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Uma solução para as dificuldades enfrentadas pelos caminhoneiros
Para saber o que fazer, antes é necessário entender

Como todos muito bem se lembram, os caminhoneiros fizeram uma ruidosa greve geral nacional no fim do mês de maio. Dentre as exigências constavam a redução do preço do óleo diesel e o estabelecimento de uma política de preços mínimos (tabelamento) para o frete.

Em outras palavras, os caminhoneiros queriam preços artificialmente baixos para o combustível (reduzindo seus custos) e preços artificialmente altos para o frete (aumentando suas receitas).

O governo cedeu e aquiesceu.

O óleo diesel passou a ser (ainda mais) subsidiado pelo Tesouro (ou seja, por nós pagadores de impostos) e a ANTT implantou uma tabela de preços para o frete.

Mas, obviamente, a economia não admite desaforos. E tampouco controles artificiais podem alterar a realidade econômica. Inevitavelmente, surgiram distorções.

Três meses após essas medidas, o dólar saltou de R$ 3,50 para R$ 4,15 e puxou em mais 18% os preços dos combustíveis. Consequentemente, a importação de óleo diesel — tanto pela Petrobras quanto por outras importadoras — ficou inviabilizada, pois o subsídio já não cobria o aumento do preço. Para piorar, a Petrobrás foi obrigada a paralisar sua maior refinaria, a de Paulínia, em consequência do incêndio ocorrido no dia 20 de agosto.

Resultado: a Petrobras teve de reajustar o preço do diesel, até então congelado, em 13% nas refinarias.

Isso desagradou os caminhoneiros.

Para piorar (para os caminhoneiros), a tabela do frete não só não estava realmente sendo cumprida (inclusive pelas transportadoras), como várias grandes empresas pararam de contratar caminhoneiros autônomos e começaram elas próprias a fazerem seu transporte.

Essa combinação de eventos fez surgir novos rumores sobre uma nova paralisação de caminhoneiros — a qual, felizmente, não se concretizou (ainda).

O fato de que o tabelamento dos preços não seria cumprido era algo perfeitamente previsível — sendo que tal previsão foi feita neste artigo. Simplesmente não há como se praticar um tabelamento uniforme de preços em um cenário de excesso de caminhões, baixa demanda de cargas (pois a economia ainda está cambaleante), condições totalmente desiguais de estradas e de distâncias, e necessidade de completar viagens sem carga de retorno.

Vale lembrar que a crise no setor de transporte rodoviário de carga foi causada, principalmente, pelos fartos empréstimos baratos concedidos pelo BNDES para a aquisição de caminhões, política essa mantida de 2007 a 2014 (e explicada em detalhes aqui). Neste período, a quantidade de caminhões em circulação aumentou 50%, ao passo que a economia brasileira cresceu apenas 23% — em termos grosseiros, a frota de caminhões aumentou mais que o dobro da renda.

Ou seja, uma intervenção governamental gerou um abrupto aumento da frota de caminhões em circulação. Com uma oferta artificialmente inflada e crescendo mais que a demanda, o preço do frete caiu e, com ele, a renda dos caminhoneiros e o lucro das transportadoras.

O que fazer?

Por óbvio, se a causa da doença foi o investimento errado em um excesso de caminhões, a cura é uma só: desinvestir.

Aqueles com inclinações dirigistas, se capazes de seguirem esse simples encadeamento de raciocínio econômico até aqui, podem apressadamente concluir: basta agora o governo, que antes subsidiou a venda dos equipamentos, pegar o dinheiro dos pagadores de impostos e comprar o excesso de volta, tirando de circulação. Que se use o já falido orçamento público para sucatear a frota ociosa.

Tamanho desperdício — embora possivelmente menos danoso que rasgar o dinheiro vindo dos impostos com subsídio ao óleo diesel, como tem sido feito — ficaria explícito até mesmo para o mais ferrenho admirador das façanhas de políticos e burocratas. É provável que enfrentaria alguma resistência popular, mas seria possível contornar: bastaria dizer que a iniciativa se destina a aposentar "tranqueiras velhas", que gastam muito combustível, poluem muito, são inseguras etc.

Essa "solução" dirigista, no entanto, serviria apenas como uma ilustração clássica sobre o intervencionismo: intervenção gera mais intervenção. Os efeitos não-premeditados das intervenções anteriores geram novas distorções, as quais exigem novas intervenções para serem corrigidas. E dado que políticos e burocratas não conseguem prever os futuros efeitos colaterais de suas novas "intervenções corretoras", eles acabam tendo de intervir de novo. E de novo.

Ademais, é possível ter a certeza absoluta de que, na hora de estabelecer o preço de compra dos caminhões ociosos, o político ou burocrata — por mais competente e bem intencionado que seja — irá errar: ou ele fará ofertas pouco atraentes, que surtirão pequeno efeito, ou irá tirar de circulação muito mais caminhões do que deveria, causando um aumento posterior dos custos de transporte, o que, por sua vez, despertará clamores por mais regulação, mais subsídios, mais tabelamentos etc.

Por isso, clamar por uma nova intervenção estatal para corrigir os efeitos nefastos de uma intervenção anterior é algo que nenhum indivíduo racional deveria cogitar.

Felizmente, porém, há uma solução. E ela não só já existe como já está sendo aplicada, ainda que muito timidamente. Sim, já há pessoas que estão ajudando, silenciosamente, a realmente melhorar a situação dos caminhoneiros. Ainda são poucas, infelizmente. O volume do seu trabalho ainda é pequeno. Mas ao menos suas ações não causam efeitos colaterais indesejados. Acima de tudo, elas não requerem que você seja espoliado para pagar mais impostos.

Digite "exportação de caminhões usados" na sua ferramenta de busca predileta e você vai encontrar uma ou outra empresa que compra os veículos ociosos a preço de mercado (ver um exemplo aqui e aqui). Esses empreendedores viabilizam que caminhoneiros e empresas coloquem no bolso o dinheiro que imobilizaram em caminhões que hoje lhes são pouco úteis. Ato contínuo, os exportadores encontram quem dê genuíno valor aos veículos que estavam antes subutilizados por aqui. Há compradores ávidos nos outros países da América do Sul, da África, do Oriente Médio e da Europa. Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai, Chile, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, El Salvador, Nicarágua, Honduras, Guatemala, República Dominicana, Porto Rico, Arábia Saudita, Jordânia e até Alemanha são os principais destinos.

Essas transações de exportação e importação são voluntárias. Todo mundo sai ganhando.

E aí vem a inevitável pergunta: se o negócio é tão bom, por que a atividade é ainda pequena?

Simples: apenas imagine o cipoal regulatório, burocrático e tributário que os empreendedores enfrentam, tanto aqui no Brasil quanto nos países de destino da mercadoria. Agora, acrescente a isso o fato de que o Brasil proíbe a importação de caminhões usados (apenas aqueles classificados como "itens de colecionador" são permitidos, e tal permissão só ocorreu em 2017), o que gera a famosa política de reciprocidade, fazendo com que outros países também proíbam a importação de usados brasileiros.

Isentar esses caminhões do Imposto de Exportação (que é de 30%) seria um ótimo começo, e praticamente não afetaria o orçamento do governo — afinal, trata-se de um receita que o governo já não aufere, pois quase não há exportações de usados.

Conclusão

Eis, portanto, uma sugestão para políticos e burocratas brasileiros que queiram realmente fazer parte da solução do problema dos caminhoneiros: que tal desregulamentar a exportação de caminhões usados e fazer pressão diplomática para que os governantes nos principais mercados importadores façam o mesmo?

Essa seria verdadeira solução de mercado contra as lambanças causadas pelo intervencionismo estatal. 

Eis uma pauta que os caminhoneiros e seus sindicatos realmente deveriam exigir.


31 votos

autor

Alexandre Garcia de Carvalho
é administrador, pós-graduado em Economia Austríaca pelo IMB e Master of Business Administration pela University of Michigan


  • thiago  10/09/2018 15:56
    Boa!
  • José de Souza Cunha Filho  11/09/2018 16:03
    Com esse Governo sem credibilidade, sem alianças. Não acredito em um entendimento que seja bom para as duas partes. Vamos esperar o novo Governo!
  • Benjamin  10/09/2018 15:59
    Paulo Skaaf será eleito governador. Respeitem a FIESP, a maior empregadora deste país, seus liberaizinhos cretinos.
  • Pobre Paulista  10/09/2018 16:11
    A situação aqui é tão ruim que precisamos torcer pelo Doria...
  • Régis  10/09/2018 16:22
    Se um representante da FIESP virar governador de São Paulo , ele fará lobby pesado junto ao Planalto para que as tarifas de importação fiquem ainda maiores. Se o presidente for Ciro Gomes, um abraço para nós consumidores. Isso aqui vai ficar mais fechado que a Coreia do Norte.
  • Capital Imoral  10/09/2018 16:01
    Por que irei votar em Guilherme Boulos e Sônia Guajajara ?

    Uma coisa a direita direitosa tem razão: a esquerda precisa de renovação. E somente um partido atualmente está conseguindo trazer essa renovação enquanto dialoga com os movimentos sociais. Trata-se do PSOL, um partido de jovens, gente linda e renovada, gente multicultural.

    Embora o Partido dos Trabalhadores tenha uma história linda ao lado de Lula, dos movimentos sociais e dos trabalhadores; a corrupção neoliberal e a própria política de certa forma acabou poluindo esse partido que no passado não se rebaixa aos desmandos do capital. Lembro-me que Lula falava abertamente sobre transformar o Brasil em um país socialista e fazer a tão importante reforma agrária. Lembro que Lula era o único homem capaz de dizer para uma vagabundo de terno e gravata (empresário), que ele era um lixo e que estava, sim, explorando os mais pobres. Os empresários e neoliberais tinham medo de Lula. Bons tempos que não encontramos mais na atual esquerda.

    (É importante notar que essa fraqueza no enfrentamento foi responsável pelo golpe e retirada de direitos).

    Se por um lado a esquerda necessita de um enfrentamento maior para humilhar abertamente empresários e quem defenda a ideologia neoliberal; por outro, a atual esquerda, muito bem representada pelo PSOL, tem uma sutileza e respeito maior pelas minorias e movimentos. O PT, de certa forma, acabou se deixando influenciar muito pela política e esqueceu as minorias. O PSOL é o único partido que se preocupa, por exemplo, com homossexuais que querem fazer transplante de troca de sexo pelo SUS.

    Mas aí apareceu Guilherme Boulos.

    Tudo mudou com a entrada de Guilherme Boulos, a participação dele dentro do partido representa aquele enfrentamento que a esquerda tanto necessitava. Boulos é coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, o MTST, e do Povo Sem Medo, frente de movimentos que vem empenhando enfrentamento fundamental nos últimos anos nas lutas contra o golpe e a retirada de direitos.

    Portanto, já temos dois elementos; (1) um partido que tem consciência social e respeito pelas minorias, (2) Um presidente que é intelectual, mas ao mesmo tempo tem a força de Lula para bater de frente contra o neoliberalismo. O que falta?

    Falta a mulher brasileira: Sônia Guajajara entra em jogo.

    Mulher, nordestina, indígena e anã, Sônia Guajajara representa mais de 500 anos de luta dos povos oprimidos do Brasil, em defesa de um programa de justiça, igualdade e defesa de direitos. É primeira vez na história do país que uma indígena compõe uma chapa para disputar à Presidência da República. E veja bem, ela não é "vice-presidente", ela é copresidenta junto com Guilherme Boulos; ambos têm o mesmo poder independentemente do que a república patriarcal e machista disser. Caramba! ela é tão perfeita! é tipo um pokémon que o PSOL encontrou no mato.

    Veja que agora tudo se encaixa perfeitamente: (1) temos um partido que se preocupa com as minorias e movimentos sociais; (2) temos um presidente que tem força e militância para não se rebaixar ao capitalismo; (3) temos uma mulher que consegue preencher completamente a cota de minorias oprimidas pelo sistema. Eis os motivos que me levam a votar 17 por Guilherme Boulos e Sônia Guajajara.

    Vote Guilherme Boulos para presidente e Sônia Guajajara como copresidenta: 17.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • RAUL EIJY GOTO  10/09/2018 16:37
    kkkkkkkkkkkkkkk
    17 Com certeza!
  • Alexandre Oliveira  10/09/2018 19:20
    kkkkkkkk Já estava tendo um infarto de tanto ler asneiras.
  • William  10/09/2018 19:26
    Haha, essa foi uma das melhores participações do Capital Imoral. Para eleger Boulos presidente, digite 17. Confirma.

  • Sandro Medeiros  10/09/2018 23:12
    Eu acho que o Capital Imoral tem as melhores respostas para todos os problemas nacionais. Se ele se candidatar a presidente, já tem meu voto!
  • Tarantino  11/09/2018 02:43
    Votemos 17, Capital Imoral para presidente!
  • Fernando Marcio Aguirrez  11/09/2018 06:43
    Eu cheguei a pensar que o capital imoral era real. Sensacional as tiradas dele.
  • Daniel Stonebuilt  11/09/2018 13:47
    Ta de sacanagem né? kkkkk
  • off topic  11/09/2018 19:04
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Rindo muito Capital. Tava precisando rir, viu?
  • Paulo   13/09/2018 12:51
    Eu acho que o ''Capital Imoral'' é algum gaiato do site que posta esse monte de besteiras com a intenção de dar uma veia cômica aos artigos. Claro, um pouco de humor não faz mal a ninguém.
  • Cesar Oleskovicz  12/09/2018 14:14
    Capital Imoral, não suma!!! Você que manda aqui.. kkkkkkk
    Hoje eu tava precisando rir um pouco...
    Adorei a parte do pokemon... Incrível...

    Capital Imoral, a lógica matemática da esquerda...
    Tudo se encaixa como 2 + 2 são 5..
  • Marcelo Gazzoli  12/09/2018 15:46
    Vou ter que roubartilhar isso!!!
  • Erika Gouveia  14/09/2018 14:36
    é tipo um pokémon que o PSOL encontrou no mato.
    kkkkkkkkkkkkk, melhor piada
    Gente, eu tenho 99% de certeza que ele está sendo irônico.
  • Gabriel   10/09/2018 16:07
    Alguém poderia me explicar como o governo consegue manter os preços artificialmente baixos para o combustível? Como é que nós, pagadores de impostos, financiamos esse absurdo?
  • Rodrigo  10/09/2018 16:18
    No caso do diesel, a Petrobras produz e refina a $100, e vende de suas refinarias para as distribuidoras a $156. (Sim, a margem da estatal é de espantosos 56%).

    Para controlar esse preço de $156, o Tesouro repassa dinheiro de nossos impostos diretamente aos compradores do diesel nas refinarias da Petrobras (e também para os eventuais importadores de diesel), para que esses $156 cobrados pela Petrobras em suas refinarias cheguem às distribuidoras a um valor menor.
  • Caacupé  10/09/2018 16:20
    Tirem o Paraguay de teus horizontes de venda de usados, podemos importar camiones muito mais modernos e preservados de Corea, Europa e Norte América e no pior dos casos de Chile. Vocês que resolvam sua crise queimando os camiones excedentes com seus funcionários públicos dentro.
    Cuando o dólar chegar a 5 reales talvez compremos camiones teus.

    Royahu Paraguay.
  • Bino  10/09/2018 16:31
    Pô, ajuda nós aí... Assim que eu conseguir vender minha Terezona para um paraguaio, vou me mudar para as margens do Ypacaraí. Vou virar cidadão paraguaio e me tornar um consumidor seu. Você vai ganhar dinheiro comigo.
  • Tulio  10/09/2018 16:33
    De fato vai ser difícil conseguir convencer um paraguaio a comprar as quinquilharias usadas brasileiras: o país é aberto às importações de caminhões usados europeus.

    blogdocaminhoneiro.com/2017/04/novos-modelos-scania-ja-chegam-ao-paraguai/
  • Alisson  10/09/2018 16:52
    O que está acontecendo no Paraguai? Está todo mundo falando bem de lá. Aqui em Salvador tem ônibus direto pra Assunção e vai lotado de peão de obra.
  • Antonio Jose  10/09/2018 17:36
    Paraguai além de ter baixos impostos e energia elétrica barata fez um "lei de maquilas" inspirada nai lei mexicana, isenção de imposto para importação de máquinas e matérias-primas com imposto de apenas 1 por cento do faturamento se a produção for destinada à exportação.
  • O que %C3%83%C2%A9 esquerda?  10/09/2018 17:41
    KKKK VERDADE!
  • Chiaki  11/09/2018 11:27
    Infelizmente essa é a realidade, essa ideia é boa na teoria, mas dificilmente algum país iria acatá-la já que quem mais ganha com isso é o Brasil, os únicos país que poderia aceitar de braços abertos essa ideia seriam a China e talvez a Índia, pois são países em emergência altíssima com uma frota péssima, qualquer outro retrucaria essa proposta duramente!
  • Marcelo  11/09/2018 13:39
    Hehe, "apenas" China e Índia, os dois países mais populosos do mundo e com o maior potencial de crescimento da renda. Se pudesse vender só para a China já estaria ótimo, mas podendo vender também para a Índia já é problema quase que resolvido.

    "dificilmente algum país iria acatá-la já que quem mais ganha com isso é o Brasil"

    Oi? Por quê? Se empreendedores de outros países quiserem voluntariamente comprar esses caminhões, por que eles não ganham?

    Pare com esse mercantilismo néscio de achar que no livre comércio só o vendedor é que ganha. Compradores voluntários ganham igualmente. Aliás, dado que o vendedor (brasileiro) está vendendo na bacia das almas, e dado que o comprador (estrangeiro) está adquirindo um bem novo e barato, este ganha até mais do que aquele.
  • Bruno Carneiro  10/09/2018 17:04
    Putz! Eu dei essa seugestão nos comentários do outro artigo (Autoengano: por que as medidas adotadas pelo governo não ajudarão os caminhoneiros).

    É só procurar lá pela data do comentário"07/06/2018 00:50".

    Um tal de "Comex Paraguay" descartou a ideia alegando que pode comprar caminhões melhores da Europa.
  • Fernando  10/09/2018 18:58
    Acho que quem escreveu isso foi um pouco idealista e não conhece os valores dos veículos no mercado. O Brasil possui uma alta carga tributária nos veículos novos e por isso tem carros e caminhões muito mais caros que outros países, qual o sentido se exportar para eles se o nosso é mais caro? O Paraguai não compra veículos usados brasileiros e sim importados pelo Chile vindo dos países asiáticos geralmente. Vale lembrar ainda que reduzir a quantidade de caminhões não emprega os caminhoneiros e só resolve momentaneamente o problema.
    Se a ideia é desregulamentação, e eu concordo, deveriam focar em reduzir as regulamentações no transportes de cargas. Existe exigências da ANTT (registro para transporte de cargas), Inmetro (calibração do tacógrafo), Detran, falta de flexibilidade da legislação trabalhista para horários de trabalho, exigências da receita federal, etc. Tudo isso é burocracia e custos que estão no frete. Se o frete for mais barato provavelmente haverá mais demanda.
  • Emerson  10/09/2018 19:24
    A julgar pelo seu comentário, você nem sequer se inteirou sobre o assunto. Deixa eu tentar resumir, quase desenhado:

    1) Devido a uma política do governo federal iniciada em 2008, empresas e indivíduos se endividaram para comprar caminhões.

    2) A quantidade de caminhões em circulação explodiu.

    3) O frete caiu, mas os custos subiram.

    4) Como consequência, tais pessoas e empresas ficaram financeiramente insolventes. Seus custos estão maiores que suas receitas e seu ativo (caminhão) acabou na verdade se tornando um passivo (dívida)

    5) Essas pessoas precisam de dinheiro rápido.

    6) Como conseguir dinheiro? Vendendo seus caminhões.

    7) Mas dado que já há uma superlotação de caminhões no Brasil, não há como vender aqui dentro a preços bons.

    8) A solução é vender lá pra fora.

    9) Mas tal mercado é restringido não só por vários governos de outros países, como também é tributado pelo governo brasileiro (Imposto de Exportação é de 30%). Isso deve ser mudado.

    10) Se for para escolher entre ficar com um caminhão que virou um passivo que devora seu patrimônio (muitos caminhoneiros dizem que estão pagando para trabalhar) ou poder se desfazer dele no mercado estrangeiro e conseguir dinheiro, a segunda opção é a única lógica.

    11) A alternativa a isso é colocar o governo pra tabelar frete e queimar dinheiro de impostos subsidiando diesel, algo completamente irracional. E que comprovadamente não funciona.

    De qual parte você discorda?


    Por fim, vou comentar essa sua passagem:

    "Se a ideia é desregulamentação, e eu concordo, deveriam focar em reduzir as regulamentações no transportes de cargas. Existe exigências da ANTT [...], Inmetro [...], Detran, falta de flexibilidade da legislação trabalhista para horários de trabalho, exigências da receita federal, etc. Tudo isso é burocracia e custos que estão no frete. Se o frete for mais barato provavelmente haverá mais demanda."

    Concordo com suas medidas, todas elas certamente defendidas por este Instituto. Agora, observe que você entrou em contradição: uma desregulamentação do setor irá aumentar a concorrência (pois será mais fácil entrar neste mercado) e consequentemente reduzir o preço do frete e diminuir as margens de lucro.

    Desregulamentação e aumento da concorrência sempre reduzem margens de lucro. Não é à toa que empresas e empreendedores já estabelecidos defendem regulamentações: elas afastam a concorrência e garantem suas reservas de mercado e suas margens de lucro.

    Sendo assim, será meio difícil você convencer caminhoneiro a defender medidas que irão reduzir a reserva de mercado e as margens de lucro deles...
  • Fernando  10/09/2018 21:12
    Emerson, desculpe se eu pareci um pouco arrogante dizendo que o artigo está errado. O artigo não está errado, eu apenas acho a proposta pouco efetiva na prática. Como eu disse, o valor de um caminhão no Brasil é superior ao valor de um caminhão em diversos outros países no mundo.
    Eu entendo que a crise no setor foi ocasionada pelo crédito barato ao financiamento de caminhões. Meu pai tinha uma pequena transportadora por +- 20 anos e fechou em 2013. Meu tio ainda trabalha como caminhoneiro autônomo e tenho diversos conhecidos no ramo. Cresci com meu pai reclamando da burocracia exigida, eram dias que ele perdia cumprindo burocracias.
    Com a redução do custo operacional vai aumentar a margem de lucro do frete e, de acordo com a sua ideia irá aumentar novamente o número de caminhoneiros, mas esse aumento irá até um limite determinado pelo mercado e com isso eu não vejo problema. É o mercado controlando oferta e demanda e não o governo. Com a redução do custo do frete e grande quantidade de caminhões ociosos o preço do frete vai cair e consequentemente aumentar a quantidade de fretes até o equilíbrio.
    Quando ocorreu a greve eu pensei em criar uma página no Facebook com ideias libertárias voltada aos caminhoneiros, mas acabei não fazendo por preguiça. Quem iria apoiar a página? Estou aberto a sugestões.
  • BRUNO GUIMARAES CARNEIRO  11/09/2018 10:33
    Acho que você se confundiu com os conceitos de "valor" e "preço".

    Para mim, o "x" da questão é: quanto vale um caminhão para um proprietário, seja PF ou PJ, que só dá prejuízo? Nesta situação, é melhor baixar o preço e vender o quanto antes.

    Os caminhoneiros que estão em excesso, devem procurar outras alternativas. Aí as possibilidades são infinitas. Talvez as mais próximas sejam UBER ou transporte de passageiros.
  • Humberto  11/09/2018 13:36
    Exato. É questão até mesmo de lógica contábil. Se você tem um ativo que virou um mico e está lhe trazendo prejuízo, você tem de se desfazer dele, vendendo para assim recuperar algum capital.

    Dado que vender no mercado interno é complicado, pois o mesmo está saturado, a solução é vender no mercado externo, que ainda pode estar carente de tal ativo.

    Questão de lógica contábil, econômica e até mesmo básica.
  • Gustavo  12/09/2018 00:07
    Se você não consegue pagar o financiamento do seu carro você irá vendê-lo. Se não conseguir vendê-lo rápido pelo preço sugerido da tabela FIPE irá baixar o preço até aparecer algum interessado. Interessado sempre tem, é só baixar o preço que eles aparecem. Com o caminhão não é diferente. Se é pra vender pelo preço de um carro ou caminhão no mercado internacional tenho certeza que há compradores no Brasil interessados. Ou seja, o preço de um caminhão usado no Brasil não está barato e não é competitivo com o preço praticado no mercado internacional.
    Estava agora no Twitter e vi analistas comentando sobre a grande fila de espera para comprar um caminhão novo hoje. Essa fila é de até 8 meses.
    O que está acontecendo?
    As grandes empresas estão comprando caminhões novos para montar uma frota própria devido ao alto custo do frete terceirizado gerado pelo TABELAMENTO DE FRETES.
    Por que essas empresas não compraram os caminhões usados que estão "sobrando" e "baratos"?
    Algo que vai prejudicar e muito as empresas de transportes e caminhoneiros autônomos é o tabelamento de fretes que deveria ser abolido imediatamente.
  • Flávio  10/09/2018 19:32
    Embora eu tenha me estrepado todo na greve, eu realmente me compadeço dos caminhoneiros. É uma profissão desgastante, perigosa e estressante. Você passa longos períodos longe da família e muitas vezes não acompanha o crescimento dos filhos.

    Resta claro que esse pessoal precisa de uma maior aproximação com integrantes do movimento libertário para que possam aprender o básico de economia e com isso direcionar suas demandas para o lugar correto. Em vez de ficarem pedindo tabelamento e bolsa-diesel deveriam protestar contra o monopólio da Petrobras no refino, pela abolição das tarifas de importação sobre diesel e gasolina (além, é claro, de petróleo) e também pela liberdade de exportar seus caminhões sem impostos.

    Taí uma pauta totalmente viável e de resolução relativamente simples.
  • Yokohama  10/09/2018 19:42
    Mais duas pautas simples:

    1) acabar com toda barreira tarifária e não tarifária às importações. De cara aumentaria a demanda por fretes pois a população poderia comprar mais produtos.

    2) exigir a livre importação de pneus de caminhão, que representam um grande custo operacional (rasgam em estradas esburacadas, uma constante no Brasil).

    Poucos sabem, mas o estado brasileiro é campeão mundial na tributação da importação de pneus.

    "Fato curioso é que a defesa comercial do Brasil aplica tarifas punitivas por dumping em pneus de carga oriundos da África do Sul, Coréia do Sul, Japão, Rússia, Tailândia e Taiwan. Em pneus de passeio, tarifa as importações da China, Coréia do Sul, Tailândia, Taiwan e Ucrânia. "Interessante que boa parte dos pneus importados pela indústria não são oriundos desses mercados", lembra.

    Segundo Milton Favaro Junior, o Brasil é o segundo país do mundo que mais pratica medidas protecionistas e, no caso de pneus, é recordista mundial. "Temos países que simplesmente deixaram de vender ao Brasil por força dessas medidas, como a Ucrânia", ressalta."

    exame.abril.com.br/negocios/dino/importacao-de-pneus-cai-336-e-superavit-comercial-cresce-401-shtml/

    www.transportepress.com/camex-eleva-imposto-de-importacao-de-pneus-para-25/


    E isso ainda está desconsiderando IPI e ICMS, que aumentam ainda mais a absurdidade. Taí uma pauta para os caminhoneiros honestos realmente abraçarem.
  • Luiz M.  10/09/2018 19:37
    A forte queda da demanda por fretes como consequência do fechamento de mais de 300 mil empresas no Brasil desde 2014/15, que gerou desemprego e queda no consumo e na renda do trabalhador, inviabiliza qualquer recuperação do setor de transporte de carga. Tampouco possibilita esse luxo que é pagar fretes artificialmente caros.

    Como se isso não bastasse, boa parte das pequenas e médias empresas brasileiras, principalmente do setor industrial, durante este mesmo período, vem operando aos trancos e barrancos com margens cada vez menores - isso quando não estão no vermelho, e sem crédito (ou a custos altos) - e encontram-se atoladas em dívidas, especialmente junto ao próprio governo, num acumulo impagável de impostos atrasados.

    Como querer que tabela de frete seja cumprida nesse cenário?

    Estamos apenas vivenciando o colapso do setor produtivo provocado pelo setor parasitário.
  • Richard  10/09/2018 19:43
    Quando mudei de ramo profissional, comecei trabalhando no ramo de transporte de cargas. O PSI pôs tanto caminhão na estrada que caminhoneiro se estapeava pra agregar onde eu trabalhava. Por causa das taxas de juros, caminhão seminovo chegou a custar quase a mesma coisa que um zero bala.

    Eu e uns colegas fizemos umas continhas bestas e vimos que entre 2011 e 2014 o preço do frete por tonelada caiu entre 5% e 7% a.a. Até pensamos em fazer um estudo científico pra publicar, mas recebi uma proposta interessante e mudei pro ramo de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros.

    Aí, notei outro fenômeno, não em larga escala, mas em número suficiente pra me chamar atenção: a migração de caminhoneiros para o transporte de passageiros, em busca de um ramo parecido (dirigir veículo pesado é viciante), mas com salário fixo e certa estabilidade garantida via CLT. Rara era semana em que eu não recebia ligação de caminhoneiros conhecidos me perguntando se haveria disponibilidade de contratação, pois para esses era inviável se manter na profissão devido a queda no valor do frete, preço do combustível e desaquecimento da economia.
  • Jairdeladomelhorqptras  10/09/2018 21:56
    OLá,
    Alguém poderia me explicar qual a razão do estado brasileiro tributar em 30% a exportação de caminhões usados. Que lógica é esta? Em última análise estamos exportando impostos? Quantos lá fora estão a fim de pagar?
  • Guilherme  10/09/2018 22:16
    É pior. O imposto de importação (IE) é de 30% para qualquer bem exportado, mas pode chegar a "módicos" 150%.

    www.portaltributario.com.br/tributos/impostodeexportacao.htm

    idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despacho-de-exportacao/topicos/conceitos-e-definicoes/imposto-de-exportacao-ie


    E são 280 páginas impondo ordens e detalhando o que você deve fazer.

    www.treasy.com.br/blog/imposto-de-exportacao/

    blog.intradebook.com/pt/quais-os-principais-impostos-sobre-exportacao-e-como-recolhe-los/
  • Insurgente  11/09/2018 19:25
    Eu quase infartei agora quando vi esses números.
  • O observador  10/09/2018 23:18
    O fato é que o Brasil precisa, urgentemente, de uma coisa inventada por George Stephenson em 1825, tem mais de 10 carros acoplados entre si, corre sobre dois trilhos de aço e faz "piuí" ou "tu-tu". Essa coisa se chama trem.

    Um país desse tamanho não pode ficar refém dos caminhoneiros (muitos deles, autônomos que não tem condições nem de manter o veículo em condições de uso); a ferrovia é vital para que a economia volte a crescer. Muitas empresas já perceberam isso e voltaram a usar o trem em sua logística: por exemplo, a operadora MRS vem batendo recordes de transporte de containers em suas composições.
  • Geraldo  11/09/2018 01:44
    Concordo plenamente. Até hoje não consegui entender por que o Brasil sucateou sua malha ferroviária.
  • Fernando Marcio Aguirrez  11/09/2018 06:51
    Porque como de costume, o estado brasileiro coloca diversos impeditivos para a iniciativa privada investir em malha ferroviária. E como esse mesmo estado é incompetente para fazer esse trabalho, ficamos a ver navios (ou ferrovias).
  • Felipe Lange  11/09/2018 00:37
    "Há compradores ávidos nos outros países da América do Sul, da África, do Oriente Médio e da Europa. Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai, Chile, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, El Salvador, Nicarágua, Honduras, Guatemala, República Dominicana, Porto Rico, Arábia Saudita, Jordânia e até Alemanha são os principais destinos."

    Por que um venezuelano compraria um caminhão? O país está falido!
  • Skeptic  11/09/2018 02:24
    Alguém pode me indicar artigos sobre e economia na época do Regime Militar Brasileiro? Não achei nenhum aqui no site.
  • Daniel  11/09/2018 02:56
    Gosto deste, pois aborda sem firulas o principal ponto econômico da época:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2755
  • Skeptic  11/09/2018 03:35
    Muito obrigado! Imaginei que haveria algum trecho em algum artigo, mas não um artigo específico sobre esse tema.
    O trecho é muito bom assim como o comentário do Rodrigo Lopes Lourenço.
  • Pedro  11/09/2018 05:46
    "uma sugestão para políticos e burocratas brasileiros que queiram realmente fazer parte da solução do problema dos caminhoneiros" Admiro seu senso de humor.
  • Cristian  11/09/2018 15:34
    Está lá no título do artigo => "Uma solução..."

    Então, vejo alguns comentários contrários, argumentando que o autor está equivocado por isso e aquilo. Não é a ÚNICA solução, é UMA solução.

    Quem tiver outra, por favor, sem timidez, apresente-a.
  • Pedro Afonsino  11/09/2018 17:11
    Alguém poderia me sugerir algum aplicativo para que eu me mantenha atualizado sobre economia?
  • Karna  11/09/2018 22:31
    Google
  • Alan Queiroz  13/09/2018 15:46
    Infomoney
  • Adriano  14/09/2018 00:34
    Google Chrome. Por meio dele você pode acessar o site www.mises.org.br. Tem muita coisa boa nesse site.
  • Rodolfo Andrello  13/09/2018 13:36
    Gostei particularmente da sugestão no final do artigo, atacar o imposto de exportação e atuar na esfera diplomática para que os outros países façam o mesmo. Isso me ajuda com uma questão que vinha habitando minha imaginação, que é como um diplomata liberal ou libertário poderia atuar pra conseguir efeitos pró livre mercado.
  • Emerson Luis  18/09/2018 10:55

    "Os caminhoneiros estão fazendo essa greve por todos nós, por um Brasil melhor!"

    Até formadores de opinião autodeclarados liberais e conservadores repetiram essa tolice.

    PS: Quer dizer que é proibido importar veículos usados, mas é permitido exportá-los? Isso porque "o Brasil é capitalista" [segundo a esquerda], imaginem se não fosse!

    * * *


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