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A maioria dos empreendedores é composta de maus empreendedores - eis a sua chance
O erro de se preocupar mais com os custos do que com a criação de valor

Recentemente, precisei da ajuda de um encanador para consertar um vazamento na tampa de esgoto em frente à minha casa.

Embora eu mesmo talvez pudesse fazer o serviço — graças à gloriosa internet, é possível aprender de tudo e fazer por contra própria —, dificilmente isso seria um uso valioso do meu tempo. Prefiro me concentrar em meus afazeres profissionais — pesquisa e ensino — para então gastar parte da minha receita fazendo outras atividades mais prazerosas.

Portanto, decidi recorrer à mão-de-obra especializada fornecida pela divisão do trabalho.

Utilizando uma bem conhecida ferramenta de recomendação de serviços para separar o joio do trigo, encontrei um confiável e bem reputado encanador. Consegui marcar o serviço para a manhã seguinte.

Para encurtar a história, o encanador apareceu, olhou para a rede, viu que era um hidrante enterrado, disse algo do tipo "ah, é um daqueles", seguido por um "eu não trouxe as ferramentas para esse tipo de serviço", entrou na van e voltou para sua base.

Quatro horas depois, o vazamento estava consertado. E então ele me apresentou a conta, pagável imediatamente ("dinheiro ou cheque"), cobrando por um total de quatro horas de serviço: duas horas de deslocamento, a maior parte delas por causa da viagem de ida e volta para buscar as ferramentas que ele não havia trazido, e mais duas horas de serviço propriamente dito.

Quando então deixei claro que não é minha responsabilidade garantir que o encanador traga as ferramentas adequadas para o trabalho, e que por isso me opunha a ter de pagar o ultrajante valor de $85 por hora para que ele apenas dirigisse seu veículo, ele simplesmente respondeu que estava cobrando pelo seu "tempo".

Para não criar caso (meu tempo é extremamente valioso), acabei pagando a ridícula quantia, metade dela por algo que não me trouxe valor nenhum.

Meu ponto aqui nem é o fato de que um mais um encanador licenciado e protegido pelo estado (em minha cidade, só pode exercer legalmente essa profissão regulamentada quem o estado permite via certificado ou registro em órgão profissional) extorquiu mais um consumidor. O ponto é que este encanador não era empregado de uma empresa, mas sim um autônomo — e demonstrou ser totalmente incapaz de entender o que é gerir um negócio.

Empreender é sobre criar valor

Esta incapacidade de entender o básico sobre o empreendedorismo está, infelizmente, presente em vários empreendedores, e todos nós somos prejudicados por este fato. Nosso padrão de vida fica aquém do que poderia ser. E o problema é que, ainda que eles fossem ganhar muito apenas como consequência de dar um pequeno passo na direção correta, eles não o fazem.

Embora não se possa acusá-los de ignorância (empreendedores têm mais o que fazer do que estudar a teoria do empreendedorismo, por exemplo), é triste saber que muitos empreendedores encaram seu negócio como se fosse um emprego. Trata-se de uma ideia totalmente equivocada.

Empreendedorismo não é sobre emprego, e rotular proprietários-administradores de pequenas empresas como "empregados por conta própria" é um grande desserviço para a sociedade. Serve apenas para gerar confusão.

Emprego é a atribuição de efetuar determinadas tarefas (ou produzir uma série de resultados razoavelmente padronizados) dentro de uma empresa. Quando você é um empregado, seu tempo e seu esforço são meras engrenagens dentro de um amplo e rigidamente coeso processo de produção, o qual é centralmente coordenado.

E isso em nada se assemelha a empreender e criar uma empresa própria, a qual não possui um arcabouço já determinado e não possui um processo de produção já pré-estabelecido. A questão do empreendedorismo é: você pode ofertar qualquer serviço que deseje e do jeito que quiser. Já como empregado de uma empresa, você certamente não pode fazer isso. Estas duas funções são, na prática, muito mais distintas entre si do que muitos imaginam.

Colocando em termos econômicos, empreendedorismo é sobre criar valor. E, para fazer isso, um empreendedor primeiro tem de descobrir o que os consumidores valorizam e como é possível satisfazer esses desejos. O empreendedor só ganha dinheiro se souber satisfazer, de maneira contínua, os consumidores. E o que é satisfazer? Resolver seus problemas, saciar seus desejos, tornar suas vidas mais confortáveis etc.

Se este empreendedor terá sucesso é algo que dependerá completamente dos consumidores (e também daquilo que os empreendedores concorrentes irão oferecer).

E não sobre cortar custos

Dentro de uma empresa, o valor já está estabelecido. Empresas existentes já descobriram algum tipo de posição de mercado na qual podem ganhar dinheiro — um nicho onde o valor daquilo que oferecem aos consumidores é maior do que os preços que elas cobram (caso contrário, não haveria consumidores comprando voluntariamente). E esses preços, por sua vez, são maiores que seus custos de produção.

Assim, a função de um empregado desta empresa é contribuir para o processo de produção desempenhando as tarefas que lhe foram assinaladas, e fazê-las da maneira mais barata e eficaz possível. Sua função, e a função da gerência também, é cortar custos ou mantê-los sob controle.

Percebeu a diferença? Ao passo que a função do empregado (ou do gerente) é manter os custos sob controle para que a empresa possa continuar a vender bens e serviços tendo lucro (aos preços de mercado vigentes), a função do empreendedor é descobrir como gerar valor para os consumidores e o quanto eles estão dispostos a pagar por isso. (Veja mais detalhes deste processo aqui).

Um empreendedor que se concentra apenas nos custos está, na prática, atuando como um gerente e não como um verdadeiro empreendedor de seu negócio. Concentrar nos custos é algo que funciona apenas se já houver um processo de produção estabelecido, com início e fim, e com os preços já estabelecidos pelo mercado. Por outro lado, se você é um "empregado por conta própria", você não pode se dar ao luxo de se concentrar em cortar custos (ou mantê-los sob controle) em detrimento da criação de valor.

O encanador mencionado na história acima, por exemplo, cobrou pelo seu "tempo" (seu custo) em vez de apenas pelo valor criado (consertar o vazamento). Deixando de lado os incentivos destrutivos ("se esquecer" das ferramentas é uma ótima maneira de receber sem fazer trabalho nenhum), é extremamente improvável que eu volte a contratar seus serviços. E eu certamente não o irei recomendar a ninguém.

Em outras palavras, ele não só destruiu o valor de ter um potencial cliente fiel, como ainda perdeu a chance de ter "gratuitamente" seus serviços recomendados por mim para terceiros (algo que naturalmente ocorreria caso ele mantivesse seu cliente — eu — satisfeito).

As coisas são diferentes em uma empresa já estabelecida, a qual — se corretamente gerenciada — oferece bens e serviços padronizados de uma maneira padronizada. Nenhum empregado tem o direito de alterar o modelo de negócios de seu empregador. Tampouco tem a autorização para tal. Logo, esse tipo de infortúnio não ocorreria.

Já empreendedores, por outro lado, não apenas têm o direito de alterar um modelo de negócios, como também devem fazê-lo. Começar um negócio para fazer exatamente o mesmo que os outros empreendedores e empresas estabelecidos já estão fazendo não será nada promissor (a menos, como é o caso do encanador, que as regulamentações do governo efetivamente garantam uma reserva de mercado e afetem a concorrência). A menos que você tenha uma abordagem inovadora, as chances de você ser bem-sucedido são baixas. Quem já está no mercado já se adaptou e já moldou seus processos de produção de modo a manter seus custos por unidade produzida abaixo daqueles que você pode conseguir como um novato fazendo o mesmo.

Empreendedores fazendo empreendedorismo

Empreendedores têm de criar valor. Observe que parte da criação de valor pode ser tão simples quanto utilizar uma comunicação adequada. Se o encanador, em vez de cobrar pela hora (e, como fez esse, declarar que levou duas horas para voltar para casa para pegar as ferramentas esquecidas!), cobrasse um valor fixo ou mesmo declarasse que, do valor por hora, iria descontar o valor das horas que ele passou apenas dirigindo, eu ficaria mais satisfeito com o serviço.

Ainda melhor, se ele tivesse declarado, no momento da contratação, que iria cobrar um determinado preço por esse tipo de serviço, eu já me comprometeria a pagá-lo. Em vez disso, ele — e, presumivelmente, a maioria dos outros encanadores — tratou seu negócio como se fosse um emprego: não fez nada de diferente, cobrou o mesmo, e se concentrou em cobrar do consumidor pelo seu custo (e não pelo valor fornecido).

Em setores regulados pelo estado e pouco inovadores, empreendedores não-empreendedoriais conseguem ganhar muito dinheiro independentemente de estarem ou não criando valor para seus consumidores. E dado que basicamente nenhum deles pensa como empreendedores, os consumidores têm de arcar com preços ultrajantes em troca de serviços de baixo valor. Mas tudo o que é necessário para abalar esse mercado é surgir um empreendedor inovador que implemente um modelo de negócios diferente daquele que todo o resto usa.

Para fazer isso, o empreendedor inovador tem de pensar diferente. Ele deve colocar a satisfação do consumidor em primeiro lugar — e então, só então, ajustar seus custos ao valor fornecido. E não o contrário. Concentrar-se nos custos para então "cobrar" dos consumidores um preço baseado nestes custos significa perder muitos clientes futuros. Mais ainda: significa abrir mão de muito dinheiro. E este dinheiro beneficiaria tanto o empreendedor que sabe criar valor quanto seus clientes satisfeitos com esse valor criado.

Afinal, é isso que empreendedores genuínos fazem: criam valor.

Conclusão

São os gerentes e administradores que têm a função de manter os custos baixos enquanto produzem algo de valor já estabelecido pelo mercado. Empreendedores e gerentes são cruciais em uma economia de mercado, e contribuem enormemente para o nosso padrão de vida.

Exatamente por isso, um empreendedor iniciante não pode pegar um atalho direto para as funções administrativas e esperar milagres, pois isso resultaria em apenas mais do mesmo. O empreendedor, na melhor das hipóteses, irá auferir ganhos normais. Já a sociedade como um todo terá apenas um crescimento econômico marginal.

E é isso o que acontece quando o empreendedorismo é feito muito mais por necessidade do que pela identificação de oportunidades. Ele acaba sendo rudimentar. Quem vira empreendedor apenas porque está desempregado e quer sobreviver dificilmente conseguirá um êxito prolongado, pois inevitavelmente ainda carregará a "mentalidade do empregado".

Empreendedorismo é sobre criar valor para os consumidores, e não sobre ter uma renda mensal garantida.

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Leia também:

Não adianta odiar o mercado. Apenas aprenda a usá-lo

Dica aos empreendedores: o preço já está dado. Agora, escolham seus custos

33 votos

autor

Per Bylund

foi consultor de negócios na Suécia, é Ph.D em economia pela Universidade do Missouri e é professor de Empreendedorismo e Livre Iniciativa na Escola de Empreendedorismo da Oklahoma State University.




  • Marcos Gualberto  08/08/2018 16:43
    Considero esse um tema crucial porque com o aprofundamento da automação a única solução para os ex-empregados será virarem empreendedores autônomos.

    O grande problema é que a maioria das pessoas viram empreendedores porque querem "fazer aquilo que gostam" e não aquilo que realmente que cria valor para os consumidores e que está sendo demandado. Aí quebram a cara e ficam com raiva e deprimidas. É difícil aceitar que o erro estava lá no início (palavras de alguém que já se ferrou várias vezes ao tentar apenas "fazer aquilo que dá prazer" mas que não era muito demandado pelas pessoas).
  • Vladimir  08/08/2018 16:56
    Mas esse erro é crasso mesmo. Embora seja imprescindível gostar do que faz (pois o prazer ajuda a melhorar a performance), querer fazer algo apenas porque gosta daquilo, sem se preocupar com se aquilo realmente cria valor para terceiros, é receita garantida para o fracasso.

    O melhor exemplo disso é a quantidade de doutor em filosofia, sociologia, história (e varias áreas das ciências sociais que não agregam valor pra ninguém) que está desempregado. Foram fazer o que gostam e não o que está sendo demandado. Agora estão bravos porque não têm como se sustentar.
  • Felipe  08/08/2018 16:45
    Gostei da sequência dos últimos três artigos. Dá até pra fazer uma trilogia do assunto. Foi de propósito?
  • Edimar  08/08/2018 17:03
    Fico impressionado com os artigos deste site, há tempos acompanho eles. E saibam que sai de um estado de ser humano que odiava os Estados Unidos, sentia simpatia por Hitler, e que achava que tudo vinha de graça nesta vida. Para alguém realmente mais critico, que pensa mais por sí, e que acredita que as soluções para os problemas vem da próprio mercado e não dos burocratas. Vocês realmente expandiram minha mente para um outro nível de pensamentos acerca de política, mercado, e estado.
  • cmr  08/08/2018 17:41
    Eu também, mas nunca senti nenhuma simpatia por Hitler, Stalin, Lênin, Mao, etc...
    Nem por aqueles que, supostamente, estavam do "outro lado", Churchill, Roosevelt, Reagan, etc...

    E sempre odiava o GOVERNO americano.

    Hoje eu odeio TODOS OS GOVERNOS do mundo.
  • Estudante de Direito  08/08/2018 17:07
    Estou deverás triste, após o 7 semestre conheci a escola austríaca. Desde então leio os mais variados artigos, livros e assunto relacionados a economia, inclusive vertente ortodoxa.

    Acontece que cheguei ao 10 semestre de direito e devo fazer a tal monografia, quase nada no direito brasileiro faz sentido. Não faço ideia que tema fazer.

    Só quero terminar o curso e procurar empreender de verdade. Ou quem sabe parasitar uns tempos, triste.
  • Gustavo A.  08/08/2018 19:44
    Procure um tema liberal/libertário e seja feliz.

    Eu estou no 8º semestre e, por sorte, conheci o IMB um pouco antes você; nunca fui esquerdista, mas os professores estavam começando a me fazer pensar por que a social democracia "funciona" na Suécia e não aqui?, e foi através deste assunto que cheguei ao site.

    Tem vários temas para fazer, sempre com críticas ao sistema atual. Eu escolhi fazer algo sobre armamento e liberdade, vou fundamentar os motivos para o armamento civil, bem como trazer o histórico do desarmamento no país (tecendo críticas).

    Você pode fazer crítica às funções sociais inventadas pelo legislador brasileiro (propriedade, empresa, trabalho); pode fazer críticas ao código civil intervencionista, ou à CLT e Justiça do Trabalho; crítica ao modelo de federalismo centralizador... Putz, o que não falta é tema, porém, se quiser fazer com viés liberal/libertário, será através de críticas ao modelo atual, afinal, a última coisa que a republica socialista da meia entrada e do almoço grátis é, é liberal...
  • Estudante de direito  09/08/2018 12:51
    Já havia pensado em criticar o modelo centralizador, também pensei em falar sobre inflação legislativa. Devo achar um orientador. Tenho um professor conservador que ontem mesmo estava falando bem do sistema centralizado, ele é bastante sensato, com os argumentos certos poderia mudar de ideia. O restante dos professores são em maioria estatistas.

    Por sorte, acredito que todos estão preocupados com esse tanto de leis prescindíveis.

    Obrigado pelo otimismo e indicações.
  • Libertariozinho  09/08/2018 17:51
    Cara, o melhor tema para um estudante de Direito libertário tratar é, sem dúvida, a ética da propriedade privada. Toda e qualquer Lei vem ou deveria vir do cumprimento de uma determinada ética. Sem ética não há lei nem justiça. Então, tente pensar nesse tema!
  • Insurgente  09/08/2018 14:44
    Há um tempo atrás fiz uma monografia de pós graduação (detalhe, fiz porque gosto e ganhei dinheiro. Não sou formada em direito), referente a súmula vinculante 5, alegando através dela a livre defesa em processos administrativos. Se se reconhecer sincero e moral tentará fazer uma monografia que gere certo valor. Não jogue os seus 5 anos de tempo e estudo pela janela.
  • Tea Party  12/08/2018 13:48
    É complicado...sou advogado e ja lia esse site na facul... jeito é ignorar o besteirol despejado pelos professores. Faça sobre algum tema de Direito Empresarial, quiçá, como fiz, pois é área talvez menos estatista do nosso Direito
  • anônimo  08/08/2018 17:09
    Tenho fornecedores que o tempo todo tentam aumentar seus preços justificando que tiveram de contratar um novato (e isso tem custos de aprendizado) ou que o sindicato está exigindo aumentos ou que a justiça do trabalho acabou de aplicar uma multa.

    Eu simplesmente respondo que eles que se virem para cortar custos em algum lugar, caso contrário vou para o concorrente. (Sei que os irmãos Klein da Casas Bahia sempre foram mestres em fazer isso).

    Quem estipula os preços dos meus produtos (mexo com empório) são os consumidores. Se eles não aceitam aumento de preços então não posso me dar ao luxo de aceitar aumentar custos pois não consigo repassar esse aumento de custos aos consumidores. Meu objetivo é criar valor (dar aos consumidores que eles querem e estão dispostos a pagar).

    É impossível repassar integralmente custos ao consumidor. O empreendedor é que tem que se virar (a menos, é claro, que ele opere em mercado protegido pelo governo; ou então que o consumidor seja trouxa).
  • Alfredo  08/08/2018 17:16
    Sim, o consumidor não está nem aí para seus aumentos de custos operacionais. Se ele não estiver disposto a pagar mais caro pelo seu produto você vai à falência.

    Várias empresas brasileiras quebraram nesta recessão por isso: os custos aumentaram (por causa de lambanças do governo), os preços foram repassados, mas aí ninguém consumiu (porque não tinha dinheiro, porque tava endividado, porque tava sem emprego). Custos maiores e receitas menores. Falência.
  • cmr  08/08/2018 17:18
    Isso num país como a Suécia, onde o autor supostamente mora, gostaria que ele desse um parecer sobre os prestadores desse tipo de serviço aqui do Brasil.

    Certamente ele diria que isso aqui é: ou um circo ou um hospício.

    Quem já teve que contratar serviços de: pedreiro, eletricista, mecânico, encanador, serralheiro, marceneiro, etc... aqui no Brasil, sabe muito bem do que eu estou falando...
  • Bernardo  08/08/2018 17:22
    E o curioso é que não muda nada em termos de regulação: todas estas profissões no Brasil exigem certificados, normalmente conseguidos via cursos técnicos fornecidos pelo governo.
  • Ygor  08/08/2018 17:24
    Por isso o que foi relatado vale ainda mais para o Brasil (deve ser por isso que os editores do site escolheram o texto).
  • Tulio  08/08/2018 17:18
    Eis o que faz um genuíno empreendedor:

    g1.globo.com/pa/para/noticia/2014/09/ex-batedor-de-carteiras-que-virou-empresario-conta-historia-em-livro.html

  • Pobre Paulista  08/08/2018 17:26
    Texto Bizarro. Reduzir custos gera valor, por definição, e portanto é uma atividade empreendedora.
  • Rico Goiano  08/08/2018 17:46
    "Reduzir custos gera valor, por definição, e portanto é uma atividade empreendedora."

    Oi?! Se uma empresa aérea reduz custos demitindo mecânicos bons e experientes (e, portanto, caros) e contratando mecânicos novos e inexperientes por um salário mínimo, e como consequência os aviões vão ao chão, tal redução de custo gerou valor?!

    Se uma empresa de ônibus corta custos ao deixar de fazer manutenção, isso gera valor?

    Se um restaurante corta custos porque parou de refrigerar os alimentos, isso gera valor?

    Redução de custo só gera valor quando os custos cortados são redundantes (como, por exemplo, luzes acesas ou fornecedores melhores e mais baratos) e, principalmente, quando esta economia é revertida em novos investimentos e aprimoramentos do processo de produção.

    Igualmente, um aumento de custos não é necessariamente algo rui. O Juventus, ao contratar Cristiano Ronaldo a um preço e a um salário inéditos, aumentou enormemente seus custos. Foi uma medida errada? Segundo sua lógica, sim.


    Texto sobre isso:

    Em economias capitalistas, assalariados são disputados e têm aumentos salariais constantes

    Em todo o caso, o texto nem sequer abordou o fenômeno do "corte de custos" per se (pois se trata de um assunto extremamente complexo e com inúmeras variáveis), mas sim de empreendedores que repassam custos para consumidores - o que também é uma forma (ignara) de "controle de custos".

    No final, seu comentário é que foi bizarro, pois fez uma generalização totalmente incorreta.
  • Pobre Paulista  08/08/2018 18:04
    E desde quando trocar funcionário bom por funcionário ruim é reduzir custos? O que resto do seu texto tem a ver com meu comentário? Vá plantar tomates! Ou melhor, vá mandar seus bóia-frias plantarem ;-)

    Agora vamos a um exemplo prático:

    Antes da imprensa, publicar um livro era uma tarefa manual, árdua, custosa e sujeita a erros. Depois da imprensa, publicar um livro se tornou algo praticamente trivial. Ou seja, Gutenberg reduziu os custos de produção dos livros.

    Vais me dizer que ele não gerou valor para a sociedade?
  • Eduardo  08/08/2018 18:09
    "Antes da imprensa, publicar um livro era uma tarefa manual, árdua, custosa e sujeita a erros. Depois da imprensa, publicar um livro se tornou algo praticamente trivial. Ou seja, Gutenberg reduziu os custos de produção dos livros."

    Meu caro, a criação da impressora foi um investimento! Não foi um corte de custos.

    Substituir pessoas por máquinas é um investimento. Sim, tal investimento obviamente leva a uma redução de custos, mas tal redução de custos só ocorreu em decorrência de ter havido um investimento em um bem de capital.

    Não confunda as coisas.

    P.S.: ademais, ao comprar máquinas, você incorre em um aumento de custos, o qual só irá ser pago no futuro.
  • Empreendedor  08/08/2018 18:16
    E todo investimento, por definição, representa um aumento de custos para a empresa. Se uma empresa decide expandir, ela terá de gastar mais dinheiro do que normalmente gasta. E ela faz isso na esperança de que o investimento irá aumentar as receitas futuras. (Estou vivendo isso neste exato momento. Quero abrir uma filial, mas não estou com caixa para bancar essa operação).

    Se, no futuro, tal investimento permitir uma redução de custo em outras áreas, tanto melhor, mas isso está apenas no âmbito da especulação. O fato concreto é que, no presente, um investimento representa um aumento de custo com a esperança de trazer um aumento ainda maior das receitas futuras.
  • Ulysses  08/08/2018 18:24
    Ao meu ver, a invenção da imprensa foi muito mais uma maneira de aumentar as receitas do que de cortar custos. A imprensa aumentou a produtividade, permitindo a publicação de um volume muito maior de livros/panfletos/manuscritos por mês. Mais livros vendidos, mais receitas.

    A criação da imprensa não foi para cortar custos mas sim para aumentar a produtividade.
  • William  08/08/2018 18:04
    O raciocínio dele (Pobre Paulista) até que foi correto, a generalização é que foi errada. Recorrendo a um clichê, há cortes de custos e cortes de custos. Há os positivos e os negativos.

    A meu ver, o texto fala extensamente (e positivamente) a favor do controle de custos, mas diz que essa seria a função do gerente de uma empresa já estabelecida, não devendo ser o objetivo primordial de um empreendedor autônomo que acabou de entrar no mercado (isso, aliás, é algo óbvio; quando você é um empreendedor autônomo entrando num mercado, seus custos, por definição, só aumentam; ninguém entra em um mercado cortando custos; é natural ter prejuízo nos primeiros meses).

    O texto não se posiciona contra controle de custos e nem poderia, dado que o autor escreveu também este artigo:

    Dica aos empreendedores: o preço já está dado. Agora, escolham seus custos
  • Pobre Paulista  08/08/2018 18:26
    O que eu estou dizendo é que redução de custos de produção gera valor para a sociedade, de um jeito ou de outro. Pode até não gerar um produto novo para a sociedade, mas faz com que produtos já estabelecidos consumam menos matéria prima, aumentando assim a oferta dessas para que outros empreendedores possam criar valor a partir delas.

    O autor deixou a entender que redução de custos não gera valor, mas que apenas a criação de novos produtos ou serviços o fazem.
  • Empreendedor  08/08/2018 18:54
    "O que eu estou dizendo é que redução de custos de produção gera valor para a sociedade, de um jeito ou de outro."

    Não, meu caro, isso não é uma verdade absoluta. Tudo vai depender de qual corte você está fazendo.

    Apagar luzes que ficavam acesas à toa ou mudar seu estabelecimento para um local de aluguel menor de fato são cortes de custos que realmente geram valor para sociedade.

    Já a demitir empregados bons e caros e contratar empregados ruins e baratos (um inegável de corte de custos) não gera. Deixar de fazer manutenção (um inegável corte de custos) não gera. Deixar de repor estoques continuamente (um inegável corte de custos). Nem sequer você desligar a geladeira da sua casa (um inegável corte de custos que estragará mais rapidamente toda a sua comida) gera mais valor.

    Por outro lado, há vários aumentos de custos que são benéficos, como a contratação de mão-de-obra mais cara, porém mais qualificada; investimentos que expandem a produção e trazem um aumento ainda mais nas receitas; pagar um aluguel mais caro, mas que seja em um ambiente que traga maior bem-estar e até mesmo mais clientes.

    Ou seja, a realidade está longe de ser esse preto no branco que você está propagando.

    Aliás, perceba que se "qualquer corte de custos sempre fosse bom, de um jeito ou de outro", então não haveria um único emprego no mundo.
  • Pobre Paulista  08/08/2018 18:40
    No meu exemplo ainda, que diferença faz se Gutenberg fosse funcionário de alguém ou estivesse empreendendo por conta própria? Ele criou algo que reduziu custos de produção de um produto já existente e amplamente conhecido pelo mercado. Nenhum produto novo foi criado. É absolutamente irrelevante se ele era proprietário ou não do maquinário criado, é absolutamente irrelevante se ele assumiu os riscos do investimento ou não, é absolutamente irrelevante se alguém o pagou pelo tempo dele ou se ele trabalhou de graça. O único resultado prático disso tudo foi um só: Livros em abundância e mais baratos. Ele reduziu custos e criou valor para a sociedade.

    Isso aí tem a ver com aquela questão dos triângulos de Hayek. A evolução de um sistema econômico não se dá apenas na criação de novos produtos para os consumidores, mas também se dá no alongamento da cadeia de produção, ou seja, também se dá em se obter novas formas de se produzir algo já consolidado no mercado. E o alongamento da cadeia de produção implica em especialização do trabalho, e portanto em redução de custos.

    O autor do texto olhou só pra metade da história e chegou à uma conclusão errada, só isso.
  • Ulysses  08/08/2018 19:12
    "Ele criou algo que reduziu custos de produção de um produto já existente e amplamente conhecido pelo mercado. Nenhum produto novo foi criado."

    Oi?! O cara simplesmente criou a imprensa e você está dizendo que "nenhum produto novo foi criado"?!

    Outra coisa, para criar a imprensa, Gutenberg inevitavelmente incorreu em um aumento dos seus gastos. Gutenberg não criou a imprensa cortando "custos". (E eu ainda poderia ir adianta dizendo que para comprar a imprensa, as empresas incorreram em um aumento de gastos, mas isso seria redundante).

    "É absolutamente irrelevante se ele era proprietário ou não do maquinário criado, é absolutamente irrelevante se ele assumiu os riscos do investimento ou não, é absolutamente irrelevante se alguém o pagou pelo tempo dele ou se ele trabalhou de graça."

    Nem sei o que isso está fazendo aqui.

    "O único resultado prático disso tudo foi um só: Livros em abundância e mais baratos. Ele reduziu custos e criou valor para a sociedade."

    Inverteu causa e consequência. Guttenberg criou a imprensa para aumentar a oferta de livros, e não para "cortar custos". A redução de custos foi uma consequência bem-vinda (e secundária) da maior produtividade permitida pela imprensa. Mas a criação da imprensa não tinha como objetivo principal o corte de custos, e sim o aumento da oferta.

    Na boa, você cometeu um erro (normal, acontece), mas está tentando buy your way out of it". Isso não só é feio como ainda piora a sua situação, pois pra tentar sair de um erro você acaba falando ainda mais besteira. Tá parecendo o governo querendo corrigir as lambanças causadas por uma intervenção e, com isso, fazendo novas intervenções que causam ainda mais lambanças.
  • Pobre Paulista  08/08/2018 19:18
    Nenhum produto novo foi criado para o consumidor final. Antes da imprensa, existiam livros. Depois da imprensa, livros.

    E esse é exatamente o meu argumento. Alongar a cadeia produtiva é redução de custos, e cria valor para a sociedade. Alguém vai rebater isso?
  • Empreendedor  08/08/2018 19:30
    "Nenhum produto novo foi criado para o consumidor final. Antes da imprensa, existiam livros. Depois da imprensa, livros."

    A imprensa aumentou enormemente a oferta de livros. Antes, havia um livro por ano. Depois, havia 100 livros por mês.

    Tudo isso graças a um investimento, e não a um corte de custos. O que criou esse valor foi um investimento, e não um corte de custos.

    Falar o óbvio às vezes cansa. Além de ser um tanto constrangedor.

    "E esse é exatamente o meu argumento."

    O qual está errado e incoerente, como demonstrado acima.

    "Alongar a cadeia produtiva é redução de custos"

    Não, é investimento, meu caro. Isso é o básico dos triângulos hayekianos, como aliás você próprio mencionou. Os triângulos se alongam em decorrências dos investimentos, inclusive investimentos errôneos. Conhece o termo malinvestments? Pensava que você era mais versado em Economia Austríaca.

    "Alguém vai rebater isso?"

    Rebatido e corrigido. Espero que agora ao menos você tenha se dado conta do seu erro.
  • Pobre Paulista  08/08/2018 20:31
    Na mesma linha, vamos lá:

    Você faz um investimento com o intuito de

    A ( ) Aumentar seus custos produtivos
    B ( ) Reduzir seus custos produtivos
  • Empreendedor  08/08/2018 21:26
    C (X) Aumentar minha produtividade (produzir mais com o mesmo input), o que me permitirá ter maiores receitas e, consequentemente, maiores lucros.

    Essa é a resposta do mundo real. Você por acaso conhece alguém que diz "Ah, vou expandir minha fábrica e abrir uma filial para cortar custos!". Isso não faz sentido, meu caro. Atenta contra a contabilidade.

    Não faz sentido o cara investir (ou seja, gastar mais dinheiro) e dizer que está "cortando custos" investindo.

    Aliás, carai, isso é tão básico que até mesmo quem investe no mercado financeiro também pensa assim. O cara não aplica dinheiro pra "reduzir custos", mas sim para ter uma receita futura (ou um fluxo de receita futura.)

    (Adicionalmente, no mundo real, é muito difícil haver um genuíno corte de custos por causa da inflação monetária. No máximo, você pode aspirar a congelar seus custos. Mas não conheço ninguém que investe com o intuito de "congelar custos". Todos investem com o intuito de aumentar as receitas futuras.)
  • Empresário  08/08/2018 23:57
    Esse texto, já no título, confirma o que o Pobre Paulista falou:

    Dica aos empreendedores: o preço já está dado. Agora, escolham seus custos
  • Observador  08/08/2018 19:23
    No artigo (grifos meus):

    "Assim, a função de um empregado desta empresa é contribuir para o processo de produção desempenhando as tarefas que lhe foram assinaladas, e fazê-las da maneira mais barata e eficaz possível. Sua função, e a função da gerência também, é cortar custos ou mantê-los sob controle.

    Percebeu a diferença? Ao passo que a função do empregado (ou do gerente) é manter os custos sob controle para que a empresa possa continuar a vender bens e serviços tendo lucro (aos preços de mercado vigentes), a função do empreendedor é descobrir como gerar valor para os consumidores e o quanto eles estão dispostos a pagar por isso. (Veja mais detalhes deste processo aqui).

    Um empreendedor que se concentra apenas nos custos está, na prática, atuando como um gerente e não como um verdadeiro empreendedor de seu negócio. Concentrar nos custos é algo que funciona apenas se já houver um processo de produção estabelecido, com início e fim, e com os preços já estabelecidos pelo mercado. Por outro lado, se você é um "empregado por conta própria", você não pode se dar ao luxo de se concentrar em cortar custos (ou mantê-los sob controle) em detrimento da criação de valor."


    De onde o Pobre Paulista tirou que o autor é contra corte de custos por empresas é um mistério. O autor fala exatamente o contrário o tempo todo.
  • Julio C  08/08/2018 17:32
    Em resumo, a equação mudou. Antes era Preço = Custo + Lucro. Agora é Lucro = Preço - Custo.
  • Leonardo Cambraia  08/08/2018 17:49
    Essa equação nunca foi certa. Ela só existe nos livrinhos de economia.

    Eis duas perguntas que você tem de se fazer como empreendedor:

    — Quanto você acha que as pessoas estarão dispostas a pagar pelo seu serviço?

    Em seguida:

    — O que você consegue fornecer a este preço?

    A partir daí você se ajusta.

    Custo é o valor em que você incorre para fazer um produto. Preço é o valor que as pessoas aceitam pagar por esse produto. A diferença irá sinaliza se tal empreendimento deve continuar.
  • Empreendedor  08/08/2018 17:50
    Sempre lembrando que, em um mercado concorrencial, não é o empreendedor quem determina os preços dos bens e serviços, mas sim o consumidor. O consumidor estipula o quanto ele está disposto a pagar por um bem ou serviço, cabendo ao empreendedor se virar para tentar fornecer este bem ou serviço a um custo operacional que viabilize sua operação.

    Consequentemente, o empreendedor bem-sucedido será aquele que, de um lado, consiga vender aquilo que seu público consumidor está disposto a comprar e, de outro, faça isso a um custo operacional que viabilize lucros.
  • Empreendedor  08/08/2018 17:52
    Mais: os preços finais dos bens e serviços, e os custos operacionais incorridos em sua produção, nem sequer são determinados pelos mesmos agentes econômicos. Os preços são determinados pelos consumidores; os custos, escolhidos pelos produtores.

    Portanto, a crucial escolha sobre ofertar ou não um bem ou serviço segue duas etapas: primeiro, o empreendedor tem de antecipar corretamente qual preço poderá ser cobrado pelo produto final (o preço determinado pelo consumidor); segundo, o empreendedor tem de ver se será capaz de produzir este bem a um custo suficientemente baixo, de modo a tornar o empreendimento viável (sua escolha de custo).
  • Silvio  08/08/2018 18:16
    Hayek sempre dizia isto numa frase bem simples: não são os custos que determinam os preços, mas ao contrário são os preços que determinam os custos. Ou seja devemos fazer uma pesquisa de preços no mercado para os nossos produtos a serem fabricados ou revendidos e estimar os custos desse produto. A diferença entre o preço de mercado e o preço de custo irá determinar a viabilidade do produto.
  • Samuel  08/08/2018 19:13
    Sobre preços e custos, sempre tive essa dúvida. Imagine essa situação.

    O custo para a produção de um produto subiu recentemente de 90 para 100.

    O consumidor estava inicialmente disposto a pagar 95, que era o preço de mercado quando seu custo de produção era menor. E os produtores estavam dispostos a continuar produzindo o item, mas como não existiam outros métodos para produção, eles aumentaram o preço para 105 para continuar a oferecer o produto.

    E suponha que os consumidores aceitaram.

    Eu entendo que na verdade foi descoberto que os consumidores estavam dispostos a pagar mais do que estavam pagando, porém o que provocou essa mudança nos preços foi o custo de produção.

    Eu gostaria de entender melhor o que realmente acontece nesses casos. Seria correto dizer que um aumento no custo de produção determinou o preço final?
  • Marcelo  08/08/2018 19:17
    Não existe isso de preços subirem e a demanda continuar inalterada - a menos, é claro, que a renda da população também tenha aumentado neste período em igual quantidade.

    Seu cenário, como você próprio deixou claro, é totalmente fictício, mas ainda assim permite um bom exercício mental.

    Eis as hipóteses:

    1) Há ocasiões (raras) em que o empreendedor errou o cálculo (ele é humano), estipulou um preço menor e, por causa de um fator externo, ele elevou o preço e o deixou mais de acordo com a realidade. É um tanto raro, mas acontece.

    2) Se um produto que custava 95 passou a custar 105 e a maior parte dos consumidores aceitou pagar o novo preço, isso não quer dizer que a demanda se manteve inalterada. Uma parte das pessoas certamente parou de consumir. No entanto, em função de outros fatores (até aleatórios), é possível que a redução da demanda não possa ser medida, embora em termos teóricos ela exista.

    3) Os consumidores não pensam de forma uniforme. Quanto menor o preço, mais pessoas estarão dispostas a pagar, e vice -versa. Fato. Mas também é improvável que muitos consumidores tenham um limite fixo e imutável, algo como "pago 95, mas jamais pagarei 105". Para conseguirem arcar com esse preço mais alto, eles podem ter cortado o consumo de outros itens que consideravam menos essenciais.
  • Pobre Paulista  08/08/2018 19:28
    Caramba, que dificuldade para entender uma simples frase básica. A Universidade facebook está me decepcionando.

    O autor do texto disse: Cortar custos não gera valor para a sociedade. Dedicou oito parágrafos para isso.

    Eu mostrei um - UM - único caso onde cortou-se custos e gerou-se valor para a sociedade.

    Eu não disse que "Todo e qualquer corte de custo gera valor para a sociedade". Se isso fosse verdade não existiria trabalho nenhuma ser feito. O que eu disse foi: Cortar custos é uma das muitas maneiras de se criar valor para a sociedade . E dei um mísero exemplo disso.

    Existem milhares de maneiras de se criar valor para a sociedade. Criar novos produtos para os consumidores é uma delas. Aumentar a produtividade das linhas de produção já existentes é outra. Cortar custos de produção também. E assim por diante.
  • Empreendedor  08/08/2018 21:16
    "Eu mostrei um - UM - único caso onde cortou-se custos e gerou-se valor para a sociedade."

    O da imprensa? A imprensa não foi inventada para cortar custos. Ela foi criada para aumentar a produção. A impressora não surgiu de um corte de custos. Ela surgiu de um investimento -- o qual, por definição, gerou aumento dos custos para o investidor.

    Dizer que a impressora surgiu de um corte de custos e que foi inventada apenas para cortar custos (e não para aumentar a oferta de livros) é algo que não só vai contra a economia, como também vai contra a história.

    Se você não consegue aceitar isso (ou não quer apenas de birra), nada posso fazer.

    "O autor do texto disse: Cortar custos não gera valor para a sociedade. Dedicou oito parágrafos para isso."

    O autor do texto dedicou vários parágrafos para dizer que corte (ou controle) de custos é função de gerentes de empresas que já estão estabelecidas (se ele fosse contra o corte de custos, por que então enfatizaria isso várias vezes?). Já um empreendedor autônomo que está adentrando no mercado não tem por que ter o "corte de custos" como o objetivo principal -- até porque nem sentido faria; questão de lógica básica.

    Sua insistência em tergiversar -- pior, acusar alguém de algo nada a ver -- lhe deixa a descoberto.
  • Pobre Paulista  08/08/2018 22:23
    Quem está tergiversando é você.

    "[i]produzir mais com o mesmo input[i]"

    Produzir mas com o mesmo "input" corresponde a:

    A ( ) Um aumento no meu custo por unidade produzida
    B ( ) Uma redução no meu custo por unidade produzida

  • Alberto Carlos Fonseca de Moraes  09/08/2018 12:58
    Produzir mais com o mesmo input é sinônimo de aumento de produtividade. Ponto. Isso é a única coisa que se pode afirmar ao certo. É perfeitamente possível que os custos tenham aumentado (como, por exemplo, o salário deste trabalhador que agora produz mais, ou o aluguel de uma nova localidade ser mais caro), mas se as receitas tiveram aumentado ainda mais é essa diferença o que interessa.

    De novo: aumentar a produtividade não é necessariamente sinônimo de corte de custos. Input é número de mão de obra, número de insumos e número de bens de capital. Você mantém esses constantes e produz mais. Porém, pode estar gastando mais com o salário do trabalhador. Ou pode ter trocado um bem de capital barato e desgastado por outro mais caro. Ou pode estar agora produzindo em uma localidade cujo aluguel é mais. Ou então teve de gastar muito dinheiro para expandir sua fábrica até chegar a este arranjo.

    Nada disso configura, per se, um corte de gastos.

    Corte de gastos é uma coisa; aumento de produtividade é outra bastante distinto. Normalmente chega-se a um aumento de produtividade tendo gastos totais maiores, os quais são compensados por um aumento nas receitas ainda mais intenso que o aumento dos gastos.

    Isso, de novo, não é corte de gastos.

    Em todo caso, esse exemplo é irrelevante para o tema do artigo, porque esse exemplo lida com uma prática feita por empresas já estabelecidas. E para empresas já estabelecidas, como o autor bem ressaltou, a prática do corte de custos sempre é necessária por uma questão de sobrevivência financeira. Como os preços no mercado já estão dados e a empresa já conseguiu seu nicho, ela terá de recorrer ao controle de custos para conseguir se manter (agora, se tal corte necessariamente gera valor, aí é outra discussão).

    Mas para um empreendedor autônomo que está entrando agora no mercado e está tentando se estabelecer com uma clientela, realmente será difícil ir longe se o cara estiver mais preocupado em gastar pouco (investir pouco) do que em criar valor para seus potenciais clientes.
  • Libertariozinho  09/08/2018 17:57
    A confusão está no seguinte: o objetivo era cortar custos?
    Não, não era.
    Era fazer livros mais rapidamente, logo aumentar a produtividade.
    Se isso resultou em corte de custos, foi uma mera consequência, e não a causa da geração de valor.
    Primeiro o valor foi gerado, e depois os custos reduzidos, e não o contrário.
  • Fabrício  08/08/2018 19:50
    As pessoas, quando deixadas por conta própria, sem privilégios, protecionismos e subsídios, acabam sempre se especializando naquilo que realmente sabem fazer de melhor. O real valor de um arranjo de livre mercado e guiado por empreendedores é a capacidade das pessoas de aprender com os erros passados em conjunto com os incentivos para fazer esse aprendizado.

    A esmagadora maioria dos empreendedores de sucesso hoje já erraram, já perderam e certamente já foram considerados um fracasso em outras áreas. Ao serem punidos pelo mercado (ou seja, pelos consumidores), eles se ajustaram, se aprumaram, aprenderam e souberam reconhecer que o que interessa é gerar valor.

    São muito poucas as pessoas que começam a empreender pela primeira vez realmente sabendo disso.
  • Humberto  08/08/2018 21:42
    Sim, a maioria dos pequenos empreendedores são um tanto ruins. E é exatamente por isso que eles permanecem pequenos. Kiyosaki falou isso em Pai Rico, Pai Pobre. Se fosse fácil, todos fariam. É por isso que os realmente bons ficam ricos rapidinho.
  • Vladimir  08/08/2018 21:48
    O problema é que muitos são levados por modismos e acabam se arriscando em uma área que nada sabem. O risco é sempre um componente do empreendedorismo mas não é sensato se arriscar em um mercado que você não domina.

    Mas não podemos também descartar a questão do intervencionismo estatal e de como ele distorce as coisas. Se a entrada em um mercado fosse livre, sem barreiras criadas pelo governo, tanto os riscos quanto o conhecimento sobre esse mercado seriam bem diferentes (os riscos seriam menores e o conhecimento maior), e o empreendedorismo como um todo seria maior.
  • Cristiane de Lira Silva  08/08/2018 21:16
    Esse negócio dos preços é um pouco complicado. Quando se cobra barato por um serviço/produto as pessoas julgam que o serviço/produto é ruim.
  • Cristiane de Lira Silva  08/08/2018 21:18
    Per Bylund! Mais um PhD. Quando eu falo... E ele admitiu ter prazer com ensino e pesquisa.
  • Tulio  08/08/2018 21:36
    Não entendi. Um Ph.D. não pode ter prazer com ensino e pesquisa? Por que não?
  • Diego  08/08/2018 21:37
    De certa forma, todos nós temos de ser empreendedores. Sem nenhuma habilidade para o empreendimento, não chegamos a lugar nenhum. Até mesmo para procurar emprego em uma determinada área você tem de ser um empreendedor.
  • Edson  08/08/2018 21:37
    Um empreendimento realmente exitoso é muito difícil. No máximo, o cara aspira a ter uma clientela cativa ou então um número constante de clientes (o número de clientes que o abandona é igual ao número de clientes que o descobrem).
  • Lauro Carvalho  08/08/2018 21:41
    Muito interessante o artigo. Obrigado!
  • Luciano viana  08/08/2018 23:17
    Na pratica seria aumentar a qualidade do servico, e descobrir como fazer isso custando menos ou a mesma coisa. O valor é a qualidade e algo que resolva a necessidade do consumidor cliente. No futuro as necessidades serao outras. Vão descobrir um produto serviço que atenda a mesma necessidade e outras ao mesmo tempo e seu custo e preco será menor, a nao ser que todos os produtores combinem preços pra tentar valorizar seu trabalho e nao a necessidade do consumidor.
    So que quando um produto evolui, da ao seu inventor a capacidade de lucrar mais cobrando menos, destroçando a concorrencia e nao adiantaria combinar precos. O que tem vantagem toma todo mercado pra si cobrando menos e lucrando em escala.
    O valor pode ser criado por um sistema que atenda o maior numero de consumidores e wue tenha os custos diluído. Isso seria investimento, pois mesmo que vc gaste muito no curto prazo, é um custo que duminui oscustis futuros e os de fabrucacso di produto, isto é, cada unidade ao cobsumidir final custaria menos e ele teria mais qualidade.
  • anônimo  08/08/2018 23:19
    Não reparem nas besteiras que o Pobre Paulista solta de vez em quando.

    Ele frequentou em demasia um blog chamado Bolha Brasil e isso causou sérios danos cognitivos.
  • Libertariozinho  09/08/2018 18:01
    Claro que temos que ligar. Todos cometem erros aqui e é importante o debate pra saber de fato quem está errado.
    O cara colocou um ponto interessantíssimo e você vem com AD hominem? Nos poupe cara!
  • Primo  09/08/2018 09:53
    O autor não foi feliz nesse texto. Fica claro que o autor Per Bylund errou na conta supervalorizando seu tempo e subvalorizando o tempo do encanador, se frustou com a realidade. Tipico de pessoas arrogantes, como a classe dos professores, acostumados a ditar o que é certo e o que é errado. Faltou a ele experiencia para pedir um orçamento claro, recomendaria a ele contratar um consultor para escolha de encanador.
  • Empreendedor frustrado  09/08/2018 11:27
    Empreender no Brasil nunca mais! É uma loucura!
    Não basta ter que carregar o estado nas costas, ainda tem que aguenta essa mão de obra horrorosa, todo dia eu tinha vontade de matar um empregado, tudo eu tenho que falar, tem que fica em cima, nego não fazia nada sozinho. Eu cortei o numero de empregados até 0, só ai eu tive paz.
    Parecem mulas, extremamente limitados, é um stress todo dia.

    Alguém aqui tem uma formula de lidar com isso?
  • Guilherme  09/08/2018 13:47
    Que tipo de negócio toca no Brasil?
  • Empreendedor frustrado  09/08/2018 15:11
    Tive uma Padaria e Vidraçaria. Agora virei delegado, unico funça que produz algo, acabar com organizações criminosas e criminosos que ferem liberdade, propriedade e vida.
  • Lucas  09/08/2018 14:48
    Falando em empreendedorismo,as universidades públicas brasileiras não são nada empreendedoras,e praticamente são contra qualquer tentativa.

    Sendo assim,gostaria de saber se existe algum artigo por aqui sobre pesquisa científica e financiamento estatal sobre ela.Caso não tenha,alguém que entenda do assunto poderia escrever.
  • Curioso  09/08/2018 17:29
    Experiência própria no meio: 99% das pesquisas das universidades públicas brasileiras são INÚTEIS.

    E não sou apenas eu que tenho essa "opinião", na realidade eu apenas estou dizendo isso porque alguns colegas professores já "desabafaram" isso pra mim. E inclusive um deles quer iniciar uma revolução no sistema de pesquisas brasileiras, já ciente que não terá nenhum apoio da instituição que ele trabalha.

    E sabe por quê? Pelo motivo que você citou: acham que o capitalismo é maléfico e suas pesquisas não devem atender ao mercado. Só que no caso deles continuam recebendo dinheiro público para fazer pesquisar que não atenderá os brasileiros.
  • Lucas  09/08/2018 19:14
    Concordo com o que você falou.

    A questão apresentada por mim acima,é porque as pessoas pelo Brasil inteiro adoram repetir que "outros" países também possuem pesquisas financiadas pelo Estado.

    Não acredito que isso seja verdade,até porque,quais são estes países ?
  • Leigo  09/08/2018 15:14
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=603
  • 5 minutos de ira!!!  09/08/2018 16:33
    Se você souber repassar um custo ao cliente, pode não ser tão ruim assim. Obviamente você precisa saber os limites aceitáveis de quanto o consumidor pagaria pelo produto/serviço...

    Explico:

    Um fotógrafo de casamentos (exemplo) chama o casal para um cafezinho para fechar negócio e, no fim, diz:

    - Eu pago, faz parte do pacote...

    Obviamente, o custo do cafezinho foi estrategicamente repassado.
    Era um custo irrisório perante o custo do produto.
    Gerou valor, obviamente, mas não deixou de ser um repasse de custo, uma manha...

    Outra forma é passar a responsabilidade pelo custo extra para o cliente, mas não sei se funciona tão bem:

    No mesmo exemplo, o fotógrafo combina de fazer um ensaio num quarto de hotel, mas deixa o custo da locação a cargo do casal... foi um corte de gasto que pode ou não ser bem aceito pelo consumidor, vai da habilidade de venda do profissional. Talvez fosse melhor incluir no preço.

    A criatividade do empreendedor possibilita o uso de um corte de custo, mas tem que haver estratégia e conhecimento de vendas.

    O tal encanador, realmente, abusou da boa vontade do cliente, ai não pode, ai não dá...


    ;D
  • thiago  09/08/2018 16:39
    É uma questão de perfil; empreender é para poucos; não haveria mundo se só houvessem empreendedores; e os empreendedores precisam da ajuda de outros, para trabalhar para eles, por exemplo. Acho que pode haver mais respeito.
  • Libertariozinho  09/08/2018 18:03
    Se houvessem APENAS empreendedores, a mão de obra seria MUITO, MAS MUITO demandada, o que aumentaria em muito seu salário devido a oferta baixíssima e seria atrativo para muitos.
    A própria oferta e demanda regula bem isso!
  • Pobre Paulista  09/08/2018 19:31
    Às vezes eu não sei se nego aqui é só chato ou se é burrice mesmo. Vou reformular a pergunta da maneira mais clara e objetiva possível.

    Essa pergunta tem duas opções MUTUAMENTE EXCLUSIVAS (Lei do terceiro excluído), e portanto uma e apenas uma das duas sentenças é verdadeira.

    "Produzir mas com o mesmo input" é equivalente a:

    A ( ) Um aumento ou manutenção no custo por unidade produzida;
    B ( ) Uma redução no custo por unidade produzida.

    Vamos lá. A resposta é fácil e resume o argumento. Responda com calma, racionalmente, pensando e respirando fundo, pois isso aqui não é Facebook (ainda...)

  • Alberto Carlos Fonseca de Moraes  09/08/2018 20:24
    Sorry, Pobre Paulista, mas agora você mudou (de novo!) completamente o foco.

    Antes, você claramente estava falando de redução absoluta de custos. Agora, do nada, passou a falar de redução relativa de custos!

    Ora, é perfeitamente possível haver redução no custo por unidade produzida ao mesmo tempo em que está havendo aumento total nos custos operacionais.

    Decida-se, homem. Qual dos dois você prioriza? Custos absolutos ou apenas relativos?

    Vou repetir, mas agora acrescentando coisas (pois claramente a resposta anterior ainda não foi suficiente):

    1) Input é número de mão de obra, número de insumos e número de bens de capital. Para aumentar a produtividade, você mantém essas variáveis constantes e produz mais. Ponto.

    2) Porém, você pode estar gastando mais com o salário do trabalhador (input se mantém). Ou pode ter trocado um bem de capital barato e desgastado por outro melhor mais caro (input se mantém). Ou pode estar agora produzindo em uma localidade cujo aluguel é mais caro (input se mantém). Ou então teve de gastar muito dinheiro para expandir sua fábrica até chegar a este arranjo (input se mantém).


    3) Nada disso configura, per se, um corte absoluto de gastos. No entanto, dado que as receitas aumentaram mais que o aumento dos custos, então você pode falar que houve redução relativa de custos. Mais especificamente, os gastos aumentaram, mas aumentaram menos que as receitas. Isso não é corte de gastos.

    4) Corte de gastos é uma coisa; aumento de produtividade é outra bastante distinto. Normalmente chega-se a um aumento de produtividade tendo gastos totais maiores, os quais são compensados por um aumento nas receitas ainda mais intenso que esse aumento dos gastos. Creio que aí está a sua confusão. Os custos subiram, mas as receitas subiram ainda mais. Dizer que isso é corte de custos não procede. O nome correto é 'maior eficiência'.

    5) Em todo caso, essa discussão é irrelevante para o tema do artigo, pelos motivos que já escrevi acima e não creio ser necessário repetir (não é possível).


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