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A tal “terceira via” é uma mistura de socialismo com corporativismo
E representa a perfeita manutenção de todo o establishment

Inevitavelmente, a cada quatro anos, sempre ressurge a ideia da "terceira via". E o fenômeno é global.

Políticos ao redor do mundo, praticamente sem exceção, vivem parolando sobre as supostas glórias da "terceira via", isto é, a adoção de um modelo econômico que não seja nem capitalismo nem socialismo, mas sim uma mistura daquilo que "ambos os sistemas têm de melhor". 

A moda é antiga, mas ganhou especial vigor na década de 1990 nos EUA, na Grã-Bretanha e na Alemanha, com as respectivas eleições de Bill Clinton, Tony Blair e Gerhard Schröder. Desde então, a defesa de tal sistema só se revigora a cada ano, não obstante seus retumbantes fracassos.

O principal objetivo da terceira via é tentar combinar a eficiência econômica do capitalismo com a "justiça social" do socialismo — o que significa, na prática, a imposição de maiores impostos, mais assistencialismo, mais privilégios e mais regulamentações. 

Para os adeptos da terceira via, "tradições burguesas" como propriedade privada e economia de mercado são toleradas, mas a economia tem de ser rigidamente regulada e tributada. Cabe aos burocratas do governo intervir no mercado para redistribuir a riqueza criada pelos produtivos e para manter a economia funcionando de acordo com seus desígnios.

Políticas redistributivistas — que envolvem também subsídios para os empresários amigos do regime — são inegociáveis. Uma fatia da renda dos indivíduos realmente produtivos da sociedade deve ser confiscada e redistribuída para os não-produtivos e para os privilegiados com laços governamentais. Grandes empresários se tornam submissos aos interesses do regime e, em troca, são beneficiados por subsídios e políticas industriais, bem como protegidos por tarifas protecionistas.

Em suma, a terceira via é apenas um nome mais pomposo e populista para a manutenção do status quo.

Só funciona, e limitadamente, em economias que já enriqueceram

Ludwig von Mises, ainda em 1921, já havia acabado com essa noção de que você pode combinar o "melhor" do socialismo e do capitalismo. Não existe isso de "o melhor" do socialismo, escreveu ele, pois mesmo a menor quantidade de socialismo distorce o funcionamento de uma sociedade livre.

E, de fato, nem é preciso fazer aqui uma explicação mais elaborada desta tese para que se entenda por que tal afirmação é verdadeira. Todas as coisas que nos enfurecem em nosso dia a dia — utilizar os Correios, encontrar boas escolas públicas, trafegar nas ruas estatais congestionadas, ir ao DETRAN, utilizar a saúde pública, a ausência de saneamento básico, ir a uma repartição qualquer — são, em sua totalidade, operações governamentais. 

Já os setores da economia que estão, de um modo geral, livres de amarras governamentais — a indústria tecnológica, o comércio via internet, os serviços de aplicativos e o setor de serviços (aqueles que não são pesadamente regulamentados pelo governo) — funcionam como deveriam.

Economias de mercado prósperas e capitalizadas conseguem aguentar o fardo imposto pelas políticas da "terceira via" com bem mais vigor do que as economias menos desenvolvidas. Por exemplo, a "terceira via" adotada pelas antigas repúblicas socialistas do Leste Europeu destruiu uma década de tentativas de reforma após 1989. E, ainda hoje, a pesada regulação estatal continua aprisionando enormes segmentos da população da América Latina, da África e do Oriente Médio na pobreza.

Criador e criatura

Amartya Sen, que ganhou o Prêmio Nobel de economia em 1998, é considerado o guru do pensamento da "terceira via". Diz-se que ele colocou uma "face mais humana" na ciência econômica ao introduzir uma "dimensão ética" e uma "preocupação com os pobres" em seus ensaios. 

Entretanto, a verdade é que essa "ética" e essa "preocupação" nada têm a ver com o quanto ele pessoalmente contribui para causas caritativas. Tais termos são simplesmente códigos para sinalizar que ele defende a medicina socializada, o agigantamento do assistencialismo e um grande papel do governo em planejar a economia.

A realidade é que todos nós devemos ficar muito atentos a propostas de "uma face mais humana" para a economia. Por algum motivo, essa face invariavelmente se traduz na munheca cerrada do estado. É por isso que Sen escreveu que a prosperidade das nações ocidentais "não é o resultado de nenhuma garantia fornecida pelo mercado ou pela busca por lucros, mas sim devido à seguridade social que o estado ofertou". Ou seja, segundo Sen, o mundo é próspero porque o estado tributou a riqueza criada. 

Interessante também é constatar que os soviéticos nunca foram capazes de gerar prosperidade por meio de sua ampla rede de proteção social.

Ao ler toda a literatura defensora da "terceira via", a impressão que se tem é a de que o estado, além de ser um grande indutor da criação de riqueza, é também formado por funcionários amorosos, cuidadosos e oniscientes, sempre em prontidão para confortar os angustiados e fornecer seguridade para os marginalizados. 

Obviamente, nenhum estado com essas características jamais existiu e jamais irá existir, por uma única razão: a característica única e inconfundível do estado é o seu uso da coerção, da ameaça e da violência, e não a sua oferta de amor. O estado não possui recursos próprios; tudo o que ele adquire é por meio da agressão contra as pessoas e suas respectivas propriedades.

As regulamentações estatais são violentas, pois impedem — ao imporem condições sob pena de processo — que indivíduos façam contratos voluntários entre si e restringem a liberdade de empreendimento em vários setores da economia. Os subsídios, na forma de dinheiro dado diretamente a determinados grupos de interesse, são violentos, pois transferem riqueza de um grupo para outro sem a permissão daqueles. A inflação monetária é uma forma sutil e insidiosa de roubo, pois subtrai poder de compra do dinheiro que o estado nos obriga a utilizar. E nada falarei aqui sobre os impostos para não ferir a decência.

Instabilidade e falta de lógica

Mises argumentava que a "terceira via" é instável porque as intervenções criam efeitos nocivos e imprevistos, os quais acabam clamando por mais intervenções apenas para serem corrigidos [no Brasil, essa constatação de Mises é explícita]. O resultado é uma inexorável marcha rumo à economia planejada, a menos que alguns passos definitivos sejam dados com o intuito de retroceder o agigantamento do estado. 

Uma maneira de contornar esse problema, obviamente, é simplesmente assegurar aos cidadãos que os efeitos ruins do intervencionismo (por exemplo, um menor nível de investimentos) são compensados pelos supostos bons efeitos (toda uma classe de pessoas aliviadas do fardo de ter de trabalhar, por exemplo).

Porém, como podem os "custos sociais" e os "benefícios sociais" de várias políticas serem comparados uns aos outros? Se seguirmos a lógica ensinada pela Escola Austríaca de economia, isso é impossível. O valor de algo é subjetivo; é o produto de cada mente humana individual. Os planejadores sociais não têm acesso a essa informação subjetiva simplesmente porque algo tão pessoal como 'valores' não pode ser colocado em equações e sofrer manipulações. É impossível existir algo como "custo social" ou "bem-estar social" em um sentido matemático; tais coisas simplesmente não podem ser computadas.

Adicionar e subtrair valores individuais, e com isso criar um índice de bem-estar geral, é uma impossibilidade — se levarmos a lógica a sério. Porém, no mundo de Amartya Sen, não se pode deixar que a lógica interfira na "face humana". Em suas teorias sobre custo social, ele defende a ideia de que as "utilidades interpessoais" podem ser comparadas. Afinal, se é para termos um estado amoroso e caridoso, temos então de ter alguns meios para compreender a vontade do povo.

Sen é mais desavergonhado e direto que a maioria de seus colegas, porém é fato que o vício de quase toda a ciência econômica moderna é essa presunção de que os economistas sabem melhor do que as próprias pessoas o que é bom para elas próprias e para toda a sociedade. Entretanto, se realmente quisermos que a vontade do povo prevaleça, nenhum sistema tem chances de gerar um resultado melhor do que a economia de mercado.  

Em um livre mercado, toda a produção, trabalho e consumo refletem as escolhas voluntárias de indivíduos que querem melhorar sua situação de vida. Em uma sociedade puramente voluntária, ninguém é forçado a fazer nada que seja contrário a seus objetivos finais individuais, desde que estes sejam buscados de forma pacífica.

Entender genuinamente esse ponto seria, aí sim, começar a pôr uma autêntica face humana na ciência econômica. É o estado quem trata as pessoas como sendo menos do que humanas, como meros objetos a serem manipulados de acordo com a visão que terceiros têm sobre como a sociedade deve funcionar. 

Conclusão

A terceira via, quando destituída de toda a sua retórica, nada mais é do que um sistema de concentração de poder e de redistribuição de riqueza, o qual supostamente fará com todas as pessoas produtivas continuem trabalhando duro para bancar todo este arranjo, não obstante o confisco cada vez maior de sua riqueza.

A verdadeira dinâmica da "terceira via" não é o préstimo ou a compaixão: trata-se, ao contrário, da batalha cruel e selvagem pelo controle das alavancas do poder e, consequentemente, de toda a riqueza propiciada por esse poder. 

Não é nenhuma coincidência que, tão logo os políticos de qualquer ideologia chegam ao poder, a primeira coisa que eles fazem é falar que são favoráveis à terceira via.

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Leia também:

A social-democracia no Brasil entrou em colapso - abandonemos os delírios e sejamos mais realistas

34 votos

autor

Lew Rockwell
é o chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.



  • Comunismo Hayekiano  26/09/2018 16:39
    Você pode achar que é uma contradição em termos, um paradoxo. Mas você está errado: estamos acostumados a pensar em categorias puras, enquanto a vida real é muito mais complexa; e paradoxos existem na vida real. A China é de fato um país comunista hayekiano.

    Em nenhum lugar, penso eu, a riqueza e o sucesso material são mais abertamente celebrados do que na China. Talvez isto tenha sido estimulado pelo 40 º aniversário da política de abertura, que é este ano, mas mais fundamentalmente, eu acho, é estimulado pelo desenvolvimento econômico de maior sucesso na história. Empresários ricos são celebrados em jornais, televisão, conferências. Suas histórias de enriquecimento são consideradas exemplos para todos. Ayn Rand se sentiria em casa nesse ambiente. O mesmo aconteceria com Hayek: uma incrível quantidade de energia e descobertas foram desencadeadas pelas mudanças que transformaram a vida de 1,4 bilhão de pessoas, duas vezes mais do que as populações combinadas da "velha" UE e dos Estados Unidos. As pessoas descobriram informações econômicas antes inacessíveis ou desconhecidas, organizaram de maneira schumpeteriana novas combinações de capital e trabalho e criaram riqueza em uma escala quase inimaginável (certamente, inimaginável para qualquer um que olhasse para a China em 1978).

    Em um grande banquete em Pequim, foram apresentadas histórias em primeira mão de cinco capitalistas chineses que partiram do zero(nada!) na década de 1980 e se tornaram bilionários em dólares hoje. Um passou anos no campo durante a Revolução Cultural, outro foi preso por sete anos por "especulação", o terceiro fez sua "aprendizagem" do capitalismo, como ele disse com franqueza, enganando as pessoas no leste da Ásia ("depois aprendi que se eu realmente quisesse ficar rico, não deveria trapacear; a trapaça é para perdedores "). Hayek teria escutado essas histórias, provavelmente transfixado. E que notícias ele teria amado melhor do que ler no Financial Times de hoje que a sociedade marxista da Universidade de Pequim foi dissolvida por causa de seu apoio aos trabalhadores em greve na Zona Econômica Especial de Shenzhen?

    Mas há uma coisa em que Hayek errou. Esses incríveis sucessos pessoais (e sociais) foram alcançados sob o governo de um único partido, o Partido Comunista da China. A celebração da riqueza é natural para os marxistas. O desenvolvimento, a educação generalizada, a igualdade de gênero, a urbanização e, na verdade, o crescimento mais rápido do que sob o capitalismo, foram a lógica e as fontes de legitimidade das revoluções comunistas, como ocorreram no mundo menos desenvolvido. Lênin disse isso; Trotsky confirmou isso quando procurou uma industrialização em larga escala; Stalin implementou: "Estamos a cinquenta ou cem anos atrás dos países avançados. Temos que percorrer essa diferença em dez anos. Ou nós fazemos isso, ou seremos esmagados ".

    Lembro-me de que, como estudante precoce do ensino médio na Iugoslávia, escaneei os jornais em busca de indicadores de crescimento industrial. Como a Iugoslávia estava entre as economias que mais cresciam no mundo, fiquei profundamente desapontado quando a taxa de crescimento mensal (anualizada) cairia abaixo de dez por cento. Eu achava que dez por cento era a taxa normal de crescimento das economias comunistas: por que você se importaria em se tornar comunista se não crescesse mais rápido do que sob o capitalismo?

    Assim, a celebração do crescimento - novas estradas, novos trens super rápidos, novos conjuntos habitacionais, novas avenidas bem iluminadas e escolas ordeiras - vem naturalmente para os comunistas. Não menos do que para os empreendedores hayekianos. (Como exercício, leia as belas memórias de Neruda, Confesso Que Vivi, onde ele exala enorme prazer em ver as barragens construídas pelos soviéticos.) A diferença é que os hayekianos celebram o sucesso privado que também ajuda a sociedade a avançar; no comunismo, o sucesso também deveria ser socializado.

    Mas isso não aconteceu. Os esforços coletivistas funcionaram por uma década ou duas, mas o crescimento acabou declinando e os esforços foram murchando. O cinismo reinou supremo. Foi deixado para a China e para Deng Xiaoping tropeçar(na frase imortal de Adam Ferguson) numa combinação em que o governo do partido comunista seria mantido, mas plena liberdade de ação e papel social seriam dados aos capitalistas individuais. Eles iriam trabalhar, enriquecer, enriquecer muitos outros no processo, mas as rédeas do poder político permaneceriam firmemente nas mãos do partido comunista. Os capitalistas fornecerão o motor e o combustível, mas o partido segurará o volante.

    As coisas seriam melhores se o poder político também estivesse nas mãos dos capitalistas? Isso é duvidoso. Eles poderiam tê-lo usado para recriar o governo de Nanjing dos anos 1930, venal, fraco e incompetente. Eles não iriam trabalhar duro, mas usariam o poder político para manter seus privilégios econômicos. É um dos principais problemas do capitalismo dos EUA hoje, em que os ricos controlam cada vez mais o processo político e, assim, distorcem os incentivos econômicos da produção e competição para a criação e preservação de monopólios. Muito pior provavelmente teria acontecido na China. É precisamente porque a esfera política foi amplamente isolada da esfera econômica, que os capitalistas poderiam ser mantidos ocupados com a produção, e à distância (tanto quanto possível, porque o partido está exposto à crescente corrupção) da política.

    Como a China chegou nessa combinação? Pode haver muitas razões, incluindo a tradição milenar de ser governada por burocracias imperiais, a aliança histórica - mesmo que tenha sido desfeita - entre o rumo comunista e o KMT de Sun Yat-sen (uma aliança que nunca existiu em outras partes do mundo comunista - mas não se pode perguntar a si mesmo, poderia ter acontecido em outro lugar também? Possivelmente. A nova política econômica de Lênin não era muito diferente das políticas chinesas dos anos 80. Mas Lenin via a NEP como uma concessão temporária para os capitalistas - porque ele acreditava que o socialismo traria mais progresso e, assim, "cientificamente" geraria um crescimento maior. Talvez sejam apenas os fracassos do Grande Salto para a Frente e o caos da Revolução Cultural que castigaram a liderança chinesa e convenceram Deng e outros de que a iniciativa privada era mais "progressista" do que o planejamento central e as empresas estatais. Lenin não poderia ter visto isso. Era cedo demais.

    Também me perguntei o que Stalin teria feito da China. Ele provavelmente teria ficado feliz por seu nome ainda estar consagrado no panteão oficial. (Em uma grande livraria no centro de Pequim, a primeira linha de livros são traduções de clássicos marxistas: o próprio Marx, Engels, Lênin ... e Stalin. Pouquíssimas pessoas olham para eles. As próximas filas que mostram livros sobre gestão de patrimônios, finanças econômicas , os investimentos no mercado de ações etc. são muito mais populares.) Stalin ficaria impressionado com o crescimento chinês; pelo extenso poder do estado e do país (com certeza, não mais um país para o qual ele poderia enviar seus conselheiros para ajudá-lo tecnologicamente), pela capacidade do partido de controlar de maneira muito sofisticada e discreta a população.

    Stalin teria adorado o sucesso econômico e o poderio militar que o acompanha, mas provavelmente ficaria chocado com a riqueza privada. É difícil vê-lo coexistir com Jack Ma. A reação de Hayek teria sido o oposto: ele teria ficado encantado com o fato de suas alegações sobre a ordem espontânea do mercado terem sido reivindicadas de maneira mais enfática, mas não teria entendido que isso só era possível sob o domínio de um partido comunista.

    Ninguém ficaria indiferente com a história econômica mais bem-sucedida de todos os tempos. E ninguém teria entendido isso completamente.

    glineq.blogspot.com/2018/09/hayekian-communism.html
  • Erick  26/09/2018 16:42
    A terceira via é uma das melhores invenções da política pública desonesta (e existe outro tipo ?) dos últimos anos.

    Maquiavel ficaria orgulhoso. Aliás, a palavra pragmatismo hoje em dia é vista como algo bom em vários países, principalmente aqui no Brasil. E essa tal terceira via é o pragmatismo aplicado na prática: os políticos sempre conseguem falar o q as pessoas querem ouvir.
  • Getulio  26/09/2018 16:43
    A noção de uma terceira via sempre me remeteu aos textos "econômicos" do nacional-socialismo.
  • anônimo  26/09/2018 16:44
    Amartya Sen daqueles que vê um ladrão assaltando uma mansão e acha que a mansão atingiu aquele luxo porque foi assaltada...
  • P.P.  26/09/2018 16:46
    Sobre a frase:

    "É impossível existir algo como "custo social" ou "bem-estar social" em um sentido matemático; tais coisas simplesmente não podem ser computadas"

    Acredito que esse foi precisamente o objeto de estudo de Kenneth Arrow em seu teorema da impossibilidade, no sentido de que ainda que fosse possível estabelecer uma forma de medir o bem-estar social, não seria possível prever se as escolhas realizadas pela sociedade levariam à maximização dessa medida.
  • Me vi Pensei que era Eu  26/09/2018 16:47
    "terceira via, isto é, a adoção de um modelo econômico que não seja nem capitalismo nem socialismo, mas sim uma mistura"

    Sinto um aroma agradável de perfume no ar, mas eu solto um peito para misturar as coias.
  • Capital Imoral Filho  26/09/2018 16:48
    De fato, a 3º via é um engodo burguês para alienar o proletariado da luta de classes. Aceita-se o capitalismo libertário imediato como defendido pelos anarco-neoliberais desta comunidade: visando meramente a maximização dos lucros e indiferente ao ser humano. Não mais a vanguarda deverá aguardar pelas esmolas da sua classe, apenas o sofrimento, o rancor e a dor dos pobres nos levará à revolução como previsto pela sempre precisa dialética marxista.

    O assistencialismo não leva à revolução do proletariado. No máximo, cria a dependência sobre a qual o autor frisou ser perfeitamente atendida por cada reprodução capitalista (mudança após cada ciclo econômico da mais-valia). Seguindo Marx à risca, que sejam proibidos e punidos violentamente os sindicatos, que os trabalhadores recebam horas de trabalho máximas e salários de fome(Pois ambos são determinados apenas pela "generosidade" da burguesia), que todos os serviços públicos sejam abolidos imediatamente e que qualquer mecânica de controle de preços estatal jogue todos esses para cima.

    Não há revolução de burocratas. A classe dominante será apenas eliminada pelo ódio vicioso e o desejo sanguinário dos revolucionários.
  • Roberto Souto  26/09/2018 19:36
    Capital Imoral agora tem filho...Não bastasse a pureza da sabedoria do pai agora também nos deleitaremos com a erudição do filho. É como termos em nosso meio pessoas do gabarito de Kim Jong-il e Kim Jong-un; quanta honra.
  • Um cara qualquer  27/09/2018 17:29
    Amém, camarada
  • Thiago Carvalho  26/09/2018 16:50
    "E, de fato, nem é preciso fazer aqui uma explicação mais elaborada desta tese para que se entenda por que tal afirmação é verdadeira. Todas as coisas que nos enfurecem em nosso dia a dia — utilizar os Correios, encontrar boas escolas públicas, trafegar nas ruas estatais congestionadas, ir ao DETRAN, utilizar a saúde pública, a ausência de saneamento básico, ir a uma repartição qualquer — são, em sua totalidade, operações governamentais."

    Todos os Estados, seja o brasileiro ou o canedense?
  • Régis  26/09/2018 16:57
    Com certeza. Aliás, no Canadá, utilizar os hospitais certamente irrita mais do que utilizar os Correios.

    O sistema de saúde universal no Canadá: um colossal fracasso estatal
  • Libertariozinho  26/09/2018 17:06
    Pessoas morrendo nas filas da saúde socializada, acho que é enfurecedor igualmente.
    Sim, em todo o MUNDO, onde há serviço socializado, há ou custos altíssimos ou qualidade baixa, a ineficiência é inerente ao Estado.
  • Constatação  26/09/2018 17:03
    Aqui no Brasil essa terceira via se transformou em uma eficiente propaganda política usada em eleições. De 1998 até hoje, todos os postulantes dos grandes partidos sempre abraçaram esse discurso, de uma forma ou de outra. (Embora Dilma tenha sido a mais explícita nesse sentido).

    Após chegaram ao poder todos tratam de ampliá-lo e consolidá-lo, via assistencialismo para os pobres e subsídios para os grandes empresários. Isso é terceira via.

    Por isso esse negócio de terceira via não tem nada de novo, muito pelo contrário: sempre foi o modus operandi dos políticos.
  • anônimo  26/09/2018 18:12
    Sempre foi o sistema preferido dos poderosos e não somente aqui no Brasil.
  • Paulo Henrique  26/09/2018 17:45
    Terceira Via nada mais é que o fascismo em sua releitura. E como Stalin dizia, o fascismo é o navio quebra gelo da revolução.
    Não por menos temos sempre um risco de virar uma Venezuela
  • Demolidor  26/09/2018 17:57
    A Terceira Via também é uma forma de radicalismo. É a defesa da onipotência e onisciência do estado e seus burocratas, uma radicalização da corrupção, inevitável e inerente a esse sistema.

    Por fim, é coisa instável que, a longo prazo, não beneficia nem mesmo aqueles que teoricamente ganhariam com ele: políticos e funcionários públicos. Moeda instável, altos impostos sobre renda e consumo, uma briga desenfreada pelo poder e uma atitude hostil da população em geral acabam por tornar complicada até mesmo a vida de quem recebe o pirão primeiro, quando a farinha é pouca.

    Quando levada às últimas consequências, como ocorreu no Brasil, ainda ocorre uma desconfiança generalizada. Empresários não investem, pessoas não consomem, todos com medo de perder seu dinheiro perante um futuro incerto, onde medidas governamentais pode tornar qualquer negócio inviável.

    Quem defende o intervencionismo é, na verdade, o que Taleb chamaria de fragilista. Na ânsia de eliminar os problemas, acaba gerando iatrogenia em larga escala, e tornando a sociedade muito mais frágil e instável.

    Por fim, quem se preocupa com pobres deveria exigir o estado fora de tudo, tanto porque pagar salários altos para burocratas que distribuem migalhas a gente necessitada é ineficiente, quanto porque confiscar recursos de indivíduos e empresas lucrativas e em expansão acaba gerando incerteza, redução de investimentos e redução no número de vagas de emprego e outras oportunidades criadas. Empiria pura.
  • Xavier  26/09/2018 21:39
    Muito bem resumido, Demolidor. O Brasil adotou a Terceira Via light desde 1990, mas foi pra Terceira Via radical desde 2006.
  • Felipe  26/09/2018 19:37
    Estratégia das Tesouras.

    Enquanto a social-democracia (uma das formas do "socialismo pragmático", vulgo "terceira via) continuar sendo aceita pela sociedade, será impossível ver o livre mercado florescer adequadamente. Haverá apenas privilegiados e escravos.
  • Emerson  26/09/2018 19:51
    No Brasil, antes do fenômeno Bolsonaro, terceira via era aquele que se punha entre PSDB e PT.

    Os petistas eram a "esquerda carnívora" e os tucanos eram a "esquerda herbívora".

    O PSDB sempre foi a esquerda herbívora, mas a Janela de Overton faz as pessoas pensarem que ele é de direita. Já o PT fingiu ter se convertido ao vegetarianismo (principalmente no primeiro mandato de Lula), porém a dieta carnívora foi ficando cada vez mais explícita.

    A esquerda herbívora permite que você continue com sua propriedade privada na teoria (de jure), apenas a retiram de você na prática (de facto): deixam que pensemos que somos donos do que é nosso, mas confiscam 40% do que produzimos e determinam como podemos usar os outros 60%. Já a esquerda carnívora venera Cuba e Venezuela.

    Este ano será a primeira vez que a hegemonia destes irmãos será confrontada.
  • George Foreman  26/09/2018 20:15
    A social-democracia e o fascismo são imparáveis e imbatíveis. Além de funcionarem por muito tempo porque aceitam reformas (mesmo com resistências), é o sistema preferido da elite política e da elite capitalista. Até mesmo quem se estrepa nesse arranjo (população comum), vai defender o Mecanismo com todas as forças por motivos emocionais das propagandas.

    A única forma de combatê-la é através de um sistema que não seja democrático e centralizador. Não é atoa que o mundo inteiro está lentamente se transformando em terceira-via.
  • %C3%83%C2%B3rf%C3%83%C2%A3o  26/09/2018 21:27
    A terceira via existe e funciona!!
    en.wikipedia.org/wiki/Third_rail
  • Pobre Paulista  27/09/2018 22:42
    Estou chocado
  • Daniel  26/09/2018 21:30
    O interessante é que socialismo Fabiano, socialdemocracia e terceira via se confundem. Eu mesmo tenho dificuldades quando pesquiso sobre a história dessas doutrinas políticas.

    Segundo fontes, a socialdemocracia surgiu antes do socialismo fabiano, inclusive as ideias revisionistas (reformas socialistas graduais, ao invés de revolução). Entretanto, sabe-se também que a socialdemocracia foi influenciada por inúmeros pensamentos ao longo de sua constituição, e um destes pensamentos que a influenciou bastante foi justamente o socialismo fabiano.

    Já a terceira via se popularizou apenas na década de 1990.

    A minha dúvida é: partidos no Brasil como PT, PSDB, PMDB, PDT, DEM etc. são socialistas fabianos ou socialdemocratas? Ou ambas as coisas? Algum não é terceira via?
  • Bruno Diniz  26/09/2018 21:37
    No Brasil, terceira via, na prática, são todos aqueles que estão fora do governo e querem virar governo, mas não têm coragem de se posicionar ideologicamente.
  • Lee Bertharian  27/09/2018 04:22
    Na minha opinião, a social-democracia é o filho bastardo do corporativismo. E a "terceira via" é o fruto dessa relação incestuosa.
  • Amanda  27/09/2018 22:06
    Mises fala em seu livro "Uma crítica ao intervencionismo" que essa "terceira ordem" procura não eliminar a propriedade privada,mas limitá-la. Ou seja, querem evitar os "excessos e males" do capitalismo, mas querem manter as vantagens e industrias da iniciativa privada, que o Estado não pode gerar. Entretanto, esse sistema intermediário, é por si só contraditório e ilógico. As tentativas de introduzi-lo seriamente em uma sociedade pode nos levar a uma crise e dessa crise só pode sair duas coisas, capitalismo ou socialismo.
  • Emerson Luis  19/10/2018 10:39

    É importante procurar ter sempre equilíbrio, mas a própria busca de equilíbrio precisa ser contrabalançada pelo bom senso. Nem sempre o melhor é buscar um "meio termo", uma "solução mista" entre duas alternativas opostas.

    Qual seria o "meio termo" entre um policial honesto e um bandido? Um policial corrupto?

    E qual seria o meio termo entre um copo de água 100% limpa e um copo de água 100% suja? Um copo de água 50% suja?

    * * *


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