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Você trabalha porque quer adquirir bens e aumentar seu padrão de vida. O protecionismo impede isso
Tarifas de importação nada mais são do que impostos sobre a população

O país mais aberto à fartura produzida pelo resto do mundo é o país cujos habitantes são os mais privilegiados e favorecidos.

E é fácil entender isso quando você analisa por que as pessoas acordam cedo e vão trabalhar todos os dias: elas fazem isso para auferir uma renda, a qual utilizarão para obter bens e serviços. Ou seja, elas trabalham e produzem para poder obter coisas em retorno.

O objetivo final do trabalho e da produção é o consumo. E quanto mais desobstruído for esse consumo, maior será a capacidade dessa população de trocar os frutos do seu trabalho por bens e serviços. Logo, maior será o padrão de vida dessas pessoas.

Nada pode ser mais direto.

Nosso trabalho e nossa produção são a expressão de um desejo de "importar" bens e serviços, seja do vizinho ao lado ou de algum produtor a milhares de quilômetros de distância.

Trabalhar e produzir — ou seja, criar oferta — significa demandar coisas. E isso é verdade mesmo que este trabalhador poupe 100% de sua renda: ao poupar, ele está meramente transferindo demanda para terceiros, sejam eles tomadores de empréstimos, empresas nas quais ele investe, instituições de caridade para quem ele doa ou mesmo repasses para seus filhos e netos.

O ponto principal é que a produção, sempre e em todo lugar, é a expressão de uma demanda.

Por isso, quando o governo impõe tarifas de importação ou desvaloriza a moeda, ele está simplesmente elevando os custos de se trabalhar e produzir, afetando o padrão de vida da população. O objetivo de tais medidas é proteger alguns empregos em setores privilegiados, os quais ficam blindados da concorrência estrangeira e agora podem produzir bens de menor qualidade e a preços mais altos. A consequência inevitável é que uma minoria é protegida e uma esmagadora maioria é prejudicada, pois seu poder de compra foi atacado e, consequentemente, seu padrão de vida foi restringido.

É tautologicamente impossível tarifas de importações e desvalorizações da moeda aumentarem o padrão de vida de uma economia, pois, por definição, obrigar a população a utilizar uma moeda com menor poder de compra e a pagar mais caro por bens de pior qualidade não são medidas que possam elevar a qualidade de vida de uma população. Questão de lógica básica.

Pior: por reduzirem a renda disponível da população — que agora tem de pagar mais caro pelos produtos nacionais —, tarifas e desvalorizações comprovadamente reduzem investimentos e, consequentemente, a geração de empregos. Não há mágica.

Mas tudo piora.

A importância da divisão do trabalho

Quem defende o protecionismo como forma de "gerar empregos", além de incorrer em contradição (a perda de empregos ao redor de toda a economia sempre é maior que a eventual criação nos setores agora protegidos), parece ignorar uma verdade simples: a divisão do trabalho em escala mundial — que é, possivelmente, o mais poderoso conceito econômico do mundo — não apenas não gera desemprego, como ainda nos permite especializarmos naqueles trabalhos que mais estão de acordo com nossos talentos.

Imagine uma ilha quase deserta: se apenas duas pessoas estiverem ali trabalhando e produzindo, a chegada de mais oito pessoas não irá fazer com que estes dois habitantes originais fiquem desempregados e sem nenhuma atividade para desempenhar. Isso atentaria contra a lógica, pois significaria que a chegada de oito pessoas aboliu a escassez e criou a mais completa abundância para todos, de modo que não há mais trabalho e produção a serem feitos, pois todos já vivem na fartura.

Obviamente, tal raciocínio é completamente desprovido de sentido.

A realidade, como bem sabe qualquer indivíduo dotado de razão, é oposta: a chegada destes oito significa que agora dez pessoas irão produzir exponencialmente mais do que apenas duas, e será assim simplesmente porque o acréscimo de oito pessoas fisicamente capacitadas para produzir irá permitir que dez possam se especializar ainda mais naquilo que cada um sabe fazer melhor.

E aquilo que já funciona bem para dez pessoas em uma ilha quase deserta irá funcionar ainda melhor para os habitantes de todo o mundo.

Os nova-iorquinos não estão mais pobres por poderem "importar" comida que foi cultivada ao redor do mundo. Muito pelo contrário: sua capacidade de importar comida (bem como todos os tipos de bens e servidos produzidos em outros lugares) significa que, por causa da divisão mundial do trabalho, cada nova-iorquino pôde se especializar naquele tipo de trabalho que mais amplifica suas habilidades e inteligências.

Consequentemente, sua capacidade de importar bens e serviços se tornou exponencialmente maior.

Quanto mais livre o comércio, maior a probabilidade de que cada indivíduo se especialize na produção daqueles bens e serviços que ele é capaz de produzir com mais eficiência, e em seguida utilize sua renda (alta, por causa da sua especialização) para importar aqueles bens e serviços que são produzidos de maneira mais eficiente por outros indivíduos em outras localidades. Um indivíduo está em melhor situação econômica quando pode se especializar naquilo que faz melhor e, em decorrência disso, pode importar, ao menor preço possível, os bens de que necessita.

Quando os cidadãos podem terceirizar a manufatura de vários bens para outros indivíduos de outros países, eles podem se especializar em uma miríade de opções de trabalho: podem ser médicos altamente especializados, financistas, instrutores de ioga, artistas, cineastas, chefs, contadores e empreendedores do ramo de tecnologia. Tão rica e com tamanha liberdade de comércio é a economia, que todos têm opções.

Mais: se as fronteiras de um país são abertas para os bens e serviços produzidos em todos os pontos do globo, então, por definição, o poder de compra dos salários desses indivíduos alcança sua máxima capacidade. Os habitantes deste país estão na privilegiada situação de ter os indivíduos mais talentosos do mundo trabalhando e produzindo para atender às suas demandas. Esses indivíduos talentosos estão concorrendo acirradamente entre eles para fornecer a você as melhores ofertas.

Veja, por exemplo, a pujança da Suíça, dos EUA, da Alemanha e dos países asiáticos que se abriram ao comércio (como Hong Kong, Cingapura, Taiwan etc.): a população desses países usufrui o privilégio de ter as pessoas mais talentosas ao redor do mundo concorrendo entre si para produzir e ofertar a ela produtos a preços baixos. Países que são abertos ao comércio internacional têm todos os produtores mundiais ávidos para lhes fornecer bens e serviços de qualidade e a preços baixos. 

Qual a melhor maneira de se aumentar o padrão de vida senão por meio de uma divisão internacional do trabalho, a qual gera oferta abundante de bens e serviços a preços baixos?

Em países de economia aberta, em suma, as pessoas, exatamente por poderem adquirir bens e serviços fornecidos por estrangeiros que são melhores no suprimento destes, podem se concentrar naquilo em que realmente são boas. E a especialização comprovadamente gera aumento da renda individual.

Protecionismo = pobreza

Por tudo isso, dizer que um país que pratica livre comércio com outro país irá vivenciar um aumento na fila do desemprego é algo que tem a mesma lógica que dizer que o acréscimo de milhões de pessoas na mão-de-obra irá reduzir a oferta de bens e serviços.

Este ponto é crucial e merece ser enfatizado: a força ideológica mais poderosa na defesa do protecionismo é o temor de que, com o livre comércio — isto é, com as pessoas podendo comprar coisas baratas do exterior —, haverá poucos empregos para os trabalhadores na economia doméstica.

Repare: o que seria esse temor senão o medo de que o livre comércio irá gerar uma abundância tão plena, que ninguém mais terá de trabalhar para produzir? O que seria esse temor senão a noção de que, com o livre comércio, todos os desejos da humanidade seriam tão completamente satisfeitos, que chegaremos ao ponto em que não mais seremos úteis em fornecer bens e serviços uns aos outros?

O temor das pessoas em relação ao livre comércio se baseia em um entendimento completamente equivocado em relação à realidade do mundo. É um temor de que os humanos de um determinado país já estão no limiar de abolir a escassez e, consequentemente, de transformar este país em um ambiente de superabundância.

Algo completamente irracional.

E tudo piora: nas economias que restringem o livre comércio, os habitantes, ao não poderem utilizar os frutos do seu trabalho para adquirir aqueles bens e serviços que são mais bem produzidos por estrangeiros, acabam sendo obrigadas a desempenhar várias atividades nas quais não têm nenhuma habilidade. Isolados da divisão mundial do trabalho, eles trabalham apenas para sobreviver, e não para desenvolver seus talentos. Eles não podem trabalhar naquilo em que realmente são bons, pois a restrição ao livre comércio obriga os cidadãos a fazerem de tudo, inclusive aquilo de que não entendem. Uma pessoa boa em informática, por exemplo, acaba tendo de trabalhar como operário em uma siderurgia, pois seu governo restringe a importação de aço, que poderia ser adquirido mais barato de estrangeiros. Engenheiros acabam virando operários de fábricas.

Se as fronteiras de um país são fechadas, seus habitantes vivem em um estado de autarquia, podendo consumir apenas aquilo que produzem. As opções são drasticamente reduzidas. Os preços são maiores, pois o poder de compra da moeda é menor. A indústria é ineficiente, pois não precisa se preocupar com a concorrência de estrangeiros. A população nacional se torna refém do baronato industrial nacional, que tem seus lucros garantidos sem a contrapartida de uma prestação decente de serviços. Por isso o padrão de vida em países de economia fechada é tão baixo.

E, como se ainda fosse necessário utilizar este argumento, o desemprego é menor naqueles países que praticam o livre comércio.

Não há pontos negativos

Importações, por definição, sempre melhoram o padrão de vida dos habitantes de uma economia. Sempre. E é assim porque, de um lado, elas aumentam a recompensa pelo trabalho, e, de outro, permitem uma maior especialização da mão-de-obra. Acima de tudo: o livre comércio é tautologicamente benéfico, pois, se não fosse, os indivíduos simplesmente não o efetuariam.

Adicionalmente, mesmo em um comércio entre habitantes de países pobres e habitantes de países ricos, ambos os lados se beneficiam, pois voluntariamente pagam menos por produtos, bens de capital (maquinários, computadores etc.) e mão-de-obra altamente especializada.

Não há pontos negativos neste arranjo.

E, para quem quer um argumento puramente utilitarista, embora seja verdade que possam ocorrer demissões quando a concorrência de importados aumenta, é importante levar em conta também os aumentos nas exportações gerados pelo livre comércio. Uma fabricante de automóveis pode não gostar da concorrência trazida pelos importados, mas dado que agora os outros países do mundo irão também comprar mais de seus carros (desde que eles sejam bons, é claro), é manifestamente mais lucrativo optar pelo livre comércio.

Conclusão

No final, o protecionismo é algo puramente ideológico, pois se baseia em crenças sentimentais e, acima de tudo, nacionalistas. Se excluirmos o nacionalismo do arranjo, seria muito difícil argumentar que o comércio internacional é prejudicial e desvantajoso ao mesmo tempo em que o comércio doméstico (por exemplo, entre estados e até mesmo entre cidades) é benéfico e vantajoso.

Com o protecionismo, o que nunca é visto são os indivíduos que jamais puderam se especializar, a renda disponível que poderia ser mais alta, os investimentos que nunca ocorreram, as empresas que não puderam surgir, e, acima de tudo, as criações que "mudam vidas" que jamais puderam ser inventadas. Você vê apenas a tributação do trabalho e da capacidade de especialização. E tudo supostamente para o nosso bem.

A lógica é inatacável: uma economia é simplesmente uma coleção de indivíduos, e cada indivíduo está em melhor situação econômica quando pode se especializar naquilo que faz melhor e, em decorrência disso, pode importar, ao menor preço possível, os bens de que necessita.

Por isso, a melhor política sempre será a eliminação de todas as barreiras à importação. Mesmo que unilateralmente. E por dois motivos simples e racionais: a abundância sempre deve ser preferida à escassez; e a especialização sempre deve ser preferida à baixa qualificação.

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Leia também:

Exportar muito e importar pouco não gera crescimento e é o caminho para a pobreza

Como a Nova Zelândia e o Chile transformam vacas, ovelhas, uvas e cobre em automóveis de qualidade

O livre comércio, mesmo quando adotado unilateralmente, só traz ganhos


31 votos


  • Alexandre  25/06/2018 16:01
    Quem teme o livre comércio?
    Os ineficientes
    Os que se beneficiam de monopólios
    Os que usam o estado para manter "mercados cativos"
    Os que querem trabalhar com margens altíssimas por não ter concorrência
    Os corruptos
    Os que não investem em tecnologia e gestão
    Os que não sabem se posicionar no mercado
    Os políticos.
  • Jairdeladomelhorqptras  25/06/2018 23:41
    Caro Alexandre,
    Apoiado!
    O problema é: somando todos os citados, chegamos a quantos?
    80%, 90 % dos habitantes da Banânia. Sei lá. Mas é gente pacas...
  • Ricardo Ribeiro  26/06/2018 08:19
    Faltou falar dos invejosos rsrs
  • Frustrado  25/06/2018 16:07
    Fico assustado com os preços das coisas no Brasil. Estava procurando uma certa câmera reflex na internet, e deu assim:

    Ebay: U$ 300,00.
    BR: R$ 5.500

    Também já pensei em abrir um negócio focado na fabricação de clones de Arduino e shields em geral, alguns que eu projetei e não existem, embora haja uma demanda enorme, mas graças ao nosso glorioso, mais que soviético e draconiano imposto de importação de 60%+ICMS local, o capital inicial requerido para o meu negócio seria altíssimo, e olha que nem considerei as etapas burocráticas e registros que não tenho a mínima ideia do que precisaria ser feito para a coisa ser "legal".

    Como o negócio estaria iniciando, eu venderia os produtos com preços bem menores. De fato, se fosse possível importar tudo de Shenzhen sem impostos, mesmo com o câmbio no patamar atual, o custo individual seria irrisório, mas enfim.

    Sem essas amarras, eu poderia complementar a minha renda trabalhando para mim mesmo. O governo se intrometeu e quer ser o meu sócio de qualquer maneira.

    E cobra caro, muito caro por isso.

    Estatistas não fabricam, e se forem importar, pagam as taxas de boa fé "em nome da proteção da indústria nacional", e da destruição da iniciativa de quem queria começar a fazer dinheiro e vender produtos a preços mais realistas.

    Foda-se o Estado, porque desde que comecei a pesquisar sobre liberalismo, estou convicto como rocha de que contrabando é autodefesa.
  • Chupim  25/06/2018 16:22
    Faça como eu, junte o dinheiro que seria utilizado para empreender e aplique no Tesouro Direto.

    E a oportunidade está aí, para quem quiser. Quando estourou a greve dos caminhoneiros anunciei na seção de comentários deste artigo que estava aberta a oportunidade da década no Tesouro Direto (que só perderia para aquela do auge do desgoverno Dilma) e que eu ia me aposentar bem mais cedo do que o previsto. Desde então, os juros dos títulos subiram ainda mais.

    Os títulos que pagam IPCA + juros para vencimento em 2035 e 2045 eles estão pagando IPCA + 5,91%. Isso é uma delícia. (Na época da Dilma chegaram a IPCA + 7,82% mas desde então desabaram. No auge da lua de mel com o Temer, chegaram a irrisórios IPCA + 4,9%. Agora voltaram a subir forte).

    Só fica de fora quem é masoquista.

    No Brasil, país avesso ao empreendedorismo, quem quiser se aposentar cedo sem dor de cabeça pode ficar só vivendo das aplicações no Tesouro Direto. Como eu faço. E aí pego a renda, vou pra Miami, e compro lá.
  • Pobre Paulista  25/06/2018 16:40
    Cuidado! Daqui a pouco vão te falar que (1) emprestar dinheiro não é investimento e (2) emprestar dinheiro é imoral.

    Obs: 5,9% está bem longe de ser a "oportunidade da década" hein? Espere até as eleições...
  • Gustavo   25/06/2018 17:58
    É seguro investir na dívida do governo?
  • Marcos Aurélio   25/06/2018 18:21
    É só usar a lógica.

    Hoje, o governo só consegue se manter porque pega dinheiro emprestado. Tendo um déficit primário — isto é, desconsiderando toda a despesa com juros — de 3% do PIB, o governo não paga nem o funcionalismo público e nem o salário de seus políticos se não tomar dinheiro emprestado.

    Sendo assim, ele precisa se endividar simplesmente para continuar funcionando. O governo precisa de dinheiro emprestado apenas para continuar existindo.

    Logo, ele jamais dará o calote em seus credores. Isso seria de uma burrice inominável.

    Ao dar um calote, o governo estaria fechando exatamente aquela fonte de financiamento que sempre lhe esteve aberta e disponível. Mais ainda: estaria acabando exatamente com aquilo que o mantém vivo.

    Ora, você não mata quem sempre lhe empresta dinheiro e que faz com que seja possível você fechar suas contas.

    Adicionalmente, vale ressaltar que nem a Venezuela de Chávez e nem a Argentina dos Kirchner fizeram isso. A Argentina deu o beiço nos credores estrangeiros, mas não nos nacionais.

    Sim, haverá calote no Brasil, mas este não ocorrerá com os títulos públicos em mãos de bancos, fundos de investimento, cidadãos e empresas nacionais. O calote ocorrerá sobre aqueles grupos que têm menos poder político: aposentados, pensionistas, dependentes de assistencialismo etc. Chegará um momento em que estes não mais receberão nada.

    Mas, antes disso, ainda haverá cortes na saúde, na educação e na cultura. Terá de haver. Assim como também terá de haver vendas de ativos. Haverá privatizações, mesmo que a contragosto. Em última instância, o governo preferirá vender todas as suas estatais a calotear a dívida pública (e há muitas estatais a serem vendidas).

    Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532
  • Andre  25/06/2018 18:52
    Esse título IPCA+5,9% vai apanhar feio na marcação a mercado quando chegar as eleições. Longo prazo no Brasil são 6 meses.
  • Pobre Paulista  25/06/2018 19:37
    Perfeitamente. No entanto, seu VNA, que é base de cálculo para o pagamento de cupons, segue crescendo firme e forte, pois é simplesmente o valor do IPCA acumulado. Será um dos melhores pontos de entrada.
  • Demolidor  25/06/2018 23:45
    Quem comprou dólar em casa de câmbio no governo Dilma (2011) e manteve debaixo do colchão, ganhou mais que se tivesse aplicado em tesouro direto. Como disse Mises, é pelo câmbio que se deduz a inflação real de uma moeda (o que implica dizer que o IPCA não é o indexador mais apropriado). E olha que naquele tempo o grau de endividamento brasileiro ainda não era tão alto e a economia crescia forte, sem sinais de arrefecimento, o que tornava o juro de então, bem mais alto que o atual, muito atrativo.

    Está certo que naquela época tínhamos um dólar fraco e um real forte, situação inversa da de hoje. O que pode significar que o real pode estar barato, embora artigos neste site demonstrem que não. Para piorar, temos uma dívida pública em trajetória explosiva e, dada sua exposição em dívida interna, pode não haver muita inclinação política para manter a moeda forte (já que inflação e desvalorização, efetivamente, tornariam o serviço da dívida mais barato para o governo), o que pode implicar em mais desvalorizações futuras a juro baixo.

    Claro que o governo pode dar uma guinada de 180 graus, cortar custos, inverter a trajetória da dívida e a economia voltar a crescer forte (até não seria tão difícil, pela capacidade ociosa atual). Neste caso, o real poderia se apreciar fortemente. Mas teria que haver uma bela conjuntura de fatores favoráveis. Neste sentido, opinião pessoal minha, o prêmio em juros oferecido não é interessante, pelo risco (do que chamo de "calote soft", via inflação).
  • holder  26/06/2018 15:47
    ainda que seja lucrativo, jamais financiaria o estado
  • servidor público  26/06/2018 16:04
    Entendo pouco de aplicações financeiras, mas minha impressão é que investir no Tesouro é investir no governo e no Estado. Em última instância, é ajudar a sustentar todo esse esquema de gastos irresponsáveis lastreados no poder de arrecadar impostos e até mesmo de confiscar. Mas entendo do ponto de vista financeiro de quem o faz; o Estado garante e você confia no Estado. Prefiro aplicar em negócios reais, como em alguma empresa ou em uma sociedade; ou pensaria em investir em empresas ou ramos promissores, como energia alternativa.
  • Rodolfo Andrello  26/06/2018 14:34
    Uma dica: não é a descoberta da roda, mas existem brechas legislativas pra conseguir a isenção de importação de produtos até 100 dólares. O comum, em teoria, seria conseguir a isenção para compras de até 50 dólares. Em alguns grupos do facebook como "operação pega leão" existem modelos de peças processuais e vários históricos de pessoas que se livraram de pegar o imposto através desses recursos. Como disse, não se trata de uma descoberta da roda, mas essa possibilidade representa a diferença entre poder comprar ou não um produto de 95 dólares com isenção de roubo, quer dizer, de imposto.
  • anônimo  25/06/2018 16:10
    Tá, até concordo com tudo mas minha dúvida é: como competir com um país como a China por exemplo, onde o ganho salarial, a rotina de trabalho e as leis trabalhistas são desfavoráveis aos trabalhadores? E a população economicamente ativa é mais de dez vezes maior a que a do Brasil!!!

    Sabemos que o Brasil é exportador em sua maioria de produtos de baixo valor agregado e que não possui uma cadeia produtiva competitiva, então o que se deve fazer? Flexibilizar a CLT? Os trabalhadores vão aceitar trabalhar 60 horas semanais? Continuaremos vendendo commodities a preço de banana? Como estimular a indústria nacional, sem depender do capital estrangeiro e das multinacionais? Parece papo de esquerdista contra o sistema capitalista opressor, mas não é não. Gostaria de ver o Brasil com uma economia livre, com menos impostos, crescendo, com empresas surgindo e oferendo empregos a toda hora. Mas as dúvidas são maiores que as respostas! Será que os políticos conseguem responder?
  • Amante da Lógica  25/06/2018 16:23
    "A minha dúvida é: como competir com um país como a China por exemplo, onde o ganho salarial, a rotina de trabalho e as leis trabalhistas são desfavoráveis aos trabalhadores?"

    Essa afirmação, em si mesma, é destituída de qualquer sentido econômico. Afinal, desde quando "trabalhadores semi-escravos" conseguem produzir bens de qualidade ao ponto de quebrarem todas as indústrias de todos os países livres do mundo?

    Esses chineses são realmente espetaculares. Trabalhando sob um chicote, conseguem produzir com mais competência e capricho do que trabalhadores que ganham altos salários no ABC.

    Se isso realmente ocorre, então, francamente, essa turma do ABC deveria sumir do mundo, nem que fosse de vergonha. Se um semi-escravo fizesse constantemente um serviço melhor que o meu, eu morreria de vergonha, ficaria quietinho no meu canto (com medo de alguém me ver), e jamais teria a cara de fazer qualquer exigência.

    Extrapolando, se toda a indústria do país conseguiu a façanha de ser quebrada por "semi-escravos", então ela realmente não tinha nada que existir. Era uma vergonha perante o mundo, e um constrangimento para nós.
    Ah, sim: Salário médio de setor industrial na China já supera o do Brasil

    "E a população economicamente ativa é mais de dez vezes maior a que a do Brasil!!!"

    Isso significa que o mercado consumidor chinês é uma mina de ouro para as nossas indústrias. Falta apenas elas agora saberem como vender para lá.

    P.S.: por essa sua lógica, era para os suíços estarem tremendo de medo. Quantas vezes a população chinesa é maior que eles?

    "Sabemos que o Brasil é exportador em sua maioria de produtos de baixo valor agregado e que não possui uma cadeia produtiva competitiva, então o que se deve fazer?"

    Para começar, perceba que você, do nada, mudou totalmente de foco. Antes, a preocupação era com as importações da China. Agora, passou a ser a nossa pauta exportadora.

    Mas permita-me lhe apresentar alguns detalhes do mundo real:

    Alguns detalhes do mundo atual:

    1) Nova Zelândia e Austrália são hoje extremamente ricos, e seguem tendo como pauta de exportação commodities de baixo valor agregado.

    2) Para você ter uma ideia, na Austrália, não há nenhuma grande montadora de automóveis. E, na Nova Zelândia, nem sequer há montadora de automóveis. Eles já perceberam que é muito mais negócio importar carros baratos do que direcionar recursos escassos para fazer algo em que não são bons. Eles sabem que isso seria burrice.

    Eis o segredo: abertura total ao investimento estrangeiro.

    3) Laticínios, carne, lã, madeira, peixe, alumínio, e produtos de papel. Todos eles commodities. E sabe o que eles representam? Toda a pauta de exportação da Nova Zelândia.

    4) Carvão, minério de ferro, lã, alumínio, trigo, carne e algum maquinário. Sabe o que eles representam? Toda a pauta de exportação da Austrália.

    5) Por que o Brasil teria de fabricar absolutamente tudo aqui dentro, sendo que é muito mais inteligente comprar de quem já tem o know how da fabricação? De novo, Austrália, Nova Zelândia e principalmente Chile só exportam matéria-prima, não exportam nada de alto valor agregado, e se tornaram países desenvolvidos.

    6) Quem não acredita nessa possibilidade tem então de refutar a teoria das vantagens comparativas. Tem de explicar por que seria vantajoso querer concorrer com quem já domina a área. E tem de explicar também aos neozelandeses que eles devem urgentemente direcionar recursos escassos para construir uma fábrica de automóveis, ainda que seja muito mais vantajoso para eles comprar de outros países.

    7) Já imaginou se o governo do Japão cismasse que o país tem de virar uma potência na extração de petróleo? É exatamente isso o que os protecionistas e desenvolvimentistas querem.

    8) Hong Kong e Cingapura têm de importar toda a sua comida e toda a sua água. E têm os maiores PIBs per capita do mundo. Pela lógica protecionista e desenvolvimentista, era para eles urgentemente saírem desapropriando prédios e transformar tudo em pasto, pois é urgente plantar a própria comida.

    9) No que a Austrália e a Nova Zelândia são competitivas? No que o Chile é competitivo senão em vinhos e cobre? No que Hong Kong e Cingapura eram competitivos?

    10) No Brasil, há um vasto setor de serviços a ser explorado. Há todo um setor de turismo, totalmente subutilizado (há vários locais bonitos sem a mais mínima infraestrutura para turistas). Há setores tecnológicos de ponta (a Embraer, por exemplo). Nossas mineradoras são eficientes e pagam bem (para quem é bom).

    Em todos os países ricos, o setor de serviços ocupa quase 70% da economia.

    No entanto, protecionistas e desenvolvimentistas insistem em dizer que eu mesmo é que tenho de fabricar meu notebook.

    11) No Brasil, o protecionismo, as reservas de mercado e os subsídios às indústrias vigoram desde o ano 1500. Essas pessoas ainda querem mais? Em termos de protecionismo, as empresas brasileiras já não tiveram o bastante? O mercado brasileiro está praticamente fechado há mais de um século, não se desenvolveu, e ainda é necessário dar mais tempo?

    "Flexibilizar a CLT? Os trabalhadores vão aceitar trabalhar 60 horas semanais?"

    Faça um enorme favor a si mesmo e pare de ficar repetindo abobrinha que você leu em blog petista. Isso apenas lhe deixa a descoberto. Pensei estar conversando com alguém maduro.

    "Continuaremos vendendo commodities a preço de banana?"

    Como fazem Austrália, Nova Zelândia e Chile?

    "Como estimular a indústria nacional, sem depender do capital estrangeiro e das multinacionais?"

    Ah, aí não tem jeito mesmo, não. Você quer mágica. Você quer ter indústrias fortes e competitivas, mas não quer investimentos estrangeiros diretos, que é a justamente a única coisa que pode nos modernizar. É exatamente o investimento estrangeiro a salvação, a única coisa capaz de modernizar nossas indústrias, aumentando sua produtividade e eficiência.

    Sem ele, nada feito.

    Você por acaso é discípulo de Brizola? Achei que essa gente já havia sido enterrada na lata de lixo da história.

    "Parece papo de esquerdista contra o sistema capitalista opressor, mas não é não."

    Não é, não. É papo de retrógrado, mesmo.

    "Gostaria de ver o Brasil com uma economia livre, com menos impostos, crescendo, com empresas surgindo e oferendo empregos a toda hora."

    E, no entanto, você defende medidas que gerariam o exato oposto disso.

    "Mas as dúvidas são maiores que as respostas! Será que os políticos conseguem responder?"

    Políticos?! Você quer que políticos melhorem o Brasil? Aí lascou mesmo. Quem pode melhorar o Brasil somos nós, investidores e consumidores. E não políticos fechando a economia.
  • Jairdeladomelhorqptras  26/06/2018 00:01
    Amante da lógica,
    Rapaz, fiquei embasbacado de alegria ao ler tuas respostas.
    Sério. Sem ironias.
    Você, alem de amante da lógica, é marido da coerência e mãe da paciência com os menos libertários.
    Abraços
  • João Pedro  26/06/2018 03:04
    Você por acaso é discípulo de Brizola? Achei que essa gente já havia sido enterrada na lata de lixo da história.

    Err, infelizmente não. Essa gentalha esta mais viva do que nunca. Porém, agora, estão personificados na figura do Ciro Gomes e seu projeto de "re-construção da industria nacional". É pra rir ou pra chorar?
  • anônimo  25/06/2018 16:26
    Como vencer a China:

    www.youtube.com/watch?v=qsm0Tq15AiY
  • Luciano viana  25/06/2018 20:08
    Desregulamentando o mercado interno, pra ter menos proteciosismo interno, menos imposto pro produtor interno, menos regras, menos taxas e licencas pra produzir. É a produção pessoal ou empresarial que vai aumentar salarios. A protecao interna favorece o lucro de poucos , com menis trabalhadores
  • Fernando  26/06/2018 03:51
    Minha nossa, olha essa resposta do Amante da Lógica. Tenho muita vergonha alheia dos estatistas que caem de paraquedas aqui nessas horas...
  • Alfredo  25/06/2018 16:15
    E vocês acham que um presidente que terminasse com todas tarifas de importação conseguiria terminar seu mandato?
  • Leitor Antigo  25/06/2018 16:50
    FAQ sobre importações:

    1) "Digamos que o governo, de uma hora para outra, abrisse o mercado para o exterior e não praticasse nenhuma proteção contra importação. Quais os impactos teríamos?"

    Tudo vai depender das preferências dos consumidores. Se eles voluntariamente passarem a comprar produtos importados, ignorando os nacionais, então eles, por definição, estão voluntariamente demonstrando que preferem produtos estrangeiros aos produtos produzidos pela FIESP.

    Ética e moralmente, não há um único argumento plausível contra essa preferência voluntariamente demonstrada. Se eu, por exemplo, prefiro comprar sapatos da China a sapatos de Franca ou Jaú, por que alguém deveria me proibir disso? Que mal estou fazendo?

    2) "Muitas empresas iriam a falência?"

    As ineficientes com certeza. E isso seria ótimo. Empresas ineficientes são deletérias para uma sociedade. Elas consomem recursos e não entregam valor. Elas, na prática, subtraem valor da sociedade. Uma empresa que opera com prejuízo é uma máquina de destruição de riqueza. (O mecanismo sinalizador que orienta todas as decisões e fornece os resultados é o sistema de preços).

    E é por isso que empresas que operam continuamente com prejuízo — por mais importantes que elas sejam para o "orgulho nacional" — devem falir e ser vendidas para novos administradores mais competentes. Falências são algo extremamente positivo para uma economia, pois permitem que aqueles concorrentes mais produtivos e mais capazes tenham a oportunidade de comprar os ativos das empresas falidas a preços de barganha, permitindo-os fortalecer suas operações e voltar a criar valor para a sociedade.

    Um governo proteger empresas falidas ou que operam com seguidos prejuízos é a maneira mais garantida de empobrecer uma economia.

    3) "Tarifas protecionistas protegem as empresas nacionais? Se sim, protegem-nas de quem?"

    Sim. Tarifas protecionistas protegem as empresas. Protegem de quem? Dos consumidores.

    4) "Como assim?"

    O que os protecionistas defendem, embora não tenham coragem de dizer com estas palavras, é que indústrias ineficientes e custosas devem ser protegidas, pelo governo, da vontade dos consumidores (que já demonstraram preferir outros produtos).

    Protecionistas querem proteger as empresas ruins dos consumidores. Os consumidores não devem ter o direito de escolher produtos estrangeiros. Eles devem ser obrigados a comprar da FIESP.

    Por que isso seria ético e moral?

    5) "Mas há indústrias eficientes que estão sendo prejudicadas pelas políticas do governo. Neste caso, seria o protecionismo aceitável?"

    Negativo.

    Se há indústrias nacionais eficientes que estão sendo prejudicadas pelas políticas do governo, isso é algo que tem de ser resolvido junto ao governo, e não tolhendo os consumidores.

    Se os custos de produção no Brasil são altos e estão inviabilizando até mesmo as indústrias eficientes, então isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos.

    Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina

    6) "O que deve ser feito?"

    O certo seria abolir a burocracia, as regulamentações e os impostos, e não defender a adoção de tarifas protecionistas e proibir consumidores de comprar os bens que quiserem.

    7) "Mas não seria importante haver algumas tarifas protecionistas para garantir o desenvolvimento das indústrias mais eficientes?"

    Em primeiro lugar, a ideia de se proteger os eficientes é um total contra-senso. Se é eficiente, não precisa de proteção; se é ineficiente, não merece a proteção.

    Ademais, sempre resta a pergunta é: no Brasil, as empresas já não tiveram protecionismo o bastante?

    O mercado brasileiro está praticamente fechado há mais de um século -- atualmente, o Brasil continua sendo uma das economias mais fechadas do mundo -- e ainda é necessário dar mais tempo?

    Aos protecionistas ficam as seguintes perguntas: Tarifa de quanto? Por que tal valor? Por que não um valor maior ou menor? Por quanto tempo deve durar tal tarifa? Por que não um tempo maior ou menor? Qual setor deve ser protegido? Por que tal setor e não outro? E, finalmente, por que o segredo para a eficiência é a blindagem da concorrência?
  • Bernardo  25/06/2018 16:27
    Foi só ano passado que eu descobri que o Brasil proíbe até mesmo a importação de café!

    E aproveitando a oportunidade, alguém poderia explicar o motivo do café vendido aqui ser de tão péssima qualidade e custar mais que o dobro do preço do café vendido para o exterior, cuja qualidade e variedades são bem maiores? Será que isto tem explicação racional??
  • Leandro  25/06/2018 16:33
    Essa é fácil: em país de moeda tradicionalmente fraca (como o Brasil), exportadores querem moeda forte (dólar e euro). Consequentemente, exportam o que têm de melhor para os gringos em troca dessa moeda forte, a qual irá lhes dar um grande poder de compra em relação à nossa moeda fraca. Em posse de moeda forte para comprar moeda fraca, eles viram reis.

    Já para nós, portadores de moeda fraca, eles vendem apenas a raspa, a xepa.

    Junte a isso o fato de que operam em um mercado protegido, e a tragédia está completa.

    Ademais, há de se considerar também que, lá fora, o mercado é muito mais concorrencial, o que significa que, se quiserem ter alguma penetração, os cafeicultores têm de mandar para lá apenas seus produtos de qualidade máxima, deixando para nós apenas as sobras.

    A fabricante de armas Taurus faz a mesmíssima coisa: manda para os EUA, mercado extremamente competitivo, suas melhores armas. As medianas, ela vende para as polícias (e leva processo por causa disso). Já a "carne de pescoço" ela manda para as casas de pesca.
  • Pobre Paulista  25/06/2018 17:12
    Vale pra tudo. Asfalto, carne, sapatos... Aqui só ficam as sobras mesmo.
  • Felipe Lange  25/06/2018 17:33
    Leandro, isso acontece com carros também. Os vizinhos da América Latina (que não possuem o mesmo nível de exigência do que um europeu, que considera porcaria um carro com 4 estrelas (de 5) nos testes do EURO NCAP) nunca sentiram cheiro de Onix (e Gol) com motor 1,0 litro.

    Onix só motor 1,4 e Gol motor 1,6. Classic saia com motor 1,6 e Celta com motor 1,4.
  • Bruno Feliciano  25/06/2018 21:43
    Na verdade, eles tem esses carros porcarias, porém tem a liberdade de comprar importados de alto padrão. O problema é que por questão monetária, as vezes sai mais caro comprar um Toyota Prius dos EUA do que um Gol latino americano...
    Por isso essas carroças ainda tem algum espaço lá, por exemplo Chile e Paraguai.

    O padrão americano é o mais exigente pra mim, o IIHS faz os testes mais severos e reprova até carros da Audi.
    Fora que ele deixaram de comprar carros americanos pra comprar os japoneses, pra você vê que a exigência lá é maior que o grande orgulho americano.

  • Felipe Lange  26/06/2018 03:16
    O IIHS é uma instituição séria de segurança. Eles estão sempre atualizando e aprimorando os critérios. Chile está no caminho. Em 20 anos se o governo não atrapalhar o país já melhora bastante.
  • Felipe Lange  26/06/2018 14:08
    Os carros de marca japonesa se consolidaram no mercado por causa da crise do petróleo na década de 70, sem contar o fator dos sindicatos americanos que infernizavam as fabricantes locais. Nessa época também houve o Malaise era, onde saiu as piores porcarias nacionais daquele tempo, por causa do protecionismo e da nova legislação de emissões (as fabricantes americanas estavam acostumadas a fazer barcas V8, não carros com motor quatro-cilindros).
  • Guilherme  25/06/2018 17:26
    Real brasileiro é uma piada, melhor dia da minha vida foi quando consegui auferir minha renda em moeda forte.
    No Joesley Day eu estava em Cusco no Peru, costumam trocar reais brasileiros sem problemas, mas naquele dia a volatilidade foi tão brutal que todas as casas de câmbio da cidade suspenderam a negociação de reais brasileiros e só retornou ao normal 2 dias depois, passei o maior perrengue e descobri o inferno que é ter em mãos uma moeda inconversível e que ninguém quer, coloquei como objetivo de vida nunca mais passar por isso novamente, só não fiquei na pior porque tinha uma namoradinha canadense que me emprestou uns dólares.

  • Isis  25/06/2018 18:08
    Nesse dia estava embarcando de Santiago para São Paulo, as poucas casas de câmbio que trocavam reais em meio ao caos estavam cobrando um valor absurdo pela troca, trocamos nossos pesos chilenos restantes por reais de um casal brasileiro que estava em leve desespero.
  • Paulo Samuel  25/06/2018 17:31
    É melhor ter emprego, ter renda do que adquirir mais barato alguns bens.
  • Guilherme   25/06/2018 17:47
    Ué, de que adianta ter emprego se você nada pode adquirir com sua renda? Na URSS era assim: todo mundo tinha emprego e salário. Só que não tinha nada de útil pra comprar. Essa, aliás, é a definição mais completa de escravidão: você trabalha mas nada consegue adquirir com sua renda (ao menos, nada que presta).

    Ademais, essa é a postura do covarde incompetente: prefiro um empreguinho que me permita comprar pão a um empregão que me coloque sob concorrência. Prefiro a mediocridade à excelência. Prefiro a reserva de mercado à eficiência.

    Impossível um país avançar com uma população com essa mentalidade.
  • Desempregado  25/06/2018 17:58
    Onde é este lugar? Quero ir para lá. Pois aqui no Brasil não tem nem emprego para adquirir os poucos, toscos e caros produtos disponíveis.
    E com este desemprego de dois dígitos há 3 anos vai ser uma porta arreganhada para populismos desvairados e teremos ainda mais carestia. Viver no Brasil é um castigo.
  • Gustavo Arthuzo  25/06/2018 18:04
    Cara, no próprio texto tem um trecho (com link) informando que o desemprego é menor nos países com livre mercado...

    "E, como se ainda fosse necessário utilizar este argumento, o desemprego é menor naqueles países que praticam o livre comércio."

  • Pobre Paulista  25/06/2018 18:41
    Eu vi o que você fez aqui novamente, Paulo Samuel.
  • Vladimir  25/06/2018 20:16
    Mas aí teria de ser Paulo Samuel Filho.
  • Paulo Henrique  25/06/2018 18:58
    Sua afirmação é totalmente destituída de evidência. Os países mais abertos ao comércio externo tem maior nível de empregabilidade. Existe país mais fadado ao desemprego que Hong Kong, Suíça de acordo com sua lógica? Alias, a suíça paga elevados salários, as industrias deveriam estar todas indo para China..

    Dica. Produtividade, baixos custos para industria importar tecnologia e insumos (moeda forte ajuda muito nisso)..

    Quem defende mercado fechado se esquece que a industria também é consumidora.. Quer ter industria competitiva? Abra o mercado para ela ter acesso a bens baratos , tecnologia, insumos, e pare de destruir a moeda.

  • Daniel Anselmo  25/06/2018 18:45
    Artigo muitíssimo coerente e assertivo.
  • JOSE F F OLIVEIRA  25/06/2018 19:32
    O FETISCHISMO idiota do brasileiro - Roberto Campos.

    1] O FERRO É NOSSO [anos 20]
    2] O AÇO É NOSSO [anos 40]
    3] O PETRÓLEO É NOSSO [anos 50 aos nosso dias]
    4] O TÓRIO É NOSSO [anos 70]
    5] A INFORMÁTICA É NOSSA [anos 80]
    6] O NIÓBIO E O GRAFENO SÃO NOSSOS [nossos dias atuais]

    {www.facebook.com/joseoliveira.oliveira.1042/videos/1793180897392433/}
  • Rafael  25/06/2018 20:07
    "Se as fronteiras de um país são fechadas, seus habitantes vivem em um estado de autarquia, podendo consumir apenas aquilo que produzem. As opções são drasticamente reduzidas. Os preços são maiores, pois o poder de compra da moeda é menor. A indústria é ineficiente, pois não precisa se preocupar com a concorrência de estrangeiros. A população nacional se torna refém do baronato industrial nacional, que tem seus lucros garantidos sem a contrapartida de uma prestação decente de serviços. Por isso o padrão de vida em países de economia fechada é tão baixo."

    Esse é o Brasil, país onde não se pode importar livremente nem dos outros países do Mercusul. Somos totalmente refém das corporações parasitárias que fazem lobby sempre que quiserem. Não existe nenhum governo corajoso o suficiente para abrir o mercado às importações.
  • Curioso  25/06/2018 20:11
    O protecionismo tem que ser entendido do ponto de vista político. Do ponto de vista do liberalismo ingênuo (que presume, por postulado, que a paz e boa-fé são o estado natural da humanidade, em outras palavras, que o problema da política não precisa ser resolvido) é claro que o comércio livre irrestrito é sempre superior.

    No ponto de vista político, começam a surgir questões como "o que impede o país vizinho de envenenar a comida que vende para mim", "o que eu faço se minha economia ficar criticamente dependente de um produto importado e o meu vizinho ameaçar um embargo para fazer exigências", "que indústrias eu posso terceirizar sem ser prejudicado se amanhã meu vizinho entrar em guerra contra mim" são mais relevantes.

    Se quisermos resolver esse tipo de questão só com livre-mercado seremos forçados a entrar em mecanismos hipotéticos como os inventados pelos anarco-capitalistas: seguro-contra-guerra, seguro-contra-embargo, etc.
  • Amante da Lógica  25/06/2018 20:17
    Por essa sua lógica impecável, Hong Kong, Cingapura e vários países asiáticos devem viver sob constante estado de pavor: lá, não apenas não tem cultivo nenhum de alimentos, como até mesmo a água é importada.

    E, no entanto, estranhamente ninguém quis envenená-los.

    Sabe por quê? Porque capitalistas são esquisitos: eles sabem que é muito mais lucrativo vender continuamente para clientes do que matá-los.

    É cada comediante que cai de pára-quedas aqui...
  • Carlos  25/06/2018 20:20
    "o que impede o país vizinho de envenenar a comida que vende para mim"

    Pergunta errada. Eis a pergunta certa: O que impede os monopolistas protegidos pelo governo (ou o próprio governo) de envenenar a comida que vendem para mim?

    Oops, nada.
  • Denison River  25/06/2018 22:37
    Poderia me apontar fontes que mostram esse tal de "liberalismo ingênuo"?
  • Comeu o c do curioso  26/06/2018 03:59
    Kkkkk e cada uma que escrevem. E so tem um pais no mundo que produz comida? E o Brasil,guatemala,honduras e etc paises porcaria e que precisam de dinheiro vao envenenar a comida. E cada lixo que cai aqui.
  • Quase Advogado  25/06/2018 22:12
    Pessoal, preciso da ajuda e do conselho de vocês, já que o instituto tem a mesma mentalidade que eu.


    Acordei pra vida muito tarde, no meu 5 ano de direito. Sempre fui um liberal, mas me tornei libertário a partir do 3 ano.

    Hoje vejo como a advocacia esta saturada no Brasil, a profissão é uma piada e ta cheio de picaretas.
    Ser funça é um grande negocio aqui, mas seria incoerente da minha parte, não ia conseguir dormir sabendo que vivo do dinheiro alheio.
    Único concurso que eu faria seria pra delegado, único dos funças que produz algo porque ferra com criminosos. É o único que eu vejo dar algo em troca e que produz algo.

    Ai eu tenho duas opções:

    Ou eu faço um concurso e viro delegado e trabalho nessa área de acabar com bandidos
    Ou eu tento sair do país, ir pro Chile ou Pros EUA. No chile tem como validar meu diploma mas é muito complicado e incerto, precisa do aval dos juizes da Suprema corte chilena. Nos EUA acho que essa possibilidade nem existe!
    Eu poderia trabalhar como motorista nos EUA ou em alguma parte das montadoras relacionadas a automoveis ou jornalismo do automobilismo,
    O Paraguai seria uma opção também?

    Digamos que eu tenho, cerca de 60 mil reais dispostos para serem usados em alguma empreitadas dessa.


    O que vocês fariam? O que me sugerem?




    Um forte abraço!!!
  • Realista  25/06/2018 22:50
    Relaxa, o cara de Direito aqui do IMB é funça (André Ramos). Todos os articulistas do instituto compram títulos do governo. Então dane-se essa história de "viver do dinheiro alheio", faça o que é melhor pra você.
  • Pobre Paulista  25/06/2018 23:54
    Delegado também prende quem não faz nada errado, como por exemplo tentar manter o dinheiro suado longe das mãos do governo, fica a dica ;-)
  • Ninguem Apenas  26/06/2018 00:12
    Admiro você estar disposto a tomar essas decisões, não são todos que se atém tão forte aos princípios que segue, infelizmente não sou da área para te ajudar, mas te desejo sorte e sucesso independente da escolha.

    Talvez seja uma boa tentar se comunicar com o Rodrigo Saraiva Marinho, que é da área de direito também. (tem um livro no site de autoria dele, além de artigos)
  • Jairdeladomelhorqptras  26/06/2018 00:29
    Caro quase advogado,
    Não saberia te orientar corretamente, mas uma coisa posso te dizer. Serio.
    Pela tua integridade: "não ia conseguir dormir sabendo que vivo do dinheiro alheio". Tenho a impressão de que também não iria dormir prendendo contrabandistas, que servem os consumidores nacionais com produtos mais baratos. Ou jovens desempregados (ou não) que atendem uma demanda por produtos ilícitos.
    Com a tua boa consciência você teria que ser seletivo. Tipo: prender políticos que taxam impostos escorchantes nas costas dos consumidores e por aí vai... Um delegado não pode ser seletivo...Não pode escolher entre as leis, não pode dizer qual é moral e qual é imoral (claro, de acordo com a tua consciência).
    Sempre lembrando que na democrática Alemanha de Weimar (que se tornou nazista democraticamente) todos aqueles horrores foram cometidos estritamente e constitucionalmente dentro da lei.
    Em resumo: desista também de ser delegado... Creio que não é para você.
    Abraços
  • Quase Advogado  26/06/2018 01:34
    Caros leitores, muito obrigado pelas palavras e depoimentos.

    Sobre ser delegado, talvez se restringindo a uma esfera de organizações criminosas que praticam o Roubo, Furto, explode caixas eletronicos, assalta bancos, serial killers, sequestradores, roubo nas empresas de valores, clinicas de aborto e etc. Esse tipo de coisa que tem muito no Brasil e que independente da legislação, eles são verdadeiros criminosos.

    Eu de fato não conseguiria prender um sonegador, um contrabandista e um adolescente que vende droga para os amigos, seria um suicídio mental pra mim.
    Talvez me restringindo na área da investigação e inteligência, possa ser um caminho.

    Fora isso, na advocacia vejo duas hipóteses: Virar um tributarista ou um contratualista, no primeiro a saturação é maior que no segundo - pelo menos é o que parece -, um contratualista que cuida das vendas de grandes empresas, contratos esportivos de atletas, cooperação de serviço entre grandes empresas e etc.
    É uma opção, mas é arriscado. O contratualista seria legal se pudesse atuar la fora por exemplo, eu seria muito feliz e rico se fosse um advogado que fechasse os contratos da Formula 1 por exemplo rs rs, mas o caminho para isso é incerto e arriscado.



    Abraços!!!
  • Hugo  26/06/2018 19:05
    Eu de fato não conseguiria prender um sonegador, um contrabandista e um adolescente que vende droga para os amigos, seria um suicídio mental pra mim.

    Com todo respeito, mas essa foi uma das maiores asneiras que já li na vida.

    Suicídio mental? Conta outra, mas da próxima vez, sem exageros.
  • Quase Advogado  26/06/2018 19:39
    Caro Hugo, moral pra mim é algo muito valioso, não sei pra você...

    ''Com todo respeito, mas essa foi uma das maiores asneiras que já li na vida.

    Suicídio mental? Conta outra, mas da próxima vez, sem exageros.''

    Não é questão de exagero, é uma força pra expressar, eu não me sentiria bem e muito menos feliz, seria algo que iria me incomodar pela vida toda. É meu jeito de ser oras, ou você é do tipo de pessoa que acha que os outros devem agir e ser do modo que você deseja?
    Se esse for o caso, desculpe por inchar a sua frustração, nada posso fazer por você.

    No mínimo ou você é um liberaleco Funça ou deseja ser.

  • Hugo  26/06/2018 20:42
    Ok senhor Quase Advogado, então não conseguir prender criminosos se encaixa na sua definição de moral? Pra mim é muito valioso sim, tanto que questionei seu comentário. Se você comentou, que esperasse resposta. Você já me acusou aí de liberaleco funça, não sei o que, de frustrado, ok, ok, não vou prolongar essa discussão. Sem mais.
  • Quase Advogado  27/06/2018 00:34
    Caro Hugo, agora me deixou confuso...


    Refaça o comentário porque você não questionou nada, apenas afirmou com juízo de valor.
    Sinta-se a vontade, aqui ninguém se ofende.
  • Liberaleco funça   26/06/2018 21:08
    Então cara, sou um "liberaleco funça" policial (me tornei há pouco tempo) e se minhas palavraa valem algo, posso dizer algumas coisas.
    Estou em unidade atuante e nunca sequer cogitamos em prender contrabandista (não é minha função), adolescentes que demandam drogas (não seria eficiente) ou sonegador de imposto (realmente, sequer tocamos nesse assunto durante minha formação e dia a dia, apesar de não ser minha atribuição). As áreas de atuação das polícias são enormes, ou seja, muitas possibilidades.
    Se vc pensar de uma forma similar à minha, o que vai realmente acabar sendo frustrante é a ineficiência do setor público. A polícia é composta por funcionários públicos concurseiros que so precisam fazer o mínimo para não se enrolar. Então vc vai se deparar com muitos colegas preguiçosos, a nível de dar vergonha. Felizmente vc vai conseguir encontrar pessoas que honram a profissão e se empenham como deveria ser, mas, mesmo assim, tem todo um sistema tentando desmotivá-los.
    Além dos colegas, vc vai se deparar com uma estrutura criada para atrapalhar o seu trabalho. Basta pesquisar os índices de resolução de crimes no Brasil. A organização do sistema é ridicularmente ineficiente. Os instrumentos utilizados por Delegados são atrasados e mesmo assim são defendidos por entidades da classe. Classes, aliás, que somente visualizam seu ganho próprio: aumento de salário sem aumentar o rendimento.
    Eu entrei na Polícia por escolha e, apesar de já imaginar a grande ineficiência que eu iria enfrentar e me deparei com uma situação pior que a imaginada. Não me arrependo. Me arrependeria se não satisfizesse esse desejo de conhecer a profissão a fundo. Mas sei que é inevitável que eu me transfira para o setor privado em pouco tempo.
    Enfim, tenha em mente que, caso vc não aceite fazer alguma coisa que seria seu dever legal, nada o impede de pedir exoneração.
  • Hugo  27/06/2018 00:15
    Parabéns pela explicação, sem firulas, interessante saber como funciona.
  • Quase Advogado  27/06/2018 00:31
    Caro Policial, excelente explicação e palavras. Obrigado pelo relato

    Na verdade, essa área me interessa mais como vivência de vida, algo de fazer por prazer, porém não existe setor privado nesse ramo, o que só resta a opção do concurso.
    Vou guardar seu relato, muito interessante, mais uma vez obrigado.
    Life is a journey not a destination.

    Um Abraço Fraternal
  • Liberaleco fun%C3%83%C2%A7a  27/06/2018 01:50
    Na verdade, essa área me interessa mais como vivência de vida, algo de fazer por prazer, porém não existe setor privado nesse ramo, o que só resta a opção do concurso.
    Essa foi uma boa parte do motivo que me fez decidir entrar. Era algo que não bastava apenas ouvir histórias, eu precisava vivenciar.
    Se realmente decidir seguir por esse caminho, tente desenvolver habilidades que possam ser usadas fora do serviço público, para que vc nao esteja "preso" a um emprego público. Trading, empreendedorismo ou qualquer coisa que possa gerar valor.
    Enfim, boa sorte na sua jornada.
    Abraço.
  • Jonas  25/06/2018 23:40
    Erro do texto:
    Foi dito que na verdade não há perda de empregos com o livre mercado, pois o dinheiro poupado ao comprar bens mais baratos importados, poderá ser utilizado em outros setores (que do contrário não os receberiam).

    O problema é que o dinheiro usado para comprar o bem estrangeiro significa em outras palavras uma operação de câmbio, trocando real pra dólar, por exemplo, para pagar ao exportador estrangeiro. Se isso passar a ser feito em larga escala (para substituir uma indústria nacional falida, por exemplo), significa que o dólar vai disparar, a população não vai mais conseguir importar com o real tão desvalorizado, e com isso vai ficar no mesmo estado ou pior que quando havia a indústria nacional.

    Na verdade, com o livre mercado a compra é um envio de dinheiro para o exterior, ao passo que com a indústria nacional o dinheiro fica no país (melhor).
  • Bloch  26/06/2018 00:42
    "O problema é que o dinheiro usado para comprar o bem estrangeiro significa em outras palavras uma operação de câmbio, trocando real pra dólar, por exemplo, para pagar ao exportador estrangeiro. Se isso passar a ser feito em larga escala (para substituir uma indústria nacional falida, por exemplo), significa que o dólar vai disparar"

    Completamente errado, o que denota seu profundo desconhecimento do assunto. A taxa de câmbio não é determinada pela balança comercial, mas sim pelo poder de compra da moeda.

    De novo: balança comercial não define câmbio. Nem a balança de serviços. E nem as duas juntas (saldo corrente). Dizer que o que determina o câmbio é a balança comercial e de serviços, e não o poder de compra das moedas, é algo que não faz absolutamente nenhum sentido.

    Se essa teoria fosse verdadeira, todos os países da África, que quase nada importam, teriam moedas absurdamente valorizadas. A Venezuela, então, que exporta muito petróleo e não importa quase nada (pois o governo restringe), teria uma moeda que seria um portento. Aliás, o próprio dólar (os EUA importam muito mais do exportam, e têm déficits comerciais seguidos desde a década de 1970) estaria hoje esfrangalhado.

    Mais ainda: Reino Unido, Canadá, [link d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/australia-current-account.png?s=aucabal&v=201806051117v&d1=19180101&d2=20181231&type=column]Austrália[/link] e Nova Zelândia são países que têm setores externos deficitários há 40 anos e suas moedas são fortes. Por sua essa teoria, era para a moeda deles estar esfaceladas -- que moeda iria resistir a déficits externos por 40 anos?

    Aliás, vale lembrar que o fluxo cambial foi positivo no Brasil em 2015. Ou seja, em 2015, entraram mais dólares do que saíram do Brasil. E, ao mesmo tempo, o dólar saltou de R$ 2,50 para R$ 4.

    Difícil evidência empírica mais cabal do que essa.

    Setor externo nada tem a ver com a força da moeda. O que determina a taxa de câmbio, no longo prazo, é a diferença entre o poder de compra das moedas, e não saldos de balança comercial ou setor externo.

    E o que determina é o poder de compra da moeda. E este é afetado sobretudo pela oferta monetária.

    Artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2901

    "Na verdade, com o livre mercado a compra é um envio de dinheiro para o exterior, ao passo que com a indústria nacional o dinheiro fica no país (melhor)."

    Falou uma merda gigantesca. Não existe isso de "dinheiro sair do país". Por acaso o real é moeda corrente no estrangeiro? Por acaso circulam dólares na economia brasileira? O dólar é aceito no comércio brasileiro?

    Quando há importações, não saem reais do Brasil. Quando há exportações não entram dólares no Brasil. Quando um brasileiro importa algo, não saem reais do Brasil. O real não é moeda corrente em nenhum outro país do mundo. Nenhum real sai do Brasil quando um brasileiro importa.

    O que ocorre é que dólares, que estão em uma conta bancária em um banco americano, mudam de proprietário. Quando você importa, você repassa reais para um exportador, e esse exportador repassa dólares para a pessoa de quem você comprou pela Amazon.

    Eis como funciona:

    Quando um brasileiro exporta soja para os EUA, não entram dólares na sua conta bancária aqui no Brasil. O dólar não é moeda corrente aqui e nem na esmagadora maioria dos países do mundo. Sendo assim, o dólar não "entra" nesses países via sistema bancário e nem muito menos sai do sistema bancário americano.

    O que ocorre na prática é que o exportador brasileiro adquire a titularidade de uma conta bancária, em um banco americano, em dólares. Ato contínuo, ele pode decidir entre vender a titularidade dessa conta bancária para outra pessoa (normalmente para um banco brasileiro ou para um importador brasileiro, que então depositará reais em sua conta em um banco brasileiro) ou manter a propriedade dessa conta em dólares, decidindo investir esses dólares na própria economia americana (comprando ações, debêntures ou até mesmo títulos do governo americano).

    Perceba que os dólares nunca saíram dos EUA. A única coisa que aconteceu foi que a titularidade de uma conta bancária em um banco americano mudou de dono: um importador americano de soja brasileira repassou uma parte de seus dólares para um exportador brasileiro, que então decidirá o que fazer com os dólares dessa conta: ele pode vender para um banco brasileiro ou para um importador brasileiro, sempre em troca de reais.

    No seu caso, que está importando um bem estrangeiro, ele vai repassar os dólares para a pessoa de quem você comprou. Sendo assim, se você estiver importando algo para o Brasil, esse exportador brasileiro vai repassar os dólares para a pessoa de quem você comprou o importado, e você vai repassar seus reais para esse exportador brasileiro. Nenhuma moeda saiu de seu respectivo país.

    Ou seja, para que haja importação, tudo o que é necessário é que o importador consiga alguém disposto a vender moeda estrangeira em troca da moeda nacional. Mas nenhum real sai do Brasil.

    Aprenda esse básico, cidadão: não existe isso de reais saírem do Brasil. Reais não saem do Brasil. O real não é moeda corrente em nenhum outro país do mundo. Dígitos eletrônicos não saem do Brasil; eles não cruzam fronteiras. Não há como "enviar reais para o estrangeiro". Nenhum real sai do Brasil nem quando um brasileiro importa nem quando uma multinacional remete lucros para o exterior. A quantidade de reais na economia fica a mesma.

    Em suma, você simplesmente não sabe do que fala. E o engraçado é que são exatamente esses ignorantes os mais arrogantes quando dão palpite sobre o que comprovadamente nada sabem.
  • Jonas  26/06/2018 22:42
    Obrigado pelas explicações, vou ler suas recomendações
  • Jean Carlo Vieira  29/06/2018 19:41
    E tudo ficaria ainda mais lindo se nós não fossemos obrigados a utilizar essa moeda pífia que é o real.
  • Eduardo Bruno  26/06/2018 02:45
    Sei que o meu comentário não tem nada a ver com o post em si, mas alguém aqui do mises.org poderia me responder por que o federalismo nunca deu certo no Brasil? muito pelo contrário, ele apenas fortaleceu as oligarquias locais e deu espaço para figuras como Getulio Vargas ascender ao poder?

    Pergunto isso porque a nossa primeira constituição repúblicana foi copiada de cabo a rabo da americana e, mesmo assim, foi um fracasso. Outro país que copiou várias coisas da constituição americana foi a Argentina, porém, nesse caso, foi um sucesso, transformando a Argentina em um dos países mais ricos do mundo. Será que somos tão diferentes assim dos hermanos ou tem outros interesses por baixo?
  • Gustavo Arthuzo  26/06/2018 14:08
    Agradeça Getúlio Vargas. De fato, essa Constituição foi inspirada na americana e na suíça, era (muito) mais liberal que a atual e também descentralizadora. Durou até 1930, quando o nosso querido ditador fascista deu um "gópi". Em 1932, houve a revolução constitucionalista, liderada por São Paulo, que resultou em uma nova Constituição, a de 1934 (Brasil deu mais um passo rumo ao fascismo, com esta Constituição foi criada a Justiça Trabalhista, bancos foram nacionalizados, bem como as riquezas minerais); contudo, esta, só durou 3 anos, quando Vargas deu o golpe do Estado Novo (neste momento, os Estados perderam toda sua autonomia).

    A Constituição de 1937 durou até 1946, com o fim do Estado Novo, foi promulgada nova Constituição, que restaurou direitos civis e de liberdades individuais; mas que manteve centralizado o governo, retirando boa parte da autonomia dos Estados.

    Em 1964 os militares deram o golpe e em 1988 foi promulgada a constituição vigente, que está entre as maiores no número de palavras e entre as maiores no número de "direitos". Nossa CF tem tudo que há de ruim, protege a liberdade de expressão, mas nem tanto; relativiza a propriedade privada (função social e reforma agrária); é corporativista, nacionalista, sindicalista, paternalista e ultra intervencionista; oferece um rol enorme de direitos sociais; além, é claro, de retirar a autonomia dos Estados. Tem muitos elementos do fascismo e do socialismo, porém os juristas acham ela avançada ao extremo (no Direito, é comum as pessoas achar que a caneta mágica resolve os problemas).

    Ainda que tivéssemos a mesma constituição desde 1891, não sei se tudo seria muito diferente, esse caminhão de Direitos teria sido criado por leis ordinárias; a melhoria seria por ter menos amarras pra se livrar pra revogar essas leis (na CF, existem até parte imutáveis). Vide a Argentina que você citou...

    Quanto aos aspectos econômicos de cada época, deixo aos economistas de plantão, que podem elucidar qual foi a evolução econômica do país em cada período.
  • Rodolfo Andrello  26/06/2018 16:45
    Sobre a diferença entre o federalismo americano e o brasileiro, uma teoria bastante difundida fala da diferença entre federação Centrípeta e Federação Centrífuga. Se jogar esses termos no google terá a disposição farto material.
  • Rodrigo Fernandes  26/06/2018 13:04
    Leandro,

    A gente tem visto muitas notícias sobre a questão da curva de juros dos EUA. Alguns analistas dizem que quando a curva não aponta muita diferença entre a taxa de curto prazo e a taxa de longo prazo, é sinal de que uma recessão pode estar se aproximando.

    Qual é a sua opinião sobre isso?

    Abraço!

  • Leandro  26/06/2018 13:16
    Falei exatamente sobre este tema aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2903#ac218249
  • Bolhowski  26/06/2018 14:55
    Excelente.
  • Rodrigo Fernandes  26/06/2018 15:24
    Obrigado, Leandro.

    A propósito, fiquei impressionado com capacidade preditiva desta lógica.
  • Rodrigo Fernandes  28/06/2018 16:26
    Leandro,

    Existe algo nestas curvas que possam sinalizar a intensidade da crise?
  • anônimo  26/06/2018 13:57
    Eu recomendo 8 refeições por dia.

    Ninguém sabe se um socialista vai assumir o poder e te matar de fome.
  • anônimo  26/06/2018 16:29
    Mais fácil você mesmo se matar, mas de obesidade com as suas 8 refeições diárias! ficou louco?
  • Conservador viril  26/06/2018 20:45
    Conversa de gordo. Vai emagrecer!
  • Wesley  26/06/2018 22:47
    Pessoal, vocês viram o que os bandidos da receita federal estão fazendo agora? Agora é proibido importar smartphone. Antigamente, a RF tributava automaticamente em 200 a 300 reais cada smartphone independente do preço. Raramente eles tributavam em 60% o valor do smartphone. Agora eles estão aplicando 60% do valor do produto mais uma multa em 100% do valor do produto. O valor da multa e o tributo sai em 200% o valor do produto. Eles estão multando todo mundo. Então agora é oficial: é proibido importar smartphone.
  • Emerson Luis  04/07/2018 14:32

    No segundo semestre de 2016 o preço do feijão disparou (por causa da safra ruim, se não me engano); então o governo bondosamente baixou as tarifas de importação de feijão para ajudar a reduzir o preço. O que seria de nós sem o controle estatal da economia, não é?

    E ainda têm uns ingratos que perguntam por que essas tarifas sobre importação de alimentos básicos não são abolidas de vez!

    * * *


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