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Alguns pontos básicos sobre a liberdade - os quais muitas pessoas ainda não conseguem aceitar
Vender ou deixar de vender um produto ou serviço não é algo passível de legislação

Em 2013, nos EUA, em resposta ao cada vez mais intenso debate sobre o direito de portar armas de fogo em público, o presidente da Starbucks, Howard Schultz, postou uma carta aberta no website da empresa pedindo que os clientes "não mais tragam armas de fogo para dentro de nossos estabelecimentos ou às nossas áreas externas".

Até então, vários grupos desarmamentistas já haviam anunciado um boicote à Starbucks por causa da política da empresa de seguir as leis estaduais locais que permitiam o porte de armas em público. Após a decisão da Starbucks, porém, grupos conservadores pró-armas expressaram sua intenção de boicotar a empresa por causa desta sua nova política anti-armas.

Recentemente, após os ataques em Parkland, Florida, grandes varejistas como Walmart e Dick's Sporting Goods anunciaram que não mais irão vender armas para qualquer pessoa com menos de 21 anos de idade.

A Walmart também acrescentou que "não mais irá vender itens que se assemelhem a rifles de ataque (tipo AR-15), inclusive brinquedos e armas de pressão". Já a Dick's afirmou que "está imediatamente abolindo as vendas de todos os rifles de ataque em suas lojas" e que "não mais irá vender pentes de alta capacidade (pentes capazes de armazenar mais cartuchos que o padrão)".

Ambas as varejistas disseram que suas decisões são uma resposta ao ataque em Parkland.

"À luz dos recentes acontecimentos, estamos revisando nossa política de venda de armas", disse alguém da Walmart. "Quando vimos o que houve em Parkland, ficamos extremamente transtornados", disse Edward Stack, o CEO da Dick's. "Aquilo nos afetou".

Embora ele tenha dito que a varejista continua "uma defensora inflexível da Segunda Emenda (que garante aos americanos o direito de possuir armas de fogo) e continuaria vendendo uma variedade de armas esportivas e de caça", o CEO também disse que "a empresa está empenhada em pressionar os congressistas a aprovar aquilo que chamamos de 'reforma sensata': elevar a idade mínima para a compra de armas para 21 anos de idade, proibir a venda de fuzis de ataque (AR-15) e de bump-stocks, e implantar uma checagem mais ampla do histórico do comprador, que inclua informações sobre saúde mental e problemas anteriores com a lei".

As declarações da Walmart e da Dick's se seguiram a uma série de anúncios de grandes empresas que estão querendo se distanciar da National Rifle Association (NRA) após os ataques em Parkland. Várias companhias aéreas e locadoras de carros anunciaram que não mais iriam oferecer descontos para os membros da NRA.

Entretanto, outras varejistas de armas — como Bass Pro Shops e Academy Sports + Outdoors — não fizeram nenhuma alteração em sua política de venda de armas.

Os méritos e deméritos das decisões tomadas pela Walmart, pela Dick's Sporting Goods, pela Bass Pro Shops e pela Academy Sports + Outdoors quanto à venda de armas, bem como os das outras empresas quanto aos descontos que concediam aos membros da NRA, não são o ponto principal aqui.

Eis o que realmente interessa: as decisões dessas empresas são um perfeito exemplo do livre mercado em funcionamento. Elas também são um perfeito exemplo de como o livre mercado deveria funcionar em todos os casos, em todas as áreas, em todos os setores, a todo o momento. (Atenção: não há um livre mercado absoluto nos EUA; há apenas um mercado que ainda é relativamente livre em algumas áreas, como o varejo).

Livre mercado e sociedade livre

Como deixei claro em meu livre The Free Society, em uma sociedade verdadeiramente livre, qualquer vendedor de mercadorias ou serviços — desde grandes corporações até microempresas e vendedores autônomos — deveria ser livre para vender ou se recusar a vender qualquer produto ou serviço para qualquer indivíduo.

Se eles irão optar por vender ou não vender cerveja, vinho, vodka, uísque, absinto, armas, munições, pornografia, preservativos, cigarros, charutos, fumo de mascar, pílulas anticoncepcionais, brinquedos sexuais, alimentos de baixo valor nutritivo, maconha, drogas pesadas, leite cru, tênis fabricados em sweatshops (estabelecimento de condições precárias, normalmente na China, onde os funcionários têm longa jornada de trabalho e baixos salários), carne de cavalo, foie gras, ou comida com alto teor de gordura trans ou de colesterol — nada disso é assunto do governo.

A nenhum político ou burocrata deve ser dado qualquer poder regulatório sobre esta livre interação entre vendedores e consumidores.

Mas isso não é tudo. Em um mercado verdadeiramente livre:

  • Em quais dias e em quais horários uma loja irá funcionar não é assunto para o governo legislar.
  • Em quais dias ou em quais horários um estabelecimento irá vender álcool não é assunto para o governo legislar.
  • Para quem (gênero, cor, idade, religião, preferência sexual) um determinado estabelecimento se recusa a vender produtos, e o porquê, não é assunto para o governo legislar. (Um negro tem tanto direito de se recusar a atender um cliente branco quanto o inverso. O mesmo vale para homens, mulheres, heterossexuais, homossexuais, transgêneros, não-binários etc.)
  • Para quem (gênero, cor, idade, religião, preferência sexual) um determinado estabelecimento fornece descontos não é assunto para o governo legislar.
  • Para quem proprietários alugam seus imóveis não é assunto para o governo legislar.
  • Para quem proprietários vendem seus imóveis não é assunto para o governo legislar.
  • Para quem bancos emprestam dinheiro não é assunto para o governo legislar.
  • Que tipo de pessoas as empresas irão contratar não é assunto para o governo legislar.
  • O salário que as empresas irão pagar a seus empregados não é assunto para o governo legislar.
  • Se as empresas adotarão ou não políticas de ação afirmativa não é assunto para o governo legislar.
  • Se e quais benefícios as empresas irão oferecer a seus empregados não é assunto para o governo legislar.
  • Quais as normas de vestuário estipuladas pelas empresas para seus funcionários não é assunto para o governo legislar.
  • Qual a roupa exigida por um estabelecimento para que os clientes possam adentrar não é assunto para o governo legislar.
  • Quantas vagas para deficientes um estabelecimento oferece não é assunto para o governo legislar.
  • Se um estabelecimento terá ou não acomodações para deficientes não é assunto para o governo legislar.
  • Se um estabelecimento permitirá ou não a entrada de cachorros não é assunto para o governo legislar.
  • Se um estabelecimento permitirá ou não aos clientes fumarem não é assunto para o governo legislar.
  • Quais as taxas de juros que bancos e financeiras cobram não é assunto para o governo legislar.
  • Quais preços os estabelecimentos praticam não é assunto para o governo legislar.
  • E, acima de tudo, quais serviços as pessoas podem ofertar não é assunto para o governo legislar.

Em um verdadeiro livre mercado, estas coisas não são assunto para o governo legislar. Quem irá legislar, por meio de suas decisões de comprar ou de se abster de comprar são os consumidores.

Os empreendimentos correm o risco de alienar seus clientes atuais e potenciais caso a) parem de vender ou se recusem a vender um item; b) parem de oferecer ou se recusem a oferecer um serviço; c) imponham restrições de idade; d) pratiquem discriminação; e) aumentem preços; f) não acomodem os deficientes; ou f) se envolvam em questões políticas ou culturais.

Mas eles também poderão manter ou até mesmo ganhar consumidores caso façam algumas dessas coisas.

Em qualquer caso, o soberano é o consumidor e não o governo. O governo não pode ter o direito nem de obrigar um empreendimento a fazer ou a deixar de fazer algo, nem de subsidiá-lo, nem de protegê-lo, nem de socorrê-lo financeiramente.

Mas há o outro lado da moeda para tudo isso.

Não existe algo como o direito de ter um emprego, de ter uma casa, de conseguir um empréstimo, de ter benefícios trabalhistas, de ganhar um "salário digno", de ter uma vaga exclusiva, de ter descontos, de ser ofertado um produto ou um serviço, e de ter privilégios baseados em gênero, cor, crença ou preferência sexual.

Em um verdadeiro livre mercado, se alguém não gosta do salário ou dos benefícios oferecidos por uma empresa, da norma de vestuário que ela impõe, ou da política discriminatória que ela pratica, esse alguém é livre para ir trabalhar para outra empresa.

Em um verdadeiro livre mercado, se alguém não gosta das razões por que uma empresa concede descontos a uma determinada classe de pessoas, esse alguém é livre para não ser cliente dela e ir comprar nos concorrentes.

Em um verdadeiro livre mercado, se alguém não quer pagar um determinado preço praticado por um estabelecimento, esse alguém é livre para fazer negócios com outros.

Em um verdadeiro livre mercado, se alguém faz uma oferta para comprar um imóvel ou para alugar um apartamento, e essa oferta é recusada, esse alguém é livre para procurar outro lugar para viver.

Em um verdadeiro livre mercado, se alguém tem seu pedido de empréstimo negado ou não concorda com a taxa de juros cobrada, ele é livre para procurar e encontrar outro emprestador.

Em um verdadeiro livre mercado, se alguém não gosta dos produtos que uma empresa está vendendo, ele é livre para ir fazer negócios com os concorrentes.

Em um verdadeiro livre mercado, se alguém não gosta das políticas ou das declarações políticas de uma empresa, ele é livre para ir fazer negócio com os concorrentes.

As reações dos consumidores às decisões de uma empresa — sejam elas positivas ou negativas — são parte do livre mercado em funcionamento. Se as decisões das empresas irão ajudá-las, prejudicá-las ou não terão impacto nenhum, é algo que ainda está para ser visto. Mas quem irá decidir é o consumidor.

Conclusão

Essas são noções básicas e triviais de liberdade, as quais várias pessoas, incluindo alguns liberais, ainda não conseguem aceitar. E você?

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Leia também:

As nove diferenças cruciais entre uma economia livre e uma economia intervencionista

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa? 


autor

Laurence Vance
é um acadêmico associado ao Mises Institute, escritor freelancer, professor adjunto de contabilidade da Pensacola Junior College, em Pensacola, Flórida, e autor dos livros Social Insecurity, The War on Drugs is a War on Freedom, e War, Christianity, and the State: Essays on the Follies of Christian Militarism.


  • Mises traído  27/03/2018 15:39
    " Em um verdadeiro livre mercado, estas coisas não são assunto para o governo legislar. Quem irá legislar, por meio de suas decisões de comprar ou de se abster de comprar são os consumidores."


    Pergunta pra qualquer pessoa na rua aqui do Brasil o que ela acha desses temas listados.


    Os próprios consumidores vão jogar esse abacaxi na mão do governo. Os próprios consumidores vão exigir: "tem que ter uma lei pra X, tem que ter uma lei pra Y, o governo tem que fazer tal coisa"
    É a cultura que se instalou na mente das pessoas.

    Eu convoco o IMB a fazer uma pesquisa sincera nas ruas aí de qualquer capital. Listem esse tema e perguntem pra qualquer pessoa.


    Não existe algo como o direito de ter um emprego, de ter uma casa, de conseguir um empréstimo, de ter benefícios trabalhistas, de ganhar um "salário digno", de ter uma vaga exclusiva, de ter descontos, de ser ofertado um produto ou um serviço, e de ter privilégios baseados em gênero, cor, crença ou preferência sexual.

    Agora quem pediu tudo isso ? Foram os próprios "consumidores".

    Por incrível que pareça essas demandas não surgiram da cabeça de um burocrata.


    Esse gozo pelo livre mercado que os libertários tem... esse livre mercado não existe. Ele é tão utópico como as ideias comunistas.

    As pessoas tem interesses distintos, os grupos sociais existem(não são abstrações) e eles brigam pelos seus interesses. O grupo dos bancários, o grupo dos negros, o grupo dos gays, o grupo da saúde, todo mundo quer cagar regra. Então o que de fato não existe é esse livre mercado pacificado idealizado pelo site.

    E não é uma opinião pessoal mas é um fato(e vocês sabem disso) que aqui no Brasil ,em especial, as pessoas vão exigir que o Estado atue nessas áreas. Se uma loja vende bebida pra um menor de idade e esse menor faz alguma besteira com pessoas inocentes, as pessoas vão exigir lei pra que esse menor não compre bebida, vão exigir Estado pra punir esse menor, vão exigir lei pra assistir as vítimas do menor. A mídia vai ficar de mimimi pra variar. Ainda mais com o politicamente correto vagando por aí.
    Se esse menor não fizer nada de errado, ainda vão ter os caga regras da saúde dizendo que bebida faz mal pra menor. Enfim, é muito mais complexo do que pinta no site.

    Infelizmente o IMB vai continuar perdendo o debate pra Esquerda porque não consegue conversar além daquilo que se chama de "comércio".

    Ela defende a liberdade de fazer comércio e acredita que isso resolve tudo.
    Santa ingenuidade, Bátiman











  • Lima  27/03/2018 15:52
    Beleza. Mas e você: o que tem feito de efetivo pela liberdade em vez de apenas ficar gemendo e chamando os outros de ingênuos?
  • Bruno  27/03/2018 16:25
    Quando um estudante de física começa a estudar um conceito, aceleração por exemplo, após examinar a teoria, ele precisará resolver alguns exercícios.

    Na maioria das vezes, esses exercícios irão desconsiderar detalhes. Por exemplo, um exercício sobre a variação da velocidade de uma pedra em queda livre. Não raro, podemos encontrar versões desde exercício que desconsiderarão o atrito com o ar.

    O aluno ingênuo poderá questionar a relevância desse exercício posto que tal condição, na realidade, não existe. O aluno esperto entende que antes de compreender um sistema complexo, ele precisa entender suas partes isoladamente.
  • Mises traído  27/03/2018 16:47
  • SRV  27/03/2018 16:42
    Ao "Mises Traído":

    Esse gozo pelo livre mercado que os libertários tem... esse livre mercado não existe. Ele é tão utópico como as ideias comunistas.

    A diferença (e é gigante) é que quando uma sociedade caminha na direção do comunismo, só cria miséria, fome e morte. Quando uma sociedade caminha na direção da liberdade, mesmo que não possamos atingi-la, cria desenvolvimento, progresso, elimina a pobreza e a fome.

    Ela defende a liberdade de fazer comércio e acredita que isso resolve tudo.
    Santa ingenuidade, Bátiman


    Ingenuidade é ficar sentado de braços cruzados, esperando que um dia haja a iluminação divina da população e o Brasil se torne um país sério. Há muito trabalho a ser feito e muita ideologia a ser combatida, mas da mesma forma como o esquerda não se instalou do dia para a noite, não iremos desfazer esse trabalho do dia para a noite.

    Ou você acha que o Brasil, num passe de mágica, vai deixar de ser esquerdista?
  • João   27/03/2018 16:45
    Vá a qualquer praia e você verá que as pessoas acham absolutamente normal ambulantes passarem vendendo picolé, milho, queijo coalho, rapaduras, pés de moleque e vários outros tipos de comida.

    Ninguém nunca questionou se aqueles vendedores são regulamentados, se passaram pelo crivo da Anvisa, se receberam o carimbo de aprovação de algum burocrata. Todos apenas acreditam que aqueles produtos não são envenenados (pelo simples motivo de que um vendedor não tem interesse nenhum em assassinar seus clientes; isso não seria nada bom para os lucros).

    A questão, portanto, é: se aquilo é perfeitamente aceitável nas praias do Brasil, por que não seria nas grandes cidades? Qual a diferença?

    Chame-me de ingênuo, mas acho que o brasileiro é mais libertário do que parece.
  • Mises traído  27/03/2018 16:53
    Você citou um caso simples...praia... produtos simples...

    agora use o seu mesmo exemplo com os produtos citados no artigo : armas, drogas, pornografia etc

    será que a reação seria a mesma ?


    E num país como o Brasil em que se faz empada com carne humana.(risos)

    Sim, você é ingênuo mesmo.
  • Demolidor  27/03/2018 23:12
    agora use o seu mesmo exemplo com os produtos citados no artigo : armas, drogas, pornografia etc

    Esse ingênuo conhece tão pouco do mundo que, na certa, nunca visitou Salto del Guayrá ou Pedro Juan Caballero. Tirando um ou outro episódio violento, são lugares prósperos e pacíficos, com movimento intenso. Famílias paranaenses e sul-mato-grossenses vão até com seus filhos para lá.

    Ingênuo como você é, recomendo que compre no Shopping China ou Queen Anne. Vai comprar barato e não será enganado. Dos produtos que você mencionou, só não vai encontrar drogas pesadas nesses lugares.
  • Miss Traída  27/03/2018 16:46
    Onde já se viu mulheres trabalhando, votando, dirigindo... e escolhendo não casar?!
    Obviamente o governo baixou uma lei "pró-utopia" para que isso acontecesse...

    "Imagine um servo feudal, legalmente ligado à terra onde nasceu e à posição social em que nasceu, trabalhando desde o amanhecer até ao anoitecer, com ferramentas primitivas, para uma subsistência que ele deve compartilhar com o seu senhor, seus processos mentais enredados de medos e superstições. Imagine tentar explicar a este servo como é a estrutura social do século XX. Você provavelmente terá dificuldades de o convencer de que tal estrutura social poderia existir, porque ele iria ver tudo que você descreveu a partir do contexto de seu próprio conhecimento da sociedade. Ele iria, sem dúvida, informá-lo, com um traço de superioridade presunçosa, que a menos que cada indivíduo que nasça na comunidade tenha um lugar específico e uma posição social permanentemente fixa, a sociedade iria rapidamente se deteriorar, se transformando num caos. De forma semelhante, dizer a um homem do século XX que o governo é mau e, portanto, desnecessário, e que teríamos uma sociedade muito melhor se não tivéssemos governo, é provável que isso provocasse um ceticismo educado... especialmente se nós não estivermos acostumados a pensar de forma independente. É sempre difícil imaginar o funcionamento de uma sociedade diferente da nossa e, particularmente, uma sociedade mais avançada. Isto acontece porque nós estamos tão acostumados à nossa própria estrutura social, que temos a tendência de considerar automaticamente cada faceta da sociedade mais avançada, no contexto de nossa própria, o que distorce o sentido da ideia."

    Linda e Morris Tannehill
  • Elder  27/03/2018 17:14
    "Os próprios consumidores vão jogar esse abacaxi na mão do governo. Os próprios consumidores vão exigir: "tem que ter uma lei pra X, tem que ter uma lei pra Y, o governo tem que fazer tal coisa"
    É a cultura que se instalou na mente das pessoas. "


    Em um livre mercado as escolhas são definidas em nível individual e não coletivo. Não cabe a José impedir ou fazer escolhas para João. E nem o contrário. Dizer que deve existir uma lei X ou Y equivale a dizer que José quer impor uma escolha sobre João. Escolha essa que o próprio João não faria. Portanto, ainda que se 99% dos consumidores demandem por uma lei X, esta não pode ser imposta sobre os outros 1% que a rejeitam. Não cabe ao governo legislar sobre escolhas individuais.


    "E não é uma opinião pessoal mas é um fato(e vocês sabem disso) que aqui no Brasil ,em especial, as pessoas vão exigir que o Estado atue nessas áreas. Se uma loja vende bebida pra um menor de idade e esse menor faz alguma besteira com pessoas inocentes, as pessoas vão exigir lei pra que esse menor não compre bebida, vão exigir Estado pra punir esse menor, vão exigir lei pra assistir as vítimas do menor. A mídia vai ficar de mimimi pra variar. Ainda mais com o politicamente correto vagando por aí.
    Se esse menor não fizer nada de errado, ainda vão ter os caga regras da saúde dizendo que bebida faz mal pra menor. Enfim, é muito mais complexo do que pinta no site. "


    Segue a mesma lógica acima. Você se refere a democracia. Democracia é a ideia no qual 51% das pessoas podem decidir e controlar a vida dos outros 49%. É uma forma de totalitarismo também. Não aceitamos isso.


    Ela defende a liberdade de fazer comércio e acredita que isso resolve tudo.
    Santa ingenuidade, Bátiman


    O IMB defende, acima de tudo, a propriedade privada e as liberdades individuais. O direito de decidir o que fazer com a própria vida, desde que isso não interfira no direito do outro de fazer o mesmo. E dentro disso é que está incluída a liberdade de comércio. E sim, isso evitaria uma quantidade enorme de conflitos que existem atualmente porque acreditamos que temos direito de controlar a vida alheia e dizer o que é melhor para o próximo.
  • Mises traído  27/03/2018 18:51
    O libertário é um animal em situação constante de paradoxo .

    Ele cultua o "indivíduo" mas pra suas idéias serem aceitas precisa do coletivo.

    Precisa que a idéia tome grandezas que só o coletivo possibilita.

    Eu fico a pensar, uns dizem que o coletivo é uma abstração, pois acho que o indivíduo é a verdadeira abstração. O indivíduo que por si só ja nasce fazendo parte de uma família(coletivo), já nasce em uma região(coletivo), já nasce fazendo parte de uma espécie(coletivo). Então o que é o indivíduo ? O indivíduo nunca existiu. O que existe é o seu egoísmo, seu egos... até pra fazer comércio você precisa de mais um, ninguém faz comércio consigo próprio.

    "O direito de decidir o que fazer com a própria vida, desde que isso não interfira no direito do outro de fazer o mesmo."

    Essa frase já mostra o erro dos libertários a partir do momento que se insere o "OUTRO".

    O que eu faço provoca consequências na vida do outro e vice versa.


    Acho que os libertários deveriam ler menos Mises e mais Aristóteles.

    O homem é um animal político.

    E pra terminar... você citou a Democracia. Disse que os libertários "não aceitam isso".

    Perguntem aos brasileiros se eles querem acabar com a democracia. Façam uma pesquisa.

    AH a pesquisa é algo muito "coletivo"...vish (risos)

    não ta fácil ser libertário...







  • Xenon  27/03/2018 21:05
    Opa! Não foi o mesmo o mesmo Aristóteles e os aristotélicos que jogaram um cavalheiro no mar egeu por discordar deles na questão dos números irracionais?
  • Richard Gladstone de Jouvenel  27/03/2018 22:34
    Com todo respeito por você, usar sarcasmo e arrogância com aliados estratégicos e assim aliená-los, como os libertários, não parece uma escolha inteligente, a não ser que você seja um esquerdista enrustido ou um isentão. Suas palavras soam como se fosse dono da verdade, e provavelmente vai me responder que só está constatando fatos...

    Posso aceitar isso, mas eu pergunto: sendo como você diz, só há três soluções possíveis : se conformar (e se limitar a usar de sarcasmo com quem pensa diferente) e viver a vida como ela é, lutar pra mudar o estado de coisas, mesmo que não consiga, o que é provável,ou tomar o caminho do aeroporto e procurar um país pra viver onde o Estado incomode menos...

    Qual a sua escolha ?
  • Xenon  28/03/2018 10:31
    Agora sendo sincero sem ironia:

    A maioria nem sempre está certa
    A democracia na maior parte do tempo pode levar a tirania.
    Um indivíduo faz diferença, o coletivo não.
    Indivíduos exepcionais fazem Historia o coletivo são levados por ela.
    Um indivíduo dificilmente é manipulado, o coletivo sim.
    E finalmente:
    O futuro pertence aos indivíduos talentos e excepcionais e não não a coletividade mediocre.
  • João Pedro Schingiry da Silva  28/03/2018 17:54
    "Eu fico a pensar, uns dizem que o coletivo é uma abstração, pois acho que o indivíduo é a verdadeira abstração. O indivíduo que por si só já nasce fazendo parte de uma família (coletivo), já nasce em uma região (coletivo), já nasce fazendo parte de uma espécie (coletivo). Então o que é o indivíduo? O indivíduo nunca existiu. O que existe é o seu egoísmo, seu egos... até pra fazer comércio você precisa de mais um, ninguém faz comércio consigo próprio. "
    Para discutir Coletivismo e Individualismo precisamos deixar alguns pontos frisados:
    Coletivismo é tratar como criminoso quem se recusa a se submeter à autoridade do coletivo. É a ideia de que você não tem propriedade, nem de si mesmo, se o coletivo não lhe autorizar. É a proposta política onde qualquer violência, fuzilamento ou campo de reeducação é bem vinda para qualquer um que não se conformar ao objetivo político da "nação".
    Individualismo é tratar o individuo como dono de suas próprias ideias. Coletivos não agem atribuir certa ação á algo coletivo como, por exemplo, família é puro antropomorfismo.
    Um coletivo na visão libertaria é um conjunto de indivíduos, ligados por alguma coisa (como, por exemplo, amor à pátria) com ideias/ ideais que podem ser iguais ou diferentes. Um coletivo não age, as pessoas dentro desse coletivo que agem.
    Todo egoísta é individualista, porem nem todo individualista é egoísta. Individualismo é o oposto de coletivismo, não de altruísmo. O padeiro que te atende esta pensando nele na hora de vender o pão, não em você.
    Nenhum libertário jamais afirmou que o individualismo é fazer tudo sozinho, João pode ser melhor em plantar batatas, porem Luiz é melhor em fazer pão, seria impossível João e Luiz plantarem batatas e fazer pão ao mesmo tempo com a mesma maestria que faziam antes, por isso existe o comercio, individualismo nunca vai ser contra qualquer tipo de comercio, pelo contrario.
    "Essa frase já mostra o erro dos libertários a partir do momento que se insere o "OUTRO".
    O que eu faço provoca consequências na vida do outro e vice versa.".
    Não entendi porque os libertários não podem usar a palavra outro, a palavra é antropomórfica?
    Logico que não...
    Tudo que eu faço provoca consequência na vida, porem desde que eu não agrida outra pessoa (no sentido libertário) essa minha ação não é "errada".
    "E pra terminar... você citou a Democracia. Disse que os libertários não aceitam isso"
    Quando se fala em democracia, as pessoas geralmente pensam em direito de votar, liberdade de expressão, etc... Porem quando um libertário fala em democracia geralmente a critica é sobre o direito de um desconhecido decidir sobre minha vida, vice-versa. Como vimos nos últimos anos no Brasil com o governo petista, uma democracia pode ser pior que uma ditadura.
  • Cristian  28/03/2018 17:54
    "o individuo nunca existiu". Nesse caso estou tentando descobrir o quanto de pessoas que está escrevendo asneiras sob o nick: "mises traído".
  • Mateus Menezes  28/03/2018 18:11
    "...Pensando de forma coletiva protegemos o nosso individual..."
  • Perrut  01/04/2018 12:23
    Ué o rapaz traído sumiu?
  • junior  27/03/2018 15:40
    vim mais rápido que a fome no comunismo
  • Pedro  27/03/2018 15:42
    Off, mas nem tanto. O mercado é tão fantástico que até mesmo em mercados regulados e fechados pelo governo é possível haver concorrência (mesmo que sufocada). Aqui na minha cidade abriu um posto novo, cobrando 30 centavos a menos, o que confirma o que todos já suspeitavam: existe cartel de preços na região. O que aconteceu? Esse posto novo desviou maioria dos clientes pra ele, teve até fila. Dois dias depois todos os outros postos jogaram os preços para abaixo desses 30 centavos.

    Isso é só um exemplo. Se não fossem todas as imposições da ANP e todos os papeis, taxas, cobranças, cartórios, filas, carimbos, licenças e encargos, além de toda a cornucópia de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança que fazem com que abrir um posto de combustíveis seja uma atividade quase que restrita aos ricos, outros postos já teriam aberto há muito tempo e talvez esse cartel tivesse durado apenas alguns meses, em vez de mais de uma década.
  • anônimo  27/03/2018 15:54
    Aqui na minha cidade as farmácias se uniram e formaram um grupo com certas regras como, por exemplo, depois das 18 horas e em finais de semana apenas uma farmácia ficaria de plantão. Esse esquema perdurou por anos.

    Aí vieram outras rede de farmácia para minha cidade que não aceitaram entrar no esquema e passou a funcionar 24 horas por dia. O grupo de farmácia protecionistas entrou na justiça e perdeu. No final, várias dessas farmácias protecionistas faliram e hoje as pessoas daqui podem comprar remédio mais barato.
  • Conservador Genuíno   27/03/2018 15:47
    O único argumento irrefutável é o argumento do ponto de vista da liberdade. Mais ainda: da imoralidade que é a intromissão governamental na vida pessoal de cada indivíduo.

    Nesse quesito, vários conservadores afinam. Eles não admitem considerar que não é papel do governo e nem é direito de qualquer pessoa proibir, regular, restringir ou controlar o que um indivíduo deseja comer, beber, fumar, absorver, cheirar, aspirar, inalar, engolir, ingerir ou injetar em seu corpo.

    Se as drogas serão para uso médico ou recreativo é algo que não importa. E também não importa se o uso de drogas irá aumentar ou diminuir. Um governo que tem o poder de proibir substâncias nocivas ou práticas imorais é um governo que tem o poder de banir qualquer substância e qualquer prática. Sequer deveria existir algo como 'substância controlada'.

    Conservadores que reverenciam leis deveriam apoiar tanto a liberdade de se utilizar drogas para qualquer propósito quanto um livre mercado para as drogas. Não é minimamente racional autorizar o governo federal a se intrometer nos hábitos alimentares, alcoólicos ou tabagistas dos indivíduos.

    Dar essa atribuição a burocratas é coisa de gente frouxa e delicada, e eu jurava que conservadores eram o oposto disso.
  • Pobre Paulista  27/03/2018 17:27
    Assim como os facistas de hoje se auto-intitulam de "anti-facistas", os Neo-Conservadores se auto-intitulam de "Conservadores". É difícil separar o joio do trigo.
  • anônimo  27/03/2018 17:13
    Eu vou viver para ver a 2ª Emenda ser abolida nos EUA. Quando até os republicanos estão afrouxando deixando alguns acessórios serem proibidos e alguns até se distanciando do NRA para não "sujarem sua imagem" é porque as coisas estão feias.
  • Andre  27/03/2018 17:53
    Se a segunda emenda cair podemos ver os estados mais conservadores tentarem uma nova secessão?
  • Felipe Lange  27/03/2018 22:35
    Acho que sim. Lá ainda tem essa chance, o Brasil está complicado nesse aspecto ainda.
  • Pobre Paulista  27/03/2018 22:39
    Seria uma boa oportunidade. Estados confederados da América, aí vamos nós.
  • brunoalex4  27/03/2018 18:00
    Do fundo do meu coração, espero que estejas enganado...
  • Richard Gladstone de Jouvenel  27/03/2018 22:41
    Não acho tão provável. A Segunda Emenda é um dos pilares da Constituição Americana. Políticos podem até afinar e votar restrições, mas derrubá-la é improvável, embora seja possível.

    Os congressistas que tomarem essa decisão, principalmente dos estados mais conservadores, sofreram tamanha pressão do eleitorado que não irão arriscar, e os que o fizerem não ganham mais eleição nem pra síndico de prédio...
  • victor  28/03/2018 07:33
    Pergunta sem relação com o texto acima, mas gostaria de um esclarecimento:

    Se o banco central tem reduzido a taxa SELIC ao longo do ano de 2017 e deste ano de 2018,
    por que os juros cobrados pelos bancos ainda continuam altos? Se a SELIC está caindo, então
    isso significa que o BC está comprando os títulos públicos em posse dos bancos, logo as reser-
    vas bancárias estão aumentando e os juros tambem não deveriam estar sendo reduzidos?
  • Intruso  28/03/2018 10:33
    Mas estão sendo reduzidos, sim. Veja os gráficos do Banco Central:

    postimg.org/image/lc84y75rx/
  • Questionador  28/03/2018 19:53
    Olá,

    mas isso me intriga, será mesmo que alguém tem liberdade de deixar o emprego atual para trabalhar em outro lugar?

    Eu vejo que a esmagadora maioria de trabalhadores não tem formação acadêmica e portanto ocupam o que alguns chamam de subempregos, como faxineiras, trabalhadores de chão de fábrica, entre outros.

    Estas pessoas não possuem poder de barganha com seus patrões já que não tem qualquer diferencial competitivo em seus trabalhos, ora, qualquer pessoa pode fazer faxina.

    Então, eu me pergunto, será que livre mercado tem algum espaço para estas pessoas? Como elas vão gerar riquezas para si mesmo? Qual será a perspectiva para seus filhos? Alguém que é pobre e analfabeto está condenado a pobreza para sempre? Como essa pessoa conseguiria um bom contrato de emprego?

    Eu concordo com este texto quando se trata de pessoas com destaque em suas respectivas áreas que precisam melhorar e se aperfeiçoar cada vez mais para serem mais efetivos em seus trabalhos, ganhando melhores salários e melhores condições de trabalho.

    Porém, me parece que para um livre mercado é muito interessante que pessoas que são atualmente pobres e sem nenhuma perspectiva de vida continuem trabalhando onde estão com condições ruins de trabalho e ganhando dinheiro suficiente para comprar o que comer realimentando o mercado.

    O que acham?
  • Respondedor  28/03/2018 21:13
    Eu acho que você tem dificuldades com conceitos.

    É exatamente num livre mercado, que pessoas com baixa qualificação conseguem empregos.

    Em mercados regulados pelo governo, com leis trabalhistas que encarecem artificialmente a mão de obra, e com encargos sociais e trabalhistas que tornam a folha de pagamento impraticável, aquele trabalhador menos qualificado se torna caro demais para ser contratado.

    O sujeito produz $ 1.000, mas os encargos fazem com que seu custo total mínimo seja $ 2.000.

    Como é que o cara vai arrumar emprego neste mercado regulado? Não vai. Ficará desempregado.

    Já num livre mercado, sem governo impondo custos artificias via regulação, qualquer um consegue emprego de acordo com sua qualificação. Se o sujeito produz $ 1.000, ele será contratado por, digamos, $ 900. Sem encargos, sem regulações.

    No livre mercado, o custo total do empregado será o valor que ele produz. No mercado regulado, o custo total do empregado é o valor que ele produz mais os custos impostos pelo governo (encargos e impostos).

    Não é à toa que nos países mais economicamente livres o desemprego é menor.

    Artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2808
  • Demolidor  29/03/2018 02:51
    Não é problema com conceito só não. É com a realidade mesmo.

    O sujeito aí não deve ter whatsapp para ver os vídeos de pintores brasileiros bem de vida nos EUA.

    Será que é tão difícil assim enxergar o óbvio? E por que a tara por empregos, uma relação de trabalho de subordinação onde se corre todo tipo de risco, exceto o de ficar rico, com raras exceções?
  • Alessandro  29/03/2018 00:28
    Muito bom!

    E acrescento que uma das coisas mais belas que há em um livre mercado, nos moldes como destaca o artigo, é uma certa tranquilidade que o consumidor tem para dar esse sinal ao vendedor de que não concorda com determinada política, ideia, posicionamento, etc., porque sabe que poderá comprar produtos ou contratar serviços de outros comerciantes. Apesar de ele ter que arcar com uma ou outra consequência de tal escolha (por exemplo, ele pode não encontrar um outro produto tão bom), se o ambiente for livre, ele estará minimamente "amparado" pela concorrência.

    Quanto aos liberais que não entendem isto, esta é a nossa hora de separar os homens dos meninos. Em um ambiente de livre mercado, uma pessoa A não tem como fugir do "problema democrático" de a maioria das pessoas, ou porque tem uma opinião diferente ou porque não está nem aí, continuar financiando uma pessoa B, ou uma empresa, que pessoa A abomina. E isso é frustrante.

    Para muitas pessoas, só liberdade individual não é o suficiente.
  • Alexandre  29/03/2018 11:41
    Penso que toda convivência coletiva (Exemplos: casa [a nossa família], blocos, prédios, condomínios, ruas, estradas, escolas, hospitais, ferrovias, aeroportos, rodoviárias, bairros, cidades, uma ilha, uma fazenda, etc.) precisa de regras, e invariavelmente um grupo de indivíduos para fiscalizar essas regras, e outro grupo de indivíduos para aplicar as punições a quem não cumprir tais regras. - Isso traz harmonia de convívio, resultando em liberdade.
  • Pedro Marcio  07/04/2018 14:45
    tudo que está contido no texto é fato. Nossas escolhas determinam a tendência da sociedade. Sendo assim, também posso dizer que mesmo em um estado intervencionista são as escolhas dos indivíduos que determinam a existência desse tipo de estado, porém, alcançar os objetivos pretendidos com esse tipo de estado pode ser bem mais penoso. Mas, existe um estado liberal genuíno?
  • Emerson Luis  19/04/2018 10:32

    Como pergunta o economista Fredy Kofman:

    "Você realmente defende a liberdade
    ou defende apenas a sua liberdade?"

    * * *


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