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O Facebook e o governo: uma demonstração prática de como as regulações funcionam
Mark Zuckerberg forneceu uma aula grátis ao mundo

Mark Zuckerberg, o presidente executivo do Facebook, depôs perante o Senado americano. O depoimento durou cinco horas.

Zuckerberg respondeu questões relacionadas a como o Facebook lidou com o vazamento de dados de 87 milhões de usuários pela consultoria Cambridge Analytica. Ele também foi questionado sobre o modelo de negócios do Facebook, sobre como a rede social utiliza os dados de seus usuários e, principalmente, sua posição sobre regulação de empresas de internet.

Quem teve a paciência de acompanhar a audiência percebeu o óbvio: os políticos e burocratas não sabiam essencialmente nada sobre como o Facebook funciona, quem é proprietário dos dados, como a empresa ganha dinheiro, qual a relação da plataforma com a economia baseada em aplicativos, o que significa um vazamento de dados, e por aí vai.

Já Zuckerberg explicou todas as questões básicas, apresentou detalhes técnicos, revelou o modelo básico de negócios da empresa, falou de maneira aberta sobre sua história pessoal e seus sonhos para a plataforma.

E concordou em ser regulado pelo governo.

Professor e alunos

Antes de prosseguir, uma rápida observação.

Cada político que interrogou Zuckerberg imediatamente se viu fora de sua área e fez papel de bobo. Todo o evento, no mínimo, serviu para nos relembrar o básico: essa gente nem sequer pode ser considerada inteligente ou sagaz. Ao contrário do que eles próprios imaginam, não são os mestres do universo.

Político é especialista em uma coisa, e uma coisa só: tentar se eleger. Para isso, eles se tornam peritos em repetir chavões e frases de efeito que têm apelo aos eleitores que formam sua base eleitoral. Uma vez eleitos, eles se especializam em tentar ser reeleitos. Quando não estão ocupados com isso, criam legislações e regulações.

Durante toda a audiência, havia apenas uma pessoa na sala que realmente sabia sobre o funcionamento do Facebook: o próprio Zuckerberg. E isso deu a ele uma clara vantagem sobre todo o resto. E ele a utilizou ao máximo. Ele explicou que são os usuários que voluntariamente optam por fornecer dados, e que eles próprios escolhem o volume, a frequência e a profundidade dos dados que irão oferecer. Eles compartilham esses dados ao autorizarem aplicativos que recolhem esses dados. Os usuários podem cancelar esse processo a qualquer momento.

Os senadores ficaram impressionados. Zuckerberg venceu. As ações do Facebook chegaram a subir 7% após seu depoimento.

A questão da regulação

E, ainda assim, os senadores fizeram a si próprios a seguinte pergunta: o que realmente podemos fazer aqui? A resposta era óbvia: regular.

Por favor, tenha a bondade de ler o seguinte diálogo entre Zuckerberg e o senador Lindsay Graham, da Carolina do Sul.

GRAHAM: Você aceita a regulação?

ZUCKERBERG: Creio que a verdadeira questão, dado que a internet está se tornando cada vez mais importante na vida das pessoas, é qual seria a regulação correta — e não se deve haver regulação ou não.

GRAHAM: Mas... mas você, como uma empresa, é favorável e receptivo a uma regulação?

ZUCKERBERG: Creio que, se for uma regulação boa e correta, então sim.

GRAHAM: Você acredita que os europeus fizeram certo?

ZUCKERBERG: Acredito que eles entenderam bem e acertaram.

GRAHAM: Então você trabalharia em conjunto com a gente em termos de escolher quais regulações você acredita que são necessárias para o seu setor?

ZUCKERBERG: Com certeza.

GRAHAM: Ótimo. Você apresentaria para nós algumas propostas de regulação?

ZUCKERBERG: Sim. Vou pedir para a minha equipe fazer isso e apresentar as propostas para os senhores. Assim poderemos levar esse debate para várias outras diferentes categorias [de redes sociais], as quais eu acredito que devem ser levadas em conta nesse debate

GRAHAM: Estou ansioso por isso.

Perceberam o que ocorreu? O próprio Senado pediu para o que Facebook seja o autor e o consultor das regulações que irão regulá-lo.

Como você interpreta isso? Conflito de interesses? Exato. Bem-vindo ao mundo real.

Todas as regulações políticas funcionam exatamente desta forma. As grandes empresas — aquelas que teoricamente são o alvo da regulação — sempre estão envolvidas na criação das próprias regulações que irão regulá-las. E por que elas fazem isso? Porque isso irá beneficiá-las e prejudicar seus concorrentes, exatamente como era de se esperar.

Regulando a si próprio

No caso do Facebook, a empresa irá defender algumas mudanças institucionais na maneira como as mídias sociais devem funcionar. Cada mudança envolverá custos. No jargão técnico, são os custos de compliance (custos de adaptação, custos de conformidade). O Facebook, obviamente, irá se assegurar de que pode se adaptar e se conformar às regulações (que ele próprio irá ajudar a criar) — ao mesmo tempo, irá se certificar de que seus concorrentes não tenham a mesma facilidade, e incorram em altos custos.

Isso dará ao Facebook uma vantagem distintiva no mercado, fará com que seja mais caro e mais difícil o surgimento de startups concorrentes, e garantirá que sua plataforma seja a líder do mercado, e agora por lei.

É por isso que Zuckerberg não só concordou, como até mesmo se entusiasmou ao ser regulado. Regulações sempre funcionam em prol das grandes empresas já estabelecidas no mercado.

Captura regulatória

Nada disso é novidade. Essa é a maneira como as regulações estatais sempre funcionaram. Isso ocorre em praticamente todos os setores da economia, sendo mais visível nos setores aéreo, bancário, telefônico, elétrico, petrolífero, de transportes terrestres e de saúde. [Recentemente, no Brasil, Uber e Cabify também passaram a se beneficiar de regulações].

Grandes empresas defendem e até comemoram uma regulação porque muitas vezes elas próprias a querem. É o que a Ciência Política chama de Teoria da Captura Regulatória. Ela acontece quando é aprovada uma lei que, embora tenha sido criada com a justificativa de que irá proteger o consumidor e restringir as grandes empresas do setor, acaba gerando um resultado oposto: um setor tendente à oligopolização e ao aumento do poder das grandes empresas reguladas.

O que normalmente ocorre é a criação de regulações que, na prática, trazem um grande aumento do custo operacional de todas as empresas do setor. Para as grandes empresas, ricas e já estabelecidas, esse aumento de custos é fácil de ser arcado. Já para empresas pequenas, pode significar o fim de suas operações.

Ainda mais importante, as regulações também tendem a elevar os custos para se entrar legalmente neste mercado. E, de novo, embora tais regulações possam até representar uma elevação dos custos operacionais das empresas já estabelecidas, o fato é que elas tornam muito mais proibitivo o surgimento de novos e menores concorrentes no setor.

No final, ter custos operacionais maiores, mas que também impliquem maior restrição à entrada de novos concorrentes, tende a ser um bom negócio.

O mito que não morre

Há um mito que permeia todos os livros-texto de macroeconomia, o qual descreve políticos e funcionários públicos como seres abnegados e de grande sabedoria, os quais criam leis e regulações que irão beneficiar a todos em detrimentos de alguns poucos grandes e poderosos.

Esse mito imagina que as grandes empresas sofrerão "merecidas punições" quando os agentes do governo impõem novas regras que exigem que suas operações suspendam a ganância e coloquem o interesse público em primeiro lugar. A realidade, no entanto, é oposta.

Não há uma única regulação estatal que não tenha sido criada por um autor que não esteja ligado, de alguma maneira, à indústria regulada em questão. Capitalistas quase nunca são defensores da concorrência capitalista. Quando empresas surgem, elas defendem a livre concorrência plena, pois só assim podem crescer. Quando elas se tornam grandes, tendem a defender a regulação do mercado, exatamente para bloquear a entrada de novos concorrentes que podem vir a tomar sua fatia de mercado e, com isso, afetar seus lucros.

Muitas pessoas são ótimas em usar o mercado para ganhar dinheiro; apenas as muito especiais se tornam defensoras da livre concorrência.

Conclusão

Atualmente, o Facebook enfrenta a concorrência de várias outras plataformas nas mídias sociais (há, atualmente, 33 concorrentes, entre grandes e pequenos), de imitadores, e até mesmo do uso alternativo que outras pessoas fazem do seu tempo.

De certa forma, este é o melhor momento possível para recorrer ao governo e criar uma regulação que institucionalize o Facebook como uma forma de utilidade pública. Este pode ser perfeitamente o objetivo que Zuckerberg tem em mente.

E então os políticos poderão atualizar seu status na linha de tempo do Facebook: hoje, aprovamos regulamentações que deixaram essa perversa megacorporação de joelhos. E Zuckerberg irá responder com um emoticon sorrindo e piscando o olho.

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Leia também:

Como as regulações estatais prejudicam os pequenos, protegem os grandes, e afetam os consumidores

Contrabandistas e batistas: as regulações beneficiam os regulados e iludem os ingênuos

Por que Uber e Cabify comemoraram ser regulamentados?


autor

Jeffrey Tucker
é Diretor-Editorial do American Institute for Economic Research. Ele também gerencia a Vellum Capital, é Pesquisador Sênior do Austrian Economic Center in Viena, Áustria.  Associado benemérito do Instituto Mises Brasil, fundador e Diretor de Liberdade do Liberty.me, consultor de companhias blockchain, ex-editor editorial da Foundation for Economic Education e Laissez Faire books, fundador do CryptoCurrency Conference e autor de diversos artigos e oito livros, publicados em 5 idiomas. Palestrante renomado sobre economia, tecnologia, filosofia social e cultura.  

  • Kira  12/04/2018 15:47
    Mas o seu amigo estatista vai dizer que não, é teoria da conspiração!
  • Kira  12/04/2018 15:47
    A humanidade precisa urgente das redes blockchain.
  • Luiz Cláudio  12/04/2018 18:01
    Felizmente hoje em dia há vários projetos análogos ao Facebook, Instagram, Twitter, G+, e etc com sua tecnologia baseada em Blockchain.

    Espero que num futuro não muito distante (~10 anos, talvez?!) esses novos concorrentes surjam da forma mais descentralizada e simple possível.
  • Jandiro  12/04/2018 18:17
    Pensei exatamente nisso! Tentem regular uma rede social baseada em blockchain...
  • Alysson  12/04/2018 19:54
    steemit.com
  • Pérsio  12/04/2018 16:07
    Sim, o Zuckerberg defendeu SEUS PRÓPRIOS interesses. E não está errado! Ele é empresário e vai complicar a vida dos concorrentes.
    Entretanto, como sou contra todo e qualquer monopólio, seja público ou privado, optei por não ter uma conta do Facebook, Instagram ou Twitter.
  • anônimo  14/04/2018 20:49
    a questão não é defender seus interesses, mas usar a violência pra faze-los
  • Felipe Lange  12/04/2018 16:18
    Ninguém escapa. No lugar dele, teria falado na frente dos políticos que a regulação é feita pelos consumidores e não por legislações. Será que me perseguiriam?
  • Wesley  12/04/2018 17:35
    Não, mas aí você seria o grande perdedor. Muito mais "negócio" é você fingir que aceita ser regulado ao mesmo tempo em que você próprio escreve as regulações que irão ajudá-lo e que irão ferrar os concorrentes.
  • Felipe Lange  12/04/2018 18:15
    Eu ficaria com peso na consciência.
  • Gulasdo  12/04/2018 16:28
    Show, eu já estava vindo reclamar no Mises que não havia matéria sobre o questionamento do Zuckerberg.
  • Vitor  12/04/2018 16:32
    Mas ele não deixou claro qual tipo de regulação ele acha boa ou correta. Será mesmo que ele estava se referindo a uma regulação por parte do governo?? Ou uma regulação por parte dos próprios usuários da rede social??
  • Breno  12/04/2018 16:44
    Sua pergunta é seria? Leia o diálogo. Um senador perguntou a Zuckerberg se ele aceitava ser regulado, e em seguida pediu para o próprio Zuckerberg apresentar suas propostas para a comissão reguladora do Senado. E você acha que o Senado está defendendo uma regulação feita pelos usuários?

    É cada sonhador...
  • Fernando  12/04/2018 17:25
    O mais legal foi o episódio do Uber. A regulação que estipularia sua proibição foi escrita por representantes do setor de táxis. Aí Uber e Cabify se uniram, reescreveram totalmente a regulação, e no final agitaram para aprová-la, o que criou uma lei que na prática ajuda Uber e Cabify, protegendo contra novos concorrentes.
  • Vitor  12/04/2018 17:36
    Instagram, Snapchat, LinkedIn, Google,Twitter, Pinterest, Tumblr, Tagged, MySpace, MeWe, Flickr, Diaspora, Ello, Foursquare, Ning, Path, Quora.

    Esses são os que lembro de cor. O mercado (ainda) está aberto. Quem não gosta do Facebook, vá pra esses enquanto ainda dá.
  • Yuri  12/04/2018 17:43
    E ontem, na Câmara, teve mais. A coisa é bem explícita:

    Facebook CEO Mark Zuckerberg said Wednesday that federal regulation of Facebook and other Internet companies is "inevitable" .

    "The Internet is growing in importance around the world in people's lives; I think it's inevitable that there will be some regulation," the 33-year-old billionaire told members of the House Energy and Commerce Committee.

    Rep. Frank Pallone of New Jersey, the senior Democrat on the House commerce committee, said he was glad Zuckerberg "conceded that industry needs to be regulated."

    "I agree," Pallone said. "It's time for this Congress to pass comprehensive legislation. If all we do is have a hearing and nothing happens, then we haven't accomplished anything."[…]

    Zuckerberg promised Rep. Peter Welch, D-Vt., that Facebook would work with Congress to develop regulations that prioritize consumers' right to privacy.

    "Yes, congressman, I'll make sure we work with you to flesh this out," Zuckerberg told Welch.

    www.washingtonexaminer.com/news/mark-zuckerberg-opens-door-to-facebook-regulations-under-tough-house-questioning
  • Felipe Lange  12/04/2018 23:17
    Uma coisa medonha.
  • Desconhecido  12/04/2018 18:13
    Eu posso não ter entendido, mas qual foi a gravidade do Facebook em divulgar dados que as pessoas já divulgam?
  • Luiz Moran  12/04/2018 18:22
    Este caso com Zuckerberg escancara como as pessoas estão totalmente idiotizadas.

    A sociedade do politicamente correto, das ideologias esquerdistas ou libertárias (que pouco se diferem) e da fake news, é a mais dócil e estúpida sociedade que já habitou o planeta.

    Administrar idiotas é uma tarefa das mais divertidas e cômicas que pode existir.

    Viva a burrice !
  • Guilherme  12/04/2018 18:35
    Concordo. E ainda mais idiotizados, dóceis e estúpidos são aqueles sedizentes conservadores que veneram políticos, principalmente Trump e Bolsonaro, que são vistos como gênios corajosos e grandes estrategistas (sendo que ambos só querem o poder de mandar nesses próprios idiotas que os veneram).

    Esses são ainda mais idiotas que petistas e lulistas. Petistas e lulistas ganham dinheiro para serem assim; já os falsos conservas que amam e veneram políticos o fazem de graça. O que pode ser mais idiotizado, dócil e estúpido do que alguém puxar saco de político de graça?

  • Guilherme  12/04/2018 19:42
    Rá, num tô falando? Olha mais um espécime aqui.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2869#ac214776
  • Pobre Mineiro  12/04/2018 21:16
    Tem muitos desses aí sonhando em ir para os "isteitis", mas com o Trump o buraco é mais embaixo, as leis de imigração só tendem a ficar ainda mais rigorosas, e idiotas como esses terão cada vez mais dificuldades em entrar nos EUA. kkkkk

  • Luiz Moran  12/04/2018 21:03
    www.youtube.com/watch?v=0tzLxNu6L6A
  • L Fernando  13/04/2018 01:23
    Bah, os senadores americanos não são tão burros assim como o artigo quer afirmar, por sorte
  • Tulio  13/04/2018 12:13
    Por sorte?! Acho que você quis dizer 'azar', né?

    A pior coisa que pode haver para a liberdade é você ser comandado por pessoas inteligentes. Essas, sim, são perigosíssimas, pois sabem muito bem o que estão fazendo. E, por serem inteligente, não dão brechas para que você possa escapar do jugo delas.

    Já ser comandado por pessoas burras é o melhor arranjo, pois você facilmente dá um by-pass nelas.

    Hitler, Stalin e demais tiranos eram extremamente inteligentes. Demoraram para cair. Já Dilma era extremamente ignara. Caiu rapidinho.

    E é claro que os congressistas americanos não são burros. E o artigo em momento algum fez tal afirmação; apenas ressaltou que eles são totalmente ignorantes sobre um assunto específico que querem regular. Isso não é ser burro, é ser prepotente.

    Mais atenção na próxima.
  • Pobre Paulista  12/04/2018 19:33
    "Quando o produto é de graça, o produto é você"

  • anônimo  12/04/2018 20:59
    O artigo deixa algumas informações de fora no qual eu gostaria de destacar aqui, apenas o que EU ACHO relevante com base nesta fonte: noticias.gospelprime.com.br/zuckerberg-denunciado-censura-conservadores.

    "(...) mau uso de dados de 87 milhões de perfis da rede social."

    "(...) o senador do Texas, Ted Cruz, criticou Zuckerberg por sua rede social não ser, de fato, um fórum público neutro."

    "'Há muitos usuários que estão profundamente preocupados com o fato de o Facebook e outras empresas de tecnologia terem adotado um 'padrão difuso', mostrando preconceito e censura a certas posições políticas', argumentou Cruz."

    "(...) o senador Cruz listou diversos casos conhecidos de páginas conservadores ou claramente 'à direita' que foram apagadas."

    "(...) censura ao apresentador de rádio Glenn Beck, da empresa Chick-fil-a – cujo dono é evangélico e faz campanhas pela família tradicional – e de algumas celebridades que defendem Donald Trump.

    Alguns deles tiveram postagens e as próprias páginas retiradas do ar por serem 'inseguras para a comunidade'. Também citou o caso de Palmer Luckey, alto funcionário da empresa que teria sido demitido após declarar seu apoio a Trump."

    "Quando o senador questionou quantas postagens ou páginas que defendiam o aborto ou candidatos progressistas (de esquerda) haviam recebido o mesmo tratamento – censura – o CEO do Facebook não conseguiu dar uma explicação coerente."

    "Em resposta ao senador, Zuckerberg tentou dizer que não sabia de todos os casos citados, mas não negou que as páginas foram apagadas por questões ideológicas."
  • Tio Patinhas  13/04/2018 16:46
    Mas a censura não pressupõe um ambiente estatal? Fechar ou apagar páginas não é parte do exercício de propriedade? A empresa ou pessoa não tem o direito de decidir o que pode ou não em sua propriedade?
  • Kira  13/04/2018 17:01
    O Facebook assim como Twitter e Youtube, tem violado os próprios contratos que tem como usuários que clicam em 'aceitar' para usar a rede. Páginas são deletadas sem qualquer prova objetiva de violação das regras privadas deles, enquanto há várias páginas, vídeos e posts em cada uma dessas redes sociais que claramente violam as regras que eles mesmos estabeleceram e ironicamente não sofrem nenhum tipo de advertência. Isso é violação de contrato.
  • ANDRE LUIS  12/04/2018 22:59
    Não sei até que ponto esse teatro montado com MZ no congresso americano vale uma defesa do ponto de vista liberal. Vejo ali um pouco mais do mesmo.... Burocratas fazendo uso de pautas liberais pontuais com o objetivo de aumentar seu poder.

    No caso da audiência parece que estavam apontando uma suposta violação dos dados pessoais dos usuarios do FB para impor regulações (via Estado) benéficas a ambos os atores, tal como apontado no texto, e de quebra inventar um factóide político de influência em eleições.

    Vejo essa mesmo ardil se repetir em diversas situações, onde pautas liberais pontuais são usadas como trampolim para o aumento do poder estatal, infelizmente com o apoio de muitos liberais.

    A liberação das drogas a meu ver é um exemplo dessa manobra estatal. Burocratas querem liberas drogas, porém não abrem mão do monopólio do uso da força nas mãos do estado, bem como saúde "grátis" para todos e ainda frequência escolar forçada a partir dos 4 anos de idade.

    Alguns pensam que esta seria uma vitória da liberdade do indivíduo perante o poder do estado......Já a realidade é bem outra.

    Realidade 1: Aumento da violência e maior demanda por "segurança" estatal, já que é a única disponível.... Mais dinheiro e poder ao estado.

    Realidade 2: Cracolândias por todo o país, e viciados tratados com dinheiro de impostos, pois são uma "questão de saúde pública"..... Mais dinheiro e poder ao estado.

    Realidade 3: Crianças obrigadas a frequentar ambientes infestados de drogas (agora não passíveis de proibição) a partir dos quatro anos de idade ....... Maior vitória da liberdade do indivíduo perante o poder do estado?

    Gostaria de saber a opinião dos leitores. Vcs acreditam que o Estado pode aumentar seu poder ou influência ao defender pautas liberais pontuais?
  • Emerson  13/04/2018 12:11
    Esse aí, coitado, não sabe nem onde é que ele tá. Discurso completamente desconexo, assim como as ideias dele.
  • anônimo  13/04/2018 13:38
    Absolutamente todo que o Estado faz é para aumentar seu poder, achar que burocratas/políticas irá reduzir o Estado é pura ideologia e/ou ingenuidade. Se você observar verá que só há redução do Estado depois que ele mesmo se "auto destruí-o" com socialismo, democracia e etc.
  • Um observador  13/04/2018 15:16
    "Realidade 1: Aumento da violência e maior demanda por "segurança" estatal, já que é a única disponível.... Mais dinheiro e poder ao estado."
    Com a liberação das drogas talvez ocorreria um aumento temporária na violência, já que com o fim do tráfico muitos grupos criminosos que hoje se sustentam vendendo drogas iriam partir para roubo, etc. Mas isso é mais fácil de combater, já que as forças de segurança não gastariam mais tantos recursos combatendo o tráfico (que é enxugar gelo).

    "Realidade 2: Cracolândias por todo o país, e viciados tratados com dinheiro de impostos, pois são uma "questão de saúde pública"..... Mais dinheiro e poder ao estado."
    Você parte da premissa que a liberação das drogas causaria um aumento considerável no número de usuários. Mas com base em que? Não é qualquer um que vai se aventurar no crack. E, quem quer, já consegue fazer isso hoje - mesmo com a proibição das drogas.

    "Realidade 3: Crianças obrigadas a frequentar ambientes infestados de drogas (agora não passíveis de proibição) a partir dos quatro anos de idade ....... Maior vitória da liberdade do indivíduo perante o poder do estado? "
    Crianças obrigadas a frequentar ambientes infestados de drogas? Como assim? Não se pode beber e nem fumar em escolas. O que te faz pensar que o uso de drogas ali seria permitido?

    "Vcs acreditam que o Estado pode aumentar seu poder ou influência ao defender pautas liberais pontuais?"
    De jeito nenhum. Uma pauta liberal, por si só, vai diminuir o poder do estado. Mas uma pauta liberal poderia vir em um "pacote" junto com pautas estatizantes atreladas, e aí sim seria um problema. Mas não por causa da pauta liberal em si.
  • Pobre Paulista  13/04/2018 19:14
    Em resumo: Não dá pra desestatizar as drogas sem antes liberar o porte de armas e acabar com a saúde pública primeiro. Vamos fazer as coisas na ordem certa.
  • ANDRE LUIS  14/04/2018 01:21
    Olá observador.

    1- Mesmo que a Souza Cruz passe a vender cigarros de maconha e pinos de coca, traficar continuará sendo um ótimo negócio por isso irá continuar firme e forte. A violência atual irá continuar, acrescida de milhares de outras ocorrências espalhadas pela cidade em decorrência do aumento do consumo.

    2- Houve aumento do consumo de drogas em todos os países que as liberaram ou adotaram "free zones",e junto vieram aumento da violência, doenças, promiscuidade e demais problemas relacionados. O caos instaurado terá um custo financeiro e social enorme, e será bancado pelas pessoas de bem pagadores de impostos. Isso é tudo o que o papai Estado mais quer.

    3- Imagine dezenas de pessoas usando e portando drogas livremente, sem nenhum tipo de repressão, na porta da escola de seu filho ou familiar. Veja o quão fácil será o acesso a todo tipo de drogas. E tem mais,num cenário de liberação, não dá pra saber de antemão se haverá repressão ao consumo de drogas por menores. Aliás dá sim, tendo em vista a impunidade promovida atualmente pelo ECA até para assassinos.

    Só pra deixar claro, sou a favor da liberação das drogas, mas desde que pessoas possam ser realmente responsabilizadas pelos seus eventuais abusos, e que terceiros possam ser livres para proteger a si, sua família e seu patrimônio. Enquanto nada disso for possível, sou contra.
  • Gustavo  13/04/2018 20:41
    Se Grandes Corporações tendem a se aproximar de regulações e menos capitalismo, o que salva o no Anarcocapitalismo empresas consolidadas de Justiça e Policia de se tornarem Tirânicas? Num cenário em que Empresas de segurança, com um discurso em prol do bem comum, iluda as pessoas sobre leis para regular empresas menores e pouco equipadas de segurança, ou melhor, uma unificação das maiores empresas de segurança para regular as empresas clandestinas.
  • Medeiros  13/04/2018 21:08
    Empresas de segurança não têm poder legislatório, muito menos poder para "regular" outras empresas menores do ramo.

    Outra coisa, meu caro: se o cenário é anarcocapitalista, então, por definição, não existe isso de "empresas clandestinas". O que torna uma empresa clandestina hoje é o fato de ela não estar em conformidade com os éditos do estado. É uma empresa que opera sem a autorização de políticos e burocratas. Mas, ora, se não há estado, então, por definição, não tem como uma empresa estar "clandestina".

    Clarifique seus conceitos.
  • anônimo  13/04/2018 21:23
    "Empresa clandestina" no anarcocapitalismo foi realmente sensacional...
  • André Ferris - advogado  13/04/2018 23:05
    Facebook ainda existe???? jurava que esse lixo tinha acabado...
  • Iam Ramos  25/05/2018 17:43
    Ele ainda existe, está maior do que nunca e influenciando na sua vida bem mais do que você imagina.
  • Paulo Henrique  14/04/2018 00:50
    Antigamente os políticos ao menos disfarçavam a criação de uma reserva de mercado, hoje pedem diretamente para a empresa quais regulações ela quer, só falta dar a caneta para assinar

  • Lucas  14/04/2018 03:34
    Como responder ao meu professor:

    1- que disse que quando preços diminuem, mesmo pela concorrencia, os capitalistas aproveitam para diminuir os salarios tambem ja que o custo de vida dos trabalhadores diminiu.
  • Ulysses  14/04/2018 04:18
    Se um capitalista fizer isso ele perderá a mão de obra qualificada dele para outros capitalistas. A concorrência de capitalistas por mão de obra qualificada é tão intensa quanto à concorrência entre eles pela preferência dos consumidores.

    Agora, de fato há um cenário em que o capitalista pode reduzir os salários sem perder mão de obra: no cenário de uma economia fortemente regulada e amarrada pelo governo.

    Nesse cenário de economia regulada e amarrada, os empregos são escassos. Consequentemente, aqueles trabalhadores que estão empregados farão de tudo (e aceitarão de tudo) para manter seus empregos, pois eles sabem que outras oportunidades são raras.

    Ou seja, o único agente que pode causar uma redução definitiva do salário dos trabalhadores é o governo e suas regulações.
  • Lucas  14/04/2018 16:32
    Entendi. Obrigado pela explicação!
  • Kira  14/04/2018 18:31
    okumento, todas as empresas vão reduzir os salários de forma proporcional, e a média de lucro provavelmente não vai aumentar e o mercado se estagna. Qual a utilidade disso? reduzir o salário reduziria o poder de compra e o potencial de lucro. A concorrência por salários e mão de obra não deixou de existir, além do fato que quanto mais a tecnologia e ferramentas de trabalho se tornam baratas, maior a produtividade e estímulo para a.
  • Felipe  16/04/2018 00:34
    Esse artigo não mencionou que foi discutido esse tema na audiência, e que o Mark Zuckerberg foi questionado sobre isso:

    Senator Sullivan: Uma das minhas preocupações em regular uma empresa do tamanho da sua, enquanto você nos diz: "Ei, nós podemos estar interessados em ser regulados", é que as regulações podem também cimentar o poder atual.
    Então o que você quer dizer com isso (sobre aceitar ser regulado)? Você tem vários lobistas, e acho que todo lobista na cidade está de olho nessa discussão de uma forma ou de outra, muitos interesses em jogo.
    Veja o que aconteceu com a lei Dodd-Frank (lei criada pelo Obama no pós crise de 2008): foi destinada inicialmente aos grandes bancos, mas a regulação por fim acabou empoderando os grandes bancos e reprimindo os bancos pequenos. Você acha que esse risco existe, dada a sua influência? Se o regularmos, estaremos na verdade consolidando sua liderança atual?
    Uma das minhas maiores preocupações sobre fazermos isso (criar novas regulações), é o sobre "próximo" Facebook. Minha preocupação é que você ficará tão dominante que não será possível termos o "próximo" Facebook. O que você acha disso?

    Mark Zuckerberg: Senador, eu concordo com o ponto que você mencionou, que regulações em todas as indústrias devem se preocupar em não cimentar a liderança das companhias atuais. Eu acho que parte do desafio com as regulações em geral, é que quando você cria mais regras para para as empresas seguirem, as grandes empresas como a nossa terão os recursos para aderi-las, mas pode ser mais difícil para as empresas que acabaram de começar atendê-las.

    Veja:




  • Ricardo  17/04/2018 00:23
    www.institutoliberal.org.br/recente/o-facebook-e-uma-empresa-privada?-e-por-isso-mesmo-tem-regras-a-seguir/
  • Henrique Diron  17/04/2018 15:14
    Qual a diferença: de grandes corporações serem regulamentadas pelo governo; terem conivência no monopólio de um determinado setor da economia com essas; com a dos tempos da Idade Média, onde cada burgo era monopolizado por uma nobreza atendo os desejos rei, o qual regulamentava a "Aristocracia (governo dois melhores)" ?
  • Emerson Luis  30/04/2018 12:59

    Não foi tão confortável assim para o MZ.

    A principal questão é a quebra de contrato: o FB se apresenta como uma plataforma neutra e isonômica, mas na prática trata diferente os clientes de acordo com suas convicções filosóficas, religiosas, etc.

    Ou o FB começa a realmente tratar a todos de forma isonômica, ou assume sua parcialidade pró esquerdismo. Mas eles não querem fazer isso porque seria ruim para os negócios, é mais lucrativo continuar mentindo que são imparciais.

    * * *
  • Capital Imoral  30/04/2018 19:16
    Relações tecnológicas e a manipulação das massas

    No mundo existe uma tendência a produção em massa de plataformas sociais, porém não há pessoas capacitadas para consumi-las. No artigo de hoje vamos entender como essa relação entre o excesso tecnológico e a falta de capacitação dos próprios consumidores serve como ferramenta para que a direita se mantenha no poder.

    Você já se perguntou quantas redes sociais existiam em 2002? E quantas existem hoje? Se você fizer as contas verá que ocorreu um aumento substancial no número de redes sociais em todo mundo, pesquisas recentes afirmam que são criadas mais de 100 novas redes sociais todos os anos somente no ocidente. Há tantas redes sociais, que até deixaram de criar redes que tivessem uma abrangência para tudo (como o facebook) e agora estão programando redes focadas em nichos específicos como Flickr (para fotos) e Linkedin (para empregos). Mas qual o problema em haver tantas redes sociais no mundo?

    Inversamente ao avanço tecnológico que há no mundo, está ocorrendo um aumento da ignorância e analfabetismo funcional entre consumidores. Quero dizer que as pessoas estão tendo acesso ao que há de melhor em tecnologia e avanço estético, mas, a grande maioria desta massa de consumidores não sabem ler e escrever. E isso é culpa do capitalismo que deixa as pessoas burras. A consequência de tudo isso será refletida nas eleições presidenciais no qual as massas são influenciadas por fake news e por ideologias retrógradas que já foram há muito tempo refutadas pelos progressistas (basta averiguar a ascensão do neoliberalismo e da extrema-direita nas redes sociais).

    Podemos concluir que existe uma influência do capitalismo através da eficiência tecnológica e estética que vai controlando a mente de pessoas que são mais ignorantes. Por isso as redes sociais precisam ser reguladas, porque as pessoas não estão preparadas para tamanho avanço, antes elas precisam aprender filosofia e o próprio domínio da língua.

    Como será as redes sociais quando o comunismo dominar o mundo
    Por mais que os neoliberais e conservadores façam barulho, cedo ou tarde, o comunismo irá dominar o mundo e controlar todos habitantes da terra; é da nossa natureza a busca pelo progresso social.

    Uma das coisas mais interessantes do comunismo será o acesso a internet e a única rede social do governo que valerá para todo mundo. Isso mesmo, uma única rede social para o mundo inteiro, ela será vermelha. Para ter acesso a esta maravilha tecnológica você somente precisará tirar seu passaporte de acesso à rede, isso significa que você terá que fazer um curso de um ano para aprender como se portar nessas ambientes virtuais sem ofender minorias de gênero, cor, raça, e verdurix (Pessoas que pensam que são verduras) além de sua formação básica em filosofia e línguas que você deve ter aprendido na escola estatal. Mas por que tudo isso? Este pequeno controle social visa não deixar nossos irmãos vítimas da própria ignorância como está ocorrendo hoje.

    Tudo será tão maravilhoso, neoliberal. O debate será outro nível, iremos discutir com mais beleza e profundidade sobre como o modo de comer de alguém pode ser ofensivo para o gênero beterraba, poderíamos discutir sobre a beleza da nova religião Et bilu em nossa dia a dia, e obviamente, falar sempre sobre a revolução que nunca acaba. Afinal, tudo se trata sobre o progresso. Não é mesmo, neoliberal? Não se preocupe caso haja mensagens de ódio em nossa rede social, o próprio sistema irá apagar a mensagem e reduzir pontos sociais de uma pessoa na vida real. O respeito irá imperar entre todos na internet, vamos olhar para o passado com vergonha dessa baderna anárquica que está ocorrendo nos dias hoje. Por enquanto o facebook domina o mundo, mas um dia isso irá mudar.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • thiago  18/06/2018 13:10
    Eu tenho uma conta no Face feita há anos para testes da plataforma, mas nunca usei, exceto como perfil para acessar o Tinder. Há alguns dias, perdi o acesso porque minha conta no Face havia sido invadida: alguém na Califórnia entrou, trocou a minha senha e trocou a minha foto do perfil, e sei lá mais o quê. Comecei a receber um monte de e-mail em japonês, já que o invasor aparentemente era japonesa. Fiz os procedimentos de alerta de invasão de conta e de recuperação de conta e senha. Ai vc já viu, precisa dar e-mail alternativo e inclusive tive que usar o meu número de celular para receber códigos de confirmação. Muito suspeito e pouco confiável.


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