse pessoal gosta de equações aqui vai uma bem simples:

    G = R, onde G é o governo e R é roubo.

    Toda e qualquer teoria que envolva essa entidade se resume a essa equação.
  • Luis Alfredo  13/03/2019 15:30
    Sabe, a loucura humana não tem limites. Quem disse que a Matrix não é verdadeira? O sistema econômico/financeiro vigente é insano e ainda querendo ser pior com essa coisa mais insana da TMM. Tudo fica tão virtual que não se vê sentido em mais nada. Quando se vê o funcionamento do sistema bancário é perceber a existência do inacreditável. Pobre do povo que mal percebe que é escravo de um sistema absolutamente cruel (cujos mentores são políticos e economistas,cujas intenções são muito más).
  • Emerson  13/03/2019 15:39
    "Com efeito, um nome mais apto para TMM seria Tirania do Monopólio Monetário."

    Confesso que ri, mas sem ter muitos motivos. Podem anotar aí, essa bizarrice veio para ficar.
  • Vladimir  13/03/2019 16:40
    "Dica: quando Paul Krugman vem a público alertar que a sua filosofia econômica subestima os perigos dos gastos governamentais, chegou a hora de você reavaliar suas escolhas na vida."

    É pra rir (da ignorância alheia) ou chorar (por saber que isso já já chega aqui)?
  • anônimo  16/03/2019 21:04
    Eu jamis riria disso! Considerando como o nosso Brasil é pródigo em escolher o pior modelo possível é questão de tempo até isso ser "testado" por aqui.
  • Kuririn  17/03/2019 14:42
    Brasil tem a qualidade de vida da Zâmbia, progressismo da Suécia e liberdade de expressão da Rússia.

    Incrível como essa terra amaldiçoada escolhe sempre os piores modelos possíveis. Só faltou as impressoras da Venezuela.
  • Pobre Paulista  13/03/2019 16:19
    A única conclusão que tirei da TMM é algo que já sabemos: Os déficits do governo só podem ser no máximo iguais à poupança líquida privada, e nesse ponto chegamos à estagnação econômica. Ao passar disso, o país entra em colapso econômico.

    Isso também explica porquê os países ricos conseguem tributar muito sem desarranjar a economia: Pois a poupança líquida privada é alta.

    Enfim, grande lixo de teoria, em breve estará nos currículos das nossas universidades.
  • BAD MALUCO  13/03/2019 16:21
    Como refutar esta teoria ou qualquer outra que dá passe livre para o governo ( ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ) gastar ou se preferirem investir.

    governo( ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ) não tem , não teve e nem terá dinheiro, pois o mesmo não gera riqueza.

    O que significa ter dinheiro ? Significa que foi produzido produtos/serviços demandados por terceiros e este poderão atribuir ou não, valor ao mesmo, gerando assim riqueza.( acumulando e/ou investindo capital )

    Ponto final , Nenhum governo no UNIVERSO não gera riqueza. Seu único poder é destruir riqueza onde quer que ela esteja.
  • Humberto  13/03/2019 16:30
  • Rene  13/03/2019 16:32
    A bizarrice é tão grande que se torna difícil de acreditar que isto seja uma teoria defendida de maneira séria por um economista. Mais parece uma paródia criada para fins humorísticos, como aquele usuário "Capital Imoral" que volta e meia brinda a seção de comentários do Mises com uma pérola para descontrair o clima sério dos debates.
  • Libertário Austríaco  13/03/2019 18:11
    É verdade... Mais parece uma paródia mesmo...
  • anônimo  13/03/2019 16:55
    Já li anteriormente o excelente artigo desse com críticas ao PIB como mensurador da atividade econômica.
    Mas, pelo que entendi, a equação PIB = C + I + G + X - M é aceita (com inúmeras ressalvas) pelos economistas em geral.

    Uma dúvida que fiquei ao ler este novo artigo é se a segunda equação, PIB = C + S +T, é aceita exclusivamente pelos seguidores da MMT ou também por neoclássicos e seguidores de outras linhas do pensamento econômico.
  • Leandro  13/03/2019 17:15
    "Mas, pelo que entendi, a equação PIB = C + I + G + X - M é aceita (com inúmeras ressalvas) pelos economistas em geral."

    A equação do PIB mede apenas o valor monetário de todos os bens e serviços finais que foram comprados e vendidos dentro das fronteiras do Brasil em um dado ano.

    É só isso.

    Ou seja, o PIB é apenas um cálculo de todas as transações monetárias envolvendo bens e serviços finais. Ele é utilizado para mensurar o gasto agregado da economia.

    Apenas isso.

    Portanto, o que os economistas chamam de "crescimento econômico" mensurado pelo PIB de um ano para o outro nada mais é do que o aumento do valor final (preço) das transações monetárias de um ano para o outro. Esse resultado nominal é dividido por um questionável deflator de preços, para se obter o PIB real.

    Ponto.

    Agora, se, a partir dos valores obtidos, as pessoas decidem fazer elucubrações sobre o real estado da economia, aí elas já fazem isso por sua própria conta e risco.

    A equação do PIB, por si só, nada diz sobre a "capacidade produtiva da economia", nem sobre "bem-estar da população", nem sobre a real saúde da economia.

    Vale lembrar que o crescimento do PIB durante o governo Sarney foi maior do que o do governo Dilma e maior também do que o do governo FHC. No entanto, não apenas ninguém sentiu esse "crescimento econômico", como, na verdade, sentiu uma brutal recessão. Tanto é que o cidadão saiu do governo com 6% de aprovação e tem altíssima rejeição até hoje. O PIB não explica isso.

    Portanto, podemos dizer que a equação do PIB, caso tenha o único e exclusivo objetivo de mensurar o gasto agregado ocorrido dentro das fronteiras de um país, então, sim, sua equação está certa.

    Errado seria fazer qualquer outra elucubração a partir daí.

    "Uma dúvida que fiquei ao ler este novo artigo é se a segunda equação, PIB = C + S +T, é aceita exclusivamente pelos seguidores da MMT ou também por neoclássicos e seguidores de outras linhas do pensamento econômico."

    É também aceita por eles. E é ensinada nas universidades, no primeiro ano de macroeconomia. Ela parte do princípio de que você pode fazer três coisas com a sua renda: consumir, poupar, pagar impostos (desconsiderando o comércio exterior).
  • anônimo  13/03/2019 17:33
    Leandro, muito obrigado (mais uma vez) pela resposta clara e completa.

    Ainda sobre a formula "PIB = C + S + T", o investimento entraria onde? Seria desconsiderado por completo ou estaria abrangido em um dos outros dois primeiros itens (consumo e poupança)?

  • Trader  13/03/2019 17:58
    Seria o S. Toda a poupança vira automaticamente investimento.
  • anônimo  13/03/2019 19:00
    Se não estou cometendo um erro elementar, agora estas fórmulas passaram a fazer ainda menos sentido.

    Se toda poupança automaticamente se converte em investimento temos que:

    S é igual ou menor que I, pois ou o investimento corresponde (a) a exatamente toda a poupança ou (b) a toda a poupança e mais algo.

    Se S é igual ou menor que I, temos que:

    S-I é um número negativo (igual ou menor que zero)

    Aplicando esse dado na equação (S-I) = (G-T) chegaríamos à ilógica conclusão de que

    G é igual ou menor do que T.


    Cometi algum erro grosseiro ou essas fórmulas é que são completamente toscas?
  • Contador  13/03/2019 19:23
    "Se S é igual ou menor que I, temos que:

    S-I é um número negativo (igual ou menor que zero)

    Aplicando esse dado na equação (S-I) = (G-T) chegaríamos à ilógica conclusão de que G é igual ou menor do que T."


    Pois é. Se (S - I) é negativo, significa que a poupança é menor que o investimento. Consequentemente, o governo está incorrendo em um superávit (arrecada mais do que gasta). Daí os TMM concluem que é preciso haver déficit para haver poupança (mas convenientemente escondem que, por essa mesma lógica, é preciso haver superávit para haver investimento).

    "Cometi algum erro grosseiro ou essas fórmulas é que são completamente toscas?"

    Perceba que foi exatamente esta equação que foi discutida mais amplamente no artigo. Veja o que foi dito:


    Vejamos de novo a equação que está causando tanta confusão:

    G - T = S - I

    Como um economista pró-livre mercado, eu não preciso fugir desta tautologia. Eu posso utilizá-la para ressaltar a famosa crítica de que os déficits orçamentários do governo afetam o investimento privado (o famoso "crowding out"). Especificamente, se os gastos do governo (G) sobem ao mesmo tempo em que as receitas tributárias (T) permanecem as mesmas, então o lado esquerdo da equação aumenta (o déficit orçamentário do governo aumenta). Consequentemente, a contabilidade nos diz que o lado direito da equação também tem de aumentar.

    Pode ser porque as pessoas passaram a poupar mais (reduziram seu consumo devido às maiores taxas de juros ou por causa de sua expectativa quanto a mais impostos no futuro), mas também pode ser porque o investimento do setor privado caiu.

    Em outras palavras, à medida que o governo toma mais empréstimos e gasta mais, a equação nos diz que poderemos ter menos consumo privado, maiores juros e recursos reais sendo retirados do de investimentos privados e desviados para gastos do governo.

    Ou seja, eu também posso contar a minha "história" sobre os perigos dos déficits orçamentários do governo utilizando a mesma equação.
  • Hugo  21/03/2019 03:41
    Essa equação G-T = S-I indica que o saldo do governo impacta na poupança líquida da economia. Vamos supor que o governo tenha G=10 e T=9. Pro financiamento do déficit fechar na economia a Poupança (S) tem que ser maior que o Investimento (I), ou seja, um déficit do governo só seria financiado por uma redução do investimento privado (I) em relação a S (caso não se reduza o I é necessário reduzir o consumo da população - C).
  • Ayn Rand  13/03/2019 16:59
    Essa gente vai nos levar direto para os dias da Revolta de Atlas. Só a remoção física resolve.
  • cmr  13/03/2019 21:24
    Aqui nesse país ????

    Acho muito mais fácil boi voar...
  • Rafael  13/03/2019 17:21
    No fundo, a TMM nada mais é do que a velha e recauchutada teoria que diz que imprimir dinheiro faz aparecer novos bens e serviços, e que todo o problema de escassez da economia se deve a uma insuficiência de dinheiro em circulação. Basta imprimir mais dinheiro, que mais produtos e serviços surgirão do nada.

    Qualquer criança de 7 anos de idade consegue ver a bizarrice desta ideia, menos economistas acadêmicos que jamais trabalharam um dia sequer no setor produtivo.
  • Andarilho  13/03/2019 17:52
    O que é VALOR pro André Lara Resende ?
    Como se sustenta uma teoria econômica em que o VALOR é SUBJETIVO ?

    O litro, o quilômetro, o mol .... tudo isso é igual estando tanto aqui no Brasil quanto na China. É padrão... Mas o "valor" não é assim.


    Com relação a equação...temos que partir do pressuposto que o dinheiro é algo criado pelo governo. E é muito difícil separar público e privado quando o dinheiro entra em campo na vida real. Por isso que matematicamente é como se fossem iguais. Por isso se o governo corta gastos, o setor privado também não reage(caso brasileiro).
    A escola austríaca é contra a moeda fiduciária e encara o dinheiro de uma outra forma(que não é a que está sendo usada na vida real)

    Governos podem se endividar e crescer como é o caso da China.
    Governos podem adotar as medidas de austeridade e continuar estagnado como é o caso do Brasil.
    Essa teoria pode funcionar para os EUA, que é a única exceção no mundo por conta do dólar e toda sua hegemonia...

    E não acho prudente comparar a situação com a de Robson Cruzoé... porque...onde entra o DINHEIRO FIDUCIÁRIO na história de Crusoé ?
    Na sua história Crusoé teve a sorte de estar numa ilha com fartura, mas se Crusoé estivesse num deserto, de onde viria sua riqueza ?
  • Amante da Lógica  13/03/2019 18:25
    "Com relação a equação...temos que partir do pressuposto que o dinheiro é algo criado pelo governo. E é muito difícil separar público e privado quando o dinheiro entra em campo na vida real. Por isso que matematicamente é como se fossem iguais."

    Completamente sem sentido.

    "Por isso se o governo corta gastos, o setor privado também não reage (caso brasileiro)."

    Pra começar, o governo em momento algum cortou gastos. Pare de falar bobagens.

    Aqui está a planilha do site do Tesouro mostrando todas as despesas anuais. Você está desafiado a mostrar onde houve corte de gastos.

    www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/352024/Despesa_Grupo.xls

    Logo, aproveitando o gancho da sua frase, dado que o governo brasileiro não cortou gastos -- e a economia não reagiu --, estaria você pronto para admitir que sua teoria está errada?

    De resto, eis aqui um estudo empírico mostrando que reduções nos gastos e orçamentos equilibrasdos levam a mais crescimento econômico.

    "Governos podem se endividar e crescer como é o caso da China."

    China? O governo da China é um dos menos endividados do mundo. Sua dívida não chega a 50% do PIB.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/china-government-debt-to-gdp.png?s=chndebt2gdp&v=201804101613a1&d1=19190101&d2=20191231

    Aliás, veja que curioso no gráfico: tão logo o endividamento do governo chinês passou a aumentar, o crescimento econômico do país passou a diminuir.

    E aí, está pronto para abandonar sua teoria?

    "Governos podem adotar as medidas de austeridade e continuar estagnado como é o caso do Brasil."

    Que austeridade, cazzo?!

    Além de não ter cortado gasto nenhum (como mostram os dados do Tesouro linkados acima), o déficit orçamentário do governo federal está em espantosos 7,8% do PIB!

    Que "austeridade" é essa?! Pare de falar m...

    "Essa teoria pode funcionar para os EUA, que é a única exceção no mundo por conta do dólar e toda sua hegemonia..."

    Qual teoria?

    "E não acho prudente comparar a situação com a de Robson Cruzoé... porque...onde entra o DINHEIRO FIDUCIÁRIO na história de Crusoé ? Na sua história Crusoé teve a sorte de estar numa ilha com fartura, mas se Crusoé estivesse num deserto, de onde viria sua riqueza ?"

    Ah, entendi! Se Crusoé estivesse num deserto, estaria pobre (verdade), mas se estivesse com uma mala cheia de papelzinho pintado, aí sim ele teria uma abundância de recursos à sua disposição, os quais surgiriam magicamente pelo simples fato de estar com uma maletinha cheia de dinheiro!

    Sensacional...

    E não, meu caro, a introdução do dinheiro na história de Crusoé não muda absolutamente nada. Para facilitar seu raciocínio, imagine que ele caiu naquela ilha com uma valise com 100 bilhões de dólares. Em que isso o ajudaria? Pense naquele filme "Náufrago", com Tom Hanks. Como o dinheiro o ajudaria ali?

    Você, pelo visto, não conhece a função básica do dinheiro. O dinheiro não faz surgir coisas. O dinheiro nas faz surgir prédios, carros, tratores, computadores, saúde etc. O dinheiro é apenas um meio de trocas. As pessoas demandam dinheiro simplesmente porque sabem que podem trocá-lo pelos bens e serviços que desejam. Mas o dinheiro, por si só, não faz surgir nada em uma economia.

    A Venezuela está inundada de dinheiro. Mas que bem isso fez para ela? Eles praticamente voltaram a viver na base do escambo. E mesmo que passasse um helicóptero despejando dólares na Venezuela, estes dólares seriam utilizados para importar coisas. Por si sós, eles nada fariam para gerar produção dentro do país.

    De resto, se quiser entender por que a introdução do dinheiro não altera nada dos princípios básicos da economia, recomendo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2885
  • Libertário Austríaco  13/03/2019 18:30
    O que impressiona é que este artigo foi escrito em 2011.

    Vejam: mises.org/library/upside-down-world-mmt
  • José Roberto  13/03/2019 18:30
    No governo Sarney, do qual o Lara Resende foi um entusiasta e colaborador, a carga tributária nem chegava a 15% do PIB. Praticamente todos os gastos eram cobertos por emissão monetária. Ou seja, era TMM na veia.

    Parece que o Resende quer ressuscitar aqueles gloriosos tempos. Deve estar em busca de outro emprego no governo.
  • Felipe M  13/03/2019 18:39
    Parabéns pelo texto, excelente.

    Só lembre que não se discute com fatos e dados com a esquerda.

    Quando for pensar em discutir com algum deles usando a lógica contábil e econômica, pare e pense.. melhor humilhá-lo pessoalmente mesmo.
  • Lel  13/03/2019 18:40
    Tomara que a Argentina ponha isso em prática assim que o Macri sair.

    Aquela latrina já possui tudo engatilhado: maior carga tributária da AL e liberdade pra imprimir dinheiro como quiser.

    A única coisa que falta é um presidente socialista junto com seu econonista auto-declarado defensor da TMM.
  • Pobre Mineiro  13/03/2019 21:25
    Aí teremos uma nova Venezuela.
  • Pobre Mineiro  13/03/2019 21:27
    É melhor começarmos a levar as moedas criptográficas mais a sério...
  • Victor  13/03/2019 19:07
    Será essa a nova teoria econômica que os governos aplicarão após o colapso econômico?
  • Gabriel  14/03/2019 08:14
    Muito bom! Eu já tinha lido o artigo original do Robert, mas com a tradução e informações adicionais (creio que feitas pelo Leandro) deu para perceber mais claramente o quão tosca é essa teoria.

    O nosso continente é historicamente um lugar fértil para ideias econômicas estúpidas prosperarem; só torço para que não sejamos o primeiro a testar a asneira da vez.
  • Andre Cardoso Bernardes  14/03/2019 18:41
    Obrigado pela tradução equipe Mises Brasil! Tinha solicitado um artigo sobre o tema na seção de comentários de um outro artigo, e também tinha lido esse artigo original do Robert Murphy no site americano em busca de maiores informações sobre a MMT. Realmente essa versão em português ajudou a esclarecer melhor a problemática dessa teoria maluca.
  • Andre Cardoso Bernardes  14/03/2019 18:49
    "Por fim, Gustavo Franco tem o argumento de que não se deve analisar friamente a relação dívida/PIB, pois os países desenvolvidos como os EUA possuem ''estimativas para a riqueza equivalentes a quatro vezes o PIB'', de modo que a dívida americana equivale, na realidade, a "apenas'' 1/4 de sua riqueza, ao passo que em países subdesenvolvidos como o Brasil esta estimativa cai para 1 PIB e, portanto, a nossa dívida equivale realmente a 3/4 da nossa riqueza."

    É uma tese interessante."

    Leandro, tem mais informações sobre esse argumento, algum artigo ou explicação mais detalhada sobre essa hipótese?

    Achei realmente interessante e me parece fazer sentido, dada a grande riqueza patrimonial acumulada na forma de ativos desses países (infraestrutura urbana, imóveis, fazendas, estradas, fábricas) e que só entra na contabilidade do PIB uma única vez, no momento da produção desse patrimônio, eu acho.

    Att, André.
  • Alexandre Furtado Montes  14/03/2019 14:09
    Prezados Senhores

    Antes de mais nada, quero esclarecer que estou usando este veículo, após ter esgotado vários outros, no intuito de esclarecer as dúvidas que aqui vou colocar. E escolhi este veículo porque percebo que vocês, em geral, não deixam nada sem resposta. Outrossim agradeço antecipadamente, caso me dêem uma resposta adequada para estas questões, às quais, aliás, não são exatamente o mote do artigo em discussão, mas, como disse, esgotei outros veículos. Os argumentos a seguir são muito usados pela esquerda contra a necessidade de manter orçamento equilibrado, ajuste fiscal, etc. Enfim, peço a ajuda de vocês, se isso for possível.

    As dúvidas são:
    1- Por que a maioria dos economistas usa dados de dívida bruta e não dívida líquida, na relação dívida/PIB? Alguém certa vez me falou que os créditos do Governo são incobráveis, a maioria das vezes com entidades do próprio Governo. É isso mesmo? Onde conseguir dados detalhados sobre essa importante questão? Importante porque, enquanto a dívida bruta está encostando em quase 100% do PIB, a líquida está longe disso. 2- Por que relações dívida/PIB próximas de 100% do PIB são insustentáveis no Brasil, enquanto outros países convivem com isso tranquilamente? 3- Alguns economistas de esquerda, incluindo André Lara Resende, formulam que basta manter os juros abaixo do crescimento do PIB para estabilizar a relação mencionada. Isso tem lógica?

    Obviamente, agradeço imensamente a ajuda de outros leitores que se interessarem em me esclarecer estes pontos.

    Atenciosamente,
    Montes


  • Leandro  14/03/2019 15:37
    "Por que a maioria dos economistas usa dados de dívida bruta e não dívida líquida, na relação dívida/PIB?"

    Na verdade, ao menos no Brasil, é exatamente o contrário. Praticamente só se fala em dívida líquida, e não na dívida bruta.

    Nenhum país sério fala em dívida líquida. Todos só falam em dívida bruta, que é a que realmente importa.

    Dívida bruta é toda aquela dívida que está no mercado e sobre a qual o governo tem de pagar juros e principal. É todo o passivo do governo. Ponto.

    Já dívida líquida (que é a diferença entre passivos e ativos) foi um conceito inventado pelo FMI para ser utilizado apenas por países subdesenvolvidos. Originalmente, o FMI inventou esse conceito para que países subdesenvolvidos tivessem incentivos para acumular reservas internacionais.

    Mas depois a coisa degringolou e ganhou outros contornos.

    No Brasil, então, tal conceito foi totalmente deturpado por Guido Mantega (e já relatado diversas vezes por este Instituto).

    Para entender melhor por que a dívida líquida é uma métrica absurda, apenas considere o seguinte: caso o Tesouro transferisse R$ 2 trilhões para o BNDES, a dívida líquida do Brasil em relação ao PIB iria instantaneamente cair para zero.

    Por quê?

    A dívida líquida considera que os repasses do Tesouro aos bancos estatais são créditos. Logo, sendo créditos, são um ativo para o governo. Consequentemente, reduzem a dívida líquida.

    Se o governo se endividar em R$ 2 trilhões e em seguida emprestar esses R$ 2 trilhões para o BNDES, sua dívida bruta aumentou R$ 2 trilhões; sua dívida líquida não se alterou.

    Mas tudo piora.

    Pegando esse último exemplo, o Tesouro vai se endividar em R$ 2 trilhões (aumentando a dívida bruta neste valor) e vai repassar estes R$ 2 trilhões para o BNDES (conceder empréstimo é computado como um ativo). E o BNDES irá utilizar parte deste dinheiro para pagar dividendos ao Tesouro.

    No cômputo final, a dívida bruta do Tesouro aumentou R$ 2 trilhões, mas isso não conta para o superávit primário (afinal, o pagamento do serviço dessa dívida não é contabilizado pelo superávit primário).

    Ao mesmo tempo, os dividendos que o Tesouro receber do BNDES serão computados como receita e farão parte do superávit primário.

    Traduzindo: o governo se endividou, a dívida bruta aumentou R$ 2 trilhões, mas o superávit primário -- outra excrescência também inventada pelo FMI, e levada a sério apenas pela imprensa -- aumentou.

    Ou seja, quanto mais o governo se endivida, mais seu superávit primário aumenta. Ao mesmo tempo, a dívida bruta aumentou e a dívida liquida caiu.

    Contabilidade criativa at its finest

    "Alguém certa vez me falou que os créditos do Governo são incobráveis, a maioria das vezes com entidades do próprio Governo. É isso mesmo?"

    Não estou a par dos números exatos, mas tal afirmativa não é desarrazoada. Há também o crédito de empresas falidas que devem ao INSS, mas obviamente será impossível recuperar esse dinheiro, pelo óbvio motivo de que elas estão falidas.

    "Onde conseguir dados detalhados sobre essa importante questão? Importante porque, enquanto a dívida bruta está encostando em quase 100% do PIB, a líquida está longe disso."

    Os valores todos estão aqui, nos itens IV.23 e IV.29:

    www.bcb.gov.br/estatisticas/indicadoresconsolidados

    Caso prefira um gráfico, a evolução da dívida bruta em relação ao PIB está aqui.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/brazil-government-debt-to-gdp.png?s=bradebt2gdp&v=201809261703a1&d1=19190101&d2=20191231

    "Por que relações dívida/PIB próximas de 100% do PIB são insustentáveis no Brasil, enquanto outros países convivem com isso tranquilamente?"

    Porque a população dos países ricos (Japão, EUA, Alemanha etc.) é rica e produtiva, o que significa que ela pode ser muito tributada para garantir o serviço da dívida de seus respectivos governos. Adicionalmente, seus governos são confiáveis (chance quase nula de darem calote), e a moeda é forte (o que significa que não há grandes chances de um investidor estrangeiro perder dinheiro com súbitas desvalorizações cambiais ao emprestar para estes governos).

    Para completar, o déficit orçamentário destes países é menor que o brasileiro.

    Todo o resto do mundo está disposto a financiar estes governos.

    Já o governo brasileiro tem um déficit de 10% do PIB (ou seja, o governo tem de pegar emprestado 10% do PIB), a população é mais pobre (o que aumenta o risco de calote, pois não há produtividade suficiente para ser constantemente tributada), e não é todo o mundo que está disposto a nos financiar, pois nosso governo, após uma história de seguidos calotes, não usufrui muita credibilidade lá fora.

    Por fim, Gustavo Franco tem o argumento de que não se deve analisar friamente a relação dívida/PIB, pois os países desenvolvidos como os EUA possuem ''estimativas para a riqueza equivalentes a quatro vezes o PIB'', de modo que a dívida americana equivale, na realidade, a "apenas'' 1/4 de sua riqueza, ao passo que em países subdesenvolvidos como o Brasil esta estimativa cai para 1 PIB e, portanto, a nossa dívida equivale realmente a 3/4 da nossa riqueza."

    É uma tese interessante.

    "Alguns economistas de esquerda, incluindo André Lara Resende, formulam que basta manter os juros abaixo do crescimento do PIB para estabilizar a relação mencionada. Isso tem lógica?"

    O Japão faz isso desde a década de 1990, com juros zero. O que houve com sua dívida em relação ao PIB? Confira você próprio:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/japan-government-debt-to-gdp.png?s=jpndebt2gdp&v=201803191501a1&d1=19190101&d2=20191231&type=column

    A Itália faz o mesmo desde 2008. O que houve:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/italy-government-debt-to-gdp.png?s=itadebt2gdp&v=201903011019a1&d1=19190101&d2=20191231&type=column

    Espanha?

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/spain-government-debt-to-gdp.png?s=espdebt2gdp&v=201804161159a1&d1=19190101&d2=20191231&type=column

    Enfim, acho que ficou claro como esta tese é completamente doidivanas.
  • Alexandre Furtado Montes  14/03/2019 17:45
    Muito bom Leandro, te agradeço muitíssimo pela ajuda. Fiz uma primeira leitura muito rápida, mas já deu para absorver muita coisa interessante e excelentes argumentos. Vou ler depois com mais calma e, se tiver mais alguma dúvida, colocarei aqui ok?

    Mais uma vez te agradeço. Abs
    Alexandre
  • Jorge Stelmach  14/03/2019 18:41
    Vou ler os artigos com cuidado, tanto o do brilhante economista Lara Resende quanto o deste Website. O que me incomoda muito é estas classificações redutoras tipo é socialismo, é capitalismo, etc. vinda de economistas. Uma nocão básica de microeconomia é que existem quatro tipos diferentes de mercado no CAPITALISMO: livre, monopolio, oligopolio e concorrência oligopolistica. Portanto esse negócio de classificar monopolio de socialismo é pura burrice tendenciosa. Isso porque nem comecamos a conversar sobre a economia moderna de Ronald Coase, Oliver Willianson, etc. onde o conceito to de unidade de produção é substituido pelo conceito de contrato, que pode ser realizado dentro ou fora da empresa (ou firma). Se a questão é o papel do estado também temos um problema em generalizar pois quando falamos em estado nação e não economia global, este adquire um paper de agente regulador, indutor de crescimento, provedor de infraestrutura ou protetor da concorrência, dependendo do caso. Isto também não tem nada a ver com SOCIALISMO. Também teria mais respeito com dos gênios como Lara Resende e Persio Arida que salvaram o Brasil da hiperinflação com sua ideias inovadoras, heterodoxas e geniais em politica monateria.
  • Guilherme  14/03/2019 19:49
    "dos gênios como Lara Resende e Persio Arida que salvaram o Brasil da hiperinflação com sua ideias inovadoras, heterodoxas e geniais em politica monateria."

    Tipo o Plano Cruzado?! Se você realmente pensa isso, então de fato é um caso perdido.

    O Plano Real, que foi concepção de Gustavo Franco, não foi heterodoxo. Com efeito, os heterodoxos eram radicalmente contra o plano.

    De resto, espero que você mantenha sua palavra e de fato leia ambos os artigos para só então comentar. Comentar sobre algo sem antes ter lido é sinal de indigência intelectual.

    Indigência, aliás, comprovada nesta sua afirmação, completamente sem pé nem cabeça:

    "Uma nocão básica de microeconomia é que existem quatro tipos diferentes de mercado no CAPITALISMO: livre, monopolio, oligopolio e concorrência oligopolistica. Portanto esse negócio de classificar monopolio de socialismo é pura burrice tendenciosa"

    Para começar, em momento algum o presente artigo fala que "monopólio é socialismo". Tal tópico, aliás, nem sequer é tratado. Isso apenas mostra seu despreparo para o debate: inventar espantalhos para então bater nele.

    Entretanto, e aproveitando a deixa, faço um desafio: oligopólios, cartéis e monopólios ocorrem apenas em ambientes regulados pelo estado.

    Sim, trustes, cartéis, monopólios e oligopólios só existem exatamente em ambientes regulados pelo governo. É impossível existir monopólio ou oligopólio quando não há regulamentação estatal impedindo a livre entrada de concorrentes no mercado.

    Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

    Artigos para você sair desse auto-engano:

    Como as regulações estatais prejudicam os pequenos, protegem os grandes, e afetam os consumidores

    Liberem empresas aéreas estrangeiras para fazer vôos internos no Brasil

    Grandes empresas odeiam o livre mercado

    A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

    Precisamos falar sobre o "capitalismo de quadrilhas"

    Sim, há um Mecanismo que governa o país - e sua ideologia é bem clara

    Por que o livre mercado é o arranjo mais temido pelos grandes empresários

    O capitalismo de estado, ou "rent seeking", é o comportamento que explica a economia do Brasil

    Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

    Empresas grandes, ineficientes e anti-éticas só prosperam em mercados protegidos e regulados

    E você ainda diz que é o estado quem vai impedir a concentração do mercado, aquela concentração que ele próprio cria e protege?

    Por outro lado, não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

    Monopólio e livre mercado - uma antítese

    O mito do monopólio natural

    Quem é a favor de estado é, por definição, a favor de monopólios, oligopólios e cartéis. E quem é contra monopólios, oligopólios e cartéis é, por definição, a favor de estado mínimo ou mesmo nulo. Não há meio termo. Onde você está?

  • Magno  14/03/2019 19:40
    A TMM será o destino natural dos desenvolvimentistas frustrados. Essa turma jurava que juro baixo e dólar caro fariam a economia bombar. Pois então. O dólar foi pra R$ 4 e a Selic foi pra 6,50%. Ambos recordes de alta (dólar) e baixa (juro).

    E a economia? Paradona. Aliás, a indústria, que os desenvolvimentistas explicitamente falavam que ia bombar com dólar caro e juro baixo, está praticamente morta.

    Obviamente, quem entende o mínimo de teoria econômica sabe que dólar alto na realidade ferra a indústria, de modo que o que está acontecendo não é novidade nenhuma. Mas querer que essa turma saiba algo de economia já é querer demais.
  • Rodrigo  14/03/2019 19:54
    Viram o recente comentário da The Economist sobre a TMM? Até a revista, que é declaradamente keynesiana, disse que a teoria é completamente louca. Trechos:

    Paul Krugman, a Nobel prizewinner and newspaper columnist, recently complained that its devotees engage in "Calvinball" (a game in the comic strip "Calvin and Hobbes" in which players may change the rules on a whim). Larry Summers, a former treasury secretary now at Harvard University, recently called MMT the new "voodoo economics", an insult formerly reserved for the notion that tax cuts pay for themselves.

    These arguments are loud, sprawling and difficult to weigh up. They also speak volumes about macroeconomics.

    [...]

    Speaking with MMT's adherents is sometimes like watching a football match with friends who insist the ball remains stationary while every other element in the game, including the pitch and goalposts, moves around it. Communication is made harder still by mmters' sparse use of mathematical models. To economists who consider heavy-duty maths a mark of seriousness, such reluctance to use equations is either evidence of intellectual inferiority or a way of avoiding scrutiny.

    www.economist.com/finance-and-economics/2019/03/14/is-modern-monetary-theory-nutty-or-essential?cid1=cust/ednew/n/bl/n/2019/03/14n/owned/n/n/nwl/n/n/la/214436/n
  • anônimo  16/03/2019 14:22
    Quem defende essa aberração só pode ser americano ou europeu mesmo já que nunca sentiram isso na prática, porque latinoamericano defender isso precisa ter retardo mental severo.
  • Entreguista  16/03/2019 19:19
    Bem isso mesmo anonimo. Boa parte dos americanos nao entendem nada de economia. A vida deles é bem diferente do latino americano. Para voce ter uma ideia da coisa,no eua é super comum o cara trabalhar em uma so empresa a vida inteira e se aposentar nela. Vou te mandar 2 links sobrecesse assuno do youtube na proxima resposta.
  • Entreguista  16/03/2019 19:30
    youtu.be/bwBUyAEVx_Q

    O nome do cara é Gabriel Torres
    A diferenca da gringolandia e brasileiros



    youtu.be/uqlpHVkrv6o

    Rafael Scapella. O canal do mundo
    As principais vantagens de ser brasileiro.
  • Andre  15/03/2019 12:41
    Alguém pode por favor me responder quais seriam os próximos acontecimentos após o debaclê de setembro de 2008 caso não houvesse ocorrido o resgate dos bancos, ou o FED e outros Bancos centrais não tivessem capacidade para resgatar os bancos quebrados.

    Obrigado
  • Marcos  15/03/2019 13:31
  • Tiago Loggef  15/03/2019 13:23
    Eu percebi um ponto a ser melhorado na argumentação contra o Estado: Como e por que o Estado surgiu. Se esse ponto não for resolvido, o Estado sempre retornará.
    Simplificadamente, o Estado é uma empresa de segurança, que, por meio da opressão e da ameaça, cresceu demais e passou a oferecer outros porcos serviços para justificar esse crescimento.

    Para acabar com o Estado, será necessário encontrar uma solução contra a opressão dos mais fortes, sem que os próprios protetores se tornem fortes e passem eles próprios a oprimir.

    Quem se dedica a produzir, não pode se dedicar à proteção, pois isso prejudica a produção. Como evitar que os mais fortes abusem, oprimam e roubem aqueles que se dedicaram à pacífica produção?

    Essa não é uma questão técnica qualquer negligenciável. Essa é a questão que, se não for resolvida, inviabiliza o Anarco Capitalismo, pois leva ao ressurgimento do Estado.
  • Guilherme  15/03/2019 14:28
    Uma síntese (bem sucinta mesmo) de como o estado surgiu está aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2725

    Recomendo também este aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2670
  • Renato  15/03/2019 17:29
    Deixo ver se eu entendi: eles pregam que o Estado deve imprimir mais dinheiro e em contrapartida aumentar os impostos. Mas quais impostos serão aumentados? Quem irá pagar por eles? Eu bem que gostaria de ter uma impressora de dinheiro, que imprimisse notas verdadeiras a vontade em minha casa! Como se o dinheiro fosse distribuído igualmentes entre a população e os impostos pagos de forma igual também. Se isso acontecer, aí que Estado monta de vez nas costas da população! Parece até piada de mal gosto!
  • Yuri  15/03/2019 17:45
    Ei, não faça essas perguntas! Não há resposta para elas....
  • Leandro  15/03/2019 17:51
    Em termos puramente práticos, e imparciais, eis o que ocorreria:

    1) O governo imprime dinheiro para pagar funcionários públicos (além de políticos e deputados), empreiteiras contratadas para obras públicas e detentores dos títulos da dívida.

    2) Isso aumenta a oferta monetária e pressiona os preços para cima (os próprios seguidores da TMM reconhecem isso).

    3) Ato contínuo, o governo eleva impostos para retirar esse dinheiro de circulação.

    4) Quais impostos? Qualquer um, mas, de preferência, aqueles que são insonegáveis.

    5) Logo, os impostos que realmente aumentariam são CPMF (que seria recriada) e todo e qualquer imposto indireto.

    6) Na prática, portanto, a medida é triplamente cruel: beneficia diretamente o funcionalismo público e os "rentistas" e prejudica duplamente os pobres, que além de serem os mais afetados pelos impostos indiretos, serão também os mais afetados pelo aumento de preços (recorrer a aumento de impostos não irá resolver a inflação de preços, pois o governo continuará incorrendo em déficits orçamentários para bancar seus gastos crescentes. E estes déficits, obviamente, serão financiados com impressão de dinheiro.)
  • Fabio Villa  16/03/2019 12:47
    "o governo eleva impostos para retirar esse dinheiro de circulação", nada a ver; ele vai aumentar a SELIC pra enxugar esse dinheiro na economia.
  • Magno  16/03/2019 14:35
    Acho que você ainda não entendeu os princípios da TMM. Isso que você falou -- de o governo elevar a Selic pra enxugar dinheiro -- é o que ocorre hoje. Só que a turma da TMM é contra isso. Para eles, a Selic deve ser bem baixinha, abaixo de 2%, e não deve ter a função de balizar a política monetária.

    Quem faria o serviço de controlar a oferta monetária não seria mais a Selic, mas sim os impostos.

    Sim, é bizarro, mas a teoria é essa.
  • Bruno Rafael  16/03/2019 18:02
    Off Topic

    Quais artigos do Mises fala sobre Arranjo Produtivo Local (APL), Clusters industriais, concentração industrial e ou Nova Geografia Econômica (NGE)?

    Quero saber a posição da Escola Austríaca nesse assunto.
  • Fabio Anderaos   17/03/2019 01:38
    De fato, Robert Murphy tem razão ao mencionar que a TMM (ou MMT - Modern Monetary Theory) apoia-se em uma tautologia contábil. Qual a relação de causa e efeito entre os dois lados da equação G - T = S - I? Parece-me que uma coisa não tem haver necessariamente com outra.

    Outra variável fundamental que parece ser negligenciada pela TMM: a taxa de juro, que tem um papel fundamental no cálculo econômico, como parâmetro na decisões de investimento e poupança.

    E a taxa de risco (s ), a qual somada à taxa básica de juro (i), sinaliza a taxa de rentabilidade mínima esperada do investimento? Projetos de investimento na economia real terão que proporcionar uma rentabilidade mínima para serem levados adiante.

    Equilíbrio orçamentário é fundamental em qualquer economia. Não custa lembrar que o governo não é uma entidade suprema, acima do bem e do mal. Ele existe para servir à sociedade e não a si próprio, como ocorre no Brasil e em outros países. Se a equação G - T = S - I fosse realmente infalível, então não haveria crise econômica. Bastaria o governo emitir moeda e tudo estaria em equilíbrio e se a crise seria dissipada como em um passe de mágica.
  • Emerson Luis  19/03/2019 10:52

    O velho truque esquerdista de redifinir conceitos e critérios para forçar a realidade a se encaixar nas suas teorias...

    * * *
  • Skeptic  19/03/2019 16:33
    Kct, conseguiram criar algo pior que o Keynesianismo.
  • Emerson Luis  19/03/2019 17:55

    "Redefinir" - maldito corretor ortográfico!

    * * *
  • Emerson Luis  20/03/2019 12:07

    Outro ponto: ainda que a poupança não seja investida, nem consumida e nem sequer aplicada no banco, ainda assim beneficiaria a sociedade, pois aumentou a quantidade de produtos ou serviços e reduziu a quantidade de dinheiro no mercado, gerando deflação.

    Mas os especialistas acreditam (ou fingem acreditar) que toda e qualquer deflação é sempre ruim, mesmo aquela que surge naturalmente quando há liberdade econômica.

    * * *
  • RCL  16/04/2019 03:49
    "Sim, a "poupança privada líquida" — isto é, "a poupança privada menos o investimento privado" — não pode crescer sem um déficit orçamentário do governo..."

    Por qual motivo isso ocorre?
  • Trader  16/04/2019 05:09
    Porque o dinheiro que você guardou você irá ou investir na economia real e correr riscos (ações, CDBs, debêntures, LCIs, LCAs etc. ou mesmo para expandir instalações industriais) ou irá poupar aplicando em um título do governo, que é considerado a única poupança segura que há.
  • Arm'inio  23/05/2019 19:09
    Porque o gasto público tira espaço para a realização de investimentos privados. Sem poder investir tanto quanto poderia, o setor privado é obrigado a poupar.
  • Matheus S  16/06/2019 15:31
    Boa tarde!

    Minha dúvida é com relação ao regime cambial.
    Vou colocar dois cenários:
    Cenário 1: Digamos que um país exporta um valor X e o mesmo importará um valor Y, o valor de Y será menor do que o valor X, nesse caso teremos um superávit comercial, aumentará as reservas internacionais na sequência.

    Cenário 2: Digamos que um país exporta um valor X e o mesmo importará um valor Y, o valor de X será menor do que o valor Y, nesse caso teremos um déficit comercial, diminuirá as reservas internacionais.


    Sabemos que para realizar a importação teremos que exportar, a importação é paga com exportação. Pois bem, o dinheiro que usaríamos para pagar o déficit da balança comercial sairia do superávit dos investimentos estrangeiros e ainda teríamos um superávit na balança de pagamentos.
    Ou seja, mesmo com o déficit comercial na balança, mas tendo superávit na balança de pagamentos ainda sim teríamos aumentado as reservas internacionais?
    E mais, mesmo que tenhamos aumentado as reservas, digamos que queremos vender algo em torno de 10% para comprar ouro ou investir em imóveis ou ações em outros países, isso afetaria o câmbio?
  • Guilherme  16/06/2019 22:17
    "Digamos que um país exporta um valor X e o mesmo importará um valor Y, o valor de Y será menor do que o valor X, nesse caso teremos um superávit comercial, aumentará as reservas internacionais na sequência."

    Não necessariamente aumentará as reservas. Isso é opção do Banco Central.

    "Digamos que um país exporta um valor X e o mesmo importará um valor Y, o valor de X será menor do que o valor Y, nesse caso teremos um déficit comercial, diminuirá as reservas internacionais."

    Não necessariamente diminuirá as reservas. Isso é opção do Banco Central.

    "Sabemos que para realizar a importação teremos que exportar, a importação é paga com exportação."

    Não necessariamente. Ela pode ser integralmente paga com os dólares dos investimentos estrangeiros diretos.

    "Pois bem, o dinheiro que usaríamos para pagar o déficit da balança comercial sairia do superávit dos investimentos estrangeiros e ainda teríamos um superávit na balança de pagamentos."

    Certo.

    "Ou seja, mesmo com o déficit comercial na balança, mas tendo superávit na balança de pagamentos ainda sim teríamos aumentado as reservas internacionais?"

    Se o Banco Central optar por comprar esses dólares, sim. Caso contrário, não.

    "E mais, mesmo que tenhamos aumentado as reservas, digamos que queremos vender algo em torno de 10% para comprar ouro ou investir em imóveis ou ações em outros países, isso afetaria o câmbio?"

    Pontualmente, sim. No longo prazo, no entanto, o que define o câmbio é a paridade do poder de compra das moedas.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2901


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